N/A: Oiii! Tô super feliz com os comentários de vocês. Muito, muito obrigada por isso.
Boa leitura!
CAPÍTULO TREZE
Bella nunca tinha visitado a Mostra, então, agia como uma turista, observando tudo atentamente, os olhos arregalados. Considerava cada pequeno detalhe interessante. Ficava maravilhada a todo instante, fazendo anotações sempre que se lembrava de pegar o bloco em sua bolsa, ou tirando fotos com o celular para analisar as ideias e incorporá-las quando voltasse para Chicago.
Quando foi sua vez de ficar no estande da PW, respondeu perguntas com o entusiasmo e energia de uma guia turística. Conquistou clientes ou deixou outras considerando seriamente a possibilidade de contratar a PW.
Na hora do almoço, ela voltou com Carmen para o hotel e ambas repassaram juntas as informações da palestra, consertando alguns pontos ou acrescentando informações que julgavam pertinentes. No fim da tarde de sábado, elas voltaram à Mostra para a palestra de encerramento daquele dia.
Bella entrou no auditório, junto com a chefe, sentindo um frio na barriga, mas também animada por estar ali.
O auditório onde aconteceria a palestra não era enorme, mas estava cheio.
A Pretty in White, apesar de ser uma empresa relativamente jovem, já tinha peso no mundo dos casamentos. Os nomes de Carmen e Tanya eram conhecidos, tanto por elas serem as donas da PW, quanto porque pertenciam à rica e poderosa família Denali. Por essas razões, a palestra de Carmen era sempre uma das mais aguardadas da Mostra.
Sentada diante da mesa no palco, Bella observou Carmen conduzir a palestra com eficiência e simpatia. Tornando tudo aquilo quase uma conversa informal, pensou ela. Isso, imaginou, era outro ponto porque a palestra da chefe era tão esperada.
A maneira leve e descontraída como Carmen conduziu a palestra serviu até para acalmar Bella. Então, quando ela foi chamada ao palco para falar sobre o maior evento que a PW estaria realizando dali dois meses, sentia-se confiante o suficiente para não gaguejar. Suas mãos podiam estar um pouco úmidas, a barriga agitada, mas nada que ela não pudesse administrar.
Bella falou e falou. Respondeu perguntas. Fez os ouvintes rir — intencionalmente, não por dizer ou fazer alguma bobagem — e exclamar, admirados, quando apresentou no telão a arte conceitual da decoração que Alice havia escolhido para o casamento. Como não era uma imagem física da decoração, mas, sim, uma série de desenhos digitais, ela e Carmen tinham decidido que poderia ser exposta na palestra.
Após os aplausos, Bella voltou ao seu canto e Carmen retomou a palavra, falou mais um pouco, e encerrou o dia de palestras. Depois, o salão começou a ser esvaziado. Bella e Carmen ainda tiveram que ficar por ali, conversando e respondendo à perguntas de ouvintes interessados que tinham ficado para trás para tirar dúvidas ou fazer comentários sobre o trabalho da PW.
Quando deixou o salão junto com a chefe. Enquanto Carmen foi falar com alguns conhecidos, Bella voltou ao estande da Pretty in White. Juntou-se à Leah, que também tinha vindo à Mostra como assistente, uma vez que alguém tinha que ficar nos estandes enquanto as outras duas davam a palestra. Como o dia de Mostra chegava ao fim, Bella ajudou Leah a arrumar as coisas e fechar o estande da PW. Depois, enquanto a secretária foi comprar água, Bella ficou sentada no hall à espera das outras duas.
Mal podia esperar para chegar ao hotel, tomar um longo banho de banheira, com direito à muita espuma e uma taça e vinho. Depois, pediria uma comida leve e jantaria sozinha no quarto. Por fim, jogar-se-ia na cama e dormiria até tarde no dia seguinte. Como Carmen ficara com o turno da manhã na Mostra, Bella tinha a manhã livre e, por mais que fosse adorar perambular por Nova York, só o que conseguia pensar era em descansar. Passear pela Big Apple teria que ficar para outra visita sua à cidade.
Enquanto sonhava com a enorme cama macia do hotel e o conforto das cobertas fofinhas, seu celular tocou.
Distraída, ela verificou a tela. Então, crispou os lábios quando viu que o número de quem estava ligando constava como "Oculto".
— Alô? — Bella atendeu e, como já esperava, não obteve resposta. Podia, porém, ouvir a respiração de alguém do outro lado da linha. — Você não tem mais o que fazer? — questionou, irritada. — Eu...
— Você devia ouvir meu conselho. — Uma voz de homem, sombria e um pouco abafada, a interrompeu. — Fique longe dos Cullen. Eles são perigosos.
— Não acredito em você. — replicou Bella. — Eles não… — continuou, mas a ligação foi encerrada, deixando-a falando sozinha. — Idiota covarde. — murmurou, aborrecida, para a tela do celular.
Carmen se aproximou de onde ela estava e franziu o cenho.
— Está tudo bem, Bella?
— Sim, claro. — Ela esboçou um sorriso, substituindo a irritação por uma expressão mais suave. Leah juntou-se à elas. — Vamos?
Facilmente convencida, Carmen assentiu e as três seguiram para fora do salão.
Quando deslizou para dentro do táxi, Bella suspirou, tomada de alívio. Como na primeira vez que recebera aquela ligação anônima, tinha a incômoda impressão de que estava sendo observada.
E isso começava a perturbá-la.
— ~ —
De volta ao seu quarto de hotel, Bella tomou um banho não muito demorado, desistindo da banheira. Quando terminou o banho, acomodou-se na cama, com o notebook sobre o colo para verificar os e-mails antes que fosse hora do jantar. Resolvera manter seu plano de fazer a refeição na solidão do quarto, de camisola e roupão confortáveis. Não estava com diposição ou ânimo para jantar com a chefe e Leah.
Enquanto respondia ao e-mail de uma noiva preocupada com uma rixa antiga entre duas de suas damas de honra, o celular de Bella tocou e ela atendeu a ligação meio distraída.
— Sim?
— Bella.
— Edward. — A atenção dela transferiu-se completamente para a ligação. Não tinha percebido, mas queria muito ouvir a voz dele.
— Você parece surpresa.
— Sim, estou. Eu estava distraída e não vi que era você. Como está?
— Dolorido, mas acho que vou sobreviver.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Como assim dolorido? — Ela se recostou na cabeceira da cama e, colocando o notebook para o lado, esticou as pernas.
— Anthony e eu tivemos uma partida de futebol. Eu não sabia que uma hora chutando uma bola podia cansar tanto.
Ela riu.
— Você devia tentar caminhar com Angela. Ia parar na UTI. Futebol, você disse?
— Sim. — disse Edward, o tom transitando entre surpreso e encabulado.
Ele ainda se sentia um pouco estranho com essa "nova vida", percebeu Bella.
Isso era fofo.
— E quem ganhou?
Fez-se silêncio por um instante.
— Anthony tem mais prática do que eu.
— Está arrumando desculpas para a derrota, senhor Cullen? — Bella o provocou. — Ou você deixou Anthony ganhar?
— Eu não preciso fazer isso. — replicou Edward. — O garoto tem talento.
Agora ele soava todo orgulhoso. Ela cruzou os tornozelos sobre a cama e levou a mão livre à barriga agitada. Jesus, quem era capaz de resistir a um homem desses? Uma pena que estivessem muito longe um do outro.
— Bella?
— Hmmm? — disse ela, meio distraída, imaginando-se voltando para Chicago num impulso, disposta a procurá-lo e... Ela pigarreou. — Digo, sim?
— Anthony quer falar com você. Tudo bem?
— Claro, claro. Deixa eu falar com o campeão do dia. — Ela ouviu alguns sons, que imaginou serem do aparelho mudando de mãos, e logo a voz de Anthony chegou até ela.
— Senhorita Bella! — Anthony a saudou. — Papai e eu jogamos futebol. Foi demais. Eu ganhei!
— Parabéns, campeão. Como você se sente com a vitória?
— Muito feliz. Quando você vai voltar? — acrescentou ele, mudando de assunto repentinamente. Não havia como negar que ele era filho de Edward Cullen.
— Amanhã à noite. Nós provavelmente vamos nos ver durante a semana. — Ela nunca fazia promessas de datas quando o assunto era encontrar Anthony. Sua agenda era louca, às vezes, e não queria desmarcar nada com o menino, de modo a não desapontá-lo.
— Você pode vir jantar com a gente na segunda. — sugeriu Anthony. — Papai disse que está tudo bem se você quiser vir. — acrescentou o menino, bem quando ela ia argumentar sobre o que Edward achava da sugestão do filho.
— Então eu vou. Como foi o seu sábado?
Anthony contou o seu dia em detalhes, divertindo e distraindo Bella por quase uma hora. Depois, ele se despediu, porque estava quase na hora do jantar, e Edward voltou à ligação.
— Então, como foi a Mostra?
— Foi ótima. Eu falei para uma sala cheia e gaguejei só duas vezes. É um recorde pessoal.
— Parabéns. — disse ele, um sorriso — cínico, Bella imaginou — na voz séria e grave que ela tanto adorava. — Pelo que eu pude perceber, você também atraiu e cativou seus ouvintes. Isso é trabalho de profissional.
Ela sorriu, mas em seguida franziu o cenho.
— Como assim pelo que você... — Ela se interrompeu, dando-se conta de que sabia como ele poderia saber aquelas coisas. — A palestra foi transmitida online. — disse, tirando a dúvida antes que ele o fizesse. — Você assistiu.
— Alice comentou que assistiria. Então, Anthony e eu nos juntamos a ela e minha mãe. Mas lamento dizer que ele dormiu na metade.
Bella riu.
— Estou surpresa que ele tenha chegado até a metade. — disse ela, rindo. — Então… você me assistiu?
— Do início ao fim. Foi... interessante. — disse ele, a voz quase um sussurro através do telefone.
— Que parte? — brincou ela. — Meu discurso sobre escolher entre toalhas cor de creme ou brancas? Ou as vantagens de uma pérgula?
— Tudo. — respondeu Edward, a voz baixa e aveludada acariciando-a com a promessa, apenas a promessa, de malícia.
Bella fechou os olhos, cruzando e descruzando os tornozelos. Ela suspirou, tentando manter a respiração estável, embora a pulsação já estivesse perdida.
— Você está me fazendo sofrer, Edward. — Ela disse, a voz rouca, antes que pudesse conter as próprias palavras.
Ela o ouviu respirar fundo e soltar o ar lentamente. Em busca de calma, controle ou equilíbrio. Não tinha certeza.
— Você não está sozinha nisso, Bella.
— Eu queria que você estivesse aqui. — disse ela, mais uma vez, antes que pudesse filtrar as próprias palavras.
Edward ficou em silêncio por um longo instante. Um instante longo demais, pensou ela. Até que ela ouviu a voz dele novamente:
— Eu preciso desligar. Anthony e eu temos que jantar.
— Ah. — Ela se sentiu estúpida com a mudança de assunto dele. Sabia que falara demais. Pior, devia ter soado carente e melosa. Idiota, disse a si mesma. Mas, apesar de se sentir humilhada, tentou manter a voz normal: — Bom jantar, então. Diga a Anthony que desejei boa noite a ele.
— Claro.
— Tenha uma boa noite você também. — disse ela, com certa formalidade.
Edward suspirou antes de responder:
— Sim, vai ser.
— ~ —
Horas mais tarde, pouco depois da meia-noite, Bella fitava o teto, sem conseguir dormir. Levantou-se da cama e, abraçando a si mesma, observou a cidade de Nova York através da janela do hotel. Àquela hora da noite, havia menos carros transitando nas ruas. Seus ocupantes, imaginou, voltavam de alguma festa ou de uma visita a parentes ou amigos. Talvez alguns estivessem felizes, outros irritados, dependendo de como tinham sido suas noites. Ou, talvez, ainda estivessem indo para alguma festa ou casa noturna. Nova York era uma cidade viva, afinal de contas. Era uma cidade que tinha sempre alguém indo ou vindo, chegando ou partindo, sem nunca parar.
Bella imaginou se em algum dos apartamentos, que via de sua janela, também havia alguém inquieto, que não conseguia dormir, como ela mesma naquele instante. Talvez houvesse alguém assim naquele mesmo hotel onde estava agora. Nos quartos ao seu lado, acima ou abaixo, não importava. Não queria pensar que era a única nessa situação.
Ela não era do tipo que tinha insônia, que perdia noites de sono porque se sentia inquieta. Ainda mais naquele momento, quando seu corpo estava exausto da longa semana de trabalho que tinha enfrentado. Algumas horas atrás, não estivera sonhando em dormir até o meio dia do dia seguinte?
Mas a verdade é que a ligação anônima a tinha afetado mais do que gostaria de admitir. Não parava de pensar no que a voz de homem do outro lado da linha ficava falando sobre os Cullen serem "perigosos".
Que diabos esse homem queria dizer?
Ela não compreendia. Muito menos compreendia porque isso a deixava incomodada. Aquelas ligações pareciam um pouco ridículas, pensou. Pareciam coisa de algum thriller ruim, ou de algum romance policial.
Bella não era uma personagem de romance policial. Era apenas uma promotra de casamentos com a carreira em ascensão... que estava saindo com um dos empresários mais ricos do país.
Ok, talvez, essa fosse a questão. Mas Bella não entendia porque aquele homem ficava insistindo que os Cullen eram perigosos. Ele não devia dizer que estar relacionada aos Cullen era um perigo?
Dinheiro atraía atenção e, consequentemente, muitas pessoas interessadas em machucar quem o tinha.
Embora nunca tivesse abordado Edward sobre a questão, ela sabia que ele mantinha uma discreta equipe de segurança à sua volta.
A maior prova disso era Cyrus. Ela sabia que ele não era apenas um motorista.
Cyrus podia dirigir o carro, levar Edward e Anthony a todos os lugares que eles queriam, mas ele também era o segurança de Edward. O cara tinha a postura e o olhar compenetrado de um segurança.
Ela até seria capaz de apostar que Cyrus carregava uma arma.
E era óbvio que Edward confiava nele, tanto que o motorista era o único a guardá-lo, e também a Anthony, quando pai e filho estavam separados.
O fato de Edward ter um guarda-costas, ou uma dúzia deles, fazia todo o sentido e corroborava com a teoria dela de que os Cullen eram aqueles que viviam sob ameaça, e não aqueles que ameaçavam.
Ela suspirou. Sentou na cama e, dobrando as pernas, apoiou o queixo nos joelhos. Fechou os olhos.
Apesar de, mais cedo, ele ter desconversado no celular, ela ainda queria falar com Edward. Gostaria de vê-lo e conversar e resolver logo o que acontecia entre eles.
Não queria mais pensar.
Ela o desejava, afinal de contas. Desejava tanto que começava a se arrependar da interrupção no baile. É claro, não culpava ninguém pelo que acontecera, mas bem que ficava pensando no "e se" que acompanhava aquela noite.
Bella abriu os olhos, ao mesmo tempo resignada e frustrada. Sabendo que o sono não viria naturalmente, decidiu pedir que serviço de quarto lhe trouxesse um chá.
Mal tinha alcançado o telefone quando alguém tocou a campainha de seu quarto.
Ela parou com a mão no ar e franziu o cenho franzido. Seu primeiro pensamento foi o de que Carmen ou Leah estavam à sua porta. Ela verificou o relógio. Era muito tarde para uma simples visita, então, imaginou que uma das duas poderia estar com problemas. Preocupada, levantou-se e apressou-se em atender a porta.
Mas, então, quando olhou através do olho mágico, teve uma surpresa. Ela abriu a porta e observou o visitante.
— Edward. — disse Bella, com um misto de surpresa e alívio na voz. Estivera agora mesmo pensando nele, desejando, no fundo, que ele estivesse ali. Ela começou a sorrir, mas viu a expressão séria dele e interrompeu o gesto, o alívio sendo substituído por preocupação. — Aconteceu alguma coisa? Você está ferido? Foi algo com Anthony?
— Não. Antony está bem, assim como eu. — Ele a tranquilizou, o tom de voz baixo, mas a expressão cotinuava séria, os olhos intensos, e um pouco aborrecidos. Quando embarcara no avião rumo a Nova York, a ideia de ir atrás de Bella lhe parecera muito boa, sem contar vital, mas não pensara que isso poderia deixá-la preocupada. Na verdade, estava tendo um grande problema para pensar. — Eu estou aqui porque…
Ela o fitou, intrigada, esperando a resposta. Mas, de repente, ao encontrar os olhos de Edward, deu-se conta de que não precisava de uma explicação.
O olhar intenso dele fazia todo o sentido agora.
No fim das contas, ela não era a única pessoa inquieta, com pensamentos e necessidades que a consumiam, e que não a deixavam dormir.
— Entre. — disse Bella, sem esperar que ele completasse a frase. Abriu caminho para ele, sinalizando o quarto, e fechou a porta quando Edward entrou.
Ele a acompanhou até a antesala e virou-se para fitá-la.
— Escute, não pense que eu sou louco. Preciso esclarecer porque vim aqui.
— Não, não precisa. — disse Bella, a expressão e o tom serenos, apesar do coração que martelava, frenético, suas costelas. Ela sustentou o olhar dele quando Edward a fitou. — Não quero explicações, Edward. Eu… eu sei porque você está aqui.
Ele deu um passo à frente, alívio e necessidade inundando-o na mesma medida, e aproximou-se dela. Sim, ela sabia porque ele estava ali. Podia ver o reconhecimento, a antecipação e a aceitaçõa nos olhos dela.
— Não consigo parar de pensar em você, Bella. — Ele segurou o rosto dela entre as mãos, observou os olhos castanhos. Misteriosos e obscurecidos por um desejo tão espesso que o dominava, impelindo-o, atraindo-o para ela. — Eu quero você. Preciso de você.
— Você me tem. — sussurrou ela, segurando as mãos que ele mantinha em seu rosto, adicionando uma doçura que não imaginava possuir. Não quando os próprios sentimentos revirados, de cabeça para baixo, tão à flor da pele que a deixavam trêmula de necessidades. Estava preparada quando ele a beijou. Ah, tão preparada, tão ansiosa, como se tivesse esperado a vida toda por aquele momento.
O beijo, apesar do desejo que consumia ambos, foi suave e vagaroso. Edward a puxou para mais perto, mantendo-a, sentindo-a contra seu corpo. Ela deslizou as mãos por seus cabelos. Num gesto suave, mas firme, ele levou uma mão à nuca dela como se para mantê-la no lugar.
Ele não precisava fazer aquilo. Bella não tinha intenção nenhuma de se afastar.
A língua dele a invadiu, seduzindo-a num ritmo lento e torturante, fazendo o sangue pulsar forte na cabeça. Ela correspondeu cedendo, entreguando-se a ele e ao que Edward a fazia sentir. Embriagada de paixão, e necessidade, demorou-se na maravilhosa sensação daquele beijo.
Quando o desejo cresceu, o beijo passou da suavidade à lúxuria, explodindo com uma necessidade há muito tempo aguardada.
Edward a devorou, seduzindo e desafiando, e assaltou-a num beijo agora urgente e feroz. Ele sentiu o sangue esquentar, fluindo como lava por seu corpo, até que imaginou que explodiria ali mesmo, com apenas o gosto dos lábios dela contra os seus. Para punir, para tomar mais, ele a puxou com força, colando seus corpos e passando as mãos por seu corpo com urgência.
Bella correspondeu à essa nova demanda. Já estava pronta para aquilo. Sempre estivera. Sentiu o gosto do desejo urgente, as mãos exigentes em seu corpo, e tudo o que conseguiu fazer foi gemer, movendo-se contra o corpo dele, excitando-se com a rigidez e o calor do corpo dele. Ele a mergulhou naquele desejo avassalador de uma só vez. Um único mergulho, selvagem e rebelde, de modo que só o que lhe restou foi sentir.
As mãos dele, grandes e possessivas e exigentes, seguraram sua cintura, o calor da pele atravessando a seda de sua camisola. Os lábios dele deixaram os seus para beijar-lhe a garganta, os ombros, revelados pela fina alça da peça de roupa. Ela arqueou o corpo quando ele ergueu a mão e envolveu um de seus seios, tocando-a intimamente, massageando e apertando o mamilo rígido até fazê-la gemer de dor e prazer.
O próprio Edward soltou um gemido quando ela o tocou, apertando seus braços, deslizando os dedos finos por seu torso, por suas costelas. As mãos delicadas, os dedos suaves, desceram mais, fazendo-o estremecer, seguindo caminho por seu abdômen até em baixo.
Bella parou com as mãos um pouco antes de chegar ao cós das calças dele e subiu-as novamente por seu torso para segurar sua gravata. Ela o fitou, os olhos enevoados, misteriosos e cheios de malícia, e o puxou delicadamente pela gravata, levando-o consigo para o quarto.
Uma vez no cômodo, eles mergulharam um no outro novamente. Impacientes, livraram-se das roupas com movimentos ágeis, deixando um rastro de peças espalhadas no chão.
Bella não se lembrava de alguma vez ter se comportado daquela forma. Isso era loucura. Ela nunca tinha sido tão ansiosa, voraz e imprudente quanto naquele instante. Não era tímida, mas, descobriu, se comparada com o seu desejo naquele momento, todas as outras vezes que fora para a cama com um homem tinham sido recatadas e modestas.
Isso, com Edward, naquele quarto de hotel entregue à luz e sombra, era imprudente, voraz, rebelde e excitante. Isso era vida, pura e gloriosamente pulsante, como se todos os seus sentidos tivessem permanecido adormecidos para serem despertados aqui, agora.
Em um único movimento, eles caíram na cama, nunca interrompendo o beijo, nunca deixando de tocar e sentir.
Edward a observou, enfeitiçado por aqueles olhos de ciganas, aqueles lábios cheios e sensuais. Ela sorriu para ele, sabendo, antecipando. Um toque preguiçoso e sexy marcado os cantos dos lábios. Então, ela ergueu os braços para envolvê-lo e trazê-lo para mais. Ele colou os lábios dela para mais um beijo de desligar a mente. Ela correspondeu dando e exigindo tudo. Havia força aqui, ele sabia. E também havia doçura e tristeza. Podia sentir tudo isso e desejou que pudesse livrá-la da dor, mas isso não estava ao seu alcance. Não nesta noite, ao menos. Nesta noite, daria a ela o que ela exigia, o que ele também queria.
Paixão, calor e prazer.
Bella meio gemeu, meio exclamou, a respiração suspensa quando sentiu os dedos dele deslizarem por seu corpo, passando por seus seios, torturando e excitando, descendo por sua barriga, traçando caminho até o seu ponto mais sensível.
— Edward.
Ele ergueu a cabeça para observá-la. Ela estava mordendo o lábio inferior, os olhos acalorados, enevoados e desfocados pelo prazer que ele lhe dava.
Bella prendeu o olhar aos olhos verdes dele, desconcertada e excitada pela voracidade que via ali. Era pura luxúria. Mas havia algo mais. Era doce, profundo e tão desconcertante quanto a fome nos olhos dele. Ele sentiu os dedos dele em seu centro, provocando-a, gemeu com o prazer disso, então apertou com força os braços dele.
— Por favor. — Ela pediu, ofegante, sem se importar com a súplica na própria voz. — Por favor. — Dessa vez, ela apenas suspirou, desesperada.
Beijando-a nos lábios mais uma vez, Edward obedeceu, deslizando para dentro dela com um gemido abafado que se misturou ao dela, contra os lábios de Bella. Ele começou a se mover dentro dela, uma onda de puro triunfo e alívio atravessando-o.
Bella enfiou as mãos pelos cabelos dele e seguiu seu ritmo, ansiosa, voraz, tão triunfante quanto ele.
Juntos, com gemidos e sussurros de alívio e triunfo, eles atingiram aquele obscuro pico de prazer, o desejo avassalador saciado. Mas, para além da brilhante névoa de prazer e completude, uma necessidade mais profunda e intensa surgiu.
E eles sabiam que não havia mais como fugir disso.
— ~ —
Bella aconchegou-se a ele, mergulhada numa extasiante onda de contentamento. Aqui, nos braços de Edward, após o que havia acontecido, não pensava em nada além da maravilhosa sensação de estar com ele. Não havia espaço para dúvidas, medos, preocupações ou ameaças anônimas. O amanhã seria enfrentado quando fosse a hora de chegar. Esta noite, ela tinha tudo o que precisava.
Edward permanecia calado na escuridão. O corpo estava relaxado. Não tinha se dado conta da tensão que o estivera aprisionando nas últimas semanas. Mas sua mente... Nunca tinha sido assim antes, pensou, um pouco desconsertado por se dar conta disso. Céus! Acabara de tê-la, mas já desejava tomá-la de novo.
Ele fechou os olhos e tentou clarear a mente.
Mas sentia a maciez e a suavidade do corpo dela contra o seu, e a mão dela estava em seu coração.
Desejava poder ficar com raiva, ressentir-se do que ela o estava fazendo sentir, mas não conseguia ver além da necessidade que ainda tinha dela.
Ele a ouviu suspirar, sentiu-a mover a cabeça para olhá-lo.
— Então — disse Bella, desenhando círculos com a ponta do dedo sobre o peito dele. —, você simplesmente embarcou num avião e veio para Nova York? Num impulso?
— Eu tenho meu próprio avião.
Ela se apoiou num cotovelo e arqueou uma sobrancelha.
— Exibido. — murmurou, fingindo-se indignada, mas ele viu o toque de divertimento nos olhos dela. Depois, a expressão mudou e ela soltou um longo suspiro. — Estou feliz que você tenha vindo.
Edward ajeitou uma mecha solta arás da orelha dela. Ela era linda, entregue às luzes que entravam pela janela, o rosto corado, os lábios vermelhos e curvados, os olhos castanhos, divertidos e sedutores, mesmo à meia luz. Todas as incertezas e a tensão desapareceram de sua mente e ele sorriu. Não conseguia resistir a ela.
— Eu também. — disse ele e o sorriso tornou-se enviesado, os olhos maliciosos. — Valeu a viagem.
Ela arqueou uma sobrancelha, tentando-se manter séria e composta, mas os cantos da boca ameaçavam curvar.
— Fico feliz que esteja satisfeito, senhor Cullen. — disse Bella, com o máximo de dignidade que conseguiu reunir.
— Eu disse que valeu a pena, senhorita Swan, não que foi suficiente.
A dignidade esquecida, Bella sentiu o sangue acumulando-se nas bochechas, o corpo começando a reagir. Minha nossa! O homem era insaciável, quente e sabia exatamente o que dizer para despertar seu desejo. O que acontecera também não tinha sido suficiente para ela. Nem de longe suficiente.
— Ah, bem. — Ela passou os dedos sobre o torso e abdômen dele, fitando-o com um brilho enfeitiçado nos olhos castanhos. — Então é melhor garantirmos que sua viagem valha cada minuto.
— Alguma sugestão?
O sorriso dela surgiu lento e malicioso.
— Sou bastante criativa. — Ela riu quando, num único movimento, Edward a deitou de costas na cama e posicionou-se sobre ela.
— Conte-me mais sobre isso. — disse e colou seus lábios aos dela.
Bella passou os braços ao redor dele, puxou-o para mais perto.
E fez valer a pena.
— ~ —
Quando acordou novamente, Bella sentiu dedos suaves acariciando seu braço. Satisfeita e relaxada, aproveitou a sensação do carinho, quase inocente, e suspirou. Ela ouviu a voz baixa e aveludada de Edward, o corpo todo vibrando com o som, mas estava sonolenta demais para compreender o que ele dizia. As mãos dele subiram para a sua nuca, afastando os cabelos ali e assumindo o lugar deles.
— Bella.
— Hmmm?
— Por favor, acorde.
Relutante, ela abriu um olhou e espiou-o sentado na cama, ao seu lado. Então, abriu os dois olhos quando viu que ele tinha recolocado o terno.
— Por que você está assim? Já é de manhã? — Ela olhou para a janela, mas ainda estava escuro lá fora. — Por que você está vestido?
Edward riu. Ela fazia parecer como se ele estar vestido fosse um crime.
— Eu preciso ir.
— Para onde?
— Chicago. — disse ele, calmamente. — Anthony está esperando por mim. Ele não sabe que eu vim para Nova York. Preciso estar em casa para o café da manhã.
— Ah, claro. — Ela não queria se sentir desapontada com isso. Tinha tido seu tempo com Edward. Agora, ele tinha que cuidar das próprias responsabilidades, o que significava cuidar do filho.
Edward observou a reação dela, as emoções que passaram pelos olhos castanhos, e não ficou surpreso quando ela sorriu em compreensão.
— Vou compensar isso, prometo. — disse ele, inclinando-se para beijá-la brevemente nos lábios.
Bella segurou-o pela gola da camisa, antes que ele se afastasse.
— Você pode começar me dando um verdadeiro beijo de despedida.
— ~ —
Quando voltou para seu apartamento, Bella encontrou Angela sentada no sofá, o notebook no colo, enquanto bebericava algo de uma caneca.
— Querida, cheguei. — disse Bella, entrando na sala com sua mala de carrinho e um sorriso no rosto.
Angela ergueu os olhos do computador. Quando observou a amiga, arqueou uma sobrancelha.
— Ai, meu Deus. — murmurou, colocando o notebook sobre a mesinha de café e levantando-se. — O que aconteceu com você?
Bella franziu o cenho, confusa, e baixou os olhos para fitar à si mesma.
— Do que você está falando?
A resposta de Angela foi mais uma longa olhada na amiga.
— Você não me disse que Cullen estaria em Nova York. — disse Angela, apenas deixando Bella ainda mais confusa.
— O que Edward tem a ver com isso? — quis saber. Depois, ela estalou a língua, o olhar censurador. — Você andou bebendo, Angela?
— É claro que não. Mas eu conheço você.
— Por favor, Angela, explique-se.
— Você fez sexo.
— O quê? — perguntou Bella, confusa, chocada e divertida ao mesmo tempo. — De onde você tirou isso?
— Você fica com essa expressão — eu não sei — satisfeita — disse, na falta de uma palavra melhor. —, quando faz sexo. É bem fácil de perceber.
— Nossa, eu não sabia que era tão transparente.
— Então você fez mesmo! — exlamou Angela, erguendo as mãos para o alto. — Como foi?
— Minha nossa, mulher, você soa como uma solteirona pervertida.
— A única solteirona aqui era você. — replicou Angela. — Conte-me, conte-me tudo. Foi bom?
— Maravilhoso.
— Tão bom assim?
— Ficou ainda melhor na segunda vez.
— Duas vezes?
— Sim. Bem, três, se contarmos a despedida.
— Meu Deus, Bella! Eu disse que você estava há muito tempo sem isso. O homem deve ter ficado assustado com seu ataque.
— Não ouvi nem uma reclamação. Na verdade, ele parecia bastante… satisfeito. — Ela repetiu a palavra da amiga, um sorriso torto nos lábios.
Novamente, Angela observou a amiga, analisando-a.
— O que foi?
Angela soltou um longo suspiro.
— Nada. Você parece feliz.
— Eu estou feliz. — Bella sentou-se numa poltrona, começou a tirar as sapatilhas e massagear os pés. — Edward e Anthony me fazem sentir bem. Os Cullen, na verdade, são todos maravilhosos. Somado a isso, minha carreira está indo muito bem, obrigada, e minha melhor amiga está feliz.
Angela sorriu e deu-lhe um tapinha no joelho, num gesto de camaradagem.
— Fico feliz por saber que estamos juntas nessa onda de sorte e felicidade.
— É ótimo. — concordou Bella, retribuindo o sorriso. Um minuto depois, sua expressão mudou, tornando-se mais séria. — Se não fosse por Charlie…
Angela fez uma careta.
— Não pense nele. Não hoje, pelo menos. — disse. — Nós devíamos brindar a toda essa felicidade. — decidiu, pulando do sofá e indo para a cozinha, providenciar vinho e taças.
Bella a seguiu.
— E como foi o seu fim de semana?
— Um pouco solitário. Ben esteve trabalhando no hospital e minha melhor amiga estava em Nova York, brincando de executiva. Então, eu tive mais tempo para mim mesma do que gostaria. — Ela entregou uma taça à Bella, em seguida, encheou-a com um Merlot já aberto. Depois serviu-se de vinho e ergueu a taça para um brinde. — À dias felizes.
Bella ecoou as palavras e tocou sua taça à da amiga num tilintar alegre. Ela suspirou quando sentiu o gosto suave e célebre da bebida.
— Isso é maravilhoso. Eu adoro Merlot.
— Certifique-se de esclarecer isso ao senhor Cullen. Assim, quando ele te levar para uma noite romântica em Paris ou Roma, vocês podem beber Merlot.
— Nós nunca falamos sobre Paris ou Roma. E você está apressando as coisas.
— Ele quis dar brincos caríssimos a você no primeiro encontro. Estou apostando que Paris ou Roma vai ser a próxima extravagância.
Bella revirou os olhos, terminando o vinho. Seus olhos avistaram um envelope sobre a bancada, no pote de correspondências.
— O que é essa carta? — Ela perguntou à Angela, apontando o envelope.
A amiga deu de ombros.
— Não sei. Chegou para você hoje de manhã.
Bella arqueou uma sobrancelha. O correio não entregava correspondências aos domingos.
O telefone tocou e Angela foi atendê-lo.
Sozinha na cozinha, Bella pegou o envelope e, curiosa, abriu-o.
Um calafrio percorreu-a quando viu as fotos ali contidas. Eram dezenas de registros fotográficos de vários momentos do seu dia, durante as últimas semanas. Havia fotos dela na Pretty in White, em seu apartamento, entrando ou saindo dos edifícios, nunca no interior deles. Havia, também, registros de suas corridas, uma simples ida à padaria ou à farmácia. Mas não havia, notou, nenhuma fotografia em que estivesse acompanhada. Sabia que, quando aquelas fotos foram tiradas, ela não estava com ninguém.
Foi então que, vasculhando as imagens, ela parou numa fotografia sua, falando ao celular, no dia em que almoçara com Esme e Alice. No dia, lembrou-se, em que recebera aquela ligação anônima pela primeira vez. Estava certa, pensou, quando tivera a impressão de que estava sendo observada.
Agora, tinha certeza.
Quando encontrou uma foto sua do dia anterior, na Mostra, ela sentiu o corpo todo gelado. O enquadramento mostrava-a com o corpo meio virado para o lado, enquanto falava ao celular com, ela seria capaz de apostar, homem anônimo que estava lhe dando aqueles alertas estranhos e enigmáticos sobre os Cullen.
Junto com as fotos havia um bilhete:
PERGUNTE A EDWARD CULLEN QUEM TIROU ESSAS FOTOS.
VOCÊ NÃO VAI GOSTAR DA RESPOSTA.
N/A: Comentem ou eu vou ficar sem unhas!
Ps.: Próximo capítulo será postado em 21-06. Até lá!
Ps².: Estou no facebook, para quem quiser ler prévias dos capítulos. O link está no meu perfil. :D
Ps³.: Se você está relendo o capítulo vai perceber que "falta" uma pequena parte. A explicação mais simples é que eu esqueci de retirar essa parte antes de postar. :P Desculpa por esse erro!
