Notas:
Olá, pessoal!
Peço desculpa pela demora, mas estive a viver a vida.
Agora falando a sério, o tempo que estive sem computador tirou-me da agenda que tinha traçado. Mas aos poucos estou a regressar aos trilhos e as histórias estão a começar a avançar.
Espero que gostem do capítulo...
Capítulo 3: A Revelação do Anjo
Draco nunca fora muito de acreditar em videntes, principalmente quando a sua referência primária tinha sido a sua antiga Professora de Adivinhação em Hogwarts.
Sybill Trelawney era melhor conhecida pela sua… hmm… personalidade… peculiar, no mínimo. Isso para não mencionar as inúmeras vezes que previu erroneamente a morte de algum estudante, sendo que a sua escolha predileta parecia ser o sempre popular Harry Potter.
Logo, não era de estranhar que Draco nunca tivesse sequer começado a imaginar que um dia entraria de livre e espontânea vontade no lar de um autoproclamado Oráculo, cabe salientar muito bem a parte do autoproclamado.
Digamos que o homem de cabelos loiros platinados não se encontrava muito convencido com a ideia de que aquilo fosse funcionar e muito menos ajudar a encontrar os culpados da tragédia que arrasara a sua amada família.
oOo
A primeira coisa que vislumbrou assim que abriu os olhos foi uma imensidão de tons verdes e castanhos, cobertos parcialmente por uma camada de branco puro. Confuso pela súbita alteração do meio que o envolvia, Draco olhou para cima, deparando-se com o céu estrelado que já começava a ser iluminado pelo nascer do sol.
"Certo! Eles foram encontrados perto do bosque e era inverno. Deve ter nevado naquela noite ou talvez no dia anterior…"
Um ruído distante capturou a sua atenção, pelo que optou por seguir na direção do mesmo, deparando-se com um obstáculo inesperado.
"Fantástico! Tinha logo de acabar no corpo de um lobo!?", pensou o mago, observando a figura refletida na superfície do lago. Um grito agudo fez com que as suas orelhas se eriçassem. "Essa voz… Astoria!"
Draco correu ao longo do lago, detectando um par de silhuetas difusas que só poderiam ser as da sua família. Não é como se mais alguém se lembrasse de se aventurar de livre vontade numa floresta no meio da noite, a menos que estivesse a correr pela sua vida. E era exatamente isso o que a sua esposa fizera. Astoria havia agarrado nos seus filhos e corrido o mais longe possível, tentando adiar o máximo possível o infeliz e inevitável final que os aguardava.
"Merda! Agora que recordo, li algures que lobos são seres míopes. Os desgraçados não conseguem ver um alvo que esteja muito distante… E supõe-se que estas criaturas são exímios caçadores!? Com este tipo de olhos míopes?", pensou Draco com frustração contida à base de força de vontade.
Estava tão perto de descobrir a identidade dos assassinos da sua querida família e não seriam aqueles olhos defeituosos que o impediriam.
"Senão me aproximar mais um bocado, não vou conseguir ver nada. Ora… mais uns poucos quilómetros deve ser o suficiente para conseguir ver os rostos deles sem que se deem conta da minha presença", rastejou pelo solo, lutando contra a sensação estranha de não poder mover o seu corpo conforme desejava.
Uma figura correu apressadamente, desviando-se dos ramos que se atravessavam à sua frente, enquanto puxava um pequeno infante, de loiros cabelos como os do seu pai, agora levemente manchados de terra pela longa fuga que empreendiam desde o dia anterior, pela mão e apertava outra criança fortemente contra o peito.
O menino exausto pela longa perseguição que já durava há incontáveis horas, tropeçou numa raiz, caindo espalhafatosamente no solo, manchando as suas vestes ainda mais e rasgando-as em alguns sítios devido à fricção com alguns ramos que se encontravam caídos pelo solo.
Ao aperceber-se do que acontecera, a mulher regressou atrás e pousou a sua pequena princesinha no solo, ajudando o filho a erguer-se do chão e secando as lágrimas do pranto silencioso que este não pudera conter por mais tempo. Astoria pegou num bocadito de neve intocada e usou-o para limpar as feridas do rosto e mãos do menino que fungava baixinho.
Draco lutou contra os seus instintos que lhe gritavam que se levantasse e os protegesse… mas as palavras do Oráculo haviam sido claras. Não podia interferir em eventos passados… O feito, feito estava! Não que pudesse fazer grande coisa naquele corpo.
"Poderia deixá-los impotentes, no mínimo", ponderou o mago no corpo do lobo, observando atentamente as suas afiadas e poderosas garras. "Pensando bem, não seria uma má ideia. Talvez não devesse descartá-la completamente. Mas primeiro preciso de saber as identidades dos canalhas e depois… depois viram lanche...", concluiu Draco, lambendo os beiços com expectativa, não parando para pensar nas consequências que essa ação poderia trazer para o futuro tal qual o conhecia.
Aqueles breves instantes de pausa haviam sido o bastante para que os seus perseguidores os alcançassem. Um grupo de pessoas mascaradas rodeia a família de loiros e Draco não pode evitar rosnar e fincar as garras profundamente no solo, criando um leve ruído de folhas secas a estalar que foi eclipsado pelas gargalhadas maléficas dos criminosos que lhe tinham roubado o que mais amava.
Um dos vultos, que parecia ser o líder, a julgar pela sua conduta arrogante, avançou, parando apenas quando ficou a pouco mais de dois passos da jovem mulher que abraçava protetoramente as crianças contra o seu próprio corpo.
Preocupada em assegurar-se que os filhos não viam o que estava prestes a acontecer, prensando as suas pequenas e redondas faces contra o próprio peito, a mulher nem chegou a ver a varinha que causou o primeiro de muitos gritos de agonia, ao ser atingida pela maldição cruciatus.
Embargado na sensação de êxtase que a tortura lhe causava, o líder do bando retirou a máscara e agachou-se até ficar frente a frente com Astoria, forçando-a a ver o seu rosto.
— R-Ron… Ron-nald Weas-sley-y. — Palavras que não passavam de meros murmúrios, mas que não passaram despercebidas pela audição afiada do corpo lobuno que habitava temporariamente.
Draco não saberia dizer o que passou após a máscara do líder do bando criminal atingir o chão, visto que tudo o que recordava era uma aterrorizante sensação de sufoco, como se os seus pulmões tivessem perdido a capacidade de albergar ar no seu interior. Os seus ouvidos não cessavam de zumbir devido a uns latidos altos e acelerados que só poderiam ser os seus próprios batimentos cardíacos.
Não faltou muito para que uma onda de suores frio cobrisse o seu corpo e uma poderosa sensação de náusea o atacasse, talvez como resultado das tonturas que faziam com que lhe fosse impossível manter-se firme sobre as suas quatro patas.
O último que recordava antes de ter acordado no meio de uma divisão desconhecida de volta ao seu corpo original era a terrível dor que atravessou o seu peito, chegou mesmo a achar que esse era o seu fim e que por fim se uniria à sua bela família.
Mas não o faria, não morreria antes de se vingar, essa era uma promessa que nunca começaria sequer a considerar em quebrar.
Sem importar o quanto essa decisão pudesse vir a custar-lhe.
Não havia mais nada que lhe pudessem arrebatar. Já lhe haviam roubado a sua família.
Era um homem desesperado sem nada a perder e não há nada mais perigoso que uma pessoa decidida e sem nada a perder.
E isso era algo que faria questão de lhes mostrar.
Nenhuma outra pessoa teria de passar pelo que ele passou.
Nenhuma outra família seria cruelmente esquartejada.
oOo
A porta do salão abriu, dando passagem a uma mulher morena nos seus quarenta e tantos anos.
— Vejo que já se encontra melhor, jovem Draco — disse a mulher, sentando-se ao seu lado e acariciando os seus loiros cabelos com uma ternura quase maternal.
— O que… O que é que aconteceu? — perguntou o mago, ignorando a sensação de secura no interior da sua boca.
— Um ataque de pânico. Tive praticamente de arrancá-lo do transe — explicou a senhora. — Por um breve instante pensei que o perderíamos para sempre.
— Nunca permitiria que tal acontecesse, muito menos quando estou tão perto da verdade.
— Fico feliz de ter sido de ajuda, jovem Draco, mas deveria cuidar-se mais. A dor que sente é demasiada. Deve exorcizar os seus demónios e livrar-se desse peso que está a matar a sua alma lenta e dolorosamente. Ninguém merece viver em eterna agonia.
— Está enganada, Sacerdotisa Evelyn, existe alguém neste mundo que é merecedor da agonia eterna.
"E vou assegurar-me que Ronald Weasley e os seus comparsas a encontrem", concluiu mentalmente, ao recordar que estes haviam torturado, estuprado e assassinado o amor da sua vida, bem como os seus queridos filhos.
oOo
Assim que chegou a Gringotts, Draco pediu permissão ao Head Goblin para iniciar uma investigação sobre Ron Weasley, suspendendo temporariamente as suas funções laborais.
Draco fechou a porta do seu escritório e escreveu uma curta missiva, mas concisa a Theodore Nott, onde solicitava acesso total à ficha de Ronald Weasley, visto que o seu velho amigo havia sido recentemente promovido ao Departamento de Recursos Humanos do Ministério da Magia.
Abriu a gaveta e retirou um envelope, abrindo-o lentamente e retirando um pedaço de pergaminho, amassado num momento de pura frustração.
"Nunca te perdoarei, Ron Weasley! Não te limitaste a cometer o crime…", olhou para o nome que assinava como o Auror a cargo da investigação da morte da sua família. "Tiveste de tomar o controlo da investigação afim de destruir as evidências e varrer o caso para debaixo do tapete, não é mesmo…? Vou descobrir quem são os teus cúmplices e quando o fizer… nenhum de vocês estará a salvo da minha fúria."
— Ora, vejamos… Próximo ítem da lista… Hmm… Penso que a Pansy será de ajuda para conseguir a avaliação mental do filho da mãe. Devias agradecer-me, Pan — disse o loiro, enquanto escrevia uma breve carta à sua amiga e confidente —, finalmente o teu sacrifício vai ser de bom uso. Não terás passado anos a estudar medimagia e a ser insultada pelos tão aclamados "heróis" para nada. O martírio a que foste submetida não será em vão.
oOo
No decorrer dos dias seguintes, Draco mergulhou de cabeça no meio dos relatórios médicos e psiquiátricos de Ronald Weasley. O homem de olhos prateados podia afirmar sem sombra de dúvida que agora conhecia o seu inimigo melhor do que a própria mãe do ruivo alguma vez seria capaz de fazer.
Draco avançou até ao seu quadro de suspeitos e fitou a foto do ruivo sem pestanejar uma única vez, pensando se este estava de facto na posição que lhe correspondia.
— Weasley nunca foi muito inteligente, pelo que duvido que tenha orquestrado o ataque sozinho. — Pegou num pedaço de giz e desenhou uma linha vertical acima da imagem do "líder", de seguida fez um quadrado e colocou um ponto de interrogação no meio. — O cabecilha tem de ser alguém com uma capacidade intelectual minimamente superior à deste paspalho sem cérebro. Ainda falta descobrir a identidade dos capangas dele. No total eram cinco pessoas, um líder e quatro lambe-botas. Se acrescentarmos o mandante, a mente-mestra, é uma quadrilha criminosa de seis pessoas.
Retrocedeu alguns passos até bater com as pernas na mesa, pegou na cópia ilegal que Theodore lhe conseguira da ficha ministerial de Ron Weasley e dispôs-se a analisar os relacionamentos profissionais dele, na esperança de encontrar referências cruzadas com a filha médica do assassino da luz da sua vida.
— Eles estão aqui algures. Só preciso de procurar bem… e tempo é algo que não me falta.
