CAPITULO 7
- Edward está trabalhando? – perguntou Alice.
- Provavelmente – respondeu Bella.
Bella acabava de dar-se conta da ausência de Edward. Cinco anos de solidão certamente a teriam acostumado a não jogar o de menos. Mas a relação entre eles tinha cambiado tão subitamente que Bella desejou voltar para os velhos tempos em que se sentia separada dele.
- Esta tarde esteve no botequim. - Comentou um dos pescadores. - Está zangado com algo, não? – Alice perguntou com um gesto de desgosto.
- Sim, tivemos uma discussão.
- Embora tenha um caráter muito forte, estranha quando perde o controle. Mas dá no mesmo, já que minha família não sabe muito bem como manejar suas mudanças de humor. Minha avó jamais eleva a voz. Nenhum deles a levanta. Não sabem o que fazer quando Edward fica assim. A única vez que o vi, resultou-me fascinante.
Alice olhava atentamente a Bella, para ver sua expressão e esperar sua resposta. Mas Bella permaneceu em silêncio, embora com o cenho franzido.
- Eu devia ter uns onze anos quando ouvi falar com minhas duas tias sobre Edward. - Perguntavam-se então os quais eram seus pais naturais. - Eu nem sequer sabia o que queria dizer isso.
Bella ficou pasmada.
- Seus pais naturais...?
A cara da Alice ficou séria.
- É obvio eu fui o suficientemente estúpida para ir perguntar a minha mãe e ela ficou furiosa. Passaram anos até que pude compreender que em minha família a adoção era um tabu.
- Sim – reconheceu Bella, fingindo saber do que se tratava. Mas internamente não saía de seu assombro.
- Ninguém fala disso nunca. Todos os de fora pensam que Edward é filho de minha avó. Se minha avó tinha então quarenta e oito anos!
Bella estava se sentindo incômoda ante a conversação. Era evidente que a curiosidade de Alice não tinha sido satisfeita em seu momento, a não ser justamente o contrário.
- Que fosse um segredo certamente o fez mais difícil para o Edward.
- O tema da adoção é mais bem aceito agora que há trinta anos atrás – disse Bella respirando fundo. - Mas é um tema muito delicado, não devíamos falar disso, Alice. - E, por outra parte, eu não sei nada mais que você.
- Sinto muito, não sei como me ocorreu falar do tema ...
- Porque sou parte da família, suponho. Mas acredito que Edward tem direito a manter uma certa confidencialidade a respeito disso. E pode ser que me equivoque, mas não acredito que goste que lhe fale do tema.
- Não me ocorreria.
Depois de despedir-se de Alice, ficou pensando no que tinha descoberto nesse dia. Era algo que lhe inquietava. Não sabia nada a respeito de Edward, e isso lhe incomodava. Na habitação descobriu um enorme piano, e decidiu sentar-se na poltrona frente a seja que Edward era um Andreakis Cullen adotado. E Bella não devia incomodar-se pelo fato de que Edward jamais o tivesse mencionado. Edward tinha três irmãs, mas certamente seus pais teriam querido ter um varão. Era evidente que a família o teria querido ocultar. Era certo que ninguém fora da família sabia. Ela mesma tinha lido muitas notícias sobre ele nos periódicos, e em nenhuma delas se fazia menção a isso.
A que idade teria se informado Edward da verdade? Teriam sido mais sinceros com ele que com as pessoas de fora? Em caso de que o tivessem oculto, teria sido um choque certamente.
Bella interpretava um concerto de Chopin, que era o tipo de música com a que estava acostumada a acompanhar seus pensamentos mais profundos.
Esperava que Alice fosse discreta. Certamente Edward não queria que se inteirasse mais gente, e por isso não havia dito a ela. Ou talvez era um tema que não lhe importava já, em sua vida de adulto.
Era evidente que ele estava muito unido a sua família. Inclusive tinha sido capaz de casar-se com alguém a quem não amava para protegê-los, deixando seus próprios desejos de lado. Embora lhe fosse difícil apreciar seu sacrifício, tendo em conta que também a tinha sacrificado.
"Meu Deus", pensou. Como podia viver ela em um casamento em que não se compartilhava nada mais que uma cama?
Mas era tarde para essas reflexões. Não tinha escolha. Mas se tivesse tido escolha, realmente teria tido forças para deixar Edward? Era melhor aceitar estas migalhas que ficar sem pão?
Bella, fora de si, levantou as mãos do teclado.
- Não pares!
Bella ficou rígida. Lentamente girou a poltrona, e encontrou com Edward na sombra, ao lado da janela. Parecia estar tenso. Brilhavam-lhe os olhos, usava a camisa meio desabotoada e uma barba incipiente e escura.
- Toque para mim – disse cortante.
Bella voltou para o teclado, e tocou nervosamente, expressando em cada nota discordante um certo desafio.
De repente umas mãos lhe capturaram os braços. Fez-se o silêncio, interrompido apenas por sua respiração entrecortada. Sentiu um calafrio em todo o corpo quando ele se inclinou por cima dela.
- Por que ? – perguntou ele, soltando os braços.
- Não sou sua pulseira – murmurou tremendo. Mas não era esse o motivo de sua agressividade no piano. Bella recordava a primeira vez que a havia ouvido para ele. A música era para ela uma forma muito pessoal de expressão. Tanto que não a podia compartilhar com ele.
- Toca – disse ele novamente.
- Não tenho partitura.
- Pode tocar durante horas sem elas – recordou ele.
Bella, intimidada e desgastada pela presença de Edward começou a tocar com desenfreio, uma parte daqui, outra de lá. Mas não queria tocar, por isso cometeu vários enganos, e finalmente abandonou.
- É muito obstinada. - Detrás desse aspecto frágil, esconde-se uma personalidade forte.
Entretanto, Bella se sentia muito fraca nesse momento. Levantou-se lentamente, sem olhar ao redor.
- Me fale dele – disse Edward com calma. Tinha interrompido o passo, e não a deixava sair.
- Não sei do que fala...
- De seu amante...
- Não acredito que se interesse saber nada dele.
- Não? Onde o conheceu ?
- No Harrods.
- No Harrods?
- Sim, conhecemo-nos ali e me convidou para tomar um café.
- Ficou com ele no Harrods?
- Não fiquei com ele!
- No Harrods! – repetiu ele como se não pudesse acreditá-lo. - E onde foi parar o assunto depois do café?
- A nenhum lugar. Encontrei-me novamente com ele na semana seguinte.
- Deixe que eu adivinhe, o mesmo dia, no mesmo lugar, à mesma hora...
- Não me lembro.
- Esperava vê-lo outra vez.
Bella ficou calada. Foi para a janela e ficou olhando a escuridão da noite iluminada pelas estrelas, e o mar ali abaixo. Edward não tinha direito a lhe fazer essas perguntas. Ficou furiosa.
- Ou seja que o caso começou no Harrods... E em que zona do Harrods?
- E o que importa onde?
Edward se sentou em um sofá e estirou as pernas, simulando que se relaxava.
- Quero fazer uma ideia da cena. Foi em uma lingerie fina ou no salão de comidas?
- Nego-me a responder a uma pergunta assim.
- Melhor deixá-lo liberado à imaginação. Mas, me conte, como foi ganhando território...
- Muito fácil.
- Eu não estava ali, essa é a única razão pela que foi fácil.
A arrogância do Edward a fez decidir não confessar a verdade sobre sua ruptura com Paul. Via que Paul era a única arma para defender-se. E Bella tampouco lhe confessaria que nos braços de seu marido havia sentido algo mais que atração sexual. Por nada do mundo ia deixar lhe saber que estava apaixonada por ele.
Recordava perfeitamente aquele dia em Paris em que tanto a tinha desprezado pensando que ela ainda o amava. E não se perdoaria jamais dizer-lhe. Que amasse Edward não queria dizer que não soubesse quão desumano podia chegar a ser. E admitir seu amor a faria totalmente vulnerável. Talvez fosse o tipo de mulher que associa o amor com a dor, uma vítima de sua própria condição. Sentia uma raiva por Edward, mas era consciente de que também desfrutava de que nesse momento ele tivesse posta toda a atenção nela.
- Não o ama. Se o amasse teria ido à cama com ele na primeira oportunidade que se apresentasse.
- Acredite ou não, há gente que é capaz de conter-se!
Edward se acomodou no sofá e com olhos zombadores lhe disse:
- Não parece que se contem muito comigo.
Bella se sentiu pior ainda.
- Não é que me queixe – sorriu Edward - O desejo é algo que está de acordo com meus instintos naturais... parece-me melhor que apaixonar-se cruzando olhadas entre couves de bruxelas. Foi no andar de alimentos, não é verdade? Um verdadeiro romance.
- Paul tem mais de romântico em um só dedo do que você pode ter em todo seu corpo – gritou Bella zangada.
- Sim, convidou a um café. Eu teria levado a um hotel próximo e teria derramado champanha sobre os seios... E lhe asseguro que teria gostado mais.
Bella ficou pálida. De repente pensou em quantas mulheres teriam sido banhadas em champanha por seu marido.
- Não me meta no mesmo saco com todas suas mulheres! Vou para cama!
E decidiu que não iria a sua cama. Por isso entrou no dormitório principal, recolheu umas poucas coisas, e saiu. Um quarto de hora mais tarde, ela estava deitada na cama de um dormitório no final do corredor e com a porta passada a chave.
Se estavam condenados a estar juntos, isso não queria dizer que tivesse que dormir com ele. E se arrependia de ter estado na cama com ele. Perdeu o respeito.
Um ruído a alertou. Então viu uma sombra escura e silenciosa que entrava pela janela da habitação. Esteve a ponto de gritar, até que viu os traços de Edward que iluminavam com a luz da lua.
- Me diga, este jogo de camas separadas é parte do plano para fazer mais romântica nossa relação? Supunha que eu ia subir com uma rosa entre os dentes e uma caixa de chocolates?
- Há uma altura considerável da janela até a praia aí abaixo. Poderia ter se matado.
- E se caísse seria um problema para você.Teria muito que explicar?
Edward nem se alterou ante as amostras de horror que tinha dado ela ao saber como se arriscou. E era um risco inútil, absurdo para alguém como ela. Mas não para o Edward. Gostava do risco.
- Está louco! – disse ela nervosa ante o que poderia ter passado.
- Dar batidas na porta não era um bom sistema com Alice em casa. E teria assustado aos criados. Não gostaria de parecer que fazia mau.
- E você não faria parecer mau? – perguntou ela, impressionada ainda pelo que tinha feito.
- Não, porque é a habitação de minha esposa, e estava trancada. Para os gregos isso é uma provocação.
- Poderia ter se matado! E haveria valido a pena?
Edward se meteu no outro lado da cama, e lhe dedicou um sorriso de satisfação.
- Pergunte-me isso pela manhã – esclareceu ele, aproximando-se dela.
- Não! – gritou Bella com pânico. - Se for dormir aqui, eu dormirei em outra parte!
- Você não dormirá comigo. Dormirá no chão.
- É obvio que não! O que pensa que sou?
- Esperas que me desculpe pelo que te disse hoje? – disse ele apoiando-se sobre os travesseiros.
- O que?
- Mas o que você tomou como um insulto, eu o considero um completo elogio. Me mostre algum homem casado que não queira uma esposa apaixonada.
Bella se estremeceu.
- Chamou-me de prostituta.
- Não é verdade. Eu disse que me alegrava que se comportasse como uma delas em minha cama. Embora necessitaria umas poucas lições para ter o diploma – murmurou ele com provocação. - E morro por lhe ensinar isso. Que mais posso dizer em minha defesa?
Bella estremeceu. Edward a fascinava inclusive quando estava zangado. Tinha um tremendo carisma.
- Não podemos viver juntos deste modo.
- Acabamos de começar – Edward saltou da cama, e a estreitou antes de que ela pudesse remediá-lo.
- Não! – a fúria da boca de Edward a silenciou. A força de seus braços a tomou de surpresa. Bella apertou os punhos e lhe empurrou. Mas imediatamente o desejo também se apoderou dela.
Os lábios dele pressionaram a boca de Bella, inundando-a em com uma onda de excitação. O sangue galopava em suas veias, o calor em seu corpo ia aumentando.
Sentiu o frio do lençol nas costas quando ele a deitou na cama. Olhou-o com desespero, e ele foi até seus seios, que tomou e acariciou com gesto possessivo. A resposta dela não se fez esperar, e tampouco pôde ocultar.
- Isto não é o que quero... – murmurou ela brandamente, tratando de vencer o desejo que a ameaçava.
- Mas você me deseja...
- Não!
- Sim.
Edward brincou com seus lábios. Ela descobriu a doçura do uísque em sua boca, e a aceitou, resignada que a maestria dele a levasse por caminhos de prazer inexplorados.
- Deseja-me... tanto como eu.
Bella gemeu de prazer quando ele se aproximou com sua boca aos mamilos, esticando o corpo dela como um instrumento de prazer.
- Admite-o... – exigiu-lhe Edward, afundando suas mãos detrás do quadril dela e empurrando-a contra ele.
- Sim, sim! – por fim admitiu Bella.
Tinha sido um grito de derrota. Ela se tinha rendido ao calor de sua boca e suas mãos seguras, mas em seu interior, ela sentia que tinha cedido algo mais importante ainda, imprescindível para sua sobrevivência.
