CAPITULO 6

Bella não saía de seu assombro. Edward e Tânia. Tânia e Edward. Fazia cinco anos tinham estado a ponto de casar-se. Até que o pai de Bella tinha intervindo na escolha. Sentiu vertigem ante o significado deste fato.Tânia e Edward eram amantes. Por que insistia que ela seguisse sendo sua esposa? Por que tinha rechaçado sua própria liberdade? Por que não queria casar-se com o Tânia? Ou estava satisfeito mantendo à boa doutora como amante? Uma amante que não se reprimia na presença de sua esposa...

Bella se estremeceu. Não havia nada no juramento hipócrita que impedisse semelhante comportamento. Agora compreendia por que Edward não tinha querido lhe dizer tudo o que lhe havia feito em suas bodas com ela!.

Ele dizia odiá-la. Não podia ser de outro modo. E agora estava se vingando.

Bella afundou sua cara no travesseiro, com a sensação de ser a mais desgraçada e estar mais só que nunca. Do mesmo modo que Charlie Harrington tinha manipulado a vida de Edward forçando-o a uma vida que ele não tinha escolhido, cinco anos atrás, agora Edward queria que sua filha sofresse o mesmo destino pressionando-a para permanecer a seu lado.

Edward havia se sentido atraído por sua esposa no dia que esta lhe havia dito que estava apaixonada por outro homem. Até então tinha acreditado que ela ainda o amava, e a tinha estado castigando com sua indiferença para que pagasse os pecados de seu pai.

Inclusive ainda que não soubesse que Paul já tinha desaparecido de sua vida, estava disposto a conseguir que assim fosse. Talvez pelo de "olho por olho, dente por dente". Ele tinha sido privado de Tânia, possivelmente agora quisesse que Bella também perdesse a seu amor. Seu pai sempre tinha sido inalcançável por causa de sua chantagem, mas ela era um objeto fácil para a vingança. E Edward era um sádico. Inclusive tinha representado o papel de homem apaixonado com ela, quando agora ficava claro que tinha sido tudo planejado para desforrar-se. Em um momento ela tinha pensado que lhe tinha querido demonstrar que podiam ter um casamento de verdade, e que queria fazê-la cambalear em seu convencimento de que amava Paul.

Mas, agora, via que o motivo pelo que tinha feito amor com ela era ainda mais humilhante.

Ela tinha caído nas redes de sua maestria sexual. Ele a tinha seduzido para deixá-la mais confusa ainda. Bella se sentia degradada por sua própria vulnerabilidade.

O cansaço a tinha levado a um sonho intranquilo, mas, comprido. Despertou a meia-noite, e se deu conta de que estava dormindo há doze horas. Era evidente que fisicamente tinha-lhe feito bem, embora sentia-se muito faminta.

Vestiu a bata e foi procurar comida. Sua mente vagava por pensamentos escuros e angustiantes quando de repente se encontrou com Edward, silencioso, a seu passo para a suíte. Levou o maior susto de sua vida.

- Procura um telefone, pequena?

Na penumbra, os traços de Edward pareciam os de uma escultura.

- Um... telefone?

- Pela duração de suas chamadas com Woods, parece que encontra nelas um bom substituto do sexo – murmurou com insolência. - E está à quarenta e oito horas sem sua ração. De todos os modos, se isso for o que quer, poderia aceitar o desafio e te chamar de um telefone interno. Estou disposto a te demonstrar que isso eu também faço melhor que ele.

- É perverso!

- Estou começando a ter pena do seu pobre Adonis. Quanto tempo estão juntos? Dois meses e meio de carícias, suspiros, e doces conversações?

- É coisa minha! – gritou ela apertando os dentes de raiva.

- Mas como vê, morro por conhecer todos os detalhes...

- Tenho fome – disse com debilidade.

- Não acredito que estivesse faminta dele. Talvez sim de um romance e de que lhe prestassem atenção. Compreendo-a.

- É tão primitivo. Deveria estar em uma jaula! – Bella perdeu o controle ante a arrogância de Edward.

- Pelo menos me interesso pelos motivos que te levaram a se sentir atraída por um tipo de terceira classe como Woods! – soltou-lhe ele cheio de raiva.

- Tenho mau gosto, Edward. Não sabia? Depois de tudo ainda fui capaz de te escolher.

Bella se estava pondo cada vez mais furiosa. Edward não estava ciumento de Paul, mas sim se sentia ferido em seu orgulho de macho. Não podia suportar que sua esposa preferisse a outro. E não era um bom momento para admitir que Paul era tão de terceira como Edward havia dito.

- Necessita... – começou Edward.

- Bom, não necessito que me tire a roupa como da última vez.

Houve um silêncio impenetrável. Edward ficou olhando-a, e de repente soltou uma gargalhada. Bella estava vermelha de raiva e desconcertada. Quando fez gesto de seguir seu caminho, ele a reteve e a devolveu à habitação que acabava de sair.

- Havia dito que tinha fome, não? - Pedirei que lhe tragam comida – disse abruptamente.

Edward a sentou em um sofá. Ela entrelaçou suas mãos em um gesto de ansiedade que pretendia sufocar a revolução interna que lhe produzia sentir-se baixo a influência e ao poder de Edward. Era imprevisível. Alguma vez isso lhe tinha atraído enormemente. Era tão distinto a ela. Mas agora se dava conta do carisma que tinha. Tinha-o notado quando riu.

O que sentia? Saudades da situação, então? Sim, era extremamente atraente, devastadoramente sexy, muito sexy realmente. Não podia evitá-lo. Ele era assim, simplesmente. Tinha-o observado em festas, em jantares, como chamava a atenção de todas as mulheres. E era algo que ele sabia perfeitamente. Provavelmente sua mãe e suas irmãs o adoravam. Assim era natural que ela também se visse atraída por esse magnetismo. E que só um sorriso seu a deixasse indefesa. Era natural sua reação a ele. Não havia nada demais. Só que era uma mulher e que era humano.

- Me alegro de que se sinta melhor. Mas está muito séria.

Bella respirou fundo, e descobriu no rosto de Edward os rastros do estalo de humor que tinha expressado anteriormente.

- Temos que falar.

- É um pouco tarde já, pequena.

Ali estava o presunçoso de seu marido. Nunca a tinha levado a sério. Possivelmente não levava a sério a nenhuma de suas mulheres. Ou talvez fosse porque ela era loira e pequena, e uma vez tinha estado louca por ele.

Mas fazia cinco anos ele tinha erguido uma parede de gelo entre eles, e a tinha deixado em um mundo irreal que não era nem o de uma mulher casada nem o de uma solteira. E agora não lhe ocorria que seus sentimentos pudessem ter trocado, e já não estivesse interessada por ele. Nem muito que tinha podido sofrer.

Edward tinha dado por feito que ela não ia sacrificar um mundo de privilégios para ganhar sua liberdade. Mas essas eram as barreiras que Bella teria que romper.

- Edward, temos que falar. E se for possível, queria que não ficasse furioso, nem que me ameace ou fosse sarcástico.

Edward estava apoiado em um escrivaninha, e a olhava com indulgência, como quem olhe a um menino que quer demonstrar sua maturidade apesar da obviedade de seus poucos anos.

- Edward...

- Sua comida – Edward atravessou a habitação e foi receber a bandeja que lhe trazia um servente.

- Coma – lhe pôs a bandeja no colo.

- Sei do teu romance com Tânia Kiriakos.

- Alice. - murmurou Edward quase inaudivelmente com o cenho franzido. - O que é o que sabe?

- Estava comprometido com ela.

- Durante anos – admitiu ele.

Bella olhou a salada com apetite.

- Bom, entendo como sentiu quando Charlie te obrigou a romper com ela, e perder à mulher que amava.

- O momento não era o melhor...

- Não era o melhor momento?

- Eu conhecia Tânia de toda a vida. Estávamos comprometidos desde a adolescência. Não tínhamos decidido sido o desejo de nossos pais, o acordo entre duas linhas de navios. Tânia queria ser médica. Seu pai não queria, mas com meu apoio lhe fez ceder. Tanto Tânia como eu sabíamos que cedo ou tarde íamos decepcionar a nossos pais, mas enquanto isso jogávamos o papel que nos tinham atribuído.

- Jogavam?

- Se houvesse dito que não queria me casar com Tânia, seu pai a teria obrigado a casar-se com outro e lhe teria impedido que seguisse seus estudos de medicina – explicou Edward - Tânia é uma profissional entregue a sua vocação, que se dedica cem por cento. Não tem tempo para outra coisa. Não é o tipo de esposa que eu teria escolhido, nem eu o tipo de homem que ela teria desejado como marido.

Bella engoliu saliva. Havia algo que não casava com a imagem que ela tinha visto no hospital. Mas talvez era o produto de uma afetividade entre duas pessoas que se conheciam de toda a vida, e que não se viam desde fazia anos.

- Não estava apaixonada por ela?

- Faz tempo que acreditei que estava. Mas assim que ela se afundou em seus estudos, dei-me conta de que éramos incompatíveis.

- Queria que se dedicasse a ti exclusivamente.

- Conhece-me bem.

- Simplesmente era um comentário. E por que me disse que não tinha sido o melhor momento o do nosso casamento?

- O pai do Tânia me amaldiçoou por cortar a relação por causa da dedicação de Tânia a sua profissão, e ela começou a ter sérios conflitos com sua família antes de que pudesse ficar independente.

- E como reagiu sua família?

- Com horror e vergonha ante meu comportamento. Um compromisso é algo muito sério na Grécia, sobretudo para famílias tão tradicionais como a minha. Acusaram-me de desonrar o nome dos Andreakis Cullen. É certo que o compromisso ia romper-se de todos os modos, mas o fato de que eu me casasse imediatamente com outra pessoa aumentou as coisas.

- Sinto muito – disse Bella pensando em seu pai, que tinha dirigido as coisas sem lhe importar o dano que pudesse fazer.

- Agora já é impossível. Tânia se casou com outro doutor o ano passado. E ambas as famílias aplacaram sua ira. Embora não estavam dispostas a me conceder o direito a escolher nossos casais, penso que no fundo sabiam que não fomos feitos um para o outro.

Por que tinha interpretado mal uma demonstração de afeto amistoso entre duas pessoas? Talvez porque não lhe tinham ensinado a demonstrar suas emoções, a não ser às manter inibidas. Bella ficou pensativa enquanto comia lentamente a salada.

- Comporta-se como se eu fosse invisível para você. Quando faz isso me dá vontade de quebrar coisas e gritar – disse Edward.

- É infantil...

Edward encolheu os ombros.

- Há um menino em cada um de nós.

Bella ficou assombrada ante sua resposta. Não tinha se incomodado em aceitar sua parte infantil. Edward era uma caixa de surpresas.

- Por que não me deixa partir?

- É minha esposa.

- Não sou suficientemente boa para o papel.

-É até o certificado estar por aí – lhe recordou secamente ele.

- Mas meu pai está morto... Talvez o destruiu.

- Não destruiu nada. Charlie era muito preparado. Pode ser que o despreze, mas devo reconhecê-lo. Quem sabe o que terá planejado ante a possibilidade de que nos separássemos? Certamente alguém em alguma parte esteja autorizado para usar esse certificado para fazer mal a minha família...

- Não seja paranoico! – murmurou Bella. Começava-lhe a doer a cabeça.

- Não é um risco que queira assumir. Para ele, até sua morte, você estava contente sendo minha esposa. E certamente se assegurou que eu pagasse se me ocorresse me divorciar de você.

De todas as razões que tinha imaginado para que Edward quisesse seguir unido a ela, a de que estivesse obrigado a estar com ela eternamente essa era a pior. E talvez se não fosse porque já estava acostumado a essa condenação, até poderia ter exposto que um acidente com ela poderia liberá-lo.

- Ficou pálida.

- Dói-me a cabeça.

Recordava a fúria com que tinha ido procurá-la no hotel. E se dava conta de que não tinha nada que ver com sentimentos pessoais. Simplesmente não podia deixar que o abandonasse. Agora se dava conta da verdadeira dimensão dos fatos. Compreendia a raiva e o desassossego que teria sentido ele nos primeiros tempos de seu casamento. E que teria desejado que ela se apaixonasse por outra pessoa com seu pai ainda vivo, para que o deixasse livre. Por isso a tinha acusado de ser estupidamente fiel, obcecadamente fiel.

Bella quis retirar a bandeja. Edward se inclinou para ajudá-la.

- Posso fazer isso sozinha! – disse descontrolada, mas ele ignorou suas palavras.

Uma vez que se acomodou novamente na cama, cobriu-se com o lençol e ficou de barriga para baixo, incapaz sequer de olhá-lo.

Sentia-se sem um pingo de orgulho, sem um ápice de vaidade. Em uns minutos, Edward tinha dado volta em tudo. Que direito tinha a lhe pedir a liberdade? Gostasse ou não, tinha sido seu capricho por Edward o que a tinha levado a esta situação. Nem sequer Charlie a teria empurrado a casar-se com um homem que não amava nem desejava.

- Estará mais cômoda sem essa bata.

Bella ficou tensa. Por um momento se esqueceu de que ele estava ainda na habitação.

- Tanto faz.

- Precisa descansar, dormir uma noite inteira.

De repente sentiu umas mãos que lhe baixavam a bata, levantavam o lençol, e faziam cair o objeto. Logo voltavam a pôr o lençol em seu lugar.

Edward suspirou.

- Este é o meu quarto. - Se importaria se me mudasse novamente para cá?

- Já vou sair – disse Bella dispondo-se a levantar-se.

- Quero que fique.

- OH! – respondeu fracamente.

Não encontrava nenhuma desculpa para lhe negar que dormisse em sua própria cama. A amargura e o ressentimento, e a decisão de abandoná-lo se tinham feito em pedacinhos, mas, entretanto, ela seguia no meio do terremoto, procurando desesperadamente uma desculpa para não compartilhar a cama com ele.

Agora compreendia a razão da mudança de atitude de Edward. Esse dia em Paris tinha sabido que sua liberdade era impossível sem o certificado em suas mãos. E se tinha enfrentado aos fatos: se não podia conseguir ser livre, tentaria fazer sua prisão o mais suportável possível. Se não podia casar-se com outra mulher... devia encontrar algo positivo na que já tinha.

De repente, Bella se sentiu sem defesas. Ela era a culpado dessa situação. Primeiro tinha sido um homem que tinha demonstrado estar muito interessado nela, mas logo tinha tido uma atitude distante e fria nos seguintes encontros antes do casamento, que para falar a verdade tinham sido dois. Mas não o tinha imaginado. Estava louca por ele, e se havia dito que seriam os negócios que o preocupavam.

Um ruído a tirou de seus pensamentos. Então viu o Edward despindo-se. Bella fechou os olhos, mas escutava todos os ruídos, como o da água da ducha correndo. Devia ser um ruído normal na vida de qualquer mulher casada, menos para ela. Imaginou o panorama. Toalhas úmidas jogadas em um flanco, e tudo em desordem.

Uma vez tinha estado na parte da casa que habitava Edward, depois de haver-se ido ele pela manhã, e o tinha visto com seus próprios olhos. E tinha tido a terrível sensação de que não podiam viver mais separados dentro de seu casamento.

Sempre se havia sentido como uma estranha em sua casa. Jamais tinha movido um móvel, nem posto de maneira nenhuma sua assinatura em algum detalhe da casa.

Aquele dia em que viu seu banho tinha sido o começo de seu afastamento de Edward. Hoje, em troca, era o dia do quebrantamento daquele dispositivo para defender-se.

De repente o ouviu cantar na ducha. Parecia tão contente...

Ao levantar a vista o viu ao lado da cama, olhando-a.

- Volte a dormir – disse.

Bella fechou os olhos. Ouviu o suave ruído da toalha cair de seu dourado corpo. O colchão se afundou levemente, o lençol se moveu e então se apagou a luz.

Não houve mais que silêncio. Bella estava tensa, quieta como um cadáver, mas, mais acordada que nunca sabendo que ia dormir com o Edward nu a um palmo dela. Cada movimento dele a alarmava e lhe aumentava a tensão.

Morna e relaxada, Bella se moveu lentamente, e o corpo a seu lado, esticou-se. Abriu os olhos azuis e se encontrou com uns olhos negros. Seu olhar intenso a deixou turvada. Sentiu um tombo no coração, um calor em aumento. Encontrava-se tonta, sem fôlego, e com a sensação de ter perdido toda racionalidade.

A ponta de um dedo se posou sobre o lábio dela.

- Abre a boca. Quero provar seu sabor – disse Edward com ansiedade.

Sugestionada por seu olhar, Bella obedeceu instintivamente. Com um gemido de satisfação, ele levou então suas mãos ao corpo dela, sobre os quadris e as costas, enquanto sua boca faminta procurava a dela com intensidade.

A ponta da língua de Edward abriu caminho entre os lábios abertos dela, e logo provou o interior de sua suave cavidade, algo que lhe fez estremecer.

Com mãos insistentes, baixou-lhe as alças da camisola, deixando ao descoberto a ponta erguida de seus seios. Acariciou-os com suavidade. Acomodou o quadril ao dele, enquanto suas coxas tremiam em resposta ao torvelinho de sensações que experimentava. As mãos de Bella, então, entraram na cabeleira negra dele.

Quando ele deixou de beijá-la, o coração dela bombeava rapidamente. Edward brincou com os seios de Bella, deslizou sua língua pelo vale que se estendia entre eles enquanto suas mãos brincavam com os bicos que tinha formado anteriormente. O calor surgiu no interior de Bella como um fluxo violento que respondia às carícias íntimas de Edward. Bella gemeu, governada pelas deliciosas sensações que a atormentavam.

Transformou-se em uma pulseira da paixão. Com um gemido suave que antecipava outro beijo apaixonado, Edward a apertou contra ele, levando suas mãos aos pequenos cachos na juntura de suas pernas. Procurou a suavidade que se abria mais dentro, e com suave maestria a invadiu para que em cada novo movimento a resposta dela fosse cada vez mais intensa.

Era uma doce agonia de deleite que a deixava sem fôlego. Os quadris dela se moviam, rebolavam e elevavam como por própria iniciativa, à medida que o desejo ia aumentando até um grau quase insuportável. Então Edward a levantou levemente e se colocou entre suas coxas para que o corpo dela se encontrasse no ponto exato com o dele. Edward gemeu de prazer, e se enterrou nas profundidades de Bella.

Bella pareceu ceder e adaptar seu corpo à invasão dele, apesar de que a sensação, que era ainda nova, surpreendeu-a. Edward se movia dentro dela, criando em Bella uma necessidade insaciável que ardia em seu interior. Involuntariamente os dedos de Bella procuraram as costas de Edward e a percorreram. Então, Edward deu passo ao êxtase no momento em que a possuiu tão plenamente que ela acreditou enlouquecer de prazer. E quando ela se liberou daquela tensão de prazer, pareceu consumir-se durante um tempo longo, interminável, que a deixou em uma sufocada quietude.

- Diz-se que quem sabe esperar alcança o céu... – disse Edward brandamente, abraçando o corpo de Bella contra o calor do dele. - Mas a paciência nunca foi uma de minhas virtudes.

Bella estava totalmente exausta, e não podia pensar. E quando sua mente se dispunha a ordenar-se depois do caos de sensações vívidas, dormiu. Quando despertou novamente as cortinas estavam abertas, o sol brilhava no céu, e havia uma bandeja com o café da manhã a um flanco da cama. Procurou o Edward e descobriu que ele se foi, o que a fez sentir imensamente sozinha.

Era o meio-dia, mas ela não fazia mais que pensar no que tinha passado ao amanhecer. Sua camisola estava atirada no tapete como prova acusadora disso. Suspirou de pena ante a evidência do horror.

Ele a tinha despertado no meio da noite, para que não soubesse o que estava fazendo. Tomou banho com fricção, mas não pôde apagar os rastros do íntimo contato dele.

Por que lhe jogava a culpa? Perguntava-se. Por que se enganava pensando ser ele o único responsável pelo que passava cada vez que a tocava? A verdade era que quando Edward a tocava ela se derretia, perdia o controle, algo óbvio para Bella, e que certamente não escaparia a ele. Sem nenhum esforço, lhe tinha ensinado a necessitá-lo, sem saber bem de que maneira o necessitava.

Cinco anos atrás o instintivo desejo dela a tinha incomodado na presença dele. Não tinha estado preparada para semelhante intensidade. E quando Edward tinha decidido que dormissem separados, tinha sido um alívio esquecer-se dessas sensações que a tinham aflito na presença dele. Mas quando Edward tinha decidido romper essa parede que os separava, a paixão tinha emergido em toda sua magnitude.

Mas agora se dava conta de que não o tinha deixado de desejar, igual como não tinha deixado de comprar suas meias três quartos. Era tão penoso aceitá-lo... Não sentia saudades de que se ria dela.

E os arranjos florais que colocava na ala da casa que ele ocupava, talvez queriam lhe recordar que ela existia... obstinado-se a isso como à compra de suas meias três quartos.

Tampouco tinha se transformado de singela adolescente a uma das mulheres mais elegantes de Londres por acaso. Provavelmente o tinha feito para ele. Era patético amar a um homem tão cegamente...

Porque ela o amava. Tinha querido derrotar a esse amor com a arma da relação com o Paul e lhe negar sua existência lutando inconscientemente por conseguir a liberdade que sua dignidade lhe pedia. Mas nada tinha mudado. Edward não a amava, nem a amaria jamais. Só se via unido a ela sem remédio. Por outra parte, para ele o sexo era algo fisiológico quase. Despertava junto a um corpo de mulher e já se sabia o que ia passar, o único imprevisível de Edward. Assim não devia acreditar-se que de repente se converteu em uma tentação para o Edward. Ele era um homem muito viril e só procurava a satisfação de seus instintos.

Mas não a deixaria partir até que esse certificado não aparecesse. De repente sentiu desejos de saber mais. Era um certificado de casamento? Uma certidão de nascimento? Um certificado de propriedade de ações? Seguiu enumerando possibilidades. As duas primeiras lhe pareceram pouco possíveis. Edward havia dito que estava protegendo a sua família. Nunca tinha falado sobre ele diretamente. Teria cometido algum tipo de delito sua família? Desfalque? Sonegação de recursos?

Vestiu um vestido azul e foi dar volta no terraço que deixava ver ao longe o mar e os escarpados. Em outras circunstâncias teria querido tirar uma foto da vista espetacular dali, explorar a casa, mas só ansiava encontrar ao Edward. Ele estava no terraço, e quando a ouviu chegar se deu a volta.

Ela duvidou ante seus olhos negros que pareciam penetrá-la, e se sentiu tão desorientada que não sabia se deveria aproximar-se dele ou não. Não podia desviar a vista de suas feições douradas e imediatamente recordou como se sentiu horas antes.

Edward lhe dedicou um sorriso e foi a seu encontro.

- Como se sente?

- Bem...

- Só bem? Parece estupenda – ele a olhou percorrendo seu corpo com um olhar possessivo. Demorou-se no cabelo loiro cinza, na delicada perfeição de sua cara. Percorreu-a de cima abaixo, com descaramento. - Estupenda... – adicionou tomando as mãos.

As palavras do Edward puseram em alerta a seu coração.

- Edward...

- E só minha – ele completou a frase com satisfação.

As palavras dele pareciam frear o que estava a ponto de dizer.

- Interrompo algo? – sobressaltou-lhes a voz da Alice.

- Não, absolutamente – sorriu Edward, soltando as mãos de Bella.

- O pessoal está preparando o almoço – explicou Alice, observando como Edward aproximava uma cadeira da mesa e fazia sentar a Bella nela.

Bella era consciente de que suas mãos tremiam. Edward parecia comportar-se com calidez. Mas certamente era seu comportamento normal com uma nova amante. Porque esse era agora seu papel. Embora bem distinta das outras mulheres às que ele levaria a cama. Mas o encanto se desvanecia em seguida. Edward se aborrecia das mulheres facilmente. Ela o tinha sabido sempre.

Serviram-lhes o almoço.

Edward não lhe tirava a vista de cima, algo que inquietava a Bella, e que a fazia levantar a taça de vinho mais da conta.

De repente soou o celular de Edward. Ele atendeu a chamada uns metros de distância, onde se encontrava o aparelho.

- Morro de vontades de que o resto da família lhe veja!

- Como? – Bella desviou o olhar do rosto de Edward, que lhe dedicava um sorriso de onde falava por telefone.

- Se parecem recém casados em sua lua-de-mel. Quando decidi vir lhes ver, não imaginei – disse Alice. - Vou nadar agora. – Os verei mais tarde.

Bella baixou a cabeça, e voltou a sorver o vinho.

Tinha decidido falar com o Edward seriamente. Mas, então a tinha apresentado um Edward que a tratava atentamente, e que a fazia sentir uma mulher muito desejável.

Nesse momento, Edward se aproximou dela e a rodeou por detrás, surpreendendo-a uma vez mais. E novamente comprovou que seu coração a traía quando sentiu o calor do corpo vigoroso e masculino de Edward.

- O que ocorre? – perguntou ele.

- Há algo que temos que discutir...

- Esquece-o. Se a discussão tiver algo que ver com o divórcio, a separação, o celibato, ou Woods, é melhor que se mantenha calada.

Bella sentiu uma sensação absolutamente inesperada: de certo modo se alegrou das palavras de Edward.

- Não se trata disso.

- Então não é importante.

E antes de que ela pudesse lhe responder, ele posou a boca sobre a dela, lhe dando ao beijo um sabor ainda mais doce com o aroma do vinho.

- Desejo-te novamente.

E ela o desejava tanto. De repente se encontrou imaginando cenas eróticas que a invadia sem poder evitá-lo, uma experiência nova para ela. Evocava-lhe sem o menor esforço a paixão vivida a noite anterior. Nem sequer lhe tinha que dizer palavras bonitas nem compridos. Uns poucos beijos, e ela se transformava em seu brin-quedo sexual, em uma boneca capaz de atender todas as demandas. Essa imagem lhe deu forças para afastar-se dele.

- Tenho que falar com você. E penso que é melhor que vamos lá para dentro.

- Podemos falar na cama – a olhou ele com descaramento.

- Mas acabou de se levantar da cama!

- Mas estou desejoso de voltar para lá.

E Bella se deu conta de que ela também o desejava. Que seus mamilos se endureceram, que o calor voltava para seu corpo.E que se baixava a guarda um segundo, ele se aproveitaria de sua debilidade.

- Parece-me que é muito sexuado.

- Está se queixando? – disse ele sorrindo.

Bella se afundou no sofá.

- Meu Deus! Seus pés não tocam o chão! – riu Edward, sentando-se frente a ela. - Fala, então.

- Estive pensando...

- Perigoso! É um costume que deve trocar, esse de pensar – interrompeu Edward zombadoramente.

- A respeito desse certificado...

- E o que temos que falar a respeito desse certificado?

- Devemos encontrá-lo. E pensei que talvez possa me dar alguma ideia do conteúdo do certificado.

- Não! – disse ele trocando totalmente o humor.

- Quanto menos gente saiba, mais segura estará minha família.

Por isso se via que ela não fazia parte de sua família.

- Não confia em mim.

- A confiança não joga nenhum papel neste caso.

- E a pessoa em que menos confiaria é na filha de Charlie Harrington.

- Não disse isso.

- Não faz falta. Tratou-me como se fosse uma leprosa durante muito tempo.

- O passado é passado.

- Como pode dizer isso se estiver disposto a que eu conviva com ele? Pensei que talvez se soubesse algo poderia te ajudar a encontrar esse certificado – disse ela.

- Ah! Agora o entendo. Quer ele como passaporte para sua liberdade. Acha que com esse certificado em meu poder te deixarei partir.

- Não é isso o que quer também?

- Queria-o desesperadamente faz cinco anos! E faz uma semana pensei que tinha esse certificado. Mas algo mudou em mim desde que descobri que essa caixa não o continha. Pensei que era o final de um assunto. Não quero perder o tempo em uma busca infrutífera. Terminou-se tudo!

- Não – disse ela reprimindo as lágrimas. - Não terminou enquanto ainda estejamos juntos.

- Isso não era o que pensava enquanto fazíamos o amor. Ou quando morria de desejos em meus braços.

- Por favor... – disse indefesa ante a acusação.

Edward se aproximou de Bella e lhe rodeou os ombros com as mãos.

- Quando está na cama comigo é quente como o fogo. Você gosta de tudo o que lhe faço. Você gosta de tudo o que lhe dou. E o que lhe faço sentir. Comigo se abandona, perde o controle, morre de desejo...

- Como pode me falar desse modo? – Bella se estremeceu ante suas palavras.

- Pode ser uma prostituta em minha cama, e não me importa nada como é na cozinha ou no salão! – disse com ênfase de uma vez que a olhava profundamente. - Mas tire de cima essas fantasias adolescentes de amor verdadeiro com o Woods. Não ocorrerá jamais enquanto eu estiver vivo. É minha mulher. Aceita à ideia antes de que perca a paciência!

Edward saiu batendo a porta. Ela então respirou.

Bella pensou então que talvez seria melhor dizer a verdade a Edward a respeito de Paul. Mas a ideia, depois das duras palavras de Edward, não a convencia.

"Quente como o fogo", "abandonada, uma prostituta..." Tinha razão. Rebaixou-se a um nível absolutamente primitivo, deixou-se tirar seus princípios, sua decência, sua inibição. E entre esses princípios figurava o principal: para ela não podia haver sexo sem amor.

Bom, Edward podia voltar para suas garotas bonitas. Tanto faz.. Não! Não era verdade! A ideia do Edward com outra mulher lhe parecia intolerá um soluço afogado, Bella abandonou a habitação.