N/A: Ok, seguindo em frente...

Obrigadíssima pelos comentários! *-* Foi um melhor que o outro. Um beijo para quem lê, quem comenta, quem me manda PM, quem especula no facebook... haha. Adoro todas vocês!

Boa leitura!


CAPÍTULO QUATORZE

Os dias passaram voando. Sete meses atrás, Bella costumava trabalhar no horário normal e voltar para casa à noite, com a única ocupação de jantar e ficar no sofá assistindo televisão. Agora, continuava trabalhando no horário normal, mas quase sempre levava trabalho para casa e passava uma hora ou duas enviando e-mails ou revendo o planejamento dos eventos que estavam sob sua responsabilidade. O maior deles era o casamento de Alice e, por isso, demandava bastante de seu tempo.

Quando não estava trabalhando na PW ou em casa, Bella estava com Edward e Anthony. Eles continuavam jantando juntos na sexta-feira à noite, no que se tornara uma espécie de tradição — tanto que Edward e Bella tinham as agendas limpas para poderem jantar com Anthony nesse dia. Nada de levar trabalho para casa na sexta-feira à noite. Esse era o momento dos três realmente terem algum tempo juntos.

Durante o resto da semana, eles costumavam se ver durante o horário de almoço, mas não era a mesma coisa almoçar em restaurantes cheios de gente, barulho e a correria do dia-a-dia. É claro, pensava Bella, era muito melhor do que apenas conversar com Edward e Anthony pelo telefone. Não gostava de ficar longe deles por muito tempo.

Eles faziam parte da sua vida agora. Ela já sabia que amava Anthony — tinha se dado conta disso desde que o resgatara da maldita Jane, mas sentia isso desde a primeira vez que vira o menino com os olhos marejados e o olhar perdido. Anthony a conquistara desde aquele primeiro momento.

E o mesmo podia ser dito do que sentia por Edward. Podia não ter percebido, na primeira vez que o vira, quando ele surgira impaciente, preocupado e sombrio atrás do filho que ela encontrara, mas ela tinha sentido aquela corrente, aquela conexão, que a empurrava e a ligava a Edward com a intensidade de mil correntes elétricas.

No instante em que conhecera Edward, tinha sentido o efeito que ele causava. Mas só agora admitia o que isso significava.

Estava apaixonada por Edward.

E não era simplesmente uma paixão movida por desejo, tesão ou algo do gênero. Eles tinham isso também, mas o que acontecia entre eles era mais profundo, mais intenso, do que apenas necessidade física.

Tanto quanto amava Anthony, Bella amava Edward. Cada vez que o via, que conversava com ele, que faziam amor, o sentimento tornava-se mais evidente, mais presente.

Era tão bom se sentir assim que isso a assustava. Como alguém habituada, desde muito jovem, a desconfiar quando algo de muito bom lhe acontecia, ela vivia constantemente com a sensação de que, a qualquer instante, alguém puxaria o tapete dessa sua onda de sorte e felicidade.

E não era apenas uma sensação, pensou Bella, lembrando-se das ligações anônimas, das fotografias e, também, dos telefonemas do pai.

Era daí que vinha todo o receio dela.

Ela ainda não sabia o que pensar dos avisos anônimos, muito menos conseguia pensar numa forma de abordar Edward sobre isso e a carta com as fotos. Sabia que devia falar com alguém sobre aquilo e, apesar de não compreender o motivo, sentia que a pessoa com quem devia falar era Edward.

Aquilo o envolvia, afinal de contas. Envolvia toda a família Cullen.

Mas Bella relutava em abordar a questão. Estava com medo do que descobriria. Ficar calada era uma escolha covarde — isso sem contar perigosa —, mas ela se sentia tão feliz no momento, com Edward, Anthony e os Cullen.

Por mais que as fotos e os telefonemas a perturbassem queria prolongar seu mergulho na ignorância. Seu coração não poderia ser afetado por algo que sua mente não sabia.

Não era correto, porém, ignorar aqueles avisos anônimos e, agora, aquelas fotos. Mas ela ainda não estava pronta para revelações.

Quanto a Charlie e aos telefonemas dele, cheios de entrelinhas sobre como ele sabia sobre o passado dela e como seria uma vergonha se isso viessa à tona agora, Bella sabia que ainda podia controlar o pai. Enquanto conseguisse enviar dinheiro a ele, Charlie apenas continuaria a ameaçando.

O telefone do escritório de Bella começou a tocar, assustando-a. Ela respirou fundo, espantando as divagações, e atendeu na terceira chamada.

— Isabella Swan.

— Bella, é a Leah. — disse a secretária, o tom de voz no modo profissional. — Estou em outra linha com uma cliente, que gostaria de marcar uma hora com você, na próxima semana. Eu sei que sua agenda está um pouco apertada, mas você tem uma hora livre na quarta-feira, entre as duas e quatro da tarde.

Bella recostou-se na cadeira e girou-a de modo a fitar sua janela e o vaso de bluebells, que tinha recebido de Edward naquela manhã.

— Qual é meu compromisso depois das quatro? — Ela sabia, mas só queria confirmar.

— Depois das quatro você tem reunião com Alice Cullen, na casa dela.

— Ok. — Bella assentiu para a sala vazia, pensativa. — Tudo bem, Leah. Pode marcar com essa cliente. Como é o nome dela?

— Miranda Russo. — informou Leah, lendo o nome em suas anotações. — Ela me pareceu bastante... ansiosa para encontrar você. Se estivesse aqui, estaria implorando de joelhos para eu encaixá-la.

Bella riu.

— Eu me sinto uma deusa.

— A Deusa dos Casamentos. — Leah disse, imitando o tom brincalhão de Bella. — Agora deixe-me dar as boas novas à senhorita Russo. Preciso deixá-la feliz e avisá-la de que sua hora com a deusa está confirmada.

— Ah, Leah. — Bella suspirou teatralmente. — Você, sempre tornando o dia das pessoas mais feliz. Acho que você é que é uma deusa.

Leah também riu e elas encerraram a ligação em meio à risadas.

Bella colocou o telefone no gancho e recostou-se novamente na cadeira, observando seu belo vaso de flores.

Esperava que continuasse tendo apenas motivos para rir.

— ~ —

Mergulhados numa atividade que começava a se tornar rotineira, Edward e Anthony trabalhavam juntos, debruçados em lados opostos da mesa do escritório de Edward. Enquanto o pai lidava com as complexidades de contratos comerciais a serem analisados, revisados ou modificados, o filho mergulhava na trabalhosa tarefa de contornar todas as letras "p" pontilhadas em seu caderno de lição de casa.

Pelo canto do olho, vez ou outra, Edward via o filho erguer a cabeça e fitá-lo — ansioso para tagarelar, ele não tinha dúvidas disso. Mas Anthony sabia que aquela era a hora do dever, não a hora de conversar. Então, mantinha a cabeça baixa e Anthony, ciente da regra, voltava ao dever.

Aquela regra funcionava… na maior parte do tempo.

Como toda criança, Anthony tentava desafiar as regras constantemente. E, como todo pai, Edward se via obrigado a fazer valer a regra para a hora do dever de casa — mesmo quando ele mesmo queria poder dizer que deixassem o trabalho e a lição de casa, e fossem conversar ou fazer algo mais divertido.

Mas ele tinha que ser o responsável aqui, pensou Edward. Então, o responsável ele seria.

Pelo menos, pela próxima hora.

Edward continuou lendo os contratos, mergulhando na aquisição de uma nova construtora.

Nem todos os seus negócios envolviam o mundo do crime. E Edward tinha especial apreço pelas construtoras que pertenciam à sua família. Esse era um ramo da Cullen Group que ele tinha expandido, quando o pai resolvera que estava na hora de assumir responsabilidades dentro dos negócios da família.

A construtora, cujo contrato de compra ele lia naquele instante, era uma das várias do ramo que estavam declarando falência porque não podiam com a concorrência da Cullen Group.

Desde que assumira os negócios da família, Edward vinha tentando regularizar a parcela ilegal ainda vinculada ao nome dos Cullen. Não que tivesse a pretensão de tornar tudo legal, pois sabia que algumas operações relacionadas ao submundo do crime de Chicago jamais teriam lugar na legalidade, mas eliminara atividades com as quais ele não concordava.

Eram atividades vinculadas ao tráfico e a prostituição, que tinham sido iniciadas por seu pai.

Sabia que eram atividades com as quais o avô nunca concordara. O avô de Edward havia iniciado os negócios ilegais dos Cullen no fim da década de 1920, contrabandeando álcool durante a Lei Seca, depois mantivera seu lugar na máfia de Chicago durante os anos de Capone — sem nunca ter tido problemas com o outro mafioso —, e entregara os negócios ao pai de Edward com relutância, pois sabia que Edward Primeiro incorporaria as atividades ilegais com as quais não concordava.

O avô de Edward era um mafioso clássico, que fazia seu dinheiro no contrabando de objetos, no jogo ilegal e na agiotagem. Não que ele fosse perfeito, pensou Edward. De todos os Cullen, sabia que o avô tinha sido o mais violento e que mais executara devedores ou inimigos durante a sua administração. É claro, os tempos eram outros e ele precisava da violência para manter o lugar que havia conquistado.

No que se referia ao tratamento de devedores ou inimigos, o pai de Edward chegara perto de superar os números do avô. Mas morrera antes de conseguir.

Edward não recorria à violência com frequência — não a apreciava tanto quanto o pai, muito menos precisava dela para garantir uma posição que já estava consolidada, como o avô.

Mas isso não significava que não a usava. Se fosse necessário, sabia demonstrar e reafirmar quem era a Família Cullen. E Edward sempre fazia isso com impressionante habilidade, conquistando e reforçando o poder que tinha.

Se seu avô era conhecido pela quantidade, o neto viera a ser conhecido pela qualidade com que lidava com devedores ou traidores.

E ambos eram respeitados e temidos por isso.

— Pai.

— Sim, Anthony? — Edward ainda estava distraído com o contrato.

— Falta quanto tempo pra Bella ser minha mãe?

Edward ergueu a cabeça e fitou os olhos enormes e curiosos do filho. Pela enésima vez desde que Anthony surgira em sua vida, viu-se sem saber o que dizer.

Se ao menos tivesse se preparado para a pergunta. Mas, pensou, quem ele queria enganar? Quando se tratava de crianças, uma pessoa nunca estava preparada para as perguntas que elas faziam.

Ele tentou pensar numa resposta — que fosse, ao mesmo tempo, satisfatória e vaga. Sabia que não adiantava fugir da pergunta do filho, pois Anthony insistiria, com o pai ou outra pessoa, até obter uma resposta. Muito menos devia reagir com aborrecimento, pois isso magoaria Anthony, além de que apenas demonstraria ignorância e falta de jeito da parte do pai.

Então, Edward se manteve paciente e tentou lidar com a situação, um passo de cada vez.

— Eu não sabia que você queria uma mãe, Anthony. — disse ele, em tom de conversa, deixando o contrato de lado.

O menino franziu o nariz.

— Não quero uma mãe. Quero que a Bella seja minha mãe.

E isso fazia toda a diferença, pensou Edward. O filho já o tinha visto com outras mulheres antes. Se dera bem com algumas, outras detestara, mas nunca relacionara alguma delas ao assunto "mãe". Elas eram amigas de seu pai, Edward lembrou-se de que o filho dizia. Não eram nada dele.

Mas Bella sempre tivera espaço na vida de Anthony. Ela era a mulher que, em algum momento — embora o menino ainda não soubesse quando —, se tornaria sua mãe.

Ela não era como nenhuma das outras.

Nem para Anthony. Nem para Edward.

Como não podia dar uma resposta mentirosa ou uma que magoasse o filho, Edward optou por dizer a verdade.

— Anthony, esse tipo de coisa é complicada, porque envolve os sentimentos das pessoas.

— Eu sei, pai.

Edward franziu o cenho.

— Sabe é?

— É claro. Pra Bella ser minha mãe, você tem que casar com ela primeiro. Mas você tava beijando ela, daí eu pensei que vocês iam casar logo.

Edward suspirou. Isso era um precipício, pensou. E só o que ele estava conseguindo era se aproximar cada vez mais da borda.

— Anthony, nem sempre dois adultos que se beijam, se casam.

— Hum. — murmurou o menino, começando a ficar impaciente. Pensava que o pai também achava que Bella era diferente. Apesar de seus seis anos, sabia reconhecer o efeito que ela causava em Edward.

O pai sorria muito mais agora, quando eles estavam com Bella. Mesmo quando eles estavam sozinhos em casa, ele sorria mais. O pai também ficava muito mais tempo brincando com ele. De novo, tanto quando Bella estava por perto, quanto quando ela não estava.

Anthony sabia que isso era algo diferente, e associava as mudanças à presença de Bella na sua vida e na do pai. Em sua mente, era inevitável não relacionar essas coisas boas àquela mulher que lhe dava beijos na testa, que cuidara dele quando estava doente e que fazia seu pai sorrir mais e ficar mais tempo perto dele. Mais tarde, Anthony entenderia que, no que dizia respeito ao seu relacionamento com o pai, não bastara Bella ter entrado na vida deles, mas também a vontade e comprometimento do pai em mudar.

Mas isso ficaria para quando o menino amadurecesse.

Por enquanto, Anthony queria aquela mulher como sua mãe. Talvez fosse a falta de uma que o estivesse guiando. Mas não só isso.

Ele amava Bella, tanto quanto amava o pai, os avós e a tia. Para ele, Bella já fazia parte da família e, agora que ela e o pai se beijavam, sabia que era totalmente possível ela se tornar sua mãe.

Uma batida na porta interrompeu a conversa entre pai e filho. Após um segundo, Cyrus entrou no escritório.

— Senhor, acabei de falar com o Newton. Ela está sem carro.

Edward assentiu, depois voltou-se para Anthony.

— Como está indo o dever de casa?

— Já terminei. — anunciou o menino, pulando da cadeira com o caderno e trazendo-o para o pai dar uma olhada. — Eu contornei todas as letras p.

— Muito bom. — Edward conferiu a tarefa. As linhas ainda podiam ser meio irregulares, mas o filho tinha contornado todas e isso era o que importava. — Está muito bom mesmo, Anthony. Acho que você fez por merecer dois biscoitos antes do jantar.

O menino esboçou um sorriso estonteante.

— Sério?

— Sério. — Edward devolveu o caderno ao filho, que, satisfeito com a concessão dos biscoitos, foi logo guardar o objeto em sua mochila. Edward arrumou ele mesmo sua pasta, depois dirigiu-se ao motorista, que continuava na sala. — O carro está pronto, Cyrus?

— Sim, senhor.

Anthony fitou o pai.

— Você vai sair? — quis saber, embora o tom não fosse mais tão angustiado ou triste quanto antes. Anthony começava a entender que o pai precisava sair, às vezes, mas que ele sempre voltaria. E, recentemente, Edward conseguira conquistar a confiança do filho quando dizia que voltaria na hora combinada.

— Nós vamos. — disse ele a Anthony. — O que você acha de irmos buscar a Bella no trabalho?

— Maneiro! — exclamou Anthony, sempre disposto a fazer coisas que envolviam o pai ou Bella, ou ambos. — A Bella vai jantar na casa da vovó hoje?

— Sim.

— Ela também vai dormir lá?

— Não, Anthony. Ela tem que trabalhar amanhã.

O menino franziu o nariz.

— Mas amanhã é sábado! — exclamou Anthony, indignado, erguendo as mãos para o alto, para reforçar seu sentimento.

Edward sorriu, divertindo-se com a lógica do filho.

— Eu sei, campeão. Mas o trabalho da Bella também acontece nos sábados e domingos. Você lembra o que ela faz, não lembra?

— Ela ajuda as pessoas a se casarem.

— Isso mesmo. — Edward se levantou, vestiu seu terno. — Várias pessoas se casam aos sábados e domingos.

— Hum. — murmurou Anthony, pensativo. — Quando eu casar, — declarou, após algum tempo — não vai ser no fim de semana. Assim, quem ajudar com o casamento não vai precisar trabalhar no sábado.

Dessa vez, Edward riu e até Cyrus esboçou um meio sorriso.

— Parece razoável. — disse o pai, com a devida seriedade diante da lógica do filho. — Agora, você está pronto para buscar a Bella?

— Sim. Não. — acrescentou Anthony, em seguida. — Preciso pegar meu casaco.

— Está bem. Nós vamos esperá-lo na porta.

Anthony assentiu e deixou a sala numa corrida para buscar seu casaco.

Quando teve certeza de que o filho não estava mais por perto, Edward fitou Cyrus.

— Newton disse mais alguma coisa?

— O carro da senhorita Swan quebrou de novo. Mas ela só descobriu isso hoje de manhã, quando foi usar o veículo. Então, ela foi para a empresa em que trabalha de carona, com a amiga.

— Esse carro quebrado. — murmurou Edward, pensativo. — Não gosto da ideia de Bella andando de metrô.

— E não devia gostar mesmo, senhor.

Edward franziu o cenho.

— Como assim, Cyrus?

— O carro da senhorita Swan é um modelo simples, mas bastante recente. Não devia quebrar toda hora. Esse tipo de coisa não acontece, a menos que seja um defeito de fábrica ou uma sabotagem. Mas um mecânico a teria avisado em qualquer das duas situações.

Edward fechou as mãos em punho.

— Então você está me dizendo que alguém está sabotando o carro da Bella e subornando o mecânico?

— Sim, senhor. Tem alguém querendo abordar a senhorita Swan e essa pessoa sabe que estamos de olho nela. Por isso, quer colocá-la no metrô. Tem muita gente em lugares assim e isso facilita desaparecer antes que notemos.

Edward ficou em silêncio, remoendo a própria irritação, mas também tentando pensar em como lidar com aquele assunto.

— Eu quero que você arrume alguém de confiança, Cyrus. Vou dar um jeito de mantê-lo mais próximo à Bella, como o motorista dela. — O olhar de Cyrus tornou-se questionador, embora ele logo tenha mudado a expressão. Mas Edward não deixou isso passar. — Você tem alguma coisa contra a minha decisão?

— Não contra, senhor Cullen. — replicou o motorista. — Mas eu não vejo a senhorita Swan aceitando um motorista. Não sem um bom motivo.

Edward arqueou uma sobrancelha.

— Então você a conhece muito bem. — declarou ele, um pouco surpreso ao pensar nisso. — Ela não vai aceitar mesmo. É por isso que eu vou dizer a verdade.

Foi a vez de o motorista arquear uma sobrancelha.

— Senhor?

— Vou dizer à Bella que venho recebendo ameaças e que preciso manter aqueles próximos a mim protegidos. Por isso, preciso que ela aceite ficar com um motorista. A essa altura, nós dois sabemos que Bella já percebeu que você não é só um motorista.

Cyrus assentiu.

— Vou encontrar alguém e ele estará pronto para começar na segunda.

— Ótimo. — Edward disse, deixando o escritório e seguindo para o hall de entrada, junto com Cyrus. — Ninguém vai chegar perto de Bella ou Anthony. Não vou permitir isso.

— ~ —

Um pouco antes de o jantar na mansão de Esme e Carlisle ser servido, Bella precisou esgueirar-se da sala de visitas para atender uma ligação. Todos estavam ocupados, ouvindo um relato de Anthony, que Edward ajudava a contar, e não notaram sua saída da sala.

Quando encontrou uma sala vazia, Bella atendeu ao telefone.

— Charlie. — disse, o tom impassível.

— Bells, minha princesa!

Ela franziu o cenho, depois, semicerrou os olhos, com desconfiança.

— Você esteve bebendo?

O pai soltou uma risada alta.

— Um cálice ou dois, querida. Você é igual à sua mãe. — observou ele, com uma nota de desprezo na voz. — Ela também não me dava folga. Estava sempre me acusando de alguma coisa.

— Existe uma razão por que você ligou, Charlie? Estou um pouco ocupada para as suas reclamações.

— Uuuu, a senhorita executiva já está toda metida, jogando seus compromissos na cara do pai.

Bella fechou os olhos e respirou fundo. Já era difícil controlar a irritação quando lidava com o pai sóbrio. Quando ele estava bêbado, então, era uma prova de resistência.

— Preciso saber por que você está me ligando. — disse ela ao pai e continuou: — Você está encrencado?

Novamente, Charlie soltou uma gargalhada.

— A única que fica encrencada aqui é você, princesa. Ou pelo menos, ficava. Agora você é toda moralista e certinha. não é?

— Eu sou adulta agora e mais capaz de tomar decisões certas. Tive que aprender a fazer isso, já que você estava ocupado demais jogando, bebendo e tendo um caso com a Sue.

— Ah, bem, acho que essa do caso é uma coisa de família, não é? — replicou Charlie, o tom falsamente inocente, a pergunta feita com o intuito tanto de irritar Bella, quanto para lembrá-la do que ele sabia. — Quero dizer, nós, Swan, temos vocação para amantes.

— Você é desprezível, Charlie. — sibilou Bella, furiosa, cerrando a mão livre em punhos. — Por que fica me ligando para dizer essas coisas?

— Porque eu quero mais dinheiro, princesa. É por isso que diga essas coisas. — replicou ele, o tom bastante sóbrio agora. — Preciso de cinco mil dólares.

— O quê? Como assim você precisa de cinco mil dólares? O que você fez com o dinheiro que eu depositei?

— Gastei o dinheiro, princesa, e perdi ele na mesa do Harry. O filho da mãe sempre foi bom no pôquer.

Bella apertou a ponte do nariz, os olhos fechados, tentando controlar a raiva, frustração e o medo que sentia, ao mesmo tempo, naquele instante.

— Eu não tenho cinco mil dólares. — disse, o tom baixo, quando se viu mais calma. — Não tenho como arrumar esse dinheiro agora. Peça ao Harry para esperar até o mês que vem.

Charlie ficou em silêncio por um longo instante.

— Você acha que eu sou idiota, princesa? — disse, após algum tempo. — Acha mesmo que eu acredito que você não tem a grana? Posso não entender ou dar a mínima para o que você faz, mas eu sei que isso dá dinheiro. Você vai fazer o casamento de uma ricaça. Essas coisas incluem grana, e grana adiantada.

— Charlie, o dinheiro não vem direto para mim.

— Mas você ganha comissão.

— Você não tem como saber disso.

— Tá, tudo bem. — replicou o pai. — Se você não tem o dinheiro, pede para o seu namorado. Diz para ele que é para pagar meus remédios caros.

Bella bufou.

— Remédios caros? Álcool e ases? — disse ela, o tom começando a se elevar, e freou a si mesma. — Não vou pedir nada a Edward. Não estou com ele por causa do dinheiro dele. E você precisa parar de achar que eu estar com ele vai ser sua forma de ter um caixa eletrônico. Isso não vai acontecer.

— Por quê? Está tendo problemas no paraíso, princesa?

— Não é da sua conta. — Ela ouviu passos no corredor. — Preciso desligar.

— Espere, e o meu dinheiro?

— Eu disse que não tenho como levantar essa quantia. Espere até o mês que vem. Enrole Harry e convença-o a esperar. Essa não vai ser a primeira vez que você vai enrolá-lo.

— Eu não gosto de esperar, Isabella. — disse Charlie, o tom de voz baixo e sombrio. — Se você pretende me fazer esperar, eu pego meu carro e vou aí ter uma conversa com esse seu namorado milionário. Tenho certeza que o que tenho a dizer vai fazê-lo vê-la com outros olhos.

— Faça isso Charlie. Eu não ligo. Meu relacionamento não é tão importante assim. — replicou Bella, tentando soar indiferente. Talvez, se o pai acreditasse que não estava tão envolvida assim com Edward, ele desistisse de chantageá-la.

Mas Charlie apenas riu.

— É tarde para você se fingir indiferente, princesa. — disse ele, o tom falsamente paternal, como se estivesse dando um conselho sábio à filha. — Não vai funcionar. Não mais.

— E por que você diz isso?

— Porque você já me pagou uma vez. — Charlie estalou a língua. — E eu conheço você. Você está com medo. Medo do que eu sei e de perder esse ricaço. Acho até que você está apaixonada por ele.

Bella crispou os lábios.

— Você não me conhece nem um pouco, Charlie. Nunca se deu ao trabalho. Então, deixe-me em paz.

Charlie a ignorou.

— Eu posso começar com… — disse ele, falsamente alegre. — "Senhor Cullen, sabe a mulher doce, distinta e profissional com quem esteve saindo nos últimos tempos? Ela é minha filha e é assunto de fofoca até hoje na nossa cidadezinha".

— Pare com isso, Charlie. — replicou Bella, sentindo as mãos trêmulas — de medo e de raiva.

— "Ela costumava ser uma garota terrível — em todos os sentidos ruins da palavra" — Charlie continuou a ignorá-la. — "No colegial, ela era a vagabunda da escola. Sim, isso mesmo. Ela costumava sair com todos os garotos e fazia de tudo com eles. Mas o pior de tudo aconteceu no último ano do colegial dela, quando ela foi…"

— Por favor, por favor, pare! Eu dou o dinheiro para você. — disse Bella, sentindo as bochechas pegando fogo e garganta arder com as lágrimas que tentava segurar. — Só, por favor, não…

— Eu sei, princesa. — disse Charlie, o tom satisfeito e tranquilizador. — Se você paga, eu mantenho a boca fechada.

Bella assentiu para a sala vazia, respirou fundo, e agradeceu por os olhos estarem secos quando avistou Edward na soleira da porta.

— Eu preciso desligar. — Ela disse ao pai, em voz baixa. — Amanhã eu faço o que você pediu.

— Estarei esperando, princesa. — disse Charlie e desligou.

Bella respirou fundo, depois fitou Edward com um sorriso no rosto.

— Desculpe. Era uma emergência.

Ele entrou na sala, o cenho franzido.

— Algum problema?

— Nada grave. — Bella o tranquilizou, tentando um tom jovial e despreocupado. — Ajustes de última hora.

O inferno que era isso, pensou ele. Ela estava corada, os olhos castanhos sombrios e infelizes. Sabia que a ligação não tinha nada a ver com banalidades sobre casamento.

Anthony entrou na sala, antes que Edward pudesse fazer mais algum comentário.

— A vovó disse que a gente pode jantar. Eu até já lavei as minhas mãos. — Ele as ergueu para inspeção.

— Muito bem. — disse Edward ao filho, depois voltou-se para Bella. — Tem certeza que está tudo bem?

— É claro que sim. — replicou ela, mas sem fitá-lo, e se aproximou de Anthony. — Vamos jantar. Estou faminta.

— Eu também! — exclamou o menino, deslizando sua mão para a de Bella, e caminhando com ela para a sala de jantar.

Edward os observou saírem, ficou ouvindo suas vozes no corredor, enquanto pensava na atitude defensiva de Bella.

Lembrou-se que, enquanto se aproximava daquela sala, onde Bella conversava ao celular, tinha-a ouvido pronunciar o nome de Charlie Swan, o pai dela. Gostaria de saber o que ele dissera à Bella que a deixara infeliz e abalada.

Bem, não podia ser nada além do que ele mesmo já sabia. Mas, ainda assim, revoltava-lhe o fato de que o pai dela estivesse usando a informação para chantagear Bella.

Edward sabia que ela estava sendo chantageada, assim como sabia o motivo da chantagem.

Mas, apesar disso, não queria abordar a questão com Bella. Tinha certeza que ela não gostaria de saber que ele investigara sua vida. Depois do que Aro dissera, Edward tinha decidido investigar a vida de Bella, mas o que descobrira não lhe era tão preocupante quanto Aro tentara fazê-lo crer.

Talvez, para outro homem, que não pertencesse ao mundo a que Edward pertencia, o histórico de Bella fosse um choque. Mas ele estava habituado a coisas muito piores.

Além disso, o que descobrira sobre Bella tinha acontecido há quase dez anos. Muito tempo havia se passado desde então e, no momento, ela lhe parecia como alguém que superara o passado.

Não tanto quanto gostaria, pensou Edward, uma vez que ela ainda cedia à chantagem do pai. Mas, de uma coisa ele tinha certeza (e era um alívio saber disso): Bella não era uma mulher perigosa.

— ~ —

Depois do jantar, enquanto Edward e Bella voltaram para casa no carro dele, Anthony ficou na casa dos avós, onde passaria a noite e o dia de sábado. Esme dissera que sentia falta do neto e que queria ter a oportunidade de cuidar um pouco dele.

Bella sabia que isso era parcialmente verdade. Apesar de que acreditava que Esme adorasse passar tempo com o neto, sabia que aquela era a forma de Esme dar a ela e a Edward algum tempo para ficarem juntos sem que explicações para Anthony fossem necessárias.

Por mais envolvidos que Edward e Bella estivessem, havia um acordo tácito entre os dois de não manter isso muito evidente aos olhos de Anthony. Uma criança da idade dele podia confundir as coisas — era no que acreditavam todos.

Bella mudou de posição no banco, apoiando o queixo com a mão. Enquanto Edward respondia uma ligação de emergência, ela fitava a rua através da janela do carro. Agora que tinha tempo para pensar, descobria-se inquieta.

Detestava admitir isso, mas o telefonema de Charlie tinha afetado sua confiança. E também a deixara mais assustada do que gostaria de admitir.

O pai e suas demandas por dinheiro sempre tinham sido um inconveniente, mas Charlie não costumava pedir quantias altas — mesmo porque ele sabia que Bella não tinha tanto dinheiro assim. Mas, agora que ela estava com Edward, Charlie resolvera ser ainda mais ganancioso. Certamente, ele pensava que Bella seria capaz de recorrer ao dinheiro dos Cullen para alimentar os vícios de Charlie.

Bella sabia que o pai era um homem medíocre, e desprezava sua natureza mesquinha e gananciosa, tanto quanto lamentava que ele fosse assim. Somado a isso, para pagar Charlie, teria que usar o dinheiro que estava guardando para comprar um apartamento. Levaria cinquenta anos para comprar o imóvel que queria se continuasse se deixando chantagear pelo pai.

Ela odiava isso, mas também tinha medo e vergonha do que aconteceria caso não pagasse Charlie e tivesse seu passado exposto a Edward, ou à Carmen e Tanya. Com apenas umas poucas palavras, Charlie poderia fazê-la perder o homem que amava e o emprego. Então, não restaria nada a ela a não ser vazio.

Bella não queria isso. Muito menos agora, quando, finalmente, conseguira encontrar a si mesma, conquistara um amor e uma carreira.

Por isso, continuava pagando Charlie e ignorando a voz em sua própria cabeça que dizia que, talvez, fosse melhor simplesmente contar tudo a Edward.

Ela não estava disposta a fazer isso. Ainda não.

Talvez, nunca estivesse, pensou, mas logo ignorou o pensamento.

Edward desligou o celular. Ele murmurou algo para Cyrus que Bella não entendeu, pois ainda estava um pouco distraída. Depois, ele digitou alguma coisa no celular, a expressão insatisfeita e irritada.

Bella o observou, esperou até ele terminar. Então, colocou uma mão sobre o joelho dele e perguntou:

— Alguma problema?

— Um imprevisto na Eclipse. — explicou Edward, com uma careta. Imprevisto era o eufemismo do ano para assassinato. — Você se importa se passarmos lá um instante? Eu preciso falar com Emmett.

— Não, eu não me importo.

— Você não precisa sair do carro. — disse ele. Sua intenção era sugerir aquilo, mas a sugestão saiu como uma ordem seca. Por isso, acrescentou: — Não vou demorar.

Bella arqueou uma sobrancelha, mas não fez comentário diante do tom.

— Está bem. — murmurou ela, retirando a mão do joelho del e voltando a fitar a janela.

Edward podia conhecê-la há pouco tempo, mas sabia que ela ficara aborrecida com seu tom. Somado a isso, sabia que algo a preocupava e seria capaz de apostar que tinha algo a ver com a ligação que ela recebera mais cedo. Tinha-a ouvido falar o nome do pai e precisara conter a si mesmo para não interferir quando ouvira o tom infeliz na voz dela.

— Bella.

— O quê? — replicou ela, secamente. — Sua Alteza tem outra ordem para me dar?

Edward crispou os lábios.

— Me desculpe. Eu não tive a intenção de ser ríspido com você.

— Você é ríspido o tempo todo. É difícil de saber quando não teve a intenção de ser.

Ele franziu o cenho, surpreso com a hostilidade no tom e nos olhos dela. Esperava tristeza, não hostilidade.

— O que deu em você? Por que esta tão agressiva?

— Não estou agressiva. Só estou irritada porque meu namorado acha que eu sou um de seus funcionários e fica me dando ordens, ou fugindo das minhas perguntas, tentando desviar minha atenção como se eu fosse uma universitária estúpida, que presta mais atenção nos seus lábios do que no que eles dizem.

— Bella.

— Edward! — devolveu ela, ríspida, e o fitou com os olhos furiosos. Em seguida, soltou um suspiro exasperado, recostou-se no banco e virou-se novamente para a janela.

Edward ficou encarando o perfil dela. Tentava pensar num modo de lidar com aquela explosão, sem que ela percebesse o quanto ele sabia.

— O que aconteceu? — perguntou à ela, o tom de voz baixo e paciente. Esperava sinceramente que ela lhe contasse, ao menos sobre a ligação, pois estava ficando difícil resistir ao impulso de esclarecer tudo.

Bella ainda ficou um longo tempo em silêncio.

Ele esperou.

— É o Charlie. — Ela cedeu, com um longo suspiro, sentindo-se exausta, irritada e culpada. Não deveria ter descontado sua irritação em Edward, embora continuasse detestando que ele tivesse lhe dado uma ordem.

Edward assentiu, rigidamente, e respirou fundo. Não queria demonstrar irritação, agora que ela admitira. A verdade era que detestava Charlie Swan, apenas pelo modo como ele deixava Bella. Até agora, só a vira infeliz quando o assunto envolvia o pai.

— O que ele fez dessa vez?

Ela deu de ombros.

— Pediu mais dinheiro.

Ele ficou em silêncio por um longo tempo. Então, antes que pudesse conter a si mesmo, perguntou:

— Por que ele está chantageando você?

Bella virou a cabeça abruptamente, fitando-o, chocada. Como ele sabia disso? Como poderia saber que Charlie a estava chantageando, não apenas pedindo dinheiro porque era um desses pais folgados que dependiam dos filhos?

— Eu reconheço chantagem quando estou diante de uma. — Edward disse, movendo os ombros, como se tivesse lido os pensamentos dela. — E... — Ele pensou em dizer que sabia o motivo porque Charlie a estava chantageando, mas esse não era o lugar, nem o momento, para conversarem sobre o assunto. Queria que Bella lhe contasse aquilo, mesmo que já soubesse o que ela diria. Queria descobrir se ela confiava nele a esse ponto.

— E…? — Ela o instigou a continuar, arqueando uma sobrancelha para reforçar o incentivo.

— Eu ouvi uma parte da sua conversa com Charlie hoje.

A desculpa não convenceu Bella. Estava pronta para replicar, mas Cyrus a interrompeu.

O motorista chamou Edward.

— Senhor, nós temos um problema. — disse Cyrus em seu costumeiro tom de voz prático.

Edward crispou os lábios, claramente insatisfeito.

— Mais um?

O motorista assentiu, fitando o patrão através do espelho retrovisor.

— Nós estamos sendo seguidos, senhor.


N/A: Por favor, comentem!

Ps.: Próximo capítulo será postado no dia 28-06.

Ps².: Vou ajudar vocês a eliminar hipóteses: a Bella não tem nenhum aborto no passado dela.