N/A: Adorei as respostas de vocês ao primeiro capítulo! :) Muito obrigada. Aí vai mais um!
CAPÍTULO DOIS
Na segunda-feira de manhã, Bella teve uma reunião com toda a equipe da Pretty in White. Era um procedimento rotineiro depois dos eventos que a empresa realizava e, uma vez que tinham sido responsáveis pelo casamento Hale-MacCarthy, a reunião era mais que necessária. Tudo correu bem durante as duas horas em que se reuniram, com Bella fazendo o relatório do que havia acontecido durante a cerimônia e a festa, do que havia funcionado e do que devia ser melhorado. Sua equipe também teve a chance de falar e relatar como tinha sido o trabalho. Quando foi a vez de Carmen e Tanya, sócias e donas da Pretty in White, falarem sobre como avaliavam aquele trabalho, Tanya, é claro, fez questão de se demorar nos pontos que ela considerava defeituosos.
Bella assentiu educadamente para a chefe e aceitou suas críticas com uma ponderação e elegância que teriam deixado sua mãe orgulhosa. Deixaria para voar no pescoço de Tanya Denali em outro dia.
Tirando isso, o evento do fim de semana foi considerado um sucesso de execução.
Bella saiu da sala de reuniões com um sorriso satisfeito, orgulhosa de si mesma, e seguiu para sua sala com o ânimo renovado. Todo o estresse dos últimos cinco meses fora recompensado.
Ela encontrou Angela Weber, sua melhor amiga, colega de quarto e também a doceira da Pretty in White, na metade do caminho.
— Eu juro para você. — disse-lhe Angela, lançando um olhar por sobre o ombro, para se certificar de que ninguém ouvia. — Eu ainda vou atirar Tanya no forno industrial. Aquela mulher é uma vaca.
Bella moveu os ombros.
— Acho que ela sente prazer em torturar as pessoas. — refletiu, mas não era como se, naquele momento, estivesse interessada em falar sobre sua chefe. — Seus doces fizeram o maior sucesso. O bolo recebeu vários elogios. Tanto a decoração quanto o sabor. Estou orgulhosa de você.
Os olhos de Angela suavizaram, as tiranias de Tanya foram esquecidas. Era tão melhor ter Bella como supervisora das atividades. Ela sempre tinha uma palavra gentil para oferecer, mesmo quando precisava discutir algum problema, e fazia questão de repassar todos os elogios que seus doces recebia.
— Obrigada. — Ela acompanhou Bella até a sala dela. — Recebi uma ligação da noiva há cinco minutos. Ela foi toda elogios. Confesso que, na primeira vez que a vi, pensei que Rosalie Hale fosse uma dessas noivas nojentas.
Bella fez uma careta. Detestava esse tipo de cliente.
— Eu sei. Também pensei isso.
— Mas ela foi bastante gentil enquanto trabalhei no bolo de casamento.
— Acho que ela só é focada. Ela sabia exatamente o que queria, e como queria. Que bom que solicitou isso com gentileza. E mente aberta. Ela não queria o altar em seda e vidro, mas, quando o viu, disse que estava feliz por eu ter insistido nessa decoração. — Ela entrou em sua sala, acompanhada por Angela.
— Bella. — Leah Clearwater, a secretária da recepção, entrou na sala segurando um belo arranjo de rosas. — Essas flores acabaram de chegar para você.
— Para mim? — Confusa, Bella observou Leah colocar o arranjo sobre sua mesa.
— Uau. — exclamou Angela, espichando o pescoço para observar o arranjo. — Quem enviou?
Leah moveu os ombros.
— Eu não sei. — disse ela e, embora também estivesse curiosa para saber isso, saiu da sala discretamente e voltou para a recepção.
Bella pescou o cartão entre as flores e abriu o envelope cor de creme. Observou a caligrafia elegante e leu as palavras:
Senhorita Swan,
Obrigado por sua gentileza no sábado. Os pássaros estão bem.
Anthony e Edward Cullen
Ela sorriu, relendo o cartão mais duas vezes, depois observou as flores. Elas eram lindas, rosas em vários tons cor-de-rosa, descansando num sinuoso e delicado vaso verde. Passando a ponta dos dedos pelas pétalas aveludadas, imaginou que gesto de Anthony e Edward Cullen era extremamente gentil. Ela sempre tivera um fraco por receber flores. Talvez por isso sentisse o coração bater frenético e agitado contra o peito.
— Então? — disse Angela, o olhar curioso. — O que significa essas flores?
— Ah. — Bella fitou a amiga, contornando as bordas do cartão, o gesto inquieto. — Eu ajudei esse garotinho no sábado, durante o casamento Hale-McCarty, e eles quiseram me agradecer.
— "Eles" seriam a família do garoto?
Bella guardou o cartão e colocou as flores no aparador diante da janela. Poderia observá-las sempre que erguesse a cabeça do trabalho em busca de alguma distração.
— Não. O garoto não tem mãe. Foi ele e o pai que enviaram as flores. — disse ela, o tom casual, mas a agitação continuava.
Angela franziu o cenho. Conhecia-a há tempo suficiente para reconhecer suas reações.
Bella ocupou sua cadeira de trabalho, na esperança de que a amiga entendesse o recado e a deixasse trabalhar.
— Você não vai me contar quem são esse pai e filho, Bella?
Ela ergueu o olhar para a amiga, deixando escapar um suspiro resignado.
— O menino se chama Anthony. E o pai dele é Edward Cullen.
Angela arregalou os olhos, boquiaberta.
— Cullen. Aquele empresário milionário do setor imobiliário?
— Sim. — respondeu Bella, tentando soar casual. — Foi um gesto gentil.
— Bella, ele lhe enviou flores.
— Ele e Anthony enviaram. — replicou ela. — Foi só um modo de me agradecer pelo que fiz. Só isso. Fim da história. — disse ela e puxou o livro de projetos, abrindo-o na página do próximo evento que a Pretty in White faria. — Agora, vamos trabalhar.
Angela ocupou uma cadeira, decidida a não deixar o assunto de lado.
— Como ele é?
— Anthony? Ele é um menino adorável.
Angela revirou os olhos.
— Você sabe que não estou me referindo a ele. Quero saber sobre Edward Cullen. Ele é tão lindo como nas revistas?
— Não. — replicou Bella, um suspiro escapando-lhe. — Ele é ainda mais bonito que isso. Orgasmicamente lindo, se você quer saber.
— Meu Deus. — Angela fingiu se abanar com a mão. — E vocês conversaram?
— Não foi uma conversa. Ele apenas me agradeceu por cuidar de Anthony. — disse ela e explicou o episódio envolvendo o menino perdido e o tempo que ela ficou distraindo a criança, até que o rico e glorioso pai de Anthony chegou para buscar o filho. — Então eles me agradeceram e foram embora.
— Se eles te agradeceram no sábado, por que enviaram as flores hoje?
— Foi só um gesto de gentileza, Angela. — repetiu Bella, pela terceira vez naquele dia, e apontou para o livro de projetos. — Agora, será que podemos trabalhar?
— Você vai ligar para ele? Para agradecer as flores? — quis saber ela.
Bella mordeu o lábio, pensativa e, para confessar, meio aflita. Fazia sentido ligar para agradecer, mas ela nem sequer tinha o número de Edward Cullen. Não conhecia muito bem o mundo dos mega empresários, mas tinha certeza de que conseguir o número de alguém como Edward não seria uma tarefa fácil.
— Eu não sei. Pensarei nisso mais tarde. — disse ela à Angela, o tom de encerramento.
Embora continuasse curiosa, Angela resolveu acatar o tom da amiga e resignou-se a começar o trabalho. Quando chegassem em casa do trabalho, voltaria aquele assunto com Bella.
Meia hora depois, com os detalhes para um bolo de chá de panela definidos, Angela voltou para a cozinha.
Bella ficou sozinha em sua sala, tentando se concentrar no trabalho, mas, vez ou outra, lançava um olhar na direção das flores e acabava se distraindo.
Talvez devesse mesmo tentar entrar em contato com Edward Cullen para agradecer pelas flores. Era um gesto necessário, educado e sensato, disse a si mesma. Só não entendia porque esse gesto necessário, educado e sensato a deixava meio eufórica.
Observou as flores novamente, pensando numa forma de entrar em contato com Edward Cullen. Conseguir o telefone dele não seria uma tarefa fácil, pensou. Ele era um homem rico e poderoso, afinal de contas. Não era como se pudesse encontrar o número dele na lista telefônica.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo telefone.
— Bella, tem uma cliente de última hora aqui. — informou-lhe Leah, assim que ela atendeu a ligação. — Ela quer falar com você agora.
— Ah. — Bella consultou sua agenda. Sua próxima reunião com um cliente seria dali vinte minutos. — Tenho um tempinho, Leah. Mas será que ela não gostaria de marcar uma hora com Tanya ou Carmen?
— Eu sugeri isso, mas ela fez questão de que você a atendesse.
Bella franziu o cenho, completamente confusa. Tudo bem que seu trabalho fosse bom, mas ela estava apenas começando a conquistar clientela. Seu nome nem de longe tinha o mesmo peso que os das donas da PW.
— Tudo bem, então. Mande-a entrar. Como ela se chama?
— Alice Cullen.
Bella encerrou a ligação e franziu o cenho. Cullen? Coincidência?, cogitou, mas não teve muito tempo para divagar, pois sua cliente entrou na sala.
Se tinha alguma dúvida antes, pensou Bella, no momento em que viu Alice Cullen elas desapareceram. Embora tivesse cabelos escuros, Alice tinha os mesmos olhos verdes do irmão e do sobrinho. Os contornos do rosto dela eram mais suaves, embora as maçãs do rosto fossem altas e a tão pálida quanto a de Bella. Ela não era muito alta, tinha um corpo pequeno e esguio. A combinação do rosto suave, pele clara e olhos verdes fez Bella pensar em fadas, reinos encantados e cavaleiros em um cavalo branco.
Com um sorriso suave e profissional, Bella se levantou e estendeu a mão.
— Senhorita Cullen, é um prazer tê-la conosco essa manhã.
Alice curvou os lábios de boneca num breve sorriso.
— O prazer é meu.
— Por favor, sente-se. — Bella indicou uma das cadeiras e voltou a ocupar seu lugar atrás da mesa. — Gostaria de algo para beber? Um café, água, chá?
— Um chá gelado seria ótimo.
Bella pediu dois chás à Leah e, quando encerrou a ligação, uniu as mãos sobre a mesa e voltou sua atenção para a cliente.
— Então, senhorita Cullen, em que posso ajudá-la?
— Antes disso, eu gostaria de agradecê-la por abrir um espaço em sua agenda para mim. Não sabia quanto tempo levaria até conseguir um horário, então, resolvi tentar a sorte e vir sem hora marcada mesmo. Eu realmente adorei o que você fez no casamento de Rose, no último sábado, e quero muito contratá-la para organizar o meu casamento.
Bella conteve a súbita vontade de escancarar a boca em surpresa. Não que o casamento Hale-MacCarthy fosse qualquer coisa, mas o casamento de Alice Cullen, dos Cullen de Chicago, seria um evento grandioso. Antes mesmo de conhecê-la, Bella sabia que Alice estava noiva e, como era do meio, também sabia que agências de promotoria do país inteiro desejavam serem contratadas para organizar aquele evento.
Se a Pretty in White conseguisse aquela conta, isso seria como ganhar o bilhete da loteria da organização de casamentos.
Obrigando-se a manter um tom leve e profissional, Bella conteve o entusiasmo e assentiu.
— Será um prazer tê-la conosco, senhorita Cullen. Posso perguntar para quando é o casamento?
— Onze de julho.
Bella conteve uma careta. Três meses!, pensou. Era pouquíssimo tempo para se trabalhar, especialmente em um evento daquele porte, mas, lembrou-se, aquela não era uma cliente qualquer.
— Você já marcou a cerimônia em alguma igreja?
— Não. Meu noivo e eu estipulamos a data. O casamento vai acontecer no chalé dos meus pais, que fica aqui, em Chicago.
— Isso é muito bom. Presumo que você queira um casamento ao ar livre?
— Exatamente. — Alice esboçou um sorriso exuberante, feliz por ter seu desejo compreendido em tão pouco tempo. — Quero algo como o casamento de Rose, embora com uma decoração mais tradicional e... Bem, mágica.
— Como um conto de fadas. — Bella sorriu, imaginando que o tema seria perfeito para Alice. Como pensara antes, sua figura pequena e delicada fazia-a parecer uma fada e combinava com contos sobre princesas, castelos e eventos mágicos. — Você quer um casamento ao pôr do sol?
Alice sorriu ainda mais. Rosalie tinha razão, pensou. Isabella Swan tinha o dom de compreender a vontade de suas clientes com apenas algumas poucas informações.
— Quero, sim. Mas eu fiquei curiosa. Você nem sequer piscou quando eu disse que meu casamento vai ser daqui a três meses. Mesmo não trabalhando nesse ramo, até eu mesma sei que isso é pouco tempo.
Bella sorriu, a expressão tranquila.
— Você quer mágica, não quer? Então veio ao lugar certo. Nós podemos dar a você o casamento que deseja, mesmo com um cronograma apertado. — disse Bella e a confiança na própria voz a surpreendeu. Queria conseguir aquele evento para a empresa. Isso seria o sétimo céu para a própria carreira, embora duvidasse que conseguisse assumir a conta sozinha. Tanya, ou Carmen, ou ambas, certamente ficariam à frente daquele evento, caso Alice Cullen ficasse com a Pretty in White. Mas só o fato de ela conseguir aquela conta já a deixava feliz. — Quer dar uma olhada em nosso catálogo de eventos? Posso lhe mostrar aqueles que tiveram pouco tempo de preparação, mas que saíram perfeitos.
— Oh, não, não. Não precisa. Eu vou ficar com vocês.
Bella se imaginou fazendo uma dancinha feliz, mas apenas sorriu para Alice.
— Fico muito feliz por saber disso. Será um prazer ajudá-la durante os próximos meses. Precisaremos agendar um horário para você com Tanya e Carmen.
Alice franziu o cenho.
— Por quê? Você não está disponível?
Bella abriu a boca para falar, mas as indagações a pegaram de surpresa.
— Eu… Na verdade, não. — disse, recuperando-se. — Quero dizer, eu estou disponível, mas é que imaginei que a senhorita fosse querer Tanya ou Carmen, ou ambas, à frente do seu casamento.
O sorriso de Alice retornou aos seus lábios de boneca.
— Acho que você entendeu errado, então. Quero que você, especificamente você, me ajude a organizar o meu casamento, senhorita Swan.
Bella estava no sétimo céu. Não só tinha conseguido o maior evento da agência até hoje, como também estava sendo requisitada para liderá-lo. A vida não poderia ficar melhor.
Ela fitou Alice com um sorriso contido, apenas os olhos esboçando seu ultra-entusiasmo.
— Nesse caso, senhorita Cullen, eu me sinto honrada. — disse Bella, abrindo sua agenda e buscando um dia livre. — Podemos marcar um horário na quarta-feira, às duas da tarde?
— Claro. Quarta-feira está ótimo para mim.
— Perfeito. Seu noivo é bem-vindo para se juntar a nós.
Alice riu.
— Ele não se atreveria. Jasper deixou tudo por minha conta. Mas minha mãe vai querer vir. — acrescentou ela.
— Isso não será problema. Você pode trazer quem quiser.
Alice assentiu, satisfeita.
— Bem, acho que agora devo ir. — disse ela e se levantou, sendo acompanhada por Bella. — Já tomei demais o seu tempo e sei que, certamente, você tem outros compromissos agendados.
— Nada que não possa ser remarcado, se quiser conversar mais sobre seus planos.
— Obrigada, mas eu posso esperar até quarta-feira. — Ela sorriu e deu dois passos até a porta, mas parou antes de chegar a ela. — A propósito, você deixou uma impressão e tanto no meu sobrinho. Almocei com ele ontem e ele só falava na Senhorita Bella e nos pássaros de papel que você o ensinou a fazer.
— Oh. — Saber aquilo a surpreendeu mais do que ganhar a conta do casamento de Alice. — Anthony é um menino adorável. Fico feliz que ele tenha gostado dos pássaros.
— Ah, ele gostou. Tentou me ensinar a fazer um, mas eu nunca tive talento para origami. — Ela riu, depois analisou a moça à sua frente. Ela era bonita, claramente eficiente no que fazia, e parecera sincera ao descrever seu sobrinho. Alice não estava habituada a confiar nas pessoas logo de cara, mas havia algo na expressão de Isabella Swan que inspirava sua confiança. E isso a intrigava. Não era qualquer um que lhe despertava aquele sentimento. Especialmente quando se era uma Cullen, como Alice era.
Bella tentou ignorar o olhar da outra. Ela a fazia se sentir uma pintura curiosa exposta num museu.
— Origami é uma questão de concentração.
— Algo que eu não desenvolvi muito bem. — disse Alice, com uma nova risada e lançou um olhar na direção das flores diante da janela. — Que rosas lindas! Dariam um ótimo buquê.
— Com certeza. Nossa florista faz arranjos maravilhosos com rosas de qualquer cor.
— Foi ela quem fez esse? — quis saber Alice, aproximando-se do arranjo para ver as flores mais de perto.
— Não. — Bella mordeu o lábio, pensativa, mas, por fim, resolveu arriscar. — Na verdade, foram o senhor Cullen e Anthony que me enviaram essas flores.
Alice virou-se para ela, arqueando uma sobrancelha.
— É mesmo?
— Sim. — Bella não compreendeu o choque e a surpresa nos olhos da outra. Mas decidiu que não tinha tempo para pensar nisso. — Eu estava tentando arranjar uma forma de agradecer pelas flores, mas não consegui encontrar um meio de contactar o seu irmão. Você poderia me ajudar?
Alice fitou as flores novamente, depois voltou seu olhar para a mulher de grandes olhos castanhos que, em tão pouco tempo, causara uma grande impressão em seu sobrinho. Uma mulher, pensou, para quem seu irmão havia enviado flores. Fazia muito, muito tempo desde que vira Edward enviar flores a uma mulher que não fosse da família.
Mais curiosa do que nunca em relação à Isabella Swan, Alice sorriu e disse:
— É claro que posso ajudá-la, Bella. Será um prazer.
— ~ —
Edward estava tendo um dia terrível no escritório. Todos os problemas tinham resolvido acontecer na mesma hora, fazendo-o transitar entre uma reunião e outra, uma ligação e outra, um sócio e outro, até que ele já nem conseguia mais pensar direito. Seus negócios no ramo imobiliário estavam indo bem, mas uma recente onda de assassinatos no sul da cidade ameaçava comprometer a inauguração de uma de suas casas noturnas. Era tão difícil administrar dois negócios paralelos, pensou.
Sem ter um minuto de folga a manhã inteira, ele mal conseguiu comer direito. Quando, enfim, se viu livre da reuniões e ligações, era quase duas horas da tarde. Ele praguejou, dando-se conta de que tinha perdido o almoço que prometera ter com o filho naquela segunda-feira. Pensou em ligar para pedir desculpas. Mas, então, lembrou-se de quando era garoto e das tantas vezes que o pai lhe ligara para desculpar-se por não ter comparecido ao almoço.
Ele se lembrava de ficar irritado com a ausência do pai, e com as ligações apologéticas dele. De que adiantava ligar se não havia mais como consertar a ausência?
Edward ficava chateado pelo pai trabalhar tanto, mas lembrava-se de que tinha a mãe e a irmã com quem dividir aquela frustração.
Anthony não tinha ninguém, pensou Edward com uma careta. Nem mãe, nem irmãos. Ele caminhou até a enorme janela de seu escritório e, com as mãos nos bolsos, fitou a cidade a seus pés. Não pela primeira vez, tentou pensar num meio de compensar sua falha com o filho. Talvez levasse Anthony a algum passeio, pensou, ou tentaria passar uma hora com ele naquela noite, brincando ou assistindo algum desenho. Ou, talvez, tirasse uma semana de folga para poder passar algum tempo com o filho.
Ele suspirou.
Já tinha planejado coisas assim milhares de vezes — e era sempre quando deixava o filho na mão, como no almoço de hoje. Então, o trabalho voltava a consumi-lo e ele esquecia os planos, até ter que desmarcar outra atividade que planejava fazer com Anthony.
Edward sabia que estava mergulhado num círculo vicioso e não conseguia encontrar um modo de escapar dele. Talvez, pensou, se tivesse alguém que o ajudasse com Anthony…
Tinha as babás, é claro, mas elas eram pagas para se certificar de que ele se alimentasse direito, ficasse limpo e fizesse as lições. Elas não eram pagas para se importar com seu filho.
E, honestamente, não podia esperar isso de estranhos quando ele mesmo era tão ineficiente nessa área. Nem ele conseguia cuidar direito do filho, fornecer a Anthony o cuidado e o carinho que, sabia, o filho precisava. Não era que não amasse Anthony. Edward apenas nunca, realmente, soubera como demonstrar isso. Sabia que esse era seu grande defeito.
Sentia-se perdido.
Ele fez uma careta quando seu celular tocou. Imaginando que fosse alguma ligação de trabalho, sacou o aparelho e atendeu com uma voz ríspida.
— Cullen.
— Senhor Cullen, oi. Aqui quem fala é Bella. Digo, Isabella Swan. — Ela pigarreou para clarear a voz. — Nós nos conhecemos no sábado, no casamento dos McCarty.
A expressão aborrecida de Edward esvaneceu, substituída por uma surpresa.
— Senhorita Swan. — disse ele, em reconhecimento, a voz tornando-se menos rispída. — Como vai?
— Muito bem. Obrigada. — disse ela e Edward podia jurar que ouvia um sorriso na voz dela. — Estou ligando para agradecê-lo.
Edward esboçou um sorriso enviesado.
— Você recebeu as flores. — disse ele e sentou-se em sua cadeira, recostando-se a ela.
— Recebi, sim, e elas são lindas. Muito obrigada. Agradeça a Anthony por mim, também.
— Certamente. Você gosta de rosas, então?
Ela ficou em silêncio um instante.
— Eu gosto de flores, senhor Cullen. Qualquer uma, na verdade. — disse ela, depois pigarreou novamente. — Eu devo ir. Não quero tomar seu tempo. Sei que deve estar ocupado.
— Não estou ocupado agora. — replicou Edward. Não queria encerrar aquela ligação. Ela tinha uma voz rouca que o fazia pensar em noites enluaradas, calor e lençóis revirados. — Presumo que você conheceu minha irmã?
— Sim. — disse Bella, o tom meio supreso. — A senhorita Cullen esteve aqui hoje de manhã. Foi ela quem me deu seu número.
É claro que foi, pensou Edward, mas, ao contrário das outras vezes, não conseguiu ficar irritado com o truque de Alice.
— Você vai organizar o casamento dela?
— Ela nos contratou, sim. — disse Bella e, novamente, ele notou a forma como ela incluiu toda a equipe no negócio. — Ficamos muito felizes com a escolha dela.
— Vou lembrá-la disso quando Alice começar a fazer exigências, senhorita Swan. Minha irmã não vai ser uma noiva fácil.
— Estou acostumada a lidar com todos os tipos de noivas, senhor Cullen. Isso não vai ser problema. — O tom confiante na voz dela causou-lhe um misto de excitação e admiração. Gostava de como ela podia ser meiga e doce num momento, e confiante e decidida no instante seguinte. — Agora, se me permite, eu devo mesmo deixá-lo trabalhar.
— Talvez eu deva fazer o mesmo com você. — Ele ouviu a risada suave dela e cerrou a mão em punho sobre a mesa. As coisas que o simples som fizeram com sua pulsação...
— Adeus, senhor Cullen.
Edward pensou um instante e, quando se despediu, disse num tom baixo e sedutor:
— Até breve, senhorita Swan.
N/A: Então, querem ler mais? :)
Ps.: Tentarei postar uma vez por semana, toda segunda-feira.
