Capítulo 9
Para a surpresa de Kagome, eles tiveram uma refeição muito tranquila e logo depois Inuyasha acabou deixando-a sozinha com sua sogra, que se ofereceu para cuidar de Kioshi já que Rin e Sesshoumaru queriam sair sozinhos por algumas horas.
Estavam as duas em uma das salas de estar, Izayoi tomava chá e Kagome dava atenção à Kioshi. O menino estava empolgado, mostrando a ela sua coleção de figuras de ação e seus carrinhos de brinquedo. Ele havia insistido que sua nova tia sentasse ao seu lado sobre o tapete e ele conseguiu mantê-la o tempo todo focada nele apenas. Isso era melhor que um brinquedo novo.
A mulher mais velha observava tudo com um grande sorriso no rosto. Kagome era a mulher perfeita para seu Inu, mas talvez eles ainda não tivessem descoberto o tamanho do sentimento que os envolvia.
- Kagome, conte-me afinal como vocês se conheceram e acabaram se casando tão rapidamente.
- Bem... – As palavras pareciam ter ficado presas em sua garganta enquanto sua mente tentava se lembrar da história que eles tinham combinado de contar para suas famílias.
Olhou para Izayoi sem deixar de brincar com Kioshi e contou-lhe o mesmo que para seus pais. Disse que tinham amigos em comum e acabaram se apaixonando rapidamente e quando de repente ele a pediu em casamento naquele mesmo final de semana, eles preferiram fazer uma cerimônia discreta que acabou dando não saindo como o esperado, mas eles estavam como queriam. Em nenhum momento ela usou a palavra "amor" e Izayoi percebeu.
- Para mim vocês sabem exatamente o que estão fazendo e eu fico feliz por isso. Meu filho tem um histórico extenso de relacionamentos curtos e sem propósito, ele fugia da palavra casamento, mas acho que ele só precisava achar a mulher certa.
Pontuou sua fala com um amável sorriso que fez Kagome engolir a seco por trás de um sorriso calculado. Ela não era mulher certa para Inuyasha, tudo aquilo era apenas uma grande brincadeira do destino, mas não podia negar que apesar de tudo, gostava de estar na companhia dele.
- Kioshi parece gostar muito de você – comentou a avó quando o pequeno correu para buscar outro brinquedo e mostrar à tia. – Você tem irmãos?
- Um irmão alguns anos mais novo, seu nome é Souta. – Distraída, sentou-se no ldo oposto à Izayoi no sofá e pegou um dos bonecos de ação que haviam sido lhe apresentados, então ficou olhando para ele.
- Sempre achei que uma criança não deveria crescer sozinha, Sesshoumaru, Inuyasha e Ayame sempre foram muito unidos. – Pousou a xícara vazia sobre o pires na mesa de centro e cruzou as mãos sobre o colo e focou-se em Kagome. Ela parecia muito distante e quando lhe respondeu sua voz lhe passava mesma impressão.
- Eu acho que sim, sempre quis ter muitos filhos. – Ela deixou o brinquedo de lado e olhando para as mãos, começou a brincar com a aliança em seu dedo.
Pela primeira vez, Izayoi reparou na fina banda dourada no dedo de sua nora e ficou espantada.
- Essa é a aliança que meu filho lhe deu? – Rapidamente, sentou-se ao seu lado e pegou a mão dela entre as suas, analisando mais de perto a "jóia"
- Sim. – Ficou alerta no mesmo instante, e tentou recolher sua mão, mas ela a segurou no lugar.
- Eu terei que ter uma conversa muita séria com ele. Amanhã mesmo farei com que ele lhe compre a aliança que você merece. – Dando tapinhas reconfortantes nas costas de sua mão, largou-a. Olhando para ela com compaixão, completou: - Onde está aquele menino, para que eu possa lhe dar uns puxões de orelha?
Kagome riu brevemente e um pouco sem graça enquanto ela olhava em volta, como se o procurasse. Ela não dava a mínima para isso e até gostava daquela peça, apesar de não se lembrar de onde ela havia surgido ou de como ela viera para em seu dedo... Era algo que ela queria manter.
- É melhor eu ir procurá-la para a senhora. – Levantou-se prontamente – Talvez a senhora ele escute pelo menos.
- Vá mesmo querida, e traga o aqui para que eu possa lhe aplicar um corretivo. – Ela sorriu sabendo que ela usava aquilo como uma desculpa apenas, mas isso não a impediria de fazer seu filho dar-lhe uma aliança de verdade, não mesmo.
No caminho, Kagome acabou esbarrando em Kioshi que voltava apressado para a sala.
- Aonde você vai tia K-chan?
Então ela se abaixou para ficar da mesma altura que ele e lhe respondeu:
- Sua avó está muito brava com seu tio Inu, preciso avisar a ele e pedir que ele se comporte ou ele estará encrencado.
- Oh – seu tio estava mesmo encrencado. Em tom conspiratório completou: – é melhor você achar ele antes da vovó, eu vou distrair ela para você.
- Certo. - Parecendo muito séria, ela assentiu e segurou o riso até que as suas pernas pequenas, mas ágeis o levaram para longe de seus olhos.
Estava já se encaminhando para as escadas, a fim de procurar Inuyasha em seu quarto, mas parou abruptamente no primeiro degrau ao ouvir vozes exaltadas vindas do corredor. Sua curiosidade falou mais alto e parou para tentar identificá-las, então a preocupação tomou conta quando percebeu que a discussão se dava entre seu marido e o pai.
Apertou as pálpebras por um minuto, tentando manter o bom senso e não se intrometer nem bisbilhotar, mas ainda segurando o corrimão largo, desistiu de fazer a coisa certa e seguiu em direção as vozes alteradas vagarosamente. O corredor estava tomado por um breu incomum já que o sol incansável iluminava cada parte daquela casa, mas as janelas que haviam ali por perto estavam bloqueadas pelas cortinas pesadas de veludo e a única luz que havia, vinha do final do longo corredor, onde as portas duplas estavam entreabertas, e o som das vozes parecia mais nítido.
Kagome encostou-se contra a parede ao lado da porta e depois de um breve instante de silêncio escutou a voz de Inuyasha ecoar de maneira tão furiosa que a fez estremecer.
- O que mais você quer de mim? - Havia uma camada espessa de ressentimento e raiva quando ele colocou os olhos furiosos sobre o pai e sua pose displicente. Nada poderia irritá-lo mais do que quando ele se sentava atrás de sua mesa, como se fosse o dono do mundo e fingia não escutar o que ele falava.
- Não me ignore quando eu estou falando com você. – As mãos espalmadas bateram contra a madeira e Inu no Taisho olhou para o filho com uma óbvia reprovação. Inuyasha inclinou-se como um predador em posição de ataque - Minha vida inteira eu vivi à sombra de Sesshoumaru, ele sempre foi o filho perfeito e eu apenas um incômodo, mas pela primeira vez na vida eu tento fazer a coisa certa e você só consegue ver os meus defeitos e criticar. Pois eu estou pouco me importando com o que você acha certo ou errado, eu não preciso mais de sua aprovação.
- Se você não precisasse de minha aprovação não estaria se comportando com um garoto insolente.
- É assim que você sempre me viu, não é mesmo? Nunca fiz nada que lhe agradasse o suficiente.
- Ora, por favor Inuyasha, você...
- Eu não acabei. Eu trouxe Kagome aqui porque mamãe queria conhecê-la, e porque eu queria que ela conhecesse a minha família, agora ela faz parte da minha vida e é importante para mim que ela se sinta parte disso. Mas eu não esperava que você não conseguisse ao menos tratá-la com um pouco de cordialidade.
- Você sempre foi muito imaturo, só porque decidiu se casar com uma mulher qualquer em uma de suas aventuras em Las Vegas, não significa que eu tenha que bataer palmas para isso. Ela está distraindo você de suas responsabilidades e afundando qualquer chance que você tinha de levar os negócios da família em frente, ou pelo menos não perder metade do patrimônio por causa da sua irresponsabilidade.
- A mulher a quem o senhor está se referindo, chama-se Kagome Taisho e como minha esposa, não vou deixar que você fale dela dessa maneira. Ela não é qualquer mulher, é a mulher que eu escolhi e é melhor o senhor aceitar isso. E sinto lhe dizer, mas se acha que eu sou tão irresponsável assim, está enganado ao dizer que ela é a culpada por assuntos os quais nem mesmo tem conhecimento, eu sou o responsável, se quer culpar alguém culpe a mim.
- Certo, você é o culpado e você deve arcar com as conseqüências, vou conversar com a diretoria na segunda feira e você passará seu cargo para Kouga.
- Quer fazer isso, pois faça, vou arrumar outro negócio para afundar, afinal é só isso que eu sei fazer, não é mesmo?
Inuyasha não lhe deu oportunidade para responder, apenas saiu deixando rastros de descontentamento. Quando ele escancarou as portas, Kagome teve que se encolher para não ser atingida, ele estava tão atormentado que não notou-a ali atrás. Ela esperou que sua pisada forte sumisse nas escadas e inspirou fundo antes de bater suavemente na porta para que o sogro a notasse. Inu no Taisho parou de discar o numero no telefone sobre sua mesa e ergueu os olhos e para encarar o rosto sereno de Kagome.
- Com licença, o senhor tem um minuto?
Ele olhou para o telefone em sua mão e de volta para ela, hesitou um pouco, mas assentiu.
Kagome entrou no escritório e fechou as portas atrás de si, admirando rapidamente o cômodo extremamente elegante e imponente que cheirava a couro e pinho, sem perder o foco. Com um simples gesto silencioso, ele a convidou para sentar-se em uma das poltronas de respaldo alto e ela aceitou com um breve sorriso no rosto. Notando que ele ainda segurava o telefone na mão, esperou que o devolvesse para a base a fim de ter sua total atenção.
- Em que posso lhe ajudar Kagome? – Cruzando as mãos a sua frente, sobre a mesa, ele a estudou tentando descobrir o que teria trazido-a até ali.
Ele notou que seus olhos tinham um brilho perigoso ao contrário de sua fisionomia quase angelical. Seus cabelos estavam soltos e escorriam por sobre seus ombros, sua postura era calculadamente ereta e suas mãos descansavam sem pretensão sobre o colo. Mas ainda havia alguma coisa em seus olhos que faziam-no pensar duas vezes antes de ignorá-la.
- Peço desculpas se escutei sua conversa com meu marido, mas eu não pude evitar. – Kagome notou a reprovação, mas quando ele quis comentar alguma coisa, ela apenas levantou a mão para que ele lhe desse espaço para continuar. – Foi de péssimo tato da minha parte fazer isso e pior ainda vir aqui falar com o senhor, porém, agora que somos da mesma família me sinto na obrigação de fazê-lo enxergar o erro que está cometendo. Se o senhor pensa que eu não faço idéia da situação do Han's Bank & Savings, está enganado. Obviamente, Inuyasha não me conta nada, mas eu sou uma mulher de negócios, tenho minhas finanças pessoais e dirijo uma agencia de publicidade e em ambos os casos eu cofiei ao banco da sua família para cuidar do meu dinheiro. Eu sei muito bem que as ações vêm caindo vários pontos nos últimos meses devido a alguns negócios mal sucedidos assim como também sei que o homem que você julga irresponsável e incompetente vem dando o próprio sangue para mudar essa situação. Nas ultimas semanas ele fica até muito tarde no escritório, geralmente não dorme e não faço idéia se ele tem ao menos se alimentado como deve. Concordo que o Inuyasha que eu conheci não era o homem mais focado do mundo nos negócios, mas ele mudou, e se o senhor parasse de ver apenas os defeitos dele, enxergaria isso. Agora, se você for tirá-lo do comando agora, nunca poderá ver do que ele é realmente capaz, eu sei que até agora as coisas não deram certo para ele, mas ele tem um plano e eu confio no plano dele, como esposa e como alguém que mantém todo o dinheiro no seu banco.
A todo o momento ela manteve o mesmo tom de voz suave, mas afiado e não se sentiu inferior diante daquela carranca intimidadora em nenhum momento. Ele não demonstrava qualquer emoção e os mesmos olhos dourados que seu filho havia herdado formavam apenas uma linha fina constantemente analisando-a.
- E quanto ao meu casamento com seu filho... Bem, somos adultos e de acordo com a lei somos desimpedidos para nos casarmos com quem quisermos. Foi uma decisão de ambos e concordamos em lidar com todas as conseqüências juntos, escolhemos compartilhar uma vida e faremos com que isso dê certo até que os dois digam que não querem mais. Eu não posso pedir para o senhor aceitar isso, mas posso lhe pedir para respeitar nossa decisão. Estamos de acordo?
Ele não respondeu.
- Ótimo!
Ela se levantou com um sorriso levemente arrogante no rosto, sem abaixar o queixo ou demonstrar o alívio que sentia por ter falado tudo o que estava perturbando-a. Pretendia sair dali com mesma energia com que entrou e mostrar ao chefe da família Taisho que ela não estava ali por acaso.
- Você é muito audaciosa Kagome Higurashi. – Sua voz reverberou em um tom controlado quando ela já tocava a maçaneta para sair dali. Ela estacou e então virou apenas o rosto.
- Taisho, senhor. Meu nome é Kagome Taisho. – E partiu.
Por algum motivo, Inuyasha foi procurar refúgio em seu antigo quarto, talvez ele não estivesse raciocinando corretamente quando deixou o escritório de seu pai. Ele fora convocado para comparecer a uma conversa particular em território inimigo como um empregado e seu superior, jamais como filho e pai. Sabia que isso aconteceria desde o primeiro momento que recebeu o balanço comercial do último mês, mas precisava admitir que não estava exatamente preparado para o que aconteceu.
Durante os últimos meses ele tinha mudado gradativamente para tentar agradar muitas pessoas e principalmente, pela primeira vez em sua vida, percebeu que estava realmente disposto a dar tudo de si para chegar a bons resultados. No entanto, sua força de vontade e tentativas não o levaram a lugar algum além do fracasso. Com certeza o deixava com vontade de jogar tudo para o alto e desistir, provavelmente foi por isso que ele concordou com que pai disse que arrumaria um substituto para ele. Mas ele seria um idiota se entregasse tudo de mãos beijadas assim. E Inuyasha Taisho não era um idiota, estúpido, às vezes, mas não idiota.
- Ai está você!
Kagome o encontrou sentado sobre a cama com uma colcha infantil de carrinhos de Fórmula 1, com a cabeça abaixada, olhando além das mãos que permaneciam unidas com tanta força que os nós de seus dedos estavam esbranquiçados. O homem à sua frente tinha alguma coisa que a fazia se lembrar de um garoto amedrontado e pronto para contra-atacar para esconder seus ressentimentos.
- Sabe, quando você não nota minha presença, eu fico muito brava, mas quando você não me escuta, então teremos que brigar feio. – Levando na esportiva e usando de toda sua capacidade para trancar os próprios sentimentos e a vontade de envolvê-lo em seus braços e dizer que iria ficar tudo bem, Kagome sentou-se ao seu lado e colocou a mão sobre sua perna, só assim ele a olhou.
O que ela viu ali foi o pior de tudo. Uma das coisas que mais gostava em Inuyasha era como seus olhos brilhavam ainda mais que o ouro e eram sempre cheios de vida e um pouco de arrogância quando misturados com aquele sorriso debochado e completamente convencido que ela secretamente adorava. Pois não estava vendo nada além de olhos opacos por trás de um rosto forte e uma personalidade quase impenetrável.
- Está tudo bem? – Ela perguntou fingindo-se de desentendida e não resistiu em passar a mão sobre os cabelos dele, tirando as mechas que caiam sobre sua testa. Havia um sentimento tentando se libertar dentro de si, no momento ela confundia com algo mais maternal.
- O que você está fazendo aqui? – Aquele era quase seu santuário, ninguém nunca se atrevia a passar por aquelas portar quando estavam fechadas. Bem, talvez ele não tivesse fechado a porta e apesar de surpreso não se sentia incomodado com a presença dela.
- Eu vim procurá-lo para lhe avisar que sua mãe está querendo sua cabeça em uma bandeja por me dar uma aliança de casamento tão insignificante. – Ela levantou a própria mão para ilustrar o caso.
- Ah – Então ele percebeu que usava uma força exagerada para unir as mãos e as libertou, olhando para a aliança simples e quase idêntica à dela em seu próprio dele – Acho que não pensamos nisso.
- É besteira, só Izayoi para notar isso.
- Izayoi? – Voltou a olhar para ela com uma sobrancelha erguida. – Você e minha mãe estão se dando bem afinal...
- Melhores amigas e Kioshi tem uma nova tia favorita! – Gabou-se com um riso vitorioso.
- Espero só Ayame saber de tudo isso, ela quem vai querer sua cabeça em sua cabeça em uma bandeja. Você quer sair daqui? - Ele falou de repente.
- Hm... Claro. - Um tanto relutante, ela concorodu. Se era isso o que ele precisava para se sentir melhor, então ela não o impediria, mas também não o deixaria fugir dos problemas. - Aonde você quer ir?
- Não sei.
Ela apenas assentiu, quase reprimindo uma risada e nos próximos instantes já estava o seguindo pela casa, sem muita escolha já que ele segurava firme sua mão. Deixaria que ele a levasse para o fim de mundo se fosse necessário, mas até o final do dia o faria entender que ele jamais deveria lhe esconder nada enquanto estivessem juntos.
Eles estiveram em total silêncio durante uma hora inteira. Inuyasha dirigia aparentemente sem rumo e acabou se distanciando de casa mais do que pretendia. Para todo o lado que Kagome olhava, via apenas infinitos campos verdes e colinhas que pareciam ter sido desenhadas. Era magnífico.
Em todas suas viagens ao Japão jamais se afastara muito da cidade, gostava da agitação e da atmosfera de Tokio e tinha se acomodado a isso, sem buscar conhecer além. Sentia-se tentada a pedir para ele parar, mas mesmo que o fizesse era muito provável que ele nem ao mesmo a escutasse.
Inuyasha acabou parando por conta própria e saltou do carro sem a convidar, apenas esperando que ela fizesse o mesmo. E ela o seguiu, mas sem antes admirar o lugar onde estavam. O carro esporte, um conversível cinza escuro, parecia extremamente deslocado naquele cenário. Estavam rodeados de árvores monumentais que pareciam servir de guardiãs para o palácio com certeza construído muitos séculos atrás. A arquitetura era clássica, linhas retas, com elaborados acabamentos coloridos mesclando-se ao rico dourado. Haviam janelas da altura de uma pessoa, várias delas enfileiradas milimetricamente nos dois andares e uma escadaria escultural que levava à entrada principal. O cinza das pedras desgastadas pelo tempo não empobrecia a construção apenas trazia mais mágica a ela, provando que ela poderia suportar o tempo, as batalhas, chuva ou sol, e ainda se manteria de pé para defender sua parte na história.
Ela olhou para trás ainda entorpecida com a visão e percebeu que seu marido tinha se distanciado demais, ele estava atravessando a ponte com seus arcos e aparência sólida sobre um calmo lago. Teve que correr para alcançá-lo apesar de poder passar o dia inteiro sozinha ali, apenas admirando aquele palácio magnífico.
No momento em que se postou do outro lado do lago, já mais perto de Inuyasha, sentiu como se tivesse entrado para a noite. Com apenas poucos raios de sol perpassando pelas árvores, as sombra e a aparência retorcida delas a fazia pensar em uma floresta de um filme de terror. Admirou-se com o contraste ao mesmo tempo que achou tudo aqui de tirar o fôlego.
- Eu ainda me perguntou como você consegue achar lugares como esse. – Kagome comentou quando finalmente alcançou Inuyasha. Ele não diminuiu o passo para facilitar para ela, apenas caminhava como se soubesse exatamente onde estava indo e esse lugar estava logo à sua frente.
- A primeira vez que eu pude dirigir sozinho, eu saí sem rumo, apenas aproveitando o vento na cara e a sensação de liberdade que só um adolescente de 16 pode ter, então encontrei esse lugar. Eu gosto muito de florestas, elas tem uma quietude que não se encontra em outro lugar.
- Você vem sempre aqui?
- Ás vezes. – Encolheu os ombros, sem dar muita atenção, estavam quase chegando no lugar que ele queria. – A melhor coisa desse lugar é o que você pode descobrir atrás de tudo isso.
A luz começou a se tornar mais aparente e eles já não estavam mais tão envolvidos pelas sombras, não era uma pequena clareira como Kagome imaginava, eles haviam chegado ao outro lado da floresta, e no meio da campina verdejante havia algo que ela nunca imaginou encontrar. Era ruínas do que parecia um enorme palácio, mas havia rosas e flores exóticas e coloridas por todos os cantos, Entre as pedras cinzentas, o que havia sobrado de uma batalha. Havia vida.
Ele ficou parado, observando ela avançar e explorar o terreno, algumas das divisórias dos cômodos que pertenceram à um palácio um dia, ainda estavam intactas formando um pequeno labirinto de pedras irregulares e muitas delas cobertas de treliças.
- Eu nunca tinha visto nada do tipo...
- Poucas pessoas conhecem esse lugar, os turistas nunca arriscam a procurar o que há do outro lado do bosque. Esse era o palácio que foi destruído em um ataque de uma família inimiga
- Como uma pessoa seria capaz de fazer isso? – Ela olhou para ele e deu-lhe a oportunidade de ver um brilho diferente em seus olhos. Ela estava encantada, perdida, imaginando que os locais onde pisava, um dia foram incríveis salas cobertas de luxo onde uma geração muito distante da dela construíra muitas das tradições que ela via no presente. Isso era fascinante.
- Quando os casamentos ainda eram arranjados como simples acordos comerciais, nessa região houve um homem muito rico que quis se casar com uma mulher que era considerada a mais bonita da região, o pai dela não tinha muitas posses, mas era suficiente para ele e a filha. Depois do casamento. por anos eles viveram apenas de aparências, ela tinha uma personalidade forte e não aceitava o fato de ter se casado sem amor e se recusava a dividir a mesma cama que o marido. Ele, muito paciente, tentava fazê-la enxergar que não se tratava apenas da aparência dela, que ele a amava, mas ela era muito cabeça dura. – Fez uma pausa calmamente antes de prosseguir.
- Ela era apaixonada por flores e jardins – continuou – então no sétimo aniversário de casamento deles, ele a surpreendeu com o maior jardim já visto, com as flores mais raras que o dinheiro poderia comprar. Os românticos dizem que a diversidade de cores e vida das flores despertou-a da obscura cegueira que a impedia de enxergar o amor. Naquela noite eles consumaram seu casamento e foram mortos, sozinhos quando o imperador da região vizinha mandou incendiar o palácio, por questões de poder e ganância.
Ao terminar sua narrativa, ele já estava sentado sobre uma das pedras e Kagome ao seu lado, escutando tudo com atenção.
- Que história triste, mas linda. – olhou em volta e acrescentou – O jardim devia ser perfeito. Se um dia você se apaixonar por mim e quiser provar seu amor, eu aceitaria um jardim desses e um diamante de verdade, é claro. – Ela riu ao levantar a mão para mostrar a aliança simples em seu dedo.
Mas ele estava sério, o que a fez parar abruptamente.
- Eu dividi meus lugares preferidos com você e minha família, não tem nada mais pessoal que isso para mim. Mas por algum motivo, não consigo dividir meus problemas. É uma carga que eu devo carregar sozinho, porém, aparentemente, você não pensa assim.
- Não.
- Eu tive uma briga mais cedo com meu pai. – Ela não interrompeu, apesar de querer lhe dizer que já sabia de tudo – Ele está insatisfeito com meu desempenho nos últimos meses e não acredita que eu esteja cuidando bem do patrimônio da família. Vai me tirar do cargo na segunda.
Talvez não, pensou Kagome.
- Os investimentos que eu coordenei e permiti, não foram bons, as ações vem caindo consideravelmente e estamos perdendo mais contas do que o normal. As coisas não vão nada bem.
- Eu sei. – Ela não resistiu, tinha que falar. – você não é o único preocupado com os negócios aqui, meu dinheiro e o dinheiro da agência está todo no seu banco, Inuyasha, eu seria muito burra se não prestasse atenção em como as ações vem caindo, a taxa de juros dos empréstimos aumentando e os investimentos piorando. Mas seu banco não vai à falência e se seu pai quer tirá-lo do comando agora, ele é muito burro. Você está fazendo tudo o que pode e eu confio no seu tato, eu realmente acredito que as coisas vão melhorar. Eu acredito em você e não só porque sou sua esposa. Espere até segunda, seu pai pode mudar de idéia.
- Obrigado, mas eu não contaria com isso, ele nunca acreditou em mim, não acho que vá começar agora.
- Se isso fosse verdade, para começar, ele nunca teria te nomeado o sucessor do seu irmão, não há uma regra que diz que o cargo de presidente precisa pertencer a um membro da família, é necessário ter capacidade para isso. E você tem.
Ele não retrucou. Os cantos de seus lábios se repuxaram levemente e continuou a olhar para ela, apenas ela. Kagome sentia-se estranha quando ele a olhava daquela maneira, de alguma forma, ela queria se esconder e mandar que ele parasse com aquilo, tinha medo do que ela mesma poderia fazer se ele continuasse com aquilo.
Teve pouco tempo para pensar quando ele tomou o queixo adoravelmente arrebitado em suas mãos, impedindo-a de desviar-se dele e a beijou calmamente. Ele não se importaria de levar o tempo que fosse necessário saboreando os lábios aos quais havia se acostumado e aprendido a apreciar tanto. E por mais que Kagome relutasse, seus braços criaram vontade própria, envolvendo o pescoço dele de forma possessiva. Ela se sentia tão vulnerável e necessitada em seus braços que lhe causava constantes arrepios. Na maior parte do tempo, tinha orgulho de ser uma pessoa racional e que não se deixava levar facilmente pelas suas emoções apesar de sua face superficial espontânea, mas as coisas estavam saindo do seu controle. E isso não era algo bom.
Quando se forçou a distanciar os lábios dos dele, Inuyasha sorriu como se soubesse exatamente o que estava se passando em sua cabeça, então ela pôde ver que seus olhos dourados brilhavam novamente. Era algo diferente, que ela nunca havia visto antes, mas estava ali para quem quisesse ver.
- Eu acho que minha mãe estava certa, eu só precisava achar a mulher certa para mim.
4 meses depois. Bem não era meu intuito ficar tanto tempo sem postar, porém tinha exame no final do ano passado, vestibular seriado e logo depois entrei em férias. Esse capítulo estava guardado aqui há muito tempo, mas sou extremamente atrapalhada e esquecida, acabava sempre adiando e nunca postava. Tenho esse capítulo e mais dois, que posto logo mais.
Sintia: Na verdade sim :) posto em uma comunidade no Orkut, mas são com outros personagens, outro nome e algumas modificações. Você viu em outro lugar?
Mari-Bell: gosto muito da parte da conversa entre ele e o pai,
Tahy P: Também não sou muito fã, mas ainda tem muita coisa a acontecer com eles...
Srta Kagome Taisho: E demorou a sair de novo, não foi? Haha espero que continue lendo apesar de tudo né...
Lory Higurashi: Obrigada mesmo, você não sabe como fico feliz com isso!
Obrigada pelas reviews, continuem mandando, nem que seja para me xingar pela demora haha. Desculpem pelos erros ortográficos se acharem algum, a K-chan Taisho revisou e eu ainda dei uma olhada depois também, mas pode ter passado alguma coisa, me avisem se acharem algo absurdo, por favor.
E boa páscoa pra vocês :D
