Estarei Aqui

Judy's POV

Sé que nunca me verás como la niña de tus sueños

(Sei que nunca me verá como a garota dos seus sonhos)

Sé que no te fijarás, en la fachada de mis huesos

(Sei que não se fixara na capa de meus ossos)

Es cierto que la luna no es de queso y que no tengo curvas de modelo

(É certo que a lua não é de queijo e que não tenho curvas de modelo)

- Nem acredito que você me deixou escolher o filme. – Disse Judy sorrindo, enquanto sentava no sofá do apartamento de Nick. – Estou tão animada para ver esse filme. Há meses quero assisti-lo.

- É. Eu sei. – Nick respondeu com um pequeno sorriso e se sentou ao lado dela no sofá, segurando um balde de pipoca. – Não ouço falar em outra coisa desde que esse filme estreou no cinema.

- Foi uma pena que não tivemos tempo de ver no cinema. – Judy comentou encostando seu corpo ao dele e pôde sentir que Nick se retesou um pouco. Será que ela estava incomodando? – Só não entendi porque você estava tão estranho quando me convidou para vir aqui. – Por algum motivo Nick parecia estar nervoso por ela tocar nesse assunto.

Flashback

Sé que nunca entenderás este absurdo sentimiento

(Sei que nunca entenderá esse sentimento absurdo)

Yo sé que no tendré jamás la fortuna de un beso

(Eu sei que não terei jamais a fortuna de um beijo)

Es cierto que a diario estoy viviendo en un cuento de hadas que me invento

(É certo que diariamente estou vivendo em um conto de fadas que invento)

- Eu estive pensando, Judy... – Disse Nick se aproximando da coelha, parecendo estar envergonhado.

- Estava pensando em quê? – Ela perguntou curiosa e ansiosa ao mesmo tempo. A raposa parecia estar preocupada.

- Que nós podemos assistir a um filme lá em casa depois do expediente. – Nick falou passando uma pata pelos pelos de sua nuca.

- Qual filme? – A jovem coelha indagou animada. – Podemos ver...?

- Eu deixo você escolher. – Nick respondeu interrompendo-a. – Embora eu já saiba qual filme você quer ver e já tenha baixado na internet.

- Mas isso é ilegal. – Judy falou alarmada. Nick engoliu em seco, até que a coelha caiu na gargalhada. – Eu estou brincando, Nick. Quero tanto ver esse filme que não me importo com como você o que conseguiu. – Aquilo pareceu surpreendê-lo. Será que ele achava que ela era uma santa? – Que horas vamos ver o filme?

- Você pode pegar uma carona pra minha casa comigo, logo que sairmos daqui e podemos jantar antes do filme. – Disse Nick num dar de ombros.

- Vamos pedir alguma coisa ou você vai cozinhar? – A coelha indagou com um sorriso sonhador. – Você sabe como adoro sua comida. – A raposa riu da expressão dela. Judy tinha certeza que ele queria chamá-la de fofa naquele momento. Algo em seus olhos sempre o entregava quando esse pensamento passava por sua cabeça, mas Nick nunca o fazia. Embora Judy não fosse se importar que ele a chamasse desse jeito.

- Ok, Cenourinha. Eu faço a comida. – Ele concordou resignado. Judy sorriu dando um pulo para fora de sua cadeira e se jogou sobre seu parceiro, lhe abraçando.

- Obrigada. Obrigada. Obrigada. – Nick a abraçou de volta. Os abraços dele sempre lhe faziam se sentir protegida.

Fim do Flashback

Y aún así, te cuidaré , casi leyéndote el pensamiento

(E ainda assim, cuidarei de você, quase lendo o seu pensamento)

Y aún así, me quedaré, siempre a tu lado junto a tus silêncios

(E ainda assim, eu ficarei sempre ao seu lado junto aos seus silêncios)

Y aún así, te seguiré, hasta que el mundo cambie y gire al revés

(E ainda assim, te seguirei até que o mundo mude e gire ao contrário)

Aquí estaré

(Aqui estarei)

- Não sei o que me deu, Judy. – Nick falou num dar de ombros, ainda parecendo um pouco nervoso, mas se recompondo. – Provavelmente estava com fome. – A coelha riu.

- É. Você realmente soa confuso quando está com fome. – Ela concordou, voltando seus olhos para a televisão. – Agora vamos ver logo esse filme porque já estou ficando com sono e não quero cochilar no meio do filme. – Nick deu o play e Judy se aconchegou melhor a seu lado, enlaçando seu braço e encostando a cabeça em seu ombro. – Tem problema se eu ficar assim, Nick? – Ela indagou enquanto o filme começava. Aquilo era tão bom. Sentar ao lado dele desse jeito. Embora ela soubesse que Nick nunca a enxergaria como algo mais que uma amiga, isso não impedia que tivesse sentimentos por ele. Gostava de sentir seu pelo encostado ao dele e assim podia sentir o calor do corpo de Nick.

- Não. Está tudo bem, Cenourinha. – Nick respondeu colocando um pouco de pipoca na boca. Judy podia jurar que ele estava vermelho, mas talvez fosse apenas uma ilusão provocada pela luz da TV.

- Obrigada.

- Quer pipoca? – A raposa ofereceu enquanto pegava mais um pouco para si.

- Não. Estou satisfeita com o jantar. – Também pudera. Comera quase todo o suflê de cenouras que Nick fizera para ela.

Judy estava prestando atenção ao filme, mas não conseguia se desligar do fato de que estava tão perto de Nick. Não podia ficar olhando para ele para verificar se ele estava se sentindo incomodado, pois Nick notaria, mas pelo que podia avaliar, a raposa parecia estar aceitando tudo normalmente. De repente ela pôde notar que ele tremia um pouco.

- Você está com frio, Nick? – Judy perguntou um pouco preocupada, afastando a cabeça de seu ombro. – Está tremendo.

- Estou? – Nick indagou confuso. – Acho que está ficando um pouco frio, não? Você não está sentido?

- Acho que sim. – Respondeu a coelha num dar de ombros, pegando o controle, que estava apoiado na perna dele, para pausar o filme. Nick era tão quente que ela não sentira frio algum até aquele momento. – Posso pegar uma coberta se você quiser.

Sé que nunca me verás como la causa de un desvelo

(Sei que nunca me verá como a causa de uma insônia)

Yo sé que no comprenderás que soy el ángel de tu cuento

(Eu sei que não compreenderá que sou o anjo do seu conto)

Entiendo que tus ojos tienen miedo de ver a la mujer que soy por dentro

(Entendo que seus olhos têm medo de ver a mulher que sou por dentro)

- Ou eu posso te esquentar. – Nick respondeu rapidamente e, daquela vez, Judy não tinha dúvidas de que ele ficara vermelho. – Quer dizer... Se você estiver com frio. Eu não estou com tanto frio assim e... – Judy sorriu e voltou a se aconchegar ao lado dele. Nick a envolveu com seu braço e a coelha encostou a cabeça no peito dele. Aquilo era mais do que Judy poderia esperar de uma sessão pipoca com Nick. Ainda bem que não assistiram ao filme no cinema. Aquilo nunca teria acontecido num cinema. – Posso dar o play de novo?

- Espera um minuto. – Pediu Judy fingindo estar pensativa. – Acho que ainda está faltando alguma coisa.

- O quê? – Nick indagou confuso.

- Acho que alguém podia ter uma cauda quentinha pra me esquentar. – A raposa arregalou os olhos em surpresa, mas logo deu um de seus sorrisos maliciosos.

- E eu acho que alguém quer se aproveitar de mim. – Judy o encarou com uma expressão desolada.

- Você não quer me esquentar, Nick? – A coelha perguntou com as orelhas baixas.

- Não precisa fazer essa cara, Cenourinha. – Respondeu a raposa desviando os olhos dos dela. – É claro que eu quero te esquentar. – Nick a envolveu com sua cauda e Judy deu um sorriso de felicidade enquanto se acomodava, fazendo o pelo dele e o seu entrarem em atrito.

- Você é tão quente, Nick. – Ela disse sorrindo com os olhos fechados. Nunca se sentira tão aquecida e protegida. – Posso ficar aqui pra sempre? – A raposa a apertou com sua cauda e seu braço, aproximando-a de si.

- Vou pensar no seu caso. – Disse com um sorriso brincalhão, antes de dar o play no filme novamente. Judy refletia sobre o relacionamento deles. Podia ser que Nick nunca reparasse nela e podia ser que nunca se tornassem mais que amigos, mas, naquele momento, o que tinham bastava. E assim ela abriu os olhos para tentar se concentrar no filme.

Y aún así, te cuidaré , casi leyéndote el pensamiento

(E ainda assim, cuidarei de você, quase lendo o seu pensamento)

Y aún así, me quedaré, siempre a tu lado junto a tus silêncios

(E ainda assim, eu ficarei sempre ao seu lado junto aos seus silêncios)

Y aún así, te seguiré, hasta que el mundo cambie y gire al revés

(E ainda assim, te seguirei até que o mundo mude e gire ao contrário)

Aquí estaré

(Aqui estarei)

[Aquí Estaré – Angelica Vale]

Início e Término: 02/04/2017.