N/A: Obrigada pelos comentários! :)

Tenho um anúncio muito sério a fazer: vai ter post duplo hoje! haha Fim do anúncio sério.

Boa leitura!


CAPÍTULO VINTE E QUATRO

Edward recebeu o olhar perigoso de Aro com um divertimento cínico. O outro estava tentando com afinco não parecer intimidado, mas Edward podia ver o modo como os olhos escuros e serpetinos vasculhavam a sala em busca de uma brecha, de uma saída de emergência. Quando não encontrou e deu-se conta do que a presença de Edward ali significava, Aro contraiu o maxilar e o fitou com um misto de superioridade e medo.

— Você veio atrás da pessoa errada. — disse Aro, a expressão arrogante. Sabia que, agora, sua camaradagem simulada não surtiria efeito no que dizia respeito a Edward.

— Eu acho que não. — replicou Edward, o tom tranquilo, quase entediado, e bebeu um gole de sua bebida. — Você e eu sabemos que começar pela pessoa errada pode ser um acerto. Porque, Aro, eu tenho um pressentimento de que você vai me ajudar.

— Estou farto de ajudar você, Edward. Eu já lhe disse tudo o que sabia.

— Tudo o que sabia para me levar a uma pista falsa. — replicou Edward, calmamente. Os olhos, porém, tornavam-se escuros e perigosos a cada minuto. Ele odiava isso, mas, quando precisava ser um mafioso, fazia isso com todo o ódio e frieza que mantinha dentro de si. Para seus inimigos, dedicava tudo de ruim que pudesse haver dentro dele. — Eu tive uma conversa com o seu senhorio. — começou a explicar e ficou satisfeito ao ver o breve lampejo de surpresa nos olhos de Aro. — Ele me foi bastante útil, sabe. Com algum incentivo, ele me forneceu várias informações interessantes.

— O que ele disse a você?

Edward esboçou um sorriso enviesado, mas, ao contrário dos que Bella considerava charmosos, esse era frio e ameaçador.

— Você sabe o que ele disse. — replicou e continuou: — Russo nunca esteve vivendo no seu edifício. Você pagou ao senhorio para confirmar isso, quando meu pessoal o procurasse. Para despistar, você me deu uma pista falsa.

Aro manteve o queixo erguido, mas estava ciente da fúria que borbulhava por trás da expressão quase entediada de Edward. Sabia o que se escondia por trás daquela aparente tranquilidade fria e controlada. Já tinha visto o outro extravasá-la e, talvez algo tivesse mudado, mas tinha certeza de que as coisas não seriam boas para seu lado, caso permanecesse ali para permitir que Edward o subjugasse.

— Sabe, Edward. — disse Aro. — Estou um pouco ocupado hoje. Tenho que resolver algumas pendências antes da festa de Alice. O casamento dela é hoje, não é mesmo? Você devia estar se preparando também.

Edward moveu os ombros.

— Ainda há bastante tempo até o casamento. — replicou ele, colocando sua taça sobre a mesa sem fazer ruído. Tudo no lugar ao redor estava silencioso. — Temos muito tempo para conversar. Você vai me contar para quem está trabalhando, não vai, Aro? — Ele cruzou os braços, o tom de conversa, e esticou as pernas. O gesto, amistoso; os olhos, ameaçadores.

Aro arqueou uma sobrancelha e sorriu, tentando uma expressão desdenhosa.

— Quem disse que estou trabalhando para alguém?

— Eu estou dizendo. — replicou Edward, como se aquilo fosse óbvio. — Você não tem recursos, nome ou audácia para desafiar minha Família sozinho. Há alguém por trás disso, alguém para quem você trabalha, não alguém que esteja trabalhando para você.

— Você parece bastante confiante nas suas acusações.

— Sim. Isso porque você e Russo não são os únicos com delatores infiltrados na minha Família.

Pela primeira vez, Aro reagiu abertamente, com surpresa estampada em seu rosto.

— Você colocou um delator aqui?

— É claro que coloquei. Essa pessoa está aqui há alguns meses, desde que meus problemas começaram. — replicou Edward, o tom aborrecido, como se estivesse explicando algo óbvio pela milésima vez. — E, embora eu deva admitir que você compartimentaliza e protege muito bem suas operações, meu delator acabou de confirmar sua participação nessa história. Seu envolvimento é algo que venho considerando desde a pista sobre Russo, sabe. — disse Edward, gesticulando com sua taça. — Depois, teve toda aquela palhaçada sobre a falha na sua segurança, quando você disse que foi por isso que Bella entrou aqui. Você achou mesmo que eu ia acreditar que ela foi admitida nesse lugar por engano? Eu não subestimo sua eficiência tanto assim, Aro. Nem você, nem seu pessoal cometem erros tão tolos quanto esse.

Diante da iminente derrota, a expressão de Aro tornou-se gelada, arrogante e abertamente hostil.

— O que diabos você veio fazer aqui, Edward?

Ele terminou o vinho antes de responder.

— Eu vim dar uma última chance a você, Aro. — Edward respondeu, levantando-se do banco que ocupava e fechando o penúltimo botão de seu terno. — Você me conta o que sabe sobre Russo e eu poupo você e seus negócios. É muito simples.

Aro ficou em silêncio um instante. Então, um sorriso lento e sombrio curvou-lhe os lábios.

— Por que eu me uniria a você novamente se, quando isso acabar, você vai perder e eu vou ganhar muito mais do que tenho agora?

Edward recebeu a pergunta com sombria tranquilidade.

— Se essa é sua escolha. — Ele deu de ombros e retirou seu celular do bolso. Já tinha dado uma chance a Aro. Não faria isso novamente. — Cyrus. — disse à pessoa do outro lado da linha. — Agora.

Aro observou o segurança de Edward sair da área onde ficava a cozinha. O falso motorista veio acompanhado de mais dois homens, que também trabalhavam para Edward e que renderam Aro, segurando-o pelos braços.

— O que você vai fazer? — Sendo carregado agora, ele lançou um olhar a Edward por sobre o ombro dos seguranças. — O que você vai fazer?

Edward seguiu-os para fora daquele lugar, sem dar uma resposta a Aro. Quando estavam do lado de fora, ele parou, assim como seus seguranças, que continuavam mantendo o chefe Volturi preso.

Então, Edward respondeu a pergunta de Aro:

— Talvez você ganhe quando isso acabar. Mas, por agora, você vai ter que viver com uma derrota. — E, dizendo isso, ele sinalizou na direção de Cyrus.

O motorista acionou um pequeno dispositivo que tinha em mãos.

Por um longo instante, nada pareceu acontecer. Então, a fumaça começou a surgir, saindo pelas frestas nos compensados de madeira do prédio de tijolos de Aro.

— Não! — exclamou Aro, percebendo e observando o incêndio que se iniciava no que era seu estabelecimento. Ele tentou se desvencilhar dos seguranças, mas foi inútil. Então, fitou Edward com um olhar ameaçador. — Eu vou acabar com você!

— Mas não hoje, Aro. — replicou Edward. — Hoje é o dia em que eu acabo com você. E eu começaria a pensar num plano alternativo em relação a Russo. Ele também não vai sair vitorioso dessa.

Finalmente, Aro conseguiu se livrar dos seguranças. Antes que alguém pudesse intervir, sacou a arma que tinha escondido nas costas e apontou-a na direção de Edward.

— Vamos ver se você é o deus que se imagina, Edward. — replicou ele, frustração, desprezo e ódio presentes em sua voz, em seus olhos escuros. — Vamos ver como a família Cullen lida com a bagunça que vai ser depois que eu matar você. O pobre e indefeso pirralho. A vadia da sua namorada. Nós temos um código antigo de não ir em busca de mulheres e filhos uns dos outros. Aprecio que você não tenha feito isso comigo. Mas eu não vou ter a mesma consideração por você.

Edward deu um passo a frente, por um instante deixando-se guiar apenas por uma fúria homicida. Queria matar Aro ele mesmo. Pelo que ele dizia, por ameaçar sua família e ter ajudado a colocar a segurança deles em risco. Por tudo o que ele era e o quanto sempre o desprezara. Mas, então, quando se precipitou para frente, Aro ergueu a arma e o fez parar.

Diante disso, Edward obrigou a si mesmo a manter a cabeça fria, reprimir a raiva que as palavras de Aro lhe causavam. Cerrou as mãos em punhos, trêmulo de fúria e medo, mas manteve o controle por mais um instante. Pelo canto do olho, captou o movimento de Cyrus. Então, respirou fundo, buscando ganhar tempo, e permitiu que Aro interpretasse seu silêncio como derrota.

Quando Edward teve certeza de que podia agir, disse:

— Você não vai precisar fazer nada disso, Aro.

O outro semicerrou os olhos, preparou-se para falar. Mas um tiro cortou o silêncio da rua deserta.

E o corpo inerte de Aro desabou sobre o chão, com o fogo que consumia seu estabelecimento estalando ao fundo.

Esse era o fim da família Volturi.

Esse era o modo como Edward Cullen lidava com traidores.

— ~ —

Mergulhada em uma realidade bastante diferente de rivalidades criminosas, incêndios e tiros, Bella trabalhava ao lado de sua equipe na mansão dos Cullen, empenhada em transformar o ambiente num conto de fadas. Seu trabalho era supervisionar e se certificar de que o que planejara no papel, junto com a noiva, tomasse, com o máximo de perfeição possível, a forma almejada. Mas ela também gostava de transportar caixas, arranjos, mudar a posição de objetos, tanto quanto gostava de delegar tarefas, distribuir pedidos e ordens ao seu pessoal.

Por isso, naquele instante, ela transportava duas caixas com potinhos de vidro que seriam transformados em lanternas. A intenção era pendurá-los na pérgula, envolta por trepadeiras, que fora montada ao redor da pista de dança.

Ela sentia um misto de confiança e pânico a cada minuto que passava. Ajudava que as coisas durante o chá de Alice tivessem dado certo, sem nenhum problema mais grave. Especialmente porque, lembrou-se Bella, o chá acontecera durante aquelas duas semanas em que ela e Edward estiveram separados. Bella tinha mantido o profissionalismo e fizera seu melhor, enquanto Alice e Esme mantiveram as coisas no mesmo nível profissional que ela mantivera naquele dia. Bella não sabia se havia sido decisão delas, ou um pedido de Edward, mas, durante o chá, nem Alice, nem Esme haviam tentado conversar com Bella sobre seu relacionamento com Edward.

Bella tinha ficado surpresa e grata por elas não terem tentado intervir em seus assuntos pessoais, durante o chá. Como resultado, o evento tinha sido um sucesso.

Mas, pensou, não podia negar que se sentia aliviada por ter feito as pazes com Edward a tempo do casamento de Alice. Teria sido um desafio trabalhar no seu evento mais importante estando furiosa com o irmão da noiva. Claro, ela teria trabalhado com competência e parcialidade, mas teria sido difícil.

Que bom que, agora, estava tudo bem. Em todos os sentidos.

— Bella, querida. — Esme a abordou num dos corredores da mansão, enquanto ela levava os potinhos para o jardim.

Bella se virou para a matriarca dos Cullen.

— Sim, Esme?

A outra se adiantou na direção de Bella e pegou ela mesma uma das caixas, para ajudá-la.

— Desculpe incomodá-la. — disse Esme, quando ambas retomaram o caminho para o jardim. — Mas eu estive procurando por Edward. Você sabe onde ele está?

— Ele… — Bella esperou até ambas atravessarem o jardim e colocarem a caixa sobre uma das mesas do lado de fora. A maior parte da decoração já estava pronta. Bella e sua equipe apenas finalizavam alguns detalhes agora. Ela vasculhou o jardim brevemente, tanto para conferir o trabalho quanto para pensar em sua resposta. — Edward teve que resolver algumas pendências no trabalho. — disse, por fim, lançando um olhar significativo na direção de Esme.

— Ah. — A outra assentiu. — Entendo. Quem está com Anthony?

— Bess está de olho nele. — respondeu Bella. — Ele queria vir, mas, por mais que eu ame Anthony e saiba que ele é comportado, essa loucura não faz bem para crianças. — Ela sinalizou a arrumação para o casamento, tentando abranger tudo com um único gesto de mãos. — Ele não ficaria muito feliz aqui.

Esme assentiu com uma expressão compreensiva.

— Você tem razão. — disse ela e observou seu adorado jardim, que se transformava em algo ainda mais encantador a cada minuto que Bella e sua equipe trabalhavam nele. — Está ficando tudo maravilhoso.

Bella virou a cabeça e encontrou os olhos meigos e sinceros de Esme. Ela retribuiu o sorriso da outra, contente com o elogio e admirada com essa mulher, que era capaz de ser tão serena, doce e gentil, mesmo depois de todas as coisas ruins pelas quais havia passado.

Ela levou uma mão ao braço da outra.

— Obrigada, Esme. Sua opinião é valiosa para mim.

Esme colocou sua mão sobre a de Bella, apertou-a suavemente.

— Estou feliz que você tenha voltado. Meu filho sempre teve potencial para ser bom. Com você por perto, ele se tornou exatamente isso.

Bella sorriu, ciente de que, em meio a tanto caos e pressão, se continuasse aquela conversa começaria a chorar como se ela fosse a noiva e aquele fosse o desfecho da própria história.

Espantando a nostalgia, ela endireitou o corpo e voltou aos potinhos. Esse não era desfecho nenhum, mas, sim, o grande começo de sua carreira.

Precisava trabalhar.

— O vestido chegou! — anunciou Rosalie, atravessando o gramado em seu robe de seda esvoaçante. Como a madrinha da noiva, ela estava com Alice no andar de cima, enquanto a noiva se preparava com todo o tipo de mimo que merecia. — Bella, Esme, o vestido! — exclamou Rosalie, segurando ambas pelas mãos e começando puxá-las para dentro da mansão. — Alice quer você duas lá. Agora.

— Rose, eu tenho que trabalhar.

— Sua missão não é fazer com que a noiva fique feliz? — replicou Rosalie, fitando Bella por sobre o ombro, enquanto caminhavam para as escadas.

— É, sim.

— Então, a sua presença no quarto vai deixar Alice feliz. Esse é seu trabalho, você o está fazendo.

— Sim, mas a decoração…

Esme colocou uma mão solidária no ombro de Bella.

— Se eu fosse você, não tentaria desafiar Rosalie e minha filha. Elas são uma força da natureza quando o assunto envolve casamento.

— Por favor. — replicou Rosalie. — Eu não desafiaria Bella. Não posso fazer isso. Ela é a Primeira-dama agora.

— Não. — Bella parou de andar, assim como as outras duas. O tom ríspido em sua voz foi inevitável. Tinha ouvido a mesma expressão através de Aro, e não gostara nada daquele título na ocasião. Muito menos gostava agora. Podia aceitar Edward, saber com que ele estava envolvido, mas não desejava ter nada a ver com o mundo dele. — Eu não sou nada disso. Nem sequer sou casada com Edward.

— Ainda.

— Rosalie. — Esme a chamou, o tom conciliatório diante da réplica de Rose. Conhecia a moça tanto quanto a própria filha e sabia que não era sensato permitir um embate entre Rosalie e Bella. Elas eram ambas mulheres geniosas. — Nós não estamos aqui para discutir esse tipo de questão. — disse ela, com uma suavidade determinada. — Alice é nosso foco hoje.

Após um instante de tensão, Bella e Rosalie assentiram.

— É claro. — disse Bella, manejando um sorriso suave.

— Você tem razão, Esme. Desculpe, Bella.

— Só… — Ela buscou um tom leve. — Não mencione isso novamente.

Rosalie assentiu.

— Eu não vou.

A porta do quarto foi aberta e Lilian, a mãe de Rosalie e sogra de Alice, colocou a cabeça para fora.

— Andem logo, meninas! Vocês estão perdendo toda a diversão. — exclamou ela e, como Bella era a mais próxima de onde estava, puxou-a para dentro do quarto. — Venha, senhorita organizadora. Não é porque está trabalhando que não pode se divertir. — Ela sacou uma taça de champanhe numa mesinha próxima e entregou-a à Bella. — Afinal, você também faz parte da família.

Bella aceitou a taça e, mais que acostumada a parentes efusivos, molhou a língua com o champanhe para deixar Lilian satisfeita. Ela sorriu para a mulher e, quando encontrou o olhar apologético de Rosalie, piscou para ela.

Grata, Rose sorriu.

— Onde está Alice? — quis saber Esme, pegando ela mesma uma taça de champanhe e bebendo um gole.

Lilian apontou na direção do banheiro do quarto.

— Está lá. Ela quer que o vestido seja uma surpresa.

As outras assentiram. Quando fora comprar o vestido, para não ser injusta nem com a mãe, nem com a sogra, Alice tinha optado por levar apenas Bella consigo. E, na época, levara-a mais para ter sua opinião profissional, uma vez que o relacionamento de Bella e Edward nem existia. Agora, porém, do ponto de vista de Alice, mostraria seu vestido para as mulheres de sua família.

Ela saiu do banheiro e, como o cabelo já estava praticamente pronto, o resultado de sua aparência era encantador. O cabelo estava preso em um coque alto, com um espaço onde seria colocada a tiara (uma versão não tão encantada daquela do leilão) que manteria o véu. O vestido em si era uma peça delicada, com mangas simples, e uma camada de tule com flores de renda sob o tecido sedoso. Era o vestido de uma fada, mas uma moderna. Na parte de trás, a peça tinha um corte em formato de "u", os contornos detalhados pelas mesmas flores de renda da saia. A fenda expunha as costas de Alice e, unindo-se ao todo, dava à noiva, ao mesmo tempo, uma aparência de inocência e sedução.

Alice deu uma volta, para a apreciação das outras. Depois, parou, fitando-as, e quis saber:

— Então?

Em uma reação tão antiga quanto o mundo, as outras suspiraram.

— Você está maravilhosa. — observou Rosalie, ao que a mãe e Bella assentiram em concordância.

Alice fitou Esme.

— Mãe?

Esme sorriu, o gesto delicado, tão suave e sonhador quanto sempre fora, e levou uma mão ao peito, os olhos marejados.

— Você está linda. — disse a mãe, a voz embargada, aproximando-se da filha e tomando as mãos de Alice nas suas. — Você está linda, minha princesinha.

— Mãe. — O tom de Alice saiu um misto de reprimenda e emoção, ao observar as lágrimas de Esme. — Não chore.

— Eu sou a mãe da noiva. Chorar é quase obrigatório, não é mesmo, Bella?

— Com certeza. — Bella usou um tom confiante, mas ouviu a própria voz falhar. Esse momento noiva e mãe era sempre emocionante, mas ela nunca tinha chorado. Talvez estivesse emocionada porque estava envolvida com aquela noiva e sua família, ou talvez fosse porque conhecia a história de Esme e sabia o quanto ela tivera que superar para estar ali. Mas, apesar de tudo, Bella sabia — e via, naquele instante — que Esme amava a filha. O mesmo amor que Bella recebera de sua mãe um dia. O mesmo amor que ela imaginava uma mãe tendo pelo filho.

Um amor incondicional.

— Viu? — Esme disse à filha. — Eu posso chorar. Você está linda. — Ela disse e, com cuidado, abraçou Alice.

Alice correspondeu, fechando os olhos, confortada pela serenidade e o calor da mãe.

— Eu amo você, mamãe.

— Ah, querida, também amo você. — Esme afastou-se e deu um beijo delicado na testa da filha. Era o seu gesto característico quando se tratava dos filhos. Era daqui que Anthony passara a associar beijos na testa como um gesto maternal. Havia suavidade e carinho nesse simples gesto. — Estou muito feliz por você, Alice.

— Obrigada, mamãe. — Ela sorriu e se afastou, aceitando o lenço que Bella oferecia a ela e a mãe. — Você precisa de um também.

— Eu sei. — Bella ergueu o outro que tinha em mãos, usou-o para secar suas lágrimas. — Mas, antes, preciso avisar que Lucy está registrando todos os momentos aqui também. — Ela sinalizou na direção da fotógrafa.

Alice assentiu.

— Certifique-se de captar meu melhor ângulo chorando, Lucy. Isso é o que você vai ter que fazer muito hoje.

A fotógrafa assentiu.

— Pode deixar, Alice.

— Está bem. — disse Bella, os olhos secos e a voz de comando agora. — Alice, você está praticamente pronta. Só precisa retocar a maquiagem. Vou avisar o pessoal de que você está pronta. Rosalie, Esme, Lilian, vocês também. Todo mundo na maquiagem em cinco minutos, meninas. Nós temos um casamento para comparecer.

— Espere, Bella. — Alice a segurou pelo braço quando ela se preparava para sair. — E quanto a você?

Bella franziu o cenho.

— Como assim?

— Sem maquiagem para você?

— Eu já estou pronta. — disse Bella, um pouco confusa. Ela sinalizou a própria roupa, um terninho simples, cinza-claro, e o rosto levemente maquiado. — É assim que trabalho.

— Mas você não é só a organizadora de casamentos hoje. Você também é minha cunhada. Família da noiva.

— Ah. — Ela assentiu, meio perdida, tentando pensar em algo para dizer. Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, Carmen entrou no quarto.

— Olá, garotas. — disse ela, com seu tom jovial e profissional, um sorriso simpático no belo rosto. Como Bella, ela usava um terninho cinza-claro e uma maquiagem simples. — Como estão as coisas por aqui?

— Maravilhosas! — Alice se adiantou. — Mas, Carmen, eu gostaria de pedir algo a você.

— É claro, Alice. Qualquer coisa. Você manda hoje.

— Fico muito feliz em saber disso. — Ela sorriu e sinalizou para Bella quando viu que ela ia falar. — Deixe-me ao menos tentar, Bella. — Ela se virou para Carmen. — Eu gostaria muito que Bella estivesse na cerimônia de casamento. Ela começou comigo como a organizadora, mas ela é muito mais que isso agora e eu a quero lá como convidada. Você acha que isso é possível, Carmen?

— É claro que é possível. — Carmen assentiu. — Eu posso cuidar das coisas durante a cerimônia, Bella, embora nós duas saibamos que não haverá necessidade de interferência. Pelo que vi, está tudo perfeitamente encaminhado.

— Obrigada, Carmen. — Bella olhou entre a chefe e Alice. — Mas eu nem sequer tenho um vestido para essa ocasião.

— Isso não vai ser problema. — replicou Alice, sinalizando na direção de Rosalie. — Nós temos um vestido para você.

— Ah, bem. — Bella estalou a língua, gesticulando em rendição. — Então, acho que não tenho como fugir.

— Querida — Alice tocou o braço dela, encontrou seus olhos. —, você simplesmente não é do tipo que foge.

— ~ —

Bella tinha prometido a Anthony que o buscaria em casa para levá-lo para a mansão dos Cullen. Como ele ainda não tinha babá e Bess também merecia tempo para se arrumar, já que ela seria convidada no casamento, Anthony precisava que alguém o ajudasse a se arrumar e o acompanhasse para a mansão. Uma vez que Edward não soubera quanto tempo levaria fora, Bella ficara com a missão de cuidar de Anthony. Ela até mesmo tinha conseguido encaixar isso na agenda, apesar de aquela ter sido uma decisão de última hora.

Ela chegou em casa com algumas horas de folga até a cerimônia e encontrou Anthony distraído com o tablet. O menino não gostou muito da ideia de um banho e trocar de roupa para o casamento da tia, mas, como havia a promessa de muitos doces para mais tarde, Bella conseguiu fazê-lo cooperar.

Logo, Anthony estava vestido com um smoking escuro, que, como no casamento de Rosalie, era uma réplica da roupa que Edward usaria. Os cabelos dele eram uma perda de tempo, Bella decidiu após algum tempo tentando domá-los. Não queria recorrer a gel, porque achava que isso dava uma aparência artificial e não combinava muito com uma criança. Por isso, deixou Anthony com os cabelos soltos e indiscplinados mesmo.

O resultado era uma mini réplica exata de Edward em traje formal com cabelos cor de cobre rebeldes, um sorriso de covinhas adorável e um rosto que demonstrava o que de mais fofo podia existir no planeta.

— Você está pronto. — disse Bella, afastando-se o suficiente para observá-lo e derreter-se. — E está lindo.

Anthony fez uma careta, mexendo na gravata borboleta.

— Por que eu tenho que usar essa roupa engraçada?

— Porque você é o pajem. Pajens usam essa roupa. — replicou Bella, com paciência e ajeitou a gravata que ele tinha tirado do lugar. — Lembra-se do que nós conversamos sobre sua missão hoje?

Anthony assentiu.

— Eu vou levar as alianças. Sem elas, a tia Alice e o tio Jasper não vão casar e não vão poder viver felizes para sempre.

— Muito bem. — Bella assentiu, em apreciação, e deu-lhe um beijo na testa.

A porta do quarto foi aberta e, por ela, surgiu Edward.

Bella franziu o cenho.

— Eu não sabia que você viria aqui. Pensei que iria direto para a mansão.

Edward aproximou-se de onde ela e Anthony estavam.

— As coisas acabaram antes do esperado. Passei aqui para render Bess, mas vejo que você já fez isso. — Ele fitou o filho. — E, aí, Anthony, como você se sente?

— Preso. — murmurou o menino, mexendo novamente na gravata.

Edward bagunçou ainda mais os cabelos do filho.

— Mas é por uma boa causa. — disse ele ao filho.

— Sim. Para que Alice e Jasper tenham seu felizes para sempre. — Bella gesticulou quando Edward a fitou com o cenho franzido. — Explico depois.

Uma batida na porta fez os três se virarem.

Diante da soleira da porta estava Cyrus.

— Senhor Cullen.

— Sim, Cyrus?

— Tem um Charlie Swan no portão, senhor.

Bella, que estava distraída com Anthony, virou-se para o motorista.

— O quê? — exclamou, perplexa. — Como assim Charlie está aqui?

— Você tem certeza disso, Cyrus? — Edward perguntou.

— Sim. Ele diz que quer falar com a senhorita Swan. — Cyrus olhou entre os dois. — O que devo fazer?

Edward fitou Bella.

— A decisão é sua.

Ela assentiu bruscamente.

— Não acredito que ele esteja aqui. — murmurou, irritada agora. Como se o dia já não estivesse sendo estressante o bastante, agora teria que lidar com uma visita repentina de Charlie. E, o pior, não fazia ideia do motivo por que ele estava ali.

— Pai, quem está aí? — quis saber Anthony. Não gostava do modo como Bella parecia chateada com aquela pessoa que queria falar com ela.

Edward fitou o filho. Mas foi Bella quem deu a resposta:

— Ninguém importante, Anthony. Por que você não fica aqui, jogando no tablet? Seu pai e eu precisamos sair um instante.

Anthony hesitou por um momento, mas, por fim, aceitou o tablet e permitiu que Bella o acomodasse em sua cama.

— Nós já voltaremos, está bem? — prometeu ela e, após um beijo na testa do menino, deixou o quarto junto com Edward.

— Bella. — Edward a chamou quando a porta foi fechada e eles estavam no corredor.

Ela se virou e o fitou.

— Lembra quando eu disse que você só me ajudaria se eu pedisse? — Bella foi direto ao ponto.

— É claro. — Era uma das coisas que ele jamais esqueceria. — É claro que me lembro.

— Que bom. — replicou ela. — Porque estou pedindo. Quero que você me ajude a lidar com Charlie.


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