N/A: Antes de qualquer coisa, desculpe pelo capítulo ser tão reduzido, vou compensar no próximo!


Capítulo 16

— Ele está completamente louco se acha que vou aceitar esse acordo absurdo! — Kagome vagava de um lado ao outro em seu quarto, despejando tudo que surgia em sua cabeça — Eu fiz essa agência o que ela é hoje e ele nunca moveu um dedo para ajudar. Isso já está indo longe demais e essa foi a gota d'água.

— Eu sei, K-chan, mas você precisa entender as circunstâncias.

Ayame olhava para sua cunhada sem ação enquanto ela resmungava, sem conseguir parar quieta. Seu relógio de pulso marcava quase 4 da manhã e já não havia muito mais o que fazer naquela noite. Naquelas últimas horas, ouvira toda a história que lhe deu uma ideia geral da situação que elas estavam enfrentando.

— É muito injusto isso que ele está fazendo... Você tem noção do tamanho da minha raiva no momento?

— Olha, se for tão grande quanto esse seu café é péssimo, eu tenho sim. — ela revirou a caneca nas mãos e bebeu o resto do líquido já frio e de gosto tenebroso, estava realmente desesperada por cafeína.

— Do que está falando? Meu café é ótimo. — Foi até a mesinha de centro e alcançou a sua caneca, provou ela mesma do café e fez uma careta horrível. — Isto está um veneno!

Ouviu-se rir brandamente e de repente sentiu a necessidade de muita água para se livrar do gosto de café queimado e frio em sua língua.

— Acho que minha raiva consegue superar até o quanto isto aqui está ruim. — Sentou-se na poltrona em frente à Ayame e deu um grande suspiro antes de se deixar cair contra encosto da cadeira. — Eu estou morrendo de medo no momento, Ayame.

— Eu sei, — Falou com compaixão — eu também estaria. Por isso mesmo acho que você deveria falar sobre isso com Inuyasha antes de qualquer coisa.

— Eu vou falar. — apressou-se em dizer — mas preciso encontrar o momento certo e a coragem para isso. Ele vai pedir uma história muito mais detalhada do que esta que eu lhe contei e no momento que souber de tudo, vai querer resolver tudo com as próprias mãos. Você o conhece tão bem ou mesmo melhor que eu.

— Tenho certeza que sim, porque eu mesma quero isso no momento. Estou atingindo o máximo do meu autocontrole para não transgredir algumas leis no momento.

Kagome sorriu ao ver o quanto Ayame estava mobilizada com tudo aquilo, sentiu-se até mesmo um pouco sentimental em saber que tinha tanto apoio e alguém que lhe entendia naquele momento. Mas deixou seus sentimentos de lado, tentando ser mais prática quanto possível.

— Acredite, é em vão. Aquele homem não se abala por nada e a melhor coisa a fazer é mostrar-se indiferente.

— Isto está errado e precisamos achar uma solução para tudo isso o quanto antes. Agora eu entendo seus complexos em confiar nas pessoas.

— Faz muito tempo já. Se não fosse por esse último problema em aberto, eu já teria esquecido tudo isso — Ela desconversou.

— Mesmo assim, acho que você deveria falar sobre isso com meu irmão, ele é adulto o suficiente para manter os hormônios dele sobre controle e agir como um homem, puramente racional. Acredite quando lhe digo isso, porque se fosse um ano atrás, eu não apostaria minha vida nisso, mas hoje eu aposto e você é a grande responsável por isso tudo.

— Eu vou contar, eu prometo. — Repetiu Kagome, ainda sem saber como cumpriria essa promessa.

— Tudo bem, vamos pensar em uma saída para reverter esse acordo e ter certeza que ele nunca mais vai tentar nada do tipo. — Ela passou a mão pelos cabelos ruivos presos no alto da cabeça, sem conseguir organizar seus pensamentos. — Acho que deveríamos dormir, você principalmente. Amanhã temos um dia cheio com a abertura da exposição de Rin e já é tarde demais para pensar em alguma coisa coerente. Algumas poucas horas de sono vão nos ajudar a pensar melhor.

— Você está certa. — Viu Ayame assentir e sorrir levemente.

Ela, então, levantou-se e foi até Kagome, dando-lhe um forte abraço e garantindo-lhe que tudo ficaria bem.

— Obrigada, você tem salvado minha vida ultimamente.

— Família serve para isso, minha querida. — Piscou para ela e desejou boa noite antes de sair do quarto.

Sozinha, tentou não pensar mais no tal do acordo ou como iria contar a história por trás disso tudo para seu marido. Foi para cama sem se dar o trabalho de trocar a calça de moletom e camiseta que usava, apenas soltando os cabelos do rabo-de-cavalo que tinha feito. Empurrou para o lado alguns papéis que havia esparramado pela cama e deitou-se em seu lugar de sempre. Sem hesitar, alcançou o travesseiro de Inuyasha, apertando-o contra o corpo. Se ele soubesse que ela fazia isso toda a vez que ele não dormia ao seu lado...

Achou realmente que não conseguiria dormir quando começou a pensar em seu homem. Sabia que ele havia ligado para seu celular um milhão de vezes, provavelmente apenas para lhe dar boa noite, mas colocou o celular no silencioso e tratou de ignorar as ligações enquanto tinha estado com Ayame horas antes. Já era muito tarde para ligar, ela sabia, mas estava quase cedendo à vontade de discar seu número só para ouvi-lo lhe desejar boa noite. Dessa vez, ela se conteve.

Meia hora (e um comprimido para enxaqueca) depois, estava completamente adormecida. A final, poucas coisas conseguiam acabar com seu maior companheiro, o sono.

Pela manhã, Kagome saudou a todas sentadas à mesa para tomar o café. Já estava vestida e pronta para enfrentar outro dia na agência e achou adequado que fizesse o esforço de estar com tempo de sobra para fazer companhia à sua sogra e Rin durantes as primeiras horas do dia.

— Dormiu bem? — Ayame, que ainda não tinha ido para o escritório para a surpresa de Kagome, perguntou depois que todos lhe cumprimentaram e ela tomou seu lugar de costume à mesa.

— Dormi sim — Ela assentiu, com um tom gentil, mas que não deixou dúvidas à sua cunhada de que falava a verdade, pois realmente havia dormindo, vencida pela exaustão.

Ela se serviu de uma xícara de café puro. Tendo Inuyasha acabado com sua mania de mascarar o gosto da cafeína com leite depois de tanto reclamar dela, realmente começou apreciava o sabor e o aroma da bebida logo pela manhã.

— Quais são os planos para hoje? — a recém chegada perguntou, introduzindo-se à conversa.

— Nada de especial, ontem pude me assegurar que todos os quadros haviam chegado em perfeito estado e disse a eles como eu havia imaginado a disposição deles. Está tudo pronto.

— Rin, se eu fosse você, estaria uma pilha de nervos!

— Eu consigo disfarçar muito bem — ela sorriu divertida.

— Bobagem! — Izayoi se pronunciou — Não há com que se preocupar, tudo estará perfeito e não há como alguém não gostar de suas obras, apesar de eu não tê-las visto, eu tenho certeza.

Kagome notou o leve traço de ressentimento na última constatação de sua sogra, com certeza por que não saber de tudo, era algo fora da "zona de conforto" dela.

— Ninguém os viu, Izayoi. — Rin comentou sutilmente.

— Sesshoumaru viu — ela retrucou

— Ora mamãe, Sesshoumaru não conta! E mesmo ele, aposto que não viu a obra completa.

— É verdade, Ayame, ele não viu todos e a senhora verá antes dele, já que ele não estará aqui essa noite.

— Bom, se é assim. — Ela encolheu os ombros, mas o seu entusiasmo era grande demais para fingir estar magoada. Era claro que sentia muito orgulho de Rin, como se fosse sua filha. — Eu convenci Rin a passar a tarde sendo paparicada no SPA, Ayame disse que tem coisas para cuidar no banco e não pode deixar para amanhã, mas ficaria muito feliz se você nos acompanhasse, Kagome. O que acha?

— Adoraria! Mas também não posso — respondeu, — tenho 2 reuniões com clientes importantes com quem estou tentando fechar um contrato há séculos.

Izayoi tentou argumentar mais algumas vezes com as duas que tinham recusado seu pedido, mas sem sucesso. E acabou desistindo para mudar de assunto completamente. Nesse momento, Kagome se fez de boa ouvinte, mas seus pensamentos estavam muito longe dali. Desde que fora acordada por uma ligação de Inuyasha, o problema de como explicaria a situação pela qual estava passando, e os verdadeiros motivos dela. Seu antigo sócio queria retomar a posse sobre o negócio que ao qual ela dedicara sua vida por anos, mas se fosse simples assim, teria contado ao marido por telefone mesmo. Existiam razões pelas quais ele ainda tinha direitos sobre aquele negócio, e essas razões, Kagome não sabia como lhe explicar sem que isso se tornasse um problema pessoal que passaria a ser uma preocupação dos dois.

Mas uma coisa era certa, ela teria que contar a ele assim que ele voltasse, em 2 dias e 7 horas. Mas quem estava contado?

Era impressionante a quantidade de pessoas que conhecia ali. A galeria estava fervorosa com o número de pessoa entusiasmadas pelo trabalho de Rin e a própria parecia extasiada com o reconhecimento, como se fizesse aquilo pela primeira vez.

Estava ali sozinha enquanto admirava Sango sempre com Miroku ao seu lado, seus próprios pais conversando com um casal de conhecidos e sua sogra dando atenção a todos como uma perfeita anfitriã, sem tirar os holofotes de Rin. A noite seria apenas para convidados e no dia seguinte a exposição das obras seria aberta ao público, tendo grandes chances de permanecer na galeria por semanas.

— O que faz aqui sozinha? — Ayame chegou de fininho ao seu lado

— Apenas observando — Kagome respondeu

— Isso está cheio, Rin arrasa!

— Com certeza — Ela compartilhou do entusiasmo, sorrindo involuntariamente.

— Você viu aquele monte de flores que ela recebeu hoje de manhã? — Kagome mal teve tempo de concordar — Sesshoumaru mandou todas elas. E está vendo o diamante gigantesco no pescoço dela? Meu irmão, de novo.

Kagome se perguntou porque Ayame lhe contou aquilo e chegou até a olhar para ela com certa curiosidade.

— É, meu irmão é caidinho pela mulher. Meus dois irmãos são. — Ela completou.

Oh, percebi aonde você quer chegar, pensou Kagome. Pelo modo como Ayame falou, pareceu que ela sabia de alguma coisa que Inuyasha estava aprontando, mas seria capaz de apostar sua vida que se perguntasse do que se tratava, ela jamais lhe daria uma pista se quer. Depois de ter conhecido ela por meses, sabia muito bem que a irmã de seu marido gostava de instigar os outros até o limite, deixá-los esperando, morrendo de curiosidade ou por antecipação. Isso era maléfico, mas precisava admitir que via o prazer divertido que ela sentia e até mesmo já usara dessa pequena diversão.

— Não vou nem perguntar o que você está querendo com essas palavras soltas.

— Espere e verá — ela lhe prometeu e a deixou, atravessando o salão enquanto parava de vez em quando para conversar com algumas pessoas.

Mas não demorou muito até que um homem se aproximou, parecendo distraído e observando o mesmo quadro que ela. Ele era um pouco mais alto que ela, cabelo moreno, um pouco comprido na nuca e parecia bem acostumado a estar em ternos caros e frequentar lugares como aquele. Viu quando eles iniciaram uma conversa parecendo muito casual, tanto que Kagome achou estranho, pois todos conheciam uns aos outros ali, Ayame então, certamente poderia lhe dizer toda arvore genealógica de cada convidado.

Quando ele se virou para pegar uma bebida que lhe era oferecida, Kagome pôde reconhecê-lo. Sabia que o nome dele era Kouga e se sua memória era tão boa quanto achava, acreditava que tivesse conhecido ele em Las Vegas, muito brevemente, mas nunca fora formalmente apresentada a ele até ter ido a um dos jantares sociais com Inuyasha. Ou seja, Ayame sabia exatamente quem ele era, e toda aquela conversa aleatória que eles pareciam ter iniciado, na verdade, mostrava-se como um belo teatrinho. Quem não estivesse interassado naqueles dois, jamais notaria a forma como interagiam, o modo como Ayame, de repente, sorria com mais frequência e se aproximava cada vez mais para falar com ele, não muito próximo, mas o suficiente para manter as palavras em quase sussurros.

Certamente prestaria mais atenção naqueles dois quando tivesse a oportunidade e faria algumas perguntas bem despretensiosas à Ayame. Gostaria muito de ver até quando ela conseguiria esconder de todos que estava tendo um pequeno romance com Kouga.

Sozinha, ela brindou aos casais e aos perdidamente apaixonados ali, desde Ayame com seu caso interessante, até Rin, uma mulher que apesar de exalar felicidade naquela noite, provavelmente, só se sentiria plena quando voltasse para os braços do marido. E ela mesma, que estava tão envolvida com seu Inuyasha, que estava pirando sem vê-lo por míseros dias.

— Somos um bando de tolos apaixonados. E por isso, felizes. — ela falou sozinha e bebeu a isso.


N/A2: Obrigada por terem lido e espero que tenho gostado! quando às reviews do capítulo anterior...

Kiaraa: Demorei demais, de novo, desculpe! rs Fiquei super feliz em ler sua review! essa história do sócio da K-Chan ainda vai render uma história rs O próximo capítulo acho que vem mais rápido, ele está pronto, só preciso revisar.. Obrigada pelo comentário!

Ruh-chan: é, 50 desenhos pe bastante coisa, mas a gente se acostuma hahaha Muito obrigada por ter sinalizado o erro, eu deixei passar aquele ali na revisão :) Espero que continue lendo e gostando da história, até a próxima ^-^

Gab: Muito bom receber reviews de novas leitoras! é um verdadeiro incentivo :D hahahaha adorei suas sugestões e compartilho de todas elas, tenho alguns planos para elas, talvez de uma maneira mais sutil, mas o Inu ainda vai ter que encarar algumas consequências desse casinho...

Só um recadinho, comecei a postar outra história, é diferente desta aqui, bem diferente, mas talvez vocês possam gostar, é romance também e os casais são os mesmo, mas tem um pouco mais de ação... Enfim, até a próxima (que será logo)