Capítulo 16 – Coisas Que Eu Sei

Judy's POV

Eu quero ficar perto de tudo que acho certo

Até o dia em que eu mudar de opinião

A minha experiência, meu pacto com a ciência

Meu conhecimento é minha distração

Era o segundo dia que Judy passava cuidando dele; e para ela era reconfortante saber que estava fazendo tudo que era possível para ajudá-lo. Mesmo que não pudesse fazer muito. Nick muitas vezes parecia frustrado, provavelmente por não poder sair da cama. Ela sabia que ele estava acostumado a passar o dia inteiro na rua. Mesmo antes de se conhecerem, sendo um golpista, ele estava acostumado a ficar o dia inteiro fora de casa junto com Finnick. Realmente não devia ser agradável ter que passar o dia vendo aquelas mesmas paredes, pelo menos naqueles primeiros dias.

A coelha terminou de trocar o curativo e sentou ao lado dele na cama, enlaçando seu braço com os dela, e encostando a cabeça em seu ombro. Nick suspirou parecendo estar muito triste e aquilo chamou sua atenção.

- O que foi, Nick? – Judy indagou preocupada. – Está tudo bem? – Ele negou com a cabeça. – O que está acontecendo? Está sentindo dor? – Judy se afastou um pouco para analisar o curativo e aquilo fez um sorriso surgir nos lábios dele. Se ele estava sorrindo, provavelmente não estava sentindo uma dor agonizante, a jovem pensou tentando se tranquilizar.

- Não estou sentindo dor. – Explicou ele num dar de ombros. – Pelo menos nada que seja físico. Mas me dói um pouco ter que admitir que não foi assim que imaginei que seria a primeira vez que você estaria na minha cama. – A raposa disse sem perceber como o rosto dela ficara vermelho. – Isso é um saco. Você está aqui, na minha casa. No meu quarto. E nem posso abraçá-la direito. – Nick a encarou, parecendo frustrado, e então pôde notar a vermelhidão no rosto dela. – O que foi, Cenourinha? – Judy engoliu em seco antes de falar. Como poderia explicar aquela situação?

- Bom... Eu queria conversar com você sobre isso... – Ela desviou os olhos dos dele.

Coisas que eu sei, eu adivinho em ninguém ter me contado

Coisas que eu sei, o meu rádio relógio mostra o tempo errado. Aperte o play

Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumado,

Ninguém sabe mexer na minha confusão

É o meu ponto de vista, não aceito turistas. Meu mundo tá fechado pra visitação

- Isso o quê? – A raposa indagou, confuso, segurando a pata dela.

- Eu nunca... – Judy encarou suas patas entrelaçadas e não conseguiu proferir nenhuma palavra, então apenas indicou a cama dele. Nick parecia confuso, mas como ela olharia nos olhos dele e diria que nunca... Por fim, Nick pareceu perceber alguma coisa, pois seu rosto também ficara vermelho.

- Judy... Eu não quis dizer isso exatamente. – Explicou preocupado. – É claro que quero fazer isso também, mas... – Nick ficou mais vermelho. – Mas não quero que você pense que é só isso que quero com você. Não achei que isso fosse acontecer assim que você entrasse no meu quarto. – Disse constrangido.

- Então... Não tem problema eu nunca...? – Nick se moveu para colar seus lábios aos dela, o que a tranqüilizou um pouco; e ela o correspondeu com intensidade.

- Não tem nenhum problema. – Ele respondeu antes de lhe dar mais um beijo. – Fico feliz em saber que você estava esperando o cara certo. – Nick concluiu com um sorriso convencido, fazendo-a rir.

- Seu bobo. – Judy falou acariciando seu rosto. Nick era realmente o cara perfeito. A raposa perfeita.

Coisas que eu sei, não guardo mais agendas no meu celular

Coisas que eu sei, eu compro aparelhos que eu não sei usar. Eu já comprei

As vezes dá preguiça, na areia movediça. Quanto mais eu mexo, mais afundo em mim

Eu moro num cenário do lado imaginário. Eu entro e saio sempre quando tô afim

- E... Se eu soubesse que ia me apaixonar por uma coelha tão incrível teria esperado também. Eu não imaginei que fosse realmente me apaixonar por alguém um dia e que fossem me corresponder. – Ele disse com um sorriso envergonhado. Judy lhe deu um beijo.

- Raposa boba. Era óbvio que alguém um dia ia notar você. – A coelha respondeu com um sorriso apaixonado. – Por sorte eu sou uma coelha muito esperta e vi você primeiro. – Nick riu e assentiu, olhando para ela como se ela fosse a coisa mais preciosa que existia em sua vida. Aquilo era o que realmente lhe importava. – Mas eu estou com uma dúvida... – Judy comentou mexendo na camisa dele, distraidamente. – O que planejava fazer exatamente na primeira vez que eu estivesse na sua cama? – Nick a encarou fixamente e deu um sorriso malicioso ao ver o rosto dela ficando vermelho novamente.

- Eu planejava te seduzir. – Ele explicou sério. – Mas não ia me aproveitar de você. Eu ia beijar você, tocar você e fazê-la gemer meu nome, sem nem ao menos tirar suas roupas. – Nick certamente podia ouvir as batidas de seu coração aceleradas. Era improvável que não ouvisse aquele tambor em seu peito. – E então eu faria tudo novamente. – A coelha respirou fundo e ficou em silêncio. Por que ela sentia aquele formigamento em seu corpo todo, principalmente...? Por fim, voltou a envolver o braço dele com os seus e encostar sua cabeça em seu ombro.

- Quanto tempo vai demorar pra você melhorar mesmo? – Judy indagou com um pequeno sorriso envergonhado, fazendo-o soltar uma gargalhada.

- Tenho certeza de que vai ser bem menos do que esperamos. – Nick respondeu voltando a beijá-la e Judy correspondeu sabendo que Nick era tudo que ela sempre precisaria para ser feliz.

Coisas que eu sei, as noites ficam claras no raiar do dia

Coisas que eu sei, são coisas que antes eu somente não sabia

Agora eu sei

[Coisas Que Eu Sei – Danni Carlos]

Início: 06/07/2017.

Término: 06/07/2017.