Kilômetros

Nick's POV

A varios cientos de kilómetros

(A centenas de kilometros)

Puede tu voz darme calor igual que un sol

(Sua voz pode me aquecer como um sol)

Y siento como un cambio armónico

(E sinto como uma troca harmônica)

Va componiendo una canción en mi interior

(Vai compondo uma canção no meu interior)

Nick olhava uma foto dele e de Judy em seu celular. O dia, que estava chegando a seu fim, fora como um pesadelo. E ainda restavam dois dias daquele martírio. O que Judy estava fazendo? Será que repensava sua carreira? Seus sonhos? Por que ela partira e não lhe dissera nada? A vontade de se afastar dele era mais forte do que seu desejo de ser uma policial?

Flashback

Já eram quase dez da manhã e Judy ainda não chegara ao DPZ. Será que estava com tanta raiva dele pelo que acontecera no dia anterior, que resolvera faltar ao trabalho? Ela poderia, ao menos, atender suas ligações. Ele estava tão paranoico que podia imaginá-la olhando para o telefone em seu colo, tocando e mostrando seu nome no visor, para, em seguida, desviar os olhos e ignorá-lo.

A raposa deu um soco na mesa e se levantou. Se Judy resolvera faltar, teria avisado a alguém e, com certeza, Bogo estaria ciente. Nick foi até a sala dele e bateu à porta.

- Entre. – Disse Bogo, autoritário como sempre. Nick obedeceu.

- Bom dia, Chefe. – Ele respondeu, entrando e fechando a porta atrás de si.

- O que você quer, Wilde? – Indagou o búfalo analisando alguns papéis que estavam sobre a mesa.

- O senhor tem notícias da Judy? Estou tentando falar com ela, mas ela não atende ao telefone. – Nick tentou soar o mais despreocupado possível, mas sabia que seu nervosismo estava aparente pela cara que seu chefe fazia.

- Ela disse ao Garramansa que precisava tirar alguns dias de folga para visitar a família. – Bogo explicou encarando-o com desconfiança. – Como o dia de folga dela essa semana cai no domingo, ela solicitou a sexta e o sábado. Vai estar de volta na segunda. – Nick parecia estar prendendo o fôlego. Não sabia o que dizer ou o que pensar. Estava chocado. Judy nunca viajara sem lhe dizer nada antes. Ele sabia que a coelha estava chateada, mas não esperava que fosse querer excluí-lo de sua vida. – Aconteceu alguma coisa que eu deveria saber, Wilde? – Perguntou Bogo despertando-o de seus devaneios.

- Não, chefe. – Respondeu Nick dando um sorriso forçado. – O celular dela deve estar fora de área ou descarregado. Mais tarde falo com ela. A raposa saiu da sala desnorteada. Era a primeira vez que trabalharia sem Judy, sua parceira e melhor amiga. Era a primeira vez que ela se afastava sem qualquer explicação. Talvez isso significasse que as coisas nunca mais seriam as mesmas.

Fim do Flashback

Sé que seguir no suena lógico

(Sei que seguir não seria lógico)

Pero no olvido tu perfume mágico

(Mas não esqueço seu perfume mágico)

Y en nuestro encuentro telefônico

(E este nosso encontro telefônico)

He recordado que estoy loco por ti

(Me lembrou que estou louco por ti)

E ali estava ele. Em seu quarto, vendo fotos deles dois, sem vontade de comer após um dia solitário. E não podia culpar ninguém além de si mesmo. Tinha certeza de que Judy o odiava. Nick deixou o celular na mesa de cabeceira e virou para o outro lado da cama. E se ela decidisse trocar de parceiro? A raposa ficara pensando nisso o dia todo. Estava uma pilha de nervos. Talvez Judy nunca fosse lhe dar uma oportunidade de se explicar.

Nesse momento o celular tocou e seu coração disparou. Nick pegou o celular rapidamente e quase chorou de alegria ao ver que era Judy quem ligava.

- Judy? – Ele indagou desesperado. – É você?

- Sou eu. – Respondeu a coelha após alguns segundos de silêncio.

- Você ficou louca? – Nick perguntou quase gritando, colocando para fora a raiva que o consumira durante o dia todo. – Eu quase tive um derrame de tanta preocupação. Por que você não me atendeu? Por que não me disse que ia viajar?

- Eu... Não sei. – Ela disse por fim com a voz fraca. – Acho que precisava de um tempo pra mim. Só queria ficar um pouco sozinha. – Nick respirou fundo. Tinha que se lembrar que uma boa parte daquilo era sua culpa.

- Mas você está bem? Está em casa? – Ele indagou um pouco mais tranquilo.

- Sim. – Judy respondeu com um pequeno sorriso, que ele podia sentir através do telefone. – Meus pais estão muito felizes com essa visita repentina. Perguntaram quando você vem visitá-los.

- Se você tivesse me convidado, eu teria ido dessa vez. – Nick falou com amargura.

- Eu já disse que precisava ficar sozinha. – Respondeu Judy no mesmo tom. – E nós dois sabemos que nem sempre você está livre. – Nick sentiu as palavras da coelha como uma tapa na cara. Então ele estava certo. Esse realmente fora o motivo para a partida dela.

Que todo el mundo cabe en el telefono

(Que o mundo todo cabe num telefone)

Que no hay distancias grandes para nuestro amor

(Que não ha distancias grandes para o nosso amor)

Que todo es perfecto cuando te siento

(Que tudo é perfeito quando te sinto)

Tan cerca aunque estés tan lejos

(Tão perto ainda que esteja tão longe)

- Você entendeu tudo errado, Cenourinha. – Ele explicou suspirando. – A Stephany é só uma amiga. Eu não tenho nada com ela e...

- Nick, isso não é problema meu. – Judy disse apressadamente, cortando sua explicação. – Eu não...

- Eu sei disso, mas eu quero explicar. – Insistiu Nick soando um pouco desesperado. – Não gostei da maneira como as coisas ficaram e não gostei da maneira como ela tratou você. Eu fui lá fora dizer que não podia mais sair com ela pra poder sair com você, mas quando voltei você já estava de partida. Foi só isso que aconteceu. – Concluiu ele, angustiado. – Depois que você saiu, eu fui pra casa. Sozinho.

- Então, por que...? – Judy se interrompeu, deixando-o ansioso.

- O que, Cenourinha? – Ele insistiu. – O que você quer saber? – Judy pareceu respirar fundo, como se reunisse coragem para fazer sua pergunta.

- Porque o cheiro dela estava misturado com o seu? – A coelha perguntou envergonhada.

- Ela me deu um abraço de despedida, Cenourinha. – Explicou a raposa com um sorriso de canto. – Foi só isso. – Nick sabia que teria que tomar muito cuidado dali para frente para não magoá-la. Sua coelha era muito ciumenta.

- É verdade? – Nick podia notar que Judy estava receosa.

- Sim, Cenourinha. – Confirmou Nick sorrindo maliciosamente. – Não precisa ficar com ciúmes. Eu sou só seu. – Mesmo sem poder vê-la, Nick podia jurar que o rosto de Judy estava corado.

- Eu não estou com ciúmes. – Respondeu a coelha apressadamente. – Não ligo se você vai sair com aquela Stephany ou qualquer outra raposa.

- Ok. Vou convidá-la pra ver um filme comigo aqui em casa, já que você me abandonou sem qualquer aviso. – Disse a raposa ainda com seu sorriso malicioso no rosto.

A varios cientos de kilómetros

(A centenas de kilometros)

Tiene un secreto que decirte mi dolor

(Tem um segredo que revela a minha dor)

En cuanto cuelgues el teléfono

(Enquanto você desliga o telefone)

Se quedará pensando mi corazón

(Continuara pensando o meu coração)

- Não ligo. – Insistiu a coelha, embora Nick pudesse sentir a raiva na voz dela. Nick não conseguiu conter uma gargalhada. – Faça isso, Nicolas. Eu vou sair com o filho do amigo do meu pai. Talvez eu mande uma foto de nós dois pra você. – Nick se calou e sua expressão de diversão mudou, rapidamente, para uma de raiva.

- Não se atreva, Judy. – Ele falou mal humorado. – Quem é esse cara? Há quanto tempo você conhece ele? – A raposa estreitou os olhos enquanto pensava se deveria ir até a fazenda da família dela no dia seguinte. Judy apenas ria das perguntas dele. – Judith, qual o nome dele? – Nick insistiu. – Vou verificar se ele tem alguma ficha criminal.

- Você verificou a ficha da Stephany? – Replicou Judy. – Tenho certeza que ela deve ter uma ficha criminal.

- Isso não importa, não é? Afinal, você encontrou seu príncipe encantado. – Nick falou para irritá-la. – Posso procurar uma princesa pra mim. Talvez quando ela vier aqui amanhã, eu descubra que ela também gosta da minha cauda.

- Então vou transformar sua cauda num tapete e dar de presente a ela. – Avisou a coelha muito séria. Nick não conseguiu resistir e começou a rir de novo.

- Ok, Cenourinha. Eu entendi o recado. – Ele disse se rendendo. Nunca permitiria que outra fêmea tocasse sua cauda. – Mas se eu não posso sair com ela, você não pode sair com esse sujeitinho.

- Não sei o que uma coisa tem a ver com a outra. – Ela respondeu num dar de ombros.

- Judy... – Nick não podia acreditar que estavam tendo aquela discussão antes de sequer confessarem seus sentimentos.

- Ok. – Ela concordou por fim. – Não vou sair com ele. Mas se eu sentir o cheiro daquela raposa em você, não me responsabilizo pelo que pode acontecer aos dois.

- Vou ficar longe dela. Palavra de escoteiro.

- Ótimo. – Ele podia notar o ar de satisfação dela.

- Então... Já que não posso convidar a Stephany para ver um filme comigo, quando você voltar, nós podemos assistir um filme juntos? – Nick indagou um pouco receoso, coçando sua cabeça.

- Vou pensar no seu caso. – Judy disse displicente. Provavelmente só queria implicar com ele.

- Traga mirtilos pra mim. – Pediu a raposa mudando de assunto. Não queria que Judy ficasse pensando em Stephany agora que estavam bem novamente. – Os da fazenda da sua família são os melhores. – Judy riu divertida. E aquele som era o que ele mais gostava de ouvir.

- Minha mãe separou uma caixa pra você, mas não vou poder levar tudo.

- O quê? – Ele indagou um pouco desanimado. – Mas sua mãe separou pra mim, Cenourinha.

- Não vai caber tudo na minha bolsa, Nick. E eu não vim de carro. – Explicou a coelha.

- Mas...

- Quando você vier aqui comigo no mês que vem, pode levar quantas caixas quiser. – Ela concluiu animada.

- Jura? – Nick perguntou esperançoso. Aquilo só podia significar que eles estavam realmente bem. Judy não desistira dele.

- Juro. – Ela confirmou. – Agora você tem que dormir. Amanhã tem trabalho.

- E vai ser trabalho dobrado, já que minha parceira me abandonou. – Ele resmungou, fazendo drama.

- Segunda vou estar de volta. – Judy recordou a ele. – Vocês raposas são tão emocionais. – Nick riu junto com ela.

- Talvez eu só esteja com saudades. – Ele respondeu sério, quando conseguiram conter as risadas.

- Só faltam dois dias. – Respondeu Judy enternecida. – Acho que você consegue sobreviver sem mim.

- Talvez. Mas, por via das dúvidas, vou te ligar amanhã e no dia seguinte. – Judy parecia estar rindo e chorando ao mesmo tempo.

- Acho que isso é uma desculpa pra verificar se vou sair com o coelho. – Ela brincou e Nick franziu o cenho ao se lembrar dessa possibilidade.

- É. Isso também. – Ele confirmou desconfiado. – Vê se me atende dessa vez.

- Ok. – Concordou a coelha. – Até amanhã, Nick.

- Até amanhã, Cenourinha. – Ele disse antes que ela encerrasse a ligação. Nick deu um sorriso feliz e fechou os olhos para poder relembrar toda a conversa entre eles. Judy o perdoara. Ela lhe dera mais uma chance. O rosto dele se contorceu ao se lembrar do possível encontro que ela tinha com um coelho. Aquilo poderia ser apenas uma implicância da parte dela. Não havia como ele ter certeza. Mas uma coisa estava clara: Ele tinha que lhe revelar seus sentimentos o mais rápido possível, ou algum dia poderia surgir alguém que tentasse tomá-la dele. Não podia perder mais tempo.

Que todo el mundo cabe en el telefono

(Que o mundo todo cabe num telefone)

Que no hay distancias grandes para nuestro amor

(Que não ha distancias grandes para o nosso amor)

Que todo es perfecto cuando te siento

(Que tudo é perfeito quando te sinto)

Tan cerca aunque estés tan lejos

(Tão perto ainda que esteja tão longe)

[Kilometros – Sin Bandera]

Início: 22/04/2017.

Término: 24/04/2017.