Olá, meus queridos, bom dia!

Eu havia me programado para postar este capítulo somente no domingo, quando eu voltaria de viagem, mas, segue hoje para vocês. Infelizmente, porém, é por um motivo muito, muito triste. Cheguei no serviço e uma colega de trabalho me contou que seu melhor amigo foi espancado e deixado pra morrer essa noite pelo simples fato de que ele era gay. O rapaz morreu na rua, sozinho, vítima de uma violência estúpida de pessoas que não entendem que vieram para essa vida para evoluir, corrigir os erros do passado e acabaram por destruir mais ainda a si mesmos e levaram consigo a vida de uma pessoa que só fazia o bem. Até quando isso vai durar, gente? Isso é ridículo, é inaceitável, como podem existir pessoas assim?

Eu não o conhecia, mas eu consigo sentir toda a dor da minha colega e da família desse moço. Poderia ter acontecido comigo, ou com a minha namorada, ou a minha mãe, ou até mesmo com os meus amigos. É muita dor, é muito pesar, é muita revolta.

E, por isso, eu dedico esse capítulo de hoje a ele e à todas as vítimas de qualquer tipo de violência; à todas as pessoas que foram agredidas e mortas apenas por serem quem elas nasceram para ser - felizes. Apesar de ser somente uma fanfic, que comecei a escrever por amor apenas, fica aqui a minha forma de protesto fazendo o que eu mais sinto prazer: escrever sobre o amor, independente da forma em que ele se manifesta.

Por favor, mandem suas melhores energias e orações pra família dele. A perda não é uma coisa fácil, ainda mais quando vem tão carregada de ódio e injustiça.

Obrigada.


As coisas andavam tranquilas até demais nos últimos dias. Erwin e Hange continuavam em Trost, estudando os titãs que apareceram no interior, junto com alguns dos soldados do 104º, incluindo Ackerman, que fora destacada para ficar no meu lugar. De início, a garota relutara um pouco por ter de separar-se de Eren, mas depois, ao entender a situação e a autoridade que lhe estava sendo conferida, pude notar que sua postura mudara e eu podia me ver nela, uma capitã nata que era. Essa é a pessoa que ficará em meu lugar, pensei, apesar de ainda não simpatizarmos muito um com o outro ainda. Mas eu estava tentando, que ficasse claro. Antes de partirmos, reuni-me com ela e o comandante, passando-lhe instruções de comando e no final, eu até mesmo apertei sua mão.

Vi a aprovação de Eren quando saí da sala, e todo aquele sorriso fez o esforço valer à pena. A cada dia que se passava, o garoto parecia ainda mais radiante, o sol e o calor saindo por todos seus poros, iluminando onde quer que estivesse. E aquela sensação novamente me inundava, um sentimento de lar, conforto e uma vontade imensa de abraçá-lo, deixar meus dedos correrem até os seus cabelos e beijá-lo com o se não houvesse amanhã.

O moleque segurava minha mala na mão esquerda e tinha uma mochila jogada sobre o ombro direito, e esperava-me para voltarmos para o quartel juntos. O carro já estava carregado com os pertences dos demais soldados e nossos cavalos já estavam arrumados para nos conduzir de volta. Ele abraçou Mikasa rapidamente quando a irmã passou por ele e voltou-se em minha direção, entregando-me a mala de couro que segurava e agradeci, tentando sorrir de volta para ele. Eu precisava adquirir aquele hábito para poder corresponder-lhe todos aqueles sorrisos à altura.

Montamos nos cavalos e permanecemos em silêncio. Naquele dia em particular, à expectativa de voltar para nossa intimidade, eu me encontrava calado, apreensivo e um pouco nervoso. Estava tudo correndo muito bem e eu sentia medo de que qualquer coisa voltasse a acontecer para estragar o momento. Há dias Eren não passava mal, mas vez ou outra eu conseguia ver um pouco de vermelhidão sob seu nariz e tinha certeza de que ele voltara a sangrar novamente e limpava antes de encontrar-se comigo, sabendo que eu me preocuparia.

O sol queimava nossas nucas e adiantei meu cavalo até o do garoto, puxando seu capuz para cobrir-lhe a cabeça. Um alívio momentâneo correu pelo seu rosto antes de virar-se para mim e lançar-me mais um sorriso.

– Mantenha a cabeça coberta, garoto – resmunguei.

– Obrigado, capitão – ele ajeitou um pouco mais o capuz, prendendo-o firmemente ao pescoço, e apertou o flanco do cavalo, voltando a cavalgar à minha frente, juntando-se a Jean, que voltava para casa conosco.

O ritmo da cavalgada se manteve constante enquanto o dia corria à nossa volta. Vi o moleque conversar acaloradamente com seu amigo, vez ou outra, ambas as vozes se elevando enquanto começavam a discutir, mas Mike se projetava entre eles daquela forma silenciosa e os apartava. Eren sempre me olhava rapidamente quando isso acontecia e encolhia os ombros, a expressão ao mesmo tempo desculpando-se e dizendo "a culpa é dele". E eu me limitava a dar de ombros. Eu não iria me meter na briga dos dois, porque, além de dos dois serem amigos de longa data e aquele comportamento ser normal para eles, havia algo na forma que o corpo de Jaeger quicava levemente sobre o dorso do cavalo que era extremamente… atraente.

Céus, Levi, disse a voz em minha cabeça. Você se tornou um velho pervertido!

Dei de ombros. Não era minha culpa que o garoto fizesse todas aquelas coisas com o corpo e simplesmente provocassem todo tipo de pensamento estranho e pervertido em minha cabeça. E, finalmente, estávamos chegando ao quartel, onde eu poderia matar todas aquelas vontades que ficaram acumuladas nos sete dias de viagem ao distrito na ponta da muralha.

Era o vigésimo sétimo dia do terceiro mês daquele ano, e eu ainda não sabia o que fazer. Em três seria o aniversário de Eren e eu ainda não sabia como me portar, o que fazer ou que falar. Erwin geralmente dispensava os soldados aniversariantes e mais um par de colegas para comemorarem na cidade, porém não me dera nenhuma instrução sobre como proceder com Eren. O comandante estava fora, tal como Mikasa que, eu imaginava, seria sua melhor amiga, e Armim havia… morrido. Eu não conseguia imaginar quem Eren levaria para a cidade junto de si, nem se estaria em condições de comemorar qualquer coisa. Em meu coração, eu esperava que ele me chamasse para comemorar consigo, mas o garoto não falara nada nos últimos dias, e eu não poderia deixar meu posto para coisas tão triviais.Mesmo que fosse Eren.

O garoto ainda completaria dezessete anos, e aquilo fez com que eu me sentisse extremamente velho. À ideia da idade, e da diferença entre a dele e minha, tudo aquilo parecia extremamente errado. Eu poderia ser pai do garoto se quisesse, apesar de saber que a chance de eu ter um filho não era nada além de absurda. Ainda mais um filho daquela idade. Por que você está pensando em filhos, Levi?, perguntou-me a voz dentro de minha mente. Eren não é seu filho.

Eu sei… Foi tudo que consegui rebater. A quem eu estava tentando enganar, afinal? Logo o garoto seria maior de idade e talvez pudesse sentir vontade de explorar o mundo, mesmo dentro das muralhas, e ele não gostaria de um velho inválido atrás dele, ainda mais um velho como eu, de pernas fodidas e um espírito mais calejado do que qualquer ancião. Suspirei. O que ele vira em mim para corresponder aos meus sentimentos?

Voltei a suspirar. Do lado direito da formação, alguns metros à frente, enxerguei um atalho que Farlan e eu montamos anos antes, para fugirmos um pouco de toda a pressão da tropa de exploração, e pedi licença a Mike, instruindo-o a continuar até o quartel que eu o alcançaria em pouco tempo. Talvez um pouco de retiro me fizesse bem, ajudasse a clarear meus pensamentos. Virei as rédeas de Justine e entramos no caminho onde a grama já estava grande além da conta, e alguns arbustos tampavam o caminho; eu conhecia aquele caminho bem demais, entretanto, e aquilo não era lá um grande problema.

Algumas borboletas voaram à nossa volta, e vi a égua divertir-se tentando abocanhar algumas. Era um bom animal, Justine. Estava comigo desde a minha primeira vez fora das muralhas e se tornara leal como eu nunca imaginei que um cavalo pudesse ser. E também era velha de guerra, como eu. Talvez fosse por isso que nos entendêssemos tanto. Acariciei seu dorso e desmontei quando encontramos a velha cabana de madeira que construímos, agora completamente coberta de trepadeiras. Amarrei suas rédeas na cerca e tirei um pouco de água do poço, colocando à sua frente.

Pisei com cuidado em alguns galhos, produzindo o único som audível naquele local tão embrenhado na floresta, onde nem os pássaros se faziam ouvir. Só de pisar ali eu já podia sentir aquela tranquilidade quase material que me invadia, o cheiro das folhas amassadas e a brisa limpa, sem o cheiro da cidade e nem do quartel. Mas estava tão… sujo.

Calcei minhas luvas e empurrei a porta com cuidado. Ainda estava fechada. Ótimo. Pelo menos ninguém descobrira o nosso esconderijo e aquilo me fez respirar dez vezes mais aliviado. Tateei meus bolsos atrás da chave que andava sempre comigo e a enfiei na fechadura enferrujada, girando duas vezes para a esquerda e uma para a direita, abrindo a porta com um click surdo. A empurrei com o pé, e uma onda de poeira em espirais me recebeu. Cobri o nariz e a boca com a capa e entrei.

Os móveis ainda estavam todos cobertos com o lençol branco que Isabel jogara por cima deles, dizendo que aquilo iria prevenir da sujeira e que eu não precisaria limpar tudo de novo quando voltássemos da missão. Mas nunca voltamos, não é?, pensei. Puxei um por um dos tecidos, revelando uma mesa simples com três cadeiras de madeira, um sofá velho, vermelho, e os quadros que trouxemos dos furtos do subterrâneo. Era tudo tão nostálgico que parecia se mostrar para mim como em um teatro, e eu fosse o espectador de toda aquela cena mórbida.

Abri as janelas, um pouco de ar entrando e trazendo luz natural para dentro da pequena sala. A luz do sol invadiu a privacidade que aquele lugar deveria me trazer, mas não me incomodou de todo. Toda a cabana pareceu agradecer-me por aquele momento de luz a qual foi privada por todos os anos em que não estive ali. Caminhei até o quarto, minhas botas deixando pegadas no piso cheio de poeira, seguindo-me como as lembranças, e encontrei as três camas que havíamos roubado do quartel. A cama de Isabel ainda estava feita, com um caderno de anotações sobre o travesseiro, um lápis gasto dentro dele, e o tomei nas mãos. Não havia nada de mais ali, apenas algumas coisas aleatórias que ela escrevia antes de deitar, como o quanto a comida era boa, porém não tão boa quanto a de Farlan.

Sorri. A única coisa que eu não sabia fazer era cozinhar, e Magnolia fazia questão de me lembrar do quanto aquilo poderia me trazer problemas ao procurar uma esposa. Eu não queria uma esposa naquela época, me recordei. Nem agora. Queria apenas Eren. Isabel o aprovaria, com certeza, depois de me dizer o quanto ele era bonito e forçar uma amizade com o garoto até que ele a aceitasse. Farlan, por outro lado, iria continuar me dizendo quanto ele era novo para mim, mas que se eu estava feliz, a idade pouco importaria.

Eu estava feliz? Talvez, disse-me a voz, que cada vez mais parecia a de Isabel. Talvez só um pouco, o pouco que dizia respeito ao moleque. Sentei-me sobre a cama que costumava ser minha depois de retirar o lençol dela e aspirei o cheiro que vinha das lembranças. Eren gostaria daqui, pensei. Era calmo e seguro, longe da agitação que nos cercava, longe dos treinos e da pressão de ter poderes de titã, ou ser considerado o maior soldado da humanidade.

Uma risadinha escapou de meus lábios. Quão irônica era aquela situação na qual meti o garoto e a mim? Ele era considerado a última esperança dos seres humanos de descobrir o porquê de toda aquela palhaçada de muralhas e titãs, e eu era o soldado mais forte da humanidade apenas por ter habilidades um pouco maiores que os outros. E agora estávamos juntos, formando uma dupla que deveria superar todas as expectativas, mas ainda assim eu me sentia como um adolescente amedrontado quando se tratava dele, e meu coração palpitava sempre que as imagens do seu corpo e do seu sorriso piscavam em minhas retinas.

Estiquei as pernas e, pela primeira vez, meu joelho não doera. Já é algum avanço, Levi, falou Isabel dentro de minha cabeça. Debrucei-me com o cotovelo sobre os joelhos e apoiei o rosto nas mãos. Eu precisava ir embora, precisava voltar ao quartel para colocar ordem na chegada dos soldados, porém o peso da saudade era grande demais para que eu me levantasse a abandonasse novamente os meus companheiros. Eu os havia abandonado uma vez quando parti atrás de Erwin e os deixei à mercê da morte, e uma segunda vez quando deixei para trás a única recordação material que tinha de suas vidas quando dei as costas à nossa cabana. A ideia de fazê-lo novamente me esmagou o peito, e por um instante o ar escapou dos meus pulmões.

Quando saí, puxando a porta atrás de mim e trancando-a novamente, senti que deixei um pedaço de mim sentado naquela cama, esperando que eu voltasse para buscá-lo. Montei em Justine e, antes de apertar seu costado, acenei para a pequena casa de madeira, prometendo a mim mesmo que voltaria para limpá-la e que traria Eren ali.

Cheguei ao quartel recebido pelo cheiro que saía do refeitório. Eram especiarias e ervas, e uma fumaça cinza saía da chaminé, indicando que alguém assava algo. Meu estômago roncou em protesto à fome e, enquanto entregava o cavalo ao responsável pelos estábulos naquele dia, encaminhei-me direto para lá. Servi-me de um pouco de comida e encontrei Eren sentado junto de seus companheiros e alguns soldados veteranos. Sentei-me na cadeira ao lado da sua e fui recebido com outro sorriso.

– Você demorou – sussurrou ele antes de dar mais uma garfada. – Fiquei preocupado.

– Precisei fazer uma coisa antes de voltar – respondi, mantendo os olhos firmes no assado de legumes à minha frente.

– Hm – respondeu Eren, abaixando sua mão até embaixo da mesa e deixando-a sobre minha perna.

Senti o rosto esquentar, mas não falei mais nada. Terminamos a refeição e os soldados fizeram as filas no pátio, Mike e eu à frente deles, sobre uma pequena elevação que Erwin sempre usava para dar ordens. Repassei mentalmente tudo o que o comandante havia me dito antes de partir com Hange e selecionei o que deveria dizer a eles. Cruzei os braços na frente do peito e esperei que parassem de falar. Mike, ao meu lado – fazendo-me sentir um anão, tão grande que era o homem – pigarreou audivelmente e o som finalmente cessou.

– Então – comecei –, parabéns pelo comportamento de vocês na cidade. O comandante e eu decidimos dar a vocês dois dias de descanso. – Houve uma comoção geral. – Ainda não terminei de falar. – Os repreendi e um silêncio constrangido se abateu sobre os soldados. – Os que quiserem partir para suas cidades, favor anotarem os nomes nesta lista e podem partir. Devem estar de volta até o vigésimo novo dia.

Mais uma onda de murmúrios correu as fileiras enquanto eu levantava a folha em minha mão.

– Os atrasados terão o prazer de limpar os estábulos, cozinha e o pátio dos titãs por uma semana. – Prendi a folha com um prego no quadro de madeira que estava atrás de mim. – Estamos entendidos?

Ouvi o barulho dos choques de suas mãos batendo continência e um coro de "sim, capitão". Dei um passo para o lado e vi diversos homens e mulheres caminhando para a folha, anotando seus nomes e o local para onde iam, adiantando-se rapidamente para os alojamentos, saindo logo em seguida com as mãos cheias de bolsas e as capas presas ao pescoço. Aquele local ficaria silencioso por um tempo. Virei-me para Mike.

– Você também pode ir, grandão – falei. – Pelo visto não teremos muito trabalho por aqui.

Mas ele limitou-se a negar com a cabeça. Dei de ombros.

– Você é quem sabe.

Voltei para as fileiras, onde alguns poucos soldados mantinham-se em posição. Entre eles, Eren ainda continuava com o punho dobrado sobre o peito, olhando para a folha com aqueles olhos grandes enevoados com uma tristeza que eu não conseguia identificar. Acenei com a mão para que os outros saíssem, mas ordenei que Eren ficasse, chamando-o com dois dedos.

– O que foi, Jaeger? – perguntei, segurando em seu braço e conduzindo-o em direção ao prédio. Ele caminhava a passos lentos, os olhos vazios e a boca repuxada levemente num sorriso triste.

– Eu não tenho para onde ir, sabe? – ele falou. – Esta é a minha cidade, a minha casa. Mas eu gostaria de ter algum lugar para ir.

Assenti, passando meus braços pela sua cintura no momento em que cruzamos o portal do quartel. Encostei o corpo do garoto na parte, e segurei seu rosto entre as minhas mãos por um instante, tentando decifrar o que mais poderia estar afligindo aqueles olhos tão verdes. Ele suspirou, sustentando aquele sorriso falso. Apertei suas bochechas.

– Não minta para mim com esse sorrisinho – falei. – Há mais alguma coisa?

Ele negou com a cabeça. Tomei a tomar sua mão e o arrastei para meu quarto. Entramos e tranquei a porta atrás de mim, empurrando-o em direção à cama. O garoto se deixou cair sem esforço nem resistência, e não falei nada enquanto eu tirava sua jaqueta e as correias do DMT presas às suas pernas e cintura, e também não disse nada quando arranquei suas botas e sua camisa. Ele apenas me olhava, com os olhos tão vazios que não os reconheci. Tirei minha própria camisa e botas, deitando-me ao seu lado e o abracei, seu corpo encostando-se ao meu sem roupas no caminho.

Eu havia lido em algum lugar que o contato humano, sem restrições, era a melhor cura para os males da alma. Talvez era daquilo que o garoto precisava.

– Levi… – ele começou, e ouvi sua voz embargar-se.

– Não chore, Eren – o interrompi. – Eu vou te dar uma casa para a qual voltar. Eu prometo.

– Você promete muitas coisas – ele fungou.

– Eu cumpro muitas coisas, garoto.

Vi sua cabeça descer e subir, em concordância. Depositei um beijo em seu pescoço e voltei a acomodar seu corpo esguio em meus braços. Ouvi sua respiração pesar e, então, tive uma ideia. Sacudi seus ombros e virei seu corpo para mim, vendo aqueles olhos protestarem à privação de sono que eu estava causando. Beijei seus lábios rapidamente.

– O que foi, Levi? – ele perguntou.

– Eu vou te dar uma casa – falei.

– Sim, você já me disse…

– Agora. – Respondi, passando os dedos pelos seus lábios abertos em um bocejo. – Venha.

– O que?

Saltei da cama antes de responder. Coloquei as botas de qualquer forma e voltei a vestir minha camisa, jogando os pertences do garoto em sua direção. Eren me olhava atônito, tão confuso quanto eu poderia esperar que estivesse, mas não hesitou em vestir-se quando pegou a blusa. Segurei sua mão e o arrastei para o depósito de material de limpeza, pegando alguns panos e alvejantes, jogando-os todos nos braços de Eren.

– Levi, o que você está fazendo?

– Shh, estou pensando – respondi. Peguei um espanador e algumas vassouras, colocando-os sob o braço. – Me acompanhe, garoto.

Amarrei todos aqueles suprimentos em uma bolsa e a prendi em Justine. Ordenei que Eren fosse até a cozinha e pegasse alguns pães e frutas, pois não voltaríamos ali tão cedo. O apressei quando me respondeu apenas com um olhar intrigado, e, então, ele foi. Enquanto o esperava voltar, encontrei Mike parado, dobrando a lista e a guardando dentro do bolso.

– Zacharius! Coloque, por favor, o nome de Jaeger e o meu na lista. – Fui recebido por mais um olhar intrigado. As pessoas ali só tinham aquela expressão? – Vou levá-lo para… hm… um treinamento no campo. Voltaremos no trigésimo dia, pela manhã. – Estiquei o braço e toquei seu ombro. – Conto com você para cuidar do quartel, uma vez que você ficará por aqui mesmo.

O líder de esquadrão assentiu para mim.

Montei em Justine, segurando o cavalo de Eren pelas rédeas e o esperei voltar da cozinha. Ele montou em Apolo e partimos em direção à saída do quartel.

– Capitão, onde estamos indo?

– Você verá, Eren – respondi, procurando com os olhos a entrada agora à nossa esquerda. Quando a encontrei, guiei Justine até lá, acenando para Eren me seguir.

E ele veio ainda confuso, embrenhando-se nos arbustos e tendo alguma dificuldade em desvencilhar as roupas que ficaram agarradas nos galhos das árvores. Precisei voltar até onde estava para ajudá-lo. O garoto conseguia ser tão tolo as vezes que eu simplesmente sentia vontade de dar-lhe alguns sopapos até que se tornasse pelo menos um pouco esperto. Mas todo o rubor que invadia seu rosto quando eu o ajudava fazia aqueles pensamentos sumirem rapidamente. Era adorável ver seu rosto corado e os olhos baixos enquanto ele me agradecia com meias palavras envergonhadas.

– Tome cuidado, garoto – falei, segurando as rédeas de Apolo com uma mão, puxando-o. – Mantenha-se abaixado se não conseguir desviar dos galhos.

– Ok – ele me respondeu, o rosto ainda baixo, tão vermelho quanto possível.

Chegamos à cabana, e fiz o mesmo que fizera naquele mesmo dia mais cedo; saltei de Justine e a prendi, acariciando seu pescoço. Dei uma mão para Eren quanto ele desmontava, mas fui repelido com um "consigo descer sozinho". Dei de ombros e prendi seu cavalo ao lado de Justine. Joguei a bolsa de materiais sobre os ombros e aguardei até que o moleque acomodasse a comida nas mãos.

– Venha, Eren – chamei. – Temos trabalho a fazer.

– O que é esse lugar?

– Você verá.

Enfiei a chave na fechadura novamente, duas vezes para a esquerda, uma para direita e, então, empurrei Eren para dentro, esperando sua reação. A confusão ainda persistiu por alguns instantes e então ele entendera. Finalmente.

– Essa casa… é sua? – ele perguntou, deixando a bolsa de alimentos sobre a mesa.

– De certa forma, sim. Era de Isabel e Farlan, também. Vínhamos aqui quando não queríamos mais ficar no quartel. – Falei, imitando o gesto de colocar a bolsa sobre a mesa. Tomei sua mão entre as minhas e o puxando para meus braços. – Agora é sua, Eren. Pelo seu aniversário. Para você ter um lugar para voltar.

Seu rosto parecia a ponto de explodir.

– Eu não posso aceitar uma… uma casa, Levi – ele falou. – Você poderia me dar um cartão. Como você sabia?

– Eu li sua ficha, garoto – falei, dando-lhe uma pancada leve na testa do moleque.

– Mas ainda faltam três dias…

– É tempo mais que suficiente para colocarmos este lugar em ordem – interrompi. – Vamos logo, pegue uma vassoura.

Eren ainda ficou parado um tempo antes de pegar uma vassoura e começar a varrer aleatoriamente. Ele parecia tão desconcertado quanto adorável, e eu não sabia o que fazer além de olhá-lo sem graça. Peguei um dos lenços dentro do saco e prendi em seu rosto, levantando-o antes só para beijar-lhe rapidamente. Abrimos as janelas juntos e mostrei a ele como a limpeza deveria ser feita e passamos o resto da tarde em silêncio, o único som vindo das vassouras no chão e os móveis sendo levantados e abaixados novamente. Vez ou outra nossos olhares se cruzavam e eu tinha certeza que o garoto lançava para mim aqueles sorrisos sem graça por baixo do pano. Idiota, pensei. Eu não podia ver sua boca, apesar de seus olhos transmitirem qualquer reação que pudesse ter.

– Levi – chamou ele, quando a tarde começava a cair. – Olhe o que eu encontrei.

Jaeger estava parado de frente para um armário perto da cozinha pequena que Farlan havia improvisado quando montamos a cabana. O garoto havia aberto uma portinha de vidro, segurando uma fotografia velha, empoeirada, e a limpava com as mãos. Aproximei-me e tomei o papel de sua mão, uma repentina nostalgia invadindo-me enquanto eu via as três pessoas desenhadas no papel, duas sorrindo e uma delas, eu, completamente soturno. Aquela era a minha aparência sempre?

– Essa é Isabel – apontei para a menina ao meu lado esquerdo, pendurada em meu ombro. – Ela tinha um pouco mais de idade que você quando se foi. – E esse aqui – apontei para o rapaz alto e loiro, um sorriso gigante estampado na feição resoluta – é Farlan. Meu primeiro amigo.

Dobrei a foto e a coloquei dentro do bolso, mas Eren rapidamente a furtou de mim.

– Não faça isso. Vou arrumar um lugar para ela.

Dei de ombros, agradecido pelos meus olhos não serem tão expressivos quanto os dele. Qualquer lembrança daqueles dois cabeças-ocas transformavam-me novamente naquela criança do subterrâneo, amedrontada e abandonada.

– Vamos parar por hoje – falei, virando-me de costas e retirando o lenço do rosto.

Eren me ajudo a guardar as vassouras e os panos, e sentamo-nos no sofá, exaustos. Meus dedos procuraram os seus e os entrelaçaram enquanto eu jogava a cabeça para trás, aspirando toda a limpeza do cômodo. Faltava apenas o quarto e o banheiro pequeno, mas aquilo ficaria para o dia seguinte. Eu estava cansado, física e emocionalmente, e – nunca pensei que diria estas palavras – não queria mais limpar nada. Um vento frio, carregado de cheiro de floresta entrou pela janela, misturando-se ao cheiro de alvejantes e roupas limpas, e o garoto se encolheu, colocando os pés em cima do estofado. Envolvi seus ombros e deixei sua cabeça descansar em meus ombros.

– Eu te amo, Eren – falei quando achei que ele já havia adormecido.

– Eu também te amo, meu capitão – ele falou, me surpreendendo por ainda estar acordado. – Obrigado por me apresentar a sua casa.

Acariciei seus cabelos empoeirados e o virei para mim, deitando-me no sofá e trazendo seu corpo para cima do meu.

– É a sua casa, garoto – falei, segurando seu rosto e vendo quando começava a ruborizar outra vez.

– Não… – ele começou, e seu rosto de inclinou em direção ao meu, beijando-me suavemente. – É a nossa casa.

Assenti, descendo as mãos até suas costas e o apertando contra mim, arrebatando seus lábios no beijo ávido que ansiei em lhe dar desde que voltamos da cidade.

–––

No dia seguinte, quando acordei todo torto e dolorido por ter dormido no sofá, um cheiro forte de café e pães torrados vinha da cozinha. Esfreguei os olhos e encontrei Eren vestido com os panos sobre o rosto e cabelos, a vassoura nas mãos, varrendo o quarto. Uma pilha de lençóis brancos se acumulava ao lado da porta. O garoto espirrava violentamente, mas em momento algum hesitou. Fiquei um pouco mais deitado, apesar da dor nas costas, apenas para ver seu esforço.

Uma vez, há alguns anos atrás, eu escutara a expressão garoto de ouro, mas nunca achei que alguém pudesse ser realmente de ouro, mesmo que tivesse uma boa personalidade. Mas aí existia Eren. O garoto era tão quebrado e danificado quanto eu, se não mais, e ainda assim conseguia fazer coisas pequenas como um café ou varrer um quarto – ainda que precisasse muito melhorar suas habilidades com a vassoura – parecerem tão significantes. Estiquei-me, bocejando, e me levantei.

Cada vértebra da minha coluna protestava e se estalava enquanto eu levantava os braços, apertando os olhos, tentando despertar totalmente. Senti aqueles braços compridos envolverem a minha cintura e, quando voltei a olhar, vi o rosto de Eren a milímetros do meu, o lenço abaixado no queixo. Ele me beijou e puxou minha mão até a mesa, onde me empurrou uma caneca com o café.

– Bom dia, Levi – ele falou, apoiando o queixo na mão.

– Bom dia – respondi, bebendo o café e dando uma mordida no pão. Estava um pouco frio, mas aquilo não me incomodou. Estava delicioso.

– Eu já terminei de limpar lá dentro, e o banheiro também – ele disse, passando a mão pela testa suada. – Podemos tomar um banho agora.

Ele piscou. Ok, agora eu estava um pouco sem graça.

Terminei de comer rapidamente e, quando me dei por mim, Eren despia-me rapidamente, as mãos grandes passando pelo meu corpo, enquanto me beijava sem pudor e empurrava meu corpo em direção ao cubículo do chuveiro, um cheiro tão forte de alvejante que meu nariz ardeu. Ele abriu o registro e entrou debaixo da água comigo, esfregando minha cabeça e minhas costas. Eu não tinha tempo de reagir, o garoto era rápido demais, ágil demais. Eu logo estava coberto de sabão, da cabeça aos pés, e ele brincava com a espuma em meus cabelos, enquanto eu somente o olhava, tentando descobrir se estava ou não acordado de verdade.

Aquele moleque era estranhamente fascinante de se olhar. Segurei em sua cintura e o ergui do chão, batendo suas costas na parede e encaixando suas pernas na minha cintura, deixando a água cair entre nós, lavando cada beijo que eu dava em seu pescoço e seu peito. Meus dedos deslizavam pelas suas costas e pelos lados de seu corpo, e Eren segurou-se em meu pescoço, os braços cruzados atrás de mim, apertando seu corpo contra o meu. Eu queria possuí-lo ali mesmo, sob aquela água e matar todas as vontades que eu vinha reprimindo todo aquele tempo.

Mas… não. Eu não podia fazê-lo daquela forma, não ali, dentro daquele banheiro tão pequeno que não era digno do porte de Eren. Não era certo com o meu garoto privá-lo de todo o conforto que eu queria dar quando tivesse seu corpo.

– Eren… aqui não. – Sussurrei ofegante. – Vamos para a cama.

O moleque fez um bico e me senti compelido a mordê-lo com força, mas algo dentro de mim me freou, um pensamento ridículo de que ele poderia se transformar em titã ali mesmo passando pela minha cabeça. Desliguei o chuveiro e, ainda o carregando, o levei até o lado de fora do box, colocando-o no chão e jogando-lhe uma toalha para que se secasse. Observei cada gota que a toalha tirava de seu corpo, a forma com que caíam pelas suas costas em direção ao seu quadril, os músculos definidos voltando a aparecer depois daquele período de recuperação e a forma com que delineavam as curvas do corpo de Eren. Estiquei a mão e toquei-lhe as costas, e vi seus pelos se eriçarem.

O rosto de Jaeger virou-se em minha direção – os olhos abertos e surpresos. Ele era tão quente… era casa para mim. Eu não precisaria de um local para voltar desde que pudesse voltar para ele. Um sorriso fino brincou em seus lábios quando ele enrolou a toalha em volta da cintura e saiu em direção ao quarto. Sequei-me rapidamente, seguindo-o até o cômodo que também já estava limpo – não tão limpo quanto eu gostaria, mas, ainda assim, melhor do que estava antes – e o encontrei sentado em uma das camas. Ele havia juntado duas, uma do lado da outra, fazendo uma grande cama de casal. Seus olhos levantaram-se quando cheguei, e ele sorriu ainda mais abertamente, as mãos tirando sua toalha e jogando-a no chão. Avancei em sua direção, derrubando-o de costas na cama, olhando dentro de seus olhos. Eu poderia me perder ali, naquele momento, naquele local, naquele corpo.

A vida parecia muito mais fácil quando estávamos sozinhos. Parecia… normal.

Segurei suas mãos acima de sua cabeça, forçando meu quadril contra o seu, vendo seu rosto de contorcer, a expressão passando daquele sorriso radiante a um esgar de sufoco, enquanto seus lábios se comprimiam, reprimindo um gemido. O garoto sabia fazer as coisas certas, no momento certo. Arranquei uma das fronhas do travesseiro e amarrei seus pulsos, girando seu corpo de modo que ficasse de costas para mim, e levantei seu quadril, deixando-o de joelhos na cama. Prendi seus pulsos amarrados no encosto da cama e beijei suas costas e todos os lados de seu corpo, apertando-o com força.

– Diga meu nome – ordenei.

– Ah… – ele gemeu.

Desci a mão até seu membro e o toquei. Céus, por que eu não havia feito isso antes? Era tão… incrível. Deslizei a mão suavemente para cima e para baixo, escutando todos os sons que saiam de Eren tão naturalmente, sua boca entreaberta, o corpo se levantando em direção ao meu. Eu podia ver seus músculos se retesarem a cada movimento que eu fazia, e aquilo me dava um prazer obscuro, ter aquele calor todo para mim, pormim.

– Peça, Eren – repeti, abaixando a boca até as suas costas e passando a língua pela sua coluna.

– Capitão… – voltou a grunhiu ele, ainda entre dentes, a respiração irregular.

– Vamos, Jaeger…

Meu coração palpitava, e eu podia sentir a ereção tão forte que todo meu corpo estremecia levemente, ansiando por entrar em Eren, sentir seu quadril contra o meu, aquele momento em que nos tornávamos apenas um e aquilo tudo bastava. Intensifiquei os movimentos com a mão em seu membro, e, a cada vez que e descia e subia, o corpo do garoto se mexia ainda mais sob o meu, os braços presos na cama tentando soltar-se desesperadamente. Agarrei seus cabelos, puxando sua cabeça até que nossos olhos se encontrassem.

– Você não vai se soltar até que eu permita, moleque.

Ele engoliu em seco, mordendo o lábio inferior, assentindo para mim. Quando soltou a boca, passou a língua pelo local onde a havia mordido e deu-me aquele sorriso demoníaco. Desci a cabeça até suas costas e, ainda sem desviar meu olhar do seu, cravei os dentes em sua carne, deixando a marca certa da minha boca naquela pele branca.

– Capitão, por favor… – ele finalmente disse, e fora justamente o que eu precisava.

Soltei sua cabeça, segurei suas nádegas com minhas duas mãos e o penetrei, ouvindo sua voz passar de um gemido baixo a uma exclamação alta, como se ele finalmente libertasse o que quer que ele estivesse prendendo dentro de si. Segurei-o um pouco pela cintura enquanto o via gozar sobre todo o lençol, o corpo ainda estremecendo em minhas mãos, a respiração escapando com intervalos curtos, a boca se mexendo em palavras ininteligíveis. A única que consegui discernir foi meu nome e, como um botão, aquilo despertou dentro de mim o mesmo instinto selvagem que me tomava em todas às vezes que o tinha em minhas mãos.

Avencei contra seu corpo com força, mantendo as mãos firmes em sua cintura, movimentando-o de encontro a mim até o momento em que vi que Jaeger o fazia por conta própria, empurrando-se em direção a mim, pequenos gemidos saindo de sua garganta e misturando-se ao som que provinha dos nossos corpos se chocando até que, mais rápido do que eu esperava, fui invadido por aquele torpor característico do clímax e soltei um único barulho, baixo, e permiti que seu nome escapasse de dentro de mim. Derramei-me dentro de Eren, o corpo inteiro retesado numa mistura de alívio de um pouco de tristeza por já ter acabado.

Desamarrei suas mãos e deitei-me. Ele veio por cima de mim, colando seu corpo no meu, o coração batendo tão apressadamente que eu podia senti-lo junto do meu, como se estivesse dentro de meu peito. Afaguei seus cabelos e beijei sua cabeça repetidas vezes, enquanto buscava forças dentro de mim para falar qualquer coisa, encontrando somente aquele vazio confortante. Uma risada curta se chocou contra meu peito e Eren levantou a cabeça, as bochechas coradas além da conta e os olhos brilhando mesmo sem luz. Suas mãos tocaram meu rosto, e ele afastou os cabelos de minha testa.

– Eu te amo, capitão – ele disse.

Naquele momento, eu sorri. Sorri verdadeira e abertamente, como nunca havia sorrido em toda a minha vida. Como o mundo ainda podia ser tão cruel quando existiam nele pessoas como Eren? Pessoas com aquele sorriso e aqueles olhos, e toda aquela inocência mesclada com um pouco de experiência, que o tornavam tão especial… pessoas que faziam com que seres humanos como eu, que nunca imaginaram encontrar alguém, me sentisse tão verdadeiramente amado. Aquele era o meu Eren. Inteiramente meu.

Jaeger me beijou, roçando o nariz no meu, as pernas encaixadas contra as minhas e voltou a iluminar tudo a nossa volta, como sempre fazia quando sorria. Devolvi-lhe o beijo, só que em maior quantidade e mais rápidos, beijando cada parte do seu rosto, seu pescoço, seus cabelos, passando pelos seus lábios e voltando a cobrir cada centímetro de pele que estava ao meu alcance.

Ele riu outra vez, mas foi tomado de um impulso forte, virou o rosto ligeiramente e espirrou audivelmente, lançando-me um olhar de desculpa por ter estragado o momento. Mas… não havia o que desculpar. Até o seu espirro era tão, mas tão adorável… O som que ele fez ao espirrar, aquele pshuu, o jeito que suas mãos se moveram involuntariamente e seu rosto de contraiu em pequenas rugas, aquilo tudo fez meu coração saltar do peito, e meus braços o envolveram com força, e me vi novamente beijando cada pedaço do seu rosto.

– O que é isso, Levi? – ele perguntou, tentando se desvencilhar de mim, mas eu simplesmente não conseguia soltar toda aquela graça. – Pare, você está me fazendo cócegas!

O beijei mais um pouco e permiti que nossos olhos se encontrassem mais um pouco antes de descer minhas mãos até sua cintura e flexionar os dedos, apertando seu corpo levemente e realmente fazer cócegas, até que Eren não aguentou mais e explodiu em risadas altas, gostosas, o corpo de contorcendo enquanto eu montava em seu corpo e o fazia rir até que o ar sumiu de seus pulmões e seus braços não tinham mais forças para tentar me afastar. Os olhos verdes do garoto já estavam cheios de lágrimas quando parei, ainda observando enquanto ele as limpava e puxava um pouco de ar para dentro.

– Você é a coisa mais bonita que eu já vi em toda a minha vida, garoto – falei, abaixando-me devagar até dar-lhe um beijo rápido. – Você é incrível.

Ele corou rapidamente e lançou os braços pelo do meu pescoço, franzindo as sobrancelhas e apertando os olhos, deixando-os cair levemente, no que imaginei ser uma imitação mal sucedida de mim. Eren engrossou a voz e falou:

– Cale-se.

Permiti-me rir daquele momento. Rir, somente, até que eu mesmo sentisse dor nas costelas e finalmente conseguisse reunir algum pouco ar para beijar o meu amado novamente.