N/A: Postando mais cedo! Obrigada pelos comentários, favoritadas e seguidas (?). Tô muito feliz com a resposta de vocês para a fic. :)

Boa leitura!


CAPÍTULO TRÊS

Uma das coisas que Bella mais gostava na preparação de um casamento era o momento das pesquisas. Sempre que tinha uma cliente, mesmo antes, quando era apenas assistente de Carmen, gostava de reunir uma imensa variedade de material a ser apresentado para a noiva. Gostava de buscar histórias, contos, o significado de flores, cores e objetos simbólicos que fossem adequados ao que a noiva tinha em mente. Se alguém lhe perguntasse qual era seu segredo no trabalho, diria que era vasculhar livros, revistas e a internet em busca de material para trabalhar.

Por isso, naquela tarde de quarta-feira, a mesa da sala de reuniões estava cheia de papéis e fotos com ideias de decoração. Tudo envolvendo o tema de contos de fadas, que Alice Cullen desejava para seu casamento. Havia três artes conceituais, tendo como local o chalé dos Cullen, que Bella conseguira convencer Angela a fazer a mão, na noite anterior. Os desenhos estavam maravilhosos. Embora Angela ficasse murmurando que não passavam de rascunhos, Bella os considerava obras de arte e tinha o pressentimento de que Alice também acharia isso.

— Elas estão aqui. — anunciou Angela, entrando na sala pela porta oposta à que as clientes chegariam. — Acabei de vê-las estacionar. Você está pronta?

— Nasci pronta. — Bella conferiu o relógio de parede. Duas horas em ponto. Ótimo. Adorava noivas pontuais. Fugir da tradição, às vezes, não era ruim.

Dois minutos depois, Alice entrou na sala, acompanhada da mãe.

Esme Cullen era uma mulher elegante e educada, que tinha uma voz suave e olhos meigos. Como a filha, parecia uma figura saída de algum conto de fadas. Tinha um rosto delicado, em formato de coração, e cabelos negros que contrastavam com sua pele leitosa. O vestido elegante falava sobre dinheiro, os gestos educados denotavam uma criação refinada. Seu suave sotaque do Sul, um pouco gasto pelos anos vivendo em Chicago, fez Bella pensar numa Scarlett O'Hara moderna, mas sem o olhar desdenhoso ou as palavras maliciosas.

— Bella, essa é minha mãe, Esme Cullen. Mãe, essa é Isabella Swan. — Alice as apresentou.

Esme sorriu.

— A famosa Senhorita Swan.

Bella não sabia de onde aquilo tinha vindo. Também não entendia porque Esme a fitava como se a avaliasse. Ela tinha olhos gentis, mas Bella sabia reconhecer uma análise, mesmo quando feita discretamente.

— Fico feliz que tenha ouvido falar de mim. Adoro meu trabalho, então, é ótimo saber que ele é reconhecido.

— Oh. — O sorriso de Esme permaneceu suave. — Eu não estava falando do seu trabalho, embora, realmente, ele seja excepcional.

Confusa, Bella a fitou, tentando entender sobre o que ela estava falando. Quando se deu conta, sorriu.

— Ah, Anthony.

— E Edward. Você os conheceu no casamento de Rosalie, não é mesmo? Desde então, aprendemos mais sobre pássaros de origami do que um japonês nativo.

— Ah, meu Deus, eu sinto muito.

— Bem, eu não. — Esme deu um tapinha delicado no ombro de Bella e piscou para ela. — É muito difícil prender a atenção do meu neto e você conseguiu isso em dez minutos. Vai ter que me contar o segredo qualquer hora dessas.

Bella não sabia muito bem como deveria responder àquilo. Por isso, optou por não dizer nada. Ela observou Leah entrar na sala com um carrinho de bebidas e biscoitos e, feliz com a interrupção, aproveitou para acomodar as clientes e começar o trabalho.

Bastante à vontade com suas ideias e o trabalho em si, Bella conduziu a reunião. Primeiro, apresentou à Alice as ideias que tivera para a decoração do chalé, mostrando à noiva as artes feitas por Angela (que levaram lágrimas aos olhos de Alice, fazendo-a exclamar e suspirar vária vezes, enquanto observava os desenhos).

Depois, Bella deu a palavra a Angela que, como a doceira-chefe da PW, sempre participava daquela primeira reunião com a noiva. Munida de suas próprias artes para o bolo (três também, cujos temas combinavam com a decoração de Bella), Angela recebeu a mesma reação da noiva que Bella recebera. Por fim, foi a vez de Lucy, a fotógrafa da empresa, conversar com Alice para apresentar suas sugestões para os convites e as fotos do chá de panela, da cerimônia e da festa de casamento.

Alice ouvia tudo atentamente, fazendo perguntas sempre que tinha uma dúvida, e consultando a mãe a todo o instante. Ela valorizava a opinião de Esme, percebeu Bella, mas não de modo dependente. Conhecera sua quota de noivas que se apoiavam nas mães para decidir tudo, de modo que a cerimônia se tornava o que a mãe queria, não o que a noiva desejava. Não era o caso entre Alice e Esme.

Quando chegou o momento das decisões, Alice demonstrou a típica ansiedade das noivas.

— É muito difícil decidir. — disse ela à todas na sala. — Eu adorei todas as ideias que vocês apresentaram.

Bella esboçou um sorriso sereno. Estava acostumada a essa primeira reação.

— Por que não começamos pensando no seu vestido? Você me disse por e-mail que tinha escolhido um.

Alice mordeu o lábio inferior e trocou um olhar com a mãe. Esme moveu os ombros.

— Sobre isso, Bella, houve uma mudança de planos. Eu achei que queria aquele vestido, mas mudei de ideia. Sinto muito.

Bella riu da expressão culpada dela.

— Você não é a primeira noiva no mundo a mudar de ideia em relação ao vestido. Então, não se preocupe. Você vai trocar o vestido, ok. Talvez seja interessante ter essas decorações em mente quando for escolhê-lo. O que você acha?

Pensativa, Alice lançou um olhar para as artes sobre a mesa.

— Parece uma boa ideia. — murmurou, ainda pensando.

— Eu acho uma excelente ideia. — Esme disse a Bella. — Você tem alguma ideia para o vestido?

— Na verdade, tenho. — Bella pegou o álbum de vestidos que, por acaso, trouxera para a reunião. Folheou-o e começou a mostrar as opções à Alice. — É claro que — disse ela, a certa altura. —, recomendo que você veja todas essas peças pessoalmente. Ou talvez modelos semelhantes. Onde você pretende comprar o vestido?

— Na verdade, eu não tenho um lugar. Você me recomendaria algum?

— Claro. Costumamos recomendar a boutique que vende esses modelos aqui. Vai ser até melhor se você escolher comprar seu vestido lá.

Alice aceitou o cartão que Bella lhe estendeu.

Dream Dress? Eu não conheço esse lugar.

— É um negócio pequeno, mas tem vestidos lindos. A Pretty in White trabalha com essa boutique desde a sua fundação.

— Sim, eu gostei dos modelos que você mostrou. — disse Alice. — Preciso agendar um horário com eles.

— Posso fazer isso para você. — disse Bella, discando o número que já sabia de cor. — Martha, oi. É a Bella. — Ela fez uma pausa. — Está tudo ótimo. Sim, obrigada. É mesmo? Isso é ótimo, parabéns. — Ela sorriu, esperando mais um instante. — Então, eu preciso agendar uma cliente. Que horários você tem disponíveis? Amanhã, às dez? — Ela fitou Alice, esperando sua confirmação.

— Perfeito. — disse Alice, sem emitir som.

— Perfeito, Martha. — Bella continuou a ligação. — Ela vai estar aí, amanhã, às dez. Foi ótimo falar com você também. — Ela riu, depois se despediu e encerrou a ligação. — Tudo resolvido. Amanhã você escolhe seu vestido. — disse à Alice.

— Obrigada, Bella, mas eu pensei que você viria conosco.

Bella a fitou, surpresa.

— Você quer que eu vá?

Alice sorriu.

— Você fez observações maravilhosas sobre cada detalhe da decoração. Eu gostaria de saber sua opinião sobre o vestido, também.

— Ah, nesse caso, eu acompanho você. Apesar de que eu acho que você vai encontrar o vestido sem precisar de influência.

— Talvez por isso o último não tenha funcionado. — observou Esme, dirigindo-se à Bella. — Ela foi ouvir a sogra e quase cometeu uma bobagem.

Bella assentiu e fitou Alice.

— Você não deve seguir a opinião de alguém se não quiser realmente seguir. Pode ouvir e ignorar sugestões o quanto quiser. Inclusive as minhas.

— Você tornou difícil para mim ignorar suas sugestões. — Alice sinalizou os desenhos. — E vocês também, Angela e Lucy. Por que vocês tinham que ser tão eficientes?

Todas riram.

— Com sorte, você vai conseguir tomar uma decisão depois de escolher o vestido. — disse Bella.

— Espero que sim.

— Bem, — Angela se levantou. — vocês vão ter que me desculpar, mas eu preciso voltar para a minha cozinha. — Ela se despediu das clientes, desejando sorte na escolha do vestido, e deixou a sala junto com Lucy.

Bella se virou para Alice e Esme.

— Tem mais alguma coisa que você queira discutir, Alice?

— Não. Na verdade, eu quero ficar um tempo olhando para essas ideias. Levá-las para casa, analisá-las. Isso vai me ajudar com minha decisão.

— Claro. O que for melhor para você.

— Bem, então acho que nos vemos amanhã, não é mesmo? — Alice se levantou, sendo acompanhada pela mãe e Bella.

— Nos vemos amanhã. — Bella sorriu e foi com elas até a recepção da PW.

Mal havia atravessado o arco de entrada, acompanhando Alice e Esme, e avistou ninguém menos que Edward Cullen caminhando na direção delas. Hoje ele usava trajes executivos — um impecável conjunto cinza chumbo que fazia os olhos verdes, sérios e penetrantes, brilharam como os de um felino perigoso. Ele atravessou o amplo corredor em um passo normal e confiante, dominando facilmente o espaço, com uma confiança que emanava poder.

Esse, pensou Bella, era um homem habituado a dar ordens e a tê-las obedecidas.

Por que isso era tão excitante?, perguntou-se, mas deixou o pensamento de lado quando ele parou diante delas.

— Edward, eu não esperava encontrá-lo aqui. — disse Esme, inclinando-se de modo que ele a cumprimentasse com um beijo na bochecha.

— Jasper não pôde vir buscá-las e pediu que eu fizesse isso. Senhorita Swan. — Ele estendeu a mão, incapaz de resistir à oportunidade de tocá-la.

Bella aceitou a mão dele, as mãos fortes e a pele quente a fizeram estremecer. Sua pulsação acelerou.

— Senhor Cullen. — Apesar da própria agitação, ela conseguiu dizer num tom claro e profissional.

— Como foi a reunião?

— Maravilhosa. — disse Alice. — Bella é perfeita.

Ele encontrou o olhar de Bella. Os lábios sedutores curvaram-se num sorriso enviesado.

— É mesmo?

Bella sentiu uma agitação no baixo ventre. Uma pergunta tão simples, mas dita num tom baixo e grave. Seu já acelerado coração socou as costelas.

— Devemos ir. — Esme disse, consultando o relógio de pulso. — Você ainda tem que buscar Anthony na escola, não tem, Edward?

— Sim. Cyrus está esperando no carro. Encontro vocês num minuto.

Alice e Esme trocaram olhares curiosos, surpresas com aquela atitude dele, mas não fizeram nenhum comentário.

— Bem... — Esme se virou para Bella. — Foi um prazer, querida. — disse, dando-lhe dois beijinhos nas bochechas.

Alice fez o mesmo e, depois, ela e a mãe deixaram a PW.

Bella fitou Edward. Também estava confusa e curiosa com a atitude dele.

— Tem alguma coisa que eu possa fazer pelo senhor, senhor Cullen?

Ele esboçou um sorriso enigmático.

— Na verdade, sim. — disse ele e estendeu uma pasta preta na direção dela. — Eu recebi a missão de entregar isso a você, sem que minha irmã soubesse.

Bella arqueou uma sobrancelha e abriu a pasta. Passou os olhos rapidamente pelas anotações contidas ali e sorriu.

— Ah, são de Jasper. — disse ela, e ergueu os olhos para ele. — Seu cunhado quer fazer uma surpresa a Alice, no dia do casamento.

— É mesmo?

— Sim. — Ela fechou a pasta.

— E o que é?

— É uma surpresa, senhor Cullen. E, já que o senhor é parte interessada pelo lado da noiva, sinto-me obrigada a não compartilhá-la.

Ele sorriu. Gostava do modo como ela negociava. Era... instigante, decidiu.

— Parece justo.

— Tento sempre ser.

— É mesmo? — Ele arqueou uma sobrancelha. Bella não compreendeu o tom intrigado. — Bom saber.

Ela o fitou, incerta de como interpretar as palavras e o olhar dele. Passava metade do tempo tentando decifrá-lo, percebeu. E não conseguia decidir se isso era uma coisa boa ou ruim.

Edward tentou pensar em algo mais para dizer, mas a visão dela em camisa de seda sem mangas e saia executiva o distraía. Convivia com mulheres vestidas daquela forma todos os dias, mas nunca reparara em como a seda acariciava as curvas, quando ela se movia, nem em como a saia de cintura alta valorizava as pernas, alongadas pelo salto alto.

Ah, e também tinha o fato de que ela usava os cabelos presos, em um coque meio frouxo, mas elegante, que expunha o pescoço suave e uma gargantilha de sol que parava um pouco antes da gola da blusa. Ele se imaginou livrando-a da presilha, libertando aquela massa de cabelos ondulados. Depois, ajudaria a retirar a gargantilha, passando os dedos pela pele macia do pescoço, beijando a nuca dela, lentamente, sentindo-a estremecer sob seus dedos…

Ele respirou fundo. Se reparasse em suas funcionárias daquele jeito, não haveria mais ninguém trabalhando para ele.

— Bella, a reunião das três e meia já vai começar. — avisou Leah, de seu canto no balcão, lançando um discreto olhar na direção de Edward. Bella não podia culpá-la. O homem tinha nascido para chamar a atenção — especialmente das mulheres.

Edward respirou fundo. Não tinha muita certeza se ficaria somente no campo das fantasias se a secretária não tivesse interrompido seus pensamentos. Ele curvou os lábios, mas não chegou a sorrir. Estava confuso com sua repentina agitação e o modo como elas afetaram seus pensamentos.

— Preciso ir. — disse ele. — Anthony me espera.

Bella sorriu.

— Diga a ele que mandei um "oi".

Ele assentiu.

— Certamente. — disse. — Até breve, senhorita Swan.

— Senhor Cullen. — Ela assentiu em despedida e o observou até ele sair da PW, atravessando as portas duplas com sua inata confiança, aquele corpo atlético e bem feito, aqueles braços e pernas musculosas, despertando sua sempre ativa imaginação. Quando ele sumiu de vista, Bella respirou fundo e soltou o ar lentamente.

Leah, que estava sentada atrás do balcão, fingindo que digitava algo no computador, ergueu a cabeça e arqueou uma sobrancelha na direção dela.

— Dia agitado, hein, Bella?

Bella suspirou e levou uma mão ao coração acelerado.

— Você não faz ideia.

— ~ —

Edward falava ao celular, enquanto Cyrus, o motorista, trafegava pelas ruas movimentadas de Chicago. Ao seu lado, Anthony estava distraído com algum jogo no ipad, concentrado em derrotar o que Edward supôs serem ogros. Meio ausente, ele observou o filho e ouviu a pessoa do outro lado da linha. Já tinham deixado Esme e Alice na casa dos pais dele e, agora, eles seguiam para casa.

Quando conseguiu, Edward resumiu a conversa e desligou. Ele guardou o celular no bolso interno do terno e se ajeitou no banco, fitando o filho.

— Então, Anthony, como foi a escola hoje?

O filho deu de ombros.

— Foi legal. — murmurou o menino, os olhos no ipad.

— Você aprendeu algo novo hoje? — Edward insistiu, tentando obter, calmamente, a atenção do filho. Não retirava o ipad de Anthony porque, quando o filho estava impossível de lidar, essa era a única forma de distraí-lo.

— Sei lá. — disse o menino. "Sei lá" era sua frase de efeito para quando não queria conversar. E ele costumava dizer muito isso ao pai. Desde que tinham deixado Esme e Alice em casa, a única vez que Edward conseguira trocar mais que duas palavras com o filho fora quando falara em Isabella Swan. Ele disse a Anthony que Isabella tinha lhe mandado um "oi" e o filho ficou perguntando porque Edward não o tinha levado junto para falar com a Senhorita Bella.

Edward fitou o filho, pensativo. Como uma estranha conseguira captar mais atenção de Anthony do que ele, que vinha tentando isso há um longo tempo?

— Anthony. — Edward o chamou, o tom cansado e um pouco ríspido. Não sabia o que fazer e isso o aborrecia. O filho encolheu-se um pouco no banco, mas continuou jogando no ipad. — Anthony. — repetiu.

O menino se virou de modo a quase ficar de costas para o pai.

— Eu só quero conversar, Anthony. — disse Edward, tentando suavizar o tom de voz. — Saber como foi o seu dia.

— Já disse que foi legal.

— Por que foi legal?

Anthony lançou um olhar de esguelha na direção do pai.

— A senhora Wilson deixou a gente cuidar do jardim. Ela ensinou a plantar feijão.

— É mesmo? — disse Edward, demonstrando interesse, satisfeito por Anthony estar cedendo. — E você plantou feijão?

Anthony assentiu com a cabeça, virando-se um pouco mais na direção de Edward. Ele olhou do ipad, que agora descansava em seu colo, para o pai. Depois de um minuto de hesitação, deixou o aparelho de lado e vasculhou sua mochila em busca de algo. Quando encontrou, retirou de lá um saco de papel.

— É o meu feijão. — explicou, estendendo a embalagem para o pai.

Edward abriu o saco de papel e retirou de lá um copinho plástico que continha algodão e uma semente de feijão.

— Uau, olha só isso. — Ele analisou a atividade do filho, assentindo em aprovação. — É um feijão de respeito.

Anthony esboçou um breve sorriso.

— A senhora Wilson disse que a gente deve cuidar, para ele florescer, e depois temos que levar de volta para a escola. Todo mundo vai ter que levar, para mostrar como ficou o feijão.

— Isso é legal.

Dessa vez, o sorriso de Anthony foi mais amplo.

— Você também quer plantar um feijão? — propôs ao pai, passando de relutante a animado. — Daí a gente pode cuidar deles juntos.

— É claro. Acho que... — Edward se interrompeu quando seu celular começou a tocar. Ele baixou os olhos para o nome no visor e não viu quando Anthony lançou um olhar ressentido e triste em direção ao aparelho. — Desculpe, Anthony, mas eu preciso atender.

Cyrus abriu a porta do carro nesse instante.

Edward saiu do veículo, falando ao telefone, e entregou o copo de feijão ao motorista, seguindo para casa a passos apressados.

Cyrus devolveu o copo ao menino.

Anthony o aceitou e, depois de fitar o objeto um instante, atirou-o na parede. Então, com os olhos marejados, saiu correndo para o quarto.

— ~ —

— Eu vou morrer! — Bella curvou-se para frente, as mãos apoiadas nos joelhos e tentou puxar o ar para os pulmões. Três respirações entrecortadas depois, ergueu os olhos e fitou a melhor amiga com uma expressão traída. — Nunca mais vou deixá-la me convencer a correr.

Angela esboçou um largo sorriso.

— A culpa não é minha se você é uma sedentária.

Murmurando, Bella endireitou a postura e flexionou os braços. Fez uma careta quando os músculos protestaram. Angela estava certa. Aquela corrida no parque era, provavelmente, a primeira atividade física que praticava desde o colegial.

— Eu caminho. — Bella tentou argumentar. — Caminho todos os dias.

— Do seu carro até o elevador. Grande caminhada. — replicou Angela e começou a movimentar as pernas, pronta para reiniciar sua corrida. — Nós ainda temos que voltar para casa.

Bella gemeu.

— Não podemos pegar um táxi?

— Claro. Porque isso combina perfeitamente com o conceito de dar uma corrida. — Ela revirou os olhos. — Nada de táxi, Bella. Agora, anda!, se mexa porque temos que ir.

— Meu Deus, você é uma tirana. Tenho pena do Ben. — disse Bella, flexionando os joelhos, aquecendo-se. Seus músculos das pernas estavam doloridos e ela nem queria pensar em como eles estariam no dia seguinte. Talvez fosse precisar de uma cadeira de rodas. Pelos próximos trinta anos, pelo menos. — Isso não é jeito de passar metade do meu dia de folga.

— Pense nas calorias que você não vai ganhar, porque não está esparramada no sofá se entupindo de pipoca. Vamos! — disse Angela e recomeçou a corrida.

Respirando fundo, mas longe de estar animada, Bella acompanhou a melhor amiga.

— Senhorita Bella! Senhorita Bella!

Ela parou de correr e virou a cabeça na direção da voz infantil. Então, avistou o menino que vinha correndo na sua direção e sorriu para ele.

— Anthony. — disse, quando ele parou à sua frente. — E aí, amigão, como você está?

— Estou bem, senhorita Bella. Obrigado por perguntar. — recitou o menino, como se tivesse tirado as palavras de um manual. — E você?

— Estou bem, também. Como vai o pássaro?

— Ele não é mais sozinho. — explicou Anthony, o tom animado. — Eu fiz uma mamãe e dois filhos. — Ele ergueu dois dedos para enfatizar o número, orgulhoso por já saber contá-los na mão. — Também ensinei Jimmy a fazer os pássaros de papel. Ele foi bem, mas não gostou muito de fazer orgami.

— Origami. — Bella o corrigiu, suavemente.

— O-ri-ga-mi. — Soletrou Anthony, lentamente, depois franziu o nariz. — É difícil dizer.

— É porque é uma palavra japonesa. Por isso é difícil de falar, mas você consegue depois de ficar praticando.

Anthony repetiu a palavra mais três vezes, errando nas duas primeiras e conseguindo na última.

Bella riu e bagunçou seus cabelos.

— Muito bem. — disse ela e observou uma jovem de expressão entediada se aproximar. Pensou que ela devia ser a babá de Anthony, pois a moça usava roupas brancas e o cabelos estavam presos num meticuloso coque baixo. — Oi. Você deve ser a Jessica, não é mesmo?

— Não. Meu nome é Jane. Jessica era a outra babá.

— Ah. — Bella assentiu, imaginando se a outra babá tinha sido demitida por ter perdido Anthony de vista. — Eu sou Bella Swan.

— Prazer em conhecê-la, senhorita Swan. — Embora o tom fosse educado, também soara formal e rígido.

Como o de uma inspetora de colégio interno, pensou Bella. Ela fitou Anthony quando ele a chamou.

— Você quer jogar comigo? — convidou o menino, apontando na direção do campo. — Nós podemos jogar futebol. Garotas também podem jogar, sabe.

Bella riu, sentindo vontade de apertar aquele adorável garotinho. Ele era tão doce e simples, pensou, e a fitava com olhos verdes e enormes, um brilho ansioso neles, que lhe dava vontade de brincar do que ele quisesse.

— Não sou muito boa jogadora. — Embora, pensou, aceitar o convite de Anthony a livraria da caminhada-penitência a que Angela a estava submetendo. Quer dizer, se jogasse com Anthony, ainda estaria praticando uma atividade física, certo?

— Não faz mal, posso ensinar você. — disse o menino, o tom sereno, como o de um mestre que domina uma arte rara e sagrada.

— Bella. — Angela a chamou, caminhando até o lugar onde ela e Anthony conversavam. — Nós precisamos ir. — disse ela e lançou um olhar especulativo na direção do menino. Então, fitou Bella com o cenho franzido.

— Esse é o Anthony. — explicou Bella à amiga, depois se dirigiu ao menino. — E essa é minha amiga, Angela Weber.

— Prazer em conhecê-la, senhorita Weber. — recitou Anthony, falando devagar para não se perder na palavras.

— Ah. — Angela suspirou.

Bella sorriu, derretendo-se também. As boas maneiras dele, aliadas aquele rosto adorável, eram irresistíveis.

— O prazer é meu, Anthony. — disse Angela.

Ele sorriu, timidamente, depois se virou para Bella.

— Você pode ir ao meu aniversário? — quis saber, fitando-a com uma genuína curiosidade infantil, sem perceber como mudara subitamente de assunto.

Bella sorriu.

— Eu não sabia que você ia fazer aniversário logo. Quando vai ser?

— Dezenove de abril. Eu vou fazer seis anos. — acrescentou ele, orgulhoso, erguendo seis dedos para demonstrar sua idade avançada.

— Está ficando velho. — disse Bella e bagunçou os cabelos dele novamente, arrancando algumas risadinhas de Anthony.

— Você pode ir? — Ele repetiu a pergunta, recusando-se a deixar o assunto morrer, e a fitou com um olhar subitamente tímido. Ocorreu-lhe que talvez ela não gostasse de ir a festas de crianças. Um monte de adultos não gostava.

Bella se perguntou de onde viera aquela repentina sombra de tensão nos olhos do menino. Parecia como se ele esperasse uma rejeição, pensou e sentiu o coração apertado. O que tinha acontecido para fazê-lo esperar algo assim? Ela suspirou. Não sabia se era sábio obter uma resposta para essa pergunta.

Porém, quando encontrou os olhos de Anthony novamente, sabia que não seria capaz de recusar o convite.

— É claro. Estou sempre pronta para ir a um festão.

Anthony esboçou um breve sorriso.

— Legal. — disse ele. Estava muito feliz por ela ter aceitado.

— Bella. — Angela a chamou. — Nós realmente precisamos ir.

Ela assentiu para a amiga, depois abaixou-se para ficar à altura de Anthony.

— Vejo você no dia dezenove, amigão. — disse ela, ao que Anthony assentiu vigorosamente. Ela sorriu e, colocando-se de pé, deu-lhe um beijo na testa. — Tchau, Anthony.

O menino arregalou os olhos. Quando ela o beijou, ele sentiu uma coisa engraçada na barriga. Mas não era ruim. Lembrava-se do amigo Jimmy, que lhe falava um monte de coisas sobre mães e como elas sempre enchiam você de beijos na testa. Até agora, ninguém nunca o tinha beijado na testa.

De repente, Anthony decidiu que desejo faria quando assoprasse as velas do bolo, no dia de seu aniversário.

Pediria que a Senhorita Bella se tornasse sua mãe.


N/A: Me digam se gostaram e se querem mais. :)

Ps.: Próximo capítulo será postado na segunda-feira (27). See ya!