N/A: Oi, lindas! Queria agradecer os comentários., que foram maravilhosos, como sempre. :)

Boa leitura!


CAPÍTULO VINTE E SEIS

Em termos de execução, o casamento Cullen-Hale estava sendo perfeito. A troca de votos havia acontecido ao pôr do sol, como a noiva desejara, naquele momento do verão quando o céu fundia-se numa profusão de cores quentes. Apesar de estarem em julho, as sombras do fim de tarde proporcionaram um clima ameno, sem o calor sufocante dessa época do ano para atrapalhar o momento mágico.

Depois que Alice e Jasper prometeram amor e respeito eterno, foi a vez da festa. O encanto da decoração abrangia todo o espaço externo, de modo que a festa, assim como a cerimônia havia sido, era um passeio por um jardim encantado, cheio de mágica nos itens decorativos, as luzinhas e flores espalhadas pelas mesas e pérgulas, assim como pela comida e o belo bolo e os doces maravilhosos que Angela criara para aquela ocasião.

Com olhos de águia e uma preocupação quase maternal, Bella, "livre" após a cerimônia, transitava por todos os lados do jardim. Por um instante, ela considerou trocar o vestido de festa e usar seu terninho de trabalho. Mas desistiu da ideia quando percebeu que, apesar das roupas de convidada que usava, ela já tinha reputação suficiente para ser reconhecida como a responsável por aquele evento. Ela era abordada a todo instante para receber cumprimentos por seu trabalho e, porque não era modesta nem hipócrita, permitia-se sentir orgulho de si mesma a cada elogio que recebia. Uma pessoa podia trabalhar por prazer, porque gostava do que fazia, como ela trabalhava, mas isso não mudava o fato de que elogios eram bem-vindos e apreciados.

Mas, como nem tudo eram flores, além de transitar pela festa colecionando elogios, ela também tinha que lidar com inúmeros imprevistos ou problemas que surgiam ao longo do caminho. Até o momento, ela já tivera que lidar com um convidado alegre demais que quase botara fogo numa das pérgulas. O imbecil resolvera acender um cigarro perto demais da estrutura de madeira e quase fora queimado no processo. Mas, felizmente para o imbecil e para ela, as coisas haviam sido resolvidas sem a necessidade de acionarem os bombeiros.

Outro imprevisto ocorreu na entrada. Os seguranças haviam-na chamado para tratar de um casal que tentava entrar na festa usando um convite falso. Além de outros pequenos incidentes, como toalhas ou vestidos molhados, taças quebradas e uma convidada bêbada e desolada que chorara em seu ombro sobre o rompimento do noivado.

Mais que acostumada a esse tipo de acontecimento, Bella lidou com eles com a eficiência e profissionalismo que havia aprendido com Carmen, e que também vinha aprendendo na prática, ao longo dos eventos em que trabalhava.

O resultado ela podia ver nas pessoas se divertindo tranquilamente e na expressão feliz e satisfeita dos noivos.

Em algum momento durante a festa, Bella teve algum tempo para passar na mesa dos Cullen e juntar-se a eles por alguns instantes. Como organizadora, ela sempre fazia isso mesmo. Gostava de se certificar de que seus clientes estivessem satisfeitos. Geralmente, nesses momentos, ela conversava com os pais da noiva ou do noivo, ou alguém da família que tivesse participando dos preparativos da festa. O fato de que os pais daquela noiva em especial eram também os pais do seu namorado era uma feliz coincidência. E uma que ela não ignoraria, nem amenizaria. Às vezes, bastava simplesmente aceitar a boa sorte.

De pé mesmo, com uma mão apoiada no encosto da cadeira de Anthony, ela conversava com Esme sobre a festa e como estava indo tudo até o momento. Ao seu lado, com uma mão no bolso e a outra segurando uma taça de vinho, Edward alternava entre enlouquecê-la silenciosamente com meios sorrisos sedutores e conversar com Carlisle. Rosalie e Emmett, assim como Lilian, estavam sentados à mesa, conversando entre si. Alice a Jasper dançavam na pista pelo que parecia a milésima vez.

Anthony apenas ouvia as conversas dos adultos, em silêncio, pois estava concentrado demais no prato de doces que tinha recebido permissão para comer. Naquela noite, ele havia decidido que adorava casamentos. Todo mundo estava tão feliz, tão distraído, que ninguém o recriminava por comer tantos doces. Embora o pai já tivesse lhe dito, mais de uma vez, que ele devia ir devagar senão ficaria com dor de barriga, Anthony sabia que o tom não fora de reprimenda. Era só um daqueles avisos que as crianças podiam ignorar. E ignoravam.

Anthony não ligava se tivesse dor de barriga. Afinal, os doces eram muito bons.

Depois de terminar seu prato, o menino decidiu que queria experimentar os cupcakes que vira mais cedo, quando a festa da tia Alice ainda não havia começado. Ele olhou ao redor, à procura do bolinho, e avistou-os numa mesa próxima. Satisfeito, ele se voltou para os adultos e, como Bella estava mais próxima, tocou o braço que ela mantinha sobre o encosto de sua cadeira e perguntou:

— Mãe, posso comer um cupcake?

— Claro, Anthony. Vamos lá buscar. — Bella o fitou e o sorriso que intencionava esboçar transformou-se numa expressão surpresa.

Anthony a tinha chamado de mãe.

E ela tinha atendido ao chamado.

Embora estivesse distraída em sua conversa com Esme, Bella sabia que o menino estava falando com ela. Responder Anthony tinha sido espontâneo e natural, como se estivesse habituada a ouvi-lo chamá-la de mãe o tempo todo.

Ela olhou ao redor, encontrou os olhos de Edward.

Ele a fitava, a princípio com cautela, mas, quando ela abriu um sorriso para ele, o olhar tornou-se aliviado. Edward retribuiu o sorriso, orgulhoso, e ergueu sua taça num brinde silencioso.

Bella correspondeu o gesto e, depois, dirigiu-se ao menino.

— Vamos, Anthony. — Ela estendeu a mão na direção dele. — Vamos buscar os cupcakes.

Com um enorme sorriso de satisfação no rosto, Anthony pulou da cadeira e deslizou a mão na de Bella.

Estava indo buscar cupcakes com sua mãe.

— ~ —

Pelo resto da noite, Anthony arriscou chamar Bella de mãe mais vezes. Sua confiança cresceu a cada vez que fazia isso e ela respondia, sem nunca desmenti-lo ou tentar dizer que ele não podia chamá-la assim. Suas inúmeras tentativas bem sucedidas foram tão positivas que, após algum tempo, Anthony parou de temer que seu desejo de aniversário não se realizaria.

Agora, pensava, faltava apenas o pai se casar com Bella. Então, eles seriam uma família e Anthony teria um pai e uma mãe, que ele amava e que o amavam, como sempre desejara.

Ele sabia que Edward e Bella estavam prestes a se casar, como a tia Alice e o tio Jasper estavam fazendo naquela noite. Ouvira a avó e o avô conversando sobre isso. Então, não havia nada mais que poderia desejar naquele momento.

Decidido a chamar Bella mais vezes por sua nova nomenclatura, Anthony pediu ao pai que o levasse até ela.

— Eu não posso ir com você, amigão. — Edward explicou ao filho. — Mas Mike vai acompanhá-lo. — Ele trocou um olhar com o segurança, que se aproximou, tendo ouvido a menção a seu nome e à sua tarefa. Edward se voltou novamente para o filho. — Vá com Mike. Encontro você e Bella num minuto, está bem?

Anthony assentiu e seguiu caminho entre as pessoas no gramado.

Edward observou o filho se afastar, mesmo atento à conversa que estava tendo com Emmett. De onde estava, ainda podia observar Anthony enquanto ele caminhava até Bella, que estava próxima a área do altar, rodeada do que — ele imaginava — deviam ser possíveis clientes.

Ele bebeu um gole de vinho e ouviu Emmett, tentando manter o filho e Bella em sua visão periférica.

Algo lhe dizia que, naquela noite, devia ficar de olho nos dois.

— ~ —

Com Mike o acompanhando, Anthony tentou correr em direção ao local onde Bella estava. Mas seu caminho foi bloqueado quando uma mulher alta surgiu à sua frente.

— Oh, calma aí, garotinho. — A mulher deu uma risadinha, segurando o ombro de Anthony para evitar que ele caísse.

O menino a fitou rapidamente e disse:

— Desculpe. — Ele queria desviar da mulher, mas ela não soltou seu ombro e ainda abaixou-se de modo a fitá-lo.

— Está tudo bem, querido. — disse ela, esboçando um sorriso compreensivo.

Anthony sentiu uma coisa engraçada na barriga, quando encontrou os olhos da mulher. Não sabia o que era, e não tinha muita certeza se era algo bom. Os olhos dela, que o fitavam naquele momento, pareciam um pouco assustadores às suas impressões infantis. Ele não tinha idade e experiência o suficiente para reconhecer frieza e cinismo por trás da aparente gentileza no olhar da mulher. Embora, porém, Anthony pudesse sentir na pele o efeito disso.

Ele deu um passo para trás.

— Licença, moça. — disse o menino, tentando se esquivar da mulher. Mas ela não se moveu.

No lugar disso, ela deu mais uma risada — que estava longe de ser uma risada legal, que ele já ouvira outros adultos, como o pai e Bella, darem perto dele — e segurou-o novamente pelo ombro, mudando-o de posição, o que fez com que ambos saíssem do campo de visão de Edward.

— Onde você está indo com tanta pressa, posso saber? — A mulher perguntou em tom de conversa.

— Eu tenho que falar com a minha mãe. — replicou Anthony, sinalizando com a mão.

A mulher semicerrou os olhos e lançou um olhar aborrecido por sobre o ombro, na direção que o menino apontara.

Mas Bella não estava mais lá.

— Não tem ninguém ali, querido. Você está perdido?

— Não. — Anthony resistiu a vontade de cruzar os braços e fazer bico. Estava começando a ficar aborrecido com aquela mulher. — Minha mãe está por ali. Eu tenho que falar com ela.

— Talvez eu possa ajudá-lo a encontrar sua mãe.

O menino mordeu o lábio, inseguro.

— Não devo aceitar ajuda de estranhos. E eu tenho o Mike. — O menino lembrou, sinalizando o segurança que estava alguns passos atrás, apenas observava a cena.

A mulher lançou um breve olhar na direção de Mike, arqueou uma sobrancelha, então desviou os olhos num gesto de dispensa.

— Posso ajudar você de qualquer modo. — disse ela e segurou o menino pelo braço.

Instintivamente, Anthony tentou se desvencilhar.

— Não quero ir. Não sei quem você é. — replicou ele, que estava muito mais bem instruído desde a última vez que se perdera num casamento. Além disso, nem de longe sentia empatia por aquela mulher de olhos azuis frios, como acontecera entre ele e Bella, apesar de que as circunstâncias antes e agora eram parecidas.

A mulher esboçou um sorriso.

— Só quero ajudá-lo, lindinho.

— Não quero sua ajuda. Você é uma estranha.

Os olhos da mulher tornaram-se impacientes.

— Você não sabe o que está falando, garoto.

Dessa vez, Anthony cruzou os braços e franziu o cenho numa expressão aborrecida. Aquela mulher devia ser a madrasta de alguém, pensou. Ela era má como uma.

Percebendo que estava perdendo, a mulher tentou amenizar a expressão. Ela se abaixou novamente de modo a poder fitar o menino.

— Quer saber quem eu sou, lindinho?

Ele não respondeu logo. Por um instante, cogitou a hipótese de dar uma resposta malcriada. Mas, então, imaginando que, talvez, se aceitasse ela o deixaria ir, ele perguntou:

— Quem é você?

— Miranda. — O nome foi dito num tom de voz ríspido e gelado.

A mulher e o menino fitaram a pessoa que se aproximava.

Com um sorriso cínico e superior, Miranda endireitou a postura e devolveu o olhar gelado da outra pessoa.

— Isabella.

— O que você está fazendo aqui? — Bella ignorou o sarcasmo no tom da outra e foi direto ao ponto. Não apenas estava furiosa por ver Miranda abordando Anthony, como odiava o fato de que houvera uma falha na segurança do seu evento mais importante. — Você não foi convidada.

Miranda arqueou uma sobrancelha.

— Nunca teria desejado ser convidada para essa festa.

— Então por que está aqui? — quis saber Bella e, quando Miranda lançou um olhar na direção do menino que as observava, ela cerrou as mãos em punhos. — Você veio vê-lo?

— Era minha única chance.

Bella semicerrou os olhos.

— Não acredito em você. — replicou ela. — E, se estiver falando a verdade, então você é tão ruim nisso quanto imaginei. Esse certamente não é o momento, nem o lugar de abordá-lo.

Os olhos de Miranda escureceram.

Eu decido isso. — Ela deu um passo à frente, na direção de Bella. — Ele é meu…

— Não continue. — replicou Bella, interrompendo-a com um gesto de mãos. — Você não pode simplesmente cair de para quedas na vida dele. Se quer mesmo conhecê-lo, deve fazer isso aos poucos. Ele é só uma criança. — replicou Bella e, demonstrando indiferença diante do olhar furioso da outra, dirigiu-se ao menino. — Anthony, vamos. — Ela estendeu a mão e piscou para o menino quando, prontamente, Anthony foi para seu lado e deslizou a mão na dela. Ela fitou Miranda. — Tenha uma boa noite. Mike, escolte a senhorita Russo até a saída, por favor.

O segurança assentiu.

Bella preparou-se para se afastar, com Anthony ao seu lado, mas Miranda a chamou:

— Quem você pensa que é para decidir o que é melhor para Anthony?

Bella a encarou. A resposta veio fácil, como se sempre a tivesse consigo.

— Eu sou a mãe dele, Miranda. — replicou Bella. — Aquela que importa. É por isso que decido.

— O que está acontecendo aqui? — Edward exigiu saber e, mesmo sem alterar a voz, havia ameaça pura e simples em seu tom.

Bella observou um lampejo de alarme surgir por trás da arrogância de Miranda. Mas a outra manteve os ombros erguidos e fitou Edward com uma expressão de desafio.

— Edward.

— O que você está fazendo aqui? — Ele quis saber, ignorando o tom gelado com que ela pronunciara seu nome.

Como fizera com Bella, ela lançou um olhar na direção do filho.

Sem entender nada, Anthony apertou a mão de Bella, assustado por ter os olhos dos adultos voltados para ele.

Ciente disso, Bella fitou Edward.

— É melhor ele ficar longe disso. — disse ela, mas, embora soubesse que era melhor, não queria deixar Edward enfrentando Miranda. Ela avistou Cyrus um pouco mais atrás e suspirou, aliviada. — Cyrus, leve Anthony até Esme, sim?

O motorista assentiu.

— É claro, senhorita.

Miranda riu.

— Ela dá ordens aos seus seguranças? — disse a Edward, com um desdém fraco, pois a expressão dele era desencorajadora. — Você amoleceu mesmo, não é?

— Eu não amoleci. Só melhorei o meu gosto. — replicou Edward, com frieza. Depois, voltou-se para o filho. — Anthony, faça como a Bella disse e vá com Cyrus. Nós estaremos com você em um minuto.

Ansioso por sair dali, o menino assentiu sem discutir e juntou-se ao motorista para seguirem até o lugar onde a avó estava.

Bella esperou até eles estarem longe o suficiente. Então, tocou o braço de Edward para chamar sua atenção.

— É melhor resolver isso num lugar mais vazio. Não vou deixar essa mulher estragar meu trabalho. — murmurou ela, mas pronunciou a última frase alto o suficiente para que Miranda ouvisse.

Edward assentiu. Lançou um olhar na direção de Miranda.

— Vamos entrar. Nós temos que conversar. — Ele disse e, sem esperar uma resposta, liderou o caminho para dentro da mansão. Intrigado, observou Miranda segui-los sem discutir ou soltar uma frase arrogante. Seus sentidos ficaram em alerta. Desde o início da noite, sentia-se incomodado, como se pressentisse que algo estava para acontecer.

Talvez isso tivesse a ver com a presença indesejada de Miranda. E, agora, pensou Edward, com a facilidade com que ela aceitara conversar com ele. Não tinha dúvidas de que aquela mulher tinha um plano. Agora, precisava descobri-lo.

Bella também achava que Miranda tinha um plano e, sentindo uma insegurança que acabara de nascer dentro dela, não parava de pensar que isso envolvia Anthony. Miranda dissera que estava ali para vê-lo. Se ela aceitara falar com Edward, provavelmente, era para negociar um modo de fazer parte da vida do menino. Bella dizia a si mesma que não devia ficar tão incomodada se essa fosse a vontade da outra. Com decisões erradas ou não, Miranda continuava sendo mãe de Anthony.

Mas o problema era que Bella não conseguia confiar naquela mulher. Ela parecera genuína quando dissera que tinha vindo para ver Anthony. Mas, mesmo com toda a autenticidade, algo em Bella ainda estava em dúvida. E ela não conseguia dizer se era um pressentimento genuíno ou uma manifestação egoísta de sua parte, nascida da própria insegurança.

Eles seguiram para a sala de estar, onde o barulho da festa os alcançava, mas não os olhos curiosos dos convidados.

Edward fitou Miranda.

— O que você quer? — Ele decidiu ir direto ao ponto. — Mais dinheiro? Diga o seu preço, eu pago.

— Edward. — replicou Bella e recebeu um olhar gelado por sua interferência. Ela ergueu o queixo e devolveu o olhar. — Ela queria ver o Anthony.

Miranda esboçou um sorriso enviesado quando Edward a fitou, furioso.

— Você está tentando enganá-la.

— Eu quero o meu filho, Edward. Tenho direitos...

— Você assinou um contrato.

— Nenhum juiz no mundo vai aceitar aquela bobagem. Eu sou a mãe biológica de Anthony e tenho o direito de conviver com ele.

— Você quer conviver com o dinheiro que ele pode render. — replicou Edward.

Miranda fitou Bella.

— Ele sempre pensou que eu era uma interesseira. Sempre esperou o pior de mim. Ele nunca me deu uma chance.

Bella arqueou uma sobrancelha, sem esboçar reação diante do tom de súplica da outra.

— Você quer uma chance?

Um pouco surpresa com a pergunta, Miranda assentiu. Não imaginava que seria tão fácil.

— Quero, sim. — disse ela, os olhos brilhando, um sorriso começando a surgir em seus lábios.

Edward observou, chocado, quando Bella assentiu.

— Bella...

Ela ergueu uma mão, pedindo que ele esperasse, e fitou Miranda.

— Por que você quer uma chance, Miranda?

— Porque, bem, eu quero ser a mãe dele. De Anthony. — Ela acrescentou. — Ele me parece um menino adorável.

— Ele é. — replicou Bella. — Por que você demorou tanto tempo para desejar ser a mãe de Anthony?

— Bem, como eu já disse, não consegui convencer Edward do meu amor, então...

— Você amava Edward? — Bella arqueou uma sobrancelha.

Miranda sorriu.

— Não fique com ciúmes. Isso faz parte do passado.

— Eu não sinto ciúmes de você. Tenho bastante consciência do meu próprio valor no que diz respeito a Edward. — replicou Bella, observando o lampejo de raiva nos olhos da outra. Aí está, pensou. — Se você amava Edward, talvez por isso Anthony seja tão adorável quanto todos nós o consideramos.

— Ah, bem. — Ela moveu os ombros, tentando uma expressão humilde. — Com certeza, houve sentimento envolvido.

Sim, pensou Bella. Mas qual? Amor ou ganância?

— Qual a sua memória mais forte de Anthony, Miranda? — quis saber Bella, cruzando os braços, observando-a a espera da resposta. — Qual a memória que a fez suportar todo esse tempo longe do seu filho?

Surpresa agora, Miranda levou algum tempo pensando na resposta.

— Bem — disse, com um sorriso. — Eu convivi pouco tempo com ele. Precisei ir embora dois dias após o nascimento.

— Você passou nove meses com o seu filho, Miranda. — Bella a lembrou. — Isso não é pouco tempo.

— Certo, claro. — Ela assentiu. — Os nove meses. Eles foram... — Terríveis. — mágicos.

Edward bufou.

— Mágicos? — inquiriu. — Os dois primeiros você passou me chantageando, ameaçando fazer um aborto.

— Eu era jovem. Não sabia direito o que estava fazendo. — replicou ela, sem ter a confiança abalada. Ela tinha a atenção de Bella. Isso bastava. — Mas, hoje, eu me sinto aliviada por não ter feito uma coisa tão terrível como essa.

— Claro. E quanto àquela lembrança? — quis saber Bella, retomando o assunto anterior. — O que a manteve ligada ao seu filho esse tempo todo?

Miranda sorriu.

— Ele chutava. Tanto. Era... — Irritante. Não a deixava dormir à noite. — tão intenso. Eu colocava minha mão e ele chutava ainda mais. — O pestinha teimoso, pensou, mas acrescentou com doçura. — Meu Anthony.

— Eu não aguento mais isso. — Edward disse à Bella, furioso. — Ela está mentindo!

— Por que você diz isso? — replicou Bella e se sentiu péssima quando ele a fitou, a expressão traída. Mesmo assim, continuou: — Ela me parece uma mãe querendo uma segunda chance.

Edward se sentia frustrado e traído demais para perceber algo além da própria fúria.

— Eu não vou dar chance alguma a essa mulher. Ela forjou a própria morte para se livrar do filho!

— Não, eu não fiz isso. — Miranda deu um passo à frente, os olhos em Bella. Sempre em Bella. — Eu precisava de tempo. Precisava encontrar um modo de enfrentar Edward. Não, enfrentar não. Apenas me aproximar, sem ser rechaçada novamente.

Bella assentiu, satisfeita. Tinha chegado aonde queria.

— Um esquema curioso. — observou ela, cruzando os braços. — Você tomou uma atitude bastante extrema. Mas, então, acho que mães são capazes de fazer isso pelos filhos, não é mesmo?

— Com certeza. — Miranda assentiu, veementemente. — Nós somos capazes de muitas coisas para nos reaproximarmos dos nossos filhos.

Pela primeira vez, Bella sorriu, retribuindo o curvar de lábios da outra.

Os olhos de Miranda brilharam, triunfantes.

Os de Edward também, mas em reconhecimento. Entendia agora o que Bella estava fazendo.

Era um teste. Ela estava conduzindo Miranda por um testa e levando-a a um impasse.

Mesmo ciente da situação, ele não mudou sua posição. Imaginava que, se interpretasse o papel de pai inflexível, isso ajudaria o plano de Bella.

— Você não quer se aproximar do Anthony, Miranda. Você quer o meu dinheiro.

— Edward. — disse ela, com humildade. — Espero que, logo, eu consiga convencê-lo das minhas boas intenções, tanto quanto consegui convencer Isabella.

— Você não convenceu. — replicou Bella e, diante da expressão alarmada de Miranda, esboçou um sorriso para tranquilizá-la. — Ainda.

Miranda suspirou, aliviada.

— Sou capaz de qualquer coisa para convencê-la.

O sorriso de Bella ampliou-se.

— Estou feliz por ouvir isso. — disse ela. — Porque, na verdade, tem algo muito simples que você pode fazer para convencer a mim e convencer Edward das suas boas intenções.

— É claro. O que é?

Antes de responder, Bella lançou um olhar na direção de Edward. Ele lhe devolveu com um sorriso.

Então, ela atacou.

— Você vai nos contar tudo o que sabe sobre o Russo, Miranda. É assim que vai nos convencer do seu amor.

A expressão triunfante de Miranda deu lugar a confusão, então, ela crispou os lábios, furiosa.

— Você esteve brincando comigo. Você me enganou.

— Sim, eu enganei. — replicou Bella. — Mas, devo admitir, eu pensei que você fosse mais esperta que isso. Imaginei que logo você perceberia minhas intenções. Mas você estava tão concentrada em me enganar, que acabou cega ao que se passava ao seu redor.

— Eu não estava cega. Só pensei que podia confiar em você. Eu me abri com você sobre o meu filho.

— E fez isso espetacularmente. Você sabia que demonstra desprezo cada vez que fala de Anthony? Está tudo aí, seus sentimentos, estampado nos seus olhos. Edward está certo. Você não quer o seu filho. Mas também não estou convencida de que está atrás de dinheiro. Você quer destruir Edward. É disso que está realmente atrás.

Miranda a fitou, furiosa.

— Ah, você não poderia estar mais certa. Vou destruir Edward. E você também, sua vadia.

— Chega, Miranda. Seu teatro já foi longe demais. Não vou permitir que nos ofenda na nossa casa. — disse Edward, dando um passo à frente quando Bella o fez. — Você já tomou demais o nosso tempo.

Ela fitou Edward.

— Você não vai sair dessa, Edward. Russo vai destruí-lo. Tudo o que você construiu aqui. A família perfeita que você acha que tem. Você vai ver tudo isso desmoronar.

Edward recebeu as palavras dela com impassibilidade.

— Isso é o que veremos. — disse e, caminhando até as portas da sala de estar, abriu-as para revelar dois de seus seguranças, que haviam permanecido do lado de fora. — Levem Miranda daqui. Mantenham-na sob vigilância, numa de nossas casas de apoio. — disse ele.

Bella observou os dois homens, Jared e Mike, lembrou-se dos nomes deles, entrarem na sala e postarem-se ambos em cada lado de Miranda.

Ela ainda tentou mais algumas ameaças, mas, ciente da própria derrota, deixou a sala acompanhada dos seguranças.

Quando eles deixaram a sala, Edward virou-se para Bella.

Ela, apesar de que desprezava aquela mulher, quis saber:

— O que você vai fazer com Miranda?

Bastante ciente do que estava se passando pela cabeça de Bella, Edward aproximou-se, afagando os braços dela e fitando-a.

— Nada que você não aprovaria. — garantiu. — Eu a odeio, mas ela me deu Anthony.

— Você vai mantê-la presa.

— Sim. Vou deixá-la pensar um pouco. Ela é ardilosa e, com sorte, vai se voltar contra Russo, daqui algumas horas, para livrar a própria pele.

— Você já fez isso antes?

— Já. E deu certo. — acrescentou ele. — Eu conheço meu trabalho.

— Mas e se ela não cooperar?

— Então Russo não terá mais sua aliada. — replicou Edward.

Cyrus entrou na sala.

— Senhor, Anthony está seguro, com os avós, Emmett e Rosalie. Cada movimento dele está sendo monitorado.

— Ótimo. — Edward assentiu. — Você fez uma busca pela propriedade?

— Sim, senhor. Não encontramos nada.

Bella franziu o cenho, confusa.

Diante da expressão dela, Edward explicou:

— Pensei que a presença indesejada de Miranda pudesse ser uma maneira de nos distrair.

— Distrair? Quer dizer... — Ela engoliu em seco, entendendo, e assentiu. — Nos distrair para que Russo entrasse aqui.

— Sim.

— Mas ele não entrou. — Garantiu Cyrus. — O lugar é vasto, mas meu pessoal está presente em todas as áreas.

Bella assentiu. Teria que confiar em Cyrus. Mas, se Edward confiava, então ela o faria.

Edward a fitou.

— Você está ausente da festa por um longo tempo. Imagino que estejam sentindo sua falta.

— Sim, claro. — murmurou Bella. Por algum tempo, esquecera-se até mesmo da festa e das próprias responsabilidades. — Preciso verificar se nenhum convidado bêbado colocou fogo na pérgula.

— Paul vai acompanhá-la. — Edward sinalizou um segurança que estava na porta.

Bella assentiu. Os seguranças de Edward pareciam gnomos que brotavam a todo o instante, quase que como mágica. Ela fitou Edward mais uma vez.

— Quem vai acompanhar você?

— Cyrus. — Edward respondeu. — Eu tenho que falar com ele, na verdade. Sobre problemas de segurança. Acho que temos mais delatores dentro da Família. — acrescentou, antes que ela o fitasse exigindo maiores explicações. Não estava habituado a se justificar, mas aprenderia com o tempo.

Bella assentiu.

— Está bem. Vejo você depois. — disse e, após um breve beijo nos lábios dele, preparou-se para deixar a sala.

— Bella. — Edward a chamou, segurando-a pelo braço.

Ela se virou para fitá-lo e esboçou um sorriso simples.

— Sim?

— Você fez um ótimo trabalho lidando com Miranda.

Ela piscou e se aproximou dele novamente, segurando o rosto dele entre as mãos.

— Eu jamais permitiria que aquela mulher magoasse o meu filho. Se Miranda estivesse sendo sincera, ela teria espaço na vida de Anthony. Mas você tem razão, ela não está interessada nele.

— Você é a mãe do Anthony. — replicou Edward, roçando os lábios aos dela. — É você que ele reconhece como mãe.

Ela sorriu. Era verdade. Ela o beijou mais uma vez.

— Preciso ir.

Edward a fitou e, por um segundo, parecia que iria dizer mais alguma coisa. Mas, então, mudou de ideia e disse apenas.

— Encontro você mais tarde.

— ~ —

O incidente com Miranda, apesar de, inicialmente ter acontecido nos arredores da mansão e próximo à festa, não causou nenhuma comoção. Bella voltou ao seu trabalho, enquanto Edward ficou encarregado de distrair Anthony e mantê-lo por perto pelo resto da noite.

Ela foi até a cozinha, verificar as coisas com o bufê e com Angela. Enquanto estava lá, parou para ter uma conversa com a melhor amiga enquanto a ajudava a organizar os doces que seriam distribuídos como lembrança do casamento. No plano original, as lembranças não incluíam doces, mas, depois de provar os que Angela fazia, Alice decidira incorporá-los nos kits que distribuiria aos convidados.

— Com licença, senhorita Swan.

Bella se virou e deu de cara com Mike, o segurança de Edward que estivera fazendo a guarda de Anthony e que, após permitir que o menino fosse abordado por Miranda, tinha sido duramente repreendido por Edward.

Ela o observou. Ele parecia um pouco tenso agora. Certamente, temia perder o emprego. Embora ela não tivesse gostado nada de ver Anthony com Miranda, Bella resolveu deixar isso para trás.

— Sim, Mike? — disse ela, o tom gentil.

— O senhor Cullen pediu que eu a acompanhasse até a biblioteca. Ele quer falar com a senhorita.

— Agora? — Bella olhou ao redor, para o trabalho que, embora pudesse ser feito sem ela, devia supervisionar. Ela encontrou o olhar de Angela.

A amiga sinalizou o segurança com um gesto de cabeça.

— Vá com ele. Eu cuido das coisas até você voltar.

Bella tocou o braço da amiga.

— Obrigada, Angie. Não faça ninguém chorar.

— Não posso prometer isso. — murmurou Angela, com um sorriso travesso.

Bella riu e, em seguida, deixou a cozinha com Mike ao seu lado, acompanhando-a até a biblioteca.

Estava intrigada. Fazia pouco mais de vinte minutos que o deixara conversando com Cyrus. Ela imaginava que demoraria até se falarem de novo. Gostaria de saber o que ocorrera nesse pouco tempo para fazê-lo chamá-la.

Podia ser algo ruim, ou algo bom, decidiu.

Mas, o que quer que fosse, imaginou Bella, devia ser importante.

Talvez ele tivesse algo mais a dizer sobre Miranda e a invasão dela à festa de casamento. Bella queria muito entender como aquela mulher conseguira passar por seu pessoal, mais os seguranças de Edward, na entrada da propriedade.

Edward tinha lhe dito que esse feito de Miranda podia significar que haviam mais delatores na Família Cullen — ele já tinha lhe dito, naquela manhã, antes de sair, que Aro Volturi era um delator e estivera trabalhando com Miranda e o tal Russo. Agora, havia mais alguém entre eles que poderia estar fazendo o papel de duas caras.

Bella tentou pensar em alguém, mas todos pareciam de confiança aos seus olhos "inocentes". Ela lançou um olhar de esguelha na direção de Mike, mas descartou qualquer desconfiança. Ele parecia jovem demais, fiel demais para ser um traidor.

Claro, pensou ela, não era como se um delator tivesse uma aparência específica, mas Bella imaginava que essa pessoa, se é que ela estava por ali, devia ser mais velha e experiente.

Ela pensou em Cyrus. Mas isso a fez se sentir mal. Não, disse a si mesma, Cyrus não era um traidor. Simplesmente não podia ser. Ele tinha passado por muitas coisas junto com os Cullen, inclusive com ela. E tinha estado esse tempo todo com Bella, assegurando a segurança dela.

Edward confiava em Cyrus. Ele até mesmo respeitava o motorista, respeitava a experiência e confiava na opinião do motorista, com uma solenidade ela o vira dispensar a poucas pessoas.

Meneando a cabeça, Bella se recusou a ver o motorista como um traidor. Mas uma vozinha no fundo de sua mente dizia que a desconfiança fazia sentido.

Ela espantou o pensamento.

A essa altura, Bella e Mike já tinham atravessado a mansão e estavam agora diante da biblioteca. A área da festa ficava do outro lado da propriedade, de modo que o barulho da música e das vozes no jardim quase não chegava àquela parte da mansão. Por ali, quase não se ouvia som algum.

Mike parou ao lado da porta, as mãos unidas diante do corpo.

— O senhor Cullen a está esperando aí dentro. — informou o segurança.

— Obrigada, Mike. — Bella abriu a porta, entrou na biblioteca para encontrá-la entregue às sombras, iluminada apenas pelas luzes do jardim lá fora e dois abajures diante da lareira. Ela franziu o cenho e, a princípio, não viu ninguém.

Ela deu mais um passo para dentro do cômodo e, quando os olhos acostumaram-se à escuridão, avistou uma silhueta de costas para onde ela estava, parada diante da lareira.

Bella semicerrou os olhos.

— Edward?

— Não, Isabella.

Um calafrio espalhou-se pelo corpo de Bella. Ela sentiu cada músculo do corpo enrijecer, paralizando-a de medo.

Embora a voz estivesse levemente diferente, ela foi capaz de reconhecê-la.

— Russo. — sussurrou Bella, dando um passo para trás, dominada por um misto de pânico e fúria.

A silhueta virou-se e se aproximou, saindo das sombras.

— É como me chamam agora. — disse ele, agora iluminado pelas luzes e o luar que vinha de fora. — Mas a verdade é que eu não sou apenas Russo.

Bella o observou. Embora nunca o tivesse visto e só ouvira falar dele, as semelhanças eram inegáveis.

— Você é Edward Primeiro.


N/A: Estou num daqueles dias que não gostaria de vê-las quietinhas. Comentem, sim?

Ps.: Próximo post será na sexta-feira (07-08). Preciso desse tempo, pois meus planos são terminar de escrever a fic.

Ps².: Quase 500 comentários no FFNet e 500 no Nyah!. Uau, obrigada! I'm dancing here. *-*