N/A: E aí, meninas, beleza? Obrigada pelos comentários. :) Boa leitura!
CAPÍTULO QUATRO
Bella observou o próprio reflexo no espelho, virando-se dos dois lados para analisar o vestido que escolhera usar naquela noite. Era uma peça de roupa escandalosamente curta, que, com ajuda do salto alto, mostrava mais suas pernas do que qualquer uma das saias que usava para trabalhar.
Mas ela adorava o tom azul escuro do tecido e o fato de que o vestido não era cavado na frente. Tinha um decote arredondado, que sempre a deixava mais segura para se mover, além de que valorizava seu colo e sua simples gargantilha com pingente de sol, que era a única recordação que tinha da mãe. Seus cabelos estavam soltos, com as pontas castanho-escuras e onduladas caindo sobre os ombros. No rosto, usava uma maquiagem de noite, com destaque para os olhos, tanto pelo lápis preto quanto pelo brilho entusiasmado neles.
Sair para dançar em uma casa noturna não era algo que Bella costumava fazer. Mas, depois daquela semana cheia de surpresas e trabalhos bem feitos, sentia-se no espírito de comemorar com um pouco de bebida e dança. Precisava celebrar o começo de seu sucesso. Por isso, daquela vez, quando Angela veio lhe convidar para sair, a amiga nem precisou iniciar seu costumeiro ritual de persuasão. Bella havia simplesmente dito sim.
Recolhendo a bolsa de mão, ela seguiu para a sala de estar, onde Ben, o namorado de Angela, esperava.
Sentado no sofá, ele folheava uma revista, distraído. Quando a ouviu entrar na sala, ergueu os olhos e arregalou-os.
— Uau, alguém está vestida para matar hoje.
Bella riu.
— Só para celebrar. — disse ela, movendo os ombros num gesto despreocupado.
— Ah, você também? — disse Ben e, quando recebeu um olhar confuso dela, levantou-se do sofá e aproximou-se. Misterioso, lançou um olhar em direção ao corredor, certificando-se de que Angela estava fora de alcance, depois fitou Bella. — Quero mostrar algo a você.
— Estou curiosa. — disse Bella e arregalou os olhos quando ele retirou uma caixinha de veludo do bolso interno da jaqueta. — Ai, meu Deus, Ben. — exclamou ela, depois baixou o tom de voz.
Ele esboçou um sorriso deslumbrante, abrindo a caixinha e revelando um belo anel com um solitário rubi na ponta.
— Eu vou pedir a Angie em casamento hoje. — contou ele num tom entusiasmado e orgulhoso.
— Isso é maravilhoso. — Bella sorriu, sinceramente feliz pelos amigos. Angela e Ben se conheciam desde a faculdade e formavam um lindo casal, tão doce quanto os bolos que amiga preparava com tanto carinho e competência. — Mas por que você está me contando isso?
— Ah. — Ben fechou a caixa e guardou-a antes que a futura noiva aparecesse. — Porque preciso da sua ajuda. Eu reservei uma suíte no Hilton para hoje à noite. Quando Angela sair do quarto, vou dizer que surgiu uma emergência no hospital e que não vou poder ir com vocês. Sua missão é se certificar de que Angie não desista de sair hoje. Daí, quando vocês descerem, pegue o táxi que estará esperando por vocês e convença-a a ir ao quarto 206 do Hilton. Eu estarei esperando por ela lá.
Bella suspirou.
— Ah, Ben, isso é tão romântico.
— Você acha? — Ele perguntou, com a expressão de um garotinho ansioso para agradar.
Bella riu e assentiu.
— Me faz até ter inveja da Angela. — disse em tom de brincadeira. — Mas ela merece isso. Vocês dois merecem.
— Então você vai me ajudar?
— É claro que vou ajudá-lo. Eu… — Ambos se viraram quando ouviram o som de passos no corredor. Bella piscou para Ben. — Hora do show.
— Estou pronta, crianças! — anunciou Angela e, como o namorado, arregalou os olhos para Bella. — Meu Deus, Swan, você está…
— Uau.
Angela assentiu para Ben.
— Com certeza. Como você fez os seus olhos?
— Eu não fiz. Eles são cortesia de mamãe. — replicou Bella. — Podemos ir?
— Na verdade... — começou Ben, a expressão culpada, coçando a cabeça numa atuação muito convincente. Ele trocou um olhar cúmplice com Bella e colocou seu plano em prática. Disse que surgira uma cirurgia de última hora no hospital onde trabalhava e que ele precisaria estar presente.
Angela compreendeu, mas sua animação murchou como um balão.
Meia hora depois da partida de Ben, após algumas palavras de incentivo e algumas ameaças, Bella conseguiu convencer a melhor amiga a não desistir de ir à casa noturna.
Quando o táxi parou em frente ao Hilton, Bella inventou uma história de que precisava buscar uns documentos na suíte 206, mas que não queria ir lá porque era Tanya quem lhe entregaria os documentos.
Irritada por causa do bolo que recebera, Angela concordou de má vontade em buscar os tais documentos.
— Você vai ficar me devendo essa, Swan. — murmurou Angela, mal humorada, e saiu do táxi.
Bella sorriu e observou a amiga entrar no hotel, seguindo para o elevador.
— Você é quem me deve, Weber. Espere e verá.
— Senhorita? — quis saber o taxista, achando que ela tinha falado com ele.
Bella dispensou o assunto e disse-lhe que seguisse para a casa noturna. Embora Ben e Angela não fossem mais acompanhá-la, ainda encontraria alguns amigos e colegas da PW lá. Continuava com sua intenção de celebrar naquela noite. Não apenas o próprio sucesso, mas a felicidade de seus amigos.
A vida não poderia estar melhor.
— ~ —
— E você não percebeu nada de anormal nos últimos dois meses, Cal? — quis saber Edward, fitando o gerente da Eclipse, sua mais antiga e mais famosa casa noturna.
George Calhoun meneou a cabeça, os bastos cabelos escuros agitando-se com o movimento. Era um irlandês alto e musculoso, muito mais velho que Edward, mas a expressão com que fitava o jovem patrão era de inconfundível respeito e submissão.
— Tudo tem estado normal, senhor Cullen. Como sempre foi. — disse Cal. — Nós verificamos as câmeras de segurança, em busca de algum frequentador da casa que agisse de forma suspeita, mas não encontramos nada.
Edward assentiu, o olhar sombrio.
— Não achei que fossem encontrar. Quem quer que esteja por trás desses assassinatos, espera suas vítimas do lado de fora. E sabe como agir sem ser pego por câmeras de segurança. — murmurou ele. — De qualquer modo, obrigado por suas atualizações, Cal.
— Não há de quê, senhor. — disse o gerente e, compreendendo a dispensa, retirou-se da sala.
Edward se virou para a parede envidraçada do escritório e observou a boate, que ficava no primeiro andar da casa noturna. Como era noite de sexta-feira, o espaço lá em baixo estava lotado de frequentadores, espalhados ao longo do bar, das mesas, ou na pista de dança.
Ele observou as pessoas, especialmente as mulheres, suas expressões descontraídas e relaxadas, e seu olhar sombrio intensificou-se. Um pensamento mórbido lhe ocorreu. Qual daquelas moças seria a próxima vítima?
Ele observou os homens, tentando ler suas expressões, atitudes e gestos, numa vã tentativa de tentar reconhecer o assassino que estava ameaçando o bem estar de suas clientes.
Embora Emmett estivesse à frente da investigação, Edward decidira ir à casa noturna naquela noite para tentar coletar algumas informações ele mesmo. Parecia tolice, mas sentia-se inquieto naquela noite, com a sensação de que devia fazer alguma coisa. Sabia que, quando se sentia assim, a melhor coisa era agir.
Com as mãos nos bolsos, ele vasculhou a boate mais uma vez, ciente de que a película do vidro o protegia dos olhares curiosas lá de baixo. Foi então que, ao observar o bar, ele a avistou.
Isabella Swan.
Ela estava sentada diante do balcão, conversando com uma mulher loira, com o rosto virado na direção dele. Edward observou os olhos castanhos, exóticos e profundos, que refletiam as luzes dançantes. Eram, ele pensou, olhos em que um homem podia se afogar. Consciente e voluntariamente. Os lábios cheios, que no momento moviam-se enquanto ela falava, eram impossivelmente sedutores. Ele sabia que o tom vermelho não tinha nada a ver com maquiagem. Ela esboçou um breve sorriso. O gesto simples atingiu-o com força, despertando-lhe uma inesperada onda de puro desejo, que o fez cerrar as mãos em punhos dentro dos bolsos. Sua repiração tornou-se irregular.
Antes mesmo de pensar no que estava fazendo, Edward deixou o escritório, e rumou para o bar.
— ~ —
Bella agradeceu a bebida que o barman lhe serviu e deu um gole no martini. Era seu terceiro copo da noite, lembrou, e tentou decidir quantos ainda aguentava tomar antes de pedir socorro. Mais dois, decidiu. Depois disso, devia começar a pensar antes de beber.
— Fiquei muito feliz quando a senhorita Cullen nos procurou. — disse Bella, retomando sua conversa com Rosalie, agora McCarty. Tinha encontrado a antiga cliente no bar, quando fora designada a buscar bebida para os amigos. Agora, como eles estavam na pista de dança, ela usava como desculpa aquela conversa para não ter que dançar. Sabia dançar, mas ainda precisaria daqueles dois copos de martini para ter coragem de ir para a pista. — Obrigada por nos indicar.
Rosalie sorriu. Tinha uma beleza exuberante, cabelos louro-platinados, olhos azul-violeta e sensuais. Bella se lembrou de que Rosalie tinha sido uma das noivas mais bonitas que já vira até agora. Bastante como aquelas que estampavam revistas de casamento. Mas, Bella acabou descobrindo, havia muito mais de Rosalie por trás da beleza. Sua antiga cliente era também uma mulher séria, mas justa, gentil e inteligente.
— Eu não indiquei vocês. Indiquei você. — disse Rosalie, bebericando sua bebida. — Se fosse por Tanya, eu nem sequer comentaria com Alice sobre a Pretty in White. Mas você e Carmen me conquistaram.
— Ah. — Bella ficou imaginando se era por isso que as chefes a haviam designado para o casamento de Rosalie. Sabia que Carmen era a mais solicitada, depois Tanya e depois ela. Desde que Bella havia sido promovida, seis meses atrás, essa era a ordem como os eventos eram distribuídos na PW. Mas ela sempre se perguntara porque haviam pulado Tanya na preparação do casamento de Rosalie, uma vez que o evento não era pouca coisa. Agora ela sabia. — Me sinto honrada.
— Pois devia. — Rosalie esboçou um sorriso enviesado. Ela lançou um olhar ao redor, em busca do marido. Quando avistou Emmett conversando com um dos seguranças, voltou sua atenção para a conversa. Emmett ainda estava trabalhando.
— Pensei que você estaria em lua de mel. — disse Bella, que tinha acompanhando o olhar de Rosalie.
— Não. Nem Emmett, nem eu podíamos deixar nossos trabalhos agora. Vamos deixar a lua de mel para o verão. — disse ela, o tom pragmático.
— É uma ótima solução. — Bella deu mais um gole no martini, bastante relaxada e continuando com seu objetivo de comemoração.
— Com licença, senhoritas. — O barman as interrompeu, colocando diante delas dois copos de uma bebida rosa que Bella não reconheceu. — Os cavalheiros ali desejam lhes oferecer uma bebida.
Ambas olharam na direção dos "cavalheiros". Os dois homens de cabelos escuros e olhares maliciosos ergueram seus copos, como se brindassem, e sorriram para elas. Eles eram bonitos, mas tinham "galinhas" escrito em todo o rosto.
Rosalie ergueu a mão esquerda, indicando a aliança e o anel de noivado, e a expressão deles murchou um pouco. Ela se virou para Bella.
— Você pode me emprestar sua aliança? — perguntou Bella, ao que Rosalie riu. Depois, voltou-se para o barman. — Obrigada, mas pode devolver.
O barman assentiu educadamente e retirou as bebidas.
Bella se virou novamente para Rosalie... e parou de respirar quando avistou Edward Cullen caminhando em sua direção.
Ele estava ainda mais bonito que na noite do casamento de Rosalie, quando usava um smoking igual ao do filho. Os cabelos bagunçados eram sexy e quase indecentes. Pareciam os de um amante que acabou de sair da cama, após uma longa e prazerosa noite de sexo selvagem. E o modo como os olhos dele brilhavam, fitando-a como se conhecesse cada um de seus segredos mais íntimos, fazia-a pensar em noites de verão, palavras incoerentes e prazer. A boca dele, curvada num meio sorriso, prometia calor, movimento, talvez um pouco de voracidade. Era uma combinação inflamável, pensou Bella, e o fogo estava instalado em cada célula de seu corpo, tão intenso que ficou surpresa por as roupas não terem virado cinza.
Muito álcool no sistema, pensou Bella. Certamente, o rumo de seus pensamentos era efeito do álcool.
Obrigando-se a conter as próprias fantasias, ela soltou o ar deliberadamente e esboçou o que — esperava — era um sorriso simpático.
— Senhor Cullen.
Ele esboçou um meio sorriso e, incapaz de resistir à vontade de tocá-la, estendeu a mão.
— Senhorita Swan. — O aperto firme, a pele suave e quente. Exatamente como ele lembrava.
— Como está Anthony?
A pergunta, tanto quanto a suavidade nos olhos dela, o surpreendeu.
— Muito bem. Felizmente, não o perdi mais de vista.
Bella riu, mas parou quando os olhos dele escureceram. Talvez não fosse uma piada, pensou, e deu um último gole em seu martini para disfarçar.
Rosalie apoiou o cotovelo no balcão e fitou Edward.
— Então, Edward, eu não sabia que você viria aqui hoje. — Ela lançou um olhar na direção onde o marido estava e parecia como se pretendesse dizer algo com o gesto. Edward seguiu o olhar, mas limitou-se a mover os ombros.
Bella franziu o cenho. Tinha alguma coisa de… curiosa naquela troca de olhares.
— Tive que resolver um problema de última hora. — disse Edward e isso era tudo o que falaria sobre o assunto.
Rosalie assentiu e se dirigiu à Bella.
— Edward é dono da Eclipse.
— É mesmo? — Ela disse, fitando Edward. — Pensei que você fosse do ramo imobiliário.
— A Eclipse é um negócio paralelo. — murmurou ele. Moveu os ombros, o gesto casual. — É um bom investimento, especialmente numa cidade como essa, que tem uma vida noturna bastante ativa. Está se divertindo?
— Ah, sim. — Bella assentiu, mas não deixou de perceber como ele havia mudado de assunto. — Estou aqui com alguns amigos. — Ela gesticulou na direção da pista de dança, o gesto deliberadamente amplo.
Edward franziu o cenho.
— Você não gosta de dançar?
Bella deixou escapar uma risada nervosa.
— Preciso alcançar uma quota mais elevada de álcool antes de criar coragem. — Para enfatizar, ela ergueu o copo de martini, agora vazio.
Ciente de que estava ficando de fora, Rosalie pigarreou e levantou-se de seu lugar.
— Vou falar com Emmett. — anunciou, decidindo aquilo num ímpeto. Então, fitou Edward, como se, pensou Bella, estivesse pedindo a permissão dele.
Edward assentiu brevemente.
— Diga a Emmett para se divertir um pouco.
Rosalie suspirou, esboçando um sorriso grato.
— Obrigada. Nos vemos por aí, Bella. — disse ela, beijando-lhe as duas bochechas.
Bella a observou se afastar, de repente tornando-se bastante ciente de que, agora, estava sozinha com Edward Cullen. Bem, tão sozinha quanto era possível ficar numa casa noturna lotada.
— Você se importa se eu sentar? — Ele apontou para o banco que Rosalie deixara vazio.
— Não, claro que não. — O lugar é seu, afinal, pensou ela e observou-o ocupar o banco com uma agilidade e elegância dignas de um puma.
Edward mal havia ocupado seu lugar e o barman já estava diante do balcão. Ele se virou para Bella, descobrindo-se mais próximo dela do que já estivera. O perfume suave chegou até ele, despertando aquela recém-nascida pontada de desejo em seu interior. O que faria em relação a isso? Já passara da época em que se deixava guiar por desejos, hormônios, seja lá o que isso fosse. Ainda assim, não conseguia ficar longe dela.
Sua intenção, ao vir ali, era apenas cumprimentá-la, tentar provar a si mesmo que podia vê-la e resistir. Mas agora estava sentado ao lado dela e, percebeu, bastante tentado a mantê-la como companhia. E isso, decidiu Edward, poderia se tornar um problema.
Ele observou o rosto dela, a pele pálida e frágil, os olhos cor-de-chocolate e inocentes. Ela podia ter os olhos sensuais e misteriosos de uma cigana, especialmente naquele momento, com a maquiagem, mas eles também continham um brilho sonhador.
Definitivamente, isso poderia ser um problema.
O garçom lançou-lhe um olhar de esguelha. Percebendo que ele ainda esperava seu pedido, Edward se virou para Bella.
— Gostaria de uma bebida? — perguntou ele,
Bella baixou os olhos para o copo em suas mãos. Seria sensato beber? Quer dizer, ela já se sentia meio embriagada. Embora, talvez, isso não estivesse, exatamente, relacionado às doses de martini que já cosumira.
— Sim, claro.
— Dois martinis. — Edward disse ao barman, que se afastou para buscar as bebidas. Edward sentou-se de modo confortável, virando-se de modo a ficar de frente para ela. — Então, senhorita Swan, você vem sempre aqui?
Bella encontrou os olhos dele, encontrando-os fitando-a com um brilho divertido, e riu.
— Na verdade — Ela observou as bebidas serem colocadas diante deles. Hmmm, nada como ser o chefe, pensou. —, eu nunca tinha vindo à Eclipse.
Edward assentiu. Por isso nunca a tinha visto ali. Imaginou se, caso ela frequentasse a boate, ele a teria notado. Uma voz dentro da própria cabeça sussurrou que sim, mas ele era racional demais para ouvir tal voz.
— Não sou uma pessoa noturna. — continuou Bella, bebericando seu martini, grata pela bebida estar gelada. Sentia-se nervosa pelo modo como ele a fitava. Como se ela fosse um coelho diante de um puma, pensou. Mas, oh, o beliscão em seu estômago não tinha nada a ver com medo. — Você é? Uma pessoa noturna, quero dizer. Deve ser, já que é dono desse lugar.
— Eu costumava ser. Mas agora tenho outras ocupações. Responsabilidades.
Ela sorriu, o gesto suave.
— Anthony.
Edward não estava se referindo apenas ao filho, mas assentiu.
— Anthony, certamente, é uma de minhas ocupações. — disse ele e bebeu um gole de martini. Uma súbita pontada de culpa o atingiu. O filho devia ser sua prioridade número um. Ainda assim, estava ali, quando podia muito bem estar em casa, com Anthony.
— Ele deve mantê-lo bastante ocupado. — refletiu Bella, distraída, contornando a borda de sua taça. — Sua irmã disse que ele tentou ensiná-la a fazer pássaros de origami.
Ele curvou os lábios brevemente, lembrando-se do episódio.
— Pobre Anthony. Ninguém consegue manter Alice parada por mais que dez minutos. Ela nunca teve paciência para esse tipo de coisa. Mas você tem. Você parecia bastante à vontade no casamento, ao lidar com Anthony.
— Ah, bem. Já trabalhei como animadora de festas infantis. Tinha que pagar as contas de alguma maneira. — Bella moveu os ombros quando ele a fitou com um olhar intrigado. — Mas Anthony é uma criança adorável e doce. Não foi muito difícil lidar com ele.
Edward a fitou, intrigado, tentando interpretar o tom e o olhar dela. Tinha conhecido sua quota de mulheres que usavam seu filho para tentar conquistá-lo. Além disso, o histórico de Anthony com ele e com as babás, que tinham sido sete só no último ano, não contribuía muito para aquela descrição que Isabella Swan fazia de seu filho.
Certamente, Anthony estava se comportando quando ele o encontrara com Isabella, na noite do casamento. Mas conhecia o filho e sabia que ele era tão impaciente quanto Alice. Mais que isso, Anthony era genioso e, não raramente, tendia a ter ataques de birra.
Ele se lembrou do episódio no carro, quando voltava com Anthony após buscá-lo da escola, e da teimosia inicial de Anthony em conversar com ele. A babá tinha dito que, depois que Edward entrara em casa, o filho, num ataque de fúria infantil, destruíra o trabalho com os feijões. Edward não compreendia o motivo, uma vez que Anthony parecera orgulhoso quando lhe mostrara a atividade.
Era tão frustrante, pensou Edward. Esforçava-se para que Anthony tivesse de tudo, mas, ainda assim, parecia que isso não era suficiente. Nem de longe suficiente.
— Ele é o seu único filho? — perguntou Bella e arqueou uma sobrancelha quando ele a fitou meio distraído.
Edward bebeu mais um gole de martini, ganhando tempo, e assentiu.
— Sim. Só tenho Anthony. A mãe dele morreu quando ele era um bebê.
— Sinto muito.
— Faz muito tempo. — Ele dispensou o assunto. Não gostava de falar sobre a mãe de Anthony. — Você é daqui, senhorita Swan?
Bella mordeu o lábio inferior. A maneira como ele mudava subitamente de assunto era irritante. Pior que isso, começava a perceber que ele sempre mudava de assunto e fazia a conversa se voltar para ela.
— Não. Na verdade, eu sou de Washington. De uma cidadezinha chamada Forks. Meu pai ainda mora lá.
— O que a trouxe a Chicago?
— Um namorado e uma kombi velha. — disse Bella, ao que ele arqueou uma sobrancelha. Ela sorriu e deu de ombros. — Eu era jovem.
— Parece uma história interessante. — Edward inclinou a cabeça para o lado, o olhar curioso. Estava tentando não reparar nas pernas cruzadas dela, que o vestido curto exibia quase que completamente. Eram um belo par de pernas, pensou e imaginou se a pele ali seria tão suave quanto aparentava. Ele mudou de posição no banco. — O que a fez deixar sua cidade?
— Eu não queria mais viver em Forks. Meu pai e eu… nós tínhamos um relacionamento difícil. Então, quando conheci James e ele me ofereceu uma saída, eu parti com ele.
— Numa kombi.
Bella assentiu, sorrindo.
— Ela resisitiu bravamente à viagem. E durou mais tempo que meu relacionamento. É claro, nenhum dos dois está mais na minha vida.
— Separação difícil?
— De Sally, com certeza, já que ela foi meu passaporte para a liberdade. Sally é a kombi. — acrescentou ela a guisa de explicação. — De James… — Ela fez uma careta. — Foi um alívio.
Edward ergueu sua taça, oferecendo um brinde.
— À boa e velha Sally.
Bella riu, grata por ele não se ater ao assunto sobre seu antigo relacionamento, e imitou o gesto dele.
— À Sally. — disse e bebeu um gole de martini, ciente de que ele a fitava, os olhos verdes novamente escurecidos. Qual era o problema dele com risadas?, pensou e baixou os olhos. Ocupou-se em contornar a borda de sua taça, nervosa e agitada demais para encará-lo no momento. Tinha a impressão de que, se encontrasse o olhar dele agora, deslizaria direto para o chão. Só não tinha muita certeza se de medo ou pura excitação.
O celular de Edward tocou, soando abafado pelo som na pista de dança. Ele verificou o visor e fez uma careta.
— Desculpe, senhorita Swan, mas preciso ir.
Bella se sentiu mais desapontada do que deveria. Mas, mesmo assim, assentiu serenamente.
— É claro. Sem problemas. Mas o nome é Bella. — Ela sorriu. Ele não era o único capaz de mudar de assunto subitamente. — Senhorita Swan me faz pensar que estou no trabalho.
Ele esboçou um sorriso enviesado.
— É claro. Nos veremos em breve, Bella. — disse, sua língua acariciando o nome, os olhos nos dela. Ele tinha um olhar que parecia capaz de ler cada fantasia que passava pela mente dela naquele momento. Fantasias que envolviam ele, ela, lençóis bagunçados e mãos em todo o lugar.
Meio hipnotizada e com a mente enevoada, ela assentiu.
— Em breve. — murmurou.
Edward estava quase fora de alcance quando Bella o chamou, lembrando-se de algo que queria falar com ele.
— Anthony me convidou para a festa de aniversário dele, no domingo.
— Sim, eu sei.
— Você… Oh, ok. — disse ela e pigarreou. — Eu só queria checar. Tenho quase certeza de que foi um convite de última hora e não sabia se você concordava, então… — Ela gesticulou, sentindo-se idiota, ciente de que estava tagarelando. Tinha ido tão bem até agora.
Edward sorriu.
— A festa é de Anthony. Então, quem ele quiser convidar, é bem-vindo. — disse ele e, após um instante, acrescentou: — Além disso, eu mesmo gostaria de tê-la convidado. Felizmente, meu filho é esperto. Que bom para nós dois.
Bella o observou se afastar, a respiração suspensa, ciente de que estava boquiaberta. Antes de parecer uma idiota, sorveu o resto do martini numa única golada.
O que diabos devia pensar depois dessa?
N/A: Então, o que acharam?
