N/A: Mais um. :)
Boa leitura!
CAPÍTULO VINTE E CINCO
Na sala de estar, após decidirem como resolveriam as coisas com Charlie, eles esperaram até o pai de Bella ser admitido na propriedade e chegar até onde estavam.
Logo, Charlie entrou na sala, acompanhado de perto por Cyrus. O motorista carregava uma expressão que parecia a ela ainda mais séria que o habitual. Já a expressão de Charlie era uma de deslumbramento que ele não se dava ao trabalho de disfarçar. Seus olhos escaneavam o lugar ao redor com interesse e admiração. Ele parecia uma criança em sua primeira visita à Disneylândia. Quando ele avistou Bella, sua expressão iluminou-se com um sorriso estonteante.
Quem não sabia nada sobre ele, imaginaria que Charlie era o típico pai saudoso, que esperara cada minuto para rever a filha.
— Bells, minha princesa! — disse ele, aproximando-se dela e envolvendo-a num abraço apertado, dramático, que ela não retribuiu. Sem se abalar com a falta de reação, ele se afastou de modo a analisá-la. — Você está tão bonita. Igualzinha à sua mãe. Nossa doce e querida Renée.
Bella endireitou a postura, os olhos perigosos. Ela cerrou as mãos em punhos. Em momentos como esse, até que desejava as intervenções nada ortodoxas de Edward.
Percebendo a irritação, Edward pôs uma mão nas costas dela, oferecendo apoio.
Charlie captou o movimento e fitou Edward, o sorriso esgarçando-se.
— Senhor Cullen! — exclamou com entusiasmo, como se eles fossem velhos conhecidos. — É um prazer conhecê-lo. — Prontamente, ele estendeu a mão. — Eu sou…
— Sei quem você é. — Edward o interrompeu, deliberadamente, a voz baixa e impassível.
O sorriso de Charlie vacilou um pouco. O tom frio logo de início o pegou de surpresa, mas ele resolveu ignorar isso e logo providenciou um novo sorriso.
— Espero que não se importe pela minha vinda repentina, mas eu queria muito fazer uma visita à Bella. Faz tanto tempo que não nos vemos, não é mesmo, princesa?
Um milhão de respostas agressivas passou pela cabeça de Bella, mas, no fim, ela se limitou a assentir. Estava decidida a encarar a vinda de Charlie como uma revanche por todas as ameaças e infelicidade que o pai a fizera passar na adolescência e também no último mês.
Então, pensou, que o jogo continue.
Decidindo-se por um simples assentimento e um sorriso cínico, ela sinalizou o sofá.
— Por favor, Charlie, sente-se. — O tom suave dela surpreendeu o pai e levou um sorriso discreto e cúmplice aos lábios de Edward.
Eles ocuparam seus lugares. Charlie se sentou numa poltrona, em frente ao sofá onde Bella se sentou junto com Edward. Sua confiança só crescia.
Deliberadamente, Bella colocou uma mão sobre o joelho de Edward e não se importou quando ele descansou o braço no encosto do sofá, atrás dela. Só dessa vez, não se importaria que ele deixasse claro a quem ela pertencia, de que lado ela estava. Naquele momento, ela queria a proteção de Edward, mas, sobretudo, queria a força e o poder dele estendidos a si mesma.
Charlie os observou.
— Vocês dois parecem um casal de revista. Tão bonitos e elegantes.
— É a sua filha. — disse Edward e sorriu para Bella quando ela o fitou. — Ela sempre deixa tudo mais bonito e elegante.
— Ah, sim. — O cara estava caidinho por Bella, pensou Charlie, observando o modo como os outros dois se comportavam. Ele se sentia orgulhoso. Não sabia como a filha tinha conseguido aquela proeza, mas o importante é que ela tinha conseguido conquistar um milionário. E, sendo coração mole como a mãe, sabia que Bella não deixaria o pai desamparado, mesmo que ele não tivesse mais como chantageá-la.
Charlie imaginava que era só falar uma coisa melosa ou duas, proclamar seu arrependimento e declarar amor paterno, e Bella o aceitaria novamente como pai. Sabia que era isso o que ela sempre desejara, mas nunca, realmente, tivera tempo ou disposição para se importar com os sentimentos e desejos da filha. Agora, porém, a coisa mudava de figura. Havia dinheiro — muito dinheiro — envolvido. Pela quantia certa, ele podia facilmente se tornar o pai do ano.
— Ela puxou isso da mãe, sabe. — Charlie voltou a falar da esposa, sem perceber a irritação crescente nos olhos de Bella. — Renée ensinou a ela um monte de coisas, inclusive sobre essa coisa de casamentos. Eu nunca entendi muito bem disso, mas Bella e a mãe gostavam muito dessas coisas. — Ele contou a Edward, sentindo-se confiante o suficiente para colocar uma perna sobre o joelho e recostar-se confortavelmente na poltrona. Ele observou a sala ao redor, os olhos brilhando, interessados. — Minha nossa, você tem uma bela casa, senhor Cullen.
Edward assentiu.
— Obrigado. — disse ele, sinalizando o cômodo com um gesto de mãos. — Bella acabou de reformá-lo.
Ela franziu o cenho. Tudo o que fizera naquela sala fora acrescentar vasos de flores e mudar a cor das almofadas. Isso não podia ser considerado uma reforma, mas, imaginou, Edward estava fazendo aquilo para seguir o plano deles.
Charlie continuou:
— Me lembra essas casas que a gente vê nos filmes sobre a Guerra Civil. — comentou, ainda falando sobre a mansão. — Mas eu não imaginava que fosse tão grande. E o terreno… Você é dono de toda a área ao redor da casa?
— Sim. — Edward assentiu. — A parte leste é área de preservação. A casa fica mais ao norte. Ainda não sei o que vou fazer com o resto. Bella acha que devíamos ampliar o espaço da piscina. Eu pensei numa quadra de tênis. Mas já estou quase desistindo. Sei que a palavra final vai ser mesmo da Bella.
Bella esboçou um sorriso cínico quando Charlie a fitou, o olhar surpreso. Ela e Edward nunca tinham conversado sobre ampliar a piscina ou quadras de tênis. Ela nem sequer conhecia a área da piscina direito.
Mas Charlie não tinha como saber disso.
Ela trocou um olhar com Edward.
Ele lhe devolveu com um sorriso cúmplice. Diante de Charlie, a intenção de Edward era demonstrar o quão extensa era sua fortuna e o poder de interferência que Bella tinha em sua casa.
— Minha filha é mesmo bastante teimosa. Isso ela puxou de mim. — Charlie sorriu, descontraído, demonstrando um orgulho genuíno.
— Imagino. — Edward esboçou um meio sorriso em retribuição.
Charlie viu isso como simpatia.
Bella sabia que aquele gesto era o começo do fim para Charlie.
— Você quer uma bebida, Charlie? Esqueci de oferecer. Desculpe. — Edward se levantou de um pulo, prestativo, e caminhou até o bar antes mesmo de receber uma resposta. — Uísque está bom para você?
— Sim, sim, claro. — Charlie assentiu, observando-o se afastar até o bar. Depois, virou-se para Bella e inclinou-se um pouco na direção dela. Enquanto Edward se ocupava em preparar as bebidas, sussurrou para a filha: — Você fez um trabalho excepcional conquistando esse aí, princesa. Deve ter aprendido mais truques do que eu imaginava.
Bella fitou o pai, furiosa. Ele estava perto o suficiente para que usasse sua mão para apagar o sorrisinho malicioso que esboçava e fazê-lo cair da poltrona.
Mas Edward voltou antes que ela pudesse fazer isso.
— Aqui está. — Edward entregou a bebida ao outro e se sentou novamente. — Você parece bastante orgulhoso da sua filha, Charlie.
Charlie bebeu um longo gole de uísque, a bebida cara e boa arranhando sua garganta. Então, sorriu, fitando Bella.
— Ah, sim, eu estou.
— Deve estar. Bella conquistou muitas coisas importantes no último ano. A fama dela como organizadora de casamentos está se espalhando rápido.
— Pois é. — Charlie assentiu, bebendo mais uísque. Gostaria de voltar ao assunto sobre a casa ou as outras posses de Cullen. O trabalho de Bella não o interessava, uma vez que não era homem de falar sobre casamentos e essas baboseiras. Ele ergueu seu copo. — Esse é uísque dos bons. Acho que nunca provei algo tão magnífico.
— É Dewar's. — revelou Edward, observando os olhos do outro brilharem.
Charlie fitou seu copo, com mais reverência e atenção do que demonstrara pela própria filha.
Ok, pensou Edward, estava na hora de a farsa acabar.
— Então, Charlie — disse ele em tom de conversa. —, você veio aqui para ameaçar Bella novamente?
— Como é?
— Você veio ameaçar e chantagear sua filha por causa do passado dela? — Edward repetiu a pergunta, simulando um tom casual e uma paciência que estava longe de sentir. Ao seu lado, Bella tencionou o corpo.
Charlie o fitou, surpreso com a pergunta direta, e levou algum tempo até raciocinar. Quando o fez, esboçou um sorriso.
— Estou aqui só para matar a saudades da minha filha.
— Sim, claro. Engraçado você sentir saudades de Bella agora que ela vive nessa casa grande e luxuosa, com um namorado que tem dinheiro. O sentimento não ocorreu a você nos últimos anos?
— Estive ocupado.
— Sim, sugando o dinheiro de Bella e gastando-o numa mesa de pôquer.
— Cuidado com o que fala, Edward.
— É senhor Cullen para você. — Edward devolveu o tom ameaçador e fitou-o com frieza e superioridade. — E eu não tenho que cuidar nada. Você está na minha casa.
Charlie simulou uma expressão ultrajada.
— Não vim aqui para ser destratado.
— Não, você veio aqui porque estava curioso sobre a nova vida de Bella, sobre minha casa e meu dinheiro. Agora, você sabe que eu tenho muito mais do que imaginara. E isso o deixou tão orgulhoso da sua filha, não é, Charlie? Sua princesa conquistou o milionário e tudo o que você precisa fazer é aparecer e tentar convencê-la de que quer o perdão dela. Então, você vai aproveitar os espólios da conquista de Bella. Foi por isso que você veio, não foi?
Charlie simulou uma expressão ultrajada, os cantos dos lábios trêmulos, e fitou Bella.
— Você vai deixar que ele fale comigo desse jeito?
Bella arqueou uma sobrancelha.
— Por que eu o impediria, se ele está falando a verdade?
— Princesa...
— Não me chame assim. Eu odeio quando você me chama de princesa. — replicou ela, ríspida, a expressão enojada. — Você sempre me chamou assim para debochar de mim. Estou farta disso.
Charlie crispou os lábios, a expressão tornando-se sombria por um instante. Mas, então, ele engoliu o próprio orgulho e tentou a simpatia novamente.
— Eu sei que cometi alguns erros, Bells, mas é por isso que estou aqui. — disse ele, humildemente. — Quero colocar uma pedra no passado e começar de novo com você.
Bella riu, mas o som não tinha nada de divertido.
— É tarde demais para isso, Charlie. Não restou nada dentro de mim capaz de perdoá-lo.
— Mas eu sou seu pai.
— Agora você se lembra disso! — replicou Bella. — Você é tão patético e burro. Acha mesmo que eu vou acreditar em uma palavra do que diz?
— Estou realmente arrependido, Bells.
— Tenho certeza de que está. São milhares de dólares que não vão mais cair na sua conta. — replicou ela. — Mas não quero saber disso. Eu quero que você vá embora e não me perturbe nunca mais.
Diante da frieza e falta de cooperação dela, a expressão humilde e apologética de Charlie transformou-se em frieza e fúria.
— Você não vai se livrar fácil de mim, Isabella. Eu sei muito sobre você.
— A história do passado de novo? Edward já sabe de tudo.
— Mas a mídia não. — replicou Charlie, o olhar triunfante. — Tenho certeza de que muitas revistas se interessariam em publicar sua história suja.
— Você estaria nela também, Charlie, já que me ajudou a forjar aquelas provas.
— Direi que é uma acusação falsa. Que você seduziu um de meus colegas para ajudá-la. Eu posso fazer isso. Tenho poder para isso.
— Não, você não tem. — retrucou Bella, com tranquilidade. Novamente, pousou sua mão sobre o joelho de Edward. — Porque Edward já cuidou de tudo. Se você revelar minha história, você estará nela e será um dos personagens principais.
Charlie contraiu o maxilar e fitou Edward.
— Como você conseguiu isso?
Ele moveu os ombros.
— Tenho meus recursos.
— Então é verdade o que dizem sobre a sua família, não é? — replicou Charlie. — Sobre vocês serem todos criminosos.
Novamente, Edward moveu os ombros.
— Acho que isso não é relevante. A única coisa com que você deveria se preocupar é em não sair espalhando a história de Bella. Ao contrário dela, você vai ser preso. E você sabe como policiais recebem todo um tratamento especial na cadeia, não sabe, Charlie?
Charlie engoliu em seco, as pupilas dilatadas, diante da encurralada. Ele fitou Bella.
— Eu devia saber que você acabaria com um criminoso. Faz parte da sua natureza, sua…
Em um único movimento, Edward pôs-se de pé e segurou Charlie pela gola da camisa, fazendo-o levantar-se também.
— Eu não terminaria a frase se fosse você. — avisou, entredentes, no mesmo instante em que Cyrus entrou na sala.
Charlie tentou se livrar do aperto, mas, quando não conseguiu, lançou um olhar na direção do motorista e soltou uma risada estrangulada.
— Ou o quê? Você vai mandar seu segurança me bater?
— Posso fazer isso eu mesmo. — Edward intensificou o aperto, satisfeito quando viu Charlie lutar para respirar, o rosto tornando-se corado pelo esforço e falta de ar. — Mas não vou fazer nada com você. Prometi à Bella que não o machucaria e vou cumprir minha promessa. Além disso, bem ou mal, você é uma das razões porque ela está aqui. Então, sugiro que você se considere sortudo e seja grato à sua filha para o resto da vida. Ela é a razão porque você vai sair daqui andando.
— Eu… — Charlie tentou afastar as mãos dele, novamente. Sua cabeça estava começando a rodar. Edward o soltou e ele lutou para puxar o ar e fazê-lo chegar até os pulmões, escorando-se na poltrona que ocupara, minutos atrás, com tanta confiança. Desesperado agora, ele fitou Bella. — Bells, você… não pode…
Ela o fitou.
— Vá logo, Charlie. Nós terminamos aqui.
— Eu sou... seu pai.
— Você nunca foi meu pai no sentido que importava. — Ela cruzou os braços, dizendo a si mesma que estava fazendo a coisa certa. Levara muito tempo para se libertar da ilusão de que podia ter uma relação de pai e filha com ele. Mas não sentia prazer em dispensar Charlie de sua vida, como fazia naquele momento. Ela não sentia nada, na verdade. — Por favor, não envergonhe a si mesmo e me deixe em paz. Seus jogos e ameaças acabaram.
Por um instante, Charlie pareceu querer revidar. Mas, diante do olhar vazio de Bella e da ameaça nos olhos de Cullen, ele endireitou o corpo e preparou-se para deixar a sala.
— Ah, Charlie. — Edward o chamou e esperou até ele se virar. — Já que você conhece minha família tão bem, você vai lembrar que nós estaremos de olho em você, não vai?
O olhar arrogante e ameaçador do outro transformou-se em perplexidade.
Edward deu de ombros.
— Só um aviso. Preciso garantir que você não vai ser um problema no futuro.
Charlie contraiu o maxilar.
— Não vou ser. — disse, entredentes e partiu.
Quando teve certeza de que o outro havia saído de sua casa, Edward aproximou-se de Bella e afagou os braços dela.
— Você está bem?
— Eu vou ficar. — Ela suspirou, aceitando o abraço dele quando Edward a envolveu com os braços. Ela passou as mãos pela cintura dele, enterrou o rosto no peito de Edward e fechou os olhos. — O que há de errado conosco que tivemos pais tão terríveis?
Edward afagou os cabelos dela.
— Não há nada de errado comigo ou com você. — replicou. — O problema são eles.
— ~ —
De volta à mansão, enquanto Edward levou Anthony consigo para o lado do noivo, e as outras terminavam de se arrumar, Bella permaneceu com Alice e Lucy para mais algumas fotos da noiva antes da troca de votos. Quando a fotógrafa desceu para se preparar para início da cerimônia, Bella ficou com Alice no quarto, ajudando-a a arrumar o que as noivas sempre achavam que podia ser melhorado, ou simplesmente tranquilizando-a e dizendo que ela já tinha chegado à uma aparência perfeita para aquele dia.
— Só falta colocar o véu. — disse Bella, enquanto Alice observava a si mesma de vários ângulos no espelho de corpo inteiro. — Então, você estará pronta para se tornar a senhora Hale.
— Cullen-Hale. — Alice a fitou através do espelho. — Vou ser uma dessas mulheres com hífen. Tenho orgulho do sobrenome da minha família. Não o outro lado, claro, mas a família que mamãe e Carlisle vêm mantendo até então. Por isso, vou continuar a usá-lo.
Bella se surpreendia em como Alice e Esme escolhiam sempre observar o lado positivo de algo e viver nesse lado. Era um modo de vida saudável, sensato. De certo modo, aceitável.
— Senhora Cullen-Hale, então. — Ela sorriu para Alice e corrigiu algumas dobras na saia volumosa do vestido da noiva.
Uma batida na porta fez ambas franzirem o cenho.
— Quem será? — Alice trocou um olhar com Bella.
A outra moveu os ombros, sem resposta, e caminhou até a porta.
— Sim?
— Bella. — A voz de Edward soou do outro lado da porta. — Sou eu. Posso entrar? Preciso falar com Alice.
Bella arqueou uma sobrancelha, fitando a noiva por sobre o ombro, mas Alice parecia tão surpresa e intrigada quanto ela.
— Diga para ele entrar. — A noiva disse, os olhos curiosos agora, gesticulando com as mãos.
Bella assentiu e abriu a porta. Por um instante, ela esqueceu a curiosidade e se concentrou apenas na magnífica visão de Edward em um smoking escuro como a meia-noite. Como a roupa dele tinha sido enviada para a mansão e ele se trocara ali, Bella ainda não o tinha visto vestido para a cerimônia. Naquele instante, ela via. Todo aquele corpo glorioso e firme em um traje formal impecável. Aqueles braços fortes, o corpo esguio e atlético valorizado pela peça sob medida. As pernas longas e musculosas, e, mais importante, aquelas mãos grandes e mágicas que podiam ser tão suaves quanto podiam ser exigentes. Ela fechou a boca a aberta. Os olhos dele, muito verdes, muito conscientes do efeito que causava, observavam-na com malícia. Ele a cumprimentou com um sorriso enviesado, convencido e satisfeito.
— Posso entrar? — quis saber Edward, após um instante.
Bella respirou fundo.
— É claro. Você… Por favor. — Ela deu um passo para o lado, sinalizando que ele entrasse.
Edward esperou até ela fechar a porta. Então, pegou uma mão de Bella entre as suas e roçou os lábios nos nós dos dedos.
— Você está linda. — Ele disse e, com calor e desejo nos olhos, lançou um olhar lento por todo o corpo de Bella.
Ela sentiu o sangue acumular-se nas bochechas e a respiração começando a falhar.
— Obrigada. — disse Bella.
Edward sorriu para ela, observando os olhos dela, mais claros e amendoados pela maquiagem, refletirem os mesmos desejos que sentia naquele instante. Seria capaz de roubá-la daquela loucura e levá-la para um lugar distante, onde passaria a noite fazendo amor com ela. Ela estava vestida para torturá-lo. Usava um vestido longo, azul escuro, sem mangas e que marcava as curvas suaves que ele tanto adorava. O pescoço livre era um convite às suas mãos, aos seus lábios. Ele queria sentir o gosto dela bem ali, queria sentir a pulsação dela, acelerada e errante, bem naquele ponto onde sabia que faria-a gemer.
Agora consciente do efeito que causava, Bella sorriu para ele, devolvendo a malícia com que ele a fitava.
Edward só resistiu porque a voz da irmã soou no quarto.
— Ainda estou aqui. — replicou Alice, alisando amassados imaginários na saia de seu vestido. — Mas posso sair se vocês precisarem de privacidade.
— É claro que não. — Bella pigarreou e só agora percebeu que Edward carregava uma caixa retangular. — Eu que devo sair. Vou deixá-los a sós.
— Não, Bella. — Edward segurou a mão dela, o calor do contato espalhando-se e, inevitavelmente, fazendo-a estremecer. — Por favor, fique. Acho que Alice vai precisar da sua ajuda.
Ela franziu o cenho, assim como Alice.
Curiosa, a noiva se virou, afastando-se do espelho e aproximando-se do irmão.
— Você vai me matar de curiosidade, Edward. — replicou ela, parando diante dele e lançando um olhar intrigado na direção da caixa.
Ele ergueu o objeto, sinalizando-o.
— Tenho um presente para você.
— É mesmo? — Alice sorriu. — Estou curiosa. Posso ver?
— Calma aí, garota. — replicou Edward, puxando a caixa e mantendo-a longe do alcance da irmã. — Antes de você abrir a caixa, eu queria dizer que estou muito feliz por você. Hoje é a realização de um sonho para você. Um que você lutou para tornar realidade. Por isso, estou feliz, assim como estou orgulhoso de vê-la aqui hoje.
Os olhos de Alice, que tinham acabado de ser retocados, ficaram marejados.
— Eu não posso chorar. — murmurou ela, o tom um misto de emburrado e divertido. — Você não pode me fazer chorar, Edward.
— Não posso controlar suas lágrimas, Alice. Tudo o que tento fazer é me certificar de que elas sejam de felicidade. — Ele sorriu e capturou uma lágrima solitária que desceu pela bochecha da irmã. Ele beijou a testa dela, suavemente, com carinho. — Eu amo você, e estou orgulhoso de você hoje, irmãzinha.
Com uma risada engasgada, Alice o abraçou e fechou os olhos quando os braços do irmão a envolveram.
— Também amo você. Você é o melhor irmão do mundo.
Edward sorriu para ela quando se afastaram.
— Você parece o Anthony falando. — disse ele.
Alice retribuiu o sorriso.
— Anthony é um garotinho de sorte. Ele tem um pai maravilhoso. Sei disso. Em muitos aspectos, ele foi o meu também.
Genuinamente tocado, Edward beijou a testa da irmã mais uma vez.
— Obrigado.
Bella não achava que devia estar ali para presenciar aquele momento. Discretamente, ela tentou deixar o quarto. Mas ela podia viver mil vidas e, ainda assim, não seria capaz de passar despercebida para Edward.
— Bella.
— Sim? — Ela o fitou, a expressão inocente, como se não tivesse sido pega no meio de uma fuga.
— É agora que Alice vai precisar da sua ajuda. — Ele disse e, quando ela assentiu e desistiu de escapar, voltou-se para a irmã. — Isso é para você. Você merece. — disse ele, entregando a caixa à Alice.
Com eficiência e urgência, ela abriu o pacote para encontrar uma nova caixa, dessa vez de veludo vermelho. Curiosa, Alice abriu-a e arfou ao ver o conteúdo.
Bella também suspendeu a respiração, surpresa.
— É a tiara do leilão. — murmurou ela, fitando Edward. — Você foi o comprador anônimo.
Ele assentiu, com um sorriso enviesado nos lábios.
— Culpado.
— Ah, Edward! — exclamou Alice, recuperada, os olhos brilhando. — Isso é maravilhoso. A tiara é linda. Eu amei. Amei. Obrigada. — disse ela, lançando-se para mais um abraço, mas, dessa vez, sem lágrimas.
Edward riu, encontrando o olhar especulativo de Bella por sobre o ombro da irmã. Sabia o que ela devia estar pensando. Mas Alice ainda demandou sua atenção.
— O Jasper sabia? Vocês dois trabalharam nisso juntos, não é?
— Sim. Nós dois sabemos o quanto você gosta de surpresas. Então, fizemos aquele teatro.
— Eu adorei! — exclamou Alice, o sorriso enorme. Então, fitou Bella. — Edward tem razão. Preciso da sua ajuda. Por favor, por favor, me ajude com a tiara.
— Claro. Está mesmo na hora do véu. — Bella providenciou os itens, encaixou-os com cuidado sobre o penteado de Alice. Por fim, espalhou o véu na parte de trás e afastou-se para que a noiva pudesse se olhar no espelho.
O sorriso de Alice se ampliou ao observar a versão final de seu traje.
— Está maravilhoso. — Ela suspirou, observando a tiara brilhante sobre seus cabelos escuros, o modo como ela combinava com seu vestido de princesa. Então, ela se virou para Edward e Bella. — Bem, acho que está na hora do casamento começar.
— Na verdade — Bella se adiantou, erguendo um dedo como se pedisse um minuto. —, já que estamos distribuindo presentes, eu tenho algo para você.
— Você vai me dar um presente? — quis saber Alice. — O que seria? Um par de diamantes para combinar com minha tiara?
Bella sorriu.
— Não exatamente. — Ela foi até a penteadeira, onde havia uma caixa alta com um laço simples. — E o presente não é meu. É uma surpresa do seu noivo.
Alice arqueou uma sobrancelha.
— Estou morrendo de curiosidade aqui. — replicou ela e aproximou-se da penteadeira quando Bella a chamou.
— Pode abrir. Jasper pediu para que eu entregasse isso a você, já que ele sabia que não poderia vê-la antes da cerimônia.
Alice assentiu e concentrou-se no pacote. Ela pescou o cartão que havia ali.
— "Para a minha amada noiva" — Ela leu em voz alta. — "A última peça do quebra-cabeça". Ah, meu Deus. — murmurou Alice, dando-se conta do que aquilo significava. Ela desfez o nó do laço rapidamente e retirou a tampa, abrindo os quatro lados da caixa para revelar uma miniatura encantadora de uma casa de dois andares. Atado a uma chaminé havia uma reluzente chave prateada. — É uma casa!
Edward enfiou as mãos nos bolsos.
— Você é bastante observadora.
— Não, quero dizer, ele comprou uma casa. — Ela olhou de Bella a Edward, depois novamente Bella, que assentiu. — O filho da mãe. Ele me fez pensar esse tempo todo nós ainda íamos procurar um lugar para morar. Ele disse que não tinha tempo, mas… Ele me enganou. — Ela olhou para a miniatura, os olhos brilhando. — E essa é a réplica de uma casa que nós vimos, que eu adorei, mas que Jasper disse ter sido vendida antes de ele ter a chance de fazer uma oferta. Eu fiquei chateada. Foi por isso que decidimos esperar. Ela é tão linda. — Ela contornou a peça com a ponta dos dedos, os olhos admirados, contentes. — Eu adoro surpresas. — disse ao irmão e Bella.
— Bem — Bella disse, sorrindo. —, espero que apenas surpresas boas aconteçam hoje.
N/A: Comentem, por favor!
Ps.: Posso postar na sexta-feira (31-07), mas vou ser honesta: o Capítulo 26 acaba com gosto de "necessito (muito) da continuação" e eu ainda não escrevi essa tal continuação. Desse modo, vocês terão que esperar mais ou menos uma semana (a contar de sexta) para o Capítulo 27. Vocês aguentam? :) Se não aguentarem, tento postar o 26 e 27 na quarta-feira que vem. A decisão é de vocês!
Ps².: Tem prévia do próximo no meu facebook! Link no perfil. :)
