Não Vai Ser Eu
Judy's POV
Tú me abriste las heridas que ya daba por curadas con limón, tequila y sal
(Você abriu minhas feridas, que já dava por curadas com limão, tequila e sal)
Una historia repetida, solamente un déjà vu que nunca llega a su final
(Uma história repetida, somente um déjà vu que nunca chega a seu final)
Mais uma vez Judy recordava a noite em que Nick e ela se beijaram. Mais uma vez se achava uma idiota por não ter dito nada. Após seu silêncio constrangedor, Nick apenas lhe pedira desculpas e dissera que devia estar bêbado antes de se afastar dela. Sua vontade era bater a cabeça na parede.
Será que aquilo era verdade ou será que ele ficara com medo de sua reação? A jovem coelha não tivera coragem de perguntar e já se passara uma semana desde que eles se beijaram. Nick continuava agindo normalmente perto dela, mas, de alguma maneira, não parecia mais o mesmo. E agora que haviam se beijado ela não conseguia mais acreditar que a amizade deles era suficiente.
Teria sido muito mais fácil se aquele beijo não tivesse acontecido. Um beijo. Um único beijo. Um beijo que a fizera perceber que não podia continuar se enganando. Ela amava Nick e não podia simplesmente apagá-lo de seu coração.
Mejor me quedo solo y me olvido de tus cosas, de tus ojos
(Melhor ficar sozinho e me esquecer das suas coisas, dos seus olhos)
Mejor esquivo el polvo
(Melhor fugir dos vestígios)
No quiero caer de nuevo en esa foto de locura, de hipocresía total
(Não quero cair de novo nessa imagem de loucura, de hipocrisia total)
Judy tivera mais uma noite mal dormida. Se continuasse daquele jeito, logo não conseguiria mais trabalhar. Sua cara estava péssima e suas desculpas para isso estavam ficando cada vez piores.
Durante a noite anterior a coelha se decidira a falar com Nick. Talvez se conversassem e esclarecessem as coisas, tudo poderia voltar ao normal. Judy se aproximou de seu parceiro, um pouco envergonhada, mas com um sorriso no rosto. Já estava perto do fim do expediente e talvez pudessem sair para beber alguma coisa e conversar.
- Oi, Nick. – Ela disse tentando reunir alguma coragem. – Estive pensando e... O que acha de sairmos para beber alguma coisa? Tem um bar que abriu aqui perto e...
- Desculpe, Cenourinha. – Nick respondeu com um de seus sorrisos de canto, como se estivesse a ponto de lhe contar um segredo. – Já tenho um encontro hoje à noite.
¿Quién puede hablar del amor y defenderlo? Que levante la mano, por favor
(Quem pode falar do amor e defendê-lo? Que levante a mão, por favor)
¿Quién puede hablar del dolor? Pagar la fianza pa' que salga de mi corazón
(Quem pode falar da dor? Pagar sua fiança para sair do meu coração)
Si alguien va a hablar del amor te lo aseguro esa no voy a ser yo
(Se alguém vai falar do amor, te garanto, essa não vai ser eu)
No, esa no voy a ser yo
(Não, essa não vai ser eu)
Como se esperasse por uma deixa, uma jovem raposa entrou no DPZ procurando por Nick. Garramansa tentou impedi-la de passar, mas, ao ver Nick pelo vidro da janela de sua sala, a raposa seguiu para lá sem lhe dar ouvidos.
- Oi, Nick. Já está pronto? – Ela perguntou invadindo a sala e ignorando Judy por completo. A coelha olhou para ela, surpresa e triste ao mesmo tempo. Judy sentiu que seu coração acabara de se partir.
- Estou quase pronto, Stephany. – Respondeu Nick se levantando de sua cadeira. – Deixe eu lhe apresentar à minha parceira e melhor amiga, Judy. – A raposa fêmea olhou para Judy com desdém e a coelha não soube reagir a isso.
- Ah! Como ela é fofa. – Judy corou ao ouvir as palavras de Stephany. Pelo sorriso no canto de seus lábios, ela sabia como aquela palavra irritava os coelhos quando ditas por outros animais. – Vou te esperar lá fora, ok? – A raposa piscou para Nick e saiu da sala rebolando o máximo que podia. Se Judy estivesse vestida com uma saia tão curta e fizesse aquilo, pareceria ridícula, mas naquela raposa cheia de curvas e sedutora, era algo que, aparentemente, atraia Nick.
- Me desculpe por ela te chamar de fofa, Cenourinha. – Pediu seu parceiro parecendo um pouco angustiado. – Eu sei que...
- Está tudo bem, Nick. – Respondeu Judy dando as costas para ele e saindo da sala. – Deixa pra lá.
- Podemos sair para beber outro dia, não é? – Ele indagou quando ela já havia saído da sala e a coelha podia jurar que ele parecia preocupado, embora naquele momento isso não importasse nenhum pouco.
- Claro. – Judy disse num sussurro, dirigindo-se ao banheiro apressadamente. Não queria que Nick visse suas lágrimas.
Esta idea recurrente quiere jugar con mi mente pa' volverme a engatusar
(Essa ideia recorrente quer jogar com a minha mente para voltar a me enganar)
Una historia repetida, solamente un déjà vu que nunca llega a su final
(Uma história repetida, somente um déjà vu que nunca chega a seu final)
Nick não estava na sala quando ela voltou, portanto Judy arrumou suas coisas apressadamente para ir embora. Não queria vê-lo novamente naquele dia. Porém a raposa voltou para a sala deles antes que ela saísse e a encontrou arrumando suas coisas. Judy sabia que seus olhos deviam estar vermelhos, mas não havia como esconder isso. Ele ia saber que ela chorara, mas não poderia dizer o porquê e ela não queria arrumar nenhuma desculpa naquele momento. Só queria ir pra casa.
- Judy, eu... – Ele começou receoso, mas ela o interrompeu.
- Tenha um bom encontro, Nick. – Judy falou com um pequeno sorriso e esfregou seu nariz antes de sair. O cheiro daquela vadia estava nele. A coelha teve que fazer um esforço tremendo para não começar a chorar novamente. Enquanto ela se desesperava e chorava por causa dele, ele estava se agarrando com aquelazinha. – Até segunda.
- Até. – Respondeu a raposa, provavelmente com medo que ela começasse a chorar na sua frente.
¿Quién puede hablar del amor y defenderlo? Que levante la mano, por favor
(Quem pode falar do amor e defendê-lo? Que levante a mão, por favor)
¿Quién puede hablar del dolor? Pagar la fianza pa' que salga de mi corazón
(Quem pode falar da dor? Pagar sua fiança para sair do meu coração)
Judy chegou a casa e tentou se concentrar em outra coisa, mas o fato de que Nick estava num encontro com aquela raposa não saía de seus pensamentos. Logo a coelha voltou a chorar. Tentava se conter, mas era mais forte do que ela. Nick era um idiota. Ele era como todos os outros. Bastou aparecer uma raposa voluptuosa e bonita e ele a descartara como se não fosse nada. Só porque era uma coelha. Só porque era uma presa.
A coelha respirou fundo e assoou o nariz. Se pudesse nunca mais o veria e... Não. Sabia que isso não era verdade. Ela o amava e queria vê-lo, mas estava decidida a não ficar chorando pelos cantos por causa dele. Afinal Nick mesmo dissera que o beijo que ocorrera entre eles não passara de um acidente. Ela era a única culpada por estar nessa situação agora. Ela mesma se iludira. As lágrimas começaram a cair de novo. Aparentemente ainda teria que se esforçar um pouco para cumprir sua promessa de não cair no choro por Nick.
De uma coisa ela estava certa. Não deixaria que ele a visse chorando. Seguiria o conselho que o próprio Nick lhe dera e não demonstraria sua fraqueza e insegurança. Segurando o choro e tentando se concentrar na televisão Judy se perguntava por que tudo aquilo tivera que acontecer com ela e porque tivera que se apaixonar por uma raposa tão idiota.
Si alguien va a hablar del amor te lo aseguro esa no voy a ser yo
(Se alguém vai falar do amor, te garanto, essa não vai ser eu)
No, esa no voy a ser yo
(Não, essa não vai ser eu)
[Déjà Vu – Shakira feat. Prince Royce]
Início e Término: 11/04/2017.
