CAPITULO 9
A limusine viajava a grande velocidade entre o tráfico de Atenas. Pela extremidade do olho via o Edward tomar um gole. Serviu outro a ela sem que o tivesse pedido. Bebeu sem fixar-se no conteúdo. Parecia suco de laranja. A atmosfera era tensa. Ela se sentia novamente ameaçada.
Onde tinha dormido ele a noite anterior? Era de madrugada e ele ainda não tinha chegado. Tampouco tinha ido almoçar. Embora ela não possa dizer que se sentiu decepcionada por sua ausência. Isso sim, tinha tido que maquiar-se a fundo para dissimular o vermelho de seus olhos. Não gostava de absolutamente conhecer a família de Edward nesse estado. Parecia uma pilha de nervos.
Ergueu-se um silêncio tenso entre eles. Por momentos o tolerava e por momentos falava de coisas sem importância para dissimulá-lo.
- Quando voltarmos a Londres tentarei arrumar o escritório de minha mãe. Charlie me disse que o cuidasse. Talvez poderia ter um...
- Gaveta secreta? – disse ele sarcasticamente.
Bella estava resolvida a encontrar esse certificado, o tinha jurado. Não era justo que ela fosse a refém para que a família de Edward estivesse a salvo de algo. Embora pensava que era paranoico de parte de Edward pensar que esse certificado fosse ainda uma ameaça, apesar da morte de Charlie.
Sem querer, Bella deixou escapar esse pensamento pela boca.
- Não penso correr esse risco – disse Edward.
- Vou terminar pensando que está tampando um crime ou algo assim, um pouco verdadeiramente horroroso! – disse ela trêmula.
- Não é nada tão dramático! – disse ele com uma gargalhada. - Pode ter a consciência tranquila.
- Eu gostaria que me dissesse algo sobre o certificado – disse ela duvidando.
- E pôr a seu alcance a tentação? Pensa que não sei quão desesperada está por ser livre? Acredita-me tão estúpido?
- Não faria mal a sua família – disse Bella pálida.
- Espera conhecê-los.
- E isso o que quer dizer?
- Já verá.
Edward se separou dela. Decididamente tinha um gesto amargo. Bella começou a pensar que a reunião familiar que iam ter, não ia ser muito tranquila. Ou estava equivocada?
Por que se obstinava em atuar como se para ela as fotos com o Paul não tivessem sido uma surpresa? Os novos e frágeis laços que eles tinham esboçado se viram destruídos pela lembrança brutal do passado.
Bella reconhecia que em sua intenção de defender-se, tinha usado essas fotos para desafogar-se, e que talvez tinha sido um furiosa. A culpa não era de Edward. Estava furiosa porque não era capaz de tomar as rédeas de sua vida. Sentia-se vítima de seu pai, de quem havia tentando ganhar a aprovação até o fim de sua vida, e inclusive vítima de Paul Woods. Devia aceitar que a frustração, o arrependimento e a humilhação tinham sido produto de sua passividade. Edward não tinha participado de sua decisão de aceitar o matrimônio que lhe tinha proposto seu pai. Essa era uma realidade devastadora. E o pior era que ela não a tinha querido ver até esse momento.
Em nenhum momento, durante os cinco anos de casamento, atreveu-se a discutir a situação, e Edward não tinha estado em posição de exigir sua liberdade. Em parte não sentia saudades de que Edward pensasse que ela tinha estado obcecada com ele, ou que não queria perder seu status e sua folgada posição econômica.
E agora pensava como se teria sentido ela se lhe tivessem mostrado uma série de fotos íntimas com outra mulher... haveria se posto furiosa. Mas Edward tinha sido sempre muito discreto. Nunca se tinha deixado surpreender em uma atitude desse tipo com uma mulher. Tinham cheio as revistas de intrigas e suspeitas, mas nunca tinham tido nenhuma prova de que ele tivesse uma relação íntima com uma mulher. Reconhecia que jamais tinha tido a intenção de machucá-la.
Edward lhe tinha dado o status que seu pai tinha querido para ela, como preço de seu silêncio. Que mais podia esperar? O amor não tinha sido parte do trato nem sequer então. E de um modo ou outro ela ia ter que suportá-lo.
- Ontem... – disse ela sem saber muito bem o que ia dizer, mas com a firme intenção de cortar o abismo que se elevou entre ambos.
- Queria te matar – murmurou Edward com uma entonação neutra.
- Mas não tinha me dado conta do que quão amargurada estava. - Nunca me tinha ocorrido me pôr em seu lugar. Você sempre parecia contente. Não mostrava nenhum sinal de infelicidade.
- Não estava ali para vê-lo, e eu aprendi a esconder meus sentimentos.
- Por que ficou comigo? Preciso saber – disse Edward. - Agora me dou conta de que não podia ser por dinheiro, quando estava disposta a perdê-lo tudo e ir com o Woods. Então por que seguiu do meu lado durante tanto tempo?
Bella tinha as bochechas acesas. O olhar dele era como uma acusação que pesava sobre ela.
- A primeira vez que lhe vi... bom, sei que lhe parecerá estúpido agora, mas para mim foi amor a primeira vista.
- Não me parece estúpido – disse ele.
Era difícil lhe dizer essas coisas, e Edward queria ajudá-la fazendo ver o que estava dizendo não era uma tolice. Mas a Bella custava falar dos sentimentos. Tinha sido tão fácil dizer "Quero" ao Paul quando ele o havia dito a primeira vez...
- Aconteceu-lhe alguma vez? Quero dizer, algo assim, como um amor a primeira vista? – sussurrou ela, de modo quase inaudível.
- Sim – respondeu ele. - Foi algo instantâneo, e me deu muito medo. Estava como atordoado, tinha perdido o controle. Eu não gostei.
Bella baixou a cabeça. Era evidente que se referia a Tânia Kiriakos. Ele tinha então dezoito anos, recordou Bella. Mas lhe doía de todos os modos saber que outra mulher tinha sido capaz de despertar no Edward um sentimento tão intenso. E se imaginou que se Tânia não tivesse estado tão preocupada com seus estudos, Edward tivesse seguido apaixonado por ela.
- Estava-me contando como se sentia... – recordou-lhe Edward.
- Era tão inocente... No princípio pensei que você sentia o mesmo. Você sozinho estava falando comigo, mas eu não tinha experiência e não me dava conta – disse ela com amargura. - Assim pode me jogar a culpa pelo que Charlie fez. Se não me tivesse apaixonado por você e o tivesse demonstrado tão claramente, talvez ele não tivesse pensado nunca em lhe chantagear...
- Não foi sua culpa, sei que lhe joguei a culpa no banco, mas disse o que primeiro me ocorreu. Você não tinha a culpa, mas foi a filha de Charlie, e a pressão com a que tinha vivido até sua morte combinada com o descobrimento da caixa que não continha o que eu procurava, fizeram-me perder a cabeça. Talvez seja um pouco tarde mas, lamento o modo em que se inteirou dos entendimentos de seu pai.
Bella estava estranhando que não tivessem já chegado à casa de sua mãe. Pois Edward tinha dado a entender que não era muito longe. Mas logo pensou que talvez não queria que conhecesse sua família em um momento de tensão como esse que atravessavam: preferia guardar as aparências.
- Acredito que é importante que sejamos sinceros um com o outro. Havia me dito que você me amava no princípio de nosso casamento... Quando deixou de me amar? – perguntou ele baixando o olhar.
- Simplesmente lhe excluí de minha vida. Não recordo quando.
- Então por que seguiu comigo?
- Meu pai estava tão orgulhoso de meu casamento com você, que também queria ganhar seu amor.
Edward suspirou profundamente.
- Olha Edward, de todos os modos não pretendo que se sinta mal por isso. Teve a má sorte de se encontrar comigo, e que eu estivesse apaixonada por você. Meu pai nunca me fez conta, e logo você tampouco. Não foi um trato vantajoso. Mas era algo ao que estava acostumada, a que me organizassem a vida.
- Mas lhe fiz mal. Devo ter- lhe feito muito dano, continuamente – a voz do Edward soava severo.
- Se não tem grandes aspirações e o suficiente respeito por si mesma, aceita o que lhe fizer, porque de certo modo acho que por isso que o provoquei. E eu provoquei.
- Você não provocou nem dez por cento de tudo o que eu lhe tenho feito passar.
Bella deixou de olhar para o nada e fixou os olhos em Edward. Passava-se nervosamente os dedos pelo cabelo, e estava pálido.
- Por que tem que se sentir culpado? – perguntou ela confusa. - Nós não estávamos casados realmente.
- Mas agora o o copo vazio. Deixe-me que lhe e sirva outro gole – disse ele.
Bella se sentia um pouco enjoada. Se não tivesse sido porque estava bebendo suco de laranja, teria jurado que estava afetada pelo álcool.
- Passamos por esta rua antes? – perguntou ela vendo uma igreja que resultava familiar.
- Talvez Giorgio esteja tratando de encontrar um atalho – disse Edward.
- Dá-me a sensação de levar toda uma vida metida neste carro.
- As conversas importantes podem ter esse efeito.
- Pensei que eram indignas de ti.
- Não, quando meu casamento está em jogo.
Bella não podia acreditar no que ouvia. Não era o tipo de afirmação que pudesse fazer Edward. Bebeu novamente o suco.
- Sabe?É magnífico... – murmurou Bella como se falasse sozinha, e era verdade, não havia mais que vê-lo tão alto, moreno.
Edward se sentou mais perto e tomou a mão.
- Quero que me perdoe por minha atitude de ontem.
Bella sentia que Edward lhe estava dizendo o que ela queria ouvir. E havia algo que lhe dizia que não era sincero. "Meu casamento está em jogo". Não podia ser.
De repente se deu conta de que até que o certificado não aparecesse, Edward quereria seguir casado com ela. No dia anterior, ela, pela primeira vez, enfrentou a Edward. E talvez ele temesse que Bella estivesse disposta a separar-se sem medir as consequências para sua família e para ele mesmo.
- Não deve dizer isso. Na realidade eu fui um pouco insensível.
- Não, fui eu o insensível.
- Mas eu...
- Foi culpa minha – a voltava a interromper, um pouco irritado.
- Mas eu devia...
- Não quero ouvir uma palavra mais – disse ele com um sorriso incrivelmente atraente.
Mas Bella notava a irritação que ele logo que podia reprimir e que esticava a atmosfera.
- Edward... Não vou lhe deixar outra vez – lhe disse ela, sentindo-se culpada pelo fato de que ele se visse obrigado a frear seus supostos impulsos a seu lado. - Sei que não posso, a não ser que encontre esse certificado.
- Impossível – disse ele, cortante.
- Mas você me deixaria ir imediatamente se aparecesse.
- Eu não diria isso.
- Abrirá uma garrafa de champanha e dançará, então?
- Não diga tolices.
Edward sustentou o copo que ela esteve a ponto de atirar, e logo o deixou a um lado.
- É essa a mesma igreja de antes? Não estará perdido Giorgio?
Edward desprendeu o telefone e disse algo ao chofer.
Bella moveu os ombros e se tirou os se perguntou por que tinha feito algo assim. E a verdade era que se sentia muito relaxada, e de uma vez excitada.
Edward a observava. Logo tomou a mão. O sangue do Bella se acelerou. Seus seios ficaram alerta. Seus mamilos se tornaram mais sensíveis.
Houve um silêncio longo. E logo, Edward, em um movimento rápido, aferrou-se aos quadris de Bella, e a pôs em cima dele. Então a beijou apaixonadamente, desesperadamente.
Bella lhe olhava como se estivesse à margem da cena.
- Edward?
- Não sabe o que está fazendo... – murmurou ele.
- Sei o que quero fazer – então Bella riu, e lhe lambeu a linha da boca.
As mãos de Edward se posaram nos antebraços dela, e em um movimento que pareceu afastá-la, apertou-a ainda mais contra ele. Voltou-a a beijá-la com paixão. Bella desfrutava de seu beijo, e a excitação crescente se ia dando procuração dela como uma onda que a envolvesse.
D e repente ele parou, apoiando sua cara contra a dela, e lhe disse.
- Sou um desgraçado... - Sou tudo o que você me chamou e mais, e agora daria dez anos de minha vida para fazer o amor contigo. - É uma agonia...
Bella pensou que à frase certamente seguiria um "mas".
- Em seu suco de laranja havia vodca, Bella.
- OH!
- É algo desagradável o que tenho feito, mas necessitava que falasse e que estivesse relaxada. O carro, além disso, está girando todo o tempo, fazendo círculos. Por favor, me perdoe.
Quando Bella se afastou, Edward tremeu, como uma reação que contrastava com a tensão e a excitação desse momento. E Bella riu, porque de repente ele lhe pareceu muito gracioso. Sabia que essa duplicidade nele devia incomodá-la, mas a imagem de Edward feito uma autêntica confusão de sensações, o fazia graça.
- Tem consciência...
- Sim, e agora mesmo me está matando. Theos! Sempre é assim com você. - Desejo-te tanto, que faria algo.
Bella descobriu nas palavras de Edward um poder dele que não conhecia. Não lhe tinha ocorrido que fosse tão desejável para ele. Mas ela se dava conta de que excitação era mútua. Não obstante, ele era um macho que procurava, sobre tudo, sensações físicas. Certamente não tinha nada que ver com as fantasias adolescentes que Bella tinha albergado durante tanto também gostava do que ele dizia, e se dava conta de que nunca tinha valorado seus próprios encantos.
- Não tenho seios grandes.
- O que?
- Ou pernas longas.
- Deus! Eu acredito que é perfeita – acariciou os lábios com a boca. - É tão perfeita... Que não posso acreditar que seja minha...
- Me diga mais... – convidou-lhe Bella, jogando a cabeça para trás, e sorrindo alegremente.
Mas Edward não seguiu, porque se deu conta então de que a limusine tinha parado.
- Chegamos.
Bella fez um esforço por voltar para a realidade, o que lhe custou uns segundos. Edward então tomou a cara com uma de suas mãos em um gesto tenro, e lhe deu um beijo que pouco fazia para que ela se pudesse desprender dele.
O ar fresco a golpeou. Edward lhe rodeou as costas com seu braço, e a ajudou a ficar de pé firme, enquanto ela estirava a saia de seu traje.
- Se eu cambalear é sua culpa.
Edward riu brandamente e inclinou a cabeça.
- Ainda está fraca por causa da gripe – disse ele. - Definitivamente tem que descansar na cama antes do jantar - E como sou um bom marido que te cuida e que se preocupa com você...
- Um quê?
- Vou te acompanhar – completou a frase ele.
Enquanto Edward a conduzia pelas escadas que davam ao impressionante edifício que tinham adiante, e cujas portas estavam abertas para recebê-los, Bella pensava que era evidente que Edward havia devolvido à relação entre eles o encanto anterior à discussão. E Bella se sentia aliviada e feliz novamente. Mas lhe preocupada a facilidade com que ele o tinha feito. Era quase um milagre.
Nesse momento apareceu Alice, vestida e arrumada como nunca antes a tinha visto Bella. Com o cabelo recolhido, e um elegante vestido que realçava sua figura miúda.
- Chegam tarde!
- Perdemo-nos – disse Edward sem lhe dar importância.
- Perdido?
- Mas nos encontramos novamente – sussurrou ele para que só Bella pudesse ouvi-lo.
- Sim – disse ela com um trêmulo sorriso, e os olhos brilhantes.
- Bom. Eles esperam que Edward lhe deixe e volte com ela outra vez. É desagradável. - É por isso que lhe estão tratando como se fosse a mulher invisível.
Bella sentiu vontades de rir. Não sabia realmente se o que dizia Alice era certo. Foi apresentando a todos os convidados. E todos, sem exceção, tinham-na recebido com frieza e formalidade. Tinha sido o tipo de bem-vinda que tivesse espantado a qualquer nora com expectativas a respeito de um encontro com a família do marido. Bella começou a pensar que provavelmente a moça tinha razão. Porque a sensação que lhe dava era que a tinham recebido como a uma doente contagiosa.
Mas, no momento em que Edward foi a seu lado, e lhe pôs uma mão ao redor dos ombros, todos trocaram de atitude. Não faziam mais que escutar a Edward, e estar receptivos para ele. O efeito da mudança repentina era quase cômica. Entretanto, Bella notou que a atitude de duas das irmãs de Edward e seus respectivos filhos, adultos já, não era sinceramente carinhosa. Recordou então o que lhe havia dito Alice. Que Edward mantinha a toda a família; só os pais de Alice eram independentes economicamente. Outros eram mantidos ou empregados de Edward.
- Venha, quero lhe apresentar a minha mãe – disse Alice impaciente.
Esme estava sentada só ao fundo da habitação. Parecia muito nervosa. Tinha as mãos entrelaçadas e apertadas, e estava tensa induvidavelmente. Bella se aproximou sorrindo, esperando que seu sorriso lhe devolvesse à mulher certa tranquilidade. Bella desejava conhecê-la, e estava predisposta de antemão que lhe caísse bem.
- Esta é Bella – anunciou a garota.
- Por favor, sente-se comigo. Pede que nos tragam café – disse Esme a sua filha. - Vê-se muito feliz o Edward, acredito. - É feliz você também?
- Muito feliz.
- Fazia tanto tempo que queria te conhecer... que agora não sei o que dizer. É muito bonita, e muito inteligente, por isso diz estudos de música, e sabe francês e alemão... Eu aprendi inglês com minha filha. Possivelmente da próxima vez que venha a Grécia possa vir me visitar – lhe disse com um sorriso ansioso.
- Eu gostaria de muito.
Bella notou que Esme estava incômoda enquanto falava com ela. Como se outros membros da família pudessem ver mal que ela recebesse à esposa de Edward com agrado, e não por obrigação, como faziam eles.
- Afeiçoei-me a Alice, no tempo que esteve conosco.
- Foste muito amável em recebê-la. Edward a provoca muito -A voz do Esme havia se desvanecido ao ver um homem alto, de cabelo cinza, e logo voltou a elevar o tom de voz, dizendo com alívio:
- Esse é Carlisle, meu marido.
Os olhos do Bella se esgotaram. Havia algo familiar no rosto do Carlisle, mas não sabia o que. Por um momento recordou a Edward. Mas não teve tempo de comentá-lo, porque em seguida se aproximou o homem com um sorriso franco e uma conversação que apagou momentaneamente a de sua mulher.
Perguntavam-lhe o que opinava da Grécia, da família.
- Se quiser hospitalidade grega de verdade, venha a nossa casa! – disse-lhe Carlisle jocoso, fazendo que sua voz chegasse até todos os rincões do salão. - Infelizmente nos casamos tarde, e fomos agraciados com o nascimento de nossa filha, mas nossa vida às vezes se torna um pouco aborrecida para a Alice. - Ela acredita que temos um pé na tumba já!
Edward atravessou o salão. Houve saudações entre eles. De todos os convidados, Carlisle era quem mais afetivamente a tinha tratado, mas em troca Edward tinha com ele uma atitude contida. Mas Bella deixou de pensar imediatamente, porque Edward a tinha cuidadoso com desejo, e os efeitos de seu olhar eram devastadores, e a faziam esquecer todo o resto.
- Te vejo muito cansada – murmurou Edward.
Bella se ruborizou, mas Edward já a estava levando, com audácia sem igual. Bella olhou para trás desculpando-se ante outros, e viu nos olhos do Esme um gesto de perplexidade. Deu-se conta então de que Edward não tinha falado com sua irmã, e o fez notar.
- É obvio que falei.
- Não, em minha opinião.
Mas então Edward a silenciou com um abraço e um beijo que a deixaram sem fôlego. Bella emergiu do beijo aturdida, e um pouco inibida porque pensava que seus familiares poderiam havê-los visto, e que certamente lhe censurariam.
- Então, o que pensa de minha família?
- Quer que te diga francamente?
- Se não, não lhe teria perguntado isso.
- São horríveis. - É obvio que devem ser mais quentes do que aparentam...
- Provavelmente mais frios.
- Oh, Edward! – sussurrou ela.
- Não seja tola. Eu já sou bem crescido para que me adorne as coisas.
- Carlisle e Esme são muito simpáticos. Parecem te querer muito. E inclusive Carlisle se parece contigo... Sim, isso foi o que me fez pensar que já o conhecia.
- Está louca? Ele não é minha família, é meu cunhado – disse Edward franzindo o cenho.
É obvio que não havia laços de sangue com o Carlisle, era só o cunhado de Edward.
- Mas você não é família de nenhum deles! – disse Bella, arre-pendendo-se imediatamente do que havia dito.
Segundos depois, Edward entrava em um dormitório e fechava a porta com uma força desnecessária.
- Diga outra vez – a exortou.
Bella abandonou a briga e se tornou aos pés da cama.
- Sinto muito, esqueci-me que supostamente eu não sabia nada – disse Bella com lágrimas nos olhos.
- Evidentemente. E desde quando sabe? – perguntou-lhe Edward irritado.
- Se lhe disser isso, deve me prometer que não se zangará com a pessoa que me disse que é adotado – Bella logo que pronunciou a última palavra, temeu a reação de Edward. - Porque ela pensava que eu sabia...
- Ela? - Ninguém de minha família lhe podia ter disso dito!
- Foi Alice.
- Alice? – Edward não podia acreditar.
Bella lhe contou sem vontade a conversação que tinha mantido com a Alice. Edward estava muito surpreso.
- E todo este tempo ela sabia! - Theos mou, não tinha a menor ideia de que ela pudesse saber!
- Eu lhe disse que era um assunto muito privado, e não acredito que volte a dizer nada do tema. Sentiu-se muito violenta depois – lhe disse Bella, sem adicionar sua própria opinião, no sentido de que lhe parecia que não tinha sentido seguir guardando esse segredo.
Depois de conhecer a família Andreakis Cullen não tinha a menor dúvida de que para eles o tema da adoção pudesse ser tão altamente confidencial. E se Edward criou-se nessa atmosfera teria a mesma atitude para o tema, que seria muito delicado para ele para comentá-lo.
Edward ficou em silêncio. Era evidente que estava muito perturbado pelo que ela havia dito. Bella quis compartilhar seus pensamentos, mas não era o momento. De todos os modos ele parecia tão afetado que ela não pôde reprimir ficar de pé e ir abraçá-lo.
Edward ficou rígido ante a surpresa de seu gesto.
- Esquece-o. Não tem importância – lhe disse Bella, assombrada ante seu atrevimento e a corrente de ternura que a levava a ser protetora com ele.
Edward a surpreendeu com uma risada, e logo a rodeou pelos quadris, aproximando-a mais a ele.
- Se você o disser.
Bella se perguntava como teria sido a vida de Edward rodeado dos personagens que estavam ali no salão. Não lhe teria sido fácil crescer a seu lado. E embora contemplava a possibilidade de que fossem frios com ela especialmente, suspeitava que havia algo mais.
Sentiria ressentimento suas irmãs e sua família pelo poder que tinha Edward, não sendo este um Andreakis Cullen verdadeiro? Seria porque seus pais o tinham adotado sendo maiores, e suas irmãs, quase adultas, tivesse-lhes sentado mal a notícia? Mas era injusto de todos os modos, porque Edward era muito generoso com eles.
E o mais curioso era, a quem deles protegia Edward? A qual desse grupo tão sinistro protegia?
Bella de repente sentiu um desejo irresistível por sabê-lo.
- Parece que está a milhas de distância – disse Edward.
Bella abandonou seus pensamentos e se viu forçada a voltar para a realidade.
- E te quero aqui.
Instintivamente se aproximou dele e se moveu com a sinuosidade de uma gata contra Edward, como quem busca uma carícia. A resposta dele não se fez esperar, devorando a boca dela.A paixão de Edward a tinha tomado de surpresa, mas rapidamente a tinha alagado de desejo. Reconhecia o corpo de Edward, e o desejava com uma intensidade que o fazia perder o controle. A jaqueta de Bella caiu ao chão. Os dedos de Edward lhe acariciaram as costas e lhe desprenderam o sutian. Uma mão subiu até um de seus seios, fazendo-a gemer de prazer.
Edward a estendeu sobre a cama e brincou com seus mamilos. Um fogo lento a consumia. Bella tremia de agradar com a fome que Edward saciava nela. Ela o olhou com paixão quando ele se tornou em cima, e tirou a roupa com mãos impaciente.
Ela voltou a sentir aquele úmido amontoado de sensações selvagens que lhe desatava. E ela se sentia desejada por Edward, via-o em seus olhos que não se separavam dela, de seus seios nus e sua saia levantada até os quadris.
- Enquanto conversava e tomava café não podia pensar em outra coisa que nisto. Não podia me concentrar. Agora sinto que as sensações ultrapassam o que eu antecipava.
Bella o olhou, seus peitos subiam e baixavam ao ritmo de sua respiração. Nu Edward era magnífico, uma mescla harmoniosa de ossos e músculos e pele bronzeada. Ela sentiu um calafrio percorrendo-a quando lhe desabotoou totalmente a saia. E ficou ali, quieta, desfrutando desse momento.
A língua de Edward voltou a meter-se na boca de Bella. Ela fechou os olhos e o abraçou, desesperada pelo contato com ele. O coração do Bella se agitava mais e mais. Rodaram juntos, enquanto lhe tirava o último objeto que ainda os separava.
- Sim – gemeu ela, arqueando as costas como reação a deliciosa tortura.
Ele acariciou onde ela desejava mais, mas lhe negou aquilo que mais ansiava, aquilo que ela desejava.
- Não sei por onde começar. Quero tudo o que me possa dar... – murmurou ele apoiando a boca contra a dela.
Bella era prisioneira de sua excitação. Disse-lhe algo em grego e pressionou as costas dela, voltando a beijá-la com intensidade e paixão. Bella se queimava entre suas carícias, e morria por mais.
- Agora – disse ele elevando-a brandamente e pressionando suas coxas à medida que se introduzia nela com uma investida firme.
A intensidade do prazer que Bella sentia, a fazia perder todo controle.
- Necessito de você – disse ela em um momento de êxtase.
O mundo baixou essas sensações, se tornou um mundo do império dos sentidos. Longe ficava a realidade de todos os dias. Não havia nada mais que as demandas de seu corpo desejando o dele.
- É hora de levantar-se, pethi mou.
Bella sorriu meio adormecida. A boca de Edward a acariciava, mas quando ela se estirou para alcançá-lo, viu que ele já não estava ali. Abriu os olhos e se encontrou com ele ao lado da cama, com o cabelo úmido ainda da ducha, lhe dedicando um sorriso.
- O jantar estará pronto dentro de uma hora.
Bella estava invadida ainda pelas cenas daquela mesma tarde, e sentia que deveria fazer um esforço para voltar para a realidade.
- Se veste formal – lhe aconselhou ele enquanto vestia uma camisa de seda branca. - Penso que haverá baile. - Por isso se vê, que minha mãe quer impressionar a todo o clã.
- E por que quer fazê-lo? – perguntou Bella enquanto se sentava e se tirava o cabelo da cara.
- Os membros de nossas famílias deixaram de ver-se quando Tânia e eu rompemos o compromisso. E logo após houve uma relação muito mas fria. Mas, não me parece a melhor oportunidade para festas de sociedade. Teria preferido uma reunião familiar mais íntima, algo mais adequado à ocasião.
Bella sabia perfeitamente a que se referia, mas era um tema que, felizmente, não lhe importava. Era evidente que o encontro da família Andreakis Cullen com a ex-noiva de Edward e sua família no mesmo dia que foram conhecer a esposa de Edward não era mera coincidência. Como tampouco tinha sido casual que a mãe de Edward tivesse ignorado a Bella no momento de conhecê-la.
- Se minha mãe fosse uma mulher mais jovem lhe diria algo a respeito de seu comportamento com você esta tarde.
- Por favor, não discuta com eles por minha culpa – mas Bella se alegrava de que ele se deu conta da atitude de sua mãe, e que estivesse do seu lado.
- Não imaginei que fosse capaz de fazer algo assim. Se não lhe respeitar como é devido não virei mais a esta casa.
- Não faça isso – disse Bella.
- Se lhe for sincero, só venho aqui por compromisso. Odeio esta casa, e me desagrada a maioria das pessoas que normalmente encontro aqui.
Bella estava surpresa das confissões íntimas de Edward. Era a primeira vez que cortava a distância emocional com ela. Mas, lhe inquietava saber que ele pudesse lhe ocultar tão bem as emoções.
- Edward, deixa que se acostumem comigo. Alice me dizia esta tarde que estão esperando que rompa comigo e volte com a Tânia.
- Tânia está felizmente casada, assim não sei por que abrigam essas esperanças.
Bella se deu conta então de que Edward não sabia nada da ruptura do casamento de Tânia.
- Segundo sua sobrinha, Tânia se separou de seu marido.
Edward deixou de atar gravata e disse:
- E desde quando?
- Não sei – disse nervosamente Bella.
- Esme devia pôr um cadeado na boca de sua filha.
Então se fez o silêncio. Bella se levantou da cama e foi à suíte. Era evidente que a notícia sobre Tânia o tinha surpreendido e o tinha deixado em um estado enigmático. O que significava para ele a notícia de que Tânia estivesse livre de novo?
Mas se disse que não devia dar rédea solta à imaginação. Edward não a tinha esperado para descer ao salão. Bella fazia sua aparição com um vestido de noite azul, a jogo com seus olhos, e que deixava ao descoberto seus ombros nus. E o primeiro que tinha visto tinha sido a Edward conversando com Tânia em um rincão no final do salão. Pareciam muito imersos no bate-papo, e Tânia não tinha o gesto triste de uma mulher que acaba de romper seu casamento e busca as palavras de um amigo, mas sim a via feliz. Edward, em troca, tinha um gesto sério, grave.
Alice a saudou de longe com a mão, mas não pareceu disposta a interromper a conversação que mantinha com o jovem sentado frente a ela.
De repente Edward a viu e ficou de pé. Nesse momento, anunciaram que o jantar estava preparado.
- Foste muito oportuna interrompendo a conversa. Está encantadora.
Bella não pôde resistir lhe perguntar:
- Se separou Tânia?
- Sim.
Mas um jantar formal não era o melhor momento para falar disso. Para sua surpresa, encontrou-se sentada à direita da anfitriã, e na frente de Edward. E Tânia sentada no lugar mais à frente. Inclusive a senhora Andreakis Cullen tinha tentado lhe dar conversação em perfeito inglês. Bella lhe respondeu com generosidade, mas em seu interior sentia um certo desconcerto.
Foi um alívio levantar-se da mesa. Em seguida Alice se aproximou de Bella e lhe disse:
- Quero que conheça alguém.
Tratava-se do jovem que a tinha acompanhado. Chamava-se Dion, e, por seu gesto, parecia estar acostumado a que o mostrassem como um troféu.
- Vamos comprometer nos no ano que vem.
Bella recordou o que havia sentido quando tinha conhecido a Edward. Parecia-lhe ter cem anos mais que então. Quem podia assegurar que Alice era muito jovem para saber o que queria?
- Aos quatorze anos disse que ia se casar com ele – disse Edward, que tinha aparecido por detrás, no momento em que o casal se afastava. - E me disse por que.
- Por quê?
- Queria vê-lo sorrir, e ele sorri continuamente a seu redor. Tem vinte e dois anos, está terminando seus estudos no Harvard, e é muito sério, tanto como ela inconsciente. Dá-lhe medo que ela se aborreça dele dentro de um ano.
- Pensa que isso é possível?
- Não. Penso que tem a suficientes garra para fazer o que seu coração lhe dita. Inclusive foi capaz de fazer frente à família dele, e não deixar-se levar pelo orgulho, quando eles subtraíram importância à relação entre eles. Eu a invejo por essa força e essa claridade.
E Bella soube que falava de sua relação com Tânia, e se fez muita perguntas a respeito dessa relação. Tânia o teria deixado romper a relação sem lhe importar realmente?
Edward desceu com Bella. Mas ela não podia relaxar-se. A ideia da possibilidade de perdê-lo alguma vez a aterrava. Porque a certeza de que ele não poderia abandoná-la se não encontrava o certificado não lhe servia de nada.
Apresentaram-lhe aos pais de Tânia. Foram educados e amáveis, mas frios no fundo. Ao fim ela era a mulher que lhe tinha roubado o noivo de sua filha.
Bella pediu desculpas para sair a tomar um ar fresco. Nesse momento Carlisle se aproximou dela.
- Não vi a Esme esta noite. - disse-lhe ela.
- Infelizmente minha mulher não se encontrava muito bem. Ficou descansando. – suspirou.
- Está doente?
- Está doente dos nervos. Mas só lhe acontece aqui, com sua "adorável" família. E a atitude de Edward, que a trata como se fosse a peste, não a ajuda absolutamente.
Bella ficou rubra; não estava preparada para essa confissão.
- Sinto muito... eu... – Bella não sabia o que dizer.
- Observei-lhes juntos. Você e Edward estão muito unidos. Prometi-lhe não falar com você disso. Assim falarei com você para ver se pode se fazer de intermediária.
- Intermediária?
- Entre nós e Edward. Edward sabe... Posso te dizer exatamente a data em que trocou sua atitude com minha esposa. Quis lhe falar então. Queria saber o que ele sabia, que tolice lhe haviam dito que pudesse fazer que mudasse tanto com ela. Mas Esme teve um ataque de nervos quando comentei, e tive que me calar, mas contra minha vontade.
- Carlisle, não sei do que me está falando – lhe disse Bella incômoda.
- Você também? – o homem suspirou com pesar. - É obvio que sabe. Edward se inteirou disso quando estavam recém casados. Não acredito que não lhe haja isso dito. Faz trinta anos Esme lhe deu, mas nunca renunciou a ele realmente, e por outra parte sempre pensou que fez o melhor para ele.
Bella compreendeu de repente. Sentia-se como se uma onda a tivesse tomado por surpresa e a tivesse deixado atordoada. Esme não era a irmã de Edward, e sim sua mãe. E tinha dado seu filho a seus pais para que o criassem como próprio, à vista dela, mas sem ocupar-se ela dele. E Edward sabia. A última peça do quebra-cabeças acabava de encaixar. Era este o segredo pelo que seu pai tinha podido chantageá-lo?
- Quero estar seguro de que Edward sabe a verdade – disse Carlisle, muito comovido para estar atento à reação de Bella. - Toda a verdade, não só o que sua avó tenha querido lhe dizer. Edward nunca foi adotado. Fez-se uma certidão de nascimento para que Elizabeth e Anthony aparecessem como pais de Edward. Mas não puderam enganar às irmãs de Esme com a história da adoção. Anthony queria um filho varão e insistiu em ficar com o Edward, um filho a quem poderia criar como próprio e que era pelo menos um Andreakis Cullen pela metade.
- Você conhece a história completa...
- Se a soubesse de tudo faz trinta anos, não teria permitido que o fizessem! – disse Carlisle com raiva. - Fizemos mal as coisas. Mas, deveriam deixar que nos casássemos quando souberam que Esme ia ter o nosso filho. Isso é o que não posso lhes perdoar!
- Você é o pai do Edward – sussurrou Bella, olhando ao Carlisle com assombro.
- Não sabia? Está-me dizendo que Edward não sabe tampouco?
- É algo de que não falamos – disse Bella fracamente.
- Talvez não saiba. Talvez nos jogue a culpa de sua triste in-fância. E tem motivos...
- Poderia me contar a história desde o começo?
Carlisle foi breve. Ele era estudante naquela época, quando se apaixonou por Esme Andreakis Cullen. Não tinha dinheiro nem pertencia ao meio social que pudesse impressionar aos Andreakis Cullen, e eles se haviam oposto a essa relação. E Esme não tinha a valentia de enfrentar a sua família. Quando descobriram a gravidez de Esme, esta fez uma viagem com sua mãe. Não disseram nada ao Carlisle. Ele nem sequer conhecia a existência de Edward, até que se encontrou com o Esme dez anos mais tarde.
- Queria morrer ao saber tudo o que ela tinha tido que atravessar sozinha. E ao saber que tinha um filho que não podia reclamar. Mas dessa vez estava decidido a não deixar que me separassem de Esme. Inclusive fiz que se casasse comigo face à oposição deles! – disse Carlisle com satisfação. - Anthony estava furioso e Elizabeth não queria nem me ver, e ainda hoje não quer nem me ver. Mas o que podiam fazer frente aos fatos consumados? As aparências são algo muito importantes para esta família.
- E então?
- Então a felicidade se mesclava com a desdita. Esme pensava que devíamos estar agradecidos por poder ver nosso filho. Se o tivéssemos dado em adoção, jamais o teríamos encontrado, jamais o teríamos conhecido... Mas, algumas vezes penso que talvez teria sido menos doloroso. Elizabeth não o queria, não o tratava como a um filho, e o resto da família estava ressentido com ele, já que herdaria tudo em primeiro lugar.
- E ainda estão ressentidos – murmurou Bella afetada.
- Entretanto ele multiplicou cem vezes sua riqueza. Anthony... era um homem bom. Ocupou-se de Edward. Mas pensava que Esme era uma pessoa débil, e por isso foi muito duro com seu filho. Mas Esme não é débil. Ela levava mais ou menos bem a situação, até que viu que Edward começou a evitá-la, e então nos demos conta de que sabia algo.
- Faz cinco anos, há dito...
- Deve ter sido um choque terrível, mas esperamos tanto que suspeitasse algo ou descobrisse algo... Não se tratava de que o disséssemos se ele não suspeitava nada. Esme tinha prometido a seus pais que nunca o diria. Esse tinha sido o preço. Mas jamais nos tivesse ocorrido que Edward se pudesse comportar tão sem piedade com ela ao inteirar-se dos quais eram seus pais.
Bella se perguntava o que sentiria Edward realmente. A quem protegia? A sua avó ou a Esme?
- Devemos encontrar uma solução a tudo isto, para que Esme fique com a consciência tranquila. Por isso lhe peço que fale com Edward e averigue se souber toda a verdade. Porque é evidente que ele não vai se aproximar de nós.
- Sim.
- Ela o quer muito. Sempre o desculpa. Porém, já é um homem. Por que está assim com ela e não comigo? Tampouco dissimula seu carinho pela Alice. Se não fosse pela promessa que fiz a sua mãe, já lhe teria jogado na cara.
- Não acredito que Edward saiba que você é seu pai.
- É um pouco egoísta por minha parte te colocar em semelhante confusão... – disse Carlisle ao descobrir os rastros de preocupação no rosto de Bella.
- Não.
Esteve tentada de lhe dizer que ela já era parte dessa grande confusão desde muito antes. Teria tido Charlie esse certificado em suas mãos? Faria menção nele a respeito de quem era seu pai? O que estava claro era que tinha descoberto quem era sua mãe. Mas não tinha feito mais pergunta.
Bella suspirou fundo.
- Falarei com ele quando voltarmos a Londres, aqui não.
- Seja como for, estou muito agradecido.
Quando Carlisle se afastou dela, Bella sentiu o peso que lhe tinha deixado. Não se tratava de uma notícia fácil de dar. E Edward era imprevisível.
Edward a olhava do outro lado do salão. Bella se perguntava se ele teria se dado conta de que tinha tido uma longa e íntima conversa com o Carlisle. Sentia-se culpada por guardar tantos segredos sobre sua vida. Tivesse deslocado a lhe contar tudo, mas tinha que encontrar o momento oportuno. E embora Bella havia devolvido o olhar a Edward, ele já não a olhava, e em troca se dava a volta para sorrir a algo que havia dito Tânia.
