N/A: Oi! Apesar de tudo, estou aqui. :) Muito obrigada pelos comentários. Como sempre, adorei lê-los.

Minha nota final contém um pequeno spoiler.

Boa leitura.


CAPÍTULO NOVE

A semana acabou e uma nova chegou com abençoada rapidez. Embora, para Bella, os dias ultimamente tivessem sido todos cansativos, eles também haviam sido produtivos.

O chá de panela do sábado tinha trazido um milhão de pequenos problemas, incluindo uma mãe da noiva bêbada, que discutiu com a segunda mulher do ex-marido, e acabou caindo na piscina com a rival. Apesar de que ambas saíram disso molhadas, felizmente, Bella havia conseguido separá-las e, ainda, convencê-las de que aquela situação não devia girar em torno delas, mas, sim, da filha e enteada que, claramente, amava e queria que ambas compartilhassem aquele momento especial com ela.

A mãe (meio sóbria e ensopada depois do mergulho) e a madrasta (também ensopada, descabelada e com a maquiagem borrada) tinham ficado com remorso e olhos marejados. Elas concordaram com uma trégua, que envolvia ambas em lados opostos na igreja e na festa, e agora tudo estava resolvido para o dia do casamento.

É claro que, mesmo sob o juramento das duas, Bella ficaria de olho em ambas. Sua missão era, sobretudo, se certificar de que a noiva tivesse um dia de casamento perfeito. Se, para garantir isso, tivesse que apontar uma arma na direção das encrenqueiras, ela o faria sem pestanejar.

Levava seu trabalho a sério.

Mas, como a vida não é feita só de problemas, junto com eles, também vieram mais flores.

Todas as manhãs, desde a quinta-feira, quando chegava ao escritório, Bella encontrava um arranjo diferente sobre sua mesa. Tinha recebido mais rosas e tulipas, seguidas de frésias, prímulas, camélias e peônias. Todas vindas do mesmo remetente.

Edward.

Imaginava que isso fazia parte do que ele queria dizer com conquistar do modo tradicional. E, por Deus, estava descobrindo que funcionava.

Mas Edward não era o único Cullen em sua vida. Continuava conversando todos os dias com Anthony por telefone. Agora que ela e Edward não estavam mais irritados um com o outro, quem colocava o menino na linha era o próprio pai. Isso estava se tornando uma rotina. Uma rotina dos três, pensou Bella e acariciou as pétalas de uma bela camélia branca. Muito semelhante às conversas durante o jantar, pensou ela, distraída. Eles até conversavam um pouco antes da refeição.

Na sexta-feira, quando Bella chegou ao escritório, ao invés do costumeiro arranjo de flores, encontrou, sobre sua mesa, uma única rosa vermelha e um belo envelope cor de creme. Curiosa, ela pegou o envelope e avaliou-o. Só havia seu nome, escrito na mesma letra elegante dos outros cartões que recebera até agora. Sabia que era a letra de Edward.

Bella abriu o envelope e encontrou um elegante convite timbrado, que a convidava para o leilão beneficente de Esme Cullen. Anexado ao convite, havia um bilhete.

Não é um encontro, porque minha família estará lá.

Ainda assim, eu adoraria tê-la como minha acompanhante.

É por uma boa causa.

E.

Uma boa causa, pensou Bella. Para quem?

Ela sorriu.

Todos os envolvidos, supôs. Sem pensar muito, resolveu ligar para Edward e dizer que, sim, seria sua acompanhante. Afinal, fazia uma semana desde que tinham se visto pela última vez, quando ele lhe dera uma carona para casa. Tinha pedido tempo e apreciara o espaço que ele estava lhe dando, mas ficava difícil ser racional quando o que queria era mais forte.

Estava sacando o celular quando Carmen a chamou em sua sala. Bella adiou a ligação e foi falar com a chefe, dizendo a si mesma que falaria com Edward quando terminasse sua conversa com Carmen.

Quando entrou na sala da chefe, Bella a encontrou sentada atrás da mesa do escritório, a expressão concentrada, digitando rapidamente em seu computador. Carmen era a epítome da eficiência, razão pela qual era a mais solicitada na PW.

Bella admirava o trabalho, a eficiência e dedicação de Carmen Denali. Se estivesse de volta ao jardim de infância e lhe perguntassem quem queria ser, quando crescesse, ela ficaria contente em responder um terço do que Carmen era no ramo de casamentos.

A chefe ergueu uma mão para Bella, quando ela parou diante da mesa, sinalizando que esperasse um instante. Ela digitou mais algumas instruções, conferiu rapidamente a mensagem e, apertando "enviar", direcionou o e-mail para um de seus fornecedores.

Então, virou-se em sua cadeira e fitou Bella.

— Que bom que você não estava ocupada. — Ela sinalizou as cadeiras diante de sua mesa. — Por favor, sente-se.

Ih, pensou Bella, lá vem bomba. Ela ocupou o assento, sentando-se de frente para a chefe.

— Algum problema, Carmen?

A chefe sorriu. Era uma mulher muito bonita, de aparência exótica, como sua terra. Tinha uma pele cor de oliva, olhos amendoados e dourados, envoltos por cílios escuros. Os cabelos caíam como uma cortina de seda negra sobre os ombros. Vestia-se de modo elegante: terninhos ou vestidos executivos para o ambiente de trabalho, que ajudavam a reforçar sua figura elegante e profissional.

— Não, Bella. Está tudo bem. — disse ela, conservava o sotaque exótico de sua terra, apesar dos anos vivendo na América. — Chamei você aqui porque quero lhe fazer um comunicado. Você sabe que está quase na época da Mostra Nacional de Bodas, não sabe?

— Claro. — Bella assentiu. Aquele era um evento importante do setor de festas de casamento. Novas ideias e conceitos de decoração e outras coisas eram apresentados durante o fim de semana de duração da mostra, além de que os principais nomes do ramo davam palestras e cursos sobre coisas relacionadas a casamento. — Estive separando material para expormos no nosso estande. Você vai dar uma palestra lá, não vai?

— Sim, eu vou. — Carmen recostou-se em sua cadeira. Passaria um fim de semana inteiro falando sobre sua experiência e de toda a equipe da PW. — Eu quero que você venha comigo, Bella.

Bella a fitou, surpresa. Tinha pensado, quando Carmen começou a falar da Mostra, que ela a tinha chamado ali para instruí-la sobre os eventos que aconteceriam durante o fim de semana em que estaria fora, e que Bella teria de supervisionar. Jamais imaginara que o motivo de Carmen tê-la chamado ali era para solicitar sua presença no evento.

— Pensei que você e Tanya iam à Mostra. Ela adora esse tipo de evento.

— Ela adora. Mas não foi ela que conseguiu o casamento de Alice Cullen, foi? — inquiriu a chefe, a pergunta retórica. Ela se inclinou para a frente, fitando Bella. — Essa mostra é o maior evento do nosso ramo, Bella. Uma vez que a PW também conseguiu o maior casamento do ano, acho que devemos falar sobre isso na Mostra. Não precisa ser muito, só o que foi feito até agora. Ano que vem você fala como foi o trabalho completo, desde a preparação até a execução.

Ela falaria? Para um monte de pessoas?

— Eu nunca dei uma palestra antes. — disse Bella, ao mesmo tempo apavorada e animada com a ideia. Estava surpresa, mas não num nível "não acredito que isso está acontecendo comigo". Trabalhava duro para conquistar esse tipo de reconhecimento. Ela fitou a chefe. — Você tem certeza disso, Carmen?

— Eu não chamaria você aqui se não tivesse. E não é só pela conta do Casamento Cullen que resolvi chamá-la, Bella. Seu trabalho no evento Hale-McCarty foi maravilhoso, e a sua lista de clientes aumenta a cada semana. Também recebi ligações de duas das suas noivas, dos eventos do último fim de semana. Elas ficaram satisfeitas com o seu trabalho.

— Fico feliz por ouvir isso.

Carmen sorriu.

— Eu sabia que você seria valiosa para a PW, mesmo quando apenas fazia parte do bufê.

De servir mesas a organizar o casamento do ano, pensou Bella. Ela sorriu. Nada mal para alguém que já se imaginara sem futuro, sendo garçonete para o resto da vida.

— ~ —

O trabalho levou Bella de um lado a outro na empresa. Uma série de detalhes consumiu seu tempo, aliado a alguns problemas e questões que não queria deixar de resolver ainda naquele dia. Ela nem deixou a PW para almoçar, colocando para dentro uns sanduíches que pedira para Leah comprar.

Quando deu por si, já era fim de expediente e estava deixando o prédio da PW para ir para casa. Lembrou-se que não tinha ligado para Edward e decidiu que daria uma resposta a ele quando conversassem por telefone, mais tarde.

Ela saiu para uma noite gelada, caminhando pela rua movimentada, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco. Seu carro ainda estava na revisão — ao que parecia, o problema era bem mais complexo do que ela ou o mecânico imaginavam. Uma vez que Angela tinha viajado para Nova York, para anunciar às famílias dela e de Ben sobre o noivado, Bella teria que ir para casa de metrô.

Estava prestes a alcançar a esquina quando ouviu o familiar chamado "Senhorita Bella" soando acima do som do tráfego e das conversas dos pedestres. Ela ergueu o olhar e observou, do outro lado da rua, Anthony acenando da janela do carro do pai.

Ela retribuiu o aceno e travessou a rua até o carro e o menino. Quando chegou perto o suficiente, avistou Edward no banco ao lado do filho.

— Oi, bonitão. — disse a Anthony. — O que o trouxe aqui?

— Nós viemos te dar uma carona.

Bella arqueou uma sobrancelha.

— E como você sabia que eu precisava de uma carona?

Anthony franziu o nariz e fitou o pai por sobre o ombro. Edward lhe disse alguma coisa em voz baixa, que Bella não ouviu devido ao trânsito na rua. O menino se virou para ela novamente.

— Tenho meus contatos.

Bella riu e bagunçou os cabelos de Anthony. Não havia como resistir a ele. Ou ao pai dele.

Porque, honestamente, não queria pegar o metrô, ela aceitou a carona e entrou no carro, que era muito mais espaçoso que o seu e comportava todos os três confortavelmente no banco de trás.

Anthony, sentado agora entre Bella e Edward, começou contar a ela sobre seu dia na escola.

— Nós visitamos o zoológico hoje. — contou o menino. — A senhora Wilson mostrou um monte de animais. E as girafas. Elas são muito altas. — explicou o menino, como se, sem a ênfase no "muito", não desse para demostrar como a estatura dos animais era impressionante. — A gente viu os gorilas também. Eles são mal humorados. Assim. — Anthony imitou o que julgava ser a expressão mal humorada de um gorila.

Bella riu.

— Parece a minha chefe. — disse ela e, por sobre a cabeça do menino, viu Edward curvar os lábios.

Concordando?, pensou ela.

— Anthony, acho que você se esqueceu de dizer alguma coisa à Bella. — Edward lembrou o filho, recebendo um olhar confuso dele. — Aquele convite, lembra?

— Ah! — exclamou o menino e virou-se para falar com Bella. — Senhorita Bella, você quer jantar com a gente, hoje? Por favor? — acrescentou, porque realmente queria que ela dissesse sim.

Bella sorriu.

— É claro que eu quero jantar com você e seu pai, Anthony. Vai ser ótimo.

— Legal! — exclamou o menino, trocando um olhar cúmplice com o pai.

Eles pareciam... mais confortáveis um com o outro, percebeu Bella. Isso era bom. Anthony também parecia mais relaxado e animado. As tentativas de Edward de dar mais atenção ao filho estavam tendo resultados, pensou, e se sentiu feliz por eles.

— Onde vamos jantar?

— Na nossa casa. — Foi Anthony que deu a resposta. — Você gosta de macarrão com almôndegas?

— Adoro.

— É o que a Bess vai fazer para o jantar hoje. Fui eu que escolhi. Papai disse que eu podia escolher e que eu posso repetir a sobremesa duas vezes. — Ele mostrou dois dedos, para enfatizar o número, que era muito legal, porque estava falando de sobremesa. — Posso repetir porque hoje é sexta-feira.

Bella sorriu e, enquanto Anthony continuou a falar, fitou Edward. Ele retribuiu seu olhar com um sorriso enviesado, meio curioso, meio encabulado.

Em duas semanas, pensou Bella, ele tinha passado de uma noite de sexta-feira numa casa noturna para um jantar tranquilo com o filho. Embora ela adorasse o fato de tê-lo encontrado na Eclipse, também gostava de saber que ele estava dedicando tempo a Anthony, para fazer aquelas coisas simples e normais que os pais faziam com os filhos.

O simples e o normal, no fim das contas, era o que mais importava.

— ~ —

Bess — Bella descobriu que esse era o primeiro nome da senhora Jones — era uma verdadeira deusa da culinária. Depois daquela noite, ela decidiu, macarrão com almôndegas, o prato favorito de Anthony, acabaria se tornando seu prato favorito também. Somado a isso havia a divina mousse de chocolate servida como sobremesa.

Como Anthony, Bella repetiu a sobremesa duas vezes — se sentindo um pouco culpada, claro. A balança zombaria horrores dela, quando se encontrassem, mas era difícil pensar nisso quando o sabor do chocolate explodia em sua boca como um manjar dos deuses. Para aliviar a culpa, prometeu a si mesma que não resistiria da próxima vez que Angela insistisse em levá-la para uma de suas corridas maratonísticas. Isso balancearia as coisas.

Anthony falou durante todo o jantar, mesmo enquanto comia, como se o mundo fosse acabar no dia seguinte e ele não quisesse deixar de contar uma única parte de seu dia ao pai e à Bella. E, como se tivessem a eternidade toda para ouvir o menino, Edward e Bella ouviram-no atentamente, comentando e rindo com ele, quando necessário.

Era uma boa maneira de encerrar a semana, decidiu Bella. Ainda mais para ela, que não era muito adepta de sair na sexta-feira à noite para alguma festa ou casa noturna — aquela ida à Eclipse tinha sido uma exceção.

Tinha nascido para ficar em casa — depois de um dia de trabalho, claro — e aproveitar coisas como aquele jantar com Edward e Anthony, ou um livro e uma taça de vinho diante da lareira.

Anthony insistiu em jogar uma partida de um jogo de tabuleiro que ela não conhecia. Como no dia seguinte não haveria escola, ele recebeu do pai permissão para duas rodadas. Mas, na metade da segunda, já estava bocejando diante das peças coloridas e bonecos sorridentes. Porque sabia que o menino não pediria para encerrar o jogo, mesmo estando praticamente dormindo sobre o tabuleiro, Bella, com a ajuda de Edward, moveu algumas peças, escondeu outras e, num momento de distração de Anthony, colocou o boneco do menino bem próxima à linha vencedora.

Anthony ficou todo satisfeito quando ganhou o jogo, mas sua comemoração foi um bocejo. O cansaço era tanto que ele nem reclamou quando o pai lhe disse que os jogos estavam encerrados e que ele devia dormir.

Prontamente, Anthony foi para os braços do pai e, adormecendo no ombro de Edward, se deixou carregar para o quarto.

Bella ficou na sala, arrumando a bagunça que tinham feito. Não queria subir com Edward e intrometer-se naquele momento entre pai e filho. Havia coisas que Edward e Anthony deviam vivenciar juntos, sem interferência de ninguém. Especialmente quando ainda estavam se acostumando um ao outro.

Quando Edward voltou à sala, a confusão que o filho tinha feito sobre a mesa de centro havia se transformado numa pilha de caixas organizadas, bem como as almofadas que haviam usado no chão tinham voltado ao sofá.

— Você não precisava ter arrumado tudo.

— A senhora Jones disse a mesma coisa. — Bella esboçou um breve sorriso. — E o nosso jogador, capotou? — O nosso saiu sem querer.

— Anthony já deve estar no sétimo sono. Achei que ele não dormiria mais nessa vida. O garoto não para de falar.

Bella arqueou uma sobrancelha.

— E isso incomoda você?

— Claro que não.

Resposta certa, pensou Bella e sorriu, observando-o caminhar até o bar.

— Quer beber alguma coisa? — Edward perguntou, fitando-a por sobre o ombro. — Uísque? — sugeriu ele com um sorriso nos olhos.

— Só bebo uísque quando estou nervosa. — explicou Bella, lembrando-se de uma semana atrás, no escritório dele.

Edward pensou sobre aquilo um instante. Optou por vinho branco e, quando Bella assentiu, serviu uma taça para ela.

Ele caminhou até ela, entregou-lhe a taça sem tirar aqueles olhos verdes e hipnotizantes dela, e esboçou um sorriso enviesado.

— Não está nervosa agora?

Não estava, pensou Bella e, percebendo as mãos trêmulas, bebeu um gole de vinho.

— Não estou com vontade de voar no pescoço de ninguém. Por isso, não preciso de uísque. — disse ela, após refletir um pouco. — No momento, fico satisfeita com essa bebida aqui. Não há nada melhor que vinho para terminar a semana.

— E eu aqui pensando que uma boa companhia era o melhor modo de encerrar a semana.

Ela bebeu mais um gole de vinho, fitando-o por sobre a borda da taça com um sorriso enfeitiçado nos olhos.

— A companhia também não é ruim. — replicou Bella, acrescentando calor ao olhar, e observou os olhos dele escurecerem.

Fazia muito tempo desde que ela trocara flertes com um homem. E não se lembrava de nenhuma vez em que isso a deixara agitada e eufórica, o corpo todo quente, vibrando com uma corrente que parecia determinada a empurrá-la na direção dele.

Edward bebeu um longo gole de vinho, enfiando a mão livre no bolso. Observou os olhos castanhos, aqueles olhos de cigana, brilhantes de malícia, e fechou a mão em punho. O modo como ela passava da meiguice à sedução o desconcertava, fazendo-o ansiar por tocá-la, sentir novamente o gosto dela. E descobrir mais. Muito mais.

Bella o conhecia o bastante para receber aquele olhar obscuro e reconhecer o desejo brilhando ali. Sabia que o perigo nos olhos verdes era uma promessa, algo que ela não precisava, não devia, temer. E ela não temia. No lugar disso, ansiava.

Ela bebeu mais um gole de vinho. Soava, mesmo em pensamentos, como uma mulher carente que não fazia sexo há quarenta anos.

O que era esse desejo ensandecido?

— Eu recebi sua rosa. E o convite. — disse ela, tentando um tom de conversa, mesmo quando já se sentia um pouco ofegante. — É muito gentil da sua parte me convidar.

— Achei que você fosse gostar de ir ao leilão. Minha mãe disse que seu amigo trabalha no mesmo hospital que meu pai.

— Sim. Ben, o noivo de Angela... Você conhece a Angela? Não, é o Anthony que a conhece. — Ela mesma respondeu a pergunta, lembrando-se do dia no parque, vagamente ciente de que começava a tagarelar. A culpa era dele, decidiu, que a deixava nervosa feito uma colegial prestes a perder a virgindade. — Angela é minha colega de casa. Nós dividimos um apartamento desde a faculdade. Somos amigas. Ela também trabalha na Pretty in White.

— E está noiva de Ben.

Ela sorriu.

— Sim, eles vão se casar em setembro. De qualquer modo, estávamos falando sobre o leilão. Ben me contou sobre esse evento, depois sua mãe comentou comigo. Eu não esperava que você fosse me convidar para acompanhá-lo.

Edward terminou de beber o vinho, deixou a taça de lado e se aproximou dela. Incapaz de resistir, segurou o rosto dela entre as mãos e roçou os lábios levemente aos dela.

— Eu vou convidá-la para fazer várias coisas comigo, Bella. — sussurrou ele, com uma promessa sedutora na voz que transformou as pernas dela em gelatina. — Mas do seu jeito, um passo de cada vez.

A respiração dele, quente e com o aroma do vinho, tocou-a nos lábios e arrepiou cada centímetro do corpo dela. Completamente ofegante e hipnotizada agora, Bella segurou as mãos que ele mantinha em seu rosto.

— Você sabe que um passo de cada vez lhe garante alguns beijos, não sabe?

Ele esboçou um sorriso enviesado.

— Estava contando com isso. — replicou ele, envolvendo-a pela cintura e puxando-a para perto.

Eles se beijaram no meio da sala, com a luz prateada do luar entrando pela janela, adicionando sedução, e a brisa suave serpenteando as cortinas, trazendo o aroma da grama e das camélias, adicionando doçura.

Bella espalmou as mãos nos ombros dele, apertando-os levemente, à medida que o calor aumentava. Embora o beijo fosse mais lento, mais calmo, do que o que haviam partilhado no escritório dele, aquela urgência, aquela necessidade, continuava presente. Seria sempre assim entre eles?, pensou ela vagamente, mas não conseguiu continuar o pensamento.

Edward deslizou as mãos pela cintura de Bella, acariciando as costas dela, para cima e para baixo, para cima e para baixo, até que o movimento a fez arquear o corpo, colando-se mais a ele, ansiosa por sentir as mãos dele em sua pele.

Isso era tortura. Uma doce e irresistível tortura. Ela afundou as mãos nos cabelos dele e, quando a língua dele exigiu passagem, simplesmente entregou-se. Edward beijava com a mesma segurança e confiança que irradiava. Mantinha-a nos braços com a mesma facilidade e sedução dos olhos verdes. Fazia-a desejar, até que não existisse outro lugar onde quisesse estar a não ser aqui, agora, com ele.

Ele mudou o ângulo do beijo, de modo a poder roçar os lábios no pescoço dela. Queria sentir a pele ali, onde a pulsação acelerada refletia a sua própria, onde podia sentir o perfume de rosas, suave e inebriante, que o enlouquecia aos poucos. Beijou-a onde podia sentir o calor e a maciez da pele dela.

Bella gemeu ao sentir os lábios dele em sua garganta, apertou com força os braços dele, mergulhando mais fundo no prazer daquela sensação.

Isso era tão bom, pensou Edward. Aquele sentir e nenhum pensar. Não sabia que a mente podia passar do ligado ao desligado como um interruptor. Mas, toda vez que estava com ela, era assim que se sentia.

As costas de Bella encontrarem o sofá, fazendo-a cambalear um instante, soltando-se de Edward para se equilibrar no encosto. Mas não caiu porque ele a manteve segura nos braços.

Ele a fitou, ofegante, observando os olhos castanhos, enevoados e obscurecidos por desejo, os lábios intumescidos e vermelhos por seu beijo. Ele a observou e percebeu que ainda queria mais.

— Meu Deus, o que você está fazendo comigo? — murmurou Edward, tocando os lábios dela com os seus, mas apenas tocando.

Bella fechou os olhos e abraçou-o, descansando a cabeça no ombro dele. Ainda se sentia meio zonza.

— Acho que a pergunta é o que estamos fazendo um ao outro. É só uma atração, não é?

Edward não sabia por que, mas não gostou da pergunta. Ele a afastou o suficiente para encontrar os olhos dela.

— Você acredita que seja?

— Tem que ser. — sussurrou Bella e baixou os olhos, brincando com o botão na camisa dele.

Edward ergueu o queixo dela e obrigou-a a fitá-lo.

— Por quê?

Ela o fitou, os olhos agora pensativos, avaliadores. Por fim, esboçou um breve sorriso.

— Não importa agora. O assunto é pesado demais para uma sexta-feira e para o que estamos fazendo aqui. — O olhar enfeitiçado voltou, unindo-se ao sorriso sedutor.

Ela capturou os lábios dele em mais um beijo, habilmente mergulhando-o de volta no abismo de paixão e excitação de antes.

Edward correspondeu ao beijo, mas não sem deixar de perceber que ela tinha se esquivado do assunto. Tinha visto o receio nos olhos dela, a rápida centelha de pânico no tom de voz, e não desistiria até entender o que isso significava. Conversariam sobre isso em outra hora, decidiu. Mas conversariam.

O som de alguém pigarreando soou na sala.

Bella empurrou Edward, mas ele não a soltou e apenas se afastou o suficiente para virar a cabeça e observar Cyrus, que estava parado na soleira da porta com uma expressão impassível.

— Senhor Cullen. — disse o motorista, a voz baixa e séria. — Desculpe, mas houve uma emergência.

A mudança na postura de Edward foi visível. Ele endireitou as costas, os músculos retesados, e os olhos mudaram para um brilho perigoso.

— Onde?

— Na Eclipse, senhor.

Bella olhou do motorista a Edward, percebendo a troca de olhares entre ambos. Ela franziu o cenho. Havia palavras não ditas naquela troca, embora não fizesse ideia sobre o que seriam. A julgar pela expressão de Edward, não era coisa boa, nem fácil, muito menos leve.

— Obrigado, Cyrus. Falo com você em um minuto.

O motorista assentiu, compreendendo a dispensa, e saiu da sala.

Edward voltou a fitar Bella.

— Desculpe, mas eu preciso verificar essa emergência.

— Posso ajudar em alguma coisa? — Bella se ofereceu, mais por uma questão de educação. Bem, não tanto. Estava curiosa para saber o que havia acontecido.

Edward esboçou um sorriso enviesado e beijou sua testa.

— Obrigado, mas não. — disse ele, o tom firme e autoritário do executivo presente na voz. — Foi uma noite maravilhosa.

— Sim. Obrigada por me convidar para jantar. — Ela esboçou um breve sorriso e alisou a blusa, ajeitando os cabelos, quando se afastaram. — Devo ir. — disse Bella, olhando para os lados, à procura de sua bolsa.

A senhora Jones entrou na sala com sua bolsa e seu casaco.

— Obrigada. — disse à governanta. — E parabéns pela refeição. Estava maravilhosa.

— Fico feliz que tenha gostado. — Bess esboçou um sorriso educado, avaliando Bella com mesma discrição de Esme. Gostava da moça. Não era afetada, como algumas mulheres que o patrão já trouxera para casa, nem deliberadamente sonsa, como outras que ele também trouxera. Sobretudo, pensou Bess, Isabella Swan era muito diferente da mãe de Anthony, tanto em aparência quanto em personalidade. A senhorita Swan gostava de Anthony. E isso, pensou Bess, dizia muito sobre ela.

Bella buscou o celular na bolsa.

— Preciso chamar um táxi.

— É claro que não. — disse Edward. — Cyrus vai levá-la em casa.

O motorista tinha voltado à sala, junto com Bess, e assentiu quando Edward o mencionou.

Bella o fitou, depois se virou para Edward.

— Obrigada. — disse e se despediu da governanta.

Edward a acompanhou até a porta e, quando saíram, havia dois carros parados na entrada da casa. Ele a conduziu para o carro com o qual tinham vindo para a mansão e que Bella sabia ser o carro pessoal dele.

Com uma rápida olhada na direção do outro veículo, ela viu que havia dois homens encostados ao capô. Ambos eram altos, robustos e tinham um semblante sério. Um deles era Emmett McCarthy, ela reconheceu e devolveu o aceno quando ele a cumprimentou.

Apesar de Emmett ter esboçado um sorriso, ela viu os olhos sérios e ficou intrigada. Era o mesmo olhar de Edward naquele momento.

Era tão estranho. O que havia acontecido, afinal?

Bella lançou um olhar na direção de Edward e, embora o conhecesse há pouco tempo, sabia que aquele não era o momento de fazer perguntas.

— Vejo você amanhã. — disse-lhe Edward, tocando os lábios nos dela em um longo e intenso beijo de despedida, capaz de fazê-la esquecer do próprio nome. Ele a fitou quando se afastaram, o olhar decidido e penetrante. — Sonhe comigo.

Bella assentiu, meio hipnotizada. Ele entrava em seu sistema mais rápido que uma droga ou álcool. Mas, apesar de que estivesse agitada, isso não significava que não percebera a tentativa dele de desviar sua atenção.

Havia uma grande diferença entre ser enganada e permitir-se sê-lo.

Ela entrou no carro e observou-o até Cyrus dar a volta no pátio de veículos, afastando-os da casa. Edward ficou parado, as mãos nos bolsos, observando o carro em que ela estava até o veículo passar pelo arco de entrada da mansão. Mas ela viu quando ele deu as costas e seguiu em direção ao carro onde Emmett e o outro homem estavam.

Seria capaz de apostar que ele sairia com os dois e iria à Eclipse.

Só não sabia o que havia acontecido, o que era tão urgente e grave, que colocara aquele olhar perigoso na expressão dele.

E isso, decidiu Bella, era algo que pretendia descobrir.


N/A: Tive uma semana de merda. Por favor, me animem com comentários. *-*

Ps¹.: A partir de agora, todos os posts serão no domingo.

Ps².: Nova York é o lugar, if you know what I mean.