Capítulo 13
Por algum milagre, Kagome acordara antes de Inuyasha, e muito bem disposta apesar de olhar para o relógio sobre o criado-mudo e constatar que poderia ter dormido por mais uma hora. O sono tranquilo havia regulado seu humor e observando o marido ao seu lado, tinha definitivamente começado bem o dia.
Na noite anterior não o vira chegar em casa e já estava dormindo quando ele foi para a cama.
Achava realmente fantástico o quanto ele parecia calmo ao dormir. Com o rosto enterrado no travesseiro e os cabelos inteiramente revoltos, o que via era uma imagem muito sexy.
— Gosta do que vê? — Ele movimentou minimamente a boca e sua voz soou um tanto rouca.
— Dá para o gasto — Kagome sorriu, fingindo descaso.
— Pois eu gosto muito do que vejo. — Ele foi rápido e em instantes ela estava encurralada entre seu corpo e a cama. Roçou os lábios quentes sobre o queixo delicado, seguindo assim até a ponta da orelha.
— É notável sua animação pela manhã, Inu. — Disse tentando mascarar a excitação imediata. — Não podemos nos atrasar, tenho uma reunião importante logo cedo.
— Aprecio muito esse seu tom mandão de mulher de negócios. — Continuou sua exploração pelo rosto dela — Tenho uma proposta... Podermos fazer um "2 em 1" dividindo o chuveiro, assim, ninguém se atrasa e aproveitaremos um pouco da minha "animação matutina". Ela costuma ser muito contagiante, você sabe...
Ao invés de receber a resposta afirmativa que desejava, Inuyasha a viu se esquivar de um de seus beijos na face para então lhe provocar, esmagando seus lábios contra os dele em um beijo que alertou todos seus sentidos.
— Vá na frente, estarei logo atrás de você. — Por fim, ela pronunciou ao descer as mãos pelos braços fortes que a mantinham presa entre eles, fazendo seu caminho até os músculos do abdômen para brincar com o cós da cueca que ele usava logo abaixo do quadril.
Ele a beijou no pescoço uma última vez e levantou-se da cama com seu sorriso tipicamente brincalhão e convencido no rosto para seguir em direção ao banheiro da suíte.
Depois de cinco minutos, já em baixo do chuveiro, Inuyasha notou que havia sido ludibriado por aquele rostinho lindo de Kagome, porém, não foi atrás dela. Fatalmente ela viria atrás dele.
Então, contou aproximadamente meia hora antes de vê-la entrar pela porta, inteiramente vestida.
— Sabia que só nesse andar tem mais de sete banheiros? — A morena parou em frente ao espelho um pouco embaçado e começou a afofar os cabelos, colocando-os no lugar. Uma justa saia preta que batia um pouco abaixo do joelho, combinada com uma blusa branca simples cobriam seu corpo. Ainda calçava sapatos finos, um tom mais claro que sua pele.
— Sabia que minha secretária veste essas mesmas roupas e fica muito melhor nela? — Ele retrucou, ainda sob os jatos fortes de água.
— Sério? Preciso ter uma conversa com Sango para melhorar meu guarda roupa então. — Usou do sarcasmo enquanto se inclinava para perto do espelho, aplicando cuidadosamente o batom sobre os lábios.
Kagome estranhou quando se passou mais de 5 segundos e não obteve resposta. Virou-se para olhá-lo e foi surpreendida vendo-o bem na sua frente gloriosamente nu, agindo rápido para levá-la para baixo do chuveiro com ele.
— Inuyasha Tai... — Com as roupas encharcadas da cabeça aos pés seu protesto, acompanhado da tentativa de libertar-se de seus braços, não surtiu efeito, ainda mais quando foi interrompida pela boca faminta de seu marido.
Era fácil render-se na companhia de alguém tão persuasivo. E talvez eles ainda tivessem algum tempo de sobra para usufruir, a final.
Não muito tempo depois, o casal juntou-se à Ayame para tomar café da manhã.
— Bom dia. — Inuyasha e Kagome cumprimentaram em sequência.
— Bom dia — Ela retrucou sem floreios e continuou a beber de seu café.
— Não quero me atrasar, — Falou Kagome rapidamente, olhando para Inuyasha apenas. — vou comer alguma coisa a caminho da reunião.
— Tudo bem. — Ele respondeu, encostando-se ao balcão da cozinha já em posse de uma caneca de café.
— Ligo para você no horário do almoço. — Deu-lhe apenas um rápido beijo nos lábios.
— Boa sorte. — Inuyasha desejou a ela e antes que se afastasse, sussurrou em seu ouvido: — Essa roupa está muito melhor que a anterior.
Um sorriso brotou no rosto dela pelo simples fato que a roupa que vestira após o acidente proposital no banheiro era, se não igual, muito parecida com a que usava antes. Porém, nem mesmo a brincadeira dele tinha conseguido levar embora a pequena dose de ressentimento com que viu Kagome olhar para sua irmã ao partir.
— Quando estamos a sós, não é necessária toda essa encenação. — Inuyasha ouviu a voz de sua irmã pela primeira vez alta e clara naquela manhã, mas ainda não tinha visto seus olhos.
— Essa é a questão, minha irmã, nada disso é encenação. — Beijou-a na testa e apanhou o jornal esquecido num canto para levar para o escritório consigo a fim de trabalhar em casa um pouco antes de seu primeiro compromisso da manhã.
Enquanto isso, Kaede encontrou Ayame muito pensativa, com uma xícara vazia entre as mãos.
— Que bicho te mordeu criança?
— Só pensando — Encolheu os ombros depois de demorar um pouco para responder. Colocou a xícara sobre o pires e estava pronta para levantar quando Kaede colocou a mão sobre seu ombro e a fez permanecer no lugar enquanto ocupava a cadeira em frente a ela.
— Ainda está brigada com seu irmão? — Ayame olhou para ela assustada, a senhora sorriu e continuou: — Eu conheço vocês dois muito bem, se é que você já não sabe disso, sei quando há algo de errado. Sei que seu irmão fez alguma coisa que a deixou furiosa ou decepcionada. E ainda, suspeito que tenha relação com Kagome.
— É ele fez — limitou-se a dizer.
— Seja lá o que tenha sido, tenho certeza que não vale a pena continuar brava por muito tempo. Você o conhece também, Inuyasha só age, pouco pensa.
— Não estou brava— Obrigou-se a admitir, suspirando — mas sim magoada. Ele mentiu para mim, me escondeu algo importante. Achei que sempre contaríamos tudo um para o outro.
— Você conta tudo para ele? — Pelo o modo com que ela falou, Ayame notou que Kaede havia feito a pergunta já sabendo a resposta e a circunstância específica para ela.
O olhar culpado de Ayame supriu sua falta de palavras.
— Não tiro sua razão em estar magoada, mas tente entendê-lo.
A mulher, sentindo-se como uma criança, assentiu e levantou-se da mesa. Um dia ainda descobriria como ela conseguia estar ciente de tudo o que acontecia naquela casa.
— Obrigada, Kaede. — E a abraçou
— Alguém precisar colocar ordem por aqui, não é? — Sorriu ao emoldurar o rosto pequeno entre suas mãos. — E resolva-se com Kagome também, ela é uma boa mulher para o seu irmão.
Retribuiu o carinho beijando-lhe em uma das faces como se Ayame fosse uma criança ainda.
— Agora vá trabalhar se não vai acabar chegando atrasada. — Deu dois tapinhas nas suas costas e a deixou ir.
— É melhor vocês dois se acertarem ou eu vou ligar para sua mãe! — Elevou o tom de voz para que ela escutasse mesmo já tendo saído da cozinha. Kaede sabia que ela iria rir um pouco com o comentário.
Ayame se dirigiu ao escritório de Miroku antes mesmo de se acomodar em sua sala, estava ansiosa por uma tonelada de trabalho a fazer que a impediria de pensar em qualquer outra coisa. Quando a secretária dele disse que estava ocupado, enquanto se comunicava com ele, Ayame aguardou.
Sango saiu do escritório fechado minutos depois. Usava um vestido fluído, muito fino, estampado em toda sua extensão com cores leves e alegres.
— Olá Ayame! — Cumprimentou-lhe com um sorriso espontâneo.
— Como vai Sango?
Trocaram amabilidades e Ayame não pode deixar de mencionar as novidades.
— Miroku me contou sobre o bebê, meus parabéns!
— Obrigada, fomos pegos de surpresa, mas estamos nos habituando à notícia. — Com um sorriso, que não conseguia esconder, sua mão pousou sobre a barriga ainda completamente lisa. — Continuo achando que ele vai enlouquecer nos próximos meses, apenas com a expectativa, e fazer o mesmo comigo, mas estou dando um jeito nisso.
— Tenho certeza que vocês conseguirão dar conta de tudo.
— Assim espero! — Fez uma pausa, repensando o que falaria a seguir. — Deveríamos marcar um dia longe dos homens, talvez um dia no SPA ou uma tarde de compras... Estou precisando me livrar de Miroku por algumas horas ao menos.
— Claro! Inuyasha vai estar fora da cidade em algumas semanas, seria uma ótima oportunidade. Kagome vai precisar de um momento desses antes que minha mãe e minha cunhada cheguem...
— É, ouvi dizer que Inu largou essa bomba nas mãos dela. — O tom brincalhão não mascarou a perspicácia em seus olhos. Sango sabia exatamente a situação entre sua amiga e a cunhada, o que a fazia cúmplice de Kagome e Inuyasha.
— Tenho certeza que ela saberá lidar com a situação. — Falou com naturalidade.
— É... Bom, preciso ir. Há uma legião de modelos raquíticas me esperando para minha última palavra sobre o desfile de sexta. Você estará lá, não é mesmo?
— Não perderia.
— Ótimo! Cuide de Miroku para mim. — Piscou para ela pouco antes de sair de seu campo de visão.
Ayame adentrou o escritório muito contemporâneo e imponente de Miroku e foi recebida com um entusiasmo quase anormal.
— Bom dia, Ayame!
— Vejo que começou muito bem o seu. — Largou a piadinha ao sentar-se em frente a ele. — Acabei de encontrar Sango.
— Ela estava fazendo hora antes do seu compromisso, estava apenas sendo prestativo. — Fez-se de santo, mas não o suficiente para enganar Ayame.
— O que tem para mim hoje? — Perguntou ela antes que ele entrasse em mais detalhes.
— Preciso que você revise as cláusulas desses contratos — empurrou a pilha de papeis sobre a mesa em direção a ela — Inuyasha precisa disso até o meio dia de amanhã.
— Certo.
— E quero que nos represente neste caso — Tirou de uma pasta de couro um envelope espesso — Uma audiência será o suficiente, é um daqueles problemas corriqueiros, mas lhe dará algo além de trabalho com a papelada para fazer.
— Você não está fazendo isso só por que Inuyasha pediu, não é?
— Isso o quê?
— Me dar um caso de verdade.
— Ah, por favor! Isso é coisa pouca; e Inuyasha não me dá tantas ordens quanto parece.
— Ótimo, é bom mesmo ter alguma coisa de verdade para trabalhar! — Demonstrou gratidão e entusiasmo, por mais que soubesse que aquilo ali não passava de um problema de rotina provavelmente com alguma empresa que estava afundada em dívidas por empréstimos.
Passaram-se pouco mais de duas semanas e Kagome tirara a tarde de folga para fazer companhia a Sango e dar uma folga a Miroku, o que na verdade era uma desculpa para que ambas passassem o resto do dia no shopping.
— Quando eu posso começar a surtar por não conseguir fechar um vestido? — Sango perguntou a Kagome ao sair do provador.
— Quando você tiver motivos para isso, minha querida. — Estava sentada em uma das poltronas de alto respaldo, observando sua amiga entrar e sair do provador sem satisfazer-se com nada. — só está se fazendo de difícil porque não achou algo que realmente gostasse.
— Talvez. — Admitiu, pois, de uma maneira ou outra, já estava há mais de 40 minutos só naquela loja e tudo lhe parecia sem graça.
A vendedora tentava persuadi-la muito sutilmente com suas melhores peças, mas ela acabou saindo de lá de mãos vazias.
— Aonde você quer ir agora? — A morena perguntou pela enésima vez naquele dia, muito paciente. Tivera uma semana produtiva e colhera bons frutos recentemente, estava no máximo do bom humor.
— vamos tomar sorvete. — Saiu puxando Kagome até sua sorveteria favorita ali. Enquanto ela pediu a maior casquinha com 4 sabores diferentes, a outra se contentou com um milkshake, obviamente de chocolate.
Continuaram apenas olhando as vitrines e trocando algumas poucas palavras.
— Sango, seu celular está tocando.
— Hm? — manifestou-se vagamente, muito concentrada na arte de comer.
— O celular. Está tocando. — Então tirou o aparelho do bolso da frente da bolsa de dela e entregou lhe.
— Oi? — Atendeu, equilibrando o celular entre o ombro e o ouvido.
— Onde você está, Sango? É a quarta vez que eu te ligo e nada de você responder.
— Ah é você Miroku. — Falava pausadamente entre um colherada e outra. — Eu não escutei, foi Kagome quem disse que o celular estava tocando agora. Ainda estamos no shopping.
— Você está bem? — Ele perguntou. Era a enésima vez naquele dia que ele ligava para perguntar como ela estava
— Maravilhosamente bem.
— Quando vai voltar para casa? — Insistiu
— Quando tiver terminado aqui.
— Não se canse demais.
— Kagome está cuidando de mim, relaxe! — Olhou para ela e a viu com a sobrancelha arqueada, parecia curiosa. — Vou desligar, meu sorvete está derretendo.
— Cuide-se e...
— Tchau Miroku — Fez sua voz soar meio cantante e desligou antes que ele achasse outro motivo para estender a conversa e os sermões.
Kagome achou que Sango iria bufar, mas encontrou-a rindo consigo mesma ao guardar o celular na bolsa.
— Ele é impossível.
— Miroku está preocupado, só isso.
— Ele está torrando minha paciência, ainda mais agora que praticamente se mudou para o meu apartamento.
— E você deve estar se sentido sufocada, subindo pelas paredes.
— Como você adivinhou? — Ela soou sarcástica, afinal era algo óbvio. Kagome entendia, por que seu namorado não? — Ao menos concordamos que não servimos para essa coisa de casamento.
— Nada contra — Remendou rapidamente antes que a amiga falasse alguma coisa — Admiramos vocês dois por terem levado isso adiante, mas temos escolha, por isso decidimos por continuar com nossa vida como está.
— Acha que se eu e Inuyasha tivéssemos escolha, estaríamos casados?
— Acho.
— Sango...
— Não vamos conversar sobre isso até o dia em que você deixar de ser cega, surda e muda.
— Mas porquê Miroku está tão preocupado com você? Não me parece do estilo dele.
— Viu! Você muda de assunto em um piscar de olhos quando falamos de Inuysha!
— Quem está mudando de assunto agora?
— Você começou!
— Vamos, Sango. Fale.
— Na última consulta com o médico, ele encontrou alguns números alterados nos meus exames de rotina e pediu que eu os refizesse e alguns outros novos.
— Tudo bem, eu não vou falar nada. Mas...
— Você disse que não ia falar nada. — Interrompeu-a. — Acho melhor irmos para casa antes que Miroku ligue de novo e me aborreça mais um pouco.
— Ei! — Kagome colocou-se em frente a ela, impedindo-a de dar meia volta para ir embora. — Ok, eu menti, não vou conseguir deixar de falar alguma coisa. Você sabe que não deve me esconder nada, não é? Conheço você há mais de 10 anos e achei que já tínhamos superado a parte de manter segredos uma da outra. Se estiver acontecendo alguma coisa, eu preciso saber para ajudá-la e se você não me contar, eu tenho meus meios para descobrir. Ou seja, não tem jeito de se escapar dessa, vou estar sempre ao seu lado queria você ou não. Estamos entendidas?
Sem argumentos, ela apenas assentiu.
— Eu não tenho certeza do que está acontecendo, mas eu e Miroku não conseguimos parar de pensar nisso.
— Vai ficar tudo bem — Confortou a amiga abraçando-a. — Não me esconda nada, por favor. Dessa maneira, ao invés de ter uma pateta para ficar rodando o shopping sem propósito algum com você, terá uma amiga chata lhe fazendo perguntas a cada 15 minutos.
Sango esforçou-se para sorrir e agradeceu por ter uma amiga como Kagome ao seu lado.
— Vamos, vou levá-la para casa e sugerir o seu namorado, algumas atividades recreativas que impedirá qualquer tipo de pensamento.
Envolveu-a pelos ombros e caminharam lado a lado até a saída, conduzindo-a por entre varias sugestões que lhe arrancaram algumas risadas. Kagome fez questão de acompanhar sua amiga até o apartamento e entretivera ela e ao namorado com suas ideias inusitadas até que se viu satisfeita, sabendo que Sango estava em boas mãos e tinha ali tudo o que precisava.
Ao entrar em seu carro e seguir para casa, seus pensamentos estavam focados no próprio marido. Por ter visto o casal de amigos tão apaixonados, talvez ficara sensibilizada.
Mandou-lhe uma mensagem pelo celular perguntando se ele já estava em casa, mas ele lhe disse que ainda trabalhava no escritório. Pensou duas vezes, então deu meia volta com o carro e seguiu para o prédio onde ficava seu escritório. Fazer-lhe uma surpresa seria interessante já que eles se preparavam para ficar uma semana separados e Kagome lidando com a família dele enquanto ele se escapava da confusão. Inuyasha lhe devia uma atenção extra mesmo que isso significasse que ela teria que incomodá-lo no trabalho.
O tráfego naquele começo de noite estava insuportável, porém não se deixou afetar pela lentidão com que os carros fluíam em uma das avenidas mais movimentadas da Cidade de Nova York. Ligou o som o mais alto possível, aproveitando que Inuyasha nunca a deixava fazer isso e deixou o rock dos anos 60 envolvê-la de tal maneira que arriscou-se até a cantar com Mick Jagger, atingindo notas impressionantemente arriscadas para a audição de qualquer ser vivo.
A viagem que normalmente levaria 20 minutos estendeu-se o dobro, mas ainda mantinha seu bom humor intacto. No momento em que pisou do saguão do prédio suntuoso, um arranha-céu seus vários andares envolvidos por vidros espelhados, foi recebida com exagerada corte, achando até que estavam debochando dela. No entanto, ali ela era a Senhora Taisho e todos fariam tudo para agradar o patrão.
Kagome imaginou Inuyasha como manda-chuva, mas não conseguia vê-lo como um carrasco, mesmo admitindo que lhe parecesse ter mudado muito desde que se casaram alguns meses atrás. Sem dúvida estava mais sério quando se tratava de negócios e conseguia manusear muito bem todas as ferramentas ao seu alcance para fazer com que os outros acatassem e se convencessem de suas decisões, até mesmo Inu no Taisho, de quem não tinha tido mais notícias desagradáveis.
Um jovem que lhe parecia muito eficiente, conduziu-a até um elevador privado que a levou diretamente para a sala adjacente ao escritório de seu marido. Já estivera ali antes e nunca deixava de admirar a classe com que cada detalhe remetia ao seu dono. Houveram algumas mudanças para que a sala ficasse exatamente como ele queria, as duas poltronas austeras e o sofá de couro marrom haviam sido substituídas por interessantes móveis do mesmo gênero com o estofado em um azul muito escuro. O espaço era amplo e com alguns quadros dando vida ao ambiente. Não precisava se aproximar para saber que eram obras se Rin. Reconhecia as pinceladas precisas, parecendo criar movimento com a profusão de cores alegres.
A iluminação era clara, mas confortável aos olhos e desenvolvia um cenário convidativo sem perder as características de um ambiente de trabalho. No centro, como que se demarcasse o território, havia portas duplas, altas e parecendo pesadas, por certo muito imponentes.
— Olá Sra. Taisho. Inuyasha não me disse que a esperava. — A assistente pessoal de Inuyasha, de aparência sempre muito eficiente, com os cabelos penteados para trás e um conjunto sóbrio e muito elegante de duas peças, aproximou-se no mesmo instante em que saiu do elevador.
— É uma surpresa. Ele está ocupado?
— No momento, sim. Seu acompanhante pediu que não fossem incomodados até que tivessem terminado. — Seu tom foi sério e profissional. Gostava daquela mulher e seu senso moral impecável.
— Tudo bem, eu espero.
— Posso providenciar alguma coisa para a senhora beber?
— Estou bem, não se sinta presa por minha causa, pode voltar a fazer seu trabalho, Emily. — Sorriu lhe amigavelmente ao se sentar em uma das poltronas.
— Se precisar de alguma coisa, estarei à disposição. — Sorriu educada e muito profissional — Com licença. — Retirou-se para outra porta, fechando-a atrás de si.
Quando se viu sozinha, Kagome esquadrinhou o local com os olhos mais uma vez, procurando algo para se distrair. Pegou em sua bolsa o pequeno no espelho e checou sua aparência. Estava aceitável, decidiu, penteando os cabelos para trás com os dedos. Não tinha costume de se arrumar demasiadamente para sair à tarde e ir ao shopping, porém naquele dia viu-se com vontade de colocar um pouco de maquiagem e vestir uma calça de linho branca de cós alto ao invés de seus adorados Jeans. Combiná-la com uma elegante camisa bordô de leves transparências em alguns recortes discretos, pareceu-lhe uma boa alternativa com os sapatos de salto alto vermelhos, um par que havia adquirido há pouco e estava querendo achar uma desculpa para usá-los.
Começando a ficar impaciente, esperou mais de quinze minutos e os ponteiros do relógio imaginário em sua cabeça começaram a produzir um barulho irritante. Muito agitada e ansiosa por ver seu marido, levantou-se e caminhou ao redor, analisando melhor uma e outra pintura notando semelhanças adoráveis com a casa dos pais de Inuyasha. Algumas paisagens, como o lindo túnel de Sakuras na pequena estrada que conduzia à casa principal, eram simplesmente inesquecíveis.
Sem notar, estava sorrindo. E distraída com suas boas lembranças, permitiu que mais algum tempo se passasse, apenas esperando e sua curiosidade alterando-se progressivamente com o tempo.
Observou então, que as portas principais encontravam-se entreabertas e decretou que não teria problema algum em dar uma espiada em quem tanto ocupava seu tempo preciso com o marido. Assim, aproximou-se sem fazer barulho algum, divertindo-se com a pequena traquinagem. Espiou pela abertura de pouco mais de cinco centímetros sem enxergar nada além da grande janela que cobria uma das paredes e naquele momento tinha as cortinas totalmente abertas apesar de não haver mais a luz no dia. Mudou o ângulo, posicionando-se de modo que conseguisse ver a mesa que dominava o centro da sala, onde Inuyasha tinha a fonte de seu trabalho.
Kagome ficou imóvel quando a porta abriu-se um pouco mais, temendo ser descoberta, mas depois de alguns segundos de hesitação, tornou a olhar e entendera o porque de não ter sido descoberta por alguém tão perspicaz e sempre atento quanto o homem do outro lado daquela porta.
Ele estava obviamente acompanhado, mas no lugar de um dos velhos barrigudos e carecas com que costumava vê-lo quando se tratava de assuntos do banco, havia uma mulher longilínea e de vastos cabelos negros. Ela estava escorada sobre a mesa de seu marido e com o tronco curvado, bloqueando sua visão em relação a ele. Pareciam partilhar de um momento tão íntimo que Kagome sentiu-se uma intrusa ali por insignificantes segundos.
Voltou a si a tempo de causar um dano permanente em suas memórias e afastou-se da porta com a mesma quietude com que se aproximou. Parou no meio da sala, olhando para o nada enquanto deixava um sentimento de raiva e ultraje corroer suas entranhas. Sentiu nojo da cena que havia presenciado e surpreendentemente traída. Cogitou surpreendê-lo de uma vez por todas e irromper o escritório para ver o que ele teria e lhe dizer, também para analisar a mulher com quem ele se encontrava. Porém, relembrou da compostura que o orgulho ajudava a manter intacta e saiu dali o mais rápido possível.
Sozinha no elevador segurava a alça de sua bolsa com extrema força, momentaneamente decepcionada consigo mesma ao se descobrira com um leve sentimento de mágoa diante da situação.
Antes tarde do que nunca, aposto que vocês devem estar pensando. Mas foi difícil escrever essa capítulo, sem mentira nenhuma, terminei ele dia 15 de novembro, pois é, demorei 2 meses para míseras 9 páginas. Vamos dizer que este é equivalente ao mês de outubro e me que vêm posto o de novembro e dezembro.
Minha explicação pela demora: Final de ano, Vestibular, último ano do ensino médio. Depois do dia 14 de dezembro me livro disso e me dedicarei mais a essa história.
Imagino que este não tenha sido o capítulo favorito de vocês, mas não sou muito dada a clichês – não mais que o normal – E este final é só para dar uma evoluída na história.
Cheguei praticamente na metade e tem tanta coisa para acontecer ainda que não sei como resumir em 16 capítulos, mas disso não passa. Estou escrevendo outras histórias já e quero acabar esta de uma vez.
Enfim, mais uma vez, obrigada por continuarem lendo. Quanto às reviews...
Srta Kagome Taisho: Olá! Sempre fico muito feliz em receber uma review sua, você sabe... Nem imagino o quanto deve ser ruim perder o emprego e espero que agora as coisas estejam melhores para você! Estive torcendo para que desse tudo certo para você desde que li sua review – faz tempo rsrs – Quanto ao irmão de Kagome, foi uma das partes que mais gostei de escrever, achei muito divertida! Que bom que achou um tempinho para ler e que esse último capítulo foi bom para você! E como disse ali em cima, a história tem mais uns 16 capítulos, ao que tudo indica são 30 capítulos ao total. Beijos e cuide-se!
BChibi: E quem não quer um Inu desses? rsrsrs me apaixono mais por ele toda vez que escrevo um novo capítulo. E espero que não tenha ficado com muita raiva dele no final deste novo capítulo :p Como eu disse para a Kagome Taisho, são 30 capítulos ao total! Mas vou tentar postar uns 3 por mês entre janeiro e março, quero acabar logo essa história :) Até mais!
Sakura Malfoy chan: Fico feliz que tenha agüentado a espera e ainda por cima gostado do capítulo! hahaha espero que nos próximos continue comentando! :**
kallyne rigurashi taisho: Minha neurose com relação aos erros ortográficos é irritante não? hahaha demoro em média uma semana para corrigir o capítulo, ler e reler é um saco, mas eu realmente não consigo evitar. Tem tantos errinhos bobos que me sinto meio burra quando não vejo, como disse, é pura neurose mesmo! Mas prometo que vou tentar dar uma adiantada na história, não posso prometer nada antes do dia 14, mas depois sim, postarei tanto quanto puder! :)
Obrigada a todas que mandarem reviews, ficou muitíssimo feliz com elas. Relevem os errinhos que possam encontrar, não tive muito tempo para me dedicar à correção desse capítulo e espero que tenham gostado, apesar de não ser o capítulo mais feliz até agora. E não me odeiem também, tudo isso tem um propósito, prometo!
Um grande beijo, boa semana e até a próxima!
