N/A: Feliz Dia das Mães! Tem alguma leitora mamãe por aí? :) Obrigada pelos comentários. Amei ler as reações de vocês para o beijo. Boa leitura!
CAPÍTULO OITO
Na quinta-feira de manhã, quando chegou à Pretty in White, Bella estava correndo. Seu despertador decidira não tocar, fazendo-a acordar dez minutos depois do horário habitual, o salto de seu sapato resolvera quebrar, bem na hora que estava saindo de casa, e ela ainda tinha enfrentado um trânsito terrível na Avenida Michigan. Como resultado, estava vinte minutos atrasada para encontrar uma nova cliente.
— Oi, Leah! — exclamou Bella, enfiando as chaves do carro na bolsa, passando pela secretária numa corrida.
Leah ergueu os olhos do computador.
— Espere, Bela, você… — Tentou dizer, mas Bella já havia passado por ela como não mais que um borrão. — Acho que vai ser uma surpresa, então. — murmurou consigo mesma e voltou sua atenção para o computador.
Bella entrou na sala de cabeça baixa, revirando a bolsa em busca de sua agenda. Quando ergueu os olhos, avistou o delicado arranjo de flores sobre sua mesa. Ela parou no meio do pequeno escritório, olhou para os lados, depois por sobre o ombro, como se achasse que veria quem entregara aquilo saindo pela porta. Mas não havia ninguém ao redor. Ela voltou a observar as flores.
O belo arranjo de tulipas vermelhas, mergulhadas num elegante vaso de vidro quadrado, fez Bella sorrir. Ela largou a bolsa numa cadeira e se aproximou. Não precisava ler o cartão para saber quem havia enviado as flores, mas, mesmo assim, pescou-o de entre os ramos verdes.
Queria saber o que ele escrevera dessa vez:
E agora, já teve tempo para pensar?
E.
Ela leu a simples pergunta uma dezena de vezes. Ele estava falando do beijo e, apesar da pergunta, dando espaço para ela decidir o que queria fazer em relação a isso. Era algo que Bella não esperava.
Edward parecia o tipo de homem que conquistava o que queria, quando queria. Parecia não, pensou melhor. Sabia que ele era exatamente esse tipo de homem. Lembrou-se do aniversário, do que ele dissera sobre sempre conseguir o que queria na primeira tentativa — a lembrança disso, da promessa sedutora nos olhos dele, ainda a deixava meio trêmula. Somado a isso, tinha o fato de que ele já dissera que a queria.
Sabia que Edward era um homem de iniciativa. Ele não seria poderoso e bem sucedido se fosse do tipo que ficava esperando. Mas, ao que parecia, era exatamente isso o que estava fazendo em relação a ela.
Enviar flores, pensou Bella, era um passo dado para seduzir, não simplesmente conquistar.
— Swan.
Ela se virou e fitou Tanya Denali parada na soleira da porta de seu escritório
Ah, merda, era só o que faltava!
— Senhorita Denali, olá. — Bella recolocou o cartão no envelope e, discretamente, deixou-o sobre a mesa, ao lado das flores.
— A Noiva Collins já está aqui. Faz quase uma hora que ela está à sua espera.
Não fazia nem meia hora, pensou Bella, mas evitou uma discussão com a chefe. As flores tinham melhorado o seu humor. Não o suficiente para querer abraçar Tanya — imaginava que nem todas as flores do mundo fariam isso acontecer —, mas o bastante para fazê-la ignorar o olhar de gato desdenhoso da chefe.
Bella começou a reunir seu material de trabalho.
— Eu estava indo para a sala de reuniões. — disse ela, tirando a agenda da bolsa.
Tanya a fitou com uma expressão carrancuda, como a de alguém que experimentou algo muito amargo e nunca se recuperou da sensação.
— Sabe, nós não promovemos você para que chegasse mais tarde. Um cargo mais alto requer mais comprometimento.
Bella sabia que seria inútil argumentar e explicar que não chegara tarde por opção. Tanya tinha essa antipatia inexplicável por ela, desde o primeiro instante em que haviam se conhecido, e ela estava cansada de lutar contra um sentimento irracional. Simplesmente porque não havia sentido. Além disso, sabia que Tanya só estava fazendo aquilo porque estava aborrecida.
O casamento de Alice tinha sido a gota final no caldeirão "Odeio Isabella Swan" que Tanya com certeza mantinha em algum canto de sua masmorra.
— Estou bastante ciente disso, senhorita Denali. — murmurou Bella, suas anotações, a agenda e o notebook no braço. — Agora, se me dá licença, minha agenda está cheia e eu preciso encontrar a minha cliente.
Tanya crispou os lábios, mas não fez nenhum comentário diante da alfinetada. Estava ocupada, fitando o arranjo sobre a mesa de Bella.
— Belas flores.
Bella observou as tulipas, os cantos dos lábios curvando-se, mas conteve o sorriso. Tanya era como um Dementador, se você demonstrasse felicidade, ela seria capaz de arrancá-la com o poder de seu mau humor.
— Sim, elas são. — disse, mas com uma expressão composta.
Tanya franziu o cenho.
— Um cliente satisfeito?
Meu Deus, pensou Bella, além de mau humorada e arrogante, sua chefe também era fofoqueira.
— Mais ou menos isso. — Ela caminhou até a porta, obrigando Tanya a dar um passo para o lado para deixá-la passar. — Tenha um bom dia, senhorita Denali.
Diante do tom cínico, o rosto de Tanya contorceu-se numa nova careta, mas Bella estava de costas e não viu a expressão dela.
Quando Tanya a ouviu entrar na sala de reuniões, entrou no escritório e pescou o cartão, na esperança de descobrir quem era o remetente. Mas havia apenas um "E" como assinatura.
Droga! Queria saber quem tinha enviando aquelas flores à Swan. Pelo que sabia, aquela já era a segunda vez em pouco tempo que a funcionária recebia flores.
Tanya não estava apenas curiosa, como também tinha informações interessantes sobre a funcionária, que interessariam esse tal admirador.
Afinal, esperava há sete anos para destruir Isabella Swan.
— ~ —
Depois de uma manhã agitada, Bella voltou à sua sala para buscar a bolsa e sair para almoçar. Estava atravessando a recepção, rumando para a saída da PW, quando o celular tocou. Uma breve verificada na tela lhe mostrou que era Alice quem ligava.
— Bella, oi. — disse Alice quando ela atendeu. — Não achei que conseguiria falar com você a tempo, mas que bom que atendeu. Você já almoçou?
Bella franziu o cenho.
— Não, estava saindo agora mesmo para almoçar. Por quê?
— Ah, bem, porque eu pensei que podíamos almoçar juntas. Mamãe também vai. — Ela explicou. — Tem umas coisas sobre o casamento que eu queria conversar com você, mas gostaria de fazer isso de maneira mais informal. Você se importa?
— De modo algum. — A máxima da PW era realizar todos os desejos de suas clientes. Mesmo porque elas pagavam muito bem por isso. — Onde você quer que eu a encontre?
Alice deu o nome e o endereço do restaurante em que poderiam se encontrar dali quinze minutos. Bella desligou e seguiu para o local, agradecendo o fato de que não teria nenhuma cliente até às quatro da tarde. Seria possível estender o almoço, se fosse necessário.
O restaurante escolhido por Alice era um ambiente refinado e elegante, com sua decoração clássica, paredes claras, mesas redondas com pratos de porcelana, toalhas de linho branco e lustres dourados nos tetos. Era o tipo de lugar que Alice e Esme deviam estar habituadas a frequentar, pensou Bella e seguiu o maitrê. Ele a levou em direção ao terraço, conduzindo-a até uma mesa de canto, que tinha vista panorâmica da cidade, que as Cullen já ocupavam.
— Muito obrigada por vir, Bella. — Alice disse, depois dos costumeiros cumprimentos, e voltou a ocupar seu lugar à mesa. — Prometo que não vamos demorar muito.
— Não se preocupe, Alice. Eu tenho tempo. — disse Bella, não apenas porque gostava de Alice e estava empolgada em organizar o casamento dela, mas também porque aquela era a conduta da empresa em que trabalhava.
Elas fizeram seus pedidos antes de começar. Quando o garçom se retirou, Alice começou a falar.
Ela tinha chegado a uma decisão em relação aos três projetos que Bella apresentara, escolhendo o que propunha uma decoração na cor champanhe, com um altar de pérgula, repleto de prímulas e barbas-de-velho, que dariam um aspecto de floresta ao ambiente da cerimônia. Para receber os convidados, uma decoração simples e graciosa, encantada, de certa forma, com lustres de velas falsas pendendo dos galhos de árvores, rosas como arranjos de mesa e cadeiras de ferro com saias esvoaçantes de seda rosa, que lembravam asas de fadas.
Bella imaginava que Alice escolheria aquela decoração, depois que a noiva escolhera o vestido. Essa ou uma em tons de azul, mas ficava feliz com aquela escolha. Especialmente porque achava que essa combinava mais com o jardim do chalé.
Quando o almoço foi servido, elas fizeram uma pausa do tema casamento e conversaram sobre outras coisas. Esme contou sobre um evento beneficente que estava organizando em uma ala para pacientes carentes, que ficava no hospital onde Carlisle trabalhava.
— Será daqui duas semanas, no sábado. — disse ela à Bella. — Nós conseguimos ótimas doações de itens este ano e os convites já estão esgotados. Isso é ótimo para as crianças.
Bella observou o sorriso satisfeito de Esme. Ela gostava do que fazia, percebeu. Não era só por aparência que se envolvia com caridade. Sempre achara que as donas-de-casa ricas envolviam-se com aquelas causas para se autopromover, mas percebeu que não era o caso com Esme.
— Tenho certeza de que o leilão vai ser um sucesso. — disse Bella e ergueu sua taça, como se brindasse a isso. — Espero sinceramente que seja.
— Obrigada, querida.
— Você disse que o leilão vai acontecer no Hilton? — Bella disse após um instante.
— Sim. Por quê?
— Eu acho que ouvi falar desse evento. — disse Bella, tentando se lembrar onde ou quem ouvira falar sobre aquela festa. — Ah, acho que foi o Ben que comentou. Ele é meu amigo, noivo da Angela. — Ela acrescentou quando viu o olhar confuso das outras duas.
— Angela está noiva? Mas que maravilha! — disse Esme, bebericando seu champanhe.
— Parece que todo mundo resolveu se casar.
— Sim, é uma epidemia. — Bella bebeu ela mesma um gole da bebida gelada. Já tinham terminado a refeição, mas haviam pedido mais uma rodada de champanhe. Não estava habituada a isso, mas, caramba, era extremamente relaxante.
Alice a fitou.
— Talvez você também seja vítima dessa epidemia.
— Bem, eu nunca digo nunca. — disse Bella em um tom leve e arqueou uma sobrancelha quando o celular começou a tocar. — Desculpe. — Ela fitou o visor, mas o número apareceu como oculto. Ela pediu licença às outras duas e se levantou para atender a ligação.
— Alô?
Não houve resposta do outro lado, mas ela sabia que havia alguém na linha.
— Alô? — Bella repetiu. — Quem é?
— Tome cuidado. Os Cullen não são o que parecem.
— O quê? — disse ela, mas a ligação já havia sido encerrada. Ela franziu o cenho e fitou o celular. Que espécie de brincadeira era aquela?, pensou, mas sentiu uma inquietação na nuca. Ela olhou para os lados, de repente sentindo que estava sendo observada, mas, depois, meneou a cabeça e espantou a sensação.
Era só um trote idiota, disse a si mesma. Um bem ridículo, por sinal.
Voltou à mesa, onde Alice e Esme conversavam. Elas sorriram e a incluíram na conversa. Ela devolveu o sorriso.
Não havia nada a ser temido ali, disse a si mesma. Sabia que Alice, Esme e todos os Cullen eram exatamente o que pareciam.
— ~ —
O Volvo preto, com películas escuras nos vidros, entrou na rua deserta e gasta sem fazer ruído. O veículo luxuoso não combinava com a rua de prédios decadentes, lojinhas de procedência duvidosa e pedestres suspeitos que usavam tatuagens em várias partes do corpo e tinham olhares perigosos. Mesmo assim, quando o carro elegante entrou na rua, ninguém o olhou duas vezes.
Ao contrário, todos desviaram o olhar. Sabiam que era mais seguro e sábio do que mexer com quem estava dentro do carro.
O veículo estacionou diante de um prédio de tijolos cujo aspecto não era muito promissor. Nas janelas, a habitação sustentava tábuas de madeira para supostamente tapar vidros quebrados. Na porta, pelo lado de fora, havia um interfone meio antigo e gasto. Era ele quem separava os frequentadores do prédio daqueles que não tinham permissão para entrar.
Como se conseguia permissão para entrar?
Bem, você precisava ser poderoso, ter recursos e um nome que os outros respeitassem.
Edward tinha tudo isso.
Ele saltou do carro e foi direto para o interfone, sem olhar duas vezes para o lugar ao redor, que não combinava com sua aparência executiva, nem com o carro opulento que o trouxera ali. Sem perder tempo, digitou um número no interfone, falou algo numa voz baixa. Logo, a porta se abriu para ele.
Ele era Edward Cullen, afinal. As portas sempre se abriam para ele.
O interior do prédio era bem diferente de sua fachada precária. Por dentro, o lugar exibia uma decoração sóbria, moderna e prática. Claro, era também luxuoso. Todos os frequentadores daquele prédio eram acostumados ao luxo.
Todos os frequentadores eram, também, criminosos. Mafiosos, pensou Edward. Era como a mídia se habituara a chamá-los nas primeiras décadas do século passado. Hoje em dia, não se falava muito sobre coisas como a máfia. Sabia que não porque o assunto havia perdido o encanto.
A máfia, simplesmente, tornara-se mais habilidosa em se manter no anonimato. A atenção da mídia, afinal, podia ser lisonjeira, mas também trazia muita dor de cabeça.
Edward atravessou um corredor e, logo, estava numa ampla sala de jogos, com mesas redondas para seus frequentadores, bem como um bar muito bem equipado, e música baixa e da melhor qualidade. Era um lugar de negócios, mas não significava que os negócios não pudessem vir acompanhados de diversão.
Levando-se em consideração que era o meio da manhã, o lugar estava praticamente vazio. Os frequentadores dali, afinal, tinham que manter suas ocupações civis — ao menos durante alguma parte do dia.
Edward seguiu direto para os fundos do salão, passando pelo bar e chegando a um estreito corredor, que levava direto a uma porta de carvalho entalhada. Ao vê-lo, o segurança assentiu e abriu a porta sem que palavras fossem necessárias.
Naquele negócio, manter-se calado era uma opção sábia.
A porta foi aberta para revelar uma nova sala, bastante diferente do salão por onde passara. O ambiente também era luxuoso e bem equipado, mas recendia completamente a negócios. A sala funcionava como um escritório.
Do outro lado da mesa de carvalho, estava um homem de meia-idade, cabelos escuros e olhos negros. Ele ergueu a cabeça quando a porta foi aberta e curvou os lábios ao ver o recém-chegado.
— Meu caro Edward.
— Aro. — Ele assentiu, sem sentir necessidade de um aperto de mãos. Ele e Aro Volturi mantinham negócios há anos e conheciam-se muito bem para trocar formalidades tão banais. Além disso, não era como se fossem parceiros de negócios e amigos. Respeitavam-se porque era conveniente, mutuamente benéfico, mas Edward sabia que, no fundo, havia ressentimento entre sua Família e a de Aro.
Os Cullen tinham, afinal, destruído o império dos Volturi. Mas isso era história antiga.
— Devo dizer, fiquei curioso quando recebi sua ligação. Uísque?
— Sim.
— Seco ou com gelo?
— Seco.
Aro providenciou as bebidas com a expertise e prática de anos. Entregou o copo a Edward e indicou-lhe uma cadeira.
— Como eu disse — Ele ocupou seu lugar atrás da mesa. —, sua ligação me deixou curioso. Houve alguma situação com aquele carregamento que lhe enviamos?
— Não. O carregamento chegou no prazo e intacto. — Edward bebeu um gole do uísque. — Eu não vim aqui para falar de negócios. Não os que fazemos, pelo menos.
A informação captou a atenção de Aro. Ele se inclinou um pouco em sua cadeira.
— Isso deve ser interessante. — disse, os cantos dos lábios curvando-se, mas o gesto nem de longe formou um sorriso.
Edward bebeu mais um gole de uísque.
— Tenho razões para acreditar que alguém está tentando me intimidar. Você ouviu falar dos assassinatos na Rua Shore?
— De fato, ouvi. — Ele franziu o cenho. — Você acha que é alguma desavença? Alguma Família tentando atingi-lo?
— Não sei se uma Família, mas, sim, quem está por trás disso está tentando me atingir.
— O que o faz pensar assim?
— A mensagem é clara. Todas as vítimas frequentaram a Eclipse antes de serem mortas. Você e eu estamos nesse negócio tempo suficiente para ler o recado.
Aro assentiu, levando uma mão ao queixo.
— Sim, certamente. Você reforçou a segurança?
— Tanto da boate quanto da minha família.
O homem mais velho assentiu.
— Como vai a família, aliás? Eu soube que Anthony assoprou as velas recentemente.
Edward conteve a vontade de revirar os olhos. A linguagem rebuscada de Aro era ridícula.
— Sim, ele fez aniversário há pouco tempo. Obrigado pelo presente. — acrescentou, sabendo que o gesto não tinha nada de gentil. Era uma maneira de lembrar Edward que ele o conhecia muito bem e que podia atingi-lo. Embora ele duvidasse que Aro tivesse coragem de fazer qualquer coisa.
— Espero que o pequeno Anthony tenha gostado. — Aro ergueu o copo, como se brindasse a isso. — Sabe, Edward, você se parece com seu pai em muitos aspectos, mas eu nunca chegava a conversar com ele sobre você e sua irmã.
— Nós não estávamos falando de Anthony. Ele apenas foi mencionado. — Edward terminou sua bebida. — Preciso que você aborde seus contatos, para ver se eles têm alguma pista que me leve a esse assassino. A polícia é inútil.
Aro riu.
— Como sempre. Eu vou verificar. Aviso você assim que tiver informações.
Edward assentiu e se levantou.
— Tenha um bom dia, Aro.
— Você também, meu caro. — Ele o acompanhou até a porta, abrindo-a para Edward. — E cuide-se. Não queremos que nada de ruim aconteça a você. Ou aos seus.
— ~ —
Quando voltou à PW para a reunião das quatro horas, Bella já não pensava mais na estranha ligação que havia recebido. Um milhão de planos passava por sua cabeça, e ela não tinha tempo para ficar pensando em bobagens.
A reunião foi bastante produtiva. Embora a noiva fosse um pouco excêntrica, ela tinha levado a mãe junto consigo — o que adicionou sobriedade em meio a pedidos como estátuas de gelo em formato de extintores de incêndio (o noivo era bombeiro) e duas tartarugas no lugar da daminha e do pajem (a noiva era veterinária). As duas ideias foram trocadas, embora as tartarugas tivessem sido substituídas por poodles, mantendo a vontade da noiva de ter algum animal, mas sem matar os convidados de tédio.
Encerrada a reunião, Bella foi à sala de Carmen, que queria falar com ela. Depois de conversar com a chefe sobre as questões técnicas de alguns eventos que estava organizando, Bella voltou ao seu escritório.
Ligou a luz ao entrar na sala — não tinha reparado que passava das seis — e deixou o olhar vagar para o lugar diante da janela, onde deixara o vaso de tulipas. Então, seguiu para sua mesa e pegou o celular.
Estava na hora de agradecer pelas flores e dar uma resposta a Edward. Tinha adiado isso o dia todo, mas agora já sabia o que diria.
— Bella.
Foi a primeira coisa que Edward disse, naquele mesmo tom sensual que usara na boate, ao pronunciar o nome dela.
— Edward. — Ela devolveu o tom e sorriu em meio à sala vazia. — As tulipas são lindas. Obrigada.
— Você as merece.
Bella suspirou. Então, ouviu outras vozes do outro lado da linha.
— Estou atrapalhando você.
— Eu não estou ocupado. E você jamais me atrapalharia. — replicou ele, calmamente. — Só me dê um minuto.
Ela esperou, sem ouvir nada do outro lado da linha por uns três minutos. Quando Edward voltou, o ambiente ao redor dele não tinha mais nenhum ruído.
— Agora, onde estávamos?
— Falando sobre flores. — Bella recostou-se em sua cadeira. — Foi uma boa jogada sua, uma vez que eu disse que adoro todo tipo de flor. Não tinha como errar. — Ela sabia que estava enrolando e imaginou se isso aborrecera Edward, pois ele ficou vários segundos em silêncio.
— Você tem razão. — disse ele e o tom não estava aborrecido ou irritado. Estava… misterioso? — Teve chance de ler o cartão?
O Senhor Mudança Repentina de Assunto ataca novamente, pensou Bella.
— Sim, eu tive. — respondeu ela e fechou os olhos. — Ainda estou pensando, Edward. Pode parecer bobagem, mas… — Ela tinha chegado muito perto de perder completamente o controle, e tinha sido apenas um beijo. Bem, dois. — Eu prefiro ser cautelosa.
Ele respirou fundo, soltando o ar lentamente.
— É claro que prefere. Não esperava outra resposta de você. Ou talvez esperasse, mas sabia que não viria agora. — disse ele, o tom calmo, mas um pouco aborrecido nas beiradas. — Posso ser paciente, Bella, mas não vou desistir.
Ela sentiu o pulso acelerar.
— Não quero que você desista. — disse, meio ofegante agora.
Dessa vez, o silêncio dele foi mais prolongado.
— Acho que vou ter que conquistá-la da maneira tradicional, então.
— O que você tem em mente?
— Você verá. — disse Edward e, dessa vez, não só a sensualidade estava presente em seu tom, como também aquele poder que ele emanava e uma promessa que a fez estremecer.
Bella engoliu em seco. Como apenas um tom de voz podia agitar tanto o sangue?
— Bella, vou sair com o Ben. Não me… Ops. — Angela parou no meio da sala, só agora percebendo que a amiga estava ao telefone. — Desculpe. — Ela apenas moveu os lábios para se desculpar.
Bella meneou a cabeça, para dispensar a questão e clarear a própria mente.
— Um instante, Edward. — Ela disse e, diante do nome, viu a amiga arquear uma sobrancelha, a expressão especulativa.
— Cullen? — De novo, Angela apenas moveu os lábios, sem emitir som, e apontou com a cabeça na direção do celular.
Bella confirmou com um aceno de cabeça e, dessa vez, o olhar de Angela foi malicioso.
— Você vai sair com o Ben? — perguntou Bella, o tom de voz normal agora.
— Sim, sim. — Angela confirmou. — E acho que não volto para casa hoje.
— Vocês ainda não estão casados.
— Eu sei, vovó. Mas é a noite de folga dele. — replicou Angela. — Agora, você não queria carona para voltar para casa?
Para completar a quota de azar do dia de Bella, o carro dela tinha morrido quando voltara do almoço com Alice.
— Posso voltar de metrô. — Ela disse, observando a expressão aliviada no rosto de Angela. Sabia que as noites de folga de Ben eram raras. Por isso não ficara aborrecida em abrir mão da carona. Mesmo que isso significasse encarar o transporte público da cidade.
— Obrigada. — disse Angela. — Agora, eu preciso ir. Vejo você amanhã.
Bella assentiu.
— E não se atrase para o trabalho, mocinha! — avisou, o tom afetado, ao que a amiga revirou os olhos, mas riu. Ela voltou à conversa com Edward. — Desculpe. Você estava falando algo sobre me deixar curiosa, não estava?
— Eu não sabia que você era curiosa, mas isso vai ser interessante.
— Você vai me fazer sofrer! — exclamou Bella, o tom dramático e, para sua surpresa e choque, ouviu a risada rouca e baixa dele. O efeito disso atravessou-a como uma descarga de energia, esquentando seu sangue, correndo desenfreado e concentrando-se na barriga.
De novo, ela ouviu Edward respirar fundo e exalar devagar.
— Você ficou sem carona. — disse ele, mostrando que tinha ouvido a conversa dela com Angela.
Bella deu de ombros para a sala vazia.
— É por uma boa causa. — disse e verificou o relógio. Era quase seis e meia. Devia se apressar se quisesse chegar em casa cedo.
— Posso dar uma carona a você. — disse Edward, trazendo-a de volta à conversa.
— Mas você está trabalhando. Não quero atrapalhar.
— Já encerrei meu expediente. Prometi a Anthony que estaria em casa para o jantar. — explicou ele.
Bella abriu a boca, mas não sabia o que dizer, então fechou-a. Era uma promessa gentil, doce e mostrava que ele estava levando a sério aquela tarefa de se aproximar do filho. Não havia maneira mais eficiente de desarmá-la.
— Estou no meu carro agora. Posso dar uma carona a você, Bella. — repetiu ele, como se estivesse lhe perguntando.
— Está bem.
— É mesmo?
— Claro. Afinal, é só uma carona. — enfatizou ela e sorriu consigo mesma. Se ele pretendia deixá-la curiosa, então, ela o faria sofrer. Só um pouquinho. — Vou esperar na recepção.
— Estarei aí em dez minutos.
Como?, pensou Bella. O trânsito àquela hora era terrível. Mas manteve a indagação para si mesma e, então, a ligação foi encerrada. Ela desligou o computador, ajeitou rapidamente a sala e, depois de dar uma última olhada nas flores, deixou o escritório. Estava chegando à recepção quando encontrou Leah. A secretária já estava munida com a bolsa e o casaco, também rumando para a saída.
— Bella, você quer uma carona? — perguntou Leah, pegando as chaves de seu carro. — Seu carro pifou, não foi?
— Sim, o traidor. — murmurou Bella. — Mas obrigada. Já consegui uma carona.
Leah assentiu, atravessando a porta de vidro junto com Bella. O ar noturno estava um pouco gelado, de modo que ambas estremeceram.
— Vai ser uma noite fria. — conjecturou Leah. Ela ia dizer mais alguma coisa, mas parou quando viu Edward se aproximar.
Dez minutos?, pensou Bella, também observando enquanto ele se aproximava. o passo confiante e tranquilo, um meio sorriso naqueles lábios perfeitos e — agora ela sabia — deliciosos.
— Senhoritas, boa noite.
— Boa noite. — Elas retribuíram um tanto hipnotizadas.
— Swan!
Bella se virou diante do chamado ríspido e conteve a vontade de crispar os lábios quando viu Tanya se aproximando.
— Você chegou atrasada hoje e ainda saiu sem falar comigo? — disse Tanya, quando estava mais próxima.
— Eu não sabia que você queria falar comigo.
Tanya crispou os lábios.
— Sou sua chefe. Você devia ter falado comigo sobre a noiva de hoje à tarde.
— Falei com Carmen. — replicou Bella e, por um instante, pensou em ensinar uma coisinha básica à Tanya, sua chefe, sobre assédio moral. Mas o olhar mortificado da outra já foi suficiente.
Tanya só tinha percebido agora que Edward presenciara sua representação ao estilo O Diabo Veste Prada.
— Senhor Cullen, eu não sabia que estava aqui. — disse ela, o tom de voz mudando completamente, passando de antipático para o suave ronronar de uma gata. — Há algo que eu possa fazer pelo senhor? — disse, com um sorriso caloroso nos lábios.
Edward retribuiu o calor com uma frieza glacial.
— Não. Só estou aqui para buscar Bella.
Tanya arqueou uma sobrancelha. E lançou um olhar relutante na direção da outra.
— Eu não sabia que você teria reunião com Alice hoje.
Vadia fofoqueira!, pensou Bella.
— Não tenho. — replicou ela, sem conseguir evitar o tom seco. Isso era tudo o que diria sobre o assunto. O expdiente já havia acabado e ela não tinha que dar explicações à Tanya do lado de fora da PW.
— Bem, eu preciso ir. — disse Leah, resolvendo partir antes que a bomba explodisse e os destroços a atingissem. Ela se despediu e partiu.
Tanya voltou-se para Edward.
— Tem certeza de que não posso fazer nada por você, senhor Cullen?
Mais um minuto, pensou Bella, e a chefe começaria a se despir para enfatizar a entrega maliciosa que brilhava em seus olhos azuis.
— Tenho, obrigado. — O tom dele teria desencorajado qualquer mulher com o mínimo de orgulho próprio.
Tanya não tinha orgulho. Mas, quando estava prestes a falar novamente, parou de súbito quando Edward deu um passo para o lado e colocou uma mão nas costas de Bella.
— É melhor irmos. Boa noite, senhorita Denali.
A última coisa que Bella viu foi a expressão estupefata da chefe. Com um pequeno sorriso, deixou-se guiar por Edward.
E sentiu-se vingada.
N/A: Pois é, essa história não é só coisinhas fofas e felicidade. Edward e Bella têm seus próprios passados, que não foram muito fofos ou felizes. :P
Digam-me o que acharam!
Ps.: Próximo capítulo chega no domingo, dia 17-05, e, dessa vez, vai ser no domingo mesmo. :P
