N/A: Muito obrigada pelos comentários! Eu adoro recebê-los e me sinto muito grata a vocês por eles. Sério mesmo. :)

Boa leitura!


CAPÍTULO VINTE E SETE

Edward estava à mesa, com Anthony, tentando convencer o filho de que ele devia beber um pouco de água. Pelas suas contas, Anthony já devia estar no terceiro prato de doces e quinto cupcake. Não compreendia como o garoto conseguia colocar tantos doces para dentro, mas, se isso fosse um esporte olímpico, Anthony certamente seria o orgulho da família.

Por isso ele tentava fazer com que o filho bebesse água. Para amenizar, ao menos um pouco, aquela quantidade absurda de doces que o menino estava comendo e que ninguém, nem mesmo ele, tivera coragem de detê-lo.

Edward observou Anthony dar uma mordida num cupcake de chocolate, os cantos dos lábios lambuzando-se no processo. Podia dizer que, apesar de estar se empanturrando, o filho já demonstrava sinais de cansaço. Não faltava muito para o menino reclamar de sono.

Será que assim ele pararia de comer doces?, perguntou-se Edward, mas o pensamento era mais de divertimento que de preocupação.

Ele desviou os olhos do filho e observou a mãe se aproximar da mesa. Ótimo, pensou Edward. Estivera esperando por ela.

Como a festa estava se encaminhando para o final, havia algo que Edward planejava fazer e precisava da ajuda da mãe para isso.

Ele se levantou quando Esme parou à sua mesa.

— Mãe, você pode ficar de olho em Anthony para mim?

Esme o fitou e sorriu, o gesto radiante ao encontrar a expressão determinada nos olhos do filho.

— É claro, querido. Você vai procurar Bella agora? — Ela quis saber, empolgada como uma garotinha ansiosa para receber seu presente de aniversário.

Edward assentiu em confirmação.

— Sim, vou. Está quase no fim da festa. Acho que é um bom momento.

— É um ótimo momento. Essa noite também é dela. — Esme surpreendeu o filho atirando-se nos braços dele e abraçando-o com força.

— Mãe. — murmurou Edward, dividido entre surpresa, constrangimento e divertimento. — Mãe, isso não é...

— Shh. Estou feliz. Deixe-me ficar feliz.

— Que tal esperarmos e vermos se Bella vai concordar?

— Ah, ela vai. — replicou Esme, afastando-se para fitar o filho com os olhos verdes e determinados. — Ela seria louca se não aceitasse.

— Ela é algo mais sério que louca. Ela é teimosa.

— Mas não é estúpida. — replicou Esme. — Você pegou o que precisava?

Edward deu um tapinha no peito do smoking, cujo bolso interno continha o objeto sobre o qual a mãe estava falando.

— Está comigo. Obrigado por cedê-lo.

— Eu só fiz isso porque a mulher que vai usá-lo merece.

— Vamos esperar que ela aceite usá-lo.

Esme lançou mais um olhar na direção do filho. Então, riu.

— Você está nervoso, querido. Nunca o vi inseguro antes.

— Eu só… Ela é teimosa.

— Bem. Então por que não vai procurá-la e confirma se ela é mesmo teimosa ou simplesmente ponderada, inteligente e justa como eu acho que é?

— Excelente ideia. — Edward assentiu, respirando fundo e fechando o último botão de seu terno, como um soldado arrumando seu uniforme para partir para a batalha. — Anthony, não saia de perto da sua avó.

— Não vou. — prometeu o menino, com a boca lambuzada de calda de chocolate. Não estava a fim de encontrar outra mulher maluca que não o deixasse em paz e que fazia seus pais ficarem chateados.

Edward deixou a mesa onde o filho e Esme estavam e foi procurar Bella. Ouvindo de Carmen que a vira pela última vez na cozinha, seguiu para lá.

Mas Bella não estava em nenhum lugar no cômodo.

Ele avistou Angela e resolveu perguntar a ela onde poderia encontrar Bella.

— Angela.

Ela ergueu a cabeça com um olhar sério e concentrado, a mente no trabalho. Mas, quando o viu, cumprimentou-o com um sorriso.

— Oi, Edward.

Ele devolveu o cumprimento.

— Você viu a Bella? Estou procurando por ela.

A expressão de Angela tornou-se confusa.

— Como assim? Seu segurança esteve aqui há pouco tempo. Ele disse que você queria falar com ela na biblioteca.

Edward empalideceu, surpreso e chocado ao mesmo tempo. Um arrepio subiu-lhe a espinha, trazendo à superfície o sentimento de inquietação que experimentara durante toda a noite.

— Eu não fiz nada disso. — murmurou, o tom sombrio, e sentiu a primeira pontada de pânico atingi-lo com força. — Não chamei Bella na biblioteca. Quem… quem veio buscá-la?

Angela sentiu-se alarmada diante da expressão e do tom dele.

— Eu não sei o nome. Um alto, loiro, olhos azuis. Cara de menino.

— Mike?

Ela pensou um instante, tentando se lembrar.

— Sim, acho que esse era o nome. Edward, o que está havendo?

Os olhos dele escureceram.

— Eles pegaram Bella. — replicou em resposta. Sabia que não precisava mentir para Angela. Sabia que Bella havia contado tudo à amiga e que ela era de confiança. Sabia, também, que o que afirmava era o que acontecera.

Sem tempo para mais, ele deu as costas à Angela e deixou a cozinha a passos apressados, encontrando Cyrus na porta do cômodo.

— Cyrus, nós temos um problema. Eles pegaram Bella.

— Eles quem, senhor Cullen?

— É o que vamos descobrir. — replicou Edward, seguindo um corredor oposto ao que levava ao jardim da festa.

O motorista adiantou-se e seguiu-o. Observou a tensão na mandíbula do patrão, a ansiedade e fúria em volta de seus olhos.

— Senhor, devo chamar reforço? — Cyrus perguntou.

— Não pelo comunicador. Mike vai saber. — replicou Edward.

— Mike? — Cyrus quis saber.

— Angela disse que ele veio buscar Bella.

— Mike. — Cyrus assentiu, sua própria expressão tornando-se sombria. — Acreditei quando ele disse que a abordagem de Miranda tinha sido uma falha.

— Isso é por causa daquela maldita bala que ele levou por mim. Todos nós acreditávamos nele, Cyrus. Até agora. — replicou Edward, rigidamente. Sem tempo para remoer isso, seguiu dando instruções ao motorista: — Mande uma mensagem a Emmett. Apenas para ele, através do celular restrito. Diga para ele enviar homens para a biblioteca. É código azul.

Cyrus assentiu, aproveitando para digitar a mensagem quando Edward parou em um corredor, retirando um quadro falso de uma parede, revelando ali um cofre.

Com uma eficiência mortal e gestos mecânicos, Edward digitou uma senha e retirou de dentro do cofre uma arma. Carregou-a em poucos minutos, vestiu um coldre por baixo do terno, e guardou o objeto reluzente e fatal ali.

Então, marchou para a biblioteca junto com o motorista.

— ~ —

Na biblioteca, aflita e tentando desesperadamente pensar numa forma de fugir, Bella lançou um olhar por sobre o ombro, na direção da porta.

— Está trancada. — disse Russo, ou Edward Primeiro, ou o diabo que fosse. Ela não ligava.

— Mike. — Bella sussurrou, dando-se conta de que tinha cometido um erro. Como fora tão estúpida?, pensou. Mike era um traidor, afinal de contas. E ela o tinha permitido levá-la direto para o perigo. Bella voltou a fitar Russo. — Mike esteve trabalhando para você.

O pai de Edward assentiu. Eles eram muito parecidos. O mesmo rosto, o mesmo formato dos olhos, a mesma boca. Os mesmos cabelos. Ainda assim, havia uma frieza assustadora, uma satisfação cruel, brilhando nos olhos azuis de Russo que ela jamais vira em Edward.

Ela sabia que Edward era um homem perigoso, taciturno e sombrio. Mas ele não era cruel. Não a assustava.

Mas esse, o pai dele, era um homem cruel. E ela estava apavorada.

— Desde que isso tudo começou. — O outro deu de ombros, o gesto despreocupado, ainda referindo-se a Mike. — Ele sempre foi um dos meus melhores homens. Especialmente porque odeia Edward. Por culpa de um incidente do passado, sabe? Há algum tempo, Edward matou o pai de Mike em uma de nossas operações.

Ela tentou reagir à breve narrativa com indiferença. Precisava concentrar-se em encontrar uma maneira de ganhar tempo. Precisava pensar num modo de escapar daquele homem. Freneticamente, tentou pensar numa maneira de distraí-lo e atingi-lo com algum objeto. Se tivesse um segundo de vantagem, precisaria usá-lo a seu favor.

Com discrição, correu os olhos pela sala e avistou um abajur próximo ao local onde estava. Ela logo desviou o olhar e voltou a fitar Russo.

Só precisava distraí-lo por um instante, disse a si mesma, com uma confiança que estava longe de sentir. Um instante e talvez conseguisse usar o abajur para atingi-lo. Um instante e talvez conseguisse escapar.

— Por que você está fazendo tudo isso? — quis saber ela, imaginando que fazê-lo falar poderia distraí-lo.

Russo respirou fundo, como se estivesse se preparando para uma palestra enfadonha.

— Veja bem, eu sempre detestei a família que constitui. — disse ele, o tom monótono e despreocupado. — Meu casamento com Esme foi arranjado pelo meu pai. Ele queria o dinheiro e a influência política da família dela e, por isso, eu tive que me casar com Esme. Eu nunca gostei dela. — confessou, a expressão de fingido lamento. — Esme sempre foi meiga e bondosa demais. Toda aquela baboseira de caridade e aquele sotaque arrastado do sul… — Ele fez uma careta. — Eu detestava. Ela também não gostava de mim, mas fingia se importar comigo. Ao menos, eu acho que era isso o que ela fazia. — divagou ele, pensando no assunto um instante. Então, deu de ombros e prosseguiu. — O sexo com ela era terrível. Nós tivemos que tentar, algumas vezes, pois eu queria logo um herdeiro. Felizmente, o primeiro filho foi um menino.

— Sim. Um menino que você só fez sofrer.

— Por favor. — Russo gesticulou com uma mão. — Edward sempre teve tudo. Não sei por que continua reclamando de mim.

— Você não deu o básico ao seu filho e à sua família. Você nunca deu amor a eles.

— Amor é uma ilusão. Uma ilusão perigosa e que só serve para nos tornar fracos. Não, eu não dei amor à minha família, Isabella. Essa nunca foi minha intenção, e nunca seria. Você sabe o que nós, Cullens, somos. Nós não podemos nos dar ao luxo de sermos fracos. — Ele fez uma pausa, observou-a por um instante. — Você, por exemplo. Você é a fraqueza do meu filho. Ele acha que a ama e, por isso, não foi capaz de investigar essa história de Russo com eficiência. Ele está fraco agora, como eu sabia que estaria. Primeiro, por causa do garoto. Agora, por sua causa. Ele está fraco, porque ele ama.

Bella engoliu em seco, um nó de repugnância instalara-se em sua garganta.

— Você é desprezível.

— Sou só o que preciso ser. — replicou Russo. — Não se mantém um império como o da minha família sendo coração mole. Eu sabia que Edward fracassaria, quando assumisse nossas operações. Só não imaginei que ele tentaria encerrá-las quando eu não estivesse por perto. Vou conceder a ele crédito por isso. Mas seu papel de salvador do dia termina hoje. Eu vou pegar de volta o que é meu e garantir que o próximo a assumir meu lugar seja um criminoso tão bom quanto eu.

— Você não tem outro sucessor. Edward é seu único filho homem. — replicou Bella e observou os lábios do outro curvarem-se num meio sorriso cruel.

— Eu tenho um neto.

Bella sentiu o sangue fugir-lhe do rosto. Mas, então, corou com uma fúria irracional.

— Você não vai tocar em Anthony. Não vai chegar perto dele! — vociferou ela, entredentes, dando um passo à frente.

Russo arqueou uma sobrancelha.

— Quem vai me impedir? Você e esse instinto maternal que acha que tem? — replicou ela, e estalou a língua. — Veja bem, eu não entendo mulheres como você. Como pode ser estúpida o bastante para se importar com uma criança que não tem nada a ver com você? Anthony. Ele não é nada seu. Nada. Ele é uma criança que meu filho teve com uma vadia qualquer. É preciso muita estupidez para se importar com o filho de outra mulher.

Bella o fitou, a expressão enojada.

— Você é um desgraçado, preconceituoso e cruel. Não espero que entenda meus sentimentos por Anthony, ou por seu filho. Eu vejo o que você diz sobre não desejar amar. Você não ama e eu sinto pena de você por isso. Mas não vou explicar meus sentimentos a você. Eu… — Ela fez uma pausa, fitou-o com frieza. — Quando Edward vier atrás de você — e ele virá —, espero que ele acabe com você.

— Você vê, isso é exatamente o que eu quero. Reencontrar Edward. — acrescentou ele, a guisa de explicação. — E espero sinceramente que ele esteja irracional a ponto de querer acabar comigo. É a maneira mais fácil de eliminar alguém.

Bella sentiu a sala girar, o pânico percorrendo seu corpo.

— Você seria capaz de matar seu próprio filho?

— Certamente. Dei uma chance a ele, e Edward falhou. Agora, vou tirá-lo do meu caminho. É o que faço. E estarei lá para consolar meu neto quando o querido pai dele não voltar para casa. As melhores lealdades são conquistadas consolando e dando colo. É isso que pretendo fazer com Anthony.

— Seu plano não vai dar certo. Tem muita gente aqui disposta a proteger Anthony.

— Qualquer um que tentar, vai morrer. É simples, Isabella. É assim que eu faço. — replicou ele, arqueando uma sobrancelha, analisando-a. — Eu sei que você tentaria.

— Por isso você vai me matar também. — disse ela, o tom de voz mais monótono que assustado. Estava tão furiosa que o medo permanecia em segundo plano.

— Não. Eu vou matá-la porque você é uma mulher petulante, esperta e imperativa demais. Detesto esse tipo de mulher, mais ainda do que detesto a meiguice de Esme. Mas não fique alarmada. Por enquanto, não vou fazer nada. Preciso de você viva para atrair Edward. — Ele disse e, pela primeira vez, saiu do lugar que ocupava e aproximou-se de Bella, os olhos azuis, gelados e cruéis, analisando-a dos pés a cabeça. — Além disso — disse ele, o hálito quente roçando a pele de Bella e fazendo-a estremecer em puro pânico. —, tenho um tratamento especial reservado a você.

Bella sentiu a náusea atingi-la forte, golpeando-lhe o estômago e deixando um gosto amargo na boca. Ela engoliu em seco, mandando-a de volta, tentando conter o pânico. E não disse nada.

Não poderia, pois, naquele instante, estava simplesmente apavorada demais. Temia por si mesma, por Edward e por Anthony.

Ela tentou não ceder ao medo, mas soltou um grito quando Russo segurou-a pelo braço.

— Agora você grita. — Ele sorriu, deliciado. — Acho que, afinal, você não é tão corajosa quanto imaginei.

Bella não respondeu. Numa tentativa desesperada, tentou alcançar o abajur ao seu lado, mas Russo segurou seu pulso, impedindo-a. Ele apertou seu braço com força.

Ela cerrou os dentes e recusou-se a demonstrar dor.

— Não tente nenhuma gracinha, Isabella. — avisou-lhe Russo, entredentes. Segurando ambas as mãos dela com apenas uma mão, ele sacou uma arma de dentro do próprio paletó e apontou-a na direção de Bella. — Agora, nós devemos ir. Quero encontrar Edward o mais distante dessa casa quanto possível.

— Por quê? — Ela não esperava uma resposta, mas Russo a surpreendeu.

— Porque há mais seguranças aqui do que eu gostaria. Não quero surpresas. Além disso, será mais divertido ver meu filho correndo atrás de você. Ele só serve para isso mesmo. — murmurou Russo, puxando-a pela sala e levando-a ao canto onde havia uma enorme estante.

Em pouco tempo, ele retirou alguns livros de uma prateleira à altura de seus olhos, revelando, ali, um teclado cheio de números.

Bella o observou digitar uma combinação complexa. Então, um suave clique metálico cortou a sala silenciosa.

Russo puxou a estante na direção deles e revelou por trás do móvel um caminho mal iluminado, cujo fim, de onde estavam, não era visível.

— Para onde você vai me levar? — Bella quis saber, a cabeça a mil com as possibilidades apavorantes que a invadiram. — Para onde isso leva?

— Não fique assustada. Esse caminho vai nos levar para os fundos da propriedade. Eu construí essa passagem, quando ainda vivia aqui, para o caso de precisar sair da casa discretamente.

— Sequestrando a namorada do seu filho? — replicou Bella, antes que pudesse conter a si mesma, e levou um safanão no braço por isso. Ela sentiu a dor adormecer o braço e trincou os dentes, recusando-se a emitir um som de protesto.

— Fique calada, Isabella. Ou eu mato você antes de acabar com o resto. Você que é desprezível. Uma puta que se acha superior. — Ele apertou o braço dela e colocou a arma em suas costelas. — Mas a sua superioridade não vai ajudá-la hoje. Agora, comece a andar e fique calada. Estou cansado de você.

Bella sentiu o pânico e o pavor fecharem sua garganta. Desse modo, fez o que ele disse e atravessou o corredor parcialmente iluminado com medo endurecendo os ossos e a arma de Russo apontada em sua direção.

Por um instante, ela se sentiu derrotada, fraca e aceitando seu fim iminente. Mas, então, ela pensou em tudo o que lhe acontecera nos últimos meses, nas coisas que havia conquistado, na presença de Edward em sua vida, na presença de Anthony.

Por isso, quando eles saíram para o jardim traseiro da Mansão Cullen, ela se permitiu uma pontada de esperança. Então, tentou pensar em algo que pudesse ajudá-la.

Como Russo, Bella sabia que Edward viria atrás dela. Só não sabia quanto tempo ele levaria. Mas ele viria. Ela tentou pensar em algo que pudesse ajudá-lo a encontrá-la.

Como um sinal divino, tropeçou no próprio vestido e sentiu o sapato afrouxar em seu pé. Aproveitando um momento de distração de Russo, ela se livrou do calçado e deixou-o para trás, marcando o caminho.

Edward saberia que ela havia passado por ali. E saberia para onde fora levada.

— ~ —

Edward entrou na biblioteca sem encontrar resistência. Mike não estava de vigia na porta. Nem do lado de dentro, pensou Edward ao entrar na biblioteca e encontrar o cômodo vazio. O pânico ameaçou dominá-lo, mas ele se recusou a se entregar e, porque seguindo a intuição, caminhou até a estante de livros na parede oposta à porta. Os livros que escondiam o painel numérico haviam sido revirados e atirados no chão.

Cerrando as mãos em punhos, ele viu o mundo tornar-se vermelho vivo.

— É o meu pai. — murmurou, dirigindo-se a Cyrus, que, naquele instante, era o único na sala com ele. Emmett tinha sido encarregado de providenciar carros, caso fosse necessário.

Edward sabia que seria necessário. Ele fitou o olhar endurecido, mas compreensivo do motorista.

— Só você, eu e meu pai sabíamos da existência dessa passagem na estante.

Cyrus assentiu, mas sentiu necessidade de acrescentar:

— Nunca contei a ninguém sobre a passagem, senhor.

Edward o fitou de cara feia.

— Eu sei disso, Cyrus. Jamais desconfiaria de você.

O motorista hesitou um instante, surpreso com aquelas palavras que, embora rígidas, demonstravam uma confiança inquestionável da parte de Edward. Ele assentiu, sério agora, e fez jus à confiança que recebera.

— Então, isso nos leva ao seu pai.

— Sim. Ele provavelmente é o Russo. — murmurou Edward, a peça encaixando-se perfeitamente. Ele soltou uma risada que não tinha nada de bem humorada. — O apelido faz todo o sentido agora.

— Mas, senhor, o seu pai odiava os russos.

Edward fitou o motorista.

— Exatamente. — replicou, andando de um lado a outro na sala.

Devia ter percebido, disse a si mesmo. Como pudera ser tão obtuso? Os sinais estavam todos lá.

Os assassinatos em torno da Eclipse, pensou. O modo como as vítimas haviam sido tratadas, antes de serem mortas. Seu pai tinha feito isso. Ele não se importava com as mulheres. Sentia prazer em machucá-las. Ele tinha feito isso com a própria esposa.

Edward sabia disso. Devia ter percebido.

Então, houve o incêndio na boate. O pai sabia como o lugar era importante para Edward. Novamente, devia ter sentido prazer em destruir o orgulho do filho.

Ele só não entendia onde Miranda entrava nessa equação, mas imaginava que a falsa morte dela tinha sido arquitetada por seu pai. Certamente, pensou Edward, seu pai precisara de algumas marionetes.

Miranda e Aro tinham servido bem, concluiu ele. Sabia que Aro estivera trabalhando com Russo para acabar com Edward e, também, porque alguém o informara da limpeza que Edward planejava executar nos negócios dos Cullen.

É claro que seu pai, estando vivo, perceberia o que ele estava fazendo. Todos esse anos, pensou Edward, seu pai estivera observando-o e vigiando-o de longe.

E, agora, ele estava atacando.

E escolhera fazer isso levando Bella, dentre todas as pessoas, porque sabia exatamente o quanto isso afetaria Edward.

Subitamente desesperado, Edward voltou à estante e, freneticamente, digitou o código para destravar a porta oculta. Quando o clique soou e a porta de abriu, atravessou o caminho mal iluminado a passos determinados, os olhos acostumados à meia luz do corredor frio e entregue a intervalos de luz e sombra.

Bella passara por ali. Ele sabia. Podia sentir o perfume dela. Podia senti-la.

Às suas costas, Cyrus chamou-o, mas ele não parou, não se virou. Apenas continuou. Seguindo em frente.

Quando chegou ao jardim, foi recebido por silêncio. Um silêncio e uma calmaria quase debochados, irônicos, diante do gelo que corria por suas veias e do medo que enrijecia cada fibra de seu corpo. A completa quietude das árvores e a serenidade da paisagem ao seu redor parecia uma piada de mau gosto diante do que ele passava.

Edward continuou a caminhar, em busca de algum indício, alguma pista.

Então, quando o desespero ameaçava unir-se ao pânico, ele avistou algo.

Um sapato. O sapato de Bella.

Ele juntou o item do chão, observou o cenário ao redor, em busca de algo — qualquer coisa —, com uma esperança tola de avistá-la se procurasse com os olhos semicerrados. Mas ela não estava por perto.

Ela estava longe dele. Fora de seu alcance. Em perigo. E tudo o que lhe restava era um sapato e uma sufocante sensação de impotência.

— Senhor. — disse Cyrus, quando o alcançou. — Isso é…

— Da Bella. — Edward o interrompeu, observando o sapato.

— Se ela o perdeu, pode significar que houve luta.

Edward ergueu os olhos e fitou Cyrus com uma fúria sinistra.

— Sei disso. — replicou. Sabia disso, mas não queria pensar na hipótese. Não agora. Agora, precisava agir. Jamais perdoaria a si mesmo por isso. Jamais. Ele observou o início do bosque, o caminho ao lado dele que levava aos fundos de sua propriedade. — Ou… — acrescentou, uma ideia lhe ocorrendo. — pode significar que Bella estava marcando o caminho. Há uma rodovia pouco movimentada no fim dessa estrada de cascalhos. Talvez ela soubesse para onde estava sendo levada.

Cyrus assentiu. Por isso aquela passagem havia sido construída na biblioteca, pois a rodovia a que o caminho de cascalhos levava era uma excelente rota de fuga.

— É um bom raciocínio.

— Sim. Emmett, eu preciso de um carro. — Edward já estava ao celular, observando o caminho de cascalhos. — Encontre-nos naquela rua sem saída na parte norte da propriedade. Sim, acho que Bella foi levada por ali. Bloqueie a estrada. Estou indo para aí. — Ele fez uma pausa, ouviu Emmett por um instante. Depois, disse: — Prepare um carro.

— ~ —

Emmett, junto com mais dois seguranças, já estava esperando por Edward ao fim do caminho de cascalhos, onde a rodovia começava.

— Tem marcas de pneu mais adiante, nessa estrada. — Ele disse a Edward, quando o outro se aproximou. — Acho que você está certo.

— Eu também. — replicou Edward, passando direto de onde seus homens estavam e, avistando o carro que o esperava, deslizou para o assento do motorista.

Antes que qualquer um dos outros pudesse reagir, ele arrancou com o carro e afastou-se cantando pneus.

Estava cansado de especular e dar ordens.

Tinha colocado Bella nessa situação e seria ele a tirá-la dela. Além disso, não imaginava que outra pessoa, a não ser ele mesmo, devesse lidar com o seu pai.

Edward estava determinado a acabar com isso. Definitivamente.

— ~ —

Bella sentia o estômago revirar, nauseado de medo, enquanto atravessavam a estrada deserta. Seus pulsos estavam atados por cordas e latejavam, deixando-a ainda mais consciente de que estava viva, desconfortável e apavorada. Em silêncio, ouvia Russo e Miranda trocarem insultos no banco da frente.

Eles discordavam sobre o caminho que deviam tomar, para chegar ao seu destino final.

Miranda — que estivera esperando por eles ao fim do caminho de cascalhos, com um dos carros de Edward — queria que pegassem a rodovia principal, pois, caso fossem seguidos, seria mais difícil de serem encurralados.

Russo ignorava o pedido dela e mantinha o carro naquela estrada deserta, que, na opinião de Bella, parecia não ter fim.

Bella o ouvia replicar os pedidos de Miranda com indiferença e uma nota de satisfação divertida. Ela sabia porque ele se mantinha naquela rota.

Ele queria que Edward os encontrasse. Ele sabia que o filho viria atrás de Bella e estava se certificando disso naquele momento.

Sentindo o estômago revirar, Bella fechou os olhos e encostou a testa ao vidro gelado da janela.

Ela era uma isca. Uma que atrairia Edward para que o pai dele pudesse eliminá-lo.

— Aí está ele. — anunciou Russo, como quem canta vitória, o tom satisfeito.

Bella abriu os olhos e encontrou os dele através do espelho retrovisor.

— Olhe para trás, Isabella. Seu príncipe veio resgatá-la.

Ela não queria acreditar nas palavras dele. Mas, mesmo assim, lançou um olhar por sobre o ombro. Então, avistou o carro negro, os faróis brilhantes cortando a noite cerrada e a estrada mal iluminada. O veículo aproximava-se em alta velocidade. Ela semicerrou os olhos, tentando enxergar algo além da claridade dos faróis. Quando o carro os alcançou e Bella conseguiu distinguir algo além de luz, ela avistou Edward. Sozinho, dirigindo com uma expressão no rosto que não era apenas perigosa, mas mortal.

Ele não encontrou o olhar dela, concentrado demais em manter os olhos à frente, no caminho que percorria.

Bella foi impulsionada para trás, quando Russo acelerou ainda mais.

Edward também acelerou, manobrando o carro e colocando-o na pista ao lado. Ele acelerou, concentrado, sem se importar com a velocidade absurda. Em pouco tempo, ficou lado a lado com o carro em alta velocidade onde Bella estava.

Foi quando ele acelerou ainda mais.

— Isso é loucura! Você dois vão nos matar! — exclamou Miranda, apavorada, agarrando-se aos lados do banco que ocupava. — Pare esse carro, Russo!

— E perder a diversão? — Ele disse, soltando uma alta e desagradável. O minuto de distração deu uma vantagem a Edward, que os ultrapassou. — Merda! — exclamou Russo, quando Edward conseguiu vantagem o suficiente para ficar mais à frente, a traseira de seu veículo ultrapassando a do carro de Russo.

Numa manobra de cantar pneus, Edward virou o carro na pista e tornou o próprio veículo um obstáculo no caminho de Russo.

Bella sentiu o coração subir até a garganta e suspendeu a respiração, conformando-se com uma batida iminente. O carro onde estava continuava em alta velocidade. Mas, por mais assustada que estivesse, ela não fechou os olhos. Manteve-os abertos, apavorados, enormes e concentrados.

Russo pisou fundo no freio. O carro desacelerou abruptamente, impulsionando seus ocupantes para frente com brusquidão, e chegou a encostar na porta do carona de Edward. Mas, por mais absurdo que pudesse parecer, a freada evitou um desastre e limitou aquela loucura à uma batida fraca, que limitou-se à porta do carona de Edward, cujo banco estava vazio.

Edward saltou de seu carro, circulando-o quando as portas do veículo onde Bella estava foram abertas.

Ele não piscou quando avistou o pai, que pensara morto esse tempo todo. Em sua mente havia espaço apenas para uma coisa.

— Onde está Bella?

— Olá, Edward. Pensei que ficaria surpreso em me ver.

— Onde ela está?

Russo sorriu, analisou o filho. Então, fez um gesto de cabeça na direção de Miranda e disse:

— Isabella está viva. — anunciou.

Miranda puxou Bella, que permanecia com os pulsos atados, de dentro do carro.

Edward sentiu um misto de alívio e medo percorrendo-o quando viu Bella. Observou-a amarrada e com os olhos enormes, apavorados, e deu um passo a frente.

— Bella.

— Ah! Nada disso. — replicou Miranda, uma arma em mãos, apontando-a na direção de Bella. — Você não se aproxima dela.

Edward voltou-se para o pai.

— Deixe-a em paz. Ela não tem nada a ver com isso. Deixe-a e me leve no lugar.

— Edward, não. — sussurrou Bella, desesperada por si mesma e por ele. Não sabia do que tinha mais medo. Ver-se nas mãos de Russo ou ver Edward caminhando na direção daquele homem. — Ele quer matar você.

— Eu não ligo. O que é importa é que você esteja a salvo.

Ela deu um passo a frente, mas Miranda a impediu de continuar.

— Não diga isso. Ele vai me matar também.

— Não vou permitir isso, Bella. — disse Edward a ela, depois fitou o pai. — Estou disposto a ir no lugar dela.

Russo semicerrou os olhos, a expressão gelada.

— Você é tão patético, Edward. Sempre foi. Arriscando-se por uma mulher que só o faz parecer fraco.

— Não estou em busca da sua admiração. — replicou Edward e, sem conseguir evitar, fitou o pai com ódio e frieza. — Não tente me provocar dizendo o quão patético eu sou, pois isso não vai funcionar. Estou aqui para salvar Bella, não importa o quanto tenha que ceder. Estou aqui para resolver as coisas com você. Espero que você seja homem o suficiente para deixar Bella fora disso e resolver nossos problemas comigo. Essa história envolve apenas nós dois.

— Você acha que eu não sou homem o suficiente para enfrentá-lo? Por favor, fui eu quem ensinou tudo o que você sabe.

— Tudo o que sei sobre ser um criminoso. — replicou Edward. — O pior criminoso que pode existir.

— Você não é o pior.

— Não. Eu estava falando de você. — Edward deu um passo à frente, confiante por ter captado a atenção do outro. — Você é o pior. As coisas que você fez, as que faz e gosta de fazer… Elas são terríveis porque você sente prazer em fazê-las. Não há nada mais motivando você a não ser um prazer doentio. Você é que é patético. Você teve e sempre vai ter uma vida miserável. Você podia ter tido uma família, podia ter sido algo melhor, mas escolheu um prazer doentio no lugar disso. Não consigo pensar em uma vida mais vazia, cruel e patética que a sua.

Russo riu.

— Esse discurso sentimental não vai dar certo comigo, Edward. Eu não…

— Você não se importa. Eu sei disso. — Ele o interrompeu, assentindo com uma calma gelada. — Tenho uma vida de convivência com você que não me deixa esquecer disso. Mas eu não estou tentando amolecê-lo aqui. Estou apenas mostrando quem você é. Um homem que se sente bem sendo cruel e atacando o lado mais fraco, mais patético. — Ele fez uma pausa. — Eu sou o lado patético aqui, pai. Ataque-me, e deixe Bella fora disso.

Por um longo instante, Russo não disse nada, apenas fitou Edward. Então, esboçou um sorriso enviesado, que seria igual ao de Edward não fosse pelo desagradável toque de crueldade no gesto. Sem desviar os olhos de Edward, ele disse:

— Solte-a, Miranda. Desamarre Isabella e deixe-a ir.

Ambas as mulheres franziram o cenho, confusas com aquela ordem repentina.

— Eu não entendo. — replicou Miranda. — Eu...

— Você não tem que entender. — replicou Russo, friamente. — Apenas faça o que eu disse. Mas, antes… — acrescentou, erguendo a mão na direção de Miranda. — Entregue-me sua arma. Eu não confio em Isabella perto de uma.

Bella tinha pensado em surpreender Miranda, mas devia saber que sua intenção não passaria despercebida. Ela fez uma careta quando se viu livre das cordas, massageou os pulsos escuros e doloridos para fazer o sangue circular. Então, encontrou os olhos de Edward.

Ele retribuiu seu olhar, depois voltou-se para Russo.

— Ela deve ir.

Russo deu de ombros.

— Se essa é sua escolha. — replicou e acrescentou: — Vá em frente, Isabella. Corra em direção ao seu príncipe.

— Você vai matá-lo. — replicou Bella, a voz trêmula, mas o tom tão frio quanto o de Russo. — Você vai matar o seu próprio filho.

— Bella. — Edward a chamou, o tom de aviso, e deu um passo a frente.

Russo empunhou a arma e apontou-a na direção de Edward.

— Você quer assistir, Isabella? — replicou ele. — Quer ver Edward morrer por causa da sua teimosia?

Ela cerrou as mãos em punhos, contendo fúria e medo. Sem discutir mais, aproximou-se de onde Edward estava, desconfiança arrepiando-lhe a espinha. Não compreendia aquela atitude de Russo. Mas, antes que pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Edward a puxou e abraçou-a com força, enterrando o rosto na curva de seu pescoço, usando os cabelos dela para ocultar seus lábios.

— Cyrus está aqui. Faça o que eu disser. — murmurou ele, em seu ouvido. Ela assentiu, minimamente, na esperança de que ele soubesse que tinha ouvido. Edward a afastou abruptamente, para não levantar suspeitas. — Entre no carro e volte para a mansão.

— Mas…

— Entre, Bella. — disse Edward, entredentes. — Não estou pedindo.

Ela engoliu em seco e assentiu. Que tipo de plano ele e Cyrus tinham? Ou, pensou, será que ele estava falando a verdade quando dissera que Cyrus estava ali?

Bella deu um passo em direção ao carro de Edward.

— Isabella. — Russo a chamou e esperou até ela fitá-lo. — Antes de ir, deixe-me mostrar algo a você.

Ela arqueou uma sobrancelha.

Edward colocou-se à frente dela. Não gostava do brilho cínico e perigoso nos olhos do pai.

— Não dê ouvidos a ele, Bella. Vá, agora.

Mas Bella não se moveu. Sentia-se apavorada, tendo Edward como escudo, tão exposto, tão vulnerável, e os olhos de Russo pareciam os de um louco, alguém fora de controle. Ela se preparou para afastar Edward do caminho.

— Vocês dois me acusam de ser um monstro. — Russo os interrompeu, captando suas atenções. — E um monstro eu sou. Deixe-me mostrar quanto prazer sinto no que faço. — Ele desviou a arma apontada na direção de Edward e, antes que qualquer um pudesse reagir, atirou três vezes.

O alvo?

Miranda.

O corpo inerte da outra encontrou o asfalto duro, desfazendo-se em uma poça de sangue.

Em um misto de choque e fúria, Bella jogou-se à frente e só não seguiu adiante porque Edward a deteve.

— Seu filho da mãe! — Ela gritou, histérica, o cheiro de sangue pairando no ar e revirando seu estômago. — Seu desgraçado! Ela não tinha feito nada para você! Ela estava do seu lado!

Russo fingiu uma expressão confusa.

— Eu pensei que você a odiasse.

— Você não tinha esse direito! — Bella vociferou, tentando se livrar de Edward. — Seu filho da mãe, doentio. Louco. Odeio você. Eu mesma vou matá-lo! Vou matá-lo!

— Bella. Bella. Bella! — Edward alterou a voz, segurando-a pelos braços e balançando-a até ela o fitar. — Isso é inútil. Não vai adiantar nada. É isso o que ele quer. Confundi-la, transtorná-la, desarmá-la. Ele está brincando com você.

— Ela não merecia isso. — sussurrou Bella, surpresa com a própria histeria. — Ela era terrível, mas… Edward, ela não merecia isso.

— Eu sei, eu sei. Você está em choque. — Ele afagou os braços dela, lançou um olhar por sobre o ombro, na direção do pai, que os observava. Então, voltou-se para Bella. — Vá para o carro. Dirija. Vá para longe daqui.

Bella deixou as lágrimas correrem.

— Ele vai matar você. Eu não posso. Não posso ir.

— Sim, você pode. Anthony precisa de você. Minha família precisa de você. Por favor, faça o que eu digo. Vá.

— Eu amo você. Não posso deixá-lo.

A expressão de Edward tornou-se um misto de inflexibilidade e súplica.

— Bella, por favor.

— Mas que cena comovente. — observou Russo, interrompendo-os e simulando um olhar sonhador quando os outros dois o fitaram. — Vocês dois acreditam mesmo nessa bobagem de romance. Eu… — Ele parou, inclinou a cabeça para o lado, como um gato que ouve um barulho fora da rotina. Então, seu olhar cínico deu lugar a um brilho abertamente hostil. Ele lançou um olhar para o lado.

Foi quando o caos instalou-se.

Bella ouviu o som do primeiro tiro no mesmo instante em que Edward se colocou à sua frente, como um escudo, e empurrou-a para o carro, tentando torná-lo uma barreira entre eles e a arma de Russo.

Em meio ao som de tiros e vozes alteradas, ela ouviu o grito de Russo impregnar a estrada deserta.

Numa atitude boba, impensada, ela tentou olhar por sobre o ombro, mas Edward a empurrava e ela cambaleou para trás do carro.

Foi quando ela ouviu mais um tiro. O tiro. Um disparo cruel, ensurdecedor.

E as mãos de Edward a soltaram.

Ela olhou para trás e ele estava caindo, uma mancha escarlate maculando o branco de sua camisa.

— Não. Edward, não. — Ela cambaleou de volta a ele, tropeçando no próprio vestido, o medo nublando-lhe a visão.

Edward estava de joelhos no asfalto, apoiando-se no capô do carro com a mão do braço que não fora atingido. A dor era insuportável e ele sabia que perderia a consciência logo.

— Bella, vá.

— Cala a boca, eu não vou sair daqui. — Ela disse, ajoelhando-se diante dele, observando o sangue que fluía livremente do ferimento à bala. Ele tinha levado um tiro pelas costas, ela conseguiu pensar em algum canto da mente. — Vou levá-lo comigo. Vou… — Ela observou o movimento às costas de Edward, observou Russo caído no chão, tentando se levantar. Mas ele, também, havia sido ferido.

Ainda assim, ele procurava a arma que deixara cair.

O olhar de Bella escureceu. Tornou-se vermelho.

Sem pensar, apenas agindo, ela sacou a arma no coldre de Edward e se levantou, desajeitadamente, no mesmo instante em que Russo sacou sua pistola.

Ele sorriu, debochado, quando a viu se aproximar, apontando a arma de Edward em sua direção.

— Você vai atirar num homem baleado?

Bella parou diante dele.

— Sim. — disse ela.

E disparou.


N/A: Ok, estou escondida num canto, me protegendo dos tiros que vocês querem disparar em mim. :P Mas mesmo assim seria legal ler as impressões de vocês.

Ps.: Próximo (e último) capítulo será postado no domingo (09-08). E, sim, vai ter Epílogo. :) Até!