Capítulo 17
Quem disse que ela era feliz por estar apaixonada? Ela só podia estar louca! E Inuyasha era o culpado de tudo aquilo. Ele havia prometido que estaria em casa na quinta-feira e já era sábado e nada de seu marido. Mesmo com as várias de explicações dadas, reuniões a mais, voos atrasados, contratempos, aos seus ouvidos aquilo tudo parecia uma grande e besteira e diversos tipos de desaforos e xingamentos pareciam estar na ponta de sua língua, quando na verdade, contava os minutos para a hora de sua chegada.
— Ele está muito encrencando, assim que colocar os pés em casa, teremos uma conversa muito séria. — Ela esbravejou.
— Duvido — Sango falou baixinho, mascarando o comentário com uma risada abafada — Agora fique quieta porque antes que Leah lhe alfinete e você ache ruim.
Kagome bufou e cruzou os braços enquanto deixava a assistente de Sango, marcar a barra do vestido que ela usaria em um baile o qual seria acompanhante de Inuyasha. Se não fosse por Izayoi ter feito um breve comentário orgulhoso de seu filho ser o anfitrião de um baile beneficente, Kagome jamais ficaria sabendo ou saberia no dia do evento se dependesse de Inuyasha.
— Fique com a postura ereta, depois o vestido vai ficar curto e você vai colocar a culpa em mim. — Sentada em uma poltrona em seu ateliê, Sango estava adorando assistir àquela cena e ainda poder exercitar suas habilidades de mandona. E ficava ainda melhor acompanhado de uma dúzia de chocolates suíços e uma taça de champanhe, mas infelizmente, tinha que se contentar com uma soda pelo menos pelos próximos 6 meses.
— Você está amando me ver assim, não está? — Ela reclamou, mas obedeceu no mesmo instante.
— Cada minuto disso. — analisando cuidadosamente um dos lindos bombons de chocolate e colocou-o na boca para seu total êxtase — Sabe qual é a melhor coisa de ficar grávida? Você pode comer em grandes quantidades, engordar e ainda dizer que é tudo em prol de seu filho. — Ela deu batidinhas afetuosas em sua barriga sutilmente arredondada.
— Depois não venha dizer que está se sentindo feia e uma baleia. — apesar do comentário, ela não conseguiu se impedir de sorrir. Estava feliz por ver Sango tão bem com a ideia de ter um filho, via que ela se orgulhava do bebê que carregava e não queria esconder de maneira alguma a situação. Finalmente ela tinha superado seu problema com não caber mais em suas antigas roupas ou usar o mesmo tamanho que antes. E imediatamente saíra para renovar seu closet.
— Baleias são tão simpáticas! Miroku me fez entender isso, e demonstrou de maneiras muito educativas como as baleias podem ser atraentes na verdade...
— Poupe-me dos detalhes sórdidos, por favor.
— Você está amargurada porque faz uma semana que seu marido está fora e você não vê um pênis desde então.
— Eu não sou maníaca por sexo como você.
— Não, é pior! — Sango riu e logo depois se levantou para instruir Leah a ajustar as alças do vestido também. — Você deveria usar o cabelo preso, conselho de amiga e também mente brilhante por trás dessa obra prima. Como amiga digo que Inuyasha vai ficar muito contente em ver seus ombros e o belo decote na parte de trás, e como mente brilhante, devo dizer que as costas do vestido devem ser mostradas e apreciadas.
— Se você diz... — Ela passou a mão pelo tecido macio do vestido e se admirou nos espelho que lhe dava uma vista completa de todos os ângulos.
O vestido era preto, o tecido leve se moldava ao seu corpo até a metade de suas coxas para então abrir-se em uma saia rica e suave. As costas, Sango tinha razão, eram a parte mais magnífica do vestido. A partir das alças, havia um decote profundo que deixava à mostra toda sua pele, até a região do quadril.
— Boa menina! Agora tire isso que eu vou mandar fazer os ajustes e quero pensar sobre alguns bordados a mão em certos detalhes, mas você vem experimentar de novo quando puder na semana que vem, com certeza em 3 semanas ele está pronto para você.
— Obrigada.
— Tá tá, você não faria nada sem mim, eu sei... Mas me agradeça exibindo esse corpinho lindo para o maior número de fotógrafos possível.
— Sim senhora. — respondeu solene.
Kagome vestiu suas calça jeans e a blusa branca, de magas curtas, que combinara com um sapato preto. Quando encontrou sua amiga na sala adjacente usada como escritório, esperou que ela terminasse de falar no celular para se despedir.
Sentou-se em uma das cadeiras em frente à mesa larga e branca onde havia apenas um notebook, vários papéis espalhados e alguns materiais de desenho. O caos não concentrava-se apenas ali. Seu próprio escritório era decorado com uma profusão de cores, objetos e móveis que acabam combinando perfeitamente. Isso acontecia em tudo que se relacionava a Sango, desde a decoração de sua casa e seu escritório, por exemplo, até as roupas que vestia. Como naquele momento, que ela usava uma camisa de botões amarela, com suas mangas dobradas até os cotovelos, uma calça vermelha, sapatilhas brancas e anéis e pulseiras de cores diversas.
Se pudesse descrever sua amiga em uma palavra, certamente seria vibrante, enérgica.
— Miroku e eu vamos tomar um café... Bem, ele vai tomar café e eu vou comer croissant, mas você entendeu. Não quer vir conosco?
— Eu acho que vou deixar para uma outra vez. — disse antes de agradecer o convite. — Essa semana foi tanta loucura que estou tão aliviada de estar sozinha em casa e quero aproveitar dessa paz.
— Aham, sei, você vai tomar um banho de banheira bem demorado, vestir sua lingerie mais sexy e esperar o maridinho com uma garrafa de champanhe.
— Até parece...— Deu-lhe um abraço afetuoso e se despediu dela.
— Diga "oi" para Inu por mim. E não se esqueça de lhe contar que está perdidamente apaixonada por ele antes da próxima viagem. — Sango foi deixada rindo sozinha quando Kagome fez uma careta para ela antes de sair.
O fato de ter chegado a sua casa e ter encontrado-a vazia, em outros momentos seria uma razão de tristeza, no entanto, ela estava mais a fim de sair pela casa dançando de tanta alegria. Que Sango não desconfiasse, mas ela realmente tomou um longo banho de banheira e se deixou afogar naquele silêncio maravilhoso. Vestiu-se com uma camiseta e um shorts surrados e assaltou o bolo de chocolate que estava na geladeira à caminho do jardim, onde encontrou uma cadeira para se espreguiçar e aproveitar o agradável sol do entardecer. Pensou em tudo que havia acontecido naquela semana, no que estava para acontecer e rezou que pudesse ter um pouco de descanso quando seus problemas fossem resolvidos. Já havia uma contraproposta articulada na mente astuta de Ayame, que agora era também sua advogada, e logo seria apresentada a seu "querido" sócio. Eles dividiam todos os lucros da empresa e ele ainda tinha poder sobre os clientes com quem eles lidavam, mas jamais aparecia no escritório. Se tudo corresse como o planejado, ele sairia apenas com as lembranças de que um dia fez parte daquele negócio.
Passaram-se horas e ela se contentou em ficar sozinha com seus pensamentos, aproveitando o momento com um enorme sorriso no rosto. Era como se encontrasse seu ponto de equilíbrio novamente. Tanto que nem ao menos se lembrava por qual motivo estava brava com Inuyasha. Na verdade ela se lembrava, mas estava disposta a esquecer tudo se ele aparecesse ali o quanto antes.
E como em um desejo atendido, Kagome ouviu o som de vozes vindo do interior da casa e ficou alerta no mesmo instante. Não precisou de muito para que ela reconhecesse uma conversa entre Inuyasha e a irmã. Ouviu seu nome ser chamado, mas ficou calada. Ele tinha neurônios suficientes para deduzir que ela estava em casa, já que seu carro estava estacionado na entrada, e logo descobriria a porta de acesso ao jardim aberta e seguiria seus rastros. Ao menos ela esperava que sim. Por mais que estivesse disposta a não brigar com ele por qualquer que tenha sido o motivo de sua ausência, por ser uma perda de tempo, certamente seria mais divertido se o deixasse com a consciência pesada por algumas horas antes que ela lhe mostrasse o quanto realmente estava feliz por sua volta.
— Kagome? — ouviu a voz dele cada vez mais perto enquanto ele chamava. Que orgulho! Tinha se casado com um homem muito inteligente a final, ele demorou menos de 5 minutos para achá-la.
Ela se aconchegou contra a almofada e fechou os olhos, como se estivesse dormindo. No momento em que notou a presença dele ao seu lado, controlou-se ao máximo para não dar uma pequena espiada para ver se era Inuyasha que estava bem na sua frente. Então logo sentiu o leve contato quando ele sentou-se ao seu lado e quis pular em seu pescoço e beijar aquela boca adorável de seu marido, mas continuou a controlar seus desejos.
— Ei, K-chan. — Ele falou muito baixo. Passou a mão pela face dela suavemente e afastou o cabelo de sua testa. — Acha mesmo que acredito que você está dormindo?
Continuou de olhos fechados e se virou para o outro lado, dando as costas para ele.
— Ok, já entendi, — ele deixou escapar um longo suspiro quando ela não lhe deu a mínima atenção. — mas não estou com paciência para birra, estarei no quarto se quiser conversar.
Ouch! Essa tinha doído. Inuyasha não estava com humor para brincadeiras, ela definitivamente tinha entendido isso, mas contou até 10 antes de ir atrás dele e quando estava subindo as escadas em direção ao quarto deles, Ayame a chamou. Virou-se para ver sua cunhada nos primeiros degraus, vestindo jeans e uma camiseta, sem dispensar o salto alto. Ela estava com sua bolsa na mão e como sabia que ela havia ido buscar o irmão no aeroporto, presumia que ela logo sairia de novo.
— K-chan, pegue leve com Inu, — ela aconselhou — ele teve um monte de problemas em Toronto e está precisando de um pouco de paz.
— Que problemas? — ela franziu o cenho, de repente preocupada.
— Coisas com a administração, houveram algumas demissões e acerto de contas. Ele não entrou em muitos detalhes, mas creio que converse comigo e Miroku na segunda, porque a coisa pareceu séria.
— Ele não me falou nada... — Se sentiu um pouco magoada, a final esperava que ele confiasse o suficiente nela para lhe contar tudo.
— Da mesma maneira que você teve o problema com a agência e não falou nada para ele porque não quis atrapalhar o trabalho dele e contar algo tão delicado por telefone. — Ayame deu de ombros já que para ela, aquela lógica era muito simples e esperava que Kagome entendesse também. — Eu vou sair, hoje é a folga de Kaede, vocês estarão sozinhos em casa até amanhã.
— Tudo bem. — Respondeu vagamente, mas não deixou de assimilar a informação de que Ayame não dormiria em casa. — Divirta-se.
— Certamente — Ayame esforçou-se para esconder um sorriso — Cuidem-se e, por favor, não briguem.
Já com a mão na maçaneta da porta de entrada, Ayame abanou para ela e saiu. Kagome ficou parada no meio das escadarias mais alguns minutos colocando seus pensamentos em ordem. Ela tinha bagunçado as coisas, deveria ter deixado a infantilidade de lado e recebido seu marido exatamente como queria, de braços abertos.
Quando entrou no quarto deles, ouviu o barulho do chuveiro ligado e chegou a se ver entrando no banho com ele, mas então deu meia volta e foi para a cozinha. Eram quase 8 da noite e ele provavelmente poderia apreciar um bom jantar. Não que ela soubesse fazer grandes coisas na cozinha, nada comparado a Kaede, com certeza, mas ela sabia se virar. E conhecendo Inuyasha, sabia que uma garrafa de vinho e uma macarronada o agradariam mais que se ela pedisse pizza.
E foi dessa maneira que ele a encontrou. Ele ainda se sentia exausto por causa da viagem e tudo que tivera que lidar e chegar em sua casa não foi tão prazeroso quanto ele esperava, mas a culpa era dele. Estava de cabeça quente e não consegui entrar no joguinho de Kagome, mas ela não tinha como saber que ele estaria de mau humor já que mantivera seus problemas para si enquanto estava longe. Inuyasha secretamente esperou que ela o seguisse até o banheiro e eles pudessem ter um reencontro mais íntimo e se decepcionou quando passou meia hora em baixo da água congelante e ela não apareceu.
Achou estranho quando não a encontrou no quarto e depois de vestir-se, saiu a procura dela mais uma vez. Tinha aliviado a cabeça o suficiente para pedir desculpas por seu mau humor.
Algo que foi esquecido quando ele a encontrou na cozinha, balançando os quadris de um lado para outro no ritmo de uma das músicas do Oasis que tocavam em volume baixo enquanto murmurava a letra. Ao seu lado no balcão havia uma taça de vinho pela metade e ela cortava com paciência alguns vegetais. Havia uma panela de água fervente no fogão e outra sendo aquecida em fogo baixo exalando um cheiro maravilhoso que abrira seu apetite e ele se descobriu faminto. Mas tinha certeza que sua fome só seria saciada com a mulher que estava à sua frente, vestindo um shorts azul muito pequeno e uma camiseta branca o dobro de seu tamanho, uma camiseta dele, logo notou.
Antes que ele pudesse se aproximar, ela e virou-se para ele com um enorme sorriso se destacando em seu rosto.
— Kaede está de folga hoje e achei que pudesse estar com fome, — ela alcançou a garrafa de vinho que estava também sobre o balcão e lhe serviu uma taça enquanto falava — não será um banquete como os dela, mas acho que podemos nos virar. E Ayame saiu também, só volta amanhã. — ela caminhou até ele e lhe entregou a taça.
— Oi — ele falou em baixo tom.
— Oi. — retribui com um sorriso — podemos começar de novo?
— Por favor.
— Ótimo. — Kagome envolveu seu pescoço e entrelaçou os dedos em sua nuca, ficou na ponta dos pés e lhe deu um beijo carinhoso — Bem vindo de volta, — falou sem deixar de olhá-lo, nos olhos — Senti sua falta.
Inuyasha por sua vez apertou-lhe a cintura com a mão livre, como se não fosse largá-la jamais e beijou-a com mais urgência e paixão
— Deus! Como senti sua falta, K-chan — ele encostou sua testa contra a dela e ficou apenas olhando para aqueles olhos que o fazia perder a cabeça em instantes. — É ridículo, foi só uma semana e senti sua falta como nunca.
— Eu sei. — é claro que ela sabia, ela sentia o mesmo. — Mas se continuarmos aqui, o jantar vai queimar e precisaremos apelar para pizza.
— Pizza está bom pra mim se eu puder manter minhas mãos em você por mais tempo.
— Não seja ingrato Inu, aproveite, você raramente me verá na cozinha, só tenho dom para comer, não para cozinhar — ela plantou um beijo em seu queixo, se desvencilhou dele e voltou ao que estava fazendo.
Ele se contentou em olhá-la de costas para ele. Tomou pequenos goles do vinho que ela havia lhe servido e escorou-se na pequena mesa quadrada perto do balcão.
— Então somos apenas eu e você está noite? Onde Ayame foi? Ela não me falou que iria sair hoje.
— Ela não me disse aonde ia, mas que não voltaria hoje...
Ele apenas murmurou em concordância, mas não conseguiu evitar especular o que sua irmã estaria fazendo naquela noite, prometeu a si mesmo que descobrir assim que tivesse a oportunidade.
— Isso me lembra da última vez que estivemos sozinhos, você lembra?
— Como poderia esquecer? Até hoje não sei onde você escondeu o Ted — Kagome riu abertamente quando olhou para ele
— Querida, eu certamente tinha outra coisa em mente além do seu monstruoso urso de pelúcia.
— Talvez você deveria refrescar minha memória, depois do jantar.
— Eu certamente planejo fazer isso.
Eles mergulharam em um silêncio confortável, cada um com seus pensamentos. Inuyasha analisava em silêncio como o relacionamento deles havia evoluído com seus quase 4 meses de casamento e para ele só faltava uma única coisa para que aquilo tudo se tornasse tão real quanto realmente era. Que ele havia se apaixonado por sua esposa, não havia dúvidas, só precisava agora que ela aceitasse seus sentimentos e os retribuísse, então seria um homem feliz de verdade.
— Como foi a viagem? — Ela perguntou, concentrada na tarefa de mexer o conteúdo de uma panela.
— Desastrosa.
— Quer falar sobre isso? — Kagome olhou rapidamente para ele, com o cenho franzido. Ele fez soar como se quisesse se livrar desse peso homérico de seus ombros.
— Não há muito o que falar. Eu descobri algumas informações que não batiam entre uns relatórios e outros da contabilidade, e não foi difícil descobrir a fonte do problema. Cuidei do problema à minha maneira, o resto fica por conta do departamento jurídico. Mas não foi fácil descobrir que tem alguém que você julgava ser de confiança, desviando dinheiro bem embaixo do seu nariz, a final, fui eu quem deleguei boa parte dos cargos em Toronto quando ainda estava lá. Ainda tive que reportar o problema ao meu pai e ele não se mostrou nada contente.
— Todos nós cometemos erros de julgamento, Inu. A culpa não é sua, mas sim da pessoa que praticou isso e você resolveu o que pôde, não?
— Sim, encaminhei algumas demissões e vamos abrir processos judiciais.
— Então está resolvido.
Ele não respondeu e ela não insistiu. Sabia que na cabeça dele, se culpava pelo problema, mas logo enxergaria que nada poderia ter sido feito a mais. Ficaram em silêncio até que Kagome terminou o jantar e serviu dois pratos com uma bela macarronada.
Decidiram comer na sala e ela arranjou velas, responsáveis por uma atmosfera aconchegante e inevitavelmente romântica.
— Eu não lhe ajudei em nada.
— Pois fez exatamente o que deveria. — Sorriu quando ele se acomodou no sofá com o prato em suas mãos. Ela se sentou ao seu lado, perto o suficiente para que se tocassem esporadicamente.
— Quero que me conte como foi sua semana
— E eu quero que me conte o que acha de meus dotes culinários, depois eu conto.
Obediente, ele provou, então provou mais uma vez e aprovou. Kagome mantinha-se na expectativa, apenas obervando. Quando ele explodiu em elogios, ela respirou aliviada e até sorriu orgulhosa. Ela comeu e teve que concordar com o marido, estava melhor do que ela imaginava.
— Acho que podemos dar mais dias de folga a Kaede.
— Não vá se empolgando garotão,— ele completou as duas taças sobre a mesinha de centro e quando voltou a se recostar contra o sofá, envolveu Kagome em seus braços. — só cozinho quando estou inspirada.
— Eu posso fornecer uma hora diária de inspiração por um preço muito acessível. — E a beijou, pegando a taça em sua mão ainda sem quebrar o contato entre eles. Deixou os dois copos no chão, junto ao sofá e concentrou-se em explorar aqueles lábios deliciosos que tanto sentira falta.
— Achei que queria saber da minha semana. — Kagome mal conseguiu falar quando a boca de Inuyasha estava em seu pescoço e suas mãos já haviam transpassado o tecido de sua camiseta.
— Eu quero, mas precisamos resolver uma pendência que já dura uma semana. — Devo concordar que algumas prioridades são inquestionáveis.
Quando acordou horas depois, estava sozinha no sofá e com uma fina manta a cobrindo. Vestiu a camiseta e o shorts que tinham sido deixados no chão e na penumbra da última chama de uma velas, foi atrás de Inuyasha. Encontrou a luz do escritório acesa através de uma pequena abertura e entrou sem fazer barulho. Ele estava com os olhos vidrados na tela do notebook, alternando o olhar para alguns papéis colocados ao lado do teclado. Sua concentração era tanta que Kagome chegou até às costas de sua cadeira e ele só a notou quando ela apertou seus ombros.
— O que está fazendo? – Perguntou a ele.
— Não sei mais. — ele passou as duas mãos pela face e fechou os olhos por alguns segundos.
— Sabe que não gosto de acordar sozinha.
— Eu planejava levá-la para cama e me juntar a você em meia hora.
Kagome deu a volta na cadeira dele e sentou-se em seu colo.
— Tenho um assunto sério para falar com você, será que pode deixar de lado por alguns minutos essa papelada?
— Sou todo ouvidos. — Mais relaxado com a presença dela ali, beijou-lhe o rosto rapidamente e num gesto automático, começou a acariciar sua cintura enquanto prestava atenção em seu rosto.
— Então — ela começou, não sem antes ter certeza que se olhavam nos olhos. — Eu passei por uma situação um tanto complicada essa semana, mas não quis lhe dizer por telefone porque precisava que fosse pessoalmente. Eu pensei muito em como lhe falaria isso, e medi minhas palavras várias vezes, cheguei até a ensaiar algumas fases, mas nada me pareceu o suficiente. Eu nunca achei que diria isso pra você, mas com as coisas que aconteceram, acho que se tornou inevitável.
Ele permanecia calado, e se mostrava atento a cada palavra sua. Um leve vinco de formou entre suas sobrancelhas e ele se mostrava curioso para ouvir o que ela tinha a lhe dizer. Já Kagome, um tanto agitada para permanecer parada, levantou-se e se distanciou a passos lentos, para dar a si mesma algum tempo a mais.
— Quando nos conhecemos, eu não tinha a mínima intenção de me envolver com alguém porque tive alguns problemas em um relacionamento anterior, um relacionamento que terminou há quase 2 anos e desde então eu não me envolvi com mais ninguém. Aí você apareceu. E tudo o que aconteceu conosco até hoje, foi algo que eu nunca me imaginei vivendo, mas eu não trocaria isto por nada desse mundo e se alguém me perguntasse se eu gostaria de mudar alguma coisa, por mais pequena que fosse, minha resposta seria não. Mas eu não posso continuar assim.
Inuyasha sentiu todo seu corpo entrar em colapso e com aquelas palavras. Um medo gélido lhe consumiu e ele se apressou em falar.
— O que quer dizer com isso? — Deu dois passos até ela e segurou em seus braços, olhando-a ansioso.
— Você é o um homem fantástico — ela sorriu vagamente —, inteligente, irresistivelmente atraente e pode ser incrivelmente irritante porque está certo sempre, ou na maioria das vezes. Você é o melhor homem que eu já conheci na minha vida, e eu não consigo mais imaginar um dia se quer sem que você esteja ao meu lado. Estou perdidamente apaixonada por você, Inuyasha, e quero que esse casamento seja pra valer, quero que dure para sempre. E estou rezando para que você queira o mesmo, por que se não quiser, eu não sei o que vou fazer do resto da minha vida.
— E agora seria um bom momento para você dizer alguma coisa. — ela pediu quando ele continuou calado e sem demonstrar expressão alguma, tentou esconder seu nervosismo com uma pequena risada, mas não foi muito bem sucedida.
— Kagome, você é uma tola.
Ela ficou perplexa, definitivamente não era o que esperava escutar.
— Como pode achar, por um segundo se quer que eu vou deixar você sair da minha vida? — Suas mãos se deslocaram acima até tomarem seu rosto com carinho. — É por sua causa que hoje eu sou alguém, quero que você se orgulho de mim, quero ser um homem que a mereça, de verdade. Sou louco por você, acho que desde aquele primeiro dia que a via na recepção do hotel, eu sou completamente louco por você.
Kagome achou que fosse chorar, mas só conseguia rir. Aquelas palavras ficariam gravadas para sempre na sua memória, jamais conseguiria explicar o quanto estava feliz por ter descoberto que ela a amava.
— Diga as palavras, eu preciso ouvir. — E fechou os olhos, para que o som daquela sentença ficasse bem gravado em sua memória.
— Eu te amo tanto, Kagome Taisho, e vou repetir isso até o final de nossos dias.
Ela mal o deixou terminar o que diz quando atirou-se em seus braços, de lá não queria sair nunca mais.
A/N: Finalmente consegui postar esse capítulo, ele era para ser maior, bem maior, mas eu fiquei sem saber como ia comer o 17º então tirei uma parte deste e coloquei no próximo rs
Muitíssimo obrigada pelas reviews, Aricele, Ruh-chan, Kiaraa, Gab e Leka (Srta kagome taisho), hoje, excepcionalmente vou responder meio geral que to com um pouco de pressa para postar o capítulo, tenho mil coisas pra escrever e mais mil trabalhos da universidade pra fazer :/
Sei que vocês devem estar ansiosas para descobrir sobre o sócio da Kchan, eu não deveria contar, mas ele aparece no próximo capítulo para matar a curiosidade de vocês! O capítulo passado foi realmente mais curto, ele tinha 5 páginas... eu me controlo pelo número de palavras, cada capítulo eu tento escrever no mínimo 4 mil palavras e o cap 16 tinha 2100 só :( mas prometo que vou me esforçar para fazer capítulos maiores, a fic tem 30 capítulos, então já passou da metade, agora começa a se encaminhar para o fim.
Espero que tenham gostado do capítulo, e continuem mandando reviews, vocês sabem o quanto elas me fazem feliz Se quiserem, podem mandar PM ou e-mail que eu respondo com certeza, fiquei nas nuvens quando recebi um email da Gab Fernandes em setembro :DD
E se alguém leu o prólogo de Anjos e Demônios, também tem capítulo novo essa semana, até sexta eu posto.
Enfim, tenham uma boa semana, e até a próxima ^-^
