Capítulo 12
Kagome estivera sentada atrás de sua mesa durante toda a manhã. Estavam com problemas em relação a um cliente que recusava todas as opções possíveis e imagináveis de campanhas, tanto que ela tornara o caso pessoal e no momento, fazia uma apresentação com um novo conceito que ele não teria como recusar. Ainda se tratando de uma segunda-feira, seu humor não era o melhor do mundo, principalmente devido às noites insones e confusões de fuso horário, assim, aquilo havia servido muito bem para concentrar suas energias e aborrecimentos em algo positivo.
Estava plenamente concentrada no que fazia e não escutou Jakotsu entrando em sua sala.
— Ainda insiste nessa conta?
Ergueu a cabeça assustada com o barulho. A seguir suspirou, tirando os óculos pequenos de armação quadrada e preta que usava para leitura.
— É importante, as Empresas Randaw têm uma identidade forte e uma diretora de marketing que é vista como uma leoa no meio, ou seja, é uma questão de honra satisfazê-los, por mais que eu queira mandá-los para aquele lugar todas as vezes que recusam uma de nossas apresentações. — Deu uma rápida lida no conteúdo que estava na tela de seu computador e salvou as alterações, para então focar-se em seu colega. — Marquei uma reunião para amanhã logo pela manhã, vou tratar do assunto pessoalmente, mas gostaria que você estivesse junto, sabe lidar com as pessoas melhor que eu. E é melhor ter alguém do meu lado para, caso ela recusar a proposta novamente, eu não pule no seu pescoço.
— Final de semana difícil, querida? — Ele riu quando ela apenas lhe enviou uma ameaça de morte através do olhar. — Tudo bem, só me avise a hora e o lugar que eu estarei a postos.
Tomou a liberdade de sentar em um das cadeiras frente a ela, com todo o cuidado para não fazer vincos demais em seu paletó cinza sobre a camiseta preta. Como sempre ele estava impecável e muito atraente.
Cruzou os braços na altura do peito e pôs-se a observá-la.
— Porque não dá um tempo no trabalho e vamos almoçar para que possa me contar como foi a visita aos sogros? — A curiosidade havia tomado conta de sua voz, ela percebeu.
— Preciso terminar isso aqui. Porque não saímos mais cedo para um café no final da tarde? — Sorriu para ele, mas voltou a colocar os óculos e se concentrar em sua apresentação.
— Você está estranha, tem muito o que me contar K-chan. — Mas levantou-se e saiu.
Mal teve tempo de começar a revisão dos esquemas visuais e o telefone sobre sua mesa tocou.
— Sim Jane? — Respondeu à sua secretária e ao mesmo tempo em que ela começou a falar, sua expressão gradativamente se converteu para uma careta. — Não tenho tempo para isso agora, diga para ele marcar uma hora para semana que vem.
Recebendo um sonoro "sim, senhora" em resposta, encerrou a ligação confiando que sua secretária resolveria o problema, porém, infelizmente percebeu que havia alguém parado à porta poucos minutos depois.
— Eu disse que não tenho tempo para você — As palavras saíram em um tom afiado e recusou-se a dirigir-lhe o olhar.
— É bom vê-la também, querida.
— Inu. — Olhou para ele quando reconheceu a voz e tentou disfarçar o mal entendido fazendo descaso. — Ah é você.
— Esperava alguém mais? — Cruzou os braços e ficou apoiado ao portal e apesar de intrigado com a situação, não conseguiu disfarçar a satisfação estampada por todo seu rosto.
— Era apenas um problema que estava infernizando minha secretária.
— Algo com que eu deveria me preocupar também? — Com seu "timming" perfeito, Inuyasha estava em frente a ela no momento em que ergueu a cabeça para encará-lo.
Kagome estava pronta para falar, mas deixou as palavras no ar quando teve um vislumbre do sorriso vitorioso instalado em seus lábios, exprimindo uma vontade gritante de lhe contar novidades.
— Aconteceu alguma coisa. — Comentou ao inclinar a cabeça levemente para o lado, analisando-o melhor
— Tudo bem, vamos começar de novo. — Curvou-se sobre a mesa e a beijou rapidamente. — Bom dia, K-chan, como passou sua manhã?
— Ocupada. — Estreitou os olhos, desconfiando daquele tom alegre. — Não o vi saindo hoje cedo, o que está fazendo aqui?
— Não posso visitar minha esposa no trabalho?
Ela apenas ergueu as sobrancelhas.
— Ok, vim convidá-la para almoçar. Por acaso você não teria uma hora para mim em sua agenda ocupada?
Olhou para o escritório a sua volta, pensou no que ainda tinha que fazer e voltou-se para Inuyasha. Seus olhos dourados estavam cheios de expectativas e naquela manhã ele parecia especialmente irresistível, o rosto liso, os cabelos penteados para trás, o terno bem cortado destacando seus ombros largos. E tudo aquilo poderia ser seu com poucas palavras.
— Vamos, antes que eu me arrependa.
— Onde você quer ir? — Inuyasha perguntou, curvando brevemente as extremidades de seus lábios.
Ela pegou sua bolsa e o encontrou na porta.
— Decida você, a idéia foi sua...
Deliberadamente, ele a abraçou pela cintura, dando mais motivos para os curiosos que, não muito discretamente, olhavam para o casal, procurando mais assuntos para a hora do intervalo.
— Se você me beijar na frente de todos, fique contente se não tiver que dormir na casa de Miroku pelas próximas semanas. — Sussurrou ao vê-lo aproximar seus lábios com segundas e terceiras intenções. — Eu tenho uma reputação a zelar.
Ele achou engraçado o tom prepotente e mandão, o que aumentou a vontade de completar aquilo que pretendia de início, mas se conteve, apenas trazendo-a para mais perto de si sem conseguir ignorar a oportunidade de provocá-la. Quando chegaram à recepção, Kagome encontrou Jakotsu sibilando silenciosamente um "traidora" para ela, com seus olhos semi-cerrados em quase ameaças de morte.
Ela olhou para trás e enviando-lhe uma piscadela, disse:
— Cuide de tudo, Jack. — E saiu.
Não demorou muito para que chegassem ao restaurante, visto que ficava a apenas duas quadras de distância e resolveram ir andando. Fora a decisão mais acertada, com o horário de movimento no transito, era provável que demorassem até mais de meia hora naquelas condições. Era um dia quente, mas não insuportável, Inuyasha sentia-se bem de terno escuro e Kagome havia optado por uma calça clara com um corte que valorizava suas pernas longas, um camisa branca que ela adorava por ter uma gola cheia de babados extravagantes. Os dois formavam um casal muito elegante e sem dúvida atraiam vários olhares.
Ao entrar no local conhecido por ambos, foram imediatamente atendidos e levados a uma mesa privilegiada.
Kagome mal prestou atenção no cardápio do dia, o qual o gentil garçom recitou com destreza, e pediu o mesmo que seu marido seja lá o que ele tivesse escolhido. Estava ainda admirada com sua expressão contente, quase como uma criança na manhã de natal, e muito curiosa para saber o motivo daquilo.
— Eu sei que você está louco para me contar alguma coisa. — Falou ela quando estavam finalmente sozinhos — Desembuche logo!
— Para quê a pressa? Temos 45 minutos pela frente. — Quase com um tom de deboche, provou do vinho, demorando-se para falar — Primeiro preciso lhe contar que gastei até a última gota do meu uísque favorito com um Miroku muito atordoado hoje pela manhã.
— O que ele fez? — Franziu as sobrancelhas, estranhando a cena que se formou a partir da informação que acabara de escutar.
— Nada exatamente... Acho que só quando acordou hoje que as peças se encaixaram e ele descobriu que realmente vai ser pai. — Parou pensativo para observar o liquido em sua taça. Kagome daria todo seu dinheiro para saber o que ele pensava naquele momento. — Estive em uma reunião pela manhã e quando voltei para o meu escritório ele estava lá.
— Você deveria ter visto — continuou — Ele estava branco como papel e suava frio, ainda me pergunto como ele conseguiu fazer o nó da gravata ou calçar um par de sapatos iguais.
— E o que mais?
— Ele falava coisas sem nexo a princípio, então tentei lhe dar um pouco de café bem forte, não adiantou, ai entrou meu uísque e depois de três doses, ele conseguiu juntar as palavras em uma frase com sentido. Ele acha que não está pronto para a coisa toda.
— Como se Sango estivesse! — A frase saiu mais enfática do que pretendia.
— Ei calma, só estou contando o que aconteceu.
— Desculpe. — Ela se retraiu.
Um minuto de silêncio se instalou e ele foi o primeiro a falar:
— Dia difícil? — Alcançou a mão dela sobre a mesa, permanecendo assim por mais que ela hesitasse em manter o contato.
— Um pouco, — Encolheu os ombros — só estou preocupada com Sango e Miroku... Em como eles vão conseguir lidar com toda essa situação, um filho não é como um casamento que pode ser desfeito. E alguns problemas com clientes está tomando toda minha pouca paciência.
— No final, vão ficar bem. — Falou, ignorando a frase dela sobre casamentos — É apenas o choque inicial, eles se amam, vão passar por tudo isso sem grandes preocupações. Quanto a você, minha querida Kagome, eu tenho certeza que você vai saber controlar toda a situação, não há ninguém melhor que você para isso.
— E se eu não conseguir?
— Então não conseguiu, não é o fim do mundo. Haverá outros clientes, novas contas, possivelmente melhores, mas eu arrisco a dizer que a conheço muito bem, e sei que você consegue.
Aquele tom de voz suave e firme tinha um poder inexplicável de acalmá-la, pareceu esvaziar sua mente de todas as preocupações.
— Obrigada. — Olhou para ele e sorriu sem perceber.
— Talvez o que eu tenha para lhe contar possa melhorar um pouco as coisas. Tive uma reunião com o conselho e eles decidiram pela minha permanência no encargo do banco.
— Isso é ótimo! — Feliz por ele e de certa forma, por ela mesma, comemorou. — Eu disse que você conseguiria!
— Dessa vez você estava certa. — Não escondeu o sorriso de pura alegria, apesar da brincadeira com ela.
— Como sempre, você quis dizer...
— Não, você escutou bem.
— Me diga alguma vez que eu estivesse errada? — Esse tipo de provocação corriqueira já havia virado um joguinho para eles, algo que os divertia.
— É melhor não continuarmos com esse assunto, temos pouco tempo e a lista é grande.
— Idiota — Murmurou, mas riu em seguida, levantando-se de sua cadeira para dar um discreto e rápido beijo em seus lábios.
— Nunca duvidei de você, estou realmente muito feliz. — Falou baixo para que só ele a escutasse, sustentando o olhar sobre ele.
— Eu sei e isso significa muito para mim. — Beijou-lhe na testa e ela voltou a se sentar, tomando alguns goles da sua taça para recuperar a compostura.
— E essa demonstração pública de afeto vai virar rotina também? — Perguntou, inclinando a cabeça para frente de modo cúmplice.
— Tá vendo a mesa ao lado? E a outra atrás de mim? — Também se aproximou dele para falar. Ele olhou em volta discretamente e assentiu — São grupos de mulheres dondocas, desquitadas, fofoqueiras e caçadoras, da pior espécie. Elas não tiraram os olhos de você desde que chegamos e eu, no papel de esposa, devo demarcar meu território, então não se acostume. — Voltou a se acomodar com classe sobre a cadeira e observou-o assimilar suas palavras um pouco perplexo, para então produzir uma alta risada de puro encanto.
— Não há ninguém como você, eu já lhe disse isso? — Ergueu a taça fazendo um brinde a ela, com os olhos fixos de admiração.
— Algumas vezes. — Respondeu ao brinde, bebendo outro gole em seguida.
Em um silêncio confortável, entremeado de algumas poucas palavras, cada um com seus próprios pensamentos saboreou a refeição, um risoto de especiarias. Kagome sem dúvida aprovou a escolha de Inuyasha e o que mais gostou foi o pedido que ele fez de uma torta de chocolate para ela.
— Não quero lhe causar indigestão ou estragar o momento, mas preciso perguntar uma das coisas que está me incomodando absurdamente. — Ele apenas gesticulou para que ela prosseguisse — Você conseguiu falar com Ayame? Kaede disse que ela chegou hoje de madrugada e saiu mais cedo, antes do café.
— Na verdade sim, mas foi algo estritamente profissional. Depois da situação com Miroku hoje pela manhã, o mandei para casa e pedi para que ela assumisse as funções dele pelo resto do dia. — Inuyasha respondeu calmamente.
— Ela ainda não quer falar comigo?
— Minha irmã só precisa de um tempo — Assegurou a ela, tentando ao seu máximo deixá-la mais tranquila. — Sei que ela vai nos procurar quando se sentir melhor.
Conformada que era algo fora de seu controle, Kagome perguntou também:
— E seus pais ficaram muito chateados porque saímos às pressas?
— Acho que Kioshi foi quem mais se decepcionou. — Sua voz se alegrou ao falar do sobrinho. — Você disse que brincaria com ele, mas Rin contou que quando ele saiu a sua procura quando acordou e não a achou, ficou o resto do dia emburrado.
— Eu tinha prometido não é mesmo? — Teve que rir da situação que criara — Espero que ele me perdoe.
— Vai ter que trabalhar muito para isso. — Avisou-lhe Inuyasha.
— Com o tio dele não é muito difícil, provavelmente será uma tarefa fácil. Sabe o que dizem, as crianças grandes são as piores! — Piscou para ele, muito brincalhona.
Seu marido simulou uma risada irônica.
— Rin virá a Nova York em duas semanas para uma exposição, acho que Hana e Kioshi virão com ela. Na verdade, ele virá com certeza, ela só está meio relutante em trazer Hana por ser muito pequena ainda. Minha mãe quer vir, ela gostou de você eu acho, por algum motivo que eu ainda não consigo entender... Mas quem sou eu para discutir com ela? Então, acho que será uma boa oportunidade para você se redimir.
— Em primeiro lugar, a maioria dos Taishos se encantou pela Kagome aqui, começando por você — Prepotente e segura de si, ela sorriu. — E em segundo, talvez isso seja bom. Eu poderia apresentar sua mãe à minha sobre o meu domínio antes que elas dêem um jeito de fazerem sozinhas e perdermos o controle da situação.
— Será muito bom, só há um pequeno problema. Eu vou estar em Toronto por alguns dias para reuniões com a filial de lá.
— Oh. — Foi tudo que ela conseguiu pronunciar.
— Isso é um problema?
— Não, de maneira nenhuma. — Com falso descaso, alcançou sua taça para hidratar a garganta que ficara seca de repente.
Conhecendo a maneira como ela se portava quando estava receosa ou preocupada, Inuyasha perguntou:
— Tem certeza?
— Claro! Você só vai me trancar na jaula sozinha e desarmada com os leões famintos. — Ela riu do próprio sarcasmo — Não, de verdade, está tudo bem, consigo me virar sozinha.
— Kaede está sob aviso, peça ajuda a ela para tudo o que precisar. Você vai se surpreender com o quando ela conhece a todos nós, é capaz de acalmar até o Sr. Taisho quando ele está cuspindo fogo. E ainda, — continuou — estou certo que Sango não se negaria em abrigá-la por uns poucos dias se a situação ficar insuportável.
— Você disse que eu sei lidar com tudo, não disse? Então, eu vou sobreviver a isso.
— Essa é minha Kagome! — Entrelaçou seus dedos com os dela sobre a mesa. — Tem mais alguma coisa ocupando sua mente além de Ayame, Sango, Miroku e agora, minha família?
— Não vai querer ouvir sobre meus clientes temperamentais, não é mesmo? — Franziu a testa ao mesmo tempo em que soava brincalhona.
— Você faz isso por mim, porque não poderíamos inverter os papéis às vezes?
— Tudo bem, talvez você não seja tão idiota assim.
— Nós sabemos que bem lá no fundo, você me ama. — O tom brincalhão não disfarçou o forte significado daqueles 3 letras juntas.
— Digo o mesmo pra você. — Kagome engoliu a seco e forçou um sorriso. Agradeceu aos céus quando o garçom os interrompeu, trazendo sua sobremesa.
Inuyasha achou divertido e encantador a forma com que ela devorava a sobremesa.
— Ei! — Ela protestou ao vê-lo roubar seu último pedaço. — Meu chocolate é sagrado, ninguém toca nele! Pegue um para você também da próxima vez.
— Você já ouviu dizer que o último pedaço é o melhor? — passou a língua no canto da boca onde tinha ficado um pouco de chocolate — Pois é a pura verdade.
Seus olhos azuis pareciam atirar faíscas em direção a ele e também pôde ver os lábios cheios formarem um sutil beicinho, muito tentador. Ele poderia apostar qualquer coisa que, se não estivessem em um local público, ela estaria mostrando-lhe a língua da maneira mais infantil possível. Pouco tempo depois eles já estavam de volta ao escritório de Kagome, com tempo de sobra para que ela ainda enfrentasse um breve interrogatório de Jakotsu.
— Devo chegar tarde hoje, avise para Kaede que não precisam me esperar para jantar. — Parou em frente ao prédio moderno de quatro andares onde ficava a agência, colocando-se exatamente em frente a ela.
— Vai me deixar sozinha com Ayame? — Kagome pareceu indignada e assustada ao mesmo tempo.
— Você consegue lidar com tudo, lembra-se?
Ela revirou os olhos mais beijou-o no rosto em seguida, dizendo:
— Vá trabalhar e me deixe em paz. — Deu-lhe dois tapinhas no ombro, mandando-o embora e virou-se para entrar no prédio.
— Só um minuto.
Ela hesitou ao escutá-lo e ele rapidamente segurou-a pelas laterais de sua cintura e tomou sua boca em um beijo que a fez ver fogos de artifício. Apesar de estarem no meio da rua com um calor de repente insuportável e suas cabeças abarrotadas de pensamentos e preocupações, por um curto momento tudo pareceu um mar de rosas.
— Pronto, agora eu vou. — Beijou sua testa e deixou-a.
Kagome recuperou parte da compostura a tempo de ver seu marido entrando no banco de trás de um sedan preto. Ela constantemente se perguntava como tudo estava ao alcance dele num estalar de dedos.
Com a mente levemente nublada e o corpo tão leve e seus pés pareciam não tocar no chão, passou pela recepção e seguiu até seu escritório no ultimo andar. Não viu quando alguns de seus colegas de trabalho cumprimentaram-na e praticamente ignorou sua secretária que correu atrás dela provavelmente querendo lhe dar algum recado importante.
Sozinha, entre as quatro paredes sagradas de seu recanto no meio daquela loucura, encostou-se contra a porta ao fechá-la e concentrando-se em diminuir os batimentos ainda acelerados de seu coração. Riu sozinha com os olhos fechados, quando notou que tudo aquilo era uma reação a um simples beijo. Quem é a idiota agora, Kagome? Pensou ela.
— Foi bom seu almoço?
Espantou-se ao notar que tinha companhia e se recuperou em poucos instantes.
— O que você está fazendo aqui? Quem o deixou entrar?
— Que belo modo de dar as boas vindas ao seu irmão! — Levantou-se da cadeira dela e estendeu os braços com um belo sorriso no rosto.
— Quando você ficou mais alto que eu? — Feliz por vê-lo, foi ao seu encontro, permitindo-se ser abraçada.
Seu "irmãozinho" já era um homem. Souta tinha o brilho da juventude nos olhos, e era tão sagaz quanto um ancião. Os cabelos eram negros assim como os de Kagome, mas a pele tinha um tom mais bronzeado e o corpo magro e esguio combinava com seu porte altivo.
— É sério, quem lhe deu permissão para entrar na minha sala? — Kagome afastou-se, colocando as mãos nos quadris como quando ele fazia algo que não devia na infância. A pequena diferença era que dessa vez era ela quem inclinava a cabeça levemente para traz para poder olhá-lo nos olhos.
— Jakoutsu sempre teve uma quedinha por mim, ele nunca lhe contou? — Sem perder o espírito brincalhão, ele falou.
Kagome estava muito contente por vê-lo para lhe dar um sermão sobre como ele não deveria se intrometer em seu território sem permissão. Não precisou convidá-lo para se sentar, ele se largou na cadeira esperando que ela se sentasse também, como se a sala fosse dele.
— Quando você chegou? — Perguntou ela, colocando-se atrás de sua mesa.
— Ontem à noite.
— E como vai a Califórnia? Pelo visto o sol está muito bom. — Apoiou os cotovelos sobre a superfície, levantando levemente as sobrancelhas, o que a fez soar ainda mais sarcástica.
Olhou para os braços, sabendo que ela se referia ao seu bronzeado.
— Vai muito bem. — Encolheu os ombros. — Você queria que eu desperdiçasse todos os dias do verão em um laboratório, cercado por computadores? Não faz meu estilo.
— Nunca fez, não é mesmo? — Sorriu — E porque você está do outro lado do país quando deveria estar em uma sala de aula?
— Nerds têm suas regalias. Há uma convenção apresentado novas tecnologias para sistemas, vou ficar até sexta porque sua mãe insistiu. E aproveitei que estava de bobeira para vir ver minha irmã, agora recém-casada. — Assegurou-se de enfatizar as ultimas três palavras.
— Oh sim, também senti sua falta.
— Mamãe disse que eu preciso conhecer Inuyasha e o Sr. Higurashi me parece muito satisfeito também. — Insistiu no assunto antes que ela, com sua grande prática, pudesse driblá-lo. — Por acaso foi ele quem a deixou com cara que idiota apaixonada quando entrou na sala?
— Não é da sua conta, maninho. — Kagome se adiantou e começou a mexer em uma pasta a sua frente, procurando algum papel.
— Engana-se, é sim. — Interrompeu-a segurando suas mãos sobre a mesa. — Mas estou feliz por que foi você quem se casou bêbada em Vegas e não eu.
Bingo! Pensou ele, ao ver os olhos de repente arregalados, totalmente focados nele.
— E pensar que você deveria ser um exemplo para mim. — Largou-a e cruzou os braços, recostando-se na cadeira. Contou mentalmente até 5 e em seguida ouviu a resposta rápida de Kagome.
— E quem disse que eu estava bêbada?
— Minha querida, você pode ser a mais velha, mas eu ainda sou o mais esperto. Acha mesmo que eu acreditei nessa história de pombinhos apaixonados, com tanta pressa para casar? — Ele falava tranquilamente. — Eu a conheço bem o suficiente para saber que você não se casaria novamente com tanta pressa.
— Você não acredita em amor? —Kagome engoliu a seco, já muito desconfortável com aquela conversa.
— Eu acredito, amo muitas pessoas inclusive você. No entanto, não estamos falando de mim e você não acredita em amor.
Souta esperou que ela retrucasse, mas a viu calada, olhando-o sem piscar. Então, continuou.
— Se fosse verdade a história que contou sobre os meses de namoro secreto, eu não teria visto seu atual marido apaixonado em uma boate, 2 semanas antes do dito casamento, com outra mulher se divertindo muito para serem apenas amigos.
— Você deve ter se confundido — Persistiu ela.
— Posso não trabalhar no ramo das fofocas ou notícias do entretenimento como vocês gostam de chamar, mas reconheço um rosto famoso quando o vejo.
— Kagome — Ele se inclinou para ficar mais próximo a ela, olhando diretamente em seus olhos — seja lá o que tenha feito, não sou eu quem vai recriminá-la. Se você decidiu se casar ou manter-se casada com ele, foi uma escolha sua, mas na minha condição de irmão eu me preocupo com você e com a sua felicidade, por isso, preciso que se dê a oportunidade de ser feliz. Se Inuyasha é a pessoa certa para isso, como eu acho que é visto o modo que entrou nessa sala depois de vê-lo, não o deixe escapar.
Kagome ficou sem reação a princípio, e por fim falou:
— Você não vai contar para ninguém, vai?
Souta riu por ter pensado por um segundo se quer que ela admitiria estar apaixonada.
— Ora, seus pais já sabem!
— Você não...
— Claro que não — a interrompeu — estou brincando bobinha! Mas o dia que for contar a eles que se casou com um completo estranho, bêbada em Las Vegas, por favor, me chame que eu preciso assistir a isso!
— Nos seus sonhos, maninho! — Revirou os olhos, permitindo-se brincar um pouco.
— Agora vou deixá-la trabalhar, tenho algumas coisas para resolver — Levantou-se e contornou a mesa para beijá-la na bochecha. — Matei a saudade da minha irmã preferida já.
Seguiu para a porta, mas parou antes de fechá-la atrás de si e disse:
— Você está fazendo a coisa certa, minha irmã. — Sorriu — E marque um almoço para esta semana com seu marido, veremos se ele passa no meu teste também, um joguinho de pôquer e um bom charuto não funcionam comigo. — Piscou para ela e saiu.
Sozinha, deixou a cabeça cair sobre os braços cruzados na mesa. Agora eram cinco pessoas que sabiam, entre elas Sango, Miroku, Jakotsu, Ayame, Souta, sem contar ela mesma e Inuyasha. Isso já estava ficando perigoso tanto que tinha medo que a situação pudesse sair de seu controle. Mas o medo era algo que deveria manter enclausurado até conseguir pensar em uma solução para os possíveis problemas.
Então, respirou fundo e voltou ao trabalho.
Naquela tarde ainda precisou estar em duas reuniões importantes, depois deu alguma desculpa qualquer a Jakotsu, cancelando o encontro que haviam combinado, pois a necessidade do conforto silencioso, que só encontrava entre os muros da propriedade que chamava de casa, surgiu de forma desesperadora no final daquele dia.
Logo que chegou, estranhou o vazio, mas sentiu-se aliviada ao mesmo tempo. Aquele era um dos momentos em que preferia ter apenas suas confusões mentais como companhia. Subiu até o quarto impecavelmente arrumado e começou a espalhar suas coisas por lá, organização nunca fora seu ponto forte. Deixou a bolsa sobre o sofá de dois lugares perto da janela e a caminho do banheiro despiu a roupa que usara durante o dia. Encarou por alguns segundos o amplo banheiro, mas rapidamente se decidiu por pelo menos uma hora de relaxamento na banheira.
O pequeno luxo lhe deu uma nova energia e devolveu a suavidade a sua face. Todas suas preocupações foram drenadas da sua mente e pôde respirar novamente, lembrando-se sempre da conversa que tivera com Inuyasha alguns dias antes. Definitivamente ela estava adotando sua estratégia de deixar que as coisas tomassem o próprio rumo. Precisava disso, do contrário estaria louca em pouco tempo.
Quando a água esfriara e seus dedos ficaram enrugados, Kagome se enrolou na toalha e seguiu para o closet. Ficou em dúvida quando viu suas roupas devidamente arrumadas ao lado das e Inuyasha, mas resolveu que as camisetas dele eram mais confortáveis e vestiu uma delas imediatamente. O cheiro delicado da roupa limpa não conseguia mascarar o perfume do homem que a possuía, certamente esse era um fator decisivo ao fazer aquela escolha para seus trajes confortáveis, junto com os shorts de tecido maleável que usava para malhar geralmente.
Seguiu para o escritório a fim de trabalhar, porém achou mais interessante o livro esquecido ao lado do abajur sobre a mesinha entre as poltronas de estofado vermelho. Sem resistir, pegou em suas mãos e folheou. Apenas uma frase lhe chamou a atenção no fim da página marcada daquele romance de Agatha Christie. Esta dizia:
"Não reconhecemos os momentos realmente importantes da vida até ser demasiado tarde."
Kagome sabia exatamente porque aquelas palavras lhe chamaram a atenção. Para ela não era tarde de mais.
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N/A:Olá gente! Estranho eu estar postando no meio da semana não? Pois é, eu fiquei perdida porque aqui foi feriado terça-feira e meu descaso se prolongou em 2 dias e acabei tenho um compromisso domingo e segunda e vocês que ficaram sem atualização, capítulo esse que deveria ter sido postado 2 semanas atrás diga-se de passagem. Mas ok, como demorei demais para atualizar, sendo que tinha prometido os 20 dias, vou fazer uma forcinha para postar semana que vem. To indo viajar logo mais às 5 da manhã para o Rio e só volto domingo, por isso, é provável que poste o novo capítulo lá por sexta da outra semana, antes disso tenho umas semana de provas :/
Enfim, espero que tenham gostado do capítulo, prometo que a partir do próximo terá um pouco mais de ação e algumas surpresas interessantes. E, se não for pedir muito, gostaria muito que vocês votassem na enquete que está no meu perfil sobre qual história vocês gostariam de ler, isto é, se vocês não quiserem se ver livre de mim depois dessa! hahaha
BChibi : os 20 dias foram por água a baixo dessa vez, sorry! Hahaha eles estão numa fase bem fofinha, mas próximo capítulo as coisas vão se agitar um pouco, vai começar a parte que eu gosto de escrever rsrsrs. Teve pouquíssimo da Ayame e Sango/Miroku nesse capítulo, nos próximos vou focar um pouco mais neles! Espero que continue lendo e comentando, adoro suas reviews! ^^
Srta Kagome Taisho Muito obrigada pela dica! Não mudei o capítulo anterior (admito que por preguiça hihi) mas cuidei isso quando estava escrevendo e revisando esse aqui! Até conseguiria postar semanalmente se eu não revisasse o capítulo e não escrevesse no papel antes, tenho essa mania chata, parece que as idéias não fluem quando escrevo direto digitado haha vai entender, aí fico com semanas aquelas páginas escritas no caderno e demoro para digitar, e quando faço é de pouco em pouco porque quando vejo, já to fazendo outra coisa e esqueci das folhas na minha frente hahaha enfim, muito obrigada por continuar lendo de qualquer jeito e comentando!
jully-chan hahaha! Fico feliz em saber que você gosta dessa história! Espero ver mais comentários seus *-* É dessa vez fui má de verdade, mas vou tentar compensar no próximo capítulo. E não se preocupe, essa história será postada até o Epílogo, tem mais 17 capítulos pela frente!
É isso gente, bom restinho de semana e até a próxima!
