Capítulo 10

Sentada à beirada da cama, Ayame observava Kagome em frente à sua mala, revirando as roupas em busca de um vestido enquanto resmungava coisas que nem ela mesma sabia que estava falando.

— Em qual restaurante Inu disse que iria levá—la? – Perguntou curiosa.

— Ele disse... – Parou por um momento para olhar para ela e Ayame viu a careta que fez quando notou que ela não sabia. – Tenho certeza que ele falou, mas eu me esqueci.

Ela havia notado que Kagome estava um pouco aérea desde que tinha entrado pela porta da frente com Inu ao seu lado com cara de bobo e Ayame esperava—os para uma recepção tipicamente alegre. Estava em débito com Kagome por ter acalmado seu irmão quando teve o problema com o vôo e queria logo falar com ela logo que chegara à casa de seus pais. Porém, o novo casal havia sumido por algumas horas e algo estranho no humor de seu pai que indicava uma discussão com Inuyasha. Achou prudente que eles tivessem saído daquele ambiente e esperava que quando voltassem, as coisas estivessem melhores. E assim aconteceu, seu irmão estava em seu humor normal, um pouco alegre até, mas Kagome estava estranha e como uma boa amiga, estava se roendo de curiosidade para saber o que havia acontecido.

A ruiva analisava a mulher à sua frente quando de repente ela soltou uma exclamação entusiasmada e desenterrou um vestido preto do fundo da mala exageradamente grande.

— O que você acha desse aqui? – Levantou—se e colocou o vestido em frente ao corpo já coberto por um conjunto de lingerie da mesma cor.

Era preto, sem brilho, um modelo simples, mas que ficaria muito bem no corpo de sua cunhada, com um decote suave que provavelmente despertaria a imaginação de Inuyasha e, já que ela não sabia aonde iria, parecia uma boa escolha.

— Considerando que você anda no mundo da lua e se esqueceu onde Inuyasha disse que a levaria... – jogou a cabeça para o lado para uma ultima olhada – me parece uma escolha sensata.

— Ótimo – antes que ela acabasse de falar, já estava com o vestido e indo em busca do bendito estojo de maquiagem que deveria ter colocado no banheiro, mas estava sobre a penteadeira.

— Falando em escolha sensata... – Fez uma pausa e laçou um olhar significativo para Ayame através do espelho – Agora que estamos sozinhas, você pode me contar qual foi a insensatez que fez você perder o vôo e irritar Inuyasha?

— Ah isso – Kagome era esperta, notou Ayame, ao ver que ela tocaria no assunto do porquê estava tão estranha, foi mais rápida e virou o jogo. Remexeu—se, um pouco incomodada por ser colocada contra a parede parte por sua personalidade e parte por sua mente afiada de advogada. – Vamos dizer que foi uma decisão de ultima hora.

— Essa decisão de ultima hora teria um nome? – Ergueu uma sobrancelha ao aplicar um pouco de pó no rosto, sem deixar de olhá—la.

— Você será apresentada a ele quando surgir um momento oportuno.

— Sabe por que eu odeio sua profissão? — virou-se para olhar para ela balançando o pincel próprio para maquiagem em sua mão, um pouco indignada. – Respostas evasivas e escorregadias.

— São o nosso segundo nome. – Deu um sorriso convencido que lembrou Kagome de Inuyasha. – Você daria uma ótima advogada.

Um pouco mais persistente e satisfeita por virar o jogo a seu favor, levantou se e caminhou até a penteadeira comprida de pura madeira e espelhos enormes, encostando o quadril no balcão. Quando não recebeu nada além de uma revirada de olhos, sorriu. Era muito mais fácil arrancar as respostas que queria de uma pessoa irritada, a profissão lhe ensinara isso. E Kagome estava se fazendo de difícil, mas sua garganta estava coçando para cuspiras palavras presas. A convivência lhe ensinara isso.

— Tem algo lhe incomodando? Algo que queira dividir com alguém?

— Não, você quer? – um risinho nervoso lhe escapou quando acabava de dar os últimos retoques desnecessários na sombra e depois no batom praticamente da mesma cor de seus lábios.

— Tem certeza? – De propósito, usou a mesma expressão que ela um pouco antes, levantando uma sobrancelha.

— Sim. – Mas o suspiro que seguiu a palavra e uma sílaba, parecia gritar não.

Calmamente, Ayame aguardou. Viu—a Aplicar o blush e a máscara para cílios, novamente

Kagome travava uma verdadeira guerra em sua mente, parte queria desabafar e contar a ela tudo o que aconteceu, seus receios e suas dúvidas, mas outra parte tinha medo de que falando tudo aquilo, era como se os materializasse e desse força a eles. Foi quando estava olhando para seu rosto, em busca de algum defeito na maquiagem leve que havia aplicado e um movimento para tirar o cabelo dos olhos fez a aliança em sua mão esquerda ser notada e suas barreiras derrotadas. Dane-se seus medos, tudo aquilo estava acontecendo querendo ela ou não e se não desabafasse com alguém ficaria louca.

— Inuyasha está louco, completamente pirado. — Levantou-se e girou nos calcanhares começando a andar de um lado para o outro, sem olhar para Ayame

– Nós nos casamos e eu não faço idéia de como isso aconteceu, eu acordei e essa aliança estava lá, num passe de mágica! – Ela riu irônica e um pouco desesperada — como ele pode estar pensando que pode haver alguma coisa de verdade entre nós? Há química, sexo excepcional e pronto, nada mais! Eu não quero me apaixonar de novo, não quero fazer papel idiota e ele também não. Ele não pode querer isso! Em algum tempo estaremos separados e vivendo felizes para sempre, cada um com a sua vida, fim do conto de fadas. Estaremos...

Então ela parou e as palavras morreram na sua boca quando encontrou os olhos de sua cunhada. O que ela estava fazendo?

Ayame olhava para ela paralisada, completamente espantada. Ela não sabia de nada, ninguém sabia de nada e Kagome tinha acabado com todo o plano deles de manter aquilo em segredo. Tudo tinha acontecido tão rápido, estava remoendo aquelas palavras em sua cabeça por tempo demais, já havia se trancado no quarto e tentado ligar para Sango para desabafar vezes sem conta e ela não atendera, então Ayame começou a fazer perguntas, a deixou nervosa e ela acabou falando muito mais do que devia.

— Ayame... Merda! – falou baixinho ao se aproximar, mas viu a mulher balançar a cabeça com fervor e parou. — Eu... eu não deveria ter te contado isso.

Com um suspiro longo ela olhou para Kagome, ainda confusa. Não era isso que estava esperando escutar ou nada do gênero. Bem, agora não sabia mais o que esperava escutar, muito menos o que pensaria dessa informação que fora despejada na sua cara. Precisava de um tempo para digerir tudo, pois para ela, não havia sentimento pior do que ser enganada e ela sofreu o golpe duas vezes, por seu irmão e por Kagome, alguém que ela já considerava praticamente sua irmã.

Os eventos seguintes aconteceram muito rapidamente, houve uma batida na porta e Rin entrou, para avisar que Inuyasha estava a chamando para sair e notando o clima um pouco pesado saiu em seguida. Kagome pegou a bolsa e o sapato de bico redondo vermelho vivo rapidamente e calçou, mas parou antes de sair do quarto.

— Eu preciso ir agora, mas, por favor, me deixe explicar tudo e saiba que eu odeio mentir para você e sua família, vocês não merecem isso. — Vendo que o aceno que recebeu com a cabeça era tudo que teria como resposta, pediu uma ultima coisa. – Se for possível...

— Eu não vou contar para ninguém, Kagome. — O tom foi afiado e direto, algo que fez Kagome se sentir envergonhada.

Ela saiu de cabeça baixa, desceu as escadarias para encontrar seu marido brincando com os dois sobrinhos, sentado no tapete entre os dois sofás de couro. Sua mãe estava falando com Sesshoumaru e Rin sentada ao seu lado, com a mão sobre a do marido enquanto ele a envolvia com um braço, trazendo-a para junto de si. Naquele momento ela se sentiu uma intrusa, naquela família, naquela casa e na vida de Inuyasha.

— Tia K-chan! – Kioshi, foi o primeiro a notar sua presença e logo correu até ela para puxá-la para a brincadeira. — Tio Inu me deixou brincar com a coleção de carrinhos dele, olha!

— Sua tia e eu vamos sair agora, — deu um beijo no rosto rechonchudo de Hana e levantou-se, deixando-a mais ocupada em babar os carrinhos do que brincar com eles. – Amanhã podemos brincar o quando você quiser.

— Promete?

— Prometo. – Por hábito, bagunçou o cabelo do menino carinhosamente quando passou por ele para se juntar a sua esposa. Kagome abaixou-se para se despedir dele e para os outros deixou um vago aceno.

— Vamos? — Ela assentiu e Inuyasha deslizou o braço ao redor de sua cintura possessivamente. Apesar de sentir a resistência dela diante daquele gesto comum, não recuou.

Um elogio quase havia lhe escapado, ela estava linda. Tivera vontade de beijá-la na frente de todos de um modo que sua mãe não aprovaria e não seria apropriado para seus sobrinhos assistirem, mas algo lhe dizia que não seria bem recebido. Kagome estava calada e seu corpo inteiro visivelmente tenso, no entanto, o motivo ele desconhecia.

Quando pisaram no primeiro degrau e a porta se fechou atrás deles, ela se distanciou dele e seguiu sozinha em direção ao carro. Inuyasha parou e ficou olhando para ela, possivelmente Kagome não perceberia que ele estava parado, ela parecia estar em um mundo diferente o qual fazia questão que seu marido não participasse.

— Kagome, — ele a chamou duas vezes. — Importa-se de me dizer o que há de errado?

Parou algum tempo antes de virar-se para ele:

— É melhor você saber logo — voltou até onde ele estava, aos poucos construindo a coragem que precisava para lhe contar tudo. Com certeza ele não ficaria feliz quando descobrisse o que ela havia feito.

Ele cruzou os braços e esperou ela falar.

Havia pouca da luz do lado de fora, apenas os focos decorativos do jardim, mas eles conseguiam enxergar um ao outro na penumbra. As feições de Inuyasha estavam suaves e eram tão conhecidas que conseguia lhe passar segurança e de alguma forma conforto. Isso a deixava aborrecida.

— Eu estava com Ayame até agora, estávamos conversando e ela notou que eu estava um pouco estranha. Começou a fazer perguntas e eu acabei despejando tudo o que estava me atormentado, contei a ela sobre o nosso casamento, a real situação dele. Eu só percebi que havia falado depois que não tinha mais como voltar atrás, me desculpe. — Em algum momento durante sua fala, ela abaixou a cabeça e não levantou mais. E quando quis caminhar para longe dele mais uma vez, Inuyasha segurou em seu antebraço, forçando-a a olhá-lo.

Surpreendentemente, ela não viu raiva em seu rosto, apenas leves traços de irritação, quase imperceptíveis.

— Se havia alguma coisa incomodando você, deveria ter vindo até mim para evitar que esse tipo de coisa acontecesse. Você quer que eu divida meus problemas com você, então tem que fazer o mesmo.

— Eu sei, no momento...

— Eu não acabei — ela se encolheu pelo tom ríspido dele — Se você contou para minha irmã, vamos dar um jeito nisso, não tem ninguém que eu confie mais do que ela, tenho certeza que ela nunca me prejudicaria. Agora, se há alguma coisa incomodando você com relação ao acordo que fizemos naquela manhã em Las Vegas, eu gostaria que me falasse agora, pois ainda temos tempo de reverter a situação.

Que inferno! Será que há um jeito de eu me sentir pior do que já estou? Kagome se perguntava e a resposta só poderia ser: Não, não havia.

— Você quer saber o que está me incomodando? — a melhor defesa sempre fora o ataque. — Eu não sei o que fazer com o que está acontecendo conosco, não sei lidar com isso. Você está diferente, isso era para ser apenas um acordo, sem sentimentos envolvidos, em alguns meses estaríamos separados e cada um com sua vida.

— É isso que você quer? — perguntou calmamente.

— Eu não sei mais o que eu quero. – Revoltada consigo mesma, afastou-se dele, olhando para o nada antes de virar-se novamente - Droga Inuyasha! Isso está me deixando louca.

O que ele poderia dizer? Nada lhe ocorreu naquele momento e rir foi inevitável.

— Agora você está rindo, que ótimo!

— Kagome, você está exagerando. Acha que é fácil para eu entender e saber o que fazer com tudo ao mesmo tempo? Pois não é. O seu problema é que você morre de medo de encarar os fatos e se achava mesmo que iríamos sair desse casamento, por mais confuso e "falso" que tenha sido o começo, sem nenhuma conseqüência ou mudança em nossas vidas, então querida, preciso duvidar da sua inteligência.

Ficou calada, porque não tinha comentários a acrescentar e principalmente porque não gostava de saber que era tão transparente para ele.

— Eu tenho uma proposta para lhe fazer, — tocou-a novamente, passando as mãos para cima e para baixo em seus braços. – porque não deixamos as coisas simplesmente acontecerem, sem questionar, sem pensar muito... E se você achar que devemos ter essa conversa novamente, para descobrir o que se passa entre nós, então teremos, mas não agora. Está bem assim?

— Eu tenho escolha?

O sorriso que ele abriu foi lento e audacioso

— Não, você não tem.

Inuyasha parou o movimento com as mãos, entrelaçando seus dedos aos dela, levou até os lábios beijando um a um. O gesto cheio de floreios fez com que Kagome irrompesse em uma gargalhada espalhafatosa.

— Você é ridículo, Inuyasha! — Tentou recolher sua mão rapidamente, mas sem sucesso; a força dele era superior e ele as manteve unidas, reforçando o aperto cada fez que ela tentava se soltar.

— E você gosta. – Comentou simplesmente – Se bem a conheço, você provavelmente está morrendo de fome, então o que acha de nos mantermos em nosso plano original e partirmos para o jantar?

— Se voltássemos agora, teríamos que nos explicar... Sim vamos jantar, é o melhor a fazer.

— Claro.

— E recolha esse sorriso, isso me irrita!

— Kagome, você é única querida. – Antes que ela pudesse protestar, ela a puxou para um beijo invasivo que a fez perder o chão, ainda mais quando ele a largou sem aviso prévio e começou a seguir na direção oposta ao carro, segurando firme sua mão.

Piscou seguidas vezes para recuperar o foco de sua visão e ordenar que seu corpo parasse com aquela reação ridícula de pura necessidade e desejo que a assolava toda vez que Inuyasha a tocava.

— Ei! Se você não der meia volta e entrar naquele carro, me levar para um jantar normal, longe de seus lugares mirabolantes e secretos, como pessoas comuns fazem; eu não saio com você.

— Você deveria deletar a palavra "se" do seu vocabulário K-chan, é sempre assim, você ameaça e nunca faz. Admita, eu sou muito persuasivo. – Irritá-la era o modo mais prático de conseguir o que queria, ou melhor, o único modo quando era algo contra a vontade dela, pois ela ficava muito preocupada em discutir.

— Aqui que você é! Enquanto você duvida, eu aproveito para fazer minhas malas para voltar à Nova York.

Notando-o mais distraído, fez um movimento brusco para se soltar, mas parou no meio do caminho quando notou que não havia nada além de escuridão à sua volta. Eles haviam entrado no bosque que fazia parte da propriedade sem que ela notasse.

— Inuyasha Taisho, você me paga. – E praticamente colou o corpo às suas costas.

— Não é muito longe e eu não mandei você calçar esses sapatos de um metro de altura. – O tom de voz que ele usava era muito calmo e controlado, sem deboche.

Inuyasha a trouxe para o seu lado e começou a guiá-la com a mão apoiada na base de suas costas; sabia exatamente por onde ir, apesar de estar completamente escuro.

— Quando um homem me convida para um jantar, eu espero ser impressionada e me visto para o mesmo. Só você mesmo para trocar um belo jantar por um caça ao tesouro no meio do mato e ainda á noite!

— Você não precisa estar vestida assim, para impressionar K-chan, nem ao menos precisa estar vestida. – Quando seus olhos já haviam se acostumado com a escuridão e um pouco de luz começou a surgir, ela o viu dar um piscadela e teve que ela mesma conter uma risada.

— Sem comentários.

Aos poucos ela conseguiu identificar o vulto que estava se formando com algumas luzes acima de suas cabeças e tudo o que conseguia pensar era "Inuyasha você é ridículo" e rir consigo mesma.

Era uma casa na árvore, realmente um pouco maior que o normal, mas uma casa daquelas que meninos fazem de refúgio no auge de sua infância e meninas são proibidas de entrar.

— É melhor você subir na minha frente, vou ficar logo atrás de você, por precaução.

— Claro – Imitou o jeito dele, olhando para cima e para as escadas esculpidas em no grande tronco à sua frente. Hesitou por um instante então se curvou para tirar os sapatos e entregar a ele junto com a bolsa. — Você fica com isso.

— Tenho uma pergunta. — levantou a mão fazendo-a bufar impaciente. Sem esperar a resposta, continuou — O que você está usando por baixo desse vestido?

Revirando os olhos, recusou-se a responder e decidiu se concentrar na difícil tarefa de subir as estreitas escadas com um vestido que delimitava muito seus movimentos. Ele estava logo atrás dela quando conseguiu vencer o obstáculo. A facilidade dele em relação a tudo a irritava profundamente de um jeito feminista e orgulhoso.

No momento que entrou na casa da árvore, viu-se surpresa com o lugar. Era rústico, as paredes de madeira com uma camada quase imperceptível de verniz para proteger e com alguns desenhos engraçados colados aqui e ali que pareciam planos de guerra ou a disposição de jogadores em um campo de futebol. As proporções eram grandes para uma casa na árvore, mas ainda assim, ela tinha que ficar um pouco encurvada para não bater a cabeça em algumas parte mais baixas do telhado em forma de prisma.

Em fim o que mais lhe chamara a atenção fora o chão forrado com almofadas que pareciam ter sido roubadas de uma das salas elegantes de sua sogra e as velas gastas dentro de altas cubas de vidro espalhadas por todos os lugares para iluminar. Tentou com todas as suas forças não apreciar aquilo, mas foi em vão.

— Você tem mais alguma carta na manga depois dessa? Achei que já tinha visto tudo na vida, mas isso...

— Talvez. – Ele sorriu com um ar misterioso e esperava que ela debochasse dele ou algo do tipo, mas quando a viu retribuindo o sorriso surpreendeu-se.

Kagome ainda tinha sangue correndo em suas veias e de maneira alguma poderia tomar uma posição imparcial àquele gesto somado ao jantar em Las Vegas, o parque de diversões e todos os outros, e principalmente, não poderia deixar de notar o homem por trás daquilo tudo. Inuyasha tinha um grande coração e fazia de tudo para agradá-la sem querer mostrar nada a ninguém ou forçar alguma coisa, apenas era algo que lhe agradava fazer, com o pequeno benefício, é claro, de vê-la irritada com a idéia de uma surpresa e sem o controle da situação.

Vendo-o ali, encurvado sobre ela, parecendo tão grande para aquela casinha, vestido com calça social preta e camisa branca, não havia uma parte do corpo de Kagome que não o desejasse.

Espontaneamente, lembrando-se da pequena conversa que eles tiveram um pouco antes, ela envolveu o pescoço dele, aproximando seus rostos significativamente.

— E talvez eu goste de suas surpresas.

— Poderia repetir, por favor? — Ele riu e envolveu-a pela cintura a tempo de ela o interromper, roubando-lhe um longo beijo.

Ele sentira falta daquela face dela, desde que voltaram às suas vidas normais, ela não tinha se mostrado tão à vontade, forçando-o a tomar o primeiro passo para tudo. Mas nada lhe dava tanto prazer quanto vê-la tomando sua posição naquela relação por conta própria. Tudo o que mais queria era que as coisas fossem assim a partir daquele momento.

— Eu estou com fome, - desvencilhou-se dele com rapidez e sentou-se sobre uma das almofadas à sua espera - você me convidou para jantar, então se você não tiver providenciado comida, retiro tudo o que eu disse.

— Acho que tenho alguma coisa aqui. — No canto, sobre uma mesinha igualmente rústica, ele pegou o que Kagome adivinhou que seria seu jantar. — Você é tão previsível, Inu! – E sorriu.

Ele se acomodou ao seu lado e colocou a caixa de pizza à sua frente, exalando o cheiro saboroso que fez o estômago de Kagome dar pulos de alegria.

— Primeiro as damas. — Sugeriu abrindo o vinho e servindo as duas taças.

Sem questionar, ela pegou o primeiro pedaço, deixando escapar murmúrios de prazer quando deu a primeira mordida.

— Isso é jogo baixo, Taisho, você sabe que eu amo pizza.

— Sei – Entregou-lhe a taça deliciando-se apenas em observá-la — Foi nossa primeira refeição como casados

Ele achou engraçada a própria observação e ela apenas assentiu, sorvendo boa parte do vinho em sua taça. Ao contrário dele que, com a maior calma, tomava pequenos goles do líquido, apreciando o sabor e imaginando se seria o mesmo quando provado da boca dela. Seus olhos dourados deixavam transparecer um brilho que revelava parte de seus criativos pensamentos em relação àquela mulher.

Então, em pouco tempo só sobrara a embalagem do jantar e ambos estavam plenamente saciados, em silêncio, lado a lado, concentrados em beber o vinho de ótima qualidade.

— Seu pai não vai sentir falta dessa belezinha aqui na adega dele? — Aninhou-se em seus braços, muito mais relaxada e aproveitando o momento.

— Ele deve tem a safra inteira desse vinho, não se preocupe.

— Quantas namoradinhas você já trouxe para cá para dividir um dos vinhos do seu pai? — perguntou curiosa.

— Apenas uma, eu tinha brigado com meu pai, então roubei um dos uísques preciosos do senhor Taisho e vim para cá com Nina. Mas existe um espaço em branco entre aquela noite e a manhã seguinte.

— Por que isso não me surpreende? — Ela não tinha ciúmes, não se incomodava em estar no lugar onde outra já esteve não havia motivo para isso. Era vidas praticamente diferentes, o seu Inuyasha era diferente do adolescente e da criança que havia freqüentado aquele lugar.

— Como se você nunca tivesse feito algo do gênero – Beijou-lhe o topo da cabeça, completando a própria taça vazia.

— Posso ter feito, depois de uma festa ou um baile... Talvez. — Mantendo um sorriso travesso em seu rosto, levantou o queixo observando-o.

As luzes inconstantes das velas dançavam sobre os belos contornos da face de Inuyasha, ressaltando sua compleição máscula e a estrutura óssea marcante. Ainda assim, em nada se comparava aos seus olhos infinitamente mais dourados diante da luz distinta; quando os mesmos focaram-se apenas nela, Kagome deixou-se levar para um mundo onde não existia amanhã e aquele homem seria seu para sempre. Beijou-o com uma calma dolorosa e excitante, convidando-o para fazer parte daquele seu mundo.

Finalmente, ele provou do vinho em seus lábios macios e decidiu que o gosto era melhor, muito melhor. Mas não era a bebida que havia lhe subido à cabeça e estava enevoando seus sentidos, era sua mulher entregando-se de corpo e alma para ele.

Não havia droga mais poderosa que aquela.

Apesar do silêncio quase total, seus ouvidos eram chicoteados com o ritmo latente de seu coração e, lentamente, ele arrastou seus lábios, trilhando um caminho de fogo até a curva delicada do pescoço dela, demorando-se ao sentir a pulsação igualmente frenética contra a pele muito branca. Ela deixou a cabeça pender para o lado e seus olhos se fecharam quando um gemido embebido de prazer escapou por entre seus lábios.

Inuyasha ajoelhou-se e a levou consigo, deixando-os frente a frente. Ela abriu-lhe a camisa com impaciência e mesmo que seus adoráveis orbes azuis parecessem desfocados, havia um brilho que ele aprendera a reconhecer como o mais puro desejo dilacerando sua carne e debatendo-se contra suas forças mais profundas.

— Não pense em absolutamente nada, não agora. — Pediu ele ao encostar a boca em seu ombro desnudo, deslizando a fina alça para baixo.

Sentiu-a estremecer sob seu toque e perder o controle de suas ações.

Levando os dedos à lateral do corpo para deslizar o zíper do vestido e deixá-lo cair ao chão, tomou a mão de seu marido e a ergueu até a linha rendada que delineava os seios proeminentes. Ele cogitou usar da força que estava acumulando-se em seu íntimo junto aos seus anseios mais primitivos, para libertá-la daquela peça, mas julgou que era uma peça muito bonita e gostava de vê-la no corpo de Kagome, além de tudo ela não gostaria de perdê-la. Controlando-se, alcançou o fecho e deixou que os belos seios da mulher fossem capturados por suas mãos experientes.

Frequentemente via-se comparando sua esposa como uma escultura em mármore de Afrodite, com os cabelos volumosos caídos sobre os ombros pálidos, suas curvas inebriantes e harmonia perfeita, mas ao sentir o calor e a maciez da pele sob seus dedos a imaginação dava lugar à realidade e seu coração pulava uma ou duas batidas. Ela era toda sua.

Moldando-os com as mãos em forma de concha, ele a incitou, passando o polegar muito suavemente sobre os mamilos rosados. E ao sutil toque, viu como resposta o corpo se arquear em direção a ele e substituiu as mãos pela boca, ligeiramente levando os dedos à sua intimidade quente e úmida.

O nome dele escapou pelos lábios de coloração avermelhada e quando suas pernas não sustentavam mais o corpo, Kagome apertou as mãos em seus ombros, provocando marcas fundas das unhas compridas em contato direto com a carne. Em pouco tempo ela estaria pronta para recebê-lo por completo, mas ainda havia uma barreira entre eles contendo todo o potencial desejo que o homem à sua frente estava acumulando para ela.

— Livre-se de suas calças — Conseguiu pronunciar.

Sobre as almofadas, recostou o corpo vacilante, inteiramente dependente dele e livrou-se das últimas peças que o cobria com movimentos bruscos. Ao mais insignificante contato com o sexo rijo daquele homem, as pernas delgadas afastaram-se para lhe dar o acesso que precisava para saciar a sede de ambos.

Os pensamentos foram drenados de sua mente e seu instinto mais primitivo finalmente dominou, aceitando o convite dela ao deitar-se sobre o corpo que o atraía e tomar de uma vez por todas aquela mulher como sua.

Cada vez que o atrito entre os corpos se intensificava, ela se abria mais para ele, recebendo-o plenamente, preenchendo-se por completo. Seu rosto estava contraído, os olhos fortemente fechados contra o seu ombro e a boca proferia palavras desconexas em seu ouvido aguçado. A mão dele deslizou pela coxa bem torneada e a elevou na altura do seu quadril enquanto a outra sustentava o corpo longe do chão.

— Olhe para mim. — Ele pediu com dificuldade e ela atendeu a ele, focando- se na reflexão dos próprios indescritíveis sentimentos na cor âmbar da sua íris — Minha Kagome. Você é minha.

E então, ambos ficaram imóveis deixando que os tremores ganhassem força até que os envolvesse por completo e os obrigasse a esvaziar suas almas, subjugando-os ao prazer extremo.


Ok, depois de 3 meses tá aqui. Eu notei que tenho 4 capítulos acumulados aqui que ainda não tinham sido postados, pois aqui vai um deles. Apesar de ter demorado muito, não vou entrar no mérito da questão porque é uma história grande e inútil pra vocês, só digo que tenho mais 3 capítulos pra postar e como essa semana é as minhas férias é capaz que eu poste mais um ainda para tentar me redimir.

Vou responder às reviews apesar de achar que vocês até já se esqueceram do cap 9:

Srta Kagome Taisho Com relação aos erros de digitação, sempre cometo um monte deles apesar de revisar bastante cada capítulo, se puder me ajudar com eles, eu agradeço. Fico feliz que goste da história e espero que a parte de não desistir dela ainda esteja valendo.

Kallyne Rigurashi Taysho Desculpe, eu demorei , não foi? mas não vou desistir dela não :)

Meyllin Olá! fico feliz que tenha deixado um review, espero que não seja a única. Da mesma maneira que deixei esperando dessa vez, espero que o capítulo compense

MahTaisho123 Não se preocupe, por mais que demore, vou terminar essa fic :) até agora na minha cabeça são uns 25 capítulos...

BChibi Bom, aqui está o 10º :) vou tentar postar o 11º logo porque eles são completamente ligados, pensei em fazer um só, mas ficaria muito grande.

Até logo :)