Capítulo 14
— Kaede,onde está Kagome? — Inuyasha perguntou depois de não encontrar a esposa em casa.
— Como vou saber se a mulher é sua Inu? — A senhora parou no meio do caminho em direção à sala com uma bandeja de chá para Ayame.
— Emily disse que ela esteve no escritório, mas deve ter se cansado de esperar, depois disso o celular dela parece dar na caixa postal toda vez que eu ligo.
— Sango deve saber — Ayame se intrometeu, ao pegar a xícara com o líquido fumegante. Seguiu para o quarto em seguida, sem esperar que Inuyasha se desse ao trabalho de lhe responder.
— Vocês ainda não se acertaram? — Kaede perguntou, decepcionada com os dois.
— Ayame adora fazer birra. Não se preocupe, logo as coisas voltam ao normal. — Beijou-lhe na face e já discando o número da casa de Sango, caminhou a passos longos até o escritório, trancando-se sozinho.
— Oi Inu. — Ouviu a voz alegre de Sango do outro lado da linha, esperando ter boas notícias.
— Oi Sango.
— Você quer falar com Miroku? Ele saiu agora a pouco, mas está com o celular. — Inuyasha estranhou suas respostas rápidas, mas ignorou as especulações.
— Na verdade estava me perguntando se você sabe onde está Kagome.
— Ah, ela está aqui. No momento falando no celular, resolvendo algum problema da agência, — Ouviu-se silêncio por alguns instantes antes que ela continuasse. — mas disse que te liga depois, assim que desligar.
— Tudo bem, obrigado.
— Não há de quê. Boa noite Inu.
— Pra você também.
Assim que ela desligou, deus dedos ágeis discaram outro número conhecido. Sango andava impaciente de um lado para o outro em sua cozinha, equilibrando o telefone entre o ombro, pois suas mãos estavam ocupadas com um prato de macarronada.
Dois toques e então Kagome atendeu o celular.
— Ele acabou de ligar.
— Ora! Até que não demorou tanto quanto eu imaginava. — Kagome comentou, — Obrigada por me dar cobertura, quando tiver resolvido algumas coisas te explico a história com calma.
— Acho bom, porque odeio estar mentindo para Inuyasha e para Miroku.
— Não se preocupe, meu marido merece, e quanto a Miroku, é necessário, Inuyasha vai ficar irado se descobrir que Miroku também estava metido nisso.
— E o que sobra para mim?
— Treze anos de amizade e cumplicidade, mais dezenas de situações em que menti para ajudá-la a dispensar seus namorados.
— Tudo bem, já entendi, te devo uma, ou várias. Mas você não está pensando em dispensar Inu, está?
— Já disse que explico tudo mais tarde.
— Como quiser... Vou desligar agora porque Miroku já deve estar chegando.
— Certo, estamos quites dessa vez.
— Tá, Tá... Como queira, mas tenha juízo, Kagome.
— Como sempre tenho. Cuide-se.
— Você mais ainda.
Kagome largou o celular em um canto, esperando algum tempo antes de ligar para sua casa para falar com Inuyasha. Estava em seu antigo apartamento, mas se sentia estranha ali, embora tenha morado naquele lugar por quase cinco anos.
Tudo continuava intacto, os móveis conservados limpos graças aos cuidados dos empregados de sua mãe, as fotografia nos lugares em que deixara, assim como os quadros nas paredes. Apenas suas roupas haviam sumido do closet e os objetos mais pessoais que levara para a casa de Inuyasha ao se mudar três meses antes. Havia uma fotografia, por exemplo, da qual sentira falta ao entrar em seu quarto ali. Ela ficava sobre a mesinha de cabeceira e mostrava uma imagem muito clara e divertida do dia em que Sango apresentara seu primeiro desfile de uma coleção completa, desenha e financiada inteiramente por ela e, na mesma data, Kagome havia inaugurado a agência onde trabalhava atualmente. Fora uma ocasião inesquecível, mas as inúmeras doses de tequila tornaram a ressaca igualmente memorável. A foto, que agora ocupava o criado mudo do seu lado da cama de casal que partilhava com Inuyasha, mostrava uma felicidade exagerada e um sentimento de trabalho cumprido, sem dúvida.
Kagome sorriu sozinha ao lembrar-se de como era a vida no começo de sua carreira. Tinha acabado de se formar da universidade, estava perdidamente apaixonada e parecia ter o poder de conquistar o mundo. Mas não conseguia sentir saudade daquilo tudo. Gostava dos desafios diários de seu trabalho, das limitações impostas que a faziam enxergar as coisas de outro modo, e principalmente, sentia-se imensamente grata por ter se curado de sua paixão na época, no entanto, ainda não conseguira a façanha de controlar por quem se apaixonava.
Então, o toque do celular interrompeu seus pensamentos, como um chamado de volta à realidade. Respirou fundo para encontrar seu próprio equilíbrio e atendeu depois de muito fazê-lo esperar. Não tinha dúvida alguma de que escutaria a voz conhecida de seu marido do outro lado da linha.
— Olá, Inu. Desculpe não ter atendido suas chamadas antes, estou ocupada com alguns problemas de última hora. —
— Tudo bem, só estranhei quando não a encontrei em casa depois que Emily disse que você tinha passado por lá.
— É, eu esperei um pouco, mas decidi dar-lhe privacidade, pareceu-me que você estava muito ocupado. — Sentou-se calmamente sobre a cama de casal no quarto, trancando a respiração ao contar até três mentalmente. Não deixaria que ele percebesse de maneira alguma que pudesse estar chateada ou algo do gênero.
— Hm. Que horas você volta?
— Não sei, me apareceu um problema para resolver e vou passar na casa de Jackotsu ainda. Parece que parte dos arquivos de cinco computadores da agência foram perdidos e preciso do material que estava nesses computadores para ontem. Talvez tenha que ir no escritório para ver o quanto foi salvo em Backup e o quanto foi perdido.
— Ninguém mais pode resolver isso para você?
— Prefiro resolver eu mesma.
— Como quiser, mas achei que passaríamos algum tempo a sós antes da minha viagem.
— Também achei. Tentei fazer justamente isso hoje, mas pelo visto nossos planos não deram certo. — Foi rápida e não o deixou retrucar: — Preciso ir, não me espere acordado.
Chegara em sua casa no começo da madrugada depois de ficar em seu apartamento por um longo tempo sozinha, sem fazer barulho algum. Mas ao invés de se juntar a Inuyasha no quarto de casal, detivera-se a um dos quartos de hóspedes, caindo no sono rapidamente devido à exaustão emocional e física.
Sabia que era impossível sair de casa na manhã seguinte sem que ele a notasse, por isso, decidiu agir naturalmente. Cumpriu sua rotina matutina, sem trocar uma palavra além do "bom dia" e o via olhando-a de modo esquisito e inquisitivo, mas ignorava.
— Vou sair sem tomar café, tenho algumas coisas a resolver antes de ir para a agência e também, não me espere para o almoço. — Disse à Kaede depois de cumprimentá-la como fazia todas as manhãs.
Enquanto isso, Inuyasha não tirava os olhos dela e assim que a mesma saiu da sala onde às vezes tomavam café, ele a seguiu. Ayame apenas olhou para Kaede como quem lhe perguntasse o que estava acontecendo e ela deu de ombros, igualmente curiosa.
— Importa-se de me dizer o que está acontecendo? — Inuyasha fechou a porta da casa assim que Kagome a abriu e pôs se em frente a ela.
— Se me der licença, tenho muito que fazer e você está no meu caminho querido. — Me parece que você não está tendo um bom dia. Por que não foi para a cama noite passada depois que chegou?
— Era muito tarde e não quis incomodá-lo. Nós podemos conversar à noite quando eu chegar, agora estou atrasada para meus compromissos.
— Achei que almoçaríamos juntos hoje. — Ele sugeriu vagamente.
— Desculpe, vou ter que ficar na agência.
— Kagome.
Inuyasha segurou em seu antebraço quando ela tentou passar por ele e viu nos olhos azuis, traços de irritação quando a mulher se esquivou de seu toque.
— Importa-se de sair da minha frente?
Ela estava firme e irredutível, prolongar a discussão não os levaria a lugar nenhum, por isso a soltou e deu um passo para o lado. Mas só deixou o lugar ao ouvir o estrondo da porta batendo as suas costas.
Tinha tanto o que fazer naquele dia e para isso precisava deixar de lado a frustração que sentia por ter começado seu dia daquele modo. O fato era que nunca vira Kagome estranha daquela maneira, simplesmente não combinava com ela. Claramente algo a tirara do sério e ele esperava realmente que não tivesse nada a ver com a visita dela ao escritório na noite anterior. Do contrário, teria mais problemas que imaginava para uma simples quinta-feira.
Checou a hora no relógio e constatou que já estava 15 minutos atrasado e sem muita solução, foi direto para o escritório no centro da cidade, deixando todo o tipo de incômodo em casa.
Durante a manhã estivera em várias reuniões, tecendo inúmeras recomendações para que tudo corresse bem enquanto estivesse fora, pois apesar de que só seriam 4 dias, não queria correr riscos. Mas o encontro desastroso com o gerente de marketing tomou-lhe mais tempo do que planejava e obrigou-se a fazer uma anotação mental para rever seus empregados naquela área devido à insatisfatória produtividade e retornos.
Seu pensamento tornou-se muito prático e sua mente começou a funcionar como uma máquina durante todo o tempo que tratara de negócios. Resolvera problemas, achou alguns que só Miroku e Ayame poderiam resolver para ele, fechou acordos, e impôs medidas tentando equilibrar aquilo que pregara na primeira reunião que apresentou suas propostas com o jogo político e tortuoso que era o mercado financeiro. Ainda assim, sua agenda estava lotada durante toda tarde também e não podia se dar ao luxo de interromper o ritmo que havia adquirido.
No entanto, ele parecia ser o único que pensava assim, pois algumas pessoas faziam questão de atrapalhá-lo.
— Senti cheiro de neurônios queimando e vim ver o que estava acontecendo aqui. — Miroku entrou no escritório sem ser anunciado e sentou-se em uma cadeira de frente para ele. No mesmo instante pegou um peso de papel sobre a mesa de Inuyasha, jogando-o de uma mão para outra, como se fosse uma bola de beisebol.
Sua linha de raciocínio continuou intacta enquanto conseguiu ignorá-lo. Estava focado na tela do computador analisando uma nova proposta para corte de custos e avaliava as conseqüências daquelas ações.
— Já passa da 1 hora Inuyasha, vamos almoçar.
— Já almocei.
— Emily disse que só tomou café desde que chegou, ouvi dizer que isso somado ao estresse constante, pode lhe causar uma úlcera ou gastrite nervosa.
— Pensei que tinha contratado um advogado, não um médico. Desculpe Miroku, mas se não notou ainda, não sou Sango, então vá cuidar de sua namorada, que eu tomo conta de mim mesmo. — Ele falou automaticamente, levemente irritado.
— Nem por um segundo pensei que você fosse minha Sangozinha! Mas como minha namorada é melhor amiga de sua mulher, me sinto na obrigação de cuidar de você.
Distraído o suficiente para não conseguir ler os números de uma tabela, Inuyasha dirigiu a Miroku.
— Sai pra lá Miroku! Estou começando a achar que seu namoro e esse filho é tudo um plano para esconder sua verdadeira opção sexual.
— Consegui sua atenção, não consegui? Vamos logo, eu estou com fome e Sango disse que vai almoçar no ateliê.
— E porque não se junta a ela se está tão carente de companhia?
— No meio dos preparativos para a semana de moda? Não obrigado, preso muito pela minha sanidade. Vamos lá! Temos tempo para ir ao Barney's.
— Você vai parar de encher o saco e me deixar trabalhar depois disso?
— Claro, podemos até mesmo falar sobre negócios, querido!
— Tudo bem, chega Miroku.
Ele riu alto, levantando-se da cadeira.
— Nos encontramos no saguão em 20 minutos, espero você terminar o que esta fazendo.
— Quanta consideração! — resmungou em resposta
— Alguém já lhe disse que está de muito mau humor hoje?
— Vá embora antes que eu tenha que demiti-lo por assédio sexual e moral, Miroku.
Pouco depois do tempo combinado, pediram seu almoço no restaurante que costumavam ir.
— Kagome procurou Sango ontem?
— Estava demorando para perguntar! — Miroku riu, mas Inuyasha não parecia achar engraçado.
— Eu saí e deixei as duas conversando, não sei de nada. — Declarou ele prontamente, excluindo-se daquela confusão que estava se formando.
— Hm.
— O que você fez dessa vez?
— Só vou descobrir quando chegar em cada à noite, Kagome se recusou a falar comigo hoje de manhã. Mas suspeito que tenha alguma relação com uma reunião particular tarde da noite no meu escritório.
— Reunião de negócios, ou algo mais intimo? — Arqueou a sobrancelha, recostando-se completamente na cadeira para ouvir o que ele tinha a dizer
— Reunião de não negócios, digamos.
— Oh, achei que você e Kagome tinham feito um "acordo de exclusividade".
— Na verdade, não. Só decidimos que deveríamos informar ao outro, caso nos interessássemos por alguém e deveríamos manter as aparências até quando fosse conveniente para nós.
— Quem teve essa idéia catastrófica? — Perguntou ele, parecendo um pouco chocado, apesar de brincar com as possibilidades desta ideia em seus pensamentos.
— Não sei, mas no começo nos pareceu certo. Não estávamos apaixonados nem nada. — Inuyasha olhava distraído para a taça à sua frente, parecendo estar com o pensamento muito longe.
— E o que aconteceu ontem?
— Um erro, algo que eu nunca deveria ter feito.
— Você realmente se importa com Kagome, não?
— Pode-se dizer que sim.
Depois que terminaram a refeição, ele começaram uma conversa que mais parecia mais uma reunião de negócios. Era algo automático quando havia uma série de problemas que necessitava atenção devido à crise que estava destruindo a economia de tantos países. Mas Miroku ficou feliz em lhe relatar o progresso de Ayame, ainda mais contente por ter alguém capaz, com que pudesse dividir seu trabalho e diminuir suas responsabilidades. Inuyasha preferia ouvir aquela conversa da própria irmã, mas a relação deles ainda não estava inteiramente reconstituída.
— Olha, acho que Kagome teve a mesma ideia que nós! — Inuyasha virou-se na mesma hora quando Miroku meneou a cabeça para o lado ao deixar a xícara de café sobre o pires.
Ela estava um pouco distante deles, sentada sozinha, sem estar solitária. A ele parecia que esperava alguém na companhia de um cálice de vinho tinto. Ele quis se aproximar, na verdade fazia exatamente isso quando viu outro homem chegar à mesa dela e se sentar ao seu lado. A intenção de Inuyasha era surpreendê-la, já que ela disse que não poderia almoçar com ele, pois ficaria na agência, no entanto, ele foi o surpreendido e deteve-se para olhar ela sorrir para o homem moreno e alto de uma maneira que o fez sentir inveja do acompanhante de sua mulher. Além disso, o que mais o incomodou foi a intimidade que parecia existir entre os dois; pareciam cúmplices, rindo discretamente como se contassem segredos um ao outro e ele ainda segurava as mãos dela por cima da mesa.
Aquela imagem parecia-lhe um castigo e suspeitava que fosse exatamente isso. Ainda assim, decidiu sair dali antes que parasse de pensar e começasse a agir.
— Você paga a conta Miroku. — Avisou, passando pela mesa a passos apressados com uma expressão perigosa em seu rosto.
Miroku apenas assentiu, calmamente bebericando seu café. Ele vira o mesmo que Inuyasha, e ao invés de ficar comovido em solidariedade ao sentimento de traição do amigo, estava achando cômico! Inuyasha estava mordido de ciúmes e Kagome o tinha na palma da mão.
Quando Kagome chegou em casa por volta de 8 da noite, estava completamente despreocupada e com o real sentimento de tarefa cumprida. Conversou rapidamente com Kaede ao encontrá-la pronta para sair e acabou por descobrir que Ayame passaria a noite fora, o que fazia de Inuyasha e ela as únicas pessoas na casa. Isso seria no mínimo interessante.
Pensou em seguir direto para o quarto, crente que o marido estaria trancado em seu escritório, mas notou algum barulho na seleta que costumava ser a mais utilizada no segundo andar e seguiu para lá, secretamente desejando um bom conflito com Inuyasha.
Acertou ao vê-lo de frente a enorme tela, acomodado da poltrona ao assistir a uma corrida de Fórmula 1. Mas mesmo sendo seu esporte favorito, ele parecia mais ocupado com o copo de uísque em sua mão.
— Boa noite, Inu. — Cumprimentou a ele, escorada na porta.
— Achei que voltaria de madrugada para evitar outra conversa. — Não olhou para ela e suas palavras foram afiadas como uma navalha.
— Hoje não tenho por que me demorar. — E se aproximou dele — Como foi seu dia? Alguma reunião importante a portas fechadas como ontem?
Deu a volta na poltrona dele e sentou-se no sofá logo à direita. Tirou os sapatos, sentindo um prazer imenso em livrar-se dos saltos altos e finíssimos depois de um longo dia.
— Não, na verde só estive com homens que precisam de vigilância 24 horas por dia para executar como se deve o próprio trabalho.
— Deve ter sido animador. — Olhou rapidamente para a corrida que estava sendo transmitida e viu que o corredor preferido de Inuyasha estava três posições atrás do primeiro, mas colava nos carros a cada volta em ultrapassagens que pareciam impossíveis.
— Não tanto quanto sua reunião de negócios ao meio dia.
— Como?— Perguntou distraída, olhando-o nos olhos pela primeira vez naquele dia. — Não tive nenhuma reunião ao meio dia.
— Mas você disse que estaria trabalhando no horário do almoço e coincidentemente a vi com um acompanhante nesse período, no Barney's.
— Tive uma meia hora livre e um convite para almoçar apareceu.
— Claro. Vocês me pareciam muito entretidos.
A satisfação fez os olhos de Kagome brilharem por uma fração de segundo, mas Inu não percebeu.
— Sim, de fato estávamos. Backoutsu me contou como tivera sido sua última viagem à Grécia para coordenar as filmagens de um curta que está dirigindo.
— Entendo. E o problema na agência?
— Tudo sob controle e recuperado.
— Vejo que teve um bom dia a final. — Falou com um sorriso debochado o que foi suficiente para Kagome fraquejar em sue autocontrole.
— Oh Inuyasha! Quer que me desculpe por sair para almoçar com um amigo? Achei que me conhecia melhor que isso!
— Então eu quem peço desculpas por ter interpretado mal, asso como todos que estavam presenciando a cena dos pombinhos. Achei que nosso combinado estipulava que ao envolver terceiros deveríamos manter as aparências e informar ao outro ao menos.
Kagome riu exageradamente, sem conseguir se conter diante de tamanha hipocrisia.
— E o que você fazia ontem por volta das 7 da noite em uma "reunião" a portas fechadas com uma mulher atirada sobre você? — Levantou-se, muito revoltada para conseguir se manter quieta e começou a andar de um lado para o outro, gesticulando com as mãos rapidamente. — Acha mesmo que seus empregados são tão burros a ponto de acreditar que estava em um encontro para tratar de negócios? Você deve agradecer a Emily por ela ser tão leal a você e acima de tudo extremamente profissional
— Então você realmente viu?
Ela espera qualquer coisa, até mesmo o clichê "não é isso que você está pensando", mas a confirmação que ele lhe deu, doeu mais do que planejava e a paralisou no mesmo instante.
— É esse o motivo de toda essa confusão? — Ele foi até ela, postando-se à sua frente.
— E você acha isso pouco? Minha paciência tem um limite muito pequeno querido.
— Se você me deixar explicar...
— Pronto, tá aí o jargão que eu esperava! Você é inacreditável Inuyasha! Eu não vou ficar aqui fazendo papel de idiota. Se me der licença tenho mais o que fazer.
Ao contrário do que ela imaginou, ele ficou parado, como se consentisse que ela partisse e assim o fez. Deixou-o sozinho e fora para o quarto. Inuyasha olhou para a corrida que tinha esquecido para ver que o piloto que era sempre sua aposta, tinha vencido a corrida, e ele não estava nem um pouco interessada naquilo.
Esperou ali, desembaralhando em sua cabeça as palavras que teria que dizer a ela e finalmente decidiu-se por ir atrás de Kagome. Não encontrou portas fechadas ou trancadas, isso já era um bom sinal, então seguiu seu rastro até o banheiro adjacente ao quarto onde ela estava. Vestia um robe e dos cabelos molhados ainda pingavam algumas gotas de água. Ela se olhava no espelho como se tentasse achar algum defeito em si, como se tentasse entender o porquê de ela não ter sido suficiente para ele.
— Eu não quero que você me desculpe, só que ouça a história completa. — Falou para ela, mas nada recebeu em resposta. Então continuou.
— Seja lá o que você viu, provavelmente foi exatamente o que aconteceu. Ontem eu me encontrei com uma mulher em meu escritório e seu nome é Kikyou. Não foi uma surpresa, eu sabia que ao final do dia eu iria vê-la pois eu quis que assim fosse. — ele olhou para baixo e viu que as mãos de Kagome apertavam a toalha sobre a bancada. Ela tinha plena consciência das palavras dele, apesar de parecer olhar através do espelho para o nada. — Eu a conheço há 3 anos, e costumávamos manter uma relação casual até antes do acontecimento em Las Vegas.
— Depois do casamento — Sua voz continuou firme, quase fria, apática. — nunca mais nos encontramos e eu preferia assim, até que ela sugeriu que nos encontrássemos, ao me ligar no início da semana. Eu concordei, mas por que sabia que ela não desistiria até conseguir o eu queria. Nunca foi um segredo para mim que ela sempre quis mais da nossa relação, já que todos sabem que Kikyou é o que antigamente chamavam de "caça-dotes". Ela quis me seduzir e nós nos beijamos...
Um sorriso ferino surgiu no rosto de Kagome e ela se voltou para ele.
— E para quando é o próximo encontro? Amanhã durante o horário do almoço?
— Kagome, não seja hipócrita, nada além disso aconteceu. — Inuyasha enterrou as mãos nos bolsos, contendo seu instinto de tocar nela. — Alguma vez eu já menti para você?
— Não que eu tenha descoberto.
— Eu não vou mais me encontrar com Kikyou, foi a última vez que eu a vi porque coloquei um ponto final nesse história.
— Não entendo, se você acabou de dizer que ela não desiste até conseguir o que quer...
— Ela não o tipo de mulher para mim.
— Mas frequentou sua cama, aliás, a mesma cama que eu freqüento hoje.
— Acha mesmo que alguma vez eu a trouxe para essa casa? Nossos encontros eram esporádicos e sem compromisso nenhum. Saíamos para algum bar, uma boate, depois, se a noite se estendesse, íamos para o apartamento dela. Ela é uma mulher frívola, sustentada pelo dinheiro da família e sem ocupação nenhuma na vida.
— Inuyasha, eu não sou tão idiota quanto você pensa. Se você se encontrou com ela é porque ainda havia alguma coisa em você que ansiava por esse contato. Eu sei que nossa relação partiu de um erro e hoje é uma conveniência, entendo que você tenha outras necessidades para satisfazer.
— Que inferno Kagome! — Agarrou seu braço e a trouxe para perto de si, obrigando a olhá-lo. — Eu beijei uma mulher que significa menos que nada para mim e nunca nesse ou em outro mundo vai se igualar a você, será que dá para entender? Acha mesmo que alguma vez uma mulher significou tanto para mim quanto você? Nosso casamento deixou de ser uma conveniência há muito tempo e você sabe disso!
— Não, não sei! — Elevou o tom da voz no mesmo nível que ele. Inuyasha viu a raiva, o sentimento de traição e traços de medo em seu olhar.
— Isso jamais faria parte de uma conveniência.
E a beijou com uma urgência possessiva, livrando-se de qualquer controle que havia imposto sobre usas emoções até aquele momento. Ela resistiu, tentou se desvencilhar mas foi em vão. Seu corpo e seu íntimo pediam por mais, cada vez mais. Pedia entrega total. Em seus braços, ela era apenas uma mulher sedenta por amor, em suas mais diferentes formas e ela sabia que era isso que teria dele.
A raiva e a mágoa deram lugar a uma onda poderosa de desejo, mas de repente tudo ficou muito frio quando ele conteve seus instintos e afastou suas bocas.
— Eu poderia acabar com essa confusão com 3 simples palavras, mas sei que você vai fugir de mim se eu disser. Eu sou um homem paciente, Kagome, mas nem tanto. É melhor você se acostumar ao fato que esse já não é um relacionamento descomplicado e há uma muito além de um acordo de aparências envolvido.
Ela não respondeu nada, apenas continuou a olhá-lo.
— Eu não quero mais brigar com você, já disse tudo que tinha para lhe dizer e espero que tenha escutado. Sinto muito por ter causado essa situação, mas espero que acredite em mim quando digo que está tudo acabado entre Kikyou e eu. — Falou com um ar cansado e beijou-lhe a testa antes de deixá-la sozinha.
Oi gente! FELIZ NATAL! Espero que o Natal de vocês tenha sido ótimo!
E para manter as tradições, outro capítulo no domingo... Sei que este deveria ter vindo domingo da semana passada, aliás, lhes disse que dia 16 me livrava de tudo e realmente me livrei. Estou de férias e escrevendo loucamente hahaha. Semana que vem tem outro capítulo, antes de 2012 chego na metade da fic :D Admito que não estou contente com os últimos capítulos, mas fiz o melhor que pude. O momento drama da fic acabou, prometo. As coisas devem fluir mais agora... minha escrita tá meio enferrujada, e por mais que possa ser besteira, acho que é porque não tenho lido muito ultimamente, com a confusão do vestibular e das provas de final de ano, não peguei um livro se quer a não ser os de estudo. Mas to tentando melhorar, agora tenho tempo e nenhuma desculpa rsrs
Obrigada por continuarem lendo e por comentarem! Volto a repetir, vocês não têm noção de o quanto uma review me faz feliz!
Srta Kagome Taisho : O que achou do capítulo? Seja sincera, eu aguento! Hahaha Não sei se deve ter raiva do Inu ou não... Eu nunca tenho rsrsrs Acho que com esse capítulo ele ganhou mais pontos do que perdeu com o anterior.
É eu tenho um resuminho do que vai ter em todos os capítulos, sem isso fico completamente perdida. Esse capítulo já estava escrito, mas demorei para digitar e revisar.
Espero que esse Natal tenha te trazido coisas boas apesar dos últimos acontecimentos e vou ficar torcendo para que dê tudo certo para você! Beijos!
Kallyne Higurashi Taisho: Sei exatamente como é! Quando comecei a ler fics, eu só procurava pelas histórias completas, super entendo essa agonia de vocês em esperar pelo próximo capítulo, mas vou recompensá-las agora nas férias! Fico super feliz quando vejo que alguém gosta de verdade da fic! Muito obrigada!
BChibi : Ficou decepcionada com o "mal entendido"? Não queria que fosse tão clichê rsrsrs. Bom semana que vem já tem outro capítulo, isso eu posso te garantir. Eu ainda não comecei a escrever ele hahahah, mas até sexta eu posto, com certeza! Vou dar um jeitinho nesses dois logo logo, pode deixar :D Até a próxima!
Mihigurashi : Oi! Tudo ótimo e com você? Adoro quando novas leitoras se manifestam! Muito obrigada e desculpe a demora! Pois é, eu infelizmente não consigo escrever histórias curtas, vamos ver o que vai achar dos próximos, espero que goste! Beijos
É isso gente, como sempre, desculpe os eventuais erros gramaticais e vejo vocês na próxima! ^.^
