N/A: Oi! Eu não me canso de ler e agradecer os comentários de vocês. Sério, eles são demais. Muito, muito obrigada!

Boa leitura!


CAPÍTULO QUINZE

— Você tem certeza disso, Cyrus? — perguntou Edward ao motorista, o tom calmo na superfície, mas os olhos queimando, furiosos. Um ataque direto, mesmo em forma de perseguição, colocava as coisas em outro nível. E era sempre feio quando ele precisava reagir.

Edward segurou Bella pelo braço quando a viu virar a cabeça para trás.

— Não faça isso. Não olhe por sobre o ombro. Eles vão saber que percebemos.

— Está bem. — concordou Bella em voz baixa, sem se importar com o tom imperativo dessa vez. A situação era completamente diferente agora.

— Há quanto tempo eles estão atrás de nós? — quis saber Edward, voltando a falar com Cyrus.

— Desde que saímos da rodovia principal.

— Você sabe quem é?

— Não. — Cyrus encontrou o olhar do patrão através do espelho retrovisor. — Não reconheço esse carro.

Edward assentiu.

— Siga por uma rota alternativa, Cyrus. — disse ele e fitou Bella. — Desculpe por isso. Eu não queria assustá-la.

— Não peça desculpas. Isso não é culpa sua.

Sim, é sim, pensou Edward. Mas não fez nenhum comentário. Ele buscou seu celular quando Cyrus virou uma esquina, mudando a rota deles de surpresa.

O carro que os seguia também dobrou a esquina.

— Carlisle. — disse Edward ao celular, atento a movimentação ao redor. — Estamos com um problema. Meu carro está sendo seguido. Não, nós estamos bem. Só não sei quem está atrás de nós. Preciso que você reforce a segurança da mansão. Diga a todos para ficarem alertas. Não quero correr o risco de um ataque simultâneo. — Ele fez uma pausa, ouviu o padrasto por algum tempo. — Diga à mamãe que eu entendi e que vou me cuidar. Por favor, fique de olho no Anthony. — pediu ele. Após uma breve despedida, desligou. Então, voltou a falar com o motorista. — Mude a rota de novo, Cyrus.

Bella gostaria muito de entender se essa "rota" a que Edward se referia era aleatória — como uma escolha de Cyrus naquela hora — ou se era algo pré-estabelecido e usado em situações como a que estavam naquele momento. Se fosse a segunda opção, ou Edward era muito meticuloso e prevenido, ou aquilo acontecia com frequência.

Ela o fitou.

— Isso já aconteceu com você?

— Sim. — Ele assentiu, sucinto, e verificou o retrovisor. O carro continuava a segui-los, agora mais de perto. — Tem um monte de gente que vem atrás de mim, querendo causar algum dano a mim ou à minha família. De novo, Cyrus. — O motorista seguiu a ordem e o carro dobrou a esquina junto com eles, dando a Edward a confirmação que ele precisava. — Sem surpresa. Eles conhecem nossas rotas. — observou, enquanto olhava através do retrovisor o veículo às costas do seu.

— E agora sabem que percebemos a presença deles. — murmurou Cyrus.

Edward olhou ao redor, para a rua e os conjuntos de prédios que os cercavam. Ele fez uma careta.

— Merda, Cyrus. Não devíamos ter pego esse caminho. Eles estão tentando nos encurralar.

Os olhos de Cyrus adquiriram um brilho sombrio.

— Não vão conseguir, senhor.

Um movimento ao lado de Bella, do lado de fora da janela, chamou sua atenção. Quando seguiu a movimentação, ela arregalou os olhos.

— Eles já fizeram isso! — exclamou ela e, restando-lhe apenas a reação, lançou-se sobre Edward quando a pessoa mascarada do outro veículo atirou.

O som do tiro socou o vidro no mesmo instante em que Cyrus, agindo rápido, acelerou o carro, ultrapassando dois veículos à sua frente, por muito pouco não batendo neles.

Um segundo tiro atingiu a parte traseira do carro, fazendo-se ouvir como uma fisgada metálica, assim como um terceiro, agora mais distante, atingiu o vidro traseiro.

Correndo como um louco, Cyrus dobrou uma esquina, lançando Bella para o lado com força. Ela usou uma mão para se segurar na porta, mas não antes de o cotovelo bater contra o material duro da porta. Ela xingou e percebeu que o vidro atingido pelo tiro não tinha quebrado e estava trincado, com um círculo de vidro trincado por impacto da bala.

Edward precisou de um segundo para se recuperar. Por um instante, tudo o que conseguiu ficar foi chocado com a atitude de Bella. Quando os tiros cessaram e sua mente voltou a funcionar, com Cyrus demandando sua atenção, ele voltou ao que acontecia ao redor, mas completamente mudado em seu interior. Um misto de pânico, gratidão e raiva juntou-se à adrenalina do momento, de modo que ele se deixou guiar por isso.

O carro que os perseguia sumiu de vista. Dez minutos depois, quando haviam se certificado de que não estavam mais sendo seguidos, Edward ligou para Emmett, contou brevemente o que havia acontecido e disse que Cyrus manteria o plano original e os levasse para a Eclipse. Emmett se certificaria de que chegassem lá sem mais nenhuma intervenção misteriosa.

Com o coração socando as costelas, Bella observou Edward agir, ainda mais perigoso e sombrio do que ele era, e ficou imaginando quantas vezes ele já devia ter passado por aquilo.

Mas ela não fez nenhum comentário, pois descobriu que não conseguia falar. Apesar de que a respiração e as batidas do coração começassem a estabilizar, o pânico ainda corria por suas veias, gelado e sufocante. Quando vira a arma, sentira medo e impotência. Medo pela própria vida, mas também pela de Edward. Ficara tão amedrontada que tudo o que conseguira fazer fora reagir. E não se surpreendia que seu primeiro reflexo tivesse sido proteger o homem que amava.

— ~ —

Depois do trajeto de carro digno de um filme policial, Edward manteve o plano inicial e Cyrus os levou para a Eclipse. Lá, eles entraram por uma parte lateral, longe da agitação e tumulto da entrada, e seguiram até o segundo andar, onde ficavam as salas de reunião, do gerente e o escritório de Edward. O lugar estava vazio e incrivelmente silencioso em comparação com as pessoas e a música alta do andar inferior.

Porém, a descrição de vazio de Bella caiu por terra quando eles entraram na sala de recepção do segundo andar. O lugar, que já não era muito amplo, parecia minúsculo diante da monstruosa quantidade de seguranças que o apinhavam naquele instante.

À frente dos homens estava Emmett, que se adiantou quando viu Edward.

Mas Edward não esperou que Emmett falasse e já foi dizendo:

— Eu quero Bella na sala da gerência. Cyrus fica com ela. Mike e Paul à frente da porta. — Ele fitou os dois seguranças. — Só eu ou Emmett temos autorização para tirá-la de lá.

Os dois seguranças assentiram diante da ordem.

Bella franziu o cenho.

— Edward, você não acha que está exagerando? — Ela tinha a intenção de manter a expressão leve, quase divertida, mas a descontração morreu quando ele a fitou.

— Não estou. — murmurou ele, em voz baixa, e voltou-se novamente para os seguranças.

Talvez, ela ainda estivesse sob efeito impulsivo dos acontecimentos recentes, pois Bella insistiu:

— Você espera que eu simplesmente acate uma ordem sua, Edward?

Dessa vez, quando ele se virou para fitá-la, os olhos estavam sombrios e perigosos.

— Eu não tenho tempo para uma discussão, Bella.

— Então, você não devia ter tomado uma decisão sobre mim sem me consultar. — replicou ela, sustentando o olhar dele e pronta para uma luta.

Os outros homens na sala entreolharam-se, com um misto de curiosidade e surpresa.

Edward trincou os dentes e, em duas passadas, abriu a porta mais próxima de onde estava.

— Entre. — rosnou para ela e apenas recebeu um arquear de sobrancelhas como resposta. Ele contraiu o maxilar, então disse entredentes: — Por favor.

Bella manteve uma expressão solene, mas, porque havia conseguido o que queria, entrou na sala.

Quando fechou a porta, Edward se virou para ela.

— Não posso dar explicações a você agora. Preciso que faça o que eu disse e, depois, nós conversaremos.

— Estou ficando cansada dessa falta de explicações. — replicou Bella. — E eu odeio ser comandada.

— Já percebi isso.

— Então porque agiu feito um neandertal ali fora?

Edward respirou fundo e apertou a ponte do nariz.

— Preciso trabalhar, Bella. Não tenho tempo para isso.

— E quando você vai ter? Você sempre dá um jeito de desviar minha atenção.

— Eu não estou dando um jeito. Droga, nós fomos perseguidos e alvejados, pelo amor de Deus! E você chama isso de distração?

— Estou bastante ciente disso. Eu estava com você.

— Sim, e se jogou na minha frente quando viu a arma. Foi a coisa mais estúpida que já vi alguém fazer. Não sei o que deu em você.

— Nem eu. — disse ela, sentindo-se o coração apertar. Por isso, reagiu com hostilidade. — Dá próxima vez, vou ficar sentada e assisti-lo levar um tiro.

— O carro é blindado.

— Eu não sabia disso! — replicou Bella, furiosa e magoada. Na verdade, ela sabia que o carro de Edward era blindado, mas não se lembrara do detalhe na hora. Ela respirou fundo, buscando uma calma que estava longe de possuir naquele momento, e disse: — Tudo o que eu sei é que alguém estava apontando uma arma na sua direção. Não pensei em nada a não ser reagir.

— Bem, da próxima vez pense. — replicou Edward com frieza. — E pense em si mesma antes de levar um tiro por mim.

Ela o fitou, decepcionada e magoada com a rispidez e com a frieza dele.

— Por que você está tão furioso pelo que eu fiz?

Edward a fitou, os olhos sombrios.

— Porque eu não mereço.

Ela meneou a cabeça, abriu a boca para falar.

— Por favor, não tenho tempo para isso. — disse Edward, interrompendo-a, antes que ela pudesse fazer algo, ele saiu da sala, deixando-a sozinha.

Um segundo depois, Cyrus entrou.

Bella soube que, ao menos naquele momento, a discussão estava encerrada, com Edward dando a palavra final.

— ~ —

Depois de meia hora andando de um lado a outro na sala, Bella desistiu do exercício forçado e sentou-se num sofá, os cotovelos sobre os joelhos, o queixo apoiado nas mãos, a expressão um misto de tédio e impaciência. Sentia-se exausta, tanto física quanto emocionalmente, enquanto tentava assimilar a montanha russa de emoções e acontecimentos que sua vida se tornara.

Ela se imaginara vivendo uma vida atribulada, mas por causa do trabalho, não porque acabaria se envolvendo com Edward. Mas a verdade era que, mesmo com todas as demandas constantes — às vezes, malucas, outras, extravagantes —, seu trabalho era a coisa mais normal em sua vida atualmente.

Havia quem dissesse que, quando alguém ia bem no trabalho a vida pessoal desmoronava. Mas ela não achava que o trabalho estivesse interferindo em sua relação com Edward. Bem, ao menos, não o trabalho dela.

Já o trabalho de Edward…

Bem, pensou, não exatamente o trabalho dele, mas o que ele era: um homem rico e poderoso. Alguém assim atraía atenção e perigo, imaginava. E ela começava a achar isso uma pedra no sapato.

Inquieta, ela se levantou novamente. Não queria pensar nisso agora. Não era o momento de procurar culpados.

Ela se serviu de um copo de água, buscando se acalmar. Olhou o relógio e ignorou a hora, porque isso só a deixaria mais aborrecida. Seu olhar recaiu sobre Cyrus.

Ela devolveu o copo ao seu lugar e recostou-se na mesa. Se tinha que ficar trancada ali com o motorista, então, tiraria alguma vantagem disso.

— Há quanto tempo você trabalha para os Cullen, Cyrus?

— Vinte anos, senhorita.

Bella murmurou em assentimento e cruzou os braços.

— E você sempre fez a segurança de Edward?

— Não. Eu costumava acompanhar o pai dele.

Ah, pensou ela, isso é interessante.

— E como ele era, o pai de Edward?

— Muito diferente do filho, senhorita.

— Em que sentido?

Cyrus moveu os ombros.

— O pai do senhor Cullen era menos... envolvido com a família. Ele ficava a maior parte do tempo longe de casa, e nem sempre isso tinha a ver com trabalho. O senhor Cullen, o filho, não é assim.

— Mas Edward também passa bastante tempo fora de casa.

Cyrus assentiu.

— É verdade. Mas por razões diferentes das do pai. O senhor Cullen não queria estar perto da esposa e dos filhos. Já o senhor Edward… — Ele fez uma pausa, como se ponderasse se devia continuar ou não.

— Pode falar, Cyrus. — Bella o encorajou, embora fizesse uma ideia do que ele diria a seguir.

— O senhor Edward — O motorista continuou. — esteve longe porque temia estragar a vida de Anthony se estivesse por perto.

Bella pensou sobre aquilo um instante.

— Ele se culpa por alguma coisa, Cyrus, é isso? Por isso Edward manteve distância do Anthony?

— Não exatamente. — disse o motorista. — Ele só teme que seja igual ao pai, que não tinha consideração por ninguém, e tem receio de que estrague a vida de Anthony por isso.

— Ele não devia punir a si mesmo desse modo. Não é justo. — murmurou Bella e ficou imaginando se suas palavras se referiam ao que o motorista acabara de dizer ou ao que Edward lhe dissera mais cedo, na mesma sala onde ela estava agora.

— Ele está mudando esse pensamento, sabe. — acrescentou Cyrus, em voz baixa, encarando-a de volta quando Bella o fitou.

Essa era a primeira vez que ela realmente olhava para o motorista, demorando-se em sua observação. Ele tinha olhos escuros e sérios, e era mais jovem do que ela supunha à primeira vista. Devia ter uns quarenta, quarenta e cinco anos, e tinha o rosto cheio de sardas — que teriam sido engraçadinhas num rosto mais amigável. Ainda que as feições de Cyrus fossem sérias, Bella gostava dele e da silenciosa serenidade que os olhos dele transmitiam.

— Ele está mudando, senhorita Swan, e um pouco disso aconteceu por sua causa.

Ela esboçou um sorriso simples.

— Pelo que você me disse, acho que ele sempre quis mudar. Eu só dei um empurrãozinho.

— A senhorita fez uma coisa boa do mesmo jeito. — Para a surpresa de ambos, Cyrus retribuiu o sorriso dela esboçando ele mesmo um breve sorriso. Continuava formal e sério, mas ainda assim era um sorriso.

— ~ —

Em seu escritório, na Eclipse, Edward não tinha motivos para sorrir. Estava ouvindo o relato de Emmett sobre a nova vítima do assassino anônimo, que tinha sido morta na noite anterior e só fora descoberta no fim daquela tarde.

— Ela tinha vinte e oito anos. Estatura mediana, olhos e cabelos castanho claros.

Edward sentiu um calafrio na espinha. Tirando a idade, parecia que Emmett estava descrevendo Bella.

— E você não conseguiu nenhuma pista?

— Não. O cara é profissional. Não deixa nenhum rastro sequer.

— Ele tem que estar rondando a Eclipse, Emmett. Alguém já deve ter visto esse cara, mais de uma vez, por essa região.

— Se alguém viu, não está me contando. — replicou Emmett, ciente de que a careta que recebeu de Edward por suas palavras não devia ser subestimada. — Estou dizendo a você, Edward, eu nunca me deparei com alguém tão difícil de localizar. Esse cara é do nosso ramo e é muito bom.

Edward rosnou.

— Eu sei que ele é do nosso ramo. — replicou, caminhando pela sala. — Sei disso desde que esses crimes começaram.

— E por que você não me disse?

— Não era o momento. — Foi a resposta de Edward. — Você verificou Aro?

— Uma dezena de vezes. Rosalie tem rastreado todas as ligações dele, assim como Paul o tem seguido a todos os lugares que ele vai. Tirando o fato de que ele pede costelas demais e de que gosta de ir aos bordeis da parte norte, o cara está limpo.

Edward não estava com humor para gracinhas. Sua cabeça estava explodindo de frustração, medo e raiva. Um assassinato e uma perseguição na mesma noite, pensou Edward. Isso o deixava furioso e doente de preocupação, uma vez que ainda não sabia nada sobre o assassino de mulheres, e também porque, dessa vez, houvera um ataque direto a ele. As coisas ficavam piores ainda quando lembrava que Bella estava com ele, exposta ao perigo, quando seu carro foi perseguido e alvejado.

Ele andou de um lado a outro na sala. Odiaria a si mesmo se acontecesse algo à Bella por sua causa. Ela não merecia estar envolvida nisso. Cerrando as mãos em punho, ele lembrou a maneira como ela se jogara à sua frente, para protegê-lo.

Era uma atitude a qual ele não estava habituado. Tudo bem que tivesse seguranças e soubesse que eles fariam algo assim, caso fosse necessário. Mas eles eram pagos para isso e sabiam dos riscos da própria profissão.

Bella, por outro lado, havia se jogado sobre ele com a finalidade de protegê-lo, usando a si mesma no processo, abrindo mão da própria vida para garantir a dele. Isso era tão estrangeiro a Edward, era tão novo, que o assustava.

Ele estava habituado a ser aquele que protegia e nunca estivera na ponta oposta dessa corda.

Felizmente, o veículo em que estavam era blindado e a ação de Bella não chegara a ser danosa. Ainda assim, cada vez que pensava que ela podia ter se machucado, tentando protegê-lo, isso o deixava furioso. Não suportava a ideia de perdê-la. Pensar apenas nessa hipótese o enfurecia, e também o assustava.

E a combinação de fúria e medo nunca resultava em coisa boa.

Sua discussão com Bella era a prova disso. Sabia que estava errado e que não devia ter se voltado contra ela, gritando com ela e condenando sua atitude. Mas estivera tão cheio de fúria e medo que acabara descontando nela. Não que pudesse usar o que sentira no momento como desculpa. O estrago já estava feito. Agora, precisava consertar as coisas com Bella.

Em meio a toda essa confusão, ela e Anthony eram as melhores coisas em sua vida.

— ~ —

Bella achava que estava mais envolvida naquela história de perseguição do que aparentava. Durante o trajeto de volta à mansão de Edward, enquanto ambos fitavam lados opostos da janela, em um silêncio pesado, ela não parava de pensar nas ligações anônimas e nas fotos que recebera. Cogitava a hipótese de que quem os perseguira naquela noite podia ser a mesma pessoa que estava atrás dela.

Talvez estivesse paranoica, ou louca, mas o pensamento insistia em permanecer em sua mente. Por essa razão, ela decidiu que contaria a Edward sobre os telefonemas que vinha recebendo.

Não podia mais adiar aquilo.

— Para onde vamos agora, senhor? — quis saber Cyrus, depois que Edward e Bella embarcaram no carro.

Edward fitou Bella.

— Você quer que nós a deixemos no seu apartamento?

— Eu pensei que ia para a sua casa. — disse Bella, confusa. — Você não quer que eu vá?

— Claro que quero. Só pensei que você não ia querer, depois da nossa discussão.

— Bem — disse Bella. —, você pensou errado.

Ele assentiu.

— Para casa, Cyrus. — disse ao motorista, mas não estava convencido de que Bella o perdoara. Ela se recostou no banco e fitou a paisagem através da janela, como fizera mais cedo.

Eles fizeram o trajeto todo em silêncio, mais distantes do que a Terra e a Lua. Quando chegaram à mansão, Edward ainda teve que responder a uma ligação de Esme, que queria saber como eles estavam.

Bella se sentou no sofá da sala de estar e esperou até ele terminar. Quando Edward voltou ao cômodo, fitou-o com determinação e disse:

— Nós precisamos conversar.

Edward guardou o celular no bolso, olhando para ela, avaliando a expressão de Bella. "Nós precisamos conversar" dificilmente era uma frase seguida por algo agradável.

— Está bem. — disse ele. — Sobre o que você quer conversar exatamente?

— Sobre algo que vem acontecendo comigo, desde que nós nos conhecemos. — Bella se levantou e estendeu seu celular na direção dele. — Vê esse número anônimo na tela? Então, um homem está usando essa linha oculta para me mandar recados sobre a sua família. Basicamente, ele fica me dizendo que é perigoso ter algum envolvimento com vocês, os Cullen.

— Quando você começou a receber isso?

— Foi durante um almoço que tive com Esme e Alice. Depois, recebi outro quando estava na Mostra. — Ela sinalizou o celular. — As datas das ligações estão registradas aqui. Mas tem mais uma coisa, Edward.

— O quê? — A pergunta saiu como um rosnado baixo.

Bella o fitou. Ele estava furioso, os olhos perigosos. Supreendia-a quão ameaçadora a expressão dele podia se tornar. Mas ela não temia por si mesma. Sabia que aquela fúria — ao menos a maior parte — não era direcionada a ela.

— Quando eu voltei de Nova York, recebi uma carta com várias fotografias minhas, da mesma pessoa que está me ligando. — Ela continuou. — Eu não as tenho aqui comigo, mas eram fotos de vários momentos do meu dia. — eu entrando no meu apartamento, ou na PW, essas coisas. — explicou. — Junto com as fotos veio também um bilhete. Ele dizia para eu perguntar a você quem tinha tirado aquelas fotos. Disse que você saberia a resposta.

Edward assentiu, lentamente, enquanto pensava. Então, escolheu dizer a verdade.

— Foi eu que mandei tirar fotos suas. Meu funcionário esteve observando você.

— Você mandou me seguir?

Ele confirmou com um aceno de cabeça.

— Por favor, não me entenda mal. Eu só queria garantir que você estivesse segura. — Edward a observou caminhar pela sala. — As pessoas que convivem comigo sempre correm algum risco.

— Por que você não me contou?

— Eu não queria alarmá-la ou assustá-la.

— Bem, agora eu estou irritada. Não gosto da ideia de alguém me observando, tirando fotos minhas, sem eu saber. Você devia ter me contado.

— Assim como você me contou sobre as ligações anônimas? — replicou ele, com arrogância, e sustentou o olhar aborrecido dela com frieza. — Por que você não me contou logo sobre essas ligações?

Ela franziu os lábios, percebendo aonde ele queria chegar.

— Eu achei que era uma bobagem, alguma brincadeira. — respondeu ela, de má vontade. — Mas você não pode comparar minha omissão com a sua.

— Não é uma questão de comparar. A questão é que nós dois estivemos escondendo coisas um do outro.

Os olhares dele se encontraram. Por um instante, as palavras de Edward pareceram remeter a coisas além de ligações anônimas e vigilância. Mas o instante foi breve demais para levantar uma discussão.

Bella respirou fundo, soltou o ar lentamente.

— Eu preciso de um tempo sozinha. — decidiu. Um pouco de distanciamento faria bem, disse a si mesma. — Nós dois precisamos. Com licença. — disse ela e deixou a sala, aliviada quando ele não tentou segui-la.

— ~ —

Bella seguiu para o quarto de hóspedes, sentindo-se furiosa, infeliz e esgotada.

Na melhor das descrições, aquela noite tinha sido um completo desastre. Ela tinha recebido uma nova ameaça de Charlie, discutira com Edward, tinha estado numa perseguição misteriosa, sentira medo por si mesma e por Edward. Depois, discutira mais com Edward. Eles tinham brigado a cada cinco minutos naquela noite. Nem parecia que haviam passado a semana inteira desejando que a sexta-feira chegasse para ficarem juntos. Aquela maravilhosa e amorosa noite em Nova York parecia ter acontecido há decadas, não há apenas uma semana.

Bella se perguntava como tinham vindo parar aqui.

O estresse e o medo podiam ser terríveis vilões, imaginou, mas sentiu-se uma idiota por permitir que isso a dominasse tão completamente. Se amava Edward, não devia buscar uma solução, um equilíbrio, junto com ele? Ah, bem, talvez sim. Mas, às vezes, ele era tão exigente, distante e frio. Havia alguns aspectos da vida que ele queria de um modo e não se importava muito com o resto. Para completar, pensou, ela não o conhecia completamente. Como tinha se apaixonado assim por um homem que nem conhecia direito?

E, sobretudo, como ainda podia desejá-lo, mesmo com toda a confusão que surgia entre eles?

Oh, mas ela desejava, pensou Bella, parando diante do espelho. Isso só deixava seus sentimentos ainda mais bagunçados. Podia estar aborrecida com o jeito dele, mas tudo o que conseguia pensar em fazer era resolver as coisas ao lado de Edward, não contra ou distante dele. Ela se sentiu ainda mais miserável e se arrependeu de sua reação mais cedo. Queria que Edward fizesse exceções, não a tratasse como uma boneca de porcelana, mas como podia esperar isso quando ela mesma não fazia exceções?

A porta do quarto foi aberta.

Edward entrou, encontrando o olhar dela através do espelho, e parou no meio do quarto.

— Eu não queria brigar com você. — disse Bella, antes que ele falasse. Queria pôr fim àquela noite de brigas. Precisava dele. Mais do que precisava de palavras ríspidas e insultos trocados em um meio a uma discussão irracional, nascida de medo e insegurança. — Desculpe, mas eu não estou bem.

— Nenhum de nós está. Eu também não devia ter sido tão reativo e agressivo com você.

— Sim, nós exageramos. — Ela assentiu. Ainda diante do espelho, observou-o se aproximar de onde estava.

Edward manteve os olhos nos dela, fitando o reflexo dela no espelho. Ele parou atrás dela e ergueu as mãos para tocá-la nos ombros, roçando os dedos sobre o tecido do vestido, como um carinho, um afago. Ele acariciou a nuca dela, inclinou-se para frente e depositou um beijo na curva do pescoço de Bella. Ela estremeceu.

— Desculpe. — sussurrou ele, observando-os, juntos, refletidos no espelho de corpo inteiro.

A respiração de Bella ficou suspensa quando seu olhar encontrou o dele. Os olhos dele refletiam o pedido de desculpas, mas também brilhavam com uma luxúria primitiva e uma devoção que a deixaram sem ar. O olhar intenso a tocou, tanto quanto as mãos dele a tocavam, de tal modo que ela sentiu a pele formigar, o corpo reagir.

Tudo o que Bella conseguiu fazer foi assentir. Ele desceu as mãos por suas costas até encontrar o zíper do vestido que ela usava.

— Posso? — Edward sussurrou a pergunta ao pé do ouvido dela e sentiu-a estremecer mais uma vez.

Bella inclinou a cabeça, de modo a poder fitá-lo de lado.

— Você não precisa pedir. — disse ela, suavemente, apesar de tudo o que acontecera e do ar que custava a chegar a seus pulmões. O ar estava denso de desejo, seu corpo borbulhava de expectativa frustrada. Não queria que algo dissolvesse aquelas sensações.

— Achei que devia. — Edward depositou um novo beijo no ombro dela, ao mesmo tempo em que começava a abrir o zíper, lentamente, roçando apenas a ponta dos dedos na pele que se revelava. Ela estremeceu e a simples realização disso fez pulsação dele acelerar, desenfreada e potente, o sangue martelando a cabeça.

Bella fechou os olhos quando ele deslizou as alças do vestido por seus ombros. Ajudou-o, encolhendo os ombros, de modo que ele pudesse deslizá-las por seus braços. Ele continuou, passando o vestido pela curva de seus seios e, de novo, apenas roçando os dedos nos lugares que suas mãos e o tecido percorriam.

Num único movimento, livre das curvas, a peça de roupa foi parar no chão sem ruído.

A respiração dela ficou suspensa quando, finalmente, as mãos dele assumiram o lugar do tecido.

Edward envolveu-a pelos quadris, puxou-a para mais perto, sentindo a pele macia, e foi subindo pela cintura, acariciando a barriga dela e sentindo-a estremecer. Suas mãos encontraram os seios dela, então envolveram-nos, apertando-os suave e possessivamente.

Bella gemeu, sentindo-o acariciar os mamilos rígidos por sobre o tecido do sutiã. Arqueou o corpo, buscando o dele, e, entregue, apoiou a cabeça no ombro dele, cedendo àquela maravilhosa tortura.

— Você não faz ideia do quanto a quero. — sussurrou ele, a respiração quente fazendo cócegas no pescoço dela. Devagar, ele a virou de modo a poder fitá-la.

Bella se sentia quente e ofegante, o calor percorrendo-a com tanta intensidade que temia colocar o lugar em chamas.

— Também quero você, Edward. — Ela devolveu as palavras dele, a voz rouca, e inclinou-se para beijá-lo. Com um sorriso enviesado, ela levou as mãos à barra da camisa dele. — Posso? — Ela o imitou, com um sussurro sedutor, os olhos divertidos.

Edward devolveu o sorriso e, simplesmente, ergueu os braços para facilitar o trabalho dela.

— Você é lindo. — Ela disse, espalmando as mãos no peito amplo, sentindo os músculos rígidos. Ela se inclinou e beijou-o ali. Sentiu-o estremecer com um misto de fascínio e triunfo. Então, continuou a percorrê-lo com as mãos, deslizando-as até chegar ao cós da calça dele. Abriu o cinto, livrando-o da peça de roupa, também num único gesto.

Edward a trouxe para mais perto, sentiu-a contra sua pele, os olhos castanhos e enormes presos aos seus. Os dedos dele afundaram-se nos cabelos dela, então fecharam-se em punho, quando ele colou sua boca à de Bella. Caloroso, urgente e frustrado. O calo aqueceu a pele dela, agitou o sangue, até que queimava seus ossos. A língua dele exigiu passagem. Os lábios dela entreabriram-se, convidando-o, aceitando-o. Ela gemeu, o som nascido não da dor, mas de um prazer atormentado, enquanto ele beijava vorazmente seus lábios e corria as mãos por sua pele exposta. Como sempre, o coração dela subiu à garganta, deixando-a com a intensa sensação de glória selvagem.

Os braços dela rodearam-no pelo pescoço. Não havia lugar para ressentimento, medo ou discussões agora. Tudo o que ela queria era senti-lo. As mãos e a boca dele. Por isso, permitiu-se esquecer o que havia acontecido. Tudo o que havia acontecido. Agora, só agora, permitir-se-ia perder-se apenas nele.

Eles caíram na cama juntos, livrando-se com pressa das últimas barreiras entre eles. O som de algo se rasgando ecoou junto com os suaves murmúrios e suspiros abafados, mas nenhum dos dois se importou com isso.

Eles se perderam um no outro, inundando-se, perdendo-se em sensações, desejos, calor e prazer. Lábios provaram, exigentes. Mãos tocaram, possessivas. Ainda assim, tudo isso não parecia suficiente.

O ritmo aumentou, mais rápido, mais urgente e potente. Desesperado agora, Edward tomou os lábios dela novamente. Para provar a si mesmo que ela estava aqui, que tudo isso era real. E, ao provar isso, perdeu-se nela.

Ele parou um instante para observá-la. A pele leitosa e macia, as curvas e planos suaves, perfeitos. Suas mãos fecharam-se ao redor de um seio pequeno e perfeito. Ela arqueou o corpo, languidamente, reagindo e aceitando seu toque. Exigindo mais. Inferno, como ele podia se perder nessa mulher. Naquela doçura e naquela força silenciosa que os olhos dela revelavam em meio à luz difusa. Essa era uma mulher que o fazia esquecer. Sobre tudo. Essa era a mulher com a qual queria esquecer o mundo for a daquele quarto.

Foi frenético e selvagem como da primeira vez. Só que agora ela sabia o que esperar e o corpo ansiava para que acontecesse logo. A necessidade de tê-lo era tão urgente quanto respirar. Ela sentiu a tempestade crescendo dentro dela quando ele correu as mãos por seu corpo. Então, arfou quando sentiu os dedos dele entre suas pernas, encontrando-a já úmida e pronta.

Ele também sentiu a tempestade, guiando-o, impelindo-o na direção dela. Sentiu-a ao ponto de enlouquecê-lo, uma mistura de prazer e desejo que apagava todo o resto, tão forte que estava a um passo de dominá-lo.

Ele deslizou para dentro dela, o gemido dela ecoando em sua cabeça como um trovão. Ele a ergueu até que as pernas dela rodearam sua cintura e as costas dela arquearam. Ele se moveu. Rápido e exigente. Ela acompanhou o ritmo, enterrando as unhas nos braços dele quando se aproximou do limite. Trêmulo pelo poder que eles eram capaz de evocar, ele enterrou o rosto na curva do pescoço dela e encontrou a própria libertação com ela gritando seu nome.


N/A: Comentem, por favor!

Ps.: Próximo capítulo será postado em 05-07 (domingo).

Ps².: A fic já passou da metade. Sendo assim, as revelações vão começar.

Ps³.: No capítulo anterior surgiu uma "Miranda Russo". Ninguém pensou em uma teoria? :)