Capítulo 5
"É inútil lutar contra o inevitável".
Quando Kagome chegou em sua nova casa, esperava encontrar Inuyasha pois já se passava das 7 horas e ele tinha costume de chegar em torno das 6 em dias comuns. Ela havia ficado trabalhando até mais tarde já que se empolgou com uma nova campanha para uma empresa de softwares, mas avisara para Kaede e pediu que repassasse o recado à Inuyasha. Ele esteve em reunião o dia todo e havia sido impossível contatar ele, recebeu apenas uma mensagem durante o dia, cancelando o almoço que haviam combinado.
As coisas haviam transcorrido relativamente bem nos últimos dias desde que chegara a Nova York. Sua rotina no trabalho foi retomada, não houveram mais surpresas e sua relação com Kaede e Ayame ia muito bem. Quando ao seu "casamento" estava em uma situação confortável, eles usavam do pouco tempo que lhes sobrava para conhecer-se um pouco mais, e aproveitar a companhia do outro. Nada de muito estimulante.
- Boa noite, Kaede. – Kagome a cumprimentou quando ela apareceu na entrada, provavelmente por ter ouvido o barulho de alguém chegando.
- Olá Kagome! – O sorriso da senhora foi gentil e acolhedor, mas ainda somente educado. Não havia a intimidade que Kaede tinha com Inuyasha ou Ayame. Ainda.
- Inuyasha ainda não está em casa, provavelmente chegará tarde.
- Ele avisou alguma coisa? – Curiosa, ela perguntou
- Não se preocupe, às vezes ele não consegue avisar. Logo deve estar em casa. – Ela viu Kagome parada sem saber exatamente o que fazer, então sugeriu:
- Pode esperá-lo para jantar ou podemos jantar antes
- Vou esperar. – sorriu. – Estarei lá em cima.
Kagome foi para o quarto, estava sozinha na casa. Ayame não voltaria para casa naquele dia, Kaede lhe informou, havia feito uma curta viajem repentina para visitar uma amiga visto que o final de semana se aproximava e Miroku ainda precisava de algum tempo para se acostumar em tê-la sempre ao seu lado. Esperaria Inuyasha, pois não queria jantar sozinha, ali era tudo tão grande que tinha a impressão de ser a ultima pessoa da Terra quando estava sozinha. Todos os empregados eram muito discretos, e Kaede também, principalmente porque ainda não se conheciam muito bem.
Aquele estilo de vida já tinha feito parte de seus dias, mas quando passou a morar sozinha, tudo pareceu se ajustar exatamente como gostava, era apenas ela, não tinha empregados, ou uma casa enorme. Seu apartamento era aconchegante e parecia ser feito sob medida para ela, apenas dois quartos eram suficientes, sua sala era possivelmente a metade da sala daquela casa, a cozinha era pequena também e tinha apenas uma bancada separando-a da peça que usava como sala de jantar. Na verdade, se fosse pensar, seu apartamento parecia uma casa de bonecas perto da casa de Inuyasha.
Naquele quarto, porém, sentia-se confortável. Isso se dava provavelmente pela atmosfera aconchegante e o fato de que algumas coisas suas já tomavam seu lugar. No banheiro, sobre a longa bancada de mármore, viam-se algumas coisas de seu uso pessoal, como loções, perfumes e poucas maquiagens que às vezes lhe convinha fazer o uso. No closet, Kaede encarregou-se pessoalmente de organizar as roupas que havia trazido de seu apartamento, entre as camisas e os ternos bem cuidados de Inuyasha.
O quarto era definitivamente o seu lugar favorito na casa. Concluiu olhando em volta quando terminou de ler um material. Era uma pesquisa que havia levado para casa para ter algumas idéias. Ficou feliz em trocar suas roupas por algo mais confortável ainda com seus cabelos úmidos pelo banho ,e deixar-se relaxar em uma poltrona do quarto.
Ouviu uma suave batida na porta e pediu que entrasse.
- Inuyasha chegou, Kagome, pediu que jantasse sem ele pois ainda tinha coisas a fazer. – Kaede comunicou, sem avançar para dentro do quarto, apenas tinha aberto a porta.
- Onde ele está? – Deixou sobre a mesa os papéis que tinha em mãos e se levantou com a intenção de ir atrás dele.
- No escritório, mas pela expressão dele, acho melhor que não lhe faça nenhuma surpresa.
- Hm, certo. Vou jantar. – sorriu com algumas idéias pipocando em sua mente. – Obrigada Kaede - beijou a senhora na face espontaneamente, e foi para a cozinha.
Jantou silenciosamente ao lado de Kaede, mas de vez em quando olhava para ela e sorria. Kaede conhecia bem Ayame, e como ela tinha um sorriso parecido quando estava tramando alguma coisa, desconfiou que a mente de Kagome poderia estar trabalhando exatamente na surpresa que lhe aconselhara a não fazer. Decidiu que definitivamente gostava daquela garota!
- Você pode me ajudar com uma coisa, Kaede? – Kagome pediu com sua melhor expressão inocente, se é que ela conseguia teruma, quando elas já se retiravam da mesa.
Inuyasha estava afogado em rios de papéis, já não aguentava mais analisar contratos e propostas, mas tinha que fazer. Lembrar-se-ia disso no próximo encontro que tivesse com seu irmão Ele jogara sujo, não tinha lhe avisado das transações importantes pelas quais o banco estava passando. E quando ele procurou colocar-se a parte de tudo, obviamente o acharam um incompetente por não saber do que acontecia em seu próprio domínio.
Desde o acontecimento em Las Vegas, as coisas ficaram realmente difíceis para ele. As cobranças e a desconfiança ficaram ainda maiores, sem falar nas fofocas que rolavam pelas suas costas. Eles ainda não entendiam que sua vida pessoal de nada tinha a ver com seu desempenho profissional. E isso era revoltante.
Fez uma pausa na leitura para esticar os músculos tencionados, e quando levantou olhar, deparou-se com Kagome, entretida em observá-lo do modo mais natural possível. Ela já estava com roupas que usava para ficar em casa, calça de moletom e camiseta folgada. Sentia-se à vontade aparentemente, pois estava na poltrona um pouco distante da escrivaninha do escritório, sentada sobre os calcanhares e com os cotovelos sobre a guarda do sofá e as palmas sustentando o rosto sorridente.
Quis rir daquela expressão cínica e brincalhona do seu rosto, mas se conteve.
- O que faz aqui? – Inuyasha quis saber
- Adoro vê-lo trabalhar. – No mesmo tom sério que ele, ela respondeu, mas não segurou o riso quando ele arqueou as sobrancelhas, desacreditando. – Vim trazer seu jantar.
Kagome indicou com um gesto simples com a cabeça, a bandeja que tinha colocado sobre a mesinha que ficava entre a poltrona e um sofá de dois lugares. Estava meticulosamente arrumada com os talheres envoltos por um guardanapo ao lado do prato com uma bela apresentação. Kaede tinha passado por ali, ele tinha certeza.
- Disse a Kaede que precisava terminar isso aqui, que não me esperassem para jantar. – Voltou seus olhos para os documentos á sua frente, lendo repetidas vezes a mesma palavra sem atribuir nenhum significado.
- Eu sei, já jantamos, estava muito bom. Esse é o seu jantar, então coma, os papéis não vão criar asas e fugir. Fique tranqüilo, dou minha palavra. – Kagome persistiu, irônica.
- Deixe ai, já como. – Por que não conseguia sair dessa maldita palavra? Inuyasha praguejou em silencio, ainda sem olhar para Kagome, ela lhe tirava completamente a concentração e enquanto ela estivesse ali, não conseguiria terminar aquilo.
- Dê-me isso aqui, estou com fome. – Admitiu, colocando as coisas de lado. Deu o que Kagome queria, poderia ver a satisfação naquele sorriso no canto dos lábios rosados que tinham o gosto do paraíso, como bem se lembrava.
- Aha! Eu sabia. – Colocou a bandeja em frente a ele e estava quase se distanciando dele quando a segurou pelo braço.
- Onde vai?
Ela se virou, escondendo a surpresa em seus olhos.
- Tenho algumas coisas a fazer.
- Também tinha, agora você fique comigo já que me atrapalhou – Relaxou a expressão que até agora tinha estado contraída. Gostava da companhia dela, muito.
- É serio, Inuyasha! - Riu, puxando o braço de volta. Ele não a soltou, apenas a puxou sutilmente, mas o suficiente para fazê-la cair no colo dele.
Dessa vez Kagome não escondeu o choque, muito menos quando ele tirou algumas mechas de cabelo que insistiam em recair sobre os olhos dela. Seus lindos olhos azuis, agora arregalados pelo susto, ainda o deixavam deslumbrado com o toque acinzentado, o brilho e principalmente a veracidade que vira unicamente neles.
Toda vez que estava com ela, tinha vontade de beijá-la e fazê-la sua, não importando onde ou como. Apenas queria.
Com esse pensamento, beijou primeiro as maçãs salientes de seu rosto, levemente rosadas, então roçando os lábios até o queixo, mordiscando levemente ali até chegar na boca. Demorou se nos lábios volumosos, seduzindo-a pouco a pouco.
Kagome não conseguiu resistir. Envolta pelos braços fortes e possessivos, sentindo o calor do corpo dele sob o seu. O lado racional lhe dizia para parar antes que fosse tarde de mais, mas seu corpo apenas ignorou o comando, fazendo justamente o contrario, incentivando Inuyasha a lhe dar mais. Em segundos, encontrava-se tomada pela boca possessiva daquele homem que continuava a exigir mais e mais dela. Era a melhor sensação do mundo, ser desejada daquela maneira.
Permitiu-se dar o prazer de explorar tanto quanto ele. Suas mãos acharam o caminho para os ombros dele e lá permaneceram, ele tomara seu rosto entre as mãos, acariciando o com os dedos algumas vezes.
O que está fazendo? O bom senso lhe perguntou. Não sabia, mas recobrou a consciência antes que toda a excitação os levasse por caminhos mais suntuosos.
Reuniu todas as forças que ainda lhe restavam, e o afastou, pouco. Ficaram se olhando por longos segundos, e ele ia avançar novamente quando ela o impediu.
- Não, Inuyasha, você tem trabalho a fazer e eu também – Bela desculpa. Kagome, pensou decepcionado consigo mesma.
- O trabalho pode esperar – Trouxe-a para mais perto, abraçando-a.
- Não, não pode. – deu a face quando ele ia tocar seus lábios novamente.
Inuyasha esvaziou os pulmões em um longo suspiro decepcionado. Ela estava evitando qualquer contato realmente íntimo, por algum motivo estúpido que ele teria que descobrir. Era idiotice adiar algo que certamente aconteceria, ele gostava dela, e ela gostava dele, os dois sentiam atração um pelo outro, e eram ótimos em satisfazer os prazeres mútuos. Qual era a maldita complicação daquilo?
- Certo, mas não acabamos aqui. – Manteve apenas um braço ao redor da cintura dela como aviso, uma promessa. Também para ela saber que ficaria ali, exatamente onde estava. Que se dane o trabalho, não conseguiria mais se concentraram de forma alguma mesmo.
- Eu sei – murmurou entre dentes. – Pode comer agora? – mudou de assuntou rapidamente.
- Tenho escolha?
- Não. – sorriu mais relaxada.
Porque quis, pegou o garfo e começou a dar-lhe de comida, como se ele fosse uma criança pequena.
- Achei que Kaede já fazia o papel de mãe por aqui. – Fez uma careta quando ela lhe deu outro pedaço de carne.
- Ora! Eu sou uma mulher muito versátil. – Riu, alcançando o guardanapo para limpar o molho que tinha ficado no canto da boca dele.
- Conheço outro modo que limpa melhor - ao sentir o papel sobre a pele, tentou mais uma vez levar aquilo tudo a outro nível.
- Também conheço, mas é apenas uma desculpa para fracos, se quiser lhe beijar não preciso de desculpas ou atalhos. – Para provar, o beijou rapidamente nos lábios, sorrindo maliciosa.
- Algum dia eu ainda vou entender você, Higurashi? – Fingindo estar inconformado, perguntou.
- Não tente, Sr. Taisho, é perda de tempo. – Deu de ombros e continuou a alimentá-lo.
Brincou com o garfo várias vezes, sem que alcançasse a boca dele. E caiu na gargalhada quando ele cobriu sua mão com a dele, forçando a parar para que ele pudesse comer. Duas verdadeiras crianças.
- Agora posso ir para o quarto, terminar de fazer minhas coisas? – Kagome pediu, dando a ele a ultima garfada da refeição.
Enquanto mastigava, olhou para ela o tempo todo, analisando cada traço do seu rosto. Por fim respondeu:
- Não. Já que me atrapalhou vai ficar aqui até me contar o que fez hoje, e fingiremos que somos um casal normal, contando um ao outro sobre seu dia. – Sorriu convencido de que tivesse falado uma grande coisa
- Idiota. – Revirou os olhos, enfadonha. – Se tivesse almoçado comigo saberia - Resolveu fazer o papel de esposa chata, seria divertido.
- Tinha trinta minutos para almoçar, até chegar ao restaurante já teria se passado 45 minutos. Perda de tempo.
- Desde quando você respeita esse tipo de horário? – arqueou uma sobrancelha achando aquela atitude diferente
- Desde que tenho que escutar aqueles idiotas do escritório falando do que eu faço ou deixo de fazer o tempo todo.
Kagome sentiu o aborrecimento em sua voz, e quis livrá-lo disso, mas não sabia como
- Está tão ruim assim? – fez uma careta quando ele suspirou tão profundamente. A situação não estava fácil para ele.
- Sim – falou com sinceridade. – Eles duvidam de cada passo que eu dou, acho que minha reputação não ajuda muito.
- Com certeza não! – Começou a rir, mas viu que ele não achava engraçado. Sem saber como resolver aquilo, mudou de assunto. – Como está Miroku?
- Ele mandou Ayame tirar o dia de folga hoje. Eu sabia, ele não aguentaria ela por muito tempo! - Sua expressão mudou quase que completamente, e um sorriso convencido surgiu no canto dos lábios dele.
- Você disse 1 dia, foram 3. – Kagome teve prazer em achar um furo em sua conclusão perfeita.
- Garanto que Sango é a culpada, em outros tempos ele estaria subindo pelas paredes atrás de alguma mulher, e sem a menor paciência para nada. – Justificou seu erro de cálculo rapidamente.
Era divertido ver como ele sempre queria estar certo, e melhor ainda como era prazeroso achar um furo em suas suposições mirabolantes.
Embalados por uma conversa comum, perderam a noção do tempo e acabaram ficam no escritório por horas, até que se recolheram para o quarto juntos e aproveitaram uma longa noite de sono. Apenas isso.
As coisas comuns davam certa segurança, descobriu Kagome, era bom não viver loucamente 24 horas por dia, afinal. O tempo que passou com Inuyasha no final do dia foi muito bom, falaram das coisas mais diversas e nenhum tinha uma grande importância, a maioria eram só besteiras já que nos últimos dias, tinham se preocupado com verdadeiras bombas em suas vidas, agora era legal usufruir de um pouco de paz. As coisas estavam tranqüilas entre eles, precisavam admitir. Mas por alguma razão, Kagome estava evitando que levassem a intimidade para outro nível.
Estava tudo bem, não precisava deixar que sentimentos confusos surgissem entre eles. E o sexo só complicava as coisas. Amizade, companheirismo, isso já estava bom para ela. Mas será que conseguiria resistir por muito tempo?
Suas mãos suavam, estava inquieta e completamente desatenta. Estava nervosa.
Qual é seu problema, Kagome? Seus pais vão conhecer Inuyasha, e daí? Não pode estar nervosa!
Olhou-se pela quinta vez no espelho do banheiro, depois de pronta. Tentou vestir-se o mais casual possível, mas ainda havia certa formalidade acompanhando o vestido descontraído, longo e florido. Estava com maquiagem, e isso era um verdadeiro indício que havia pensado naquele almoço como algo mais. Não gostava de usar aqueles milhares de produtos em seu dia-a-dia, mas em ocasiões especiais era preciso. Essa não é uma ocasião especial, Kagome! Ainda tentava se convencer. Para provar a si mesma, cogitou remover toda a maquiagem do rosto, mas Inuyasha bateu na porta levemente antes de entrar, interrompendo qualquer ação sua.
- Está pronta? – Observando-a dos pés à cabeça, encostou-se ao marco da porta, de braços cruzados e com aquele sorriso que a fazia corar às vezes. Essas coisas idiotas estavam a tirando do serio ultimamente, ora onde já se viu corar por causa de um sorriso! Kagome, sua idiota! Se repreendeu automaticamente.
- Acho que sim – Com relutância, respondeu, olhando uma ultima vez para o seu reflexo, só para ter certeza. – Sim, estou.
- Linda. – disse simplesmente e Kagome sentiu suas penas ficarem bambas. - Seus pais devem chegar logo, porque não descemos?
Ofereceu-lhe a mão para que ela o acompanhasse. Demorou um pouco, mas ela aceitou. Desceram para o andar de baixo onde estava tudo impecável como sempre. Kaede havia colocado novas fores nos vasos, eram girassóis, seus preferidos, e esses estavam especialmente lindos, pareciam ter sido colhidos há pouco e ainda exalavam o frescor da primavera. Todas as janelas estavam abertas, deixando o sol de o meio-dia adentrar a casa. O tempo estava quente, mas agradável graças a uma brisa inconstante.
Perfeito. Estava tudo perfeito, mas ainda tinha aquele nervosismo apegado a cada uma de suas terminações nervosas.
- Vamos almoçar no jardim, Kaede já preparou tudo. – Inuyasha lhe avisou, e ela assentiu, mesmo pensando em outras coisas. Ela estava ausente, ele notou. Sua atenção estava em qualquer lugar menos ali.
- Está nervosa? – Riu ao ver a expressão de espanto que ela fez, responderia não, obviamente.
- Olhe para minha cara, pareço nervosa? – ela parecia entediada, ele pensou, nunca admitiria que estava nervosa.
- Como quiser, mas ainda acho que está nervosa – Riu sem medo de ferir seu orgulho, o que acabou a deixando emburrada. Fazendo papel de uma criança birrenta, retirou sua mão da dele, cruzou os braços e virou o rosto. Ele só riu mais.
- Você fica irresistível quando faz essa cara, sabia? – Beijou seus lábios rapidamente e a deixou sozinha.
Ele acabou levando Kagome para o jardim, estava cercada por flores de todos os tipos e logo a frente, havia a piscina. Tinha um formato indefinido, um pouco arredondado em algumas partes. A água deixava transparecer o fundo que formava um desenho em mosaico.
Sentiu uma vontade tremenda de ficar descalça para poder sentir grama gelada sob seus pés ou deitar-se na rede, protegida pela sombra das árvores, sem fazer absolutamente nada. Mas viu a mesa posta em um dos cantos sombreados daquele imenso jardim, e lembrou-se que almoçaria pela primeira vez com seus pais e Inuyasha, eles se conheceriam naquele dia. Era o inferno na terra! Seu pai iria começar a fazer milhões de perguntas, sua mãe insistiria para que fizessem um casamento pomposo em Nova York. Se sobrevivesse àquilo, daria a si mesma um prêmio por sua superação. E 12 horas de sono com lindos sonhos seria um ótimo prêmio, definitivamente!
Infelizmente, havia chegado a hora de colocar em prática tudo que viera mentalizando desde o momento que acordara. Ouviu a campainha quando, seguindo pelo caminho de pedra por entre a grama, voltou para dentro da casa, a fim de procurar Inuyasha. Seu sangue pareceu congelar com aquele som agudo, muito irritante! Um nó de formou em seu estomago, a impedindo de respirar por um momento. Mas não estava nervosa, essa palavra não se aplicava à Kagome Higurashi! Mesmo dizendo isso, precisou respirar fundo varias vezes para acalmar seus nervos quando a campainha tocou pela segunda vez.
Com passos longos, alcançou a porta antes de Kaede, sorrindo pediu que a deixasse atender à porta, a senhora apenas a encorajou, por fim, dizendo boa sorte. Será que era tão obvia assim em sua inquietação? (ainda se recusava a usar a palavra nervosismo)
Assim que abriu a porta, teve um rápido vislumbre de seu pai, depois, apenas sentiu seu corpo chocar contra uma muralha. Seu pai a apertava fortemente contar seu peito, falando coisas rápidas e em japonês, coisa que só fazia quando estava extremamente nervoso. Conseguiu identificar algumas palavras como: minha garotinha, safado e matar. Isso provavelmente resumia aquele monte de palavras que foram jorradas sem piedade no momento em que abriu a porta. Teve medo por Inuyasha, mas foi apenas por causa de sua inquietação, logo se lembrou que o homem alto e robusto, com densos cabelos grisalhos, tinha um coração enorme, e apesar de ameaçar muito, não faria mal a uma só mosca.
- Minha garotinha, o que fizeram com você? – Abraçou Kagome ainda mais forte, tanto que ela mal conseguia respirar – Cadê aquele safado do seu marido? – falou a última palavra com muito desdém, erguendo a cabeça pra procurar por algum homem, mas só encontrou uma simpática senhora que assistia à cena, sorridente.
- Pai, por favor... – o pedido era um baixo sussurro abafado, ela ignorou completamente. – Pai!
- Yuri, querido, Kagome precisa respirar – O homem sentiu aquela mão pequena sobre seu ombro e relaxou.
Era impressionante como só o toque de sua mulher, por mais sutil que fosse, poderia acabar com sua força instantaneamente, mesmo depois de mais de 2 décadas juntos.
- Olá querida!
Entusiasmada, sua mãe lhe deu um abraço que pareceu nada perto da força de seu pai, mas de qualquer jeito, sentiu-se como se fosse uma criança de 7 anos sendo bajulada por seus pais. Só faltava que apertassem suas bochechas e lhe contassem história logo depois de colocá-la na cama. Queria cavar um poço no chão, até o Japão, e se enterrar. Não! Japão não, estaria sobre a mira de sua sogra. Céus, que mundo injusto! Se estivesse dormindo nada disso estaria acontecendo, afinal, a bela adormecida não teve que passar por aquilo.
Inuyasha, onde você está seu inútil? Ele não a deixaria sozinha naquela situação, já teve que aguentar a mãe dele, agora ele teria que agüentar a mãe e o pai dela. A vingança seria divina.
- Kaede, onde está Inuyasha? – perguntou, recuando para que seus pais entrassem e ela fechasse a porta.
- Precisou atender a uma chamada no escritório. – pelo olhar desesperado de Kagome, achou melhor ir atrás dele – Vou chamar ele, não se preocupe K-chan.
O que faz no escritório? Sua mãe não lhe ensinara que deveria receber seus convidados educadamente quando se é o anfitrião? Idiota!
- Cadê o safado do seu marido? Eu quero conhecer esse Inuyasha - Naomi deu um discreto tapinha no braço de Yuri e o repreendeu com o olhar, mas ele fez a expressão mais inocente que conseguiu. – O quê? Tenho direito de conhecer o homem que minha filha escolheu, não tenho?
Naomi revirou os olhos, voltando-se com um sorriso para a filha, só então percebeu que havia um pouco de nervosismo no modo com que colocava várias vezes uma mecha de cabelo atrás da orelha e olhava sem parar para um longo corredor.
- K-chan, filha, você está nervosa? – Deixou os braços do marido e envolveu Kagome novamente com um afeto materno, lhe confidenciando aquelas palavras.
- Mas porque todo mundo acha que estou nervosa? – Exaltou a voz acabando com a confidencia, seu pai ouviu tudo - Eu não estou nervosa, nunca fico nervosa porque meus pais vão conhecer pela primeira vez meu marido, que besteira! – O tom da sua voz, a rapidez com que falou as palavras e como se atrapalho com elas... Sim, estava nervosa.
Inspirou o ar profundamente, mas segurou-o quando sentiu a mão possessiva sobre sua cintura, e um sussurro da voz rouca de Inuyasha:
- Eu disse que você estava nervosa – aquele som vitorioso, revoltante e extremamente sexy, atingiu-lhe como uma apunhalada em sua alma. Maldito! Porque tinha que chegar logo naquele momento?
Antes que ela pudesse se virar para lhe dar uma boa resposta, ele a puxou contra si, fazendo suas costas colarem contra seu peito. Então, como só ele sabia, encantou sua mãe com um cumprimento galanteador.
- Senhora Higurashi, é um prazer conhecê-la – Com delicadeza e charme, beijou as costas da mão dela, sorrindo logo em seguida.
- Ora se não é um cavalheiro! – Naomi riu divertida, sem ver sua filha e seu marido revirando os olhos, entediados ao mesmo tempo e da mesma maneira. - O prazer é meu, senhor Taisho, mas, por favor, para você é só Naomi
Piscou para ele sabendo que ele aceitaria bem a brincadeira. Tivera uma ótima primeira impressão de seu novo genro, e não só porque ele era muito bonito, mas principalmente porque viu que sua filha parecia muito bem nos braços dele. O modo como ele colocava a mão sobre a cintura dela e ela, sem perceber, colocou a sua sobre a dele, e o próprio nervosismo excessivo dela, deixavam algumas coisas bem claras para Naomi. Mas outras, nem tanto.
Quando olhou para o marido a alguns passos de distancia, identificou um leve aborrecimento em seu rosto, mas teve a impressão de que ele enxergava o mesmo que os via. Sentiu-se feliz pelos dois.
- Pai, - Kagome achou que deveria fazer as apresentações formalmente – Este é Inuyasha Taisho, meu marido. Inuyasha, este é meu pai, Yuri Higurashi.
Kagome estava constrangida por ter que fazer aquilo, não era bem assim que pretendia apresentar seu novo marido ao seu pai.
Olhou para os dois por um bom tempo, vendo que o homem mais velho analisava o outro com os olhos semi-cerrados e a testa franzida. Inuyasha também observava, mas era mais sutil, conseguia fazer isso muito discretamente, ao contrário de seu pai, claro. Yuri tinha prazer em colocar seus namorados sobre aquela situação de aprovação. Olharia por alguns bons segundos, faria aquela careta de desaprovação, então, finalmente, abriria um sorriso. Viu-o fazer o mesmo de sempre, exceto a parte do sorriso. Talvez ele não tivesse gostado de Inuyasha, aquela inquietação voltou a fazer seu sangue borbulhar, tinha motivos para estar nervosa, afinal.
- Senhor Higurashi – Inuyasha deixou Kagome para dar um passo a frente e tomar a iniciativa.
Kagome cambaleou um pouco antes de se equilibrar sem ele às suas costas, estava tensa demais para se preocupar em manter as pernas firmes.
- Não acho que tenha feito isso do modo correto, deveria ter pedido sua permissão antes, – Ele sabia, era exatamente isso que seu sogro queria ouvir – mas aconteceu, agimos por impulso. Espero que possa ter sua aprovação agora já que não tivemos antes.
Como se fosse fechar um acordo de paz, Inuyasha estendeu a mão, segurando o ar durante mais um tempo. O homem não era tão fácil, precisou admitir, mas seu discurso o convenceria, pela primeira vez, sentiu que precisava convencer.
- Se você fizer alguma coisa à minha menina, considere-se um homem morto Inuyasha Taisho – Yuri apertou a mão dele e viu que ele não estremeceu com a ameaça, gostava disso. – Se fizer ela feliz, tem minha aprovação.
Inu sentiu-se pressionado, não estava acostumado com responsabilidades e derrepente, muitas delas recaíram sobre ele. A felicidade de Kagome era uma obrigação pra ele, não uma responsabilidade, decidiu. Porque a queria feliz, e sabia que lhe devia isso.
- Não tenha duvidas disso, senhor. – Isso era tudo o que Yuri precisava ouvir.
Estava entregando sua filha nas mãos de outro homem, dessa vez, queria fazer a coisa certa, não deixaria que ninguém a magoasse novamente.
- Bem vindo á família, Inuyasha. – A face do homem ficou serena, e um sorriso iluminou seus olhos, os mesmos olhos de Kagome, Inuyasha notou.
Aliviado, ele expirou todo o ar que tinha mantido preso inconscientemente. Riu de pura satisfação, acompanhando o sorriso de seu sogro. A primeira pessoa que procurou, foi Kagome. Ela estava com os olhos arregalados, amparada pela mãe, assistia a tudo sem acreditar no que acontecia. Não sabia se ria ou chorava, mas não teve tempo de decidir. No instante seguinte estava nos braços de Inuyasha, por puro impulso ele a abraçou como se jamais fosse soltá-la e, a erguendo do chão, tomou seus lábios com fervor, esquecendo-se que seus sogros ou Kaede, que presenciara tudo calada, estavam ali no mesmo cômodo.
Sem reação imediata, Kagome se deixou levar pela naturalidade da ação dele e retribuiu cada gesto. Alivio e felicidade. Eram os dois sentimentos que a dominaram quando reagiu, inexplicavelmente estava feliz por ser Inuyasha que a tinha em seus braços e aliviada por ele ter sido aceito por seus pais. Como se tudo aquilo fosse durar para sempre.
Inuyasha não soube explicar o que se passava com ele, nunca tivera aquele tipo de reação, mas simplesmente quis beijá-la, quis estar com ela, quis dizer a ela "deu tudo certo", mas não com palavras, palavras eram pequenas para aquela sensação tão grande. Quando a colocou de volta em seu eixo, ainda sem deixar de segura-la, viu em seus olhos todo seu íntimo refletido naquele profundo azul acinzentado. Ela o entendia, sabia disso. Compartilhavam de uma sincronia onde palavras eram inteiramente dispensáveis.
Kaede pigarreou, fazendo-se notar
- Já passa do meio dia, K-chan...
- Hm, claro. – Recobrou a compostura, desviando os olhos, de Inuyasha para seus pais.
Eles olharam para aquela demonstração espontânea dos dois felizes pela filha ter encontrado alguém como Inuyasha, ainda assim Naomi tinha algumas dúvidas passando por sua mente perspicaz.
- Vamos almoçar? – Kagome sugeriu aos seus pais, ignorando o olhar penetrante de seu marido que ainda estava sobre ela.
Aquela mania dele de ficar a encarando, fazia seu sangue ferver, mas não mais do que as mãos dele que insistiam em trazê-la para junto de seu corpo.
Os pais assentiram, e Kagome, deixando Inuyasha para trás, os guiou até jardim. Naomi se aproximou da filha cochichando algo em seu ouvido que a fez corar levemente e ela respondeu com um murmúrio que os homens atrás delas não poderiam escutar.
- Então, Inuyasha, quantos pais já convenceu com aquele seu discurso bem feito?
- Você é o primeiro, e espero que seja o ultimo –
- Bom menino! – A risada estrondosa foi acompanhada de um tapa fortemente amigável no meio das costas de Inuyasha.
Sem saber o que faze, riu junto. Claro que seria o ultimo, não pretendia passar por uma situação como aquela novamente, tinha sido muito estranho, e o pior ainda foi a vontade dele de simplesmente estar com Kagome. Estava acostumado a lidar com o desejo, sim, claro, sentia desejo por muitas mulheres, também tinha o carinho, por sua família e amigos. Mas por Kagome, parecia tantas coisas misturadas, tantos sentimentos que não fazia a menor idéia de como lidar com aquilo. Tinha se metido em uma grande encrenca.
- Você tem uma linda casa, Inuyasha – Naomi elogiou, levando a xícara de chá mais uma vez até os lábios
O almoço havia sido muito tranqüilo, até demais. Kagome estava chocada por não ter sido constrangida por alguma pergunta ou comentário de seus pais. Na verdade Seu pai e Inuyasha haviam achado uma paixão em comum, corridas de Fórmula 1. Entraram em um debate assíduo sobre suas equipes favoritas para o podium, e Kagome e Naomi ficaram completamente alheias ao assunto. Mesmo assim, foi impossível não ouvir quando Inuyasha convenceu seu que a sua equipe tinha mais chances de ganhar que a dele. Ela teve vontade de rir, mas de conteve. O homem com quem agora dividia sua vida era muito persuasivo quando queria, de certa forma isso lhe fazia ter arrepios, um dia ainda se acharia encurralada por essa qualidade de Inuyasha.
- Obrigado, Naomi. – Sorriu, realmente agradecido pelo comentário - Essa foi a primeira propriedade que meu pai comprou quando se mudou para a América, por algum motivo ele não vendeu essa, como fez com outras. Gosto muito daqui.
- É espaçosa, será ótimo para criar as crianças. – Naomi ainda completou, com olhos brilhando de esperança. Tudo o que queria era um neto para mimar muito.
Kagome estava distraída, mas quando a palavra crianças chegou aos seus ouvidos, acabou se afogando com o chá que estava tomando. Seus olhos acabaram erregalados de surpresa e incredulidade e começou a tossir sem parar. Não sabia se respirava ou fugia daquele pesadelo.
- Filha, você está bem? – olhou para ela, sem entender seu espanto. Falar de filhos era algo natural depois do casamento, e Kagome já tinha 27 anos, era a idade perfeita.
Sua mãe, definitivamente não tinha piedade dela, e Inuyasha muito menos, ele estava pronto pra rir se ela não tivesse ameaçado ele com um olhar mortal.
- Mãe, - respirou fundo, recuperando o fôlego – Eu e Inuyasha não planejamos ter filhos.
As palavras saíram sem ela pensar, era a verdade, mas não era essa verdade que sua mãe deveria escutar. Como um casal normal, eles deveriam ter filhos, cedo ou tarde. E o fato de que não eram um casal normal não era do domínio de Naomi.
- Como não, Kagome? – Como a dramaticidade já estava em seu sangue, levou a mão ao coração quando levou um susto pelas palavras de Kagome. Sentiu-se quase ofendida com aquelas palavras.
- Não planejamos ter filhos, por enquanto, Naomi. – Inuyasha remendou rapidamente. Mas não se exaltou, pelo contrário, estava mais concentrado em seu café do que no assunto em questão
Ele e sua filha trocaram um olhar cúmplice que só Yuri percebeu, Naomi estava ocupada demais com a perspectiva que não ter seus queridos netos. Pelo visto aqueles dois não planejavam mesmo ter filhos, mas não queriam desiludir sua mulher.
- Kagome tem muito que fazer na agência e eu preciso me preocupar com o banco no momento. Deixamos os filhos para o futuro, foi isso o que K-chan quis dizer. –
Ele estava sereno e calmo, apesar daquele sorriso que se formava em seus lábios quando via o espanto de Kagome, afinal sabia bem como lidar sob pressão.
- É – A morena ainda estava tensa e tinha medo de falar algo além daquilo, e estragar o que Inuyasha concertou. Focou-se em terminar seu chá e nem se quer olhar para sua mãe, pois às vezes seus olhos podiam péssimos mentirosos.
- Entendo, mas não demorem muito, ainda quero estar viva para ver meus netos. - Naomi ainda olhou por bastante tempo para sua filha antes de se manifestar
- Deixe as crianças aproveitarem primeiro, Naomi, quando estiverem prontos, nos darão nossos netos. – apaziguou Yuri recebeu um sorriso de agradecimento de Kagome quando olhou para ela, e retribuiu. Ele sabia como acalmar a esposa e mudar de assunto rapidinho. – Não tem uma coisa para dar para eles, querida?
- Claro, como me esqueci? – Derrepente estava animada.
Inuyasha a viu abrir a bolsa que estava ao seu lado e pegar um envelope branco. Não tinha idéia do que poderia ser, por isso, questionou baixinho Kagome que estava ao seu lado na mesa redonda. Ela deu de ombros sem saber do que se tratava também.
- Normalmente teríamos pensado em algo melhor, mas achamos que iriam gostar desse presente de casamento. – Yuri explicou quando Naomi entregou à Inuyasha o envelope.
Eles abriram e lá encontraram duas passagens para 7 dias em uma ilha grega e um cartão sucinto escrito com a caligrafia perfeita de Naomi, dizendo:
"Tudo o que desejamos para vocês é
que sejam felizes, não importa o modo como começaram
não importa o que a vida ainda pode reservar para vocês
apenas sejam felizes.
Com amor,
Yuri e Naomi Higurashi
Ps: aproveitem a lua-de-mel!"
- Obrigada mãe! - ela agradeceu sinceramente, feliz por sua família ter aceitado seu casamento, deu um abraço em sua mãe e se levantou para fazer o mesmo com seu pai.
Inuyasha agradeceu do mesmo jeito que sua esposa. Seus sogros eram pessoas ótimas, tinha gostado deles de verdade, pensou até que se dariam muito bem com sua família.
- Souta, nosso filho mais novo – Disse Yuri à Inuyasha – mandou felicitações também, mas não conseguimos fazê-lo vir, não conseguimos convencê-lo de mais nada ultimamente.
- K-chan me falou sobre ele, eu tive uma adolescência parecida, mas durou só até os 17 anos.
Seu pai fez algum comentário e Inuyasha riu. Kagome, agora mais relaxada já que o assunto tinha mudado novamente, o viu pender a cabeça para trás acompanhando o som da sua risada, e foi impossível não admirar o tom brilhante que seus olhos dourados adquiriam quando expostos ao sol.
Pela primeira vez naquele dia, percebeu o quanto ele estava bonito com a camisa branca de gola pólo esportiva e as calças jeans escuras. Mesmo relaxado, o modo como cruzava os braços ao se recostar no respaldo da cadeira, fazia com que seus músculos bem definidos ficassem ressaltados.
Precisou admitir; sentia saudade do corpo dele junto ao seu e que isso não demoraria muito para acontecer novamente caso deixasse seus sentimentos tomarem conta.
- Kagome! – Seu pai chamou mais alto pela segunda vez e dessa vez ela olhou para ele.
- O quê? Estava pensando... na reunião que tenho segunda, desculpe.
- Sim, claro! – Ele sabia muito bem que não tinha reunião nenhuma ocupando seus pensamento, ou melhor, pelo modo como sua menininha olhava para o marido, havia uma reunião, mas era bem diferente daquela que ela falou. Era triste a constatação de que não era mais o único homem a ocupar a mente de sua filha, ela tinha crescido.
- Faça-me o favor de dizer ao seu marido que nunca perco no pôquer. – Afastou o momento nostálgico, mais interessado no jogo que possivelmente aconteceria se seu genro fosse corajoso o suficiente para desafiá-lo.
- É verdade Inu, nunca vi papai perder. - Como aquele conversa tinha chegado a pôquer? Kagome não fazia idéia, mas respondeu a verdade.
- Está vendo, garoto? Ouça às mulheres, às vezes elas têm razão. – O comentário machista rendeu um olhar feroz de sua mulher e filha, mas ele ignorou inteiramente.
- E você me viu perder K-chan? – O braço de Inuyasha pesou sobre seu ombro e quando o olhou, ele tinha aquele sorriso convencido tão característico em seu rosto quando perguntou.
- Não, não vi. – Falou com sinceridade, sem entender exatamente o que se passava ali.
- Você quer mesmo fazer isso Taisho? Amo minha filha e agora você é marido dela, mas isso não vai me fazer ter pena de acabar com você no jogo. – Yuri o desafio, inclinando-se para frente e olhando diretamente para Inuyasha.
- Digo o mesmo. Jogo é jogo, afinal. – Respondeu com um olhar igualmente intenso.
- Acho melhor não Inu, meu pai joga muito bem. – Kagome falou baixinho no seu ouvido.
- Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo. Se você se lembrasse de algo mais do que nossas horas no quarto do hotel em Las Vegas, também saberia. – Desviou o olhar para Kagome respondendo no mesmo tom de voz, depois lhe roubou um beijo rapidamente.
Maldito sedutor! Ele percebeu como ela o olhava alguns minutos atrás, inflando aquele ego gigantesco exponencialmente.
Estava o xingando em pensamento quando os dois homens se levantaram e com Inuyasha em frente, foram para dentro da casa. Sua mãe fez um comentário que na hora não fez sentido, mas serviu para que ela voltasse ao mundo real. Estava se distraindo muito facilmente naquele dia.
Acabou convidando sua mãe para conhecer o resto da casa e ela aceitou. Junto com Kaede, Kagome mostrou todos os cômodos possíveis para Naomi, distraindo-a para que ela não fizesse perguntas como aquela de antes, já que Inuyasha não estava por perto para concertar suas bobagens. Ela conversou animada com Kaede sobre muitas coisas, as duas pareciam se entender. Isso era fácil já que Kaede identificou muito de Izayoi em Naomi, as duas eram super-protetoras, amavam excessivamente seus filhos e gostavam de fazer parte da vida deles, sempre, não importando como.
O ultimo cômodo foi o escritório, Kagome deixou para o final de propósito, pois não queria atrapalhar o jogo dos dois. Depois de mais de duas horas achou que eles já teriam terminado, mas se enganou, ainda estavam tão compenetrados no jogo que não escutaram a batida na porta muito menos perceberam a presença das 3 mulheres.
- Seu pai está perdendo – Naomi sussurrou com muito espanto, observando de longe os dois homens sentados à escrivaninha que havia sido coberta por uma toalha verde própria para jogo.
Ela sabia que aquelas sobrancelhas franzidas não eram um bom sinal. Geralmente se apresentavam quando havia algum problema ou uma preocupação rondando sua cabeça.
– Eu não acredito. – completou.
- Nem eu. – Kagome falou espantada do mesmo jeito, mas olhava para o marido. Inuyasha era uma carta em branco, ninguém poderia dizer nada a respeito do que sua mente ardilosa tramava. O único sinal que dava era de concentração profunda através dos lábios apertados.
- Miroku já perdeu muito nesse escritório. – Kaede comentou, nem um pouco surpresa ao ver seu menino com uma pilha grande de fichas coloridas.
Inu no Taisho, o pai de Inuyasha era exatamente como ele nesse aspecto, um ótimo jogador. Um duelo entre os três homens Taisho era, no mínimo, interessante. Mas o melhor ainda, a senhora se lembrou, foi o dia em que Miroku desafiou os três em uma partida. O garoto ficou traumatizado depois daquela noite, mas ainda jogava com Inuyasha algumas vezes, sem apostar dinheiro, claro, do contrário já estaria na miséria.
- Straight Flush - Inuyasha anunciou abrindo as cartas na mesa, ainda sem mudar sua expressão.
- Maldição Taisho! – ele colocou um Flush na mesa.
Precisaria de muito mais do que aquilo para ganhar das cartas de Inuyasha. Ele recolheu as fichas da mesa, juntando com as que já tinha em seu domínio. Vendo aquilo, Naomi se aproximou do marido insistindo para que ele acabasse com o jogo por ali.
- Temos que ir, Yuri. – Colocou as mãos sobre os ombros do marido, fazendo com que ele a notasse.
- Preciso de só mais duas rodadas para ganhar desse pirralho. – Sem olhar para a mulher, começou a embaralhar as cartas como alguém que era íntimo delas.
- Temos que ir, Yuri – Impediu que ele continuasse a manusear as cartas, colocando a mão sobre elas.
Yuri a olhou dessa vez, a expressão que ele sustentava era séria e decidida.
Livrando-se das mãos da mulher, voltou a embaralhar as cartas, sentia os olhos de Inuyasha sobre ele e mesmo não enxergando, sabia que aquele garoto insolente tinha um brilho vitorioso em suas feições o que o deixava ainda mais determinado.
- Vamos, Yuri. –Naomi apertou a mão sobre o ombro do marido e ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha com o tom daquela voz que poderia ser doce, mas definitivamente não era naquele momento.
Todo homem tinha uma fraqueza e a fraqueza de Yuri Higurashi se chamava Naomi. Poderia fazer comentários indesejados e machistas, poderia até discordar com ela, mas ela sempre teria a ultima palavra. Amava aquela mulher mais do que a própria vida e se isso o deixava fraco, estava disposto a deixar a fraqueza tomar conta, contanto que, no final, visse aquele sorriso que tinha conquistado seu coração desde o primeiro instante.
- Foi muito bom conhecer você Inuyasha, de verdade – Naomi deu um abraço caloroso no genro ao se despedir, e ele retribuiu com a mesma intensidade.
- Digo o mesmo, Naomi. – Sorriu e esperou Kagome acabar sua despedida com Yuri
- Cuidado com esse seu marido, minha menina, ele sabe muito bem como blefar. – uma ponta de ressentimento pôde ser escutada em sua voz, mas ele disfarçou rapidamente.
- Eu sei como me cuidar, pai, não se preocupe. - Olhou para Inuyasha por sobre o ombro, para dar ênfase às suas palavras.
- E você, Taisho, não pense que nosso jogo acabou. Ainda terei minha revanche. – Foi muito incisivo em falar, em seus gestos também.
- Estarei esperando ansioso por isso. – Ele desafiou, se divertindo silenciosamente muito com tudo aquilo.
Yuri tinha ficado muito bravo com a derrota, mas soubera esconder muito bem seus sentimentos. Pelo visto, seu sogro não estava habituado a perder naquele jogo, mas era melhor que se acostumasse; perder não era bem uma palavra de seu vocabulário.
- Cuide de minha filha – apertou a mão de Inuyasha firmemente
- Eu cuidarei. – Ele viu aquilo como um flashback de algumas horas antes, assegurando mais uma vez que cuidaria de Kagome, já que agora, ela era dele de alguma forma.
Kagome viu seus pais se distanciarem da porta, fechando-a quandoos viu entrar no carro e partir.
- Acabou! – Fechou os olhos aproveitando aquele momento de realização. Talvez agora merecesse aquele prêmio no qual pensava mais cedo, as tais 12 horas de sono.
- Não foi ruim, eles me adoram. – Se gabou sempre convencido.
Sim, eles adoraram Inuyasha e ela não teve a vingança que tanto queria, mas não importava, lá no fundo, estava saltitando de felicidade. Porém, não admitiria.
- Ah claro! Do jeito que meu pai ama perder um jogo, você já deve estar no topo da sua lista negra. – Ironizou Kagome.
- Preciso sair mais tarde, Inuyasha, - Kaede interrompeu Inuyasha antes que ele fizesse menção de responder. – Quer que eu deixe o jantar pronto?
- Não, nós conseguimos nos virar – olhou para kaede pensando onde ela poderia ir, então verbalizou sua pergunta.
- Não seja curioso, meu menino. – Ela sorriu evidenciando as leves rugas que tinha nos cantos dos olhos. – Volto cedo, prometo.
- E Kagome, - se virou para ela, completando sua fala – Sua mãe é ótima! Tanto quanto a filha dela. – segurou o rosto dela entre as mãos e beijou ambas as faces. Era a primeira vez que Kaede demonstrava tanto carinho espontâneo com ela. Hoje havia sido o dia da espontaneidade naquela casa!
- Obrigada – ela retribuiu abraçando Kaede. Agradeceu por ser carinhosa com ela, por ter sido parceira quando quis fazer a surpresa para Inuyasha dias atrás, e principalmente, pelo carinho e apreço que se desenvolvia pouco a pouco entre elas. – Tenha uma boa noite.
A jovem a viu piscar para ela antes de deixar os dois no hall, onde tinham acontecidos as coisas mais diversas com eles em tão pouco tempo.
Kagome seguiu para sala de estar tendo consciência que Inuyasha estava logo atrás dela. No inverno aquele lugar seria muito aconchegante com a madeira crepitando em chamas na lareira que ocupava metade de uma das paredes de cor creme. Jogou-se no sofá e pegou o controle remoto, começando a passar por vários canais da TV sem parar em nenhum. Já ele ficou só a observando naquele ambiente que tinha muito de seu gosto pessoal, desde as poltronas pretas até os quadros de paisagens alegres.
- Vamos ficar sozinhos, isso pode ser muito proveitoso. – Inuyasha falou cheio de segundas intenções, se aproximando dela sem ser notado para massagear os ombros duros de tensão.
Kagome fechou os olhos, inclinando-se para trás a fim de relaxar ainda mais. Ignorou completamente o comentário de Inuyasha, aproveitando apenas seu toque.
- Poderíamos continuar isso lá em cima, no quarto. – insistiu ele.
- Primeiro, - Ela gemeu baixinho, pois sentia todos seus músculos se derreterem – Você é muito careta, sexo pode ser feito em vários lugares além da cama. Segundo, hoje vou dormir, eu mereço isso depois do dia que tive.
Ela suspirou, jogando a cabeça para o lado pra que ele tivesse total acesso ao seu pescoço. Teria que agradecer a ele por aquele toque tão relaxante.
Sem verbalizar a resposta que passava por sua mente, Inuyasha ficou calado, apenas tocando alguns pontos estratégicos na parte exposta que ela tinha lhe oferecido. Não precisou de muito mais do que 5 minutos para vê-la cair em sono profundo. Era obvio que isso aconteceria considerando que ela havia se revirado a noite inteira na cama sem conseguir dormir e se levantado às 8 da manhã.
Facilmente, pegou a no colo, subindo a escada para colocá-la na cama. Despiu sem malícia o vestido floral, admirando o corpo tarjado por aqueles retalhos de renda, e descalçou seus sapatos.
Passou o polegar pelos lábios entreabertos dela, sentindo sua textura tão suave quanto de sua pele. Ela ficava com uma aparência tão inocente quando dormia que não parecia a mulher que o deixava louco de desejo apenas com um olhar.
- Durma hoje Kagome, amanhã você será minha – sussurrou em seu ouvido para que seu inconsciente captasse a mensagem. Cobriu-a antes de selar seus lábios rapidamente e deixar o quarto, fechando a porta atrás de si.
Aquilo era uma promessa, e Inuyasha Taisho jamais deixava de cumprir uma promessa.
Aqui está o Capítulo 5 :) vou tentar escrever o próximo para a semana que vem, mas acho improvável que consiga, tenho provas importantes e preciso muito estudar, de qualquer maneira vou tentar, se não for semana que o capítulo será postado na próxima, sempre entre sexta e domingo. Espero realmente que tenham gostado desse capítulo, tentei fazer com que fosse o melhor possível, me deculpem se ainda tiver algum erro de gramatica, provavelmente tem alguma coisa, às vezes passa despercebido na minha revisão.
Agradecimentos às reviews de:
AdamoNaruto, espero que continue achando isso!
BChibi, é, eu sei como é ruim ficar esperando muito tempo pelo próximo capitulo, :/ às vezes fico o dia inteiro atualizando o FF para ver se um capítulo novo de minha fics preferidas foi postado, por isso não quero demorar muito para atualizar essa aqui :)
K-chan Taisho, aaah beibe, eu evolui, agora é uma página por dia *-* hahaha, obrigada pela ajuda, sempre. Não se esqueça de me avisar se encontrar algum erro nesse capítulo hehe
Aricele, espero ter matado sua curiosidade com esse capítulo, ou melhor, deixado-a mais curiosa para ler o próxima haha
Estou torcendo para que vocês tenham gostado haha, obrigada mesmo pelas reviews! continuem comentando, por PM, e-mail ou review, tanto faz, o que gosto mesmo é de saber de suas opiniões sobre a A.A. - mesmo que sejam críticas por acharem uma porcaria essa história, gostaria de saber hehe -
Então era isso,
tenham uma ótima semana
e até a próxima :)
