Capítulo 15
Kagome se esforçava ao máximo para aumentar a velocidade de sua corrida. Sentia seu corpo sendo levado ao limite e continuava a ultrapassá-lo. Os cabelos presos no alto da cabeça, os shorts de corrida e a regata justa ao corpo a deixavam inteiramente livre para alcançar todo seu potencial durante o exercício. Ela sabia que os músculos das pernas estariam doloridos assim que cessasse os movimentos, mas o prazer que sentia naquele momento era sua recompensa.
Não tinha tempo para pensar, a música que os fones de ouvido emitiam era apenas um ruído baixo e indefinido. O som da sua respiração curta parecia muito mais alto. Talvez já tivesse corrido dois ou três quilômetros, mas ainda queria mais.
O dia havia sido exaustivo e ainda não conseguira se recuperar completamente da discussão que tivera com Inuyasha dias antes, ela agia como se nada tivesse acontecido, apenas para evitar uma solução definitiva para seus problemas. Considerava-se uma covarde por fazer aquilo, mesmo sabendo que era seu mecanismo de defesa.
Uma vez, foi o que bastou para que tivesse trauma do amor. Admitia que era extremamente ingênua na ocasião e o preço que teve que pagar por se entregar completamente a uma paixão foi ter seu orgulho ferido e um longo tempo até que pudesse confiar em alguém novamente. Ainda assim, não tinha certeza se estava apta a depositar sua confiança em alguém completamente e seu atual casamento era um reflexo disso. Enquanto não se curasse dos problemas passados, não poderia dar o que Inuyasha tanto desejava.
Quando já começava a escurecer e o calor de um dia de verão dava lugar à brisa fresca da noite, Kagome retornou para casa. Sentindo-se mais leve sem os problemas e as preocupações lhe perturbando, cantarolava com múrmuros a música que tocava e ao entrar pela porta da frente deparou-se com Kaede e um grande buquê de rosas champanhe em seus braços que exalavam um perfume magnífico pelo hall de entrada. A senhora parecia extasiada com o rosto enterrado naquele mar de pétalas.
— Ora, achei que seu aniversário já tivesse passado. — Brincou a jovem, encostando-se ao portal para observar o momento.
— Minha querida, mulheres não precisam de uma data especial para serem presenteadas. — E apesar das palavras maduras, Kagome viu o rosto levemente corado e não conseguiu esconder o próprio sorriso de encanto em vê-la naquele estado.
— Sábias palavras Kaede, uma pena que poucos homens as levam a sério. — Aproximou-se para sentir a textura de uma das pétalas entre os dedos, pensando em qual fora a última vez que ganhara flores de alguém que não fosse sua mãe. — E pelo visto, um deles já foi fisgado.
— Será que eu tenho que lhe ensinar tudo, K-chan? — Reagiu a senhora diante da sutil insinuação e curiosidade — Uma dama jamais deve revelar todos seus segredos, algumas coisas devem ser compartilhadas apenas entre duas pessoas.
Kaede acomodou as flores em seu braço direito, ainda com um brilho apaixonado fácil de se identificar em seu olhar, pois ela nem ao menos tentava esconder.
— Vou me lembrar disso. — Kagome disse.
— Se eu fosse você, me preocuparia com outra coisa no momento. — Kaede conduziu-a gentilmente até as escadas com a mão que estava livre. E mudando para um tom mais baixo, continuou: — Suba, vá se trocar, você tem visitas lhe esperando.
—Inuyasha não pode cuidar disso? — Cogitou ela, pois tinha poucas forças e vontade de fazer seu papel social.
— Já liguei para ele e deve estar chegando logo, mas acho que Izayoi e Rin estão ansiosas para vê-la.
— Eu... — Então ela parou para pensar e a surpresa estampou sua face — Izayoi e Rin? Elas não chegariam só segunda?
— Anteciparam a viagem para que Izayoi pudesse ver Inuyasha antes que ele viajasse. Agora vá, sua sogra gosta de tomar o chá às 7:30 em ponto e acho que você deveria acompanhá-la.
Kaede teve que empurrá-la pelos três primeiros degraus antes que se desse por conta do que estava acontecendo e corresse para se aprontar. Todos os tipos de xingamentos passaram pela sua cabeça enquanto, rapidamente, tomava uma ducha e deixava a roupa de corrida por calças capri branca e uma blusa azul de mangas na altura do cotovelo.
Se havia algo que a deixava completamente desorientada era ser pega de surpresa. Um dia a mais ou a menos não faria diferença, era do que tentava se convencer, mas sabia que um tempo a mais seria de grande ajuda. E o fato de Inuyasha ainda estar presente no primeiro encontro, deveria ser um alívio, mas começava a achar que seria ainda pior.
Com a aparência renovada, dirigiu-se à sala de estar onde Izayoi estava acomodada ao lado de Rin e antes de encontrá-las respirou fundo e colocou um belo sorriso no rosto. Talvez a escola de teatro que uma vez sua mãe lhe obrigou a frequentar, hoje lhe servisse para alguma coisa.
— Kagome! — Izayoi apressou-se ao seu encontro e demonstrou toda sua afeição verdadeira em um carinhoso abraço. Rin fez o mesmo.
— Que surpresa boa tê-las aqui! — Menos empolgação Kagome, falou a si mesma ao escolher a poltrona a uma distância segura de onde Izayoi estava, nem muito próxima, mas também, perto o suficiente para manter uma conversa em bom tom.
— Inuyasha deve estar em casa logo, — Continuou ela — ele tem ficado no escritório até mais tarde por causa da viagem. — Observou o bule de porcelana sobre a mesa baixa de centro, com 3 xícaras impecavelmente arrumados sobre a bandeja e moveu para servi-las, mas foi interrompida.
— Eu sei, não se preocupe com isso. — Compreensiva lhe dirigiu um sorriso gentil. Em seguida tomou a liberdade de servir a xícara de chá e entregar primeiramente a Kagome. Será que ela havia notado o quanto estava tensa? Não seria muito difícil perceber sua postura desconfortável.
— Como estão Seshoumaru, as crianças e o Sr. Taisho? — perguntou após agradecer silenciosamente ao chá e forçar-se a beber alguns goles. Sentiu-se um pouco idiota por estar fazendo perguntas de uma maneira tão formal a quem, de uma maneira ou outra, era também sua família agora.
— Todos muito bem — Rin tomou a liberdade de responder. — Kioshi já estava fazendo suas malas para nos acompanhar, mas Sesshoumaru o fez trocar a viagem por um final de semana jogando vídeo game e comendo porcarias. Deixamos que as crianças venham em outra data, é sempre estressante e complicado organizar os detalhes das exposições e tratar com os eventuais compradores depois.
— Kioshi pergunta muito pela tia K-chan. — Izayoi comentou.
— Ele se apegou muito a você, — Rin concordou, acrescentando: — não é todo mundo que tem paciência pra suas brincadeiras. Na verdade, só você e Inuyasha até agora, Ayame já gosta de levá-los a parques de diversões e shoppings, mas desconfio que os passeios sejam mais para ela do que para os meninos. — Finalizou bem humorada.
— Kioshi e Hana são fantásticos, ele especialmente me lembra um pouco de meu irmão mais novo, muito esperto e sabe exatamente como prender sua atenção completamente. Geralmente não tenho boas experiências com crianças menores — Ela admitiu — mas fico feliz que nos demos muito bem. Imagino que deve ser difícil para você se afastar deles, mesmo que por poucos dias.
Izayoi observou com gosto como Kagome, sem perceber, comunicava-se muito bem com Rin e deixando o nervosismo de lado pouco a pouco.
— É verdade, — a mulher encolheu-se um pouco, e um sorriso triste ocupou seu rosto por pequenos instantes. — Nunca é fácil não estar sempre por perto deles, e com Hana e ainda um pouco mais difícil por ela ser ainda um bebê praticamente. Mas Sesshoumaru consegue dar conta deles muito bem, como é ele quem viaja mais, as crianças até gostam quando é só ele quem está por perto, então só me sobra saudade mesmo.
Em resposta, Kagome assentiu e sorriu. Admirou-se como Rin mudava sua postura e seu tom de voz ao falar dos filhos e do marido, era visível o orgulho e o amor que tinha por sua família.
— Vejo que Inuyasha e eu ainda precisamos ter aquela conversinha sobre como se deve tratar uma mulher.
— Como? — Kagome ficou tensa com a mudança drástica do assunto.
— O anel. — Izayoi olhou para a aliança que Kagome continuava carregando, a mesma simples banda de ouro com um pequeno brilhante que tinha apavorado Izayoi e seu gosto refinado e tradicional
— Ah sim. — Como se quisesse proteger para que o anel não lhe fosse tirado, ela involuntariamente fechou a mão. — estamos providenciando isso — Ela mentiu
— Não, você gosta deste, não é mesmo?
— Sim, acho que é perfeito. — Falou com sinceridade.
— Isso é o suficiente para mim então. — Izayoi deu o assunto por encerrado e terminou sua xícara de chá, colocando-a sobre a mesinha.
— A que devo a honra dessas ilustres presenças em minha casa? — De repente, a voz grave e conhecida soou atrás de Kagome e ela conteve-se para não olhá-lo logo.
No momento seguinte, Ayame entrou rapidamente no cômodo e foi a primeira a se aproximar da mãe de maneira efusiva tão característica. Inuyasha vinha logo atrás, calmamente demonstrando à sua maneira a alegria em ter parte de sua família ali.
— Nós não a esperávamos hoje. — Inuyasha iniciou após os cumprimentos. Ayame tomou o lugar entre a mãe e sua primeira cunhada, mas ele havia se colocado de pé ao lado de Kagome, pousando a mão suavemente sobre seu ombro após um rápido beijo em seus lábios. O homem sentiu toda a tensão que aquele pequeno contato gerou no corpo de sua mulher apesar de ela tê-lo recebido bem, e decidiu ignorar.
— Sinto saudades do meu filho e gostaria de vê-lo. Que problema haveria em antecipar a viagem, não é mesmo?
— Sendo assim, seja bem-vinda. — Disse em tom de brincadeira e recebeu um sorriso carinhoso em resposta.
— Obrigada, mas Kagome já cuidou das formalidades, querido. Sente-se ao lado de sua esposa e me conte alguma coisa que eu ainda não saiba.
— É mais fácil a senhora me contar algo, mãe.
— Obviamente. — assentiu ela — Estávamos tomando chá, quer que eu lhe sirva um pouco para que você finja que toma alguma coisa além daquele seu café corrosivo?
— Já que insiste. — A risada sutil diante do diálogo pareceu atingir a todos, exceto Kagome. Era um daqueles momentos onde havia um tipo de piada interna entre família e ela se sentia completamente deslocada. Inuyasha notou e, depois de pegar a xícara que lhe foi oferecida, deliberadamente escolheu a poltrona ao lado da esposa para contentar a mãe e ao mesmo tempo a própria Kagome, demonstrando que ele se manteria longe se ela se sentisse melhor assim, mas estaria ao seu alcance a qualquer momento.
Izayoi podia dizer que algo estava errado com aqueles dois ao observá-los interagindo de maneira contida e um pouco formal demais. No entanto, notou que não precisaria se preocupar quando viu que Kagome esticou a mão além do braço da poltrona para alcançar a de Inuyasha ao seu lado. Ele soube disfarçar muito bem o contentamento ao corresponder ao gesto dela, discretamente virando a palma para cima para entrelaçar seus dedos. Kagome parecia ter tirado um enorme peso de cima de seus ombros e permitiu-se relaxar um pouco mais. Finalmente satisfeita, Izayoi escondeu um sorriso por trás de uma nova xícara de chá e continuou observando-os com discrição.
— Kagome, como foi o desfile de Sango ontem? – Ayame perguntou com naturalidade antes que o silêncio se instalasse.
— Fantástico! E ela perguntou por você...
— Sim, eu tinha lhe dito que estaria lá, mas Inu e Miroku me arranjaram uma mesa cheia de trabalho.
— Foi você quem pediu, maninha. — Inuyasha se defendeu.
— Como? Ayame pedindo trabalho? — Izayoi se intrometeu.
— Sim, é calúnia mãe, eles se aproveitam de mim e eu fico presa no escritório enquanto eles voltam para casa a tempo do jantar. – Como uma criança que cria intriga, os lábios de Ayame se enrugaram e ela encostou a cabeça no ombro da mãe.
— Vou ver se Kaede precisa de alguma ajuda para o jantar. – Escapou-se Rin que pouco se pronunciava e muito observava.
— Sem brigas antes do jantar, crianças. — Izayoi riu ao fazer um carinho na cabeça da filha e dar-lhe dois tapinhas no ombro. — Rin já conhece tão bem essas intrigas entre Ayame e os irmãos, ela foge sempre. – Explicou Izayoi quando viu ela deixar a sala. – Vou atrás dela porque estou curiosa para saber o que Kaede está aprontando, e me intrometer um pouco. Resolvam-se vocês dois. E você já pode respirar um pouco, Kagome. – E piscou para ela antes de sair atrás de Rin.
Kagome sentiu o rubor atingir em cheio suas bochechas. Nada passava despercebido pelos olhos da mãe de Inuyasha.
— É K-chan, respire, faz bem – Ayame acomodou-se melhor no sofá, divertindo-se, mas em um tom muito compreensivo, falou: – Só mais uma hora de jantar e depois você estará livre.
Inuyasha tinha estranhado aquela atitude tão amigável de Ayame com toda a situação, tanto quanto Kagome. Trocaram um olhar inquisitivo que também não passou despercebido pela terceira parte daquela conversa.
— O que foi? — Ela encolheu os ombros e desejou ter uma taça de vinho para brindar a cara de espanto dos dois com as palavras que viriam a seguir. — Só porque eu decidi ajudar vocês nessa loucura toda porque vocês obviamente se amam tanto que até brigaram por ciúmes besta, vão ficar com esse ponto de interrogação gigante na cara? Inu, você está subestimando nossa mãe, ela vai notar que algo está errado. E acho bom que tenha se livrado definitivamente daquela vaca com quem rolava nos lençóis quando lhe convinha. Nunca gostei dela.
Ela se levantou do sofá e andou até a porta antes de parar e voltar-se para eles
— Vou subir para me trocar para o jantar. Não tentem me esconder mais nada, acho que já notaram que eu consigo saber de tudo, não é? — Ela abanou para eles e saiu rindo para si mesma da expressão de choque dos dois.
Quando todos estavam sentados à elegante mesa de jantar, não tinha como fugir de nada. Ao lado de Kagome, estava Inuyasha e à sua frente, Izayoi. Um cenário familiar se instalou com uma conversa agradável, todos pareciam à vontade e apesar de um pouco contrariada, Kagome também. Ela observava o marido interagir com a família como se tudo estivesse na maior tranquilidade do mundo, enquanto ela se portava com extrema cautela.
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— Tudo correu bem afinal, não foi? – Kagome quebrou o silêncio que se instalou entre os dois no momento em que voltaram ao quarto. Ele checava alguns e-mails em seu notebook e foi surpreendido pela pergunta dela.
— Não se preocupe, nos saímos muito bem apesar dos últimos acontecimentos.
Calada, Kagome andou vagarosamente até onde ele estava na cama e sentou ao seu lado. Sua personalidade tão descontraída estava coberta por uma camada espessa de cautela. Inuyasha deixou de lado o que estava fazendo e olhou para ela, estudando seu rosto.
— Tem algo que queira dizer, Kagome?
— Eu odeio ter que fingir que está tudo bem quando eu sei que você está chateado comigo.
— Como Ayame disse, minha mãe deve ter notado alguma coisa, você não precisa fingir nada, casais normais brigam.
— Isso não tem a ver com a sua mãe, mas com a gente. – Ele não fez nenhum comentário, então ela se obrigou a continuar. – Magoamos um ao outro e eu queria que nada disso tivesse acontecido, mas aconteceu. O problema é que brigar com você é cansativo, odeio esse silêncio incômodo e a falta de liberdade para dizer e fazer o que eu bem tenho vontade perto de você.
— Realmente, é muito cansativo. — Ele assentiu, olhando para a parede á sua frente como ela.
— Como eu queria que isso fosse resolvido com uma rodada de sexo selvagem.
— Podemos providenciar isso. – Sua voz não pareceu tão entusiasmada, ainda assim, mostrou um leve sorriso.
— Nós dois sabemos que isso não iria satisfazer a nenhum dos dois, infelizmente.
O silêncio voltou a se intrometer entre eles e Kagome sentiu seu desconforto tomar proporções astronômicas.
— Será que podemos esquecer tudo isso e seguir em frente? — Ela se virou para ele.
— Por favor. — Ele concordou sem hesitar.
— Não quero mais ouvir o nome de Kikyou ou qualquer coisa relacionada a isso, tudo bem? Quero deixar as coais acontecerem naturalmente
— Da minha parte isso não será um problema. — Inuyasha assegurou a ela.
— Devemos nos preocupar com Ayame?
Ele deu uma meia risada e falou:
— Acho que é a última pessoa com quem devemos nos preocupar, há poucas pessoas mais confiáveis que ela.
— E sinceras — Kagome completou baixinho.
— Como podemos perceber...
Ela se levantou e quando olhou para ele, analisando seu rosto, perguntou:
— O que foi?
— Tenho direito a uma pergunta antes de não tocar mais no assunto? — Sério, ele pediu.
— Vá em frente...
— O fato de ter se encontrado com seu amigo naquele almoço foi proposital? Devo me preocupar com o interesse dele em você ou vice-versa?
Kagome quis rir, mas, como ele, manteve-se muito séria.
— Primeiro, você pediu uma pergunta, essas são duas. Segundo, de acordo com Kaede, uma dama jamais deve revelar todos seus segredos. — Ela piscou para ele e saiu rebolando até o closet.
Inuyasha sorriu com vontade e se apressou em segui-la, esperando-a na porta do cômodo adjacente.
— Pois eu tenho duas coisas a lhe dizer também. Primeiro, minhas damas revelam todos os seus segredos, por bem ou por mal e segundo, — Ele esperou que ela saísse, vestindo apenas uma camiseta folgada e a agarrou pela cintura completamente desprevenida — Acho que aquela rodada de sexo selvagem pode ser muito bem vinda agora.
Ela secretamente esperava muito por aquilo e depois de desviar algumas vezes de seus lábios para provocá-lo e divertir-se, deixou que ele assaltasse sua boca com violência ao começar a tomar para si tudo que ela tinha a lhe dar. Kagome agarrou-se a ele e entregou lhe muito mais do que ela achava que estava disponibilizando. Era só mais um passo até ela admitir em palavras o que sua irmã e todas as outras já enxergavam há tempos. E ele estava apenas aguardando.
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Inuyasha tinha viajado há apenas sete horas e Kagome começava a pensar se não teria sido melhor se tivesse ido com ele. Izayoi fizera questão que ela a acompanhasse em um brunch promovido por uma ONG da qual participava e tinha sede ali em Nova York, enquanto Ayame tivera que ir ao escritório e Rin cuidaria dos preparativos de sua exposição que começaria no próximo dia. A segunda-feira que já não era sua preferida, estava se tornando insuportável.
— Espero que não se importe, mas convidei sua mãe para se juntar a nós. — Sua sogra comunicou-lhe com tranquilidade.
— Como? Não! — Kagome se atropelou um pouco nas palavras, mas se recuperou a tempo — De maneira alguma.
— Ótimo, ela me disse que teria alguma reunião logo no começo da manhã, mas sem demora se juntaria a nós.
Kagome assentiu, sem saber ao certo o que falar. Concentrou-se em observar o ambiente à sua volta, tentando desesperadamente ocupar sua mente com alguma coisa. Tudo ali era extremamente elegante, talvez até ela se sentisse pouco arrumada mesmo em um vestido leve abaixo do joelho, com um corte reto e decote canoa sem mangas, estampado discretamente em branco e tons avermelhados. Usava seu cabelo solto e liso.
A maioria presente naquele evento, eram mulheres da alta elite que se mantinham em causas sociais por terem maridos políticos ou empresários. Izayoi com certeza se encaixava no padrão e não deixava em nada a desejar. Ela parecia muito à vontade naquele salão de decoração sóbria em tons creme, com lustres de cristais e toalhas de linho impecáveis.
Não se surpreendeu ao ver a perfeita desenvoltura de Izayoi ao conversar com algumas das pessoas mais importantes que conhecia e apresentar Kagome como esposa de Inuyasha Taisho, mesmo que alguns já a conhecessem como Kagome Higurashi. Era como se ela subisse mais um degrau na sociedade por carregar também o sobrenome Taisho. Parecia que sua sogra fora criada para aquele papel, algo que a própria Kagome, jamais se vira fazendo. E apesar de Inuyasha não cobrar absolutamente nada dela, sabia que todas as outras pessoas no mundo esperavam que ela se portasse a modelo da primeira Senhora Taisho.
— Kagome? — Izayoi chamou por ela discretamente quando terminou sua conversa com uma das organizadoras das doações destinadas à ONG. Teria que informar ao marido que pretendia doar o dobro da quantia que ele planejava, mas seria por uma boa causa.
— Sim? Desculpe, estava pensando em algumas coisas. — Sorriu educadamente, torcendo para que ela não notasse o leve rubor em sua face por ser pega tão distraída. — Karen me pareceu muito disposta a aceitar algumas de suas sugestões para as doações. É muito interessante os critérios que são usados para decidir o destino dos fundos, as ONGs voltadas à educação são as que eu mais admiro.
— Mesmo aérea você me parece estar prestando muita atenção. — Izayoi sorriu carinhosamente e conduziu sua nora até a mesa que lhes fora destinada para que pudessem conversar com mais calma — Espero que não esteja muito entediada.
— Claro que não. — Apressou-se em dizer ao tomar o lugar ao lado dela. — Só estava imaginando que seu filho merecia alguém que se comportasse mais como a senhora e menos como eu.
O comentário sincero foi maquiado por um pouco de humor e pareceu funcionar, pois ouviu a clara risada de Izayoi logo que terminou de falar.
— Kagome, Inuyasha sabe exatamente quem ele escolheu como esposa e arrisco a dizer que não haveria outra pessoa melhor no mundo para ele além de você. — Então segurou as mãos dela entre as suas e continuou: — Meu filho lutou a vida inteira contra esse tipo de formalidades, sempre quis se rebelar, ser diferente do pai e do irmão. Hoje, mal ele sabe que segue pelo mesmo caminho, mas à maneira dele. Ele não teria escolhido uma mulher fútil, sem princípios ou personalidade forte que tornasse a vida diária divertida, mesmo com pequenos conflitos. Para divertir-se, talvez sim, mas para construir uma vida, jamais. Ele com certeza teria escolhido alguém como você, e fico feliz por isso porque eu não consigo imaginar ninguém melhor para ele, principalmente porque você o fez um homem ainda melhor. Talvez não note as mudanças, mas eu sim e aprecio muito isso. Não se preocupe com as formalidades, eu também às achava um saco, mas agora aprendi a tirar proveito delas, é algo que você adquire com o tempo.
Kagome sentiu-se aliviada pelas palavras dela, e assim, lhe agradeceu.
— É bom ouvir isso, às vezes acho que estamos fazendo tudo errado.
— Você está disposta a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que dê certo? — Perguntou em tom calmo.
— Sim — Respondeu sem muito pensar.
— Então isso é o suficiente. Não se preocupe com o que pode vir acontecer, lide com um problema de cada vez à medida que ele aparecer, pensar demais às vezes pode não ser bom. Sua mãe chegou — Izayoi meneou a cabeça em direção à entrada do salão. — Podemos continuar essa conversa depois se você quiser, mas se você me chamar de senhora mais uma vez, serei obrigada a retirar tudo o que disse Kagome Taisho. Somos parte de uma mesma família, não há motivo para formalidades.
A sogra afagou levemente seu ombro antes de levantar-se para cumprimentar sua outra convidada.
Como sempre, Naomi atraia toda atenção para si assim que adentrava qualquer local. A elegância e classe expressa em seus movimentos causava admiração e até um pouco de inveja. Kagome não percebeu que tinha um pequeno sorriso ao observar sua mãe fazer sua entrada triunfal de sempre. Naquela manhã ela parecia muito profissional em um conjunto em três peças de saia, blusa e um terninho sobre os ombros, e a única indicação de suas pequenas extravagâncias, estava na cor, um azul de tom forte, mas não chamativo.
— Ora se não é minha filha que está bem na minha frente! Até parece ter se esquecido de que tem pais. — Naomi provocou-a ao envolvê-la em um abraço muito forte.
— Mãe, não comece. — Grunhiu ela
— K-chan, quando você vai aprender que você pode ter 3 ou 30 anos, mas eu nunca perderei a oportunidade de tratá-la como um bebê. — Beijou-lhe a face muito suavemente antes de voltar sua atenção para Izayoi.
— Eles jamais entenderão, acho que nem mesmo quando tiverem os próprios filhos. — A outra mãe comentou, exibindo um sorriso educado ao analisar discretamente a mulher à sua frente.
— Veremos — Naomi usou um tom sugestivo que Kagome fez questão de ignorar. — É um prazer finalmente conhecê-la, Izayoi. — assumiu uma expressão mais contida ao cumprimentá-la.
— Igualmente. Gostaria que nossos filhos tivessem tido a delicadeza de permitir que nossas famílias se relacionassem antes do grande evento, mas considerando as circunstâncias não pude deixar de tomar a liberdade de entrar em contato com você durante minha passagem pela cidade.
— Fez muito bem. Se dependesse de nossos filhos, talvez só nos encontraríamos no primeiro aninho de nosso neto.
— Mãe...
— O que? Eu não escondo a ninguém me desejo de ser finalmente avó. Seu irmão está longe de ter um compromisso sério, quanto mais ter filhos, você é minha esperança no momento, filha. — Recorreu a última palavra com tamanha inocência e amabilidade que Kagome quase cedeu, mas conhecia sua mãe melhor que qualquer um conhecia a atriz Naomi Higurashi e era muito difícil se deixar confundir pelas duas pessoas
— Nada disso pode acontecer antes de um casamento digno desses dois. — Izayoi acrescentou. — Vocês merecem ter um dia como esses, K-chan.
— Izayoi está certa – ela assentiu assumindo uma expressão muito séria. — Poderíamos fazer um casamento em outono, não seria um casamento, uma renovação de votos, é muito mais romântico e não seria o casamento que você tanto teme. Apenas algumas pessoas, em torno de 300.
— Adoro casamentos no outono, são lindos. — a outra concordou com se estivesse já confabulando entre elas.
Kagome olhou para as duas com estranheza. Desde quando 300 pessoas eram apenas algumas? E de onde elas haviam tirado essa de casamento de outono? Ou melhor, renovação de votos. Não era tudo a mesma coisa? Tentar absorver todas as informações que elas, de repente, inventavam, a deixou tonta e praticamente fora de si. Tanto que assustou-se quando ouviu o toque do seu celular e demorou para conseguir chegar até ele, mesmo em uma bolsa minúscula. Elas tinham causado sérios danos ao seu equilíbrio tão perfeitamente construído para aquela ocasião.
— Alô? — atendeu depois de sair discretamente de perto das duas. Elas dificilmente notariam sua ausência do jeito que a conversa andava.
— Está sobrevivendo ainda?
— Inu — O único nome pareceu mais um apelo, um pedido de socorro.
— Como estão as coisas por aí?
— Minha mãe se juntou a nós porque sua mãe a convidou e depois de falar sobre netos e besteiras, sua mãe a lembrou do casamento. E até onde eu pude acompanhar, elas planejavam uma cerimônia com poucas pessoas - 300 pessoas, algo no outono, uma tal de renovação de votos.
Ele riu escancaradamente.
— Queria ver se você acharia engraçado se estivesse em meu lugar, querido. — Kagome suspirou ao olhar para trás e ver as duas mulheres empolgadas na conversa, sabendo o que logo lhe esperava.
— Acredite, preferiria isso a essa reuniões demoradas.
— E como foi a viagem? — Perguntou ao notar o cansaço em sua voz.
— Tudo como o esperado, vim direto do aeroporto para o escritório. Acabei de sair da primeira reunião e vou para o hotel agora antes de um almoço com dois dos diretores dos bancos daqui e mais tarde tenho um jantar pomposo que no fundo é uma mera fachada para negócios.
— Não se divirta muito sem mim.
— Nem se eu quisesse seria possível. Tem uma ligação que estava esperando na outra linha, preciso desligar. Divirta-se você e não se esqueça de sentir minha falta.
— Já me esqueci, Inu.
Com o mesmo sorriso que apareceu involuntariamente em seu rosto quando desligou o celular, voltou para o encontro de sua mãe e sua sogra, surpreendendo-se por ver Ayame com elas.
— Inuyasha mal viajou e já está incomodado os outros? — Ayame balançou a cabeça negativamente. — Ele não tem jeito mesmo.
— Como sabe que era ele?
— Conheço meu irmão e conheço esse sorriso que estava em seu rosto agora a pouco.
— Ah. — Kagome limitou-se a dizer.
— Não fique envergonhada, K-chan, é normal, vocês ainda são recém-casados e estão completamente apaixonados — Ayame piscou para ela discretamente, contendo uma risada. — Onde estava a conversa?
— Estávamos persuadindo Kagome a aceitar fazer um casamento de verdade — Naomi respondeu.
— Na verdade, elas estavam apenas tentando mesmo.
— Não quero dizer nada, mas é perda de tempo. Mãe, você sabe que Inuyasha é muito teimoso quando coloca uma coisa na cabeça e sobre isso, é humanamente impossível fazê-lo mudar de ideia. E senhora Higurashi, Kagome é tão cabeça dura quanto meu irmão, isso não vai funcionar com nenhum dos dois. — Encolheu os ombros pois aquilo para ela era uma lógica muito simples.
— Cuidado com a língua, filha. — Izayoi a repreendeu por trás de um tom gentil.
— Aprendi com você, mamãe.
— Posso ver por que Kagome gosta tanto de Ayame — Naomi falou encantada — Sua filha é fantástica, Izayoi.
— Preciso concordar com você, Naomi, mas ainda tem vezes que sua audácia me surpreende.
— Sei como se sente. — ergueu a taça como em um brinde. — Só tem um defeito, seu péssimo hábito de me chamar de "senhora Higurashi".
— Anotado e corrigido! — Ayame sorriu. — Vou roubar K-chan por uns minutinhos, logo estamos de volta.
Ela enganchou seu braço com o da cunhada e a levou para longe de suas mães, sabendo que logo elas se esqueceriam de qualquer coisa além de seus planos mirabolantes para levar os filhos ao altar.
— Parece que lhe dei 30 minutos de descanso. Provavelmente isso ainda vai render um almoço, mas consegui uma folga até 2 da tarde.
Antes de Kagome perguntar como, Ayame se adiantou:
— Fiz Sango convencer Miroku a me liberar da papelada urgente e adiei o resto para a tarde. — quando o garçom lhes ofereceu champanhe, Ayame pegou duas taças e ofereceu uma a Kagome — Tome, você vai precisar.
— Obrigada. — Ambas sabiam que o agradecimento não ela apenas pela bebida. — Isso está acontecendo exatamente como eu previa, elas vão virar melhores amigas e se juntar sempre para conseguirem o que querem.
— Mães são sempre assim. Relaxe, elas são inofensivas, apenas gostam se estar no controle de tudo, mas não há nada que possamos fazer quanto a isso.
— Você está certa. — Tentando se convencer disso, bebeu uma bela quantidade do champanhe e decidiu que seria mais fácil passar pelo dia se deixasse que as coisas caminhassem sozinhas com apenas algumas poucas diretrizes.
— Façam algumas das coisas que elas querem, assim elas se contentam e não se intrometem mais na vida de vocês.
— O único problema é que os desejos delas são altos. Elas querem um enorme casamento feliz e meia dúzia de netos para embalar. Isso está fora de cogitação.
— Talvez isso tudo seja mais real do que você imagina, você só não vê isso agora.
— Talvez. — Ela concordou encolhendo os ombros.
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— Kagome, será que poderíamos conversar um minuto? – Sua mãe lhe pediu quando encontrou uma oportunidade de falarem em particular.
Após o pequeno evento, Kagome sugeriu que fossem para casa almoçar e pareceu muito apropriado já que todos teriam mais liberdade para conversar em um ambiente mais familiar. Kaede certamente se preocupou em fazer um verdadeiro banquete e todos apreciaram a refeição acompanhada de uma longa conversa agradável na sala de jantar. Rin havia se juntado a elas e parecia muito entusiasmada com a exposição daquela noite, mas quando seu marido lhe ligou, Kagome pôde ver que a família era o que realmente a deixava feliz. Ayame dominou a atenção de Izayoi a seguir, dando a Naomi o momento perfeito para roubar a filha para si.
— Claro, vamos para a sala. – Kagome levantou-se discretamente da mesa e sua mãe a acompanhou.
— Porque não damos uma volta no jardim? – Naomi sugeriu, não querendo correr o risco de ser interrompida. Em resposta, a filha apenas assentiu e ambas seguiram o caminho até o jardim bem cuidado por Kaede que coloria a parte externa da casa.
— Você fez uma bela escolha quanto ao seu marido, Kagome. Izayoi parece gostar muito de você e é uma mulher extraordinária, não é em vão que Inuyasha é um homem tão bom.
— Todos eles são ótimos, inclusive os sobrinhos de Inu, a senhora gostaria deles. Kioshi se parece muito com Souta quando pequeno — Acrescentou com um carinho especial.
— Vou adorar conhecê-los. — Sorriu para a filha com amabilidade ao enroscar o braço com o dela enquanto caminhavam.
— Mas a senhora não pediu para conversar comigo a sós para falar da família de Inu, não é mãe?
— Não, na verdade não. — Ela fez uma pequena pausa antes de conseguir encontrar as palavras certas para introduzir o assunto que vinha lhe perturbando. Então virou-se para Kagome e começou: — Eu soube que você passou a noite em seu apartamento essa semana.
— Sim eu passei. — Admitiu sabendo que algumas coisas eram impossíveis de se esconder de sua mãe.
— Sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe? — Pegou as duas mãos dela entre as suas, sem esconder as leves rugas de preocupação em sua testa. — Se estiver com problemas, posso ajudá-la. Essa viagem de Inuyasha...
— Não, mãe, não há problema algum. A viagem estava programada há meses e o que aconteceu essa semana foi um pequeno acidente de percurso. Nunca tínhamos brigado e aconteceu pela primeira vez essa semana, mas conseguimos resolver tudo depois que voltei para casa. — Havia um certo distanciamento em sua voz, como se suas palavras não atingissem seus sentimentos. Naomi sabia que estar apaixonada não era algo fácil para Kagome e ela não se deixaria completamente aberta nesse território incerto mais uma vez.
— Você poderia ter ido para casa, eu e seu pai estaríamos lá e não faríamos nenhum interrogatório se você não estivesse disposta a responder.
— Eu sei, mas essa é minha casa agora. — ela falou com convicção — era aqui que eu gostaria de estar, mas precisei de um pouco de tempo sozinha para pensar.
— Ele fez alguma coisa para você? — Perguntou, mesmo vendo que ela não queria se estender nesse assunto.
— Não, nós fizemos um para o outro. Mas estamos perfeitamente bem, eu te garanto.
— Se você diz, eu acredito. Apenas não quero vê-la magoada novamente. — Naomi a envolveu em um abraço, como se quisesse protegê-la de tudo e Kagome sentiu-se pequena nos braços de sua mãe. Precisava admitir que era muito bom simplesmente deixar-se ficar ali por um momento.
— Seu pai ficou preocupado — Ela comentou ao voltar a olhar para o rosto da filha com adoração e tocar sua bochecha com a palma de sua mão carinhosamente.
— É claro que ficou — Ela sorriu e fechou os olhos, inclinando em direção ao toque de sua mãe. Seus pais eram os melhores.
Mais tarde, sozinha em seu escritório no centro da cidade, Kagome sentia-se como se houvesse cumprido sua missão por aquele dia. Já eram quase 8 da noite, mas tinha conseguido dar conta do trabalho que deixara de fazer pela manhã e ainda feito tudo que estava previsto para a tarde. Além do mais, sua mãe e Izayoi haviam se dado muito bem (até demais) e estava tudo sob controle por enquanto.
Culpou ao cansaço e a pequena satisfação das tarefas cumpridas quando cedeu ao impulso de ligar para Inuyasha. Pensou em desligar no segundo toque já que ele provavelmente estaria ocupado em alguma reunião, mas ele foi mais rápido em atendê-la.
— Achei que havia esquecido que tinha um marido — Brincou ele, e Kagome precisou conter o prazer que apenas sua voz poderia lhe causar.
— Só vou me esquecer deste infame detalhe em aproximadamente 3 horas, quando estiver naquele novo bar perto da Times Square. Dizem que os homens de lá são o melhor há em todo o país.
— Também ouvi dizer, mas isso só se aplica porque estou no Canadá.
— Como você é engraçadinho, Taisho.
— Do jeito que você gosta, Sra. Taisho — Ele abaixou o tom de voz, perigosamente sedutor. Kagome imaginou se aquilo era proposital ou apenas um reflexo às brincadeiras usuais entre eles. De qualquer maneira, o efeito que tinha sobre ela, era o mesmo.
— O que está fazendo agora?
— Me arrumando para um encontro muito quente.
— Ah é? Com vários bancários gordos e carecas?
— E suas assistentes eficientes e gostosas... — completou ele.
— Hum, vista seu terno preto que levou, sem gravata, com a camisa branca de seda. Elas vão ficar doidinhas, eu garanto. — Kagome apoiou-se no encosto da cadeira, observando um quadro interessante que havia na parede oposta à sua mesa. Sentia-se incrivelmente leve e feliz, quase uma idiota por estar tão contente com uma simples conversa por telefone.
— Boa dica, querida, obrigado. — Ela quase pôde vê-lo sorrindo com aquelas palavras — Onde você está?
— No escritório, acabei de terminar de revisar o planejamento de distribuição de uma nova campanha.
— E o que está vestindo?
— Um belo conjunto três peças de saia, blusa e blazer. E claro, uma pequena coisinha muito bonita por baixo, seda, azul marinho.
— Oh, boa escolha, vai ter que experimentar quando eu voltar para casa para ver se aprovo.
— Talvez, se você se comportar...
— Mas claro, estou guardando o melhor para quando chegar na quinta, esteja preparada. — A risada rouca e baixa era cheia de insinuações e de repente, Kagome não via a hora de que a semana terminasse.
— Preciso checar na minha agenda se estarei disponível na quinta. — Ela riu quando ele pronunciou em alto e bom tom um xingamento e algo como uma ameaça se ela supostamente não estivesse disponível.
— Vou desligar, tenho que terminar algumas coisas ainda. — Kagome disse quando viu que a conversa poderia ainda se estender muito. — Bom encontro quente com seus homens gordos e carecas.
— E suas lindas assistentes, não se esqueça. — Ele fez uma breve pausa — Não sinta muito minha falta.
— Vou tentar.
Kagome desligou o celular ainda sob o efeito nocivo daquela voz e da falta que aquele desgraçado lhe fazia. Ela estava decididamente maluca se achava por algum instante que não estava apaixonada por ele e estava começando a pensar que logo teriam que esclarecer essa relação.
O sorriso que permaneceu em seu rosto após a ligação, começou a se desfazer quando, arrumando sua mesa, encontrou um envelope grande com um bilhete sobre ele onde leu:
"Meu advogado redigiu esse acordo com muito carinho, seja uma boa menina e apena assine. Tem uma indicação do lugar ao final das páginas, não será difícil de encontrar. Com amor, Sócio."
Antes mesmo de ler o conteúdo das páginas que retirou do envelope, sabia o que era e certamente não lhe agradaria nem um pouco. Olhou cada página com minúcia e aos poucos a fração de medo foi mascarada por pura raiva. Releu o bilhete e sentiu-se perto de perder o controle. Pensou em ligar para Inuyasha, mas precisava agir imediatamente e seria mais fácil não ter que lidar com as longas explicações que ele pediria e possivelmente sua raiva após o conhecimento dos fatos.
A primeira pessoa que lhe veio à cabeça em seguida foi Ayame. Decidiu que pediria ajuda a ela enquanto tentava descobrir como contar todos os fatos a Inuyasha sem que estourasse a 3ª Guerra Mundial às suas custas.
N/A:Ok aqui vai uma enorme "notinha"!
Primeiro: eu não abandonei a história.
Segundo: MIL DESCULPAS pelos 7 meses sem um capítulo novo
Terceiro: Deixa eu me explicar...
Ano passado eu reclamava pra vocês que os estudos para o vestibular acabavam com meu tempo né? Bom, mal eu sabia que a universidade é 1 MILHÃO de vezes pior. Quando eu digo que não tinha tempo para respirar, eu falo sério. Aliás, se alguém aí pensar em fazer Design/Desenho Industrial e afins, já aviso que vocês vão se matar fazendo 30, 50 desenhos por semana de cada matéria. Fiquei sem tempo pra fazer nada e acabei deixando a história de lado. Agora imaginem só, comecei a escrever o capítulo 15 antes de postar o 14, ou seja, fiquei mais de 8 meses em cima desse capítulo, nunca enjoei tanto de ler uma coisa, acho que a primeira página toda eu sei de cor. Então, se tiverem erros, como sempre tem, dessa vez foi pela minha falta de paciência, mas acho que revisei bastante, umas 20 vezes, talvez por algum milagre não tenha nenhum erro de ortografia.
Quanto ao próximo capítulo, sim, estou de greve, mas ainda tenho trabalhos e um projeto grande pra fazer, então meu tempo continua apertado. O 16 deve aparecer na última semana de julho ou primeira de agosto. PRECISO terminar essa história antes do ano que vem, não sei como, mas vou tentar.
Mais uma coisa, acho que vou começar a postar outra história, acreditem, se eu tiver outra em andamento, a coisa vai mais rápido porque eu me delimito só às duas e não às minhas 58 outras em andamento e oscilo entre uma e outra quando tão de saco cheio de uma.
Quanto às reviews:
Kallyne Higurashi Taisho: Hey! Sinceramente espero que você não tenha desistido de mim ainda, ou dessa história haha nesse capítulo as coisas ficam bem mais tranquilas entre o Inu e a Kchan! Claro que tem coisa pra acontecer ainda, mas eles vão entrar numa fase diferente agora, mais casal! Espero que tenha gostado desse, aguardo sua review. Beijos!
Sra Kagome Taisho: A espera foi grande de maus dessa vez, sorry! Então, super concordo com isso que você falou, justamente por isso que aconteceu o beijo. Deixa eu explicar, apesar desse nosso Inu ser um sonho, ele tem seu lado não tão cavalheiro, eu diria, isso é uma coisa que acho que você vai entender depois, mas definitivamente ele teve uma pequena recaída com a Kikiyou, mas foi apenas momentânea. Eu garanto.
BChibi: Fico feliz que goste da fic e que tenha gostado do capítulo anterior! Espero que continue lendo agora que as coisas estão melhores encaminhadas com a Kchan! Até a próxima!
Mihigurashi: Oi! E eu fiquei mil anos sem postar . É chega de drama, os dramas que vem por aí é pura comédia, pode ter certeza.
Thay: Bom, voltei! rs tenho um problema sério com atualizações, mas você com certeza vai ler o final dessa história! MUITO obrigada e espero ver você mandando review mais vezes!
Clarinha'Taisho: Obrigada! Espero que tenha gostado desse capítulo, beijos!
(e hey, recebi mais reviews nesse capítulo do que de costume, acho que vou ficar outros 7 meses sem postar HAHAHA brincadeira gente)
Enfim, MUITO obrigada à quem mandou reviews, e que continua lendo a história. Você sabem, eu já disse, como seus comentários me dão animo para escrever e são super importantes para a história.
Beijos e até a próxima!
