N/A: Surpresa!... Ou não - quem me acompanha pelo Facebook já sabia que teria post hoje. :)

Obrigada pelos comentários.

Boa leitura!


CAPÍTULO DEZESSEIS

Mais tarde, naquela mesma noite, Bella e Edward permaneciam acordados, mergulhados nos próprios pensamentos, os corpos entrelaçados em meio a uma preguiçosa confusão de lençóis revirados.

O brilho prateado que iluminava o quarto tornava-se ainda mais romântico depois do que havia acontecido entre eles, naquele quarto. Ainda assim, junto com a luz baixa também havia sombras, que desapareciam e surgiam com o serpentear das cortinas.

Bella fechou os olhos. Era tão bom estar assim, aconchegada a Edward em meio às sombras silenciosas da noite. Não queria que aquilo acabasse. Parecia que o resto do mundo, seus problemas e preocupações eram um detalhe que não tinha lugar no escuro e no silêncio do quarto.

Preguiçosamente, Edward acariciou o braço de Bella, subindo e descendo a ponta dos dedos pela pele ali exposta. Já a desejava novamente, mesmo quando a tivera há tão pouco tempo. Ele a desejava o tempo todo, mas, ainda assim, descobriu que apenas tê-la nos braços, próxima a ele, como ela estava naquele instante, também o satisfazia.

E o fazia desejar mais.

— Bella?

— Hmmm?

— Posso fazer uma pergunta?

— Depende. Vai me pedir em casamento?

Ele ficou em silêncio.

Bella arregalou os olhos e se apoiou num cotovelo para fitá-lo.

— Eu só estava brincando.

— Sim, eu reconheço um tom divertido, mesmo que nunca use. — Ele sorriu e ajeitou uma mecha de cabelo castanho atrás da orelha dela. — Eu ia perguntar o que você acha da ideia de vir morar aqui.

Ela abriu a boca para falar, mas fechou-a novamente, sem dizer nada. Ele não estava pedindo. Estava apenas se propondo a discutir a ideia com ela.

— Eu acho que nós devemos pensar no Anthony.

Ele franziu o cenho.

— Como assim? Não vou ganhar uma recusa logo de primeira?

— Pensei em recusar, mas estou cansada de discutir com você. Além disso, você não me pediu para vir morar aqui. Só estamos discutindo a ideia.

— Isso me deixaria mais tranquilo.

— Em relação ao… Ah, o maluco perseguidor das ligações anônimas. — Ela disse e assentiu. — Você tem um argumento, senhor Cullen.

— Sou cheio deles. — replicou Edward, com um meio sorriso. Mas, depois, ficou sério. — Tem mais uma coisa.

Bella fez uma careta.

— Agora você está me testando.

— Seria melhor que Cyrus acompanhasse você, ao menos por um tempo, até nós descobrirmos mais sobre as ligações anônimas.

— Você não acha… Não acha que é uma solução um pouco extrema? Eu não sou tão importante assim para ter um segurança.

— Você é importante para mim.

Ela sentiu o coração dar uma cambalhota, aquecendo-a com uma esperança boba e juvenil.

— Você é mesmo cheio de argumentos, senhor Cullen. — murmurou Bella, sentando-se na cama. — E, devo admitir, eles são bons.

Edward sorriu, os olhos escurecendo com diversão e malícia.

— Você ainda não viu nada. — Ele passou os dedos sobre a coxa dela, exposta através do lençol, pelo modo como ela estava sentada.

O corpo de Bella reagiu imediatamente.

— Estou tentando ter uma conversa séria com você, Edward.

— E eu não a estou impedindo. — Mas a mão dele subiu mais. — Sei que você consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Bella meio riu, meio gemeu. Depois, segurou a mão dele, impedindo-o de distraí-la.

— É sério. — disse ela e, agora, os olhos castanhos espelhavam exatamente isso: seriedade. — Nós precisamos conversar. E é melhor fazermos isso antes de você começar a me convidar para viver aqui.

Edward fez o braço de travesseiro e a observou. Podia ver nos olhos de Bella que o momento, enfim, havia chegado. Ela ia lhe contar o que ele já sabia, mas não sabia completamente. Queria saber sobre o passado de Bella com as palavras dela, não através de informações de arquivo, catalogadas e sistematizadas. Era por isso que não a confrontara antes. Bella era a personagem principal daquela história e, como tal, merecia contá-la. Merecia querer contá-la.

— Estou ouvindo.

— Esta noite — Bella disse. —, com tudo o que aconteceu, eu acabei me dando conta de que estive exigindo algo de você que nem eu mesma estou lhe dando.

— E o que seria isso?

— Honestidade. — Ela ergueu a mão quando ele fez menção de falar. — Por favor, não pense que isso vai ser uma troca de revelações. Sei que nós dois temos coisas, segredos, que estamos mantendo um do outro. Talvez você não esteja pronto para me contar os seus segredos. Mas o fato é que eu estou pronta para contar os meus. E quero fazer isso.

— Então eu vou ouvir, Bella.

Ela assentiu, respirou fundo para se preparar. Podia se sentir ansiosa e receosa naquele momento. Não sabia como seria a reação de Edward. Mas, disse a si mesma, era melhor do que viver constantemente com o medo de que seu passado viesse à tona da maneira errada. Era muito melhor, pensou, do que continuar cedendo à chantagem de Charlie, sentindo-se fraca, amedrontada e covarde. Isso não fazia bem para ela, muito menos para seu relacionamento com Edward.

— O que tenho para falar é sobre o meu passado. — começou ela, pigarreando para clarear a garganta. — Mas devo alertá-lo de que não é uma história agradável.

Edward se sentou na cama, ergueu o queixo dela com a ponta dos dedos, de modo a fazê-la fitá-lo.

— Por que você não me conta e me deixa julgar se é agradável ou não?

Ela fechou os olhos um instante, depois assentiu.

— Está bem. Quando eu vivi em Forks, a cidade onde nasci, acabei tendo alguns problemas por conta do meu comportamento. Veja bem, minha mãe morreu quando eu tinha onze anos e meu pai sempre foi o ápice da negligência paterna. Até os meus onze anos, era a minha mãe que cuidava de mim. Então, quando ela se foi, eu fiquei sozinha em mais sentidos do que uma criança órfã de mãe pode ficar.

"Meu pai mal se certificava de que eu tivesse comida e algo para vestir — ele é viciado em jogo, só pensa nisso. Sempre gastou o que ganhava como chefe de polícia na mesa de pôquer. Antes de a mamãe morrer, ela bancava as despesas de casa. Depois disso, eu tive que me virar do jeito que podia, com o dinheiro que Charlie me dava. Dinheiro era o máximo que ele me dava. Nunca recebi do meu pai nenhum tipo de afeto ou orientação. Isso nunca tinha me afetado muito, até que minha mãe morreu e eu me vi sozinha. Como resultado, na minha adolescência, eu me tornei uma dessas garotas problema, delinquente e revoltada com o mundo em geral. — Ela fez uma pausa, os olhos distantes, lembrando-se. Então, fez uma careta. A parte ruim estava prestes a começar. — Com o passar dos anos, as coisas foram piorando. Quando comecei o colegial, eu já tinha uma reputação ruim de delinquente e problemática. Minhas notas eram péssimas e meu comportamento pior ainda. Mas isso não era suficiente para mim. Então eu me tornei o que meu pai classificava — e ainda classifica — como a vagabunda da escola.

— Bella.

— É verdade. Eu me comportava como uma, saindo com muitos garotos, um atrás do outro e permitia que eles falassem sobre isso. Eu queria que eles falassem.

— Você estava tentando chamar a atenção.

— Não sei o que estava tentando fazer. A maior parte do tempo, eu apenas sentia uma raiva tão grande que todo o resto não importava. "E daí que as pessoas falavam de mim?", eu pensava e não me importava, porque não tinha nada, nem ninguém, que se importasse. A única vez que Charlie falou comigo, sobre o meu comportamento promíscuo, foi para me dizer que não "criaria nenhum fedelho" se eu aparecesse grávida. Ele não se importava com as coisas que as pessoas falavam sobre mim. Desde que meu comportamento não afetasse seu bolso, para Charlie estava tudo bem. Ele não se importava comigo.

— Isso não é culpa sua. Se ele não se importava, é porque é um péssimo pai, não porque você não merece que ele se importe.

Ela esboçou um sorriso triste.

— Sei disso agora. Mas, naquela época, eu não conseguia enxergar além da falta que sentia da minha mãe e da indiferença do meu pai. — Bella fez uma pausa, o olhar pensativo. — Não estou usando os erros de Charlie para justificar os meus. O que eu fiz não foi certo. Foi vergonhoso e eu tinha consciência disso, mas fiz mesmo assim. Me arrependo disso todos os dias. Sinto vergonha da garota promíscua e fácil que eu era — esse é um arrependimento que vou carregar comigo para sempre. Assim como… — Ela fez uma nova pausa, mais longa dessa vez e fitou as próprias mãos. Tomando um minuto para reunir coragem, ela pigarreou e ergueu a cabeça. — Assim como vou me arrepender de ter me envolvido com um homem casado. — disse e continuou: — Ele era meu professor, não muito velho, mas ainda assim mais velho que eu. Por causa da minha má reputação, ele se aproximou de mim e eu não me importei com as suas investidas. Nós começamos a nos encontrar, dentro de Forks, porque ele não era de lá, só trabalhava na minha escola. O relacionamento durou todo o meu último ano do colegial.

Edward sabia que havia mais. Por isso, colocou uma mão sobre o joelho dela, para dar apoio.

— Não estou julgando, Bella.

Ela assentiu, espantando uma lágrima que ameaçava cair.

— Meu professor… Eu quis terminar com ele na minha formatura. Àquela altura, eu já estava com James, o namorado da kombi, e nós estávamos planejando sair de Forks. Então, eu quis me livrar logo do senhor Foster — esse era o nome do meu professor. Mas ele não aceitou muito bem o nosso término. — murmurou ela, contornando as costuras do lençol.

— O que aconteceu, Bella?

Ela moveu os ombros.

— Eu tentei terminar, mas o senhor Foster se recusou a aceitar isso. Ele ficava me procurando, até que um dia… — Ela ergueu a cabeça, os olhos tornando-se distantes e sombrios, em outra época. Outro lugar. — Até que um dia, — repetiu. — nós discutimos e eu o matei.

Edward assentiu, lentamente, processando a informação. Essa tinha sido a parte mais difícil de sua investigação. No sistema, Rosalie não havia encontrado nada em relação ao envolvimento de Bella na morte do professor. Mas Edward sabia reconhecer alteração de provas quando se deparava com uma.

Charlie Swan, pensava Edward, devia ter tido muito trabalho para apagar os indícios do envolvimento da filha naquele assassinato. E, apesar de detestar o homem, Edward não podia negar que o pai de Bella havia feito um bom trabalho. Tão bom que ele quase não descobrira o envolvimento de Bella no assassinato do professor.

— E como foi que isso aconteceu, Bella?

— Ele me levou para conversar, fora de Forks, como sempre, e tentou uma reconciliação. Eu disse que não queria, nós discutimos, com muita raiva e acusações. Você sabe que eu me descontrolo fácil durante uma discussão e, naquela época, com a raiva que eu sentia, eu era ainda pior.

— E foi por isso que você o matou, porque perdeu o controle?

— Não. Ao menos, não apenas por isso. Ele também estava descontrolado e tentou… — Ela engoliu em seco. — Ele tentou...

Dessa vez, Edward contraiu o maxilar, completamente tenso, a presenciar a hesitação dela. Sem perceber, cerrou a mão livre em punho. Sabia o que acontecera, mas não tinha pensado muito em como as coisas haviam acontecido.

— Ele tentou violentar você. — disse, a voz saindo como um murmúrio baixo, sombrio e furioso. Esse era um assunto que despertava o seu pior, fazia uma raiva quente e destrutiva queimar dentro dele, e um ódio irracional tomava conta de sua mente. Ainda mais naquele instante, quando descobria que isso podia estar relacionado à Bella. — Se esse bastardo não estivesse morto, eu mesmo o eliminaria.

— Ele não conseguiu fazer nada. Eu reagi antes que pudesse.

— Fico feliz por você. Nem todo mundo consegue.

Ela franziu o cenho, intrigada com as palavras dele, com o ódio que via brilhar nos olhos verdes. Nunca tinha visto Edward tão furioso, tão perigoso, como naquele instante. Mas não teve chance de comentar isso, pois ele falou:

— Como você o matou?

— Quando ele pediu para conversar, eu não sei por que, levei a arma de Charlie comigo. Então, quando nossa discussão saiu do controle e ele me atacou, eu atirei nele. — respondeu Bella. — O arrependimento veio depois.

— Não sei por que você se arrepende de eliminar um homem como esse. Ele não merece seu arrependimento.

Ela o fitou, chocada.

— Eu não acredito em eliminar uma pessoa, Edward. Por pior que ele fosse, eu não tinha esse direito.

— Você também não tinha escolha.

Bella não sabia o que dizer. Era uma discussão sem saída, percebeu, e uma que não se imaginara tendo com Edward. Ele não parecera nada afetado por sua revelação de assassinato e ainda agira como se o que ela fizera fosse uma atitude normal e adequada.

— Eu matei uma pessoa. — disse ela, pronunciando cada palavra devagar, como se o estivesse ensinando algo. — E, com a ajuda do meu pai, fiz parecer que meu professor tinha morrido num assalto. Você está mesmo me dizendo que eu tomei a atitude certa?

— Não estou dizendo que foi certo. Só foi no que você conseguiu pensar. Às vezes, pessoas boas fazem coisas ruins. Não significa que elas estejam condenadas.

— Quem disse que eu sou uma pessoa boa?

— Você é. Ou esteve fingindo esse tempo todo? As coisas que fez pelo Anthony, a maneira como mudou e agora leva a sua vida, tão normal quanto qualquer outra pessoa. Isso é tudo mentira?

— Não, não é. Essa é a minha vida, mas…

— Mas você cometeu erros no passado. Sim, entendi isso. E também entendi que você aprendeu com eles e conseguiu superá-los. Isso é o que a define como uma pessoa melhor do que antes, Bella. Além disso — acrescentou ele, interrompendo-a quando viu que ela ia falar. —, você era uma garota com raiva do mundo, sim, mas também era uma garota de luto. Todas essas coisas que você fez, quem você foi, foi sua maneira de lidar com a perda da única pessoa que era importante para você. Você perdeu sua mãe cedo demais e precisou de tempo para superar isso. Até superar, você cometeu erros e aprendeu com eles. Sendo assim, não posso culpá-la ou condená-la. Não tenho o direito de julgá-la.

— Então… — Ela o fitou. — O que acabei de contar não incomoda você, Edward?

— Não. — disse ele, calmamente. — Você não é mais aquela garota.

— Você não quer mais falar sobre isso?

— O momento de conversarmos e discutirmos passou, Bella. — disse ele, acariciando o rosto dela. — Eu sei quem você foi, quem é, e isso não muda nada. — Ele a fitou e inclinou-se para tocar os lábios aos dela, sentindo a relutância dela por um instante. Então, ela ergueu as mãos e afundou as mãos nos cabelos dele, rendendo-se.

Edward deitou-a na cama, o gesto suave, mas também firme. Seus lábios buscaram os dela, demorando-se, até que a tensão e a tristeza deram lugar a um desejo lento, cálido e sorrateiro. Afastando-se, ele segurou o rosto dela entre as mãos e buscou os olhos enevoados dela:

— Agora, nós vamos apenas sentir.

De uma só vez, ele a fez, fez ambos, sentirem, ansiarem e banquetearem-se um com o outro. Era um momento de não pensar, ainda assim, eles pensaram em quão precioso e doce era esse momento que compartilhavam. Era um momento de sentir com intensidade, pois os beijos suaves, quando lábios encontraram lábios, e os toques excitantes, quando pele encontrou pele, não deixavam espaço para nada mais.

Quando a tristeza deu lugar a conforto, quando o conforto deu lugar ao desejo, eles apenas sentiram.

— ~ —

Bella acordou cedo no dia seguinte, pronta para um dia de trabalho — mesmo que fosse sábado. Embora o episódio da noite passada ainda cruzasse sua mente, estava determinada a não deixar o medo impedi-la de continuar com sua rotina. Já tinha se deixado dominar por medos demais nessa vida.

Além disso, Edward insistia que Cyrus a acompanhasse, como seu "motorista". Então, ela não tinha porque ficar em casa, assustada.

Ainda mais agora que Edward sabia tudo sobre seu passado e não a afastara como ela imaginara. Livrar-se desse peso tinha feito muito bem à Bella. Teria feito mais — se não fossem as ligações anônimas.

Ela terminou de colocar os brincos e fitou-se no espelho para verificar sua aparência. Usava um terninho cinza claro, com um corte elaborado, salto alto e os cabelos caindo em cascata sobre os ombros. Era um traje discreto e profissional, que a diferenciava das convidadas do Chá de Panela em que trabalharia naquele dia, mas que, ainda assim, a deixava elegante. Os brincos pequenos, de pedra clara, contrastavam com seus cabelos escuros, o que Bella adorava, pois adicionava um brilho natural à sua aparência.

Ela sorriu, satisfeita.

Edward entrou no quarto nesse momento.

— Alguém está animada essa manhã. — observou ele, o cenho franzido. — Algum motivo em especial?

Bella deu de ombros.

— Só estou satisfeita. — Ela pegou a bolsa e a pasta que estavam sobre uma poltrona. — Gosto de trabalhar.

— Mesmo num sábado? — perguntou ele, cético.

— Mesmo num sábado. — Ela assentiu, aproximando-se de Edward e ajeitando a gravata dele. Adorava vê-lo de terno. O de hoje era escuro, acompanhado de uma gravata da mesma cor da roupa dela. Ela observou o corpo bem ajustado à roupa formal, aqueles braços fortes e musculosos, as pernas longas, evidentes pelas camadas de tecido, e sentiu uma satisfação primitiva ao pensar que, ao menos por enquanto, isso era tudo dela.

— Do que você está rindo? — quis saber Edward, observando-a com os lábios curvados e os olhos divertidos.

— Nada. — Bella espantou o assunto com um beijo que intencionava tornar breve. Mas ele a segurou pela nuca e tomou seus lábios com entusiasmo, reinvidicando-a, marcando-a como se soubesse o que ela estivera pensando. Quando se afastaram, ela havia perdido o ar e todos os pensamentos sãos que um dia tivera.

Ela suspirou.

— Acho que não sou a única que está animada. — murmurou Bella, passando a mão pelos cabelos, feliz por eles estarem intactos. O mesmo não podia ser dito de seu batimento cardíaco.

Edward esboçou um sorriso enviesado.

— Você é a única animada para trabalhar. Eu seguiria outros planos. — replicou ele.

— Ah. — Se eles continuassem essa conversa, pensou Bella, tinha certeza de que cederia aos planos dele. Ela encontrou o olhar sedutor dele, então, meneou a cabeça. — Não, nós temos que trabalhar.

— Você é tão teimosa. — disse, com uma careta semelhante a que Anthony fazia quando estava aborrecido.

— Não posso fazer nada se meu trabalho é mais divertido que o seu. Além disso, temos que ser responsáveis.

— Temos mesmo?

Bella riu e colocou a bolsa no ombro, saindo do quarto junto com um Edward relutante.

— Se Cyrus vai ficar comigo — disse ela, enquanto desciam as escadas. —, quem vai ficar com você?

— Cyrus não é meu único segurança. Eu vou com Emmett agora. — Edward pegou seu terno no encosto de uma poltrona, vestiu-o. Depois, segurou-a de modo a fitá-la. — Estarei bastante seguro, Bella. Não se preocupe. Você esteve na Eclipse ontem, sabe disso.

— Ah. — Ela se lembrou do cômodo apinhado de homens de preto. — É verdade. E quanto a Anthony?

— A casa dos meus pais é bastante segura. — Ele respondeu e fechou o botão do terno. — Ele vai ficar bem. Mamãe vai mantê-lo em casa hoje.

Bella assentiu, sentindo-se tranquilizada.

— Isso é bom. Isso é ótimo.

— Vou buscar Anthony no fim da tarde. Você janta conosco?

— Sim, claro.

— E vai dormir aqui de novo?

Ela mordeu o lábio, hesitante.

— Anthony vai estar em casa, Edward.

— E por que isso é uma questão?

— Eu já disse a você. Não quero correr o risco de confundir Anthony. Ele é só uma criança e crianças criam certas expectativas.

— Quer dizer, você acha que ele pode pensar que, se vê-la aqui, vai começar a pensar em nós como uma família?

— Sim, é exatamente o que quero dizer.

— Anthony já acha que você vai se tornar a mãe dele.

Bella o fitou.

— O quê? — Ela abriu a boca, depois fechou-a, chocada. — Como assim?

— Ele me perguntou quanto tempo faltava até você se tornar a mãe dele. — explicou Edward, tranquilamente, contando a ela sobre o episódio em seu escritório. — Anthony sabe que eu e você estamos juntos. Por isso, pensou que era uma questão de tempo até você se tornar algo dele.

— Edward, nós não podemos permitir que ele pense assim. Nós dois… E se não dermos certo?

— Eu disse isso a ele.

Bella arqueou uma sobrancelha.

— Você disse? — perguntou ela, cética. — E como fez isso?

— Dei uma explicação bastante razoável. Anthony está ciente da situação.

Ela crispou os lábios.

— Ele só tem seis anos.

— E é um garoto bastante esperto. — replicou Edward.

— Você não pode ignorar o bem estar do seu filho só porque quer garantir a minha segurança, Edward.

— Garanto a você, não estou fazendo isso. — Ele disse e, apesar de um pouco contrariado, sorriu, amenizando o clima. — Espero mesmo que você mude de ideia e venha morar aqui.

Ela revirou os olhos, resolvendo segui-lo, amenizando o assunto.

— Você não sabe o que está falando, Edward Cullen. Só conheceu o meu lado bom. Ainda não teve a chance de conviver com meu lado negro.

— Você tem um lado negro? — Ele franziu o cenho, fingindo-se surpreso, e pensou sobre isso. — Quer dizer, não toma banho quando está muito frio ou ronca?

— Às vezes está frio demais. E você já me viu dormir. Sabe que eu não ronco.

— Você podia estar fingindo.

Ela riu, meneou a cabeça.

— Falando sério, Edward. É cedo demais para darmos esse passo. Você pode arrumar um segurança para mim. Não vou me opor a isso. Mas vir morar aqui pode ser precipitado.

— Seria só por um tempo. — argumentou ele.

Bella suspirou, erguendo as mãos para o alto.

— Você é tão cabeça dura!

— Eu só sei o que quero. — murmurou ele.

Cyrus entrou na sala nesse instante.

— O carro está pronto. — anunciou o motorista aos outros dois.

Bella se virou para Edward.

— O carro está pronto. — repetiu ela, feliz com a interrupção, e deu um beijo breve em Edward como despedida. Depois, virou-se para o motorista. — Vamos lá, Cyrus. Está pronto para ouvir sobre buquês, renda marroquina e sinos de fada?

— Estou pronto para qualquer coisa, senhorita Swan. — respondeu o motorista, solenemente.

Bella pegou sua bolsa.

— Depois de ontem à noite, acredito em você. — disse ela, sorrindo e acompanhou-o para fora da sala. Antes de sair, porém, parou para falar com Emmett, que entrava no cômodo naquele instante.

— Conto com você para cuidar dele, Emmett. — disse Bella, apontando com a cabeça na direção de Edward.

— Pode contar, Bella. — Emmett assentiu, com a mesma solenidade de Cyrus, mas, ao contrário do motorista, esboçou um sorriso. — Edward é um porre, mas eu sei que você se importa com ele. Deve ser a primeira. — disse ele, o tom brincalhão agora, mas o fundo de verdade em suas palavras não passou despercebido.

Bella sorriu antes que as coisas ficassem sérias demais.

— Obrigada. — disse a Emmett, apertando suavemente o braço dele e deu-lhe um beijo na bochecha.

Rosalie entrou na sala e arqueou uma sobrancelha.

— Emmett, eu deixo você por um instante e, quando volto, você já está com outra. — Ela estalou a língua, encarou Bella. — Garota, você não se contenta com um homem só? — disse, o tom brincalhão, mas logo percebeu o erro que havia cometido. — Eu sinto muito, Bella. Não quis ofendê-la. Por favor, me...

— Está tudo bem. — Bella recuou as mãos e esboçou um breve sorriso. — Sem danos, sem mágoa. Tenham um bom dia. — disse e, em seguida, deixou a sala, com Cyrus.

Rosalie virou-se para Edward quando Bella saiu.

— Eu me sinto horrível. Não queria dizer aquilo para atingi-la.

Edward enfiou as mãos nos bolsos. Se não conhecesse Rosalie desde sempre, não seria complacente, mesmo que ela não tivesse a intenção de magoar Bella com seu comentário.

— Bella sabe disso. Ela vai superar. — disse ele, em tom de encerramento. — Agora, é melhor irmos para Eclipse. Temos coisas a resolver.

— ~ —

— Ai, meu Deus, esses sapatos estão me matando. — Angela ocupou uma cadeira na mesa em que Bella estava.

— Você não devia ter vindo com esse sapato. — murmurou ela, conferindo o saldo do Chá de Panela daquela tarde de sábado, que, por ser de pequeno porte, tinha sido organizado na área de festas da própria PW. — Tem uma razão porque eu não uso mais esses sapato. O material dele é muito duro.

— Pensei que você estivesse exagerando.

— Ah, bem, agora você sabe que não. — murmurou Bella, tocando a tela do tablet a cada item conferido ou tarefa resolvida. — O evento de hoje foi um sucesso. Conseguimos uma nova cliente.

— Perfeito. — Angela tirou os sapatos e massageou os pés. Ela fitou Cyrus através das portas de vidro do salão. — Ei, Bella. Qual é a do Vin Diesel com cara de poucos amigos?

— O quê? — Bella ergueu a cabeça, o cenho franzido. Angela apontou com a cabeça na direção do motorista. Quando seguiu o gesto, ela riu da descrição da amiga. Cyrus era careca, tinha uma expressão séria, um corpo atlético e de músculos evidentes, mas, fora isso, não se parecia tanto assim com o ator. — Cyrus é motorista do Edward. Ele está comigo porque estou sem carro.

— Hmmm. — murmurou Angela, a expressão analítica. Ela uniu as sobrancelhas em especulação. — Ele é um tanto sério para um motorista.

— Ele só é profissional. E as coisas no bufê? Acho melhor repassarmos agora o que funcionou e o que precisa de ajustes. — disse Bella, mudando o rumo da conversa de maneira casual. Não tinha tempo, nem vontade, de conversar com Angela sobre os acontecimentos da noite passada e as ligações anônimas. Faria isso quando o momento fosse mais adequado.

A distração funcionou e Angela começou a falar sobre docinhos de goiaba, trufas de pera, e bolo de pimenta e chocolate.

Quando o trabalho de Bella chegou ao fim já era fim de tarde. Lá fora, o sol se punha numa confusão amarela, azul e alaranjada, enquanto ela supervisionava o trabalho de recolhimento dos itens decorativos, que deviam ser guardados. Foi enquanto fazia isso que Edward e Anthony entraram no salão.

— Lá vêm os garotos de ouro. — anunciou Angela, aos sussurros, cutucando-a.

Bella estava de costas para a porta. Quando se virou e viu a quem Angela se referia, sorriu para eles.

— Como estão as coisas entre vocês? — perguntou Angela, novamente aos sussurros, enquanto Edward e Anthony atravessavam o salão.

— Edward me convidou para morar com ele. — respondeu Bella, o tom também sussurrado.

Angela arregalou os olhos.

— Tão sério assim? — quis saber e Bella assentiu. — Nossa, Bella!

— É muito cedo, não é?

— Você acha que é cedo?

Bella mordeu o lábio.

— Essa é a questão. Não tenho certeza do que penso sobre isso. Imaginei que minha primeira reação seria recusar por ser cedo demais. Eu até disse isso a Edward, mas… estou considerando.

— Ah, bem — Angela disse. —, então, talvez você devesse aceitar. Posso não conhecer Edward Cullen como você, mas ele não me parece o tipo de homem que convida qualquer uma para morar com ele.

Bella assentiu. De certo modo, pensou, a amiga tinha razão. Mas precisava lembrar a si mesma de que Angela não sabia todos os detalhes sobre aquela proposta de Edward. Ele a queria vivendo na mansão porque seria mais fácil protegê-la. O próprio Edward mencionara que o arranjo seria temporário.

A conversa das duas teve que ser encerrada, pois Edward e Anthony alcançaram a mesa onde elas estavam.

Anthony, como sempre, brindou Bella com um brilhante sorriso, os olhos cheios de entusiasmo infantil.

— Oi, Bella.

— Oi, bonitão. — Ela devolveu o cumprimento de Anthony beijando a testa do menino. — Você se lembra da Angela?

Anthony assentiu e acenou entusiasticamente na direção da outra, com um sorriso amigável.

Angela devolveu o cumprimento, o olhar encantado.

— Ele é tão fofo. — comentou ela, com um suspiro, e fitou Edward. — Você tem um filho adorável, senhor Cullen.

— Obrigado. Mas pode me chamar de Edward. Você é Angela, a amiga da Bella? — Ele estendeu a mão para cumprimentá-la. — É um prazer conhecê-la.

Angela aceitou o aperto de mãos.

— O prazer é todo meu, Edward. Tenho ouvido muito sobre você ultimamente. — disse ela, lançando um olhar malicioso na direção de Bella.

Edward seguiu o olhar de Angela.

— É mesmo? — Ele arqueou uma sobrancelha, intrigado, e esboçou um sorriso torto quando viu Bella revirar os olhos.

— Ei, Bella, adivinha. — disse Anthony, captando a atenção dela.

— O quê? — Ela quis saber, a expressão tornando-se devidamente ansiosa.

— Nós vamos comer pizza hoje! — anunciou o menino. — Papai me deixou escolher o jantar, daí eu escolhi pizza e ele disse que podia ser.

— Isso é maravilhoso. — exclamou Bella, beliscando o nariz de Anthony e fazendo-o rir. — Só vou terminar aqui e nós já podemos ir, ok?

— Ok.

Ela fitou Edward.

— Não vou demorar.

Ele assentiu e, incapaz de resistir, roçou os lábios nos dela brevemente.

— Vamos esperá-la no carro. — disse Edward e, antes que ela pudesse reagir, deixou o salão junto com Anthony.

Bella ainda estava um pouco surpresa com a atitude de Edward. Não sabia se ficava irritada ou impressionada com o que ele fizera. Por um instante, imaginou que Edward tinha feito aquilo por não lembrar que Anthony estava por perto. Mas ela o conhecia o suficiente para saber que o gesto não fora um descuido.

Angela se virou para Bella quando pai e filho haviam saído.

— Eu sei por que você está considerando.

— Por quê?

— Você está apaixonada por ele. Pelos dois.

Bella suspirou. Sim, estava apaixonada pelos dois. Mas, apesar de que talvez Anthony correspondesse seus sentimentos, não podia dizer o mesmo de Edward. Ele nunca tinha falado sobre amor, nunca dissera nada nesse sentido. Ele gostava dela, importava-se com ela, mas amor? Ela não tinha como saber.

As vezes em que eles tinham feito amor podiam ser um indício, mas Bella imaginou o quanto do que compartilhavam eram os sentimentos dela falando. Sabia que amava Edward e odiaria a si mesma se permitisse que apenas isso fosse suficiente. Queria que ele a amasse também. Não sustentaria um relacionamento com ele apenas com os próprios sentimentos, sustentando fantasias. Não seria justo consigo mesma, nem com Edward.

Angela colocou uma mão em seu ombro, fazendo-a fitá-la.

— Você devia aceitar a proposta de Edward Cullen, Bella.

— Por quê?

— Porque eu acho que você deve dar essa chance a si mesma. Você merece.

Bella assentiu.

Talvez, merecesse mesmo.

— ~ —

A noite da pizza acabou sendo muito diferente da noite anterior. No lugar da tensão e das incertezas, Bella aproveitou o tempo com Edward e Anthony com surpreendente paz e descontração.

Já no carro, Anthony, como sempre, sentiu necessidade de contar ao pai e à Bella sobre o seu dia na casa da avó. Ele desconhecia completamente os perigos a quem sua família estava exposta e falava com um entusiasmo e uma inocência infantil que, não demorou muito, ajudou a dissolver o resto de preocupações que tanto Edward quanto Bella sentiam.

Bella sempre tivera a opinião de que uma criança, tão livre e inocente, como Anthony era, podia ser um excelente calmante para uma alma inquieta. Tivera a chance de perceber isso durante o breve tempo em que animara festas infantis. Agora, com Anthony, tinha certeza de que isso funcionava. Sentia-se grata por estar com ele.

Ela fitou Edward, enquanto Anthony falava. Ele sorriu para ela e Bella soube que o menino tinha o mesmo efeito no pai quanto tinha nela. E era uma coisa boa que Edward aprendera a apreciar isso.

— Quando vamos comer? — quis saber Anthony, quando o carro estava parado num sinal vermelho.

Edward consultou seu relógio.

— Logo. — disse ao filho.

— Onde vamos comer? — Foi Bella quem perguntou dessa vez. — Vocês têm um lugar que preferem?

Anthony franziu o nariz e meneou a cabeça em negativa.

— Na verdade — disse Edward. —, estive pensando e acho que é melhor comermos essa pizza em casa. Pode ser? — Ele olhou entre Bella e o filho.

Anthony deu de ombros.

— Por mim, tudo bem. Só quero a pizza.

Bella riu e fitou Edward.

— Você ouviu o chefe. O importante é a pizza.

Edward sorriu e assentiu.

— ~ —

Quando voltaram à mansão, Bella ajudou Edward com os preparativos para a refeição, uma vez que era a noite de folga de Bess. Ela o acompanhou até a cozinha e franziu o cenho quando Edward abriu um armário.

— O que é tudo isso?

Edward a fitou, confuso com a pergunta.

— A louça. — explicou ele e observou-a fazer uma careta.

— Nós não precisamos dessas coisas. Vamos comer pizza, afinal de contas. Só precisamos do cortador, de alguns guardanapos e das nossas mãos. — Ela começou a vasculhar as gavetas em busca dos itens. — Aqui, aqui e aqui. — disse ela, quando conseguiu reunir tudo o que precisavam, e brindou Edward com um sorriso estonteante quando percebeu que ele a analisava.

Edward semicerrou os olhos, considerando, então, deu de ombros.

— Vou pegar as bebidas. — disse ele.

Bella assentiu.

— Ótimo. Anthony, você leva isso. — Ela entregou os guardanapos ao menino. — Eu levo o resto e a pizza.

— Para onde? — quis saber o menino.

— A sala de estar. — declarou Bella.

Edward e Anthony a fitaram, os cenhos franzidos em expressões idênticas de confusão.

Ela riu.

— Nós vamos comer pizza, garotos. A melhor forma de fazer isso é com as mãos e no chão da sala de estar. Qual é, vocês não sabem disso? — Ela sorriu, mas sentiu-se estúpida por perguntar aquilo. — Quero dizer…

— Isso é muito maneiro! — Anthony a interrompeu, sempre disposto a experimentar algo novo, especialmente se envolvia pizza, um jantar informal, Bella e o pai. — Não é, pai?

Edward assentiu e riu.

— Muito maneiro, Anthony. — Ele confirmou, os olhos em Bella. — Não faço isso há muito tempo.

— Ah, bem. — Bella estalou a língua. — Hoje você vai fazer. Vamos lá, antes que a pizza fique fria.

— ~ —

Eles assistiram a um filme — infantil, escolhido por Anthony —, enquanto comeram a pizza. Então, eles conversaram, sentados no chão da sala de estar, diante da mesa de centro elegante, naquela noite abarrotada de guardanapos usados, latas de refrigerante e taças de vinho. Era uma bagunça: aquela aconchegante bagunça de uma refeição bem aproveitada.

Quando a pizza esfriou, eles a comeram de novo, do mesmo jeito, impulsionados pelo ambiente caloroso, cheio de conversa, provocações e risadas que haviam criado naquela noite.

Anthony acabou cochilando no chão, em meio a um amontoado de almofadas. Ele deslizou para o sono com Bella acariciando seus cabelos e ouvindo a voz dela e do pai enquanto os dois conversavam. Era uma lembrança infantil, uma das mais preciosas, que ele carregaria para o resto da vida. Um jantar divertido, comida boa, mas não necessariamente saudável, as risadas do pai e de Bella, as risadas dele mesmo, e as vozes de duas pessoas que ele amava embalando-o para o sono.

Era uma lembrança preciosa.

— Ele parece satisfeito. — observou Bella, fitando o rosto adormecido e sereno de Anthony. Ela sorriu para Edward. — Ele está satisfeito.

— Nunca pensei que fazê-lo feliz era tão simples. — Edward também fitava o filho.

Costumava observar Anthony adormecido quando ele era bebê. Olhava para o rosto sereno do filho e só o que conseguia pensar era que não desejava tirar aquela expressão do rosto de Anthony. Por isso mantivera-se afastado durante os últimos anos. E esse havia sido seu maior erro. Ainda bem que tinha se dado conta disso e agora tinha a chance de consertar isso. — Eu não sentia que tinha o direito de querer que Anthony gostasse de mim.

Bella continuou acariciando os cabelos do menino. Ele observou Edward.

— Você é severo demais consigo mesmo. Não é uma questão de direito, mas de escolha. — Ela moveu os ombros. — Vocês escolheram um ao outro.

Edward refletiu sobre isso, então, assentiu.

— Você não poderia estar mais certa. — disse ele e ergueu a mão para acariciar o rosto dela, encontrando os olhos dela. — Anthony também escolheu você, Bella.

Ela fechou os olhos, moveu a cabeça, aceitando o carinho da mão dele, aceitando as palavras de Edward.

— Eu amo Anthony.

— Sei disso.

Bella abriu os olhos e o fitou.

— Então, você entende por que eu tinha dúvidas em relação à sua proposta de vir morar aqui, com vocês?

Ele assentiu.

— Entendo, mas minha proposta permanece.

— Eu disse que tinha dúvidas.

Por um instante, ele apenas a fitou. Então, esboçou um sorriso.

— Então isso é um sim, você vai aceitar o que eu propus?

— Sim, eu vou aceitar. — Ela sorriu, os olhos divertidos. — Espero que o seu closet seja grande.

Ele riu.

— Se não for, eu mando construir outro, Bella. Isso não vai ser um problema.


N/A: Por favor, comentem!

Ps.: Próximo post será em 10-07 (sexta-feira). Até lá!