N/A: Oi! Sinto muito por não ter adiantado taaanto assim o capítulo. Me sinto péssima. Especialmente porque vocês são tão queridas, mas tão queridas nos comentários. Muito, muito obrigada por eles. Os comentários (de todo tipo) são meu pagamento e minha eterna fonte de inspiração. :D
Adorei que vocês tiveram opiniões diferentes sobre a reação da Bella! Eu sabia que isso ia acontecer. Queria que acontecesse. Obrigada pela sinceridade. :)
Boa leitura!
CAPÍTULO VINTE E TRÊS
Eles permaneceram na sala de música, mas de pé, pois nenhum dos dois conseguiria sentar. Como Bella dissera, aquela era uma conversa definitiva. O resultado mudaria suas vidas, completamente. Se para melhor ou pior, eles estavam prestes a descobrir.
Por isso, era melhor ficar de pé.
Bella uniu as mãos diante do corpo.
— Antes de qualquer coisa, eu gostaria que você me esclarecesse uma última coisa, Edward. Quero que você me fale sobre sua relação com o seu pai.
Isso o pegou de surpresa.
— Minha relação com meu pai? — Ele repetiu o pedido, tentando entender o que a motivava.
Diante da surpresa e curiosidade dele, Bella resolveu ser mais clara.
— Durante essas duas semanas, eu pensei muito. Ao fazer isso, não pude deixar de perceber um padrão quando a questão envolve os seus dilemas. De uma forma ou de outra, tem sempre o fantasma do seu pai presente. Eu imaginava que houvesse uma história difícil aí, quando conheci você e presenciei sua dificuldade de lidar com Anthony. Pensei que você tinha um pai rígido e descuidado, como o meu. Acredito que estava certa. Mas acho que ele afetou você muito mais do que eu imaginei. Então, me conte sobre sua relação com o seu pai.
Edward considerou o pedido, assentiu. Então, organizou os próprios pensamentos e começou:
— Nós nunca nos demos bem, meu pai e eu. Nossa relação foi ruim desde que consigo me lembrar. Quando eu era criança, tudo o que eu queria era a atenção dele. Queria compartilhar aquela cumplicidade entre pai e filho que toda relação dessa natureza devia ter. Mas o meu pai não estava interessado. Ele queria um sucessor, e foi assim que me tratou desde que nasci.
"Na minha juventude, eu tentei ser o sucessor que ele queria. Para agradá-lo, imagino, e tentar mais uma vez consertar as coisas entre nós. Mas isso não adiantou, especialmente porque eu não concordava com o lado obscuro da minha família. O lado que meu pai mais prezava. Por isso, tentei deixar essa vida de lado e me rebelei contra meu pai. Foi nessa época que abri a Eclipse. — explicou ele e continuou: — Mas, como tudo relacionado a meu pai e ao mundo a que a família Cullen pertence, você não pode simplesmente decidir cair fora. Meu pai me cercou, como pôde, para me fazer ser o que ele queria. Eu resisti, mas, então, decidi iniciar meu próprio jogo e fingir que era o que ele queria. Fingi que faria o que ele queria, mas, na verdade, eu planejava acabar com nossos negócios ilegais. Deu certo, até… — Ele fez uma pausa, lembrado-se. Os olhos tornaram-se escuros, sombrios e atormentados. Quando ele a fitou, Bella viu tristeza por trás do perigo e da frieza na expressão dele.
Inconscientemente, ela deu um passo à frente, na direção dele.
— O que aconteceu? — perguntou Bella, a voz não mais que um sussurro.
— Cheguei um dia em casa — Edward começou a responder, o olhar distante. — e encontrei meus pais discutindo no escritório. As vozes dos dois estavam alteradas. Foi isso, na verdade, que me fez chegar perto do escritório. Eu nunca tinha ouvido minha mãe alterar a voz, por mais furiosa que ela estivesse. Mas, naquele dia, ela estava gritando. Acho que ela havia chegado ao próprio limite com o meu pai. O casamento deles não era feliz. — explicou.
Bella já sabia disso. Lembrava-se de obter a informação em uma conversa que tivera com Rosalie, na casa de Esme e Carlisle, durante o brunch na mansão.
Ela cruzou os braços.
— O que aconteceu?
— Ouvi a discussão entre os meus pais. Meu pai estava furioso, pois havia descoberto sobre o caso que minha mãe estava tendo com Carlisle. É claro, ele se sentia traído e a culpava totalmente. Eu o ouvi xingá-la, mas o pior de tudo foi quando ele disse que devia tê-la punido mais vezes.
— Punido?
Edward assentiu, rigidamente, sentindo-se inteiramente tenso.
— Ele estava falando de estupro.
Bella empalideceu.
— O seu pai…
— Ele abusou da minha mãe. — Edward continuou por ela, o tom sombrio. Poucos assuntos o deixavam desconfortável, mas esse estava no topo de sua lista e ele simplesmente odiava abordá-lo. — O fato aconteceu quando eu era criança. Minha irmã é uma consequência disso.
Bella levou uma mão à garganta. Sentia as lágrimas ali, queimando-a com a fúria que sentia por aquele homem, o pai de Edward, e com a tristeza que sentia por Esme e por Edward, que tiveram de lidar com aquilo durante todos esses anos.
Estava certa, pesnou. Aquele homem horrível tinha arruinado a vida de toda a família.
Sabia que os fantasmas de Edward tinham origem no relacionamento conturbado que ele tivera com o pai. Mas, agora, descobria que era muito mais que isso. Edward tivera que lidar com uma decepção atrás da outra em relação ao homem que devia orgulá-lo e amá-lo. Ainda, ele tinha assumido o peso de todos os males que o pai causara.
E ele tinha tentado proteger todos desse mal. Ele tinha absorvido toda a culpa e as responsabilidades, de modo que os outros pudessem respirar e viver.
Ela deu mais um passo a frente, fitando-o.
— O que aconteceu quando você ouviu a confissão do seu pai?
Edward enfiou as mãos nos bolsos.
— Entrei na sala e discuti com meu pai. Ele não se intimidou, claro. Eu perdi o controle e o ataquei. Minha mãe tentou intervir, e foi por causa dela que eu parei. Soltei meu pai e o deixei ir. Na verdade, fiz minha mãe pensar isso. Naquela noite, quando ele saiu de casa, eu o segui.
— Edward.
— Eu não fiz nada. — Ele esclareceu diante do tom surpreso dela, mas os olhos diziam que sua vontade era outra. — Antes de conseguir abordar meu pai, o carro em que ele estava perdeu o controle numa curva e caiu num vale. O veículo explodiu. — Edward explicou. — Mais tarde, nós descobrimos que os freios haviam sido sabotados. Mas eu não tive nada a ver com isso. — Ele sentiu necessidade de explicar.
— Eu ouvi da primeira vez, quando você disse que não fez nada.
— Não imaginei que você fosse confiar em mim novamente. — replicou ele. — Cometi muitos erros no que diz respeito a conquistar sua confiança.
— Mais erros que acertos. — devolveu Bella, cruzando os braços diante do corpo. — Você descobriu quem sabotou o carro do seu pai?
Ele assentiu.
— Nossas investigações nos levaram aos russos. Por isso, porque era algo esperado dentro do mundo em que vivo, cortei relações com eles desde então. — explicou ele, tentando ler a expressão de Bella.
Ela não estava nem de longe tão impassível e fria como estivera naquela primeira conversa entre eles. Mas, ainda assim, talvez porque estivesse aflito, ele não conseguia decidir se ela viera ali para terminar tudo ou perdoá-lo.
Edward se lembrou de sua conversa com Anthony, quando o filho o questionara sobre sua discussão com Bella. Imaginava que aquele era um ótimo momento de seguir o conselho do filho.
— Bella, eu não disse isso antes, mas sinto muito pela maneira como agi, escondendo tantas coisas de você. Não vou tentar me justificar, pois o que fiz foi errado e não pode ser mudado. Mas você deve saber que eu lamento tê-la enganado, ter tentando resolver sua vida sem o seu consentimento e, sobretudo, eu lamento que você tenha descoberto todas essas coisas importantes por outra pessoa que não eu. É um arrependimento que vou ter pelo resto da vida, mas também é um que eu gostaria de ter a chance de consertar. Por favor, preciso saber se tenho a chance de remediar o estrago que fiz.
Ela ouviu a súplica na voz dele, mas manteve uma expressão neutra. Afinal, essa era a razão porque havia vindo ali.
— Por que você deseja remediar as coisas, Edward?
— Isso é importante para mim. — Ele observou o brilho de decepção nos olhos dela, sentiu-se perdido e desesperado. E, sentindo-se assim, ele contou tudo: — Veja bem, eu tive amor na minha vida. Apesar de meus problemas com meu pai, eu tive minha mãe, minha irmã. Anthony. Mas o que eu sentia — o que sinto — por eles também vem acompanhado de uma vontade de proteger, de um senso de responsabilidade e obrigação. E eu não vejo isso como algo negativo. É só um tipo de amor. — Ele fez uma pausa, organizando os próprios pensamentos. — Então — continuou. —, quando eu conheci você, quando nós nos envolvemos, eu me deparei com outro sentimento. Eu me apaixonei por você, mas era outro tipo de amor. Era algo forte e incrivelmente livre. Eu sabia que não precisava protegê-la. Mesmo sem conhecer seu passado, eu sabia que você era capaz de se manter por si mesma. Não havia obrigação de proteção nenhuma acompanhando o que eu sentia por você. Era a coisa mais livre, de maior leveza e igualdade com a qual me deparei. Mas eu não soube lidar com isso. Nunca senti nada assim. Por isso, quando investiguei sua vida e encontrei seu passado, eu me apeguei ao que conhecia e tentei colocá-la na mesma posição das outras pessoas que amo. Foi um erro. — Ele admitiu, observando-a, encontrando os olhos dela e fixando os seus ali. — Eu jamais devia ter feito algo assim, Bella. O que sinto por você, o sentimento que nós compartilhamos, é forte e livre, de igual para igual. Não fui capaz de admitir isso antes, mas estou fazendo isso agora. A mim mesmo e a você. Eu amo você, Bella. — Ele confessou, aproximando-se dela. — Amo você.
Bella deixou os braços caírem ao lado do corpo. Desejara tanto ouvi-lo dizer aquelas simples palavras. Oh, ela desejara. Até esse momento, até esse singular momento, não havia percebido o quanto queria ouvi-lo dizer que a amava. Não havia percebido o quão sozinha se sentira antes de Edward entrar em sua vida, mas, agora, percebia que se sentia completa.
E não era um amor utópico, de felizes para sempre, esse que compartilhava com Edward. Ele tinha suas falhas, seus defeitos e momentos ruins para igualar-se aos detalhes maravilhosos, ao momentos de felicidade. E era isso o que o tornava perfeito.
Ele a observou, a neutralidade nos olhos castanhos dando lugar a um misto de choque, incredulidade e emoção.
— Bella? Por favor, diga alguma coisa. Eu não posso perdê-la. Diga-me o que fazer e eu farei. Qualquer coisa, apenas…
— Edward. — Ela o interrompeu e, embora tenha dito o nome dele em um sussurro, o tom simples o fez calar-se.
Ele se aproximou ainda mais dela, ficando tão perto como já não ficava há uma eternidade. Seu coração ficou em suspenso, sofrendo com a possibilidade de que estar assim, tão perto de Bella, talvez não fosse mais possível.
Ele arriscou erguer as mãos e envolver o rosto dela. Sentiu uma pontada de alívio e triunfo quando Bella não se esquivou.
— Diga-me, meu amor, o que eu devo fazer.
Ela sorriu e segurou as mãos dele em seu rosto.
— Você já fez. — sussurrou Bella, observando confusão surgir nos olhos dele. — Eu também amo você, Edward.
Alívio surgiu na expressão dele. Ele fechou os olhos, suspirou, e colou sua testa à de Bella.
— Eu devia ter sido honesto com você desde o princípio. Sobre tudo. Minha atividades, meu passado. Meus sentimentos. Sinto muito.
— Chega de desculpas. — Bella esperou até ele abrir os olhos e fitá-la. — Eu perdoo você e confio em você para nunca mais me deixar de fora. Mas, agora, nós vamos seguir em frente.
Era tudo o que ele precisava.
— Eu amo você, Bella.
Ela sorriu. Ficava melhor a cada vez que o ouvia dizer isso. Era a última peça que faltava para resolverem aquele dilema.
— Também amo você, Edward. — Ela se inclinou para frente, pronta para beijá-lo, mas levou dois dedos aos lábios dele antes que isso acontecesse. — Mas você nunca mais vai esconder coisas assim de mim.
Ele assentiu, a expressão séria e determinada, com a mesma expressão que Anthony tinha quando fazia uma promessa.
— Nunca mais.
Bella arqueou uma sobrancelha, um sorriso enviesado formando-se em seus lábios. Podia sentir o clima na sala mudando, tornando-se mais ameno, mais normal. Como antes.
— Sabe, Edward, para um mafioso, até que você cede bastante rápido.
Ele também esboçou um sorriso enviesado, a tensão abandonando-o e sendo substituída por descontração. Ainda assim, tentou uma expressão séria quando disse:
— Você deve saber, Bella, que não costumo fazer isso com frequência.
Ela arqueou uma sobrancelha, incerta se o tom dele era de ameaça ou divertimento.
— É mesmo? — Ela refletiu sobre aquilo. — Eu me sinto especial.
— Você é.
Ela estava sorrindo quando ele colou os lábios aos seus, o beijo lento, doce, com um toque apologético. Mas, como a suavidade nunca fora o único sentimento entre eles, o beijo logo se tornou agitado e quente. Havia tanta coisa entre eles naquele momento — o que sobrara da ameaça de uma separação, o fato de que, naquele momento, não havia mais nenhuma barreira entre eles.
O calor não surgiu. Ele aconteceu, súbito, efervescente. Confiante.
Os lábios dela se abriram, recebendo-o, convidando-o. Ele sentiu o gosto dela. Saboreou-o, deleitando-se. Ele sentiu a doçura, a surpreendente força, e perdeu-se nelas. Perdeu-se nessa mulher incrível que ele amava e que, de alguma forma, era capaz de amá-lo, compreendê-lo. Aceitá-lo. Ela era perfeita e ele passaria o resto de seus dias celebrando-a pelo que ela era.
Bella afundou as mãos no cabelos dele e arfou suavemente quando Edward a puxou para mais perto. Entregou-se à proximidade, perdeu-se no calor e na rigidez do corpo dele, confortada pelas sensações familiares que estar com Edward lhe provocava. Eles se encaixavam, sempre, o tempo só tornara essa sentimento mais potente. Mais certo. Ela sentiu as mãos dele percorrerem seu corpo, tocando sua pele, fazendo-a estremecer de prazer.
Eles teriam continuado e avançado, Bella sabia, mas foram interrompidos pelo telefone. O toque incessante até foi ignorado pelos dois. Mas, então, quando a ligação caiu na secretária eletrônica, eles foram abruptamente retirados de sua bolha de reconciliação.
— Edward Cullen.
Bella se afastou de Edward, o olhar perplexo, fitando-o com um misto de surpresa e medo.
— É o perseguidor. — Ela disse a Edward, apontando na direção do telefone.
Russo, pensou Edward, crispando os lábios. Pela reação apavorada, ele já imaginava. Aproximando-se da mesa, ele atendeu à ligação, mantendo-a no viva voz.
— O que você quer? — disse ele, interrompendo a pessoa do outro lado da linha no meio de uma frase.
— Ah, você está aí. — disse Russo numa voz de escárnio. — Como foi sua conversa com Isabella?
Bella trocou um novo olhar perplexo com Edward. Como aquele homem sabia que ela estava ali? Ela fez partido para falar, mas Edward ergueu a mão, detendo-a com um olhar determinado.
— Eu já sei que você segue a Bella. — informou Edward, o tom de voz quase entediado, embora os olhos estivessem perigosos. Ele a fitou, então, pois ainda não tivera a chance de dar a ela todos os detalhes envolvendo Russo e a perseguição à ela. Ele voltou a falar com Russo. — Se você ligou para tentar me assustar, não deu certo.
— Oh, mas você está assustado. Veja bem, eu sei que você se importa com Isabella Swan. Ela é diferente de Miranda.
— É muita consideração da sua parte se importar com os meus sentimentos. — observou Edward, recebendo as ameaças com uma calma fria e calculada. — Mas eu dispenso. Agora, por que você não me diz por que está tão empenhado em me assustar, perseguindo a Bella e tudo o mais?
Ele ficou em silêncio durante algum tempo.
— Devo confessar — disse, o tom reflexivo. —, a princípio, minha intenção ao recorrer à Isabella era apenas amedrontá-la. Eu queria vê-la sair correndo para as colinas, como dizem. Mas ela não correu.
— Parece que, como eu, você foi descuidado o bastante para subestimá-la.
— Um erro que não vou cometer duas vezes. — Garantiu a voz do outro lado.
— Certamente, não vai. Você vai deixar a Bella fora disso, Russo. O que quer que o esteja motivando, sei que seu problema é comigo. Então, vamos resolver isso entre nós dois.
— Ah, Edward, o seu pedido é coerente. Mas, veja bem, isso começou com algo contra você. Mas, após meus telefonemas e a ousadia de Isabella Swan, eu não posso ignorá-la. Ela é um desafio.
— Ela não é nada para você. Deixe-a fora disso.
— Não gosto de mulheres imperativas. — replicou Russo, como se não tivesse ouvido Edward. — Elas são perigosas e irritantes. Uma ameaça. Você também devia ter cuidado, Edward.
— Obrigado pelo conselho. — replicou ele, friamente. — Mas vamos deixar uma coisa bem clara, Russo. Você pode tentar, mas não vai chegar perto de Bella. Não vai chegar perto de ninguém da minha família.
— Estou mais perto do que você imagina, Edward. — replicou Russo, o tom de voz sombrio. — É só uma questão de tempo.
— Eu sei que você tem vigiado nossos passos. Sei também como você obtém a maioria das informações sobre nós. Mas já estou cuidando disso. O seu delator não vai mais poder ajudá-lo e eu aposto que, quando eu pegá-lo, ele vai ter várias coisas interessantes a me contar sobre você.
A revelação de Edward não pareceu assustar Russo, pois ele riu do outro lado da linha.
— Espero que você lide bem com decepções, Edward.
— Eu lido. Mas não posso dizer o mesmo daqueles que me ameaçam usando minha família. Eu vou destruí-lo, Russo. Em mais maneiras do que você imagina.
Não houve resposta. Então, uma risada breve soou e, um segundo depois, a linha ficou muda.
Bella se aproximou de Edward e tocou o braço dele.
— Tenho certeza de que você vai encontrá-lo.
— E vou acabar com ele. — murmurou Edward, furioso, os olhos perigosos. Então, encontrou os olhos de Bella e se arrependeu da explosão de fúria. — Sinto muito.
— Já disse para você parar de pedir desculpas. — replicou ela, mas levou a mão ao rosto dele para amenizar a situação. — Estou bastante ciente do que você é. E esse homem é horrível. Não me espanta ou amedronta que você queira acabar com ele. Pessoalmente, concordo com você. — Embora, pensou ela, tivesse certeza de que não concordaria com os métodos dele. Ao menos, não na totalidade. — Você foi capaz de reconhecer a voz dele de algum lugar?
Edward meneou a cabeça, encostando-se à mesa.
— A voz não me parece familiar. Mas estou quase certo de que Russo usa algum mecanismo de alteração de voz. Em alguns momentos, o som saía robótico e um pouco distorcido.
Bella assentiu. Também tinha essa impressão, quando falava com aquele homem. Então, ela se aproximou de Edward e segurou o rosto dele, tocando o dedo no cenho que ele mantinha franzido.
— Odeio esse Russo e o fato de que ele estraga nossos momentos bons. — disse ela. — Não vamos mais permitir isso, está bem?
Edward assentiu, sentindo a tensão amenizar. Era bom ter Bella ali, e tê-la sabendo de tudo. Nunca havia percebido, mas apreciava o fato de que tinha alguém com quem compartilhar aqueles problemas.
Ele levou a mão a cintura de Bella, trouxe-a para mais perto. Lidaria com Russo mais tarde.
— Agora — disse Edward. —, onde estávamos?
Bella se preparava para responder quando a porta do escritório foi aberta. Ela praguejou, um pouco frustrada. Definitivamente, alguma coisa estava conspirando contra ela e Edward naquele dia.
Porém, quando Anthony entrou na sala, ela esqueceu completamente a irritação e a má sorte.
Sonolento, o menino vasculhou a sala e, quando encontrou o pai e Bella, arregalou os olhos, despertando completamente.
— Você está aqui! — exclamou o menino, adiantando-se numa corrida em direção à Bella.
Ela o recebeu com os braços abertos e envolveu-o num abraço apertado, erguendo-o do chão. Tinha encontrado Anthony três vezes nessas últimas duas semanas. Mas isso não era nem de longe suficiente, se comparado com o tempo que passara com o menino quando vivia na mansão. Não era suficiente nem em relação a Anthony, nem em relação a Edward, percebeu. Ela tinha sentido falta dos dois.
— Estou aqui, meu amor. — Ela disse, enchendo o menino de beijos no rosto e nos cabelos. — Você não vai se livrar de mim tão fácil.
Anthony respondeu com risadinhas. Depois, ainda no colo de Bella, descansou um braço no ombro dela e, com a mãe livre, brincou com umas mechas de cabelo dela.
— Você vai morar com a gente de novo? — Ele quis saber e, antes de obter uma resposta de Bella, fitou o pai. — Você pediu desculpa para ela, pai?
Edward assentiu, a expressão solene.
— Sim, chefe, eu pedi.
Bella olhou entre pai e filho, curiosa.
— Posso saber do que vocês estão falando?
Anthony foi aquele quem lhe deu uma resposta:
— O papai disse que você e ele tinham brigado. Daí, ele disse que você não ficava mais aqui porque você foi ficar sozinha. Mas eu disse que, se ele pedisse desculpas pra você e dissesse que sentia muito, muito, você ia morar com a gente de novo.
— Ah, Anthony. — Bella suspirou, apaixonado-se pela segunda vez naquele dia. Ela beijou o menino na testa, abraçou-o novamente. — Você é tão especial.
Anthony correspondeu ao abraço, sentindo uma coisa engraçada na barriga ao ouvi-la dizer que ele era especial.
— Eu amo você. — confessou o menino.
Duas declarações no mesmo dia, pensou Bella e sentiu as lágrimas, que tentara conter durante esse tempo todo, queimarem sua garganta. Mas ela não queria chorar. Então, se afastou de Anthony, o suficiente para fitá-lo, e sorriu para ele.
— Também amo você. — Bella beijou-o novamente na testa.
Anthony sentiu aquela coisa engraçada na barriga espalhar-se por seu corpo, instalando-se em seu coração.
Edward observou a interação entre seu filho e Bella, pensou no modo como ele e ela haviam voltado a se entender, de maneira ainda mais definitiva. Sua via pessoal parecia cada dia mais bem resolvida.
Uma pena que não pudesse dizer o mesmo dos negócios.
— ~ —
Mais tarde, depois do jantar e de colocar Anthony para dormir, Edward pôde, finalmente, dedicar-se a retomar o que ele e Bella haviam começado naquela tarde, em seu escritório, e que fora interrompido pela ligação de Russo.
Para isso, ele deixou o quarto do filho e foi ao encontro de Bella. Ela sempre o ajudava a colocar Anthony para dormir, mas o deixava sozinho com o filho assim que fazia isso. Ele imaginava que era a maneira dela de não interferir demais em sua relação com o Anthony. Acreditava que Bella o tinha ajudado muito em sua re-aproximação com Anthony. Mas ela não tinha se tornado o único motivo para isso.
Edward se orgulhava de ter, ele mesmo, continuado o que Bella o ajudara a iniciar.
Ele caminhou pelo corredor so segundo andar. Por um instante, considerou a ideia tola de procurá-la no Quarto Rosa. Mas sabia que não a encontraria lá. Por isso, caminhou até o próprio quarto.
Como imaginara, ela estava ali.
Bella se virou quando ouviu a porta ser aberta e sorriu para Edward. Ele fechou a porta, trancou-a, e se aproximou dela.
Ela estava linda, com o brilho pálido da lua derramando-se sobre a pele clara, o vestido simples esvoaçando com a brisa, tocando as curvas que ele conhecia e que desejava sentir novamente. Os olhos brilhavam, com alegria e certeza, tão confiantes e sedutores quanto o sorriso que ela esboçava. Ele tomou um instante para observar tudo isso, absorver as sensações, e deleitar-se no conhecimento de que, agora, absolutamente tudo era real e verdadeiro.
Edward segurou a mão dela e, com os olhos nos de Bella, roçou os lábios nos nós dos dedos com suavidade. Ele sentiu a pele macia, observou os olhos dela escurecerem, em expectativa, em resposta, e sentiu o próprio corpo reagir em antecipação.
— Eu senti sua falta. — sussurrou ele, torturando-a com a voz baixa, carícias lentas, beijos breves em seus braços, em seu rosto. — Nunca mais vou deixá-la ir, Bella. Simplesmente não posso.
— Eu não vou a lugar nenhum. — prometeu ela, erguendo as mãos, abraçando-o. Ela fechou os olhos quando ele afundou o rosto na curva de seu pescoço, beijando-a ali, depois subindo até encontrar seus lábios. Então, quando os lábios dele encontraram os seus, ela correspondeu ao beijo. Oferecendo o que tinha. O que desejava oferecer.
Tudo.
Ele aceitou, retribuindo com suavidade, carinho e aquela paixão sedutora, sorrateira e potente que só encontrara com Bella. Ele usou as mãos para tocá-la, provocá-la. Senti-la. Usou os lábios, provando o gosto dela, banqueteando-se na doçura, no suntuoso prazer que isso despertava. Fascinado, intoxicado, ele sentiu o perfume dela. Feminino, exótico e sedutor. Então, deixou-se levar.
Bella espalmou uma mão no peito dele. Sentiu a rigidez, a segurança e a força que ele possuía. E também sentiu o coração dele, disparado e errante, como o seu próprio, e perdeu-se na realização de que seus sentimentos eram correspondidos. Ela afundou a outra mão nos cabelos de Edward, fechou os dedos envolta dos fios rebeldes, e estremeceu quando ele correspondeu deslizando as mãos por seu corpo, descobrindo segredos e despertando sentidos, fazendo o calor surgir tão intenso, tão vívido, como antes.
Havia poder na doçura, percebeu Edward. Oh, ele estava perdido nela. A entrega silenciosa, suave e doce de Bella era a maior arma dela. Ele faria, seria, qualquer coisa por ela. Mas, quando encontrou os olhos dela, sabia que o que era bastava. Não era perfeito, mas ela o amava mesmo assim. E saber isso, perceber isso, era mais potente do que qualquer controle que tivesse tentando manter. Ele era um homem que amava uma mulher doce e forte. E, por isso, passaria o resto de sua vida celebrando-a.
Eles levaram um instante para livrarem-se das roupas, mas mesmo isso foi apreciado, celebrado e excitante.
Quando não havia mais obstáculos, eles começaram.
O ritmo suave deu lugar ao frenesi de um prazer que cresceu e cresceu, tornando-se urgente, arrebatador. Exigente. Um prazer, uma paixão, que eles eram capazes de produzir, de sentir, apenas um com o outro.
Bella sentiu as mãos grandes, os dedos longos, deslizando por seu corpo, a boca persusiva vagando por onde queria. Quando a paixão elevou-se, ela arqueou o corpo, numa entrega, numa demanda, e apertou os braços dele com força.
Edward sentiu as mãos dela em seu corpo, estremeceu com os dedos suaves, que vagavam por sua pele com uma delicadeza devastadora. Com um sentimento latente que crescia, tornando o sangue espesso e a mente enevoada, ele se viu inundado pelo que aquilo era.
Uma fusão, rara e perfeita, partilhada afinal.
— Eu amo você, Bella. — O corpo trêmulo, o controle mal mantido, ele deslizou dentro dela. — Eu amo você.
Bella fechou os olhos quando a sensação a preencheu e inundou-lhe o coração. Sem medo agora, a alegria irrompeu.
— Eu amo você. — Ela sussurrou de volta.
Ele levou os lábios aos dela, o beijo delicado. Devastador.
— Olhe para mim, Bella. Olhe para mim. Eu quero vê-la.
Ela abriu os olhos, encontrou os dele iluminados, intensos, cristalinos sob a luz da lua. Seu coração estremeceu e pareceu transbordar. Então, ele se tornou tudo o que via.
— Estou com você. — sussurrou ela, enroscando as mãos as dele, apertando-as agora.
Eles mergulharam juntos, olhos e corpos unidos. Mergulharam até que o ar pareceu dissolver e o tempo parar. Dessa vez, quando alcançaram o limite, eles deram tudo um ao outro, arrebatados pela certeza de que não havia mais segredos, mais nada, entre eles.
— ~ —
Entre um trago e outro de seu charuto, Aro Volturi pensava, com um divertimento perverso, nos acontecimentos dos últimos meses, nos infortúnios pelos quais Edward Cullen e sua família vinham passando. Não se surpreendia que o mais recente líder dos Cullen estivesse tendo tanta dificuldade em descobrir quem o estava ameaçando.
Essa história de Russo era uma boa sacada. Muito boa.
Um sorriso espalhou-se pelos lábios finos de Aro, os olhos escuros tornando-se iluminados por uma satisfação traiçoeira.
Se Edward soubesse — ah, se ele soubesse — quem era Russo.
Aro esperava ansiosamente o momento em que a revelação acontecesse. Sempre tivera um fraco por espetáculos e os reais eram ainda melhores. Além disso, apostara tudo, todos os seus negócios, nessa empreitada contra Edward. Mal podia esperar para ter poder e prestígio novamente.
Ele tinha fornecido a pista falsa sobre Russo. Também repassara a informação sobre sua reunião com Edward, entregando-a à Miranda, para que ela pudesse direcionar Isabella Swan para seu escritório. Por fim, uma vez que sabia que ela apareceria, Aro havia permitido a entrada de Isabella em seu estabelecimento.
Não houvera falha nenhuma na segurança. Ele mesmo havia liberado a entrada de Isabella e, embora não tivesse presenciado a discussão entre ela e Edward, sabia que eles haviam rompido a algumas semanas. Isso não era algo que chegava a satisfazer Aro, mas servia para animá-lo.
Afinal, os planos estavam saindo exatamente como o esperado.
Satisfeito, Aro se serviu de uma dose generosa de uísque. Decidindo-se por uma noite de diversão, decidiu chamar um de seus subordinados para providenciar o fechamento do bar naquela noite.
Mas, quando tentou o telefone interno, não obteve nenhuma resposta.
Impaciente por não ser atendido na primeira tentativa, ele chamou o segurança que ficava em frente à sua porta.
Novamente, não houve resposta.
Irritado agora, Aro largou o copo na mesa e saiu da sala, encontrando o corredor vazio. Ele franziu o cenho. Devia haver sempre um segurança à sua porta. Se um desocupava o posto, outro assumia, sem nunca deixá-lo vago.
Intrigado, ele atravessou o corredor e foi para a área do bar. Quando apurou os ouvidos, percebeu que não havia som algum vindo daquela área.
Cauteloso agora, Aro pegou uma das muitas armas espalhadas pelo prédio, certificou-se de que estava carregada e escondeu-a na parte detrás do cinto. Lentamente, aproximou-se do fim do corredor. Quando estava perto o suficiente da área do bar, seu franzir de cenho tornou-se uma expressão ao mesmo tempo surpresa e resignada.
Ele saiu das sombras e fitou a pessoa, que também o observava e que bebia tranquilamente diante do balcão. Não havia ninguém por perto. Nenhum dos homens de Aro, nenhum dos clientes que ele sabia terem estado ali naquela tarde.
Aro deu um passo para dentro da área do bar e encarou seu visitante.
— Você. — disse, o tom de voz surpreso, embora, no fundo, talvez já imaginasse que ele estaria ali.
— Sim, Aro, sou eu. — disse o homem com um sorriso frio, os olhos perigosos. — E você não vai gostar do que vim fazer aqui.
N/A: Posso, por favor, ter comentários?
Ps.: Próximo post será sábado que vem, em 01-08 (meu Deus, já vai ser agosto!). Juro que vou tentar postar (bem) antes.
