Capítulo 8

A mulher que só era um pouco mais alta que Kagome, torceu os lábios comprimidos enquanto analisava sua nova hóspede dos pés à cabeça. Por um breve momento, a morena esqueceu-se de respirar, mas quando sentiu a mão de seu companheiro lhe dando um aperto encorajador, relaxou os músculos tencionados e discretamente soltou o ar que estava confinado em seus pulmões.

Todos os presentes pareciam interessados em saber o que a elegante senhora, de cabelos escuros e pele alva iria fazer, estavam aguardando uma reação.

- Seja bem-vinda querida! - Com um sorriso aberto, Izayoi aproximou-se dela e atirou seus braços ao redor do pequeno corpo de sua nova nora.

Em resposta, Kagome fez o mesmo e virada de costas para todos fechou os olhos e sorriu aliviada.

- Deixe me olhar para você - E afastou-se apenas o suficiente, segurando-a pelos ombros. - Vejo que meu filho soube escolher uma mulher para ele pelo menos uma vez na vida. Bom trabalho querido - Virou-se, piscando para Inuyasha o que o fez se sentir como uma criança.

- Mãe! - Ele a repreendeu.

- Olhe papai, tio Inu está vermelho. - Kioshi que assistia a tudo de camarote no colo de Inuyasha, tapou a boca com as mãos contendo uma risada quando seu tio o olhou como uma cara feia.

- Está mesmo, não é? - Sesshoumaru não teve medo de dar uma boa gargalhada, era tão divertido ver seu irmão envergonhado daquele jeito. - Vamos procurar sua mãe e sua irmã.

Sesshoumaru pegou Kioshi do colo de Inuyasha e aproveitou para falar lhe alguma coisa em baixo tom fazendo seu irmão se irritar ainda mais e ele mesmo rir com mais vigor antes de sair da sala, deixando os três sozinhos.

Respirando fundo para acalmar seu temperamento, Inuyasha virou-se lentamente para Kagome, enlaçando sua cintura e a trazendo para perto de si.

- A Senhora tem uma casa magnífica, senhora Taisho. - Kagome pigarreou para não rir de seu marido antes de falar.

- Ah, por favor! Somos da mesma família, sem cerimônia. Chame-me de Izayoi, Kagome. - O sorriso amável que ela lhe deu ao segurar sua mão entre as dela deixou-a mais confortável.

- Certo, pode me chamar de K-chan. E sua casa continua sendo magnífica se... Izayoi - Corrigiu-se a tempo.

- Ora se ela não é adorável! Fico tão feliz que você tenha encontrado meu filho a tempo de salvá-lo do desastre que eram aquelas mulheres com quem ele saia não gosto nem de pensar. - Inuyasha apenas revirou os olhos, sabendo que era inútil argumentar com sua mãe.

- Faça alguma coisa de útil e peça para Eri levar as malas de vocês para a suíte ao lado do seu quarto, eu a preparei como você pediu.

- É bom vê-la também, mãe. - retrucou sarcástico.

- Oh querido. - Obrigou-o a tirar seus braços de Kagome quando lhe deu um abraço apertado, beijando-lhe ambas as faces - É tão bom tê-lo em casa! Agora vá pedir a Eri para levar as malas. - Deu algumas palmadinhas afáveis em seu ombro dispensando-o.

Com relutância, Inuyasha ficou mais alguns minutos observando sua mãe levar Kagome através da sala decorada em tons pastéis. Um pouco de amarelo, verde e azul em tons bem sutis se espalhavam pelas paredes criando uma atmosfera calma e convidativa. Os grandes sofás e poltronas em couro branco, sobre um tapete espesso azul marinho, circundavam uma mesinha baixa de vidro com um belo arranjo de girassóis no centro. Ele admirou o toque sutil de sua mãe ao perceber que ela tinha escolhido as flores preferidas de sua esposa e ficou, com as mãos enterradas nos bolsos da calça, observando-as por mais um pouco.

- Vamos, vou lhe apresentar os outros... - Ele escutou sua mãe dizendo enquanto enroscava seu braço no de Kagome.

- Inuyasha fala tanto de vocês que sinto como se já os conhecesse - Sabendo que ele ainda não havia partido, virou-se para seu marido com um sorriso divertido no rosto enviando-lhe uma piscadela.

Ele riu balançando a cabeça inconformado. Bom, Kagome sabia como se virar a final. E saiu à procura de Eri para lhe dar algumas instruções.

Elas passaram por alguns cômodos e Izayoi ia lhe apresentando a casa enquanto isso, porém, depois de ver três salas diferentes Kagome tinha a leve suspeita que demoraria muito para que conhecesse aquela casa por inteiro. Em fim elas acabaram no terraço, uma grande área com o piso de mármore branco tão polido quando o resto da casa, ali no centro havia um largo chafariz que jorrava água do topo e caia em cascatas em níveis diferentes a partir dos discos que aparavam a água. Izayoi seguiu até o gradil de pedra debruçando-se sobre ele para olhar o cenário à sua frente, Kagome a seguiu e viu Sesshoumaru brincando com seu filho que corria ao redor de um lago artificial e um homem já de certa idade, sentado em uma mesa de ferro ornado branca, observando tudo sob a sombra de árvores de copas largas.

- Aquele é meu marido, Inu no Taisho, - Meneou a cabeça em direção a ele – Não se assuste se ele não reagir com muito entusiasmo primeiramente, fomos pegos de surpresa quando recebemos a notícia sobre o casamento.

Kagome apenas assentiu, brincando com a aliança que carregava no dedo anular da mão esquerda, havia adquirido esse costume quando se distraia com algo ou ficava pensativa, concentrada. Viu quando Kioshi olhou para elas acenando e Izayoi retribuiu ainda com um grande sorriso, seguindo pelas escadarias extensas.

Ela caminhava com classe, tinha algo em sua figura que transmitia pura elegância e tranquilidade. Seu rosto era afilado e seus olhos castanhos perspicazes, Kagome tinha a impressão que nada passava despercebido por aqueles olhos e sentiu um leve arrepio na espinha por isso, mas o ignorou.

Ela tinha a mesma cor nos cabelos que Inuyasha, eram densos e escuros, imaginou que os mesmo deveriam cair até a cintura, mas estavam presos em um coque bem-feito na base da nuca por isso não tinha como saber. E para completar, mesmo estando em casa usava um vestido de seda estampado com alguns padrões discretos, seguindo tons de azul, do turquesa em pequenos detalhes até o azul marinho que prevalecia, era um corte simples que lhe valorizava a forma delgada com um discreto decote em "V", transpassado na cintura e com mangas até um pouco depois dos cotovelos assim como o próprio comprimento do vestido passava um pouco do joelho.

Kagome admirou o que viu uma mulher forte, na aparência tanto quanto na personalidade, com os olhos carregados de orgulho toda vez que olhava para sua família e um instinto sábio para manter tudo em paz.

À medida que as duas se aproximavam dos outros três homens, Kioshi correu de encontro a sua avó, atirando-se em seus braços e logo fazendo uma infinidade de perguntas. Sesshoumaru dirigiu-se para perto do pai e elas encaminharam-se para lá também e quando estavam perto o suficiente para que sua presença fosse notada, Inu no Taisho levantou-se de sua cadeira, virando-se letamente para colocar seus olhos na esposa de seu segundo filho.

Inu, essa é Kagome Higurashi-Taisho, a esposa de Inuyasha.

É um prazer conhecê-lo, senhor Taisho – incerta sobre o que deveria fazer, estendeu-lhe a mão em um cumprimento mais formal. Ele apertou ligeiramente, olhando-a diretamente no rosto. Ele estava analisando-a de uma forma muito discreta, poder-se-ia dizer até imperceptível.

- Igualmente Kagome, onde está meu filho? – Falou finalmente com inglês perfeito, mas carregado com um pouco de sotaque japonês.

- Estou aqui, pai. – Inuyasha surgiu do nada se colocando atrás de Kagome, apoiando-a.

- Como vai Inuyasha?

- Bem e o senhor?

- Igualmente. – Por educação, convidou que Kagome se sentasse em uma das cadeiras disponíveis e Inuyasha a puxou para que ela se sentasse, logo tomando seu lugar ao seu lado, entre ela e seu pai.

- Não seja tão duro com ele. - ouviu sua mãe falar baixinho ao ouvido do marido quando também se sentou ao lado dele com Kioshi. Logo o menino começou a se remexer, por não gostar de ficar parado e saltou do colo da avó, chamando o pai para brincar de novo, mas ele recusou sutilmente, falando alguma coisa no ouvido do garoto que, conformado correu em direção da casa, subindo pelas escadarias com uma velocidade típica de uma criança.

- O que achou da suíte Inu? – sua mãe lhe perguntou para que um silêncio incômodo não se instalasse.

- Ótima, obrigada. – Respondeu servindo um pouco de uma bebida gelada para Kagome e para si próprio.

- Seu marido pediu-me para que arrumasse a suíte ao lado do quarto dele para vocês, sabia Kagome?

- E qual é o problema com o seu quarto Inu? – olhou para ele com as sobrancelhas levantadas, depois de tomar um gole do chá gelado, agradecendo aos céus quando o líquido atravessou sua garganta cortando a cede como uma lâmina afiada.

Expirou o ar com força antes de responder, e ainda se demorou um pouco, olhando para sua mãe que lhe deu um olhar inocente em troca.

Não é nada, achei que ficaríamos mais confortáveis no outro quarto.

Não se deixe enganar Kagome, - Intrometeu-se Sesshoumaru, que havia se sentado ao lado da mãe – Ele está com vergonha do seu quarto porque mamãe não o deixou mudá-lo desde que ele foi para Nova York, isto é, ele ainda era um adolescente e tinha menos neurônios do que tem hoje.

Ela não conseguiu conter uma risada realmente divertida, Inuyasha era mesmo um idiota, mas fofo.

O que você tem lá que eu não posso ver, Inu? – Perguntou a ele.

Justamente, você não precisa saber, querida. – O leve tom sarcástico não passou despercebido por ela, mas ficou surpresa quando ele se aproximou der repente e beijou-lhe a boca rapidamente.

Onde está Rin? – Perguntou ao seu irmão com naturalidade enquanto Kagome, com as bochechas levemente coradas, recuperava-se do choque, demorando-se ao tomar um gole de sua bebida. Ele passou o braço ao redor dos ombros dela, acariciando sem pretensão seu ombro com os nós dos dedos.

Está terminado de dar a Hana seu café da manhã, daqui a pouco ela deve estar aqui.

Que bom, pelo menos quando ela está por perto você se esquece de mim um pouco. – E sorriu. – Mãe, Ayame não veio conosco, mas deve chegar a tempo para o jantar.

Ela me ligou hoje cedo, não se preocupe, ela me explicou tudo. – Izayoi deixou que sua mão fosse segurada pelo marido sob a mesa, notando o quanto ele estava tenso naquela situação. Ele e Inuyasha trocavam alguns olhares que parecia uma discussão silenciosa e ela queria que continuassem assim por mais algum tempo, pois quando palavras viessem à tona causariam um grande estrago da harmonia daquela família. - Você já tinha vindo à Tóquio, Kagome? – continuou com naturalidade.

Várias vezes, sim. Meus pais gostavam que eu mantivesse uma ligação forte as minhas raízes.

Muito sábio da parte deles, gostaria muito de conhecê-los quando formos à Nova York. Não é mesmo, Inu?

Sim, seria apropriado.

Claro, eles adorariam e estão ansiosos para conhecê-los também.

O trabalho de seu pai é surpreendente, gosto de uma boa arte e meu pouco conhecimento sobre essa área me permite identificar uma obra prima.

Deve dizer isso a ele quando tiver a oportunidade , tenho certeza que se sentirá honrado, ele não trata o cinema como um trabalho, mas sim uma paixão.

Eu direi.

Olá! – Rin chegou a tempo de não deixar que a conversa morresse.

Ela era uma mulher que esbanjada alegria de um modo muito simples, no momento em que se juntou a eles, trazia um grande sorriso em seu rosto e até mesmo seus olhos castanhos brilhavam, ela estava cheia de expectativas ao conhecer Kagome. E a garotinha que trazia em seu colo não parecia diferente, ela, por sua vez, tinha os cabelos tão escuros quanto os da mãe, mas os mesmos olhos que seu pai e seu irmão, Kagome achou aquela pequena criatura com o rostinho levemente redondo e cativante simplesmente encantadora.

Sesshoumaru logo se levantou para pegar sua filha do colo da esposa e Kioshi, que estava de mãos dadas com a mãe, foi para perto de seu pai no mesmo instante que sua irmã, ele tinha orgulho de dizer com todas as letras que era o irmão mais velho e irmãos mais velhos tinhas que ficar perto das irmãs mais novas para protegê-las.

- Então você deve ser Kagome, a nova esposa de Inuyasha – mesmo com um tom especulativo, ela continuava sorrindo, brincando enquanto fingia analisar a situação. – É tão bom finalmente conhecê-la, sou Rin. – Apresentou-se e após um breve aperto de mãos, envolveu-a em um abraço quase fraternal.

- Sim, sou eu. E digo o mesmo. – E retribuiu o abraço. Sem um motivo concreto, decidiu que gostara daquela mulher.

- Eu não disse que ela era bonita, mamãe? – Kioshi falou, tirando os olhos de sua irmã por um breve momento.

- Sim, você falou filho. – Com poucos passos, chegou até ele, dando-lhe um rápido beijo na testa e pegando Hana no colo novamente. Ela mantinha seus grandes olhos atentos a todos os movimentos que aconteciam a sua frente, entusiasmada com a nova companhia.

- Hana, diga oi à tia Kagome –

- Gome! – Ainda sem saber falar corretamente, Hana conseguia geralmente pronunciar as últimas sílabas do que escutava.

A criança se contorceu no colo de sua mãe, tombando o corpo diminuto para frente em busca da nova conhecida e Rin não hesitou em entregá-la à Kagome, esta, um pouco surpresa acomodou Hana em seus braços, deixando-a olhar diretamente para seu rosto, como se fosse um ritual de iniciação para que ela gravasse em sua pequena memória a face do novo membro da família. Naquele momento Inuyasha assistia a tudo com um leve sorriso nos lábios, desde o começo ele teve certeza que a filha de Rin e Sesshoumaru iria conquistar Kagome logo no primeiro encontro e assim aconteceu, sem perceber, sua esposa estava sorrindo para a criança em seus braços e tinha certeza que Hana não a rejeitaria.

Rin foi até ele dando um beijo em sua face e um abraço familiar, ela tinha-o como um irmão muito querido.

- Se meus filhos e Sexo já aceitaram Kagome como parte da família, só tenho que lhe dar meus parabéns pelo casamento e meus melhores desejos de felicidade. – Falou ao seu ouvido antes de apartar o abraço.

- Obrigado. – Com sinceridade, respondeu.

Quando Rin juntou-se a Sesshoumaru, sentando ao seu lado depois de dar-lhe um leve beijo nos lábios, e assim como os demais, ficou observando Hana interagir com Kagome.

- Não vá se esquecer de mim, Hana. – Inuyasha chamou a atenção de sua sobrinha que no momento seguinte estava em seus braços.

- Inu! – Ela exclamava alegremente enquanto era levantada pelos braços fortes de seu tio.

Kagome voltou ao seu lugar, admirando o quanto seu marido parecia gostar de doar seu tempo para brincadeiras bobas com seus sobrinhos. Essa era uma face de Inuyasha que Kagome nem ao menos pensou que existisse e surpreendentemente gostou muito dela.

- A viagem deve ter sido longa. – Rin comentou. – Porque não sobem para descansar por algumas horas? – Olhando para sua sogra em busca de apoio, ela sugeriu.

- É uma boa idéia – Inuyasha concordou sem saber ao certo qual era a pauta, pois estava disfarçadamente ocupado com Hana.

- Filho, leve Kagome para o quarto, aposto que ela gostaria de descansar um pouco antes do almoço. – Rin certamente havia notado a ligeira tensão que pairava entre seu sogro e cunhado e Izayoi agradeceu em silêncio a ela por aquela idéia.

- Certo.

Entregou a sobrinha para seu irmão e levantou-se junto com Kagome. Rapidamente disse um "até logo" para todos e, com as mãos nos bolsos, fez seu caminho de volta para o interior da casa. Kagome manteve-se em silêncio ao seu lado, tinha algumas coisas adversas passando por sua cabeça, havia conhecido a família de Inuyasha e gostara de todos. Hana e Kioshi realmente lhe cativaram como Inuyasha falou e o patriarca mostrou-se, como Izayoi havia lhe alertado, pouco entusiasmado e extremamente educado, como já era de se esperar.

No entanto, ela não pôde deixar de notar que havia uma camada espessa de ressentimento entre Inuyasha e seu pai. Talvez ressentimento não fosse a palavra mais correta, mas não conseguia encontrar outra melhor. Olhando para seu lado, viu um homem com a testa levemente franzida e o olhar um pouco pensativo voltado para baixo. Palavras não cabiam naquele momento, mas cedeu ao impulso de deslizar a mão suavemente pelo seu braço enquanto caminhavam e fazê-lo tirar a mão do bolso para que seus dedos pudessem se entrelaçar.

Os olhos que pareciam ouro líquido não hesitaram em demonstrar surpresa com o ato e com um sopro resignado, deixou-se confortar com aquele gesto.

- Obrigada por não fazer perguntas. – Ele falou ao trazê-la para perto de si.

Ela não respondeu, apenas permitiu que ele a abraçasse e com a mão jogada por cima de seu ombro, manteve os dedos unidos.

- Sua mãe é uma mulher fabulosa. – Ela elogiou, quebrando o silêncio enquanto subiam as escadarias em curva que levariam ao segundo andar.

- Sim, ela é... – Concordou e ao invés de levá-la através do corredor com suas paredes pintadas em azul marinho e grandes portas duplas brancas, ele seguiu por outro lance de escadas chegando a um corredor pouco menor, ostentando o mesmo luxo que se via nos demais cômodos. Naquela ala tinha-se a impressão de maior privacidade e logo Kagome descobriu que ali ficavam os quartos destinados aos membros da família.

Quando foi apresentada à suíte onde ficariam, encantou-se imediatamente com o quadro de dois meninos brincando e ao fundo estava aquela casa e o seu jardim.

- São você e seu irmão? – Afastou-se dele para olhar mais de perto a obra.

- Sim, Rin deu de presente à minha mãe quando ela estava redecorando alguns cômodos e como esse era o quarto em que gostávamos de fazer nossas bagunças, ela resolveu colocá-lo aqui. – Postou-se atrás dela, olhando para a pintura também.

- É incrível como você era bonito quando criança. – Virou-se para ele, com um sorriso travesso nos lábios.

- Era? – Ergueu a sobrancelhas, mostrando adversidade.

- E menos convencido, eu suponho. – Riu, atirando seus braços ao redor do pescoço dele e, olhando-o diretamente com seus olhos azuis muito calmos e compreensivos, falou:

– Seja o que for que está preocupando ou incomodando-o, vai ficar tudo bem. – Ela disse para tentar apaziguar aquela agitação que sentia nele e o beijou.

Não havia malícia e nem um toque sedutor daquela vez, era apenas um carinho suave, uma troca de confidências e palavras reconfortantes a partir da união dos lábios de dois conhecidos amantes. As mãos dele envolveram a cintura dela para mantê-la exatamente onde estava, era ali que precisava dela e apenas dela. Kagome deixou que ele estivesse no comando e ditasse o ritmo e a intensidade do beijo, ela queria lhe mostrar que naquele momento, ele não precisava se preocupar em gastar forças para tê-la, ela estaria ali quer ele precisasse dela ou não.

- Não quero que você pense que está sozinho nessa, estamos juntos nesse casamento e em tudo mais que seja uma consequência disso.

- Eu sei. Só preciso de mais um tempo para que eu mesmo entenda o que está acontecendo, então, a colocarei a par de tudo.

- Tudo bem. – Concordou, sem ressentimentos, selando seus lábios mais uma vez. – Agora, você vai tomar um banho e dormir até a hora do almoço, nem que eu tenha que te drogar para isso.

- Você vai me dar banho e me colocar na cama, mamãe?

- Acho que você já é grandinho o suficiente para isso, amorzinho. – Apertou-lhe as bochechas sentindo que o clima estava mais ameno com a pequena troca de provocações debochadas.

- Pois eu acho que não... – Apertou um pouco a mão que mantinha em sua cintura, mas para a surpresa de Kagome aquele seu sorriso malicioso não deu o ar das graças.

- Vá logo! – Virou o corpo dele com as mãos em seu ombro, empurrando-o em direção ao banheiro.

- Última chance. – Levantou o indicador, quando ela já estava pronta para fechar a porta.

- Tchau Inuyasha. – Revirou os olhos, mas sorriu e bateu a porta.

Virando-se para procurar sua mala, pela primeira vez deu uma boa olhada no quarto em que estava. O chão em que pisava reluzia em um tom de marfim, combinando com as paredes que seguiam tons terrosos, do rosa até o marrom-claro. A cama ficava bem ao centro, com uma cabeceira almofadada e travesseiros gigantes muito convidativos na opinião dela. A pintura que havia lhe chamado a atenção ficava do lado esquerdo, sobre a lareira relativamente proporcional ao tamanho do quarto. Ainda havia um sofá e duas poltronas de couro branco, e a da televisão que ocupava a metade superior de uma das paredes.

Achou que tudo aquilo lhe passava uma sensação de tranquilidade e gostou muito.

Esquecendo sua mala, foi até as portas que davam acesso à sacada e se apoiando lá, ficou olhando para os fundos. Viu que Sesshoumaru e seu pai já não estavam, mas com suas esposas, elas, por sua vez, continuavam a entreter as crianças, Rin brincava com o filho enquanto Izayoi ocupava-se de sua neta. Do alto, pode ver uma parte da propriedade que não tinha idéia que existia, havia um pequeno bosque atrás e em uma área ao lado de onde estavam, havia uma enorme piscina com um pequeno deck superior com espreguiçadeiras.

Aquela casa lembrava muito a casa de seus próprios pais imaginou que sua mãe e Izayoi se dariam bem, afinal, tinham várias coisas em comum a começar com o casamento de seus filhos.

Sem se dar por conta do que fazia, começou a imaginar que um encontro entre as duas famílias seria, no mínimo, cômico. Eles seriam alvos de piadas de seus irmãos, suas mães falariam de netos e sua mãe conseguiria uma aliada para a idéia de um casamento formal e muito pomposo com metade da sociedade presente. Enquanto isso, ela e seu marido, ficariam embaraçados e simplesmente iriam rir muito juntos depois com as lembranças. Mas quando percebeu, tentou afastar esse tipo de pensamento estúpido, naquele momento, ela tinha um sogro que não estava nada feliz com aquele casamento e seu matrimônio tinha um prazo de validade.

- Em que você está pensando? – A voz de Inuyasha ao seu ouvido e seus braços, que agarraram sua cintura colando o peito e sua costas, fizeram com que ela tomasse um leve susto.

- Você me assustou! – levou a mão ao coração, fazendo um gesto exagerado, sorrindo em seguida quando olhou para ele e viu seus cabelos molhados caindo sobre os olhos intensos que estavam focados nela.

- Em que estava pensando? - insistiu ele, beijando levemente seu ombro antes de pousar o queixo ali.

- Que eu gostei da sua família.

- Isso é bom... – Não soube o que deveria comentar, apenas achava que ela se encaixava bem no cenário, ali na casa de seus pais, conhecendo sua família e fazendo parte dela. No meio de toda a confusão, não havia nada que lhe parecia mais correto.

- Temos pouco mais de uma hora até o almoço, é bom você ir se deitar logo. – Dando palmadinhas amigáveis em suas mãos, desvencilhou-se dos braços dele, voltando para o quarto com ele logo atrás de si. – E não faça careta pelas minhas costas! – Advertiu ela, virando a tempo de vê-lo revirar os olhos.

- Vamos Inu! O que sua mãe vai pensar de mim se você acabar dormindo na mesa durante o almoço?

- Primeiro que eu não faria isso, segundo, se isso viesse a acontecer, o máximo que ela poderia pensar é que você tem um fogo insaciável e me faz seu escravo sexual. – Ele riu alto e a puxou quando se sentou na beirada da cama, mas ela apoiou as mãos e seu ombro e conseguiu não perder o equílibro.

- Eu obedeço se você se deitar comigo.

- Você tem sido um menino muito malcriado, não sei se merece. – Apesar do tom de bronca, Kagome viu-se passando a mão pelos cabelos dele, penteando-os para trás para que pudesse dar uma boa olhada em seus olhos. Ele estava sem camisa, descalço e apenas com calças esportivas e não poderia parecer mais irresistível aos seus olhos.

- O que você fez com a minha mulher? – Olhou para ela espantado, mantendo os dedos entrelaçados as suas costas, na altura da cintura - A minha Kagome jamais recusaria a hora da soneca.

- Bom... – com se considerasse a condição dele, fez uma pausa, torcendo os lábios para o canto. – Já que é para o seu bem, acho que posso abrir uma exceção aqui, mas só se você me prometer que vai se comportar melhor daqui para frente.

Quando ela colocou a mão na cintura e levantou o indicador para ele, Inuyasha aproveitou que ela estava com a guarda baixa e a puxou, e sem perceber, ela estava encurralada entre a cama de lençóis macios e os braços dele.

- Você sabe que eu só funciono na base da recompensa, não sabe? – Ele a beijava no rosto entre cada palavra e teve que aplicar um pouco de força para manter as mãos dela sobre a cabeça enquanto ela se debatia sob ele.

Kagome ficou imóvel ao perceber o quanto estava alerta com apenas a presença dele. Engoliu a seco antes de falar:

- Ah é? E qual seriam suas condições?

- Você as conhece muito bem...

- Pois você conhece as minhas – Apesar de suas palavras, seu corpo reagia ao contrário, procurando o dele à medida que era mais audacioso.

- Tudo bem. – De repente ele parou, libertando-a de seus braços e qualquer tipo carícia.

Ela piscou várias vezes, assimilando as palavras dele.

- Tudo bem. – Ela sussurrou para si mesma, recompondo-se.

- Importa-se de deitar comigo por uma hora? – com uma inocência que pareceu muito cínica para ele, perguntou a ela, acomodando-se ao seu lado.

- Tudo bem. – Ela repetiu sem saber se ainda estava em choque por ele ter a deixado tão alerta quando ela estava com a guarda baixa, ou se realmente era uma resposta à pergunta dele, mas acabou ao seu lado e ele a envolveu em seus braços.

- Boa garota. – Beijou os cabelos dela, quando ela estava em seus braços, e olhando para o teto, fechou os olhos sorrindo.

Agora o placar estava empatado.


OBS: a última frase do capítulo refere-se à parte do avião do capítulo anterior.


Esse capítulo estava pronto há umas 3 semanas, mas eu acabei esquecendo de postar. É curtinho porque tem mais um capitulo relacionados a ele, que ao invés de fazer um só gigante eu dividi em duas partes. Semana que vem eu posto o cap. 9.

Obrigada à Lory Higurashi e Srta. Kagome Taisho pelas reviews, de novo, fiquei bastante tempo sem postar, mas agora estou de férias e não tem mais desculpas para não escrever haha e K-chan Taisho, obrigada por me ajudar com esse capítulo.

Feliz natal a todas e um ótimo ano novo!