CAPITULO 8
Bella estava sentada na praia, à beira do mar, abraçada a suas pernas flexionadas, escutando o sussurro do vento. O ritmo das ondas tinha um efeito tranqüilizador, e o calor que ia dourando pouco a pouco sua pele, deixava-a em um estado de preguiça e calma que quase dormitava. Quantos dias tinham passado? Dez, onze? Tinha perdido a noção. O importante era que Edward estava com ela. Não estava por chegar, nem por ir-se, nem ia deixá-la sozinha durante intermináveis semanas, e esse convencimento lhe dava uma crescente segurança. Sentia-se feliz, tanto que por momentos lhe dava medo.
Quando fazia um balanço de sua vida anterior, não recordava haver se sentido assim nunca. E lhe assombrava que um motivo tão prático como o que tinha levado o Edward a pôr o melhor em seu casamento tivesse produzido a mudança, e que a tivesse feito feliz.
Mas ela amava a Edward Andreakis Cullen. Era normal que se sentisse feliz por compartilhar intermináveis horas com ele, que eles fizessem amor uma e outra vez, fazendo-a sentir a mulher mais desejável do mundo. Então do que se queixava?
Nada era perfeito. E ela tinha o que sempre tinha desejado. Tinha a Edward. Tinha de Edward mais do que qualquer uma de suas mulheres tinha tido. Comportava-se como um marido. Começava a falar de "nós", "nossos", e parecia pensar em termos de um casamento. E isso era um lucro nele.
Embora tivesse uns laços familiares estreitos, era evidente que Edward era uma pessoa individualista. E embora era aparentemente extrovertido, guardava em seu interior um aspecto muito reservado de seu caráter, que contrastava também com a arrogância que às vezes mostrava. Quanto às emoções resultava mais fácil ser sarcástico que cândido.
Bella jogava com a areia e se perguntava se realmente importava que não a amasse. Porque ele a desejava, desejava-a sempre, em todo momento. Mas alcançaria isso? Aonde iria parar esse sentimento com o tempo? Aborreceria-se Edward? O que seria deles depois de um ano de relações? Essa era uma pergunta que ninguém podia responder.
Uns passos interromperam os pensamentos de Bella. Dimitri, um empregado da casa, aproximava-se dela, com um pacote que parecia ser o almoço preparado para fazer um piquenique. Saudou-a em um inglês pausado e cuidadoso, e depois, com grande cerimônia, estendeu a toalha sobre a areia. Pôs nele duas garrafas de vinho e dois copos de cristal.
- Kyrios Andreakis Cullen chegará em poucos minutos – informou Dimi-tri.
- Obrigada. Isto tem muito bom aspecto – respondeu ela.
Bella espiou na caixa sem desembrulhar e sem lhe dar água na boca.
- Não lhe agrada, kyrie?
- Não faz falta – respondeu Bella, tratando de dissimular seu entusiasmo, quando o criado deixou o saca-rolha sobre a toalha.
Era o último dia que passariam na ilha, pensou Bella com tristeza. Ao dia seguinte voariam a Atenas, e conheceria resto da família. Alice tinha ido fazia há dois dias, compreendendo que talvez era uma moléstia para dois apaixonados.
Edward se aproximou dela com um sorriso largo. Usava um par de jeans gastos e transformados em calças curtas, e o peito nu. Seu aspecto era irresistível, mas o sorriso era o que mais seduzia a Bella.
Por um momento pareceu ter um ar juvenil e vulnerável, mas logo deixou passo a um olhar mais profundo, interrompida pelo pestanejo de cor ébano, pelo que qualquer mulher se renderia a seus pés.
- Fica bem de branco – lhe disse olhando a roupa do Bella e sentando-se na areia.
- Estava de branco no dia que nos conhecemos – não soube por que o disse, na realidade lhe tinha escapado.
- Sim – respondeu Edward tenso, e levantou o saca-rolha.
Não queria falar do passado. Era evidente. Mas ela, sem querer, ignorou seu desconforto.
- Tomou uma grande moléstia vindo até aqui para estar comigo, não?
- Sim? Me dê seu copo.
Bella elevou os dois copos, e concentrou sua atenção na boca sensual de Edward enquanto este servia o a sensação de que quanto mais perto estavam, ele mais se afastava dela, pondo uma distância quase invisível, como se não confiasse nela. E por que ia confiar nela? Ao fim e ao cabo, ele pensava que ela ainda suspirava pelo Paul.
Por que não lhe havia dito a verdade ainda? Por orgulho? Por ego? Ou porque a existência de Paul o tinha levado a querer lhe demonstrar que era sua verdadeira esposa? Edward era muito competitivo, possessivo, defendia seu território. Tinha-a mantido apanhada como a uma mariposa, a quem tinha impedido o voo durante cinco anos, mas no momento em que ela tinha podido escapar e levantar sozinha o voo sem prévio aviso, tinha querido estabelecer um desafio. Não tinha podido suportá-lo. E se lhe contava a verdade, perderia Edward seu desejo por ela? De repente Bella se sentiu incômoda ante essa realidade. Não lhe parecia muito conveniente jogar com uma pessoa como Edward.
- Isto é para você – disse ele lhe estendendo uma caixa ante seus olhos.
Quando abriu lhe deslumbrou o brilho da safira e o diamante que formavam o formoso anel.
- É lindo – atinou a dizer ela, com certo acanhamento, e logo por fim, atreveu-se a olhá-lo.
- É um anel para a eternidade...
- Sim, eu sei – disse ela fazendo esforços por não chorar de emoção.
- Por que está tão impressionada? - É um presente simplesmente. - Bebe seu vinho antes de que esquente – a incitou Edward.
Ele sabia perfeitamente por que ela estava tão assombrada. Edward jamais lhe tinha comprado um presente. Nunca lhe tinha dado mais que dinheiro. Inclusive nos Natais e aniversários não lhe tinha dado mais que dinheiro. Tinha depositado grandiosas soma em sua conta, mas jamais lhe tinha dado nada para desembrulhar. E todas as jóias as tinha comprado ela. Muitas vezes nos jantares que preparava, perguntavam-lhe por alguma peça especialmente bonita, e ela dizia que Edward a tinha dado, pensando em que efetivamente o dinheiro era de Edward, mas sabendo que não era de tudo certo o que dizia. E a lembrança amarga de outro tempo nesse momento lhe deu vontade de chorar.
- Não o quer – afirmou ele com uma atitude hostil, que a surpreendeu.
- É obvio que sim! – disse ela colocando-o junto à aliança de casamento rapidamente, na suspeita de que se não o fizesse a qualquer momento ele o tiraria e o jogaria no mar.
Edward afrouxou a tensão do rosto. Ela então se deu conta de que também lhe inquietava a situação, e de que se sentia culpado desses terríveis anos de presentes impessoais.
- Meu pai estava acostumado a me dar de presente dinheiro também. E nunca esperei outra coisa dele. A única vez que me deram um presente...
- Fui eu? E eu não fui um presente propriamente dito, não? – disse ele com uma risada forçada e triste.
- Ia dizer que o único que me deu de presente foi o escrivaninha de minha mãe. E já sabe que não vale grande coisa. É bonita, mas ele não sentia nada especial por esse móvel. De fato estava no apartamento de cobertura, e o teve que fazer restaurar, mas ele disse... - Sabe o que disse? – terminou ela com entusiasmo.
- Não me interessa o mínimo! – disse ele com impaciência, e uma sombra que expressava intensas emoções.
Edward se aproximou dela para que lhe emprestasse atenção.
- O que quero te dizer é... - exclamou Edward. - Deus! Desejaria não me haver passado cinco anos sendo um porco, e um arrogante, te fazendo pagar pelo que Charlie fez comigo! Embora agora não vejo as coisas desse modo! – Edward sacudia nervoso os braços de Bella, expressando o difícil que lhe resultava admitir esses sentimentos e simplesmente não podia pensar no escritório de que lhe falava ela.
- Agora compreendo sua maneira de se comportar em todo esse tempo...
- Você tinha dezessete anos e estava apaixonada por mim...
Ela baixou a vista e bebeu o vinho.
- E acredito que então também tive a vaga ideia de que fosse inocente e de que não sabia nada da chantagem de seu pai. Poderia ter sido mais amável. Você era quase uma menina. Era mais inocente do que é atualmente Alice. Quando lhes vejo juntas agora, vejo coisas que não quis ver faz cinco anos.
- Isso não importa agora...
- Devo ter lhe feito muito dano.
- Sim. Mas eu já superei – Bella forçou um sorriso instável. Sentou-se de joelhos e alargou a mão até a caixa da comida para desembrulhá-la. - O que quer comer?
- A comida? – explorou Edward.
Aproximou-se dela e, sujeitando-a fortemente e tomando seu rosto entre suas mãos, disse-lhe:
- Esqueça da comida – lhe disse Edward um pouco zangado. Mas também empregava um tom de desculpa e desejo.
E esqueceu rapidamente a comida, logo que ele aproximou a boca da dela. Bella perdia o controle em seus braços. Desejava-lhe uma paixão que a consumia. Não se tratava de uma sedução dos sentidos, mas sim de um assalto repentino, no que se despojavam da roupa em um ato desesperado. A excitação se abriu passo, apagando tudo, exceto a necessidade que tinha do corpo de Edward.
Bella jogou a cabeça para trás quando ele se dispôs a percorrê-la, com gemidos de prazer e satisfação. A partir desse momento não houve mais que sensações, alcançando juntos o êxtase. E finalmente a deixou em uma quietude quase sobrenatural.
Edward lhe disse algo em grego abraçando-se a ela.
- Tenho lhe feito mal? – perguntou ele então.
Tinha-a surpreendido uma vez mais. Bella então lhe percorreu as costas morena com sua mão, em um gesto que também indicava posse. Mas era evidente que Edward sempre a surpreendia, dentro e fora da cama.
- Não – disse ela sorrindo.
- Meu deus! Poderia ficar aqui o dia todo – disse ele, e se virou com ela em cima. - Cada vez que te vejo está mais formosa, agape mou. Aos dezessete parecia um anjo, pura, imaculada. Agora é uma mulher, com os lábios inchados de meus beijos, seu cabelo feito uma confusão – murmurou ele entusiasmado. - Mas ainda me tira o fôlego.
- Sério?
- E ainda o duvida? A última vez que fiz amor na praia era um adolescente – a aproximou ao mesmo tempo que ele se levantou, e com um sorriso zombador lhe disse - Agora vamos comer.
Toda sua tensão se foi. Havia dito tudo o que precisava dizer. Tinha mostrado arrependimento por todos esses cinco anos. A culpa o tinha golpeado por fim. E era agora quando compreendia que não tinha sido só ele a vítima de Charlie.
Charlie tinha podido prever que Edward guardava rancor de sua filha e se sentiria uma terrível amargura por ser obrigado a casar-se. E certamente também tinha calculado que teria outras mulheres. Mas do que não se preocupou absolutamente era de que ela fosse feliz. Só lhe tinha interessado um marido poderoso e rico.
- Por que está tão séria?
- Estava pensando em Charlie.
- Em qualquer lugar que esteja, deve-se estar rindo como uma hiena agora mesmo. Aqui estamos, fazendo o que ele queria que fizéssemos, e cedo ou tarde certamente também teremos um filho...
- Um filho? – Bella não podia acreditá-lo.
- Sim, uma dessas coisas rosadas, que passam o dia chorando e que requerem bastante prática em seus cuidados. Há pessoas que gostam muito. Mas talvez você não goste.
- Sim, eu gosto. Só que não me tinha ocorrido pensá-lo – realmente não o tinha pensado, mas nesse momento gostou da ideia.
Edward a rodeou com seus braços, e a abraçou.
- Talvez no ano que vem – disse ele com um sorriso que premiava a resposta afirmativa dela.
- Seria um problema para você se rechaçasse essa ideia, não? Tendo em conta que está obrigado a estar comigo...
- É isso o que pensa?
- É a verdade, não é assim? – Bella desejou não ter falado, porque temeu que a felicidade dos dias passados se desvanecesse.
- Nosso casamento será o que nó façamos dele – deu a volta, e a colocou entre suas coxas. Então a olhou intensamente e lhe disse. - Compreende-o. Aceita-o. Não olhe para trás.
Então a beijou, e lhe serviu vinho e lhe ofereceu comida. Mas ela não tinha fome realmente. Observava-o atentamente, e pela primeira vez foi otimista sobre o futuro juntos. Se ele podia esquecer do passado ela faria o mesmo. E talvez o primeiro que devia fazer era lhe contar a verdade sobre o Paul.
- Edward...?
No mesmo momento em que ela se dispunha a falar alguém da casa chamou a Edward. Este ficou de pé em um salto, e com aborrecimento disse:
- Havia dito que não queria nenhuma chamada, nenhuma! - Nenhuma interrupção!
Então o criado se aproximou e lhe respondeu:
- É urgente.
- Espero que seja muito urgente! Fique aqui...me espere – disse a ela em um momento.
Viu-o afastar-se pelo atalho que ia para a casa. Bella serviu-se de uns morangos do almoço. Olhou seu anel de todos os ângulos, e de repente se sentiu eufórica. Embora seria um esforço lhe contar a verdade sobre o Paul quando retornasse. Porque o sol lhe tinha dado sono.
Despertou com um ruído. Estava sobressaltada, desorientada. Viu um helicóptero no céu, pendurando como um pássaro gigante negro. Um momento depois estava atravessando a baía. Tirou o cabelo da cara e olhou o relógio. Tinha dormido um par de horas e Edward não havia retornado.
Recordou então a chamada telefônica. Ao menos ela teria acreditado que tinha sido uma chamada telefônica urgente. Descobriu as meias bem perto e as pôs sorrindo e acomodou o vestido enrugado. Quando chegou à mansão notou um silêncio entristecedor. Deixou as coisas do piquenique a um flanco. O pessoal parecia haver sumido. Sentiu que algo não parecia bem, era um pressentimento. Edward estava em seu escritório olhando algo em sua mesa.
- Esqueceu de mim. Mas lhe perdôo – disse ela brincando do vão da porta.
Ele levantou a vista e a olhou com olhos de gelo. Bella sentiu que a pulverizavam. E soube que seu sexto sentido não a tinha enganado. Ele a esquadrinhava com o gesto grave, reprimindo uma raiva que lhe escapava no olhar, intimidando-a como ele sabia fazer.
Bella ficou pálida.
- O que aconteceu?
- Como sabe que ocorreu algo? – perguntou ele com ira contida.
- O que é o que acontece? – perguntou ela com ânsia.
- Vem aqui. Tenho algo que te mostrar.
Sobre o escritório havia uma coleção de fotos. Bella se aproximou delas e se inclinou para vê-las bem. Sentiu vertigem no estômago. Tivesse querido morrer. Nas fotos estava ela com o Paul.
Não podia acreditá-lo. Olhava uma atrás de outra para convencer-se. Paul e ela caminhando por uma rua cheia de gente, beijando-se em um pub, abraçados à entrada de outro estabelecimento, sorrindo se. Falharam-lhe as pernas. "Por que agora?", tivesse querido gritar. Por que nesse momento que eram tão felizes?
- De onde saíram? – disse ela.
- Sabia que tinha a um fotógrafo detrás de ti?
- Não.
- Sabe o que vale no mercado uma foto de minha mulher com outro homem?
Bella olhava para o nada, sem poder reagir. Apesar das precauções que tinha tomado, tinham-na reconhecido e lhe tinham tirado fotos. E ela nem sequer o tinha suspeitado.
Edward falou de uma soma extraordinária e ficou como esperando alguma resposta da parte dela. Mas Bella não podia nem pensar.
- Esta foto foi oferecida à imprensa. Se o dono do jornal não tivesse sido um de meus amigos mais íntimos e seu editor não se desse conta, as teriam publicado!
- Comprou-as...
- É minha esposa! O que ia fazer? – gritou ele com fúria.
- Deixa de gritar comigo! – disse ela desesperada. - Eu lamento, não pude evitá-lo. Meu romance com o Paul terminou. Terminou quando voltamos para Londres! Deveria ter dito isso antes.
- Não minta – a interrompeu.
- Não estou mentindo. Terminou faz tempo.
- Seria capaz de me dizer algo com a intenção de protegê-lo! – disse ele dando um golpe sobre as fotos, esticando as feições em sinal de desgosto.
- Não está me escutando. Não me acredita.
- Tanto faz. Nunca me humilharam tanto!
Tanto fazia sua então sua relação com o Paul? A ideia de seu casamento vinha abaixo novamente. Tinha sido estúpida iludindo-se. A Edward só importava sua imagem pública, sua honra de macho humilhado. Enquanto ele se mostrou com todas as mulheres que lhe tinha gostado, ela não tinha direito a nada. Devia ter uma conduta irreprovável nesse sentido.
Sentia-se enjoada. Lamentou haver-se sentido culpada e ter sentido necessidade de pedir desculpas a Edward. Seu desejo tinha sido não causar mais dano à relação entre eles, mas agora Edward tinha demonstrado que seu casamento era vazio, ao menos por parte dele.
- Se para você isto é uma humilhação, é que tive uma vida fácil! – disse ela.
Ele ficou quieto, sem poder acreditar no que ouvia.
- Eu vivi cinco anos de humilhações. Todo mundo sabe como você valoriza seu casamento, Edward. Disso se assegurou muito bem. Mas quando as coisas ocorrem do outro lado se trata de uma ofensa inadmissível. Alegre-se de ter os contatos e o dinheiro para impedir sua publicação. Eu não contava com eles – disse ela em um rapto de dignidade. - E tive que suportar os olhares de lástima de seus convidados nos jantares que organizava...
Edward ficou branco.
- Eu não me considerava casado.
Bella olhou novamente as fotografias, e respondeu.
- Eu tampouco...
- Isso é diferente – seguiu Edward irracionalmente, levado da ira.
- Sim, eu fui mais sensível – disse ela com lágrimas aparecendo em seus olhos, mas as reprimindo ao fim. - E mais covarde também para fazer algo. Mas não vou abaixar a cabeça como se fosse uma pecadora e tampouco vou dizer " sinto muito".
- Theos mou... – disse ele em grego com os punhos apertados.
- Porque não o sinto. De fato eu teria gostado que seu amigo as publicasse para que tu aguentasse durante um par de semanas, o que eu tive que suportá-lo durante cinco anos! – gritou-lhe e um arranque de raiva e desespero. – Se surpreende Edward?
- Você, desgraçada... - olhou-a com impassividade, como se todos seus sentimentos tivessem desaparecido de repente.
Ela continuou.
- Mas é algo natural nos homens, é algo que as mulheres não podem compreender – disse ela recordando as palavras dele, e quis calar-se, mas descobriu que não podia frear seu desejo de falar. - Só fiz o que você fez mas, mais tarde que a maioria, como disse - Isso sim, não fui tão retorcida como você, me justificando, nem fiz isso para fazer mal a ninguém nem humilhá-lo.
Edward se deu a volta em silêncio e partiu, deixando-a sozinha, tremendo, dolorida em seu interior. Perguntava-se de onde lhe teriam saído suas palavras. Mas soube que vinha de dentro de seu ser. Tantos anos aguentando a amargura e a pena que tinham desembocado nessa explosão.
Edward havia se sentido humilhado. Um pouco muito grave para um grego que ainda estava na época das cavernas. Sua preciosa honra, era o que mais lhe pesava. Tinha esperado que lhe pedisse perdão a seus pés. Com menos não se conformou. O que menos esperava era o desafio de suas palavras. Ele se regia por umas regras, mas ela devia reger-se por outras.
Bella cobriu a cara com as mãos. Sentia-se vazia. Tinha sido uma boba uma vez mais. Edward não a tinha deixado abandoná-lo, tinha-a levado a cama, tinha desdobrado novamente seus encantos sobre ela, e ela havia tornado a cair. E na realidade importava tão pouco a ele! Era muito doloroso saber que o homem a que amava não lhe importava nada.
