N/A: Oiii! Foi tanto amor, mas tanto, que é claro que eu quis postar mais cedo. Muito obrigada mesmo pelos comentários! :)
E, sim, estou postando os Capítulos 19 e 20 hoje. O 19 ficou muito grande e com muitas informações. Por isso, resolvi dividir em dois e postar tudo hoje. Eu sei. Sou um anjo. :D Mentira. Vocês é que merecem.
Boa leitura!
CAPÍTULO DEZENOVE
Bella voltou para casa e ficou surpresa quando Bess lhe disse que Edward tinha passado a tarde inteira no escritório da mansão, resolvendo pendências do trabalho de casa mesmo.
— Aconteceu alguma coisa com Anthony? — quis saber ela, dirigindo a pergunta à governanta. Imaginava que Edward teria lhe telefonado se algo acontecesse ao filho, mas sempre havia a possibilidade de ele não ter tido tempo de fazer isso.
— Não, senhorita. Estão todos bem. O senhor Cullen só quis ficar em casa hoje. — disse a governanta e, pedindo licença, retirou-se para preparar o jantar.
Curiosa, Bella largou a bolsa no sofá e foi atrás de Edward.
Ela o encontrou no escritório, como Bess indicara, em meio a uma ligação. Sem querer atrapalhá-lo, ela entrou silenciosamente na sala e fechou a porta com cuidado. Só pretendia avisar que tinha chegado e que estaria no quarto, caso ele quisesse falar com ela.
Edward observava o jardim através das amplas janelas, de costas para a porta, o braço apoiado na parede, enquanto ouvia a pessoa do outro lado da linha.
Ao contornar a sala para observar o rosto dele, Bella percebeu que havia impaciência, raiva e frustração ali. Ela considerou a hipótese de dar meia volta e deixá-lo em paz — pelas feições de Edward, o assunto da ligação devia ser desagradável e sério —, mas Bella interrompeu a si mesma quando, sentindo a presença de alguém na sala, Edward se virou e a fitou.
Quando os olhos dele encontraram os seus, toda a intenção de Bella de deixar a sala esvaneceu. Aquele olhar dele. Sério e perigoso. Furioso nas beiradas… e sedutor como o inferno. Ela sentiu o calor invadi-la. Havia apelo no perigo, ela descobriu. Um apelo profundo e obscuro, tão intoxicante quanto suavidade e gentileza que, sabia, ele também era capaz de demonstrar. Uma doce e prazerosa sensação de adrenalina, de expectativa, percorreu-a. Ele a fitava como se desejasse devorá-la, os olhos verdes escurecidos, ameaçadores e hipnotizantes.
— Sim, está bem. — Ela o ouviu dizer, o tom de voz baixo e tão perigoso quanto os olhos dele. O corpo de Bella reagiu estremecendo. — O que ele disse a você?
Edward manteve os olhos nela, embora ainda estivesse ao celular. Como um leão estudando sua presa, pensou Bella, na falta de uma metáfora menos clichê. Mas o fato era que ela se sentia exatamente como uma presa. E uma que não queria fugir.
— Sim. — Edward continuava na ligação. — Certifique-se de que ele fale. Logo. Não, não quero mais perder tempo. — disse, o tom ríspido. Ele ouviu mais um pouco e fez uma careta, os olhos verdes endurecendo ainda mais. — Faça o que for preciso. Quero resultados. Avise-me se houver qualquer novidade. — ordenou e, sem mais, encerrou a ligação, os olhos, perigosos, sedutores e concentrados em Bella.
Ela o conhecia bem o suficiente para saber que a fúria que via ali não era direcionada a ela, mas ao que quer que fosse o problema que ele estivera tratando ao telefone. Conhecia-o o suficiente para saber que aquela fúria, com ela, seria transformada em calor, excitação, paixão. Era como as coisas funcionavam entre eles. E era algo do qual ela não se cansava.
Ainda com os olhos em Bella, Edward largou o celular na mesa e atravessou a sala na direção dela, aproximando-se dela.
Antes que Bella pudesse falar, ele envolveu seu rosto com as mãos e colou os lábios aos dela num beijo urgente, furioso e possessivo. Como um reflexo de sua expressão. Como o desejo que tornava o ar naquela sala espesso e envolvente. Sem cerimônias, ele a puxou para si, brindando-a com o beijo de cumprimento mais excitante que ela já tivera na vida.
Feroz e implacável, a língua dele exigiu passagem, invadiando-a, provando-a como um homem sedento há muito tempo. Provocando-a como um homem consumido por um desejo primitivo, quase irracional. Exigente, as mãos dele deixaram o rosto de Bella e vagaram pelo corpo dela, com pressa, sem sutileza ou suavidade, marcando-a e, ao mesmo tempo, deixando-a trêmula.
Bella gemeu diante do assalto a seus sentidos, e não resistiu diante da ferocidade dele. Ela mesma sentia uma urgência percorrê-la. Isso era tão excitante quanto as carícias suaves, os beijos doces e tentadores. Era outro nível de prazer — novo, diferente, intoxicante, que ela descobriu ser tão bom quanto a suavidade. Ela se entregou, ciente de que perder-se naquela onda de desejo irracional, puramente físico e urgente, era o que ele precisava. Faria aquilo por ele. Não por dever, por medo ou devoção. Por amor, simplesmente. Ela o amava. Gentil ou bruto, doce ou instável, Edward era o homem que amava.
Edward a livrou do vestido num único movimento, ansioso por tocá-la, por sentir a pele macia e observá-la em meio às luzes do fim de tarde. Ele sentiu os músculos da barriga estremecerem quando ela o livrou da camisa, os dedos ágeis tocando-o com confiança, os olhos castanhos fitando-o com luxúria. Como uma mulher conseguia ser doce e sensual ao mesmo tempo?
Bella lutou um instante para abrir o cinto dele e livrá-lo das calças. O modo como ele a olhava, fascinado, excitado e apenas um pouco feroz, fazia-a desejá-lo desesperadamente. Quando finalmente a barreira das roupas foi transposta, ela o beijou, forte e potente. Suas costas encontraram a porta do escritório. Ela arfou nos lábios de Edward, mas estava excitada demais para se importar com aquilo.
Num único gesto, sem interromper o beijo, ele levou as mãos às coxas de Bella e a ergueu do chão, pressionando-a contra a parede. Ela o envolveu pela cintura, trazendo-o para mais perto com um gemido.
— Eu quero você, Bella. Agora.
— Sim. — Foi tudo o que ela conseguiu dizer e afundou as unhas nos ombros dele quando ele a penetrou, forte e de uma vez só. — Sim. — Ela fechou os olhos e arqueou as costas, recebendo as estocadas dele — rápidas e fortes —, enquanto sentia as costas baterem, de novo e de novo, contra a porta.
Edward levou as mãos aos quadris dela, tornando suas investidas mais profundas. E afundou o rosto na curva do pescoço de Bella, embriagando-se com o perfume dela, sentindo-a puxar seu cabelo enquanto gemia palavras inteligíveis. Ele traçou um caminho de beijos nos seios, no colo, na garganta de Bella, marcando cada beijo com uma investida profunda.
— Edward. — choramingou Bella, apertando os cabelos dele com força.
— Sim, amor, quase lá. — Ele investiu, rápido, com força, olhando-a diretamente nos olhos, encontrando o olhar enevoado dela, mesclando-o ao seu próprio desejo.
Eles alcançaram o clímax juntos, os olhares presos um ao outro, seus gemidos preenchendo a sala numa libertação primitiva, arrebatadora, puramente física.
Ofegantes e exaustos, deslizaram para o chão sem muita cerimônia ou suavidade. Edward puxou Bella para perto, beijando o topo da cabeça dela quando ela descansou-a sobre seu ombro.
— Você está bem?
— Bem? — Bella arqueou uma sobrancelha, embora ele não pudesse ver seu rosto. Ela soltou uma risada baixa. — Estou mais que bem, Edward. Isso foi… — Ela soltou um suspiro preguiçoso. — ...algo.
— Eu praticamente ataquei você.
— Um-hum. — Ela assentiu, ouvindo a nota de culpa na voz dele. Apoiando-se num cotovelo, ergueu-se para fitá-lo. — Está me ouvindo reclamar?
— Não.
— Então está tudo resolvido. — disse ela, beijando o peito nu dele, depois voltando a descansar a cabeça em seu ombro.
Edward suspirou, voltando a acariciar o braço dela. Já devia estar acostumado a ser surpreendido pelas reações de Bella. Mas, na verdade, descobriu que gostava quando ela o surpreendia.
— Como estão os preparativos para o casamento?
— Maravilhosos. Sua irmã mudou de ideia em relação aos canapés. É a terceira vez essa semana. — informou Bella, alegremente. Estava habituada a esse tipo de comportamento. Indecisão era o segundo nome da maioria das noivas. — Ela me prometeu que essa é a última vez que muda a ordem da comida.
— E você acha que ela vai cumprir a promessa?
— É claro que não.
Edward franziu o cenho.
— O que faz você ter tanta certeza?
— Ela ainda não voltou à primeira decisão. — Foi a resposta de Bella e o fitou. — Estou nesse negócio há tempo suficiente para compreender minhas clientes. Alice é do tipo indecisa, mas que acaba voltando à sua primeira escolha. O problema não é indecisão, mas, sim, testar diferentes cenários — que ela sabe que não vão dar certo, mas quer tentar mesmo assim.
Edward se sentia confuso.
— Acho que meu trabalho é mais fácil que o seu.
Bella riu.
— Talvez seja mesmo. — disse ela, ainda sorrindo. Depois ficou séria. Ela traçou círculos no peito dele, pensativa. — Edward, eu preciso contar uma coisa a você.
Ele percebeu a mudança na voz dela e sentiu-se tenso. Então, respirou fundo, preparando-se.
— Por que tenho a impressão de que não vou gostar do que você tem para dizer?
Bella se apoiou num cotovelo e o fitou.
— Porque você é esperto. — replicou ela e continuou: — Hoje, enquanto estava no escritório, eu recebi uma nova ligação daquele perseguidor anônimo.
A fúria surgiu rapidamente nos olhos de Edward.
— Ele encontrou você? No seu novo telefone?
Bella assentiu.
— Sim, foi nesse mesmo.
Ele se sentou, agitado demais agora.
— Filho da mãe. — exclamou, contraindo o maxilar, a fúria e frustração de antes voltando aos seus olhos. Buscando um controle que estava longe de possuir, ele perguntou: — O que ele disse a você?
— Um monte de frases clichês. Também disse que era alguém do seu passado e que me enviaria uma ajuda, para descobrir quem você é.
Edward a fitou, perplexo com o que ela lhe revelara.
— Enviar que tipo de ajuda?
— Eu não sei. — Ela deu de ombros. — Ele desligou antes que eu tivesse chance de perguntar. Pensei que, se o mantivesse por bastante tempo na linha, Rosalie seria capaz de encontrá-lo. Mas ele disse que os aparelhos dela não seriam capazes disso.
Edward não esperava isso mesmo. Sabia que o tal perseguidor era um profissional. Ele assentiu.
— Eu vou resolver isso. — disse ele após algum tempo.
Bella analisou as palavras e a expressão dele.
— Você vai procurar a polícia? — Ela perguntou e viu um misto de culpa e irritação perpassarem os olhos dele. Estava ficando mais fácil lê-lo, percebeu. Não sabia se por que começava a compreender o que procurar, ou se por que ele estava lhe permitindo essa abertura, mas ela começava a entender certas coisas pelas reações dele.
Essa coisa de perseguidor anônimo, aquela perseguição de carro, o incêndio na Eclipse — até mesmo a reação amena de Edward quando ela lhe contou que já fora responsável pela morte de alguém — eram coisas diante das quais Edward reagia com irritação e fúria, sim, mas também com conhecimento, como se estivesse habituado a uma rotina em que tais coisas sempre aconteciam. E também havia a culpa. Era discreta, mas estava lá, pensou Bella. Toda vez que eles conversavam sobre essas coisas.
Edward se levantou, vestiu as roupas.
— Eu vou cuidar disso, Bella. Não se preocupe.
Ela mordeu o lábio inferior e fechou os olhos, dizendo a si mesma para não se alterar. Não se conseguia nada esperneando, mesmo que a outra pessoa merecesse.
— Estou tentando não me preocupar, Edward. Mas eu preciso de algumas respostas. Você já estava disposto a conversar comigo na noite do incêndio.
Sim, ele estava. Sabia que não a teria enrolado se Rosalie e Emmett não os tivesse interrompido. Mas esse não era o caso agora.
Ele a fitou, observando-a levantar-se e vestir-se.
— Tem algumas coisas que preciso resolver primeiro, Bella. Antes de conversar com você. — replicou ele e sustentou o olhar furioso dela com o devido respeito.
Ela tinha razão de estar irritada.
Bella se vestiu de qualquer jeito, sentindo o controle escapando-lhe pelos dedos. O homem podia excitar e irritar uma mulher ao mesmo tempo. Ela só podia estar louca de permanecer perto dele. Louca, acrescentou, com uma careta, curiosa e apaixonada.
Ela deu as costas a ele, mesmo quando Edward a fitava como se esperasse que ela dissesse algo, e rumou para fora da sala.
— Bella.
— Não. — replicou ela, virando-se e gesticulando na direção dele. — Não me venha com sua voz sedutora e esses olhos de predador. Eu cedi uma vez, mas agora estou irritada demais para isso. Vou para o meu quarto e, uma vez que não compartilho de tantas informações com você, também não vou compartilhar sua cama hoje. Tenha bons sonhos abraçando o travesseiro.
Edward contraiu o maxilar e respirou fundo. Às vezes, Bella era tão difícil de lidar quanto seus parceiros comerciais clandestinos. Bem, pensou, soltando o ar lentamente, talvez ela fosse ainda mais difícil.
— Bella. — Ele a chamou novamente, quando ela já abria a porta. — Está bem. Você venceu.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— O que eu venci?
— Eu vou contar tudo a você. Só... — acrescentou ele, antes que ela pudesse falar. — Só me dê até o fim de semana.
Bella cruzou os braços.
— Por que esperar?
— Tem duas coisas que preciso fazer primeiro. Então, eu vou dar a você as respostas que você quer. E merece.
Ela considerou a afirmação, arqueando, novamente, uma sobrancelha.
— Todas elas? — quis saber.
Edward assentiu, confirmando, os olhos sérios.
— Todas elas.
— ~ —
Dois dias depois, Edward estava prestes a encerrar seu dia de trabalho. Precisava atravessar a cidade para uma reunião com Aro, que ele marcara como a última coisa em sua agenda daquele dia, para depois ir para casa. Foi quando seu telefone do escritório tocou e ele ouviu a voz da secretária do outro lado da linha:
— Senhor Cullen, tem uma Senhorita Denali aqui para falar com o senhor.
Intrigado, ele franziu o cenho, tentando lembrar onde já ouvira o sobrenome antes.
— Ela tem hora marcada? — Ele já sabia a resposta, mas sempre havia a possibilidade de ter esquecido algum compromisso da agenda.
— Não, senhor, ela não tem. Mas a senhorita Denali pediu que eu lhe dissesse que o assunto de sua vinda é importante. É sobre Isabella Swan, senhor.
Endireitando-se na cadeira, Edward se lembrou imediatamente de onde ouvira o sobrenome Denali antes. Era a chefe de Bella que estava ali para falar com ele.
Ele tinha mesmo a intenção de conversar com aquela mulher ainda naquela semana. Isso era uma das duas coisas que dissera ter que fazer antes de contar todos os seus segredos à Bella. Então, quando contasse tudo à ela — inclusive a parte que envolvia tê-la investigado antes de ela lhe revelar o passado —, ele também teria uma solução para apresentar à Bella.
Edward se dirigiu mais uma vez à secretária:
— Mande a senhorita Denali entrar, Lauren.
— Sim, senhor. — disse Lauren e desligou.
Alguns minutos depois, a secretária guiou Tanya Denali para dentro da sala de Edward.
Ele se levantou, como sempre fazia ao receber qualquer um, e deu a volta na mesa para estender a mão na direção da chefe desagradável de Bella.
Edward observou o olhar arrogante de Tanya, a expressão superior e naturalmente amargurada. Ele sabia que um pouco disso se devia ao passado dela, mas acabou se lembrando de certa vez, em seu carro, quando Anthony estava falando sobre gorilas mal humorados e Bella os comparara à sua chefe.
Por isso, quando Edward esboçou um sorriso na direção de Tanya, foi um de disfarçado divertimento.
Bella tinha razão.
Completamente alheia às comparações, Tanya retribuiu o sorriso dele, imaginando que aquele era um ótimo sinal e que significava que obteria sucesso com o que viera fazer ali.
— Por favor, senhorita Denali, sente-se. — Edward indicou uma das poltronas no espaço de sofás que tinha em seu escritório. Não queria ter sua mesa separando-o de Tanya Denali para o que pretendia fazer.
Tanya acomodou-se numa poltrona, satisfeita, observando-o sentar-se em outra, à sua frente.
Edward acomodou-se numa pose casual e amigável, com a intenção de fazê-la se sentir à vontade com sua pose relaxada. Era mais fácil fazer uma pessoa falar o que se queria ouvir se a fizesse sentir confortável. Depois disso é que se atacava.
— Então, senhorita Denali, o que posso fazer por você?
Tanya sorriu.
— Por favor, pode me chamar de Tanya.
Edward retribuiu o sorriso, mas ela não percebeu o brilho perigoso em seus olhos. Estava ocupada demais, tentando ser sensual, para reparar que a tentativa surtia um efeito completamente contrário nele.
Edward sabia, mais ou menos, o que ela viera fazer ali e a detestava apenas por isso.
Não havia olhos sedutores, voz rouca ou pernas longas que o fizesse ter outra impressão de Tanya Denali do que a de uma vadia vingativa e injusta.
— Tanya. — Ele acariciou o nome, como uma serpente sibilando graciosamente para sua presa. — Estou curioso para saber o motivo de sua vinda.
— Ah. — Ela mudou de posição na poltrona. — Acredito que sua secretária tenha mencionado o nome da minha funcionária.
— De fato, ela mencionou.
Tanya assentiu e tentou uma expressão pesarosa.
Ela era uma boa atriz, percebeu Edward. Se estivesse diante de alguém menos experiente que ele, certamente sua farsa daria certo.
Mas Edward sabia melhor do que acreditar nela. Por isso, também colocou suas habilidades teatrais em jogo e fingiu interesse.
— Devo alertá-lo, senhor Cullen, o assunto que tenho a tratar não vai ser agradável para você.
Bella também dissera aquilo, lembrou-se Edward, mas as palavras dela haviam surtido um efeito completamente contrário nele. Talvez porque soubesse que Bella, ao contrário de Tanya Denali, seria sincera em sua história.
— Por favor, Tanya, continue. Sou um homem ansioso.
Os olhos da mulher brilharam. Estava convencida de que estava no caminho certo para fazê-lo acreditar nela e reagir exatamente como ela esperava.
— É claro. — disse ela, num tom triunfante, e continuou: — A questão é, senhor Cullen, que eu não conheço Swan apenas do tempo em que ela tem sido minha funcionária na Pretty in White.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— É mesmo? Bella nunca me disse que vocês se conheciam fora da empresa.
Tanya esboçou um sorriso enviesado, malicioso, que evidenciava ainda mais sua expressão desagradável.
— Ela não mencionaria, uma vez que nem ela mesma sabe dessa nossa… ligação.
Esse era um ponto do qual Edward ainda tinha dúvidas, embora fosse um tanto óbvio de que Bella desconhecia sua ligação com Tanya. Uma vez que conhecia Bella, ele duvidava que ela tivesse permanecido na PW se soubesse quem a chefe era e o quanto ela estava ligada ao passado de que Bella tinha tanta vergonha.
Tanya continuou:
— Embora, é claro, tenho certeza de que ela não mencionaria de jeito nenhum. Depois do que eu lhe contar, você vai entender exatamente o que quero dizer com isso. — Ela fez uma pausa, para efeito dramático. — Mas a questão é que, cerca de oito anos atrás, o meu caminho e o de Swan se cruzaram.
— E como foi isso?
— Eu vivia numa cidade chamada Port Angeles, em Washington, com o meu marido. Nós estávamos passando por uma pequena crise financeira e ele teve que assumir um cargo de professor numa cidade vizinha a que vivíamos. A escola em que ele trabalhava ficava numa cidadezinha chamada Forks, e era também o lugar onde Swan estudava. Ela devia ter uns dezesseis, dezessete anos, eu não me lembro. Mas ela era aluna do meu marido. E também foi amante dele. — Novamente, ela fez uma pausa dramática, à espera da reação que suas palavras causariam em Edward.
Ele franziu o cenho.
— Por favor, Tanya, continue. Eu quero ouvir a história toda.
Ela hesitou um instante. Como ele sabia que havia mais?, questionou-se. Mas algo na expressão dele desencorajou-a a questionar. Por isso, ela continuou:
— Swan seduziu o meu marido. — declarou Tanya e, concentrada demais nas próprias palavras, não percebeu a mudança perigosa nos olhos de Edward. — Ela era uma… garota fácil, pelo que fiquei sabendo, e tinha uma reputação ruim na própria cidade. Aposto que viu no meu marido mais um joguinho em que ficou interessada. E ela ficou interessada. — repetiu Tanya, os olhos distantes, perigosos. — Tanto que não aceitou quando ele tentou terminar as coisas com ela.
Edward arqueou uma sobrancelha, genuinamente intrigado. Como era curioso ouvir dois lados de uma mesma história. Se não tivesse sua própria investigação, seria complicado decidir-se qual versão era a verdadeira.
Mas, não, percebeu.
Não seria complicado. Mesmo sem investigação, escolheria acreditar em Bella.
— Ela não aceitou. — repetiu ele. — O que aconteceu?
Tanya o fitou, os olhos sombrios, tornando-se ameaçadores.
— Ela matou o meu marido.
Edward esperou o tempo que, imaginava, ela pensava que ele levaria para digerir aquela revelação. Quando esse tempo passou, voltou a falar:
— Eu tenho uma dúvida, Tanya. — observou ele, com seriedade, mas um observador mais atento já teria captado a irritação em sua voz e em seus olhos.
Tanya estava ocupada demais com a própria interpretação, com as próprias reações encenadas, para reparar nas de Edward. Por isso, esboçou um sorriso ao mesmo tempo compreensivo e triste, fingindo solidariedade.
— O que você não entende, senhor Cullen?
— Você sabia que seu marido estava lhe traindo e não fez nada a respeito disso?
O sorriso de Tanya vacilou um instante. Depois, ela soltou um suspiro triste.
— Eu só soube do caso depois que Swan matou Andrew.
— Mas, até onde eu sei, Bella nunca esteve presa.
Tanya esboçou uma careta, tanto pelo que diria quanto pelas perguntas dele. Ele parecia muito mais um investigador do que um namorado chocado.
— Swan conseguiu ajuda do pai, que é chefe de polícia em Forks. Eles alteraram a cena do crime e fizeram parecer que meu marido tinha morrido num assalto. A vadia atirou em Andrew três vezes e saiu impune disso.
— Por que você não a denunciou?
— O pai dela tem muita influência na polícia. Eu tentei, mas falhei. — Ela suspirou, tentando o papel da viúva pesarosa. — Eu sinto muito, senhor Cullen, por trazer a você uma notícia tão horrível quanto essa. Mas a verdade é que você está se relacionando com uma criminosa.
Edward arqueou uma sobrancelha.
— E você contratou essa mesma criminosa, senhorita Denali. Depois de tudo o que ela lhe fez.
Tanya esboçou uma nova careta, os olhos perigosos, tanto por odiar essa parte quanto porque ele não parecia nem de longe tão chocado ou furioso com o que ela estava contando. O que mais teria de dizer para obter uma reação razoável de Edward Cullen?
— Eu não tive muita escolha. Carmen a queria e eu tive que ceder. Ela, Carmen, é que detinha o peso das decisões, uma vez que o dinheiro investido na PW era dela. Por isso Swan foi contratada.
Edward assentiu, mostrando-se satisfeito com a afirmação. Então, mudou de posição em sua poltrona, inclinando-se ligeiramente para a frente. Os olhos, duas esferas verdes, brilharam, perigosos e, dessa vez, Tanya não teve como não perceber a evidente irritação neles.
Ela se sentiu satisfeita. Finalmente!
Mas a afirmação seguinte de Edward mudou tudo:
— Bella disse que atirou uma única vez.
Tanya foi pega de surpresa.
— Ela… ela contou isso a você?
Ele assentiu.
— Assim como você, embora ela nunca tenha mencionado seu nome. — observou ele, a voz suave como veludo, perigosa como uma lâmina afiada. — Ela admitiu ter tido um relacionamento com um homem casado. Também disse que tinha sido responsável pela morte dele. Mas ela disse que atirou quando ele tentou atacá-la.
— Ela mentiu.
— Ela não mentiu. Bella nunca mentiria para mim. — replicou Edward, num tom que não permitia réplica. — Eu sei que ela atirou uma única vez no seu marido. E eu também sei que esse único tiro não matou Andrew Foster.
A cor sumiu do rosto de Tanya. Sua confiança no sucesso daquela operação começando a virar-se contra ela.
— Mas ele está morto.
Edward inclinou-se mais para frente, encarou-a nos olhos.
— Porque você o matou. — disse ele e, como ela antes, esperou até ela digerir a afirmação. Quando ficou satisfeito, continuou: — Você estava perto quando Bella atirou no seu marido e você também esteva perto quando Charlie Swan assumiu a situação, para ajudar Bella. — Edward explicou, o tom ao mesmo tempo casual e perigoso, e observou-a empalidecer ainda mais. — Então, você fez um acordo com Charlie. Você, a esposa traída, que se sentia magoada, furiosa e infeliz com a traição do marido. Você, que foi capaz de culpar Foster e a aluna que, segundo suas palavras, o seduziu. Você, que nunca olhou para si mesma e percebeu que essa história toda não era culpa só de Bella, ou do seu marido, ou apenas sua, mas de vocês três.
"Então, você, vingativa e injusta, movida por ódio, quando viu que seu marido não tinha morrido, resolveu matá-lo e deixar que Charlie Swan cuidasse de tudo. Dessa forma, você se vingava do seu marido e também da jovem que o roubara de você. É claro, a jovem também sairia impune, mas isso não era problema. Afinal, para ela, você poderia planejar uma vingança a longo prazo. E foi exatamente isso o que você fez. Você esperou e esperou. Observou Bella superar o passado, tornar-se bem sucedida, encontrar alguém. Foi então que você resolveu agir. Que modo melhor de se vingar de Isabella Swan do que tirando dela tudo, como ela fizera com você? Soa como um bom plano, Tanya. Mas você não contou com as variáveis. Ou a variável. — Dessa vez, foi ele quem fez uma pausa dramática. — E sou eu.
— Você já sabia de tudo.
— Sim. Mas, devo confessar, foi divertido observá-la tentar me chocar e acabar com Bella. Você seria uma excelente atriz.
— Ela destruiu o meu casamento. — Tanya o ignorou, recorrendo ao que sempre usara como desculpa para seus planos.
— Você não estava me ouvindo? — inquiriu Edward, impaciente. — Um casamento não desmorona por causa de uma única pessoa. Bella poderia ter tentando seduzir seu marido, mas ele podia ter resistido.
— Ele não teve escolha. Ela era jovem, bonita e libertina.
Edward esboçou uma expressão enojada.
— Você ouve o que diz?
Ela resolveu ignorar a pergunta.
— Eu vou denunciar Swan por assassinato e o pai dela vai estar ao meu lado. Charlie já deixou claro que está do lado de quem pagar mais.
— Hum. — Edward fingiu pensar sobre aquilo. — Você pode tentar, mas eu não vou permitir que algo aconteça a Bella. — replicou ele, a expressão entediada diante da ameaça na voz dela. — Se essa história vier à tona, os únicos dois a serem punidos serão você e Charlie Swan.
O rosto pálido de Tanya tornou-se ruborizado de raiva. Os olhos azuis brilharam com um misto de fúria e desespero.
— Por que você seria capaz de defendê-la? Ela era uma vagabunda. Ela teve um caso com um homem casado e tentou matá-lo. Por que você seria capaz de deixá-la impune?
Edward sempre tivera uma resposta para aquilo.
— Porque Bella — disse ele, calmamente. —, ao contrário de você e do pai dela, mudou, tornou-se uma pessoa melhor, e merece continuar tendo a vida que construiu.
— Duvido que você tenha poder para impedi-la de ser presa.
Edward arqueou uma sobrancelha.
— Então eu acho que você vai ter que pagar para ver. Mas, devo alertá-la, se escolher atacar Bella, eu vou atacar você. E você vai perder. Caso você tenha um momento de juízo e resolva deixar tudo isso de lado, eu deixo você em paz e todos nós viveremos livres, como se nada disso tivesse acontecido. É simples, Tanya. Você só tem que escolher. Mas, de um jeito ou de outro, sua vingança contra Bella termina aqui. Você já a torturou o suficiente, fazendo-a sentir remorso por um crime que ela não cometeu. É hora de você seguir em frente. — Edward se levantou, o gesto de encerramento. — Agora, se me dá licença, Tanya. — Ele indicou a porta. — Tenho coisas mais importantes a fazer.
N/A: Não façam combo de comentário. Comentem aqui, depois no Capítulo 20. Por favorzinho?
