N/A: Mais um. :)

Boa leitura!


CAPÍTULO VINTE E NOVE

Era véspera de natal. Lá fora, uma manhã gloriosa e gelada estendia-se, preguiçosamente, encontrando-se com a neve branca que cobria o chão, os galhos das árvores nuas e o telhado da mansão. Não estava nevando naquele instante, mas todas as previsões indicavam que isso aconteceria mais tarde.

Bella esperava sinceramente que a meteorologia estivesse certa. Se bem que apenas a neve no chão já lhe bastava. Ela amava o inverno: o frio, a neve, o sol fraquinho e as bebidas quentes. Apesar das árvores nuas e do completo branco em tudo, sempre adorara o modo como a estação modificava a paisagem. Havia uma beleza elegante e discreta no inverno, uma sensação de vastidão e paz, que sempre atraíra Bella.

Não era à toa que tinha escolhido aquela estação para se casar. Em algum canto da mente, sempre soubera que se casaria no inverno. E, apesar de que nunca tivesse acreditado muito, estava prestes a se casar com um homem que ela amava completamente — e um que a amava completamente.

Ela tinha tudo com Edward. Amor, paixão, amizade. Nunca procurara por esse amor — nem sequer imaginara que ele existia.

Mas aqui estava ela. Pronta para caminhar em direção ao homem de sua vida e viver seu próprio felizes para sempre.

A porta do quarto foi aberta e por ela entrou uma Esme de expressão suave e sorriso meigo no rosto. Ela fechou a porta atrás de si e aproximou-se de onde Bella estava, encontrando os olhos da jovem através do espelho.

— Você está linda.

Bella sorriu, os lábios trêmulos, os olhos ameaçando ficar marejados. Sentiu uma pontada de tristeza ao pensar que não tinha sua mãe ali para lhe dizer aquilo. Ela sentia tanta falta da mãe. Era um vazio que jamais voltaria a ser preenchido. Entretanto, sentia-se feliz por ter uma figura materna como Esme por perto. Uma figura que, pensou Bella, se importava verdadeiramente com ela.

Ela se virou para fitar Esme.

— Estou nervosa.

— Deve estar mesmo. — Esme piscou, o olhar cúmplice, e estendeu uma mão para afagar o rosto de Bella. — O que nos faz feliz nos deixa nervosas. Estou feliz por meu filho, Bella. Edward é um homem de sorte por tê-la encontrado. E você é uma mulher incrível por não ter desistido dele.

— Eu o amo. — disse Bella. — Jamais desistiria.

Esme sorriu.

— E ele ama você. Estou feliz por vocês dois. E me sinto grata a você. Por isso, estou aqui. — Ela ergueu uma caixinha de veludo negro, que Bella só percebera agora que ela estava carregando, e fez Bella franzir o cenho. Diante da expressão intrigada, Esme explicou: — É uma tradição em nossa família presentear as noivas, no dia de seu casamento, com uma joia.

— Eu já recebi a minha. — Bella ergueu a mão, exibindo seu anel de noivado. — Edward disse que era seu e você o cedeu. Obrigada. Eu adoro tradições. — Elas siginificam família, pensou Bella.

Esme esboçou um sorriso sereno, que se transformou em um curvar de lábios misterioso.

— Além do anel, as noivas ganham outra joia. — replicou a matriarca dos Cullen. Entendia, agora, o que o filho quisera dizer quando mencionara que Bella era difícil de dobrar. — Estou aqui para lhe dar a sua. — anunciou ela, os olhos verdes brilhando, animados e divertidos, como os do neto, quando Anthony estava prestes a aprontar uma travessura. Ela estendeu a caixinha de veludo na direção de Bella. — Espero que você goste. E lembre-se: é uma tradição.

Bella não entendeu porque Esme frisara aquela última parte. Um pouco intrigada, ela aceitou o presente e, desfazendo-se do laço que envolvia a caixinha de veludo, abriu-a e prendeu a respiração quando avistou o conteúdo.

— Esme! — Ela exclamou, chocada e surpresa ao observar os brincos de citrino que reluziam, majestosos no veludo negro, cumprimentando-a com uma beleza magnânima. — São os brincos do leilão.

Esme assentiu.

— O Sombras no Sol.

Nome apropriado, pensou Bella. Ela sempre havia gostado da joia, não apenas por sua bela aparência, mas pelas manchas escuras na pedra amarela, que tornava a joia imperfeita a olhos mais interessados em beleza e perfeição. Para ela, as marcas escuras tornavam a joia perfeita e, agora que parava para pensar, aqueles brincos refletiam-na e refletiam Edward perfeitamente. Como o "Sombras no Sol", eles eram ambos imperfeitos, com suas manchas escuras, mas isso não os tornava de todo imperfeitos. Ainda havia espaço para beleza, elegância. Havia uma chance para ambos. Como a joia, eles tinham potencial para o feio ou o belo, só dependia de quem os fitava e os aceitava.

E eles aceitavam um ao outro, olhavam através das imperfeições, como ela enxergava os brincos. Como o imperador e sua noiva haviam feito tanto tempo atrás.

Ela sorriu para Esme.

— Você foi a compradora anônima. — disse à outra. — Edward sabia?

— Não na hora. Carlisle me deu a dica, disse que você gostava dos brincos. Então, eu decidi arrematar a peça.

— Por quê? — quis saber Bella.

— Porque eu sabia — bem, talvez tivesse mais esperança do que soubesse — que nós duas teríamos essa conversa um dia. Posso ter sido excessivamente confiante, mas isso não importa agora. O que importa é que comprei os brincos e quero que você os aceite. Eles não são apenas um presente, mas um modo de agradecê-la por tudo o que você fez pela minha família. Você ajudou Edward e Anthony a encontrarem um ao outro. Ajudou Edward a encontrar a si mesmo. E, por conseguinte, ajudou todos nós, a superar nosso passado sombrio. Minha família tinha muitas feridas abertas, Bella. Elas começaram a ser curadas quando eu encontrei Carlisle, depois Anthony surgiu em nossas vidas, então Jasper e, agora, você. Você ajudou a fechar o ciclo. — Ela sorriu, afagou o rosto de Bella num gesto suave, maternal. — Eu serei eternamente grata a você por isso.

— Obrigada. — Bella devolveu o sorriso de Esme, sentindo as lágrimas ameaçando-a. — Fazia muito tempo que eu não me sentia parte de uma família. Eu tenho uma agora, com Edward e Anthony, com o bebê. — Ela tocou a barriga saliente, onde o mais jovem Cullen dançava, animado com a festa iminente. — Cheguei a pensar que isso nunca mais fosse acontecer para mim. Mas, agora, esse é um pensamento bobo. Eu tenho uma família. — Ela respirou fundo, contendo lágrimas insistentes que tentavam romper a barreira. — Você me ajuda com os brincos?

Esme assentiu e ajudou-a. Quando terminou, pousou as mãos nos ombros de Bella e sorriu para o reflexo da jovem.

— Chegou a hora, querida. — disse, com suavidade. — Chegou a hora de você se tornar uma Cullen.

Uma batida na porta fez ambas franzirem o cenho.

— Quem é? — quis saber Esme, aproximando-se da porta.

— Mãe, sou eu. — A voz de Edward soou do outro lado. — Preciso falar com Bella.

— Isso é impossível, Edward. — exclamou Bella, trocando um olhar horrorizado com Esme. Ela era uma mulher bastante moderna e mente aberta, mas não abriria mão de tradições envolvendo um casamento. — Eu já estou vestida!

— Isso é uma pena. — replicou Edward, o tom malicioso.

Esme deu uma risadinha, encontrando o olhar embaraçado de Bella.

— O que você quer, Cullen? — Bella se recusou a corar. — Está aqui para me testar ou tem mesmo um propósito.

— Quero dar um presente a você. — Edward respondeu. — Posso?

Esme e Bella trocaram um olhar. Compreendendo perfeitamente o dilema, a matriarca dos Cullen sinalizou um biombo no quarto, que ficava ali mais como item decorativo.

Bella assumiu seu lugar ali.

Edward, após o que considerou uma espera eterna, viu a porta do quarto ser aberta e encontrou a mãe.

— Você pode falar com Bella. Ela está atrás do biombo. Nada de espiar!

— Não vou. Prometo. — garantiu Edward e, após entrar no quarto, aproximou-se do biombo. Ele riu. — Isso é engraçado.

— Ah, que ótimo que divirto você, Edward. Só estou tentando seguir uma tradição aqui.

— Está bem, está bem. — Ele concedeu e parou diante do biombo, mas virou-se de costas. — Não vou olhar. Imagino que vai tornar minha surpresa ainda mais prazerosa.

Bella estalou a língua.

— Pode apostar. — disse. — Agora, o motivo de sua vinda.

Por sobre o ombro, por cima do biombo, ele passou algumas folhas de papel em direção à noiva.

— Essa é minha razão. Eu tenho... um presente de casamento para você.

— Hmmm. — murmurou Bella, correndo os olhos pela papelada e tentando saber do que se tratava. Quando ela descobriu, arfou. — Você comprou a PW?

— Uma parte dela. — Edward corrigiu. — Carmen ainda é a outra sócia.

Bella sabia que Tanya estava vendendo sua parte na agência. Ela também soubera que a venda já fora concluída, mas o comprador tinha se mantido em sigilo. Até agora, pensou.

— Você quer me dar uma parte da PW como presente de casamento? — Ela conjecturou. — Edward, eu não...

— Por favor, Bella. Deixe-me explicar algumas coisas antes de você começar a recusar.

— Como você sabe que vou recusar?

Ele moveu os ombros.

— Conheço a mulher com quem vou me casar. — disse, com uma simplicidade presunçosa. — Agora — Ele continuou, quando ela não disse nada. —, se você observar o contrato, vai ver que a sociedade está em meu nome.

— Sim. — Ela disse, quando conferiu a informação no papel.

— Há mais um contrato aí, com você. — Ele esperou, ouviu-a mexer nas folhas. — Encontrou?

— Encontrei. O que isso significa?

— Basicamente, esse é um contrato pré-nupcial às avessas.

Bella assentiu, lendo-o rapidamente, mas ficando confusa. Edward não quisera saber de acordo pré-nupcial e essas burocracias quando eles resolveram se casar. Ele queria que tudo o que era dele se tornasse de Bella quando casassem.

— O que significa esse contrato às avessas?

— Significa que tudo o que é meu será seu após o casamento, com exceção da PW.

Ela franziu o cenho.

— Então, você não está me dando a agência?

— Sim e não. — respondeu ele. — Eu sei que você jamais aceitaria um presente como esse, com facilidade. Então, no momento, eu quero nomeá-la minha representante dentro da PW. Preciso de alguém competente e de confiança lá, afinal.

— Um-hum. — replicou Bella, tentando entender. — Eu serei sua representante.

— A curto prazo, sim. — disse Edward, um sorriso espalhando-se por seu rosto. Tinha levado algum tempo planejando aquilo, mas estava bastante satisfeito com a solução que encontrara. — A longo prazo, você mesma vai se tornar a sócia de Carmen. Mas — Ele acrescentou. — você vai ter que trabalhar bastante para isso.

Bella arqueou uma sobrancelha, intrigada.

— Conte-me mais.

— O contrato estipula um prazo de dois anos e uma determinada quantia, que você terá que atingir para conseguir a sociedade com Carmen. Uma vez atingida a meta, a PW será sua.

— Então — Bella conjecturou. —, você quer me dar a agência, mas vai me fazer trabalhar para consegui-la.

— Você não acetaria a PW de mão beijada. — Foi a resposta de Edward.

Não, ela não aceitaria.

— Mas, desse jeito...

— Você vai ganhá-la, mas também vai conquistá-la. Achei que ia gostar do desafio.

Bella sorriu. Ela adorava.

— Você chegou a um plano muito bom, senhor Cullen.

— Às vezes, faço isso. — replicou Edward, lançando um olhar por sobre o ombro. Mas Bella estava oculta pelo biombo. Gostaria de ver o rosto dela, mas resistiu. — Você aceita?

— Só tenho mais uma pergunta. O que acontece se eu não atingir a meta em dois anos? E quem estipulou essa meta, afinal?

— São duas perguntas. — observou Edward. — E você vai atingir a meta. — replicou ele, com confiança. — Quanto aos valores, meus contadores estipularam os números, com base em vários jargões econômicos. — Ele fez uma pausa. — Então, o que você me diz.

— Que eu não tenho muitas razões para escapar.

Edward esboçou um sorriso enviesado e, dessa vez, quando lançou um olhar por sobre os ombros, encontrou os olhos de Bella, apenas eles, fitando-o de volta.

— Esse é o plano, senhorita Swan.

Ela sorriu.

— Muito bem. — disse, respirando fundo, animada com aquele "presente" e com aquele dia em geral. — Onde eu assino?

— ~ —

Meses atrás, quando entrara naquela mansão pela primeira vez, Bella avistara um belo jardim de inverno. Cobiçara-o e imaginara que ele seria um belo cenário para um casamento pequeno.

Flores em toda a parte, ela havia imaginado. Lindas tulipas brancas, em vasos de cristal e rodeadas por flocos de neve que imitavam os que caíam lá fora, naquele momento. Tudo estava branco, dentro e fora do vidro que os separava do lado de fora. Tudo branco, em diferentes texturas, com pérolas e cristais para espantar a monotonia. O lugar não era muito grande, mas era suficiente para abrigar os convidados que importavam.

Quando imaginara tudo isso sobre o jardim de inverno, Bella não pensara que o tal casamento que projetava acabaria sendo o dela mesma. Mas a verdade era que, no instante em que dissera sim ao pedido de Edward, ela soubera que o casamento deles aconteceria naquele lugar, com a decoração que se formara em sua mente, os convidados que estavam ali, no momento, durante o auge do inverno.

Bella nunca tinha planejado a própria cerimônia de casamento, apesar do ramo em que trabalhava. Mas, agora percebia, isso ocorrera não por falta de criatividade, mas porque ela nunca conhecera alguém que a fizesse considerar a possibilidade de se casar.

Entretanto, ela tinha encontrado Edward e, muito convenientemente, ele viera acompanhado do cenário ideal para o casamento dos sonhos dela. Especialmente porque ele estava lá, esperando-a no altar.

O homem que ela amava. Tão lindo, tão escancaradamente satisfeito por vê-la caminhando em sua direção. Ele usava um smoking negro, como a meia noite, os olhos verdes brilhando, intensos, concentrados nela, apenas nela, consumindo-a, atraindo-a, impelindo-a sempre à frente, ao encontro dele. Seus lábios, aqueles lábios maravilhosos, curvaram-se num sorriso quando ela parou diante dele.

Ela também sorriu, os olhos cor de chocolate ampliados por maquiagem e felicidade, devolvendo a ele sentimentos que Edward redescobrira apenas com ela.

Ela estava linda, brilhando de contentamento, o vestido longo, as mangas de renda que expunham os braços, a seda suave ondulando a cada passo que ela dava. Ela estava maravilhosa. Linda, adorável e sedutora. Uma noiva moderna e romântica. A noiva dele. Nas orelhas, ela exibia os brincos que tanto adorava. Ele sabia que a joia pertencera à realeza. E, hoje, pensou, ela voltava a pertencer, pois não havia figura mais majestosa que Bella naquele instante.

Edward estendeu o braço, sorriu quando Bella o aceitou e, assim, eles se uniram no altar, dando início ao seu felizes para sempre.


N/A: Começou com um casamento... Tinha que terminar com um. :) Corre que ainda tem o Epílogo!