UM CONTO SOBRE ESPERANÇA PARTE III
Autora:Reggie_Jolie
Casando:Legolas/Deirdre
Censura:R
Gênero:Drama/Romance
Beta:Sem betagem. Apenas revisão básica.
Avisos: Sexo e Violência.
Disclaimer: Nada absolutamente nada, exceto os personagens originais, me pertencem. Tudo veio da mente absolutamente genial de J.R.R. TOLKIEN, e a seus herdeiros e empresas legalmente constituídas pertencem a Terra Média, seus personagens e a trama original desta fanfiction.
Sumário: Capítulo centrado nas batalhas que ocorrem no Norte. Quase nada neste capítulo é Cânnon, visto que Tolkien não o escreveu em detalhes. Apenas fez referências ao mesmo no terceiro livro da Trilogia de O Senhor dos Anéis.
Linha Temporal: Começa no ano 2992 da Terceira Era, antes da Guerra pelo Anel de Poder se alastrar pela Terra Média e termina no ano de 1541 da Quarta Era. Seguindo principalmente o universo dos livros (O Senhor dos Anéis_ Trilogia Completa_Contos Inacabados, O Hobbit)
Nota da Autora: As falas retiradas do livro e transcritas sem nenhuma modificação aparecem sublinhadas.
"[...]o terceiro mal foi a invasão dos carroceiros, que consumiram as forças já minguadas de Gondor em guerras que duraram quase cem anos. Os carroceiros eram um povo, ou uma confederação de muitos povos, que vinha do leste, eram mais fortes e estavam bem armados do que qualquer outro exército que aparecera antes.[...]
Anais dos Reis e Governantes, p355. In: O senhor dos Anéis, o Retorno do Rei.
cap.31. O CERCO A EREBOR
GONDOR
ÉOWYN
Dois dias. Fora tudo o que ela se permitira. Então Éowyn levantara-se do leito que ocupava nas Casas de Curar. Devidamente trajada e com o braço na tipoia, a Dama Branca de Rohan fora procurar o diretor das Casas de Curar.
Ele recebeu-a bem. Entretanto não conseguia entender porque sua paciente insistia em ser liberada dali, quando a cura não era completa. Ouviu as queixas da paciente e pôde, por fim, entender sua angustia. Era estar isolada de tudo, não ter notícias do mundo lá fora que a angustiava.
"Não há notícias da guerra. As aias não me dizem nada, argumentou Éowyn."
"Não há notícias – exceto que os Senhores cavalgaram para o Vale Morgul_ E que o novo capitão que veio do Norte os lidera." Disse o diretor.
"Não há nada a fazer? Quem está no comando dessa cidade?" Inquiriu Éowyn.
"Não sei bem ao certo- respondeu ele-. Essas coisas não são responsabilidade minha. Há um marechal comandando os cavaleiros de Rohan, e o Senhor Húrin pelo que ouvi dizer, lidera os Homens de Gondor. Mas o Senhor Faramir é por direito o Regente da Cidade."
"Onde posso encontrá-lo?"
"Nesta casa, senhora. Ele foi seriamente ferido, mas agora já está a caminho da recuperação." disse o diretor das Casas de Curar.
"Pode me levar até ele?" indagou Éowyn.
EREBOR
THORIN ELMO DE PEDRA
A forma mais rápida de derrotar um inimigo num campo de batalha, é tirar o que lhe dá vantagem. Se estiver a cavalo, tire a montaria, se possuir um escudo, quebre-o. Thorin Elmo de Pedra, sabia que no momento, eles estavam em franca vantagem pois estavam dentro da montanha.
Nenhuma investida ou ideia conseguira mais do que aproximar-se do fosso. E os que se atreveram a tanto foram alvejados. Corpos de orcs acumulavam-se fora e dentro do fosso.
Aquele era o primeiro dia de Cerco a Erebor. E transcorria sem nenhuma novidade. Os anões não tinham nenhuma intenção de deixar sua fortaleza na montanha e os soldados do Senhor do Escuro não tinham meios de tomá-la. Era um jogo de forças desigual, mas que favorecia os anões.
"Vamos cansá-los. E quando eles estiverem bem entediados, aí sim nós daremos a eles uma batalha que jamais esquecerão." afirmou Thorin Elmo de Pedra.
Aquela era uma afirmação confiante e arrogante. Contudo numa batalha é preciso uma boa dose das mesmas ou a batalha é perdida antes mesmo de começar.
Por volta da metade da manhã Angathar apareceu. Ele desafivelou o cinto que prendia a espada e entregou-a um haradrim. Então ele instigou a montaria à frente.
Os arqueiros começaram a preparar-se, mas Tholin Braço de Pedra conteve-os.
" O cão de Sauron vem negociar" disse o filho de Dwalin.
"Deixemos ele latir."
As gargalhadas ecoaram.
"Ele não tem como lutar. Está em desvantagem" afirmou Tholin.
Bard que estava ao lado dos anões acenou concordando e disse:
"Que comece uma nova rodada de negociações."
"Dáin Iron Foot, que o líder dos anões apareça." disse Angathar
"O rei Dáin Iron Foot aceita sua rendição" afirmou Thorin Elmo de Pedra
"Vim negociar com o rei Dáin Iron Foot e não com crianças" afirmou Angathar.
Thorin e Tholin ouriçaram-se ao ouvirem a palavra crianças, mas prosseguiram.
"O rei Dáin Iron Foot aceita sua rendição, bem como suas armas, em troca da liberdade de menos da metade do seu contingente. O restante será feito prisioneiro." asseverou Thorin Elmo de Pedra.
O cavaleiro bufou. O som saiu abafado pelo elmo. O imenso cavalo de guerra pateava o chão inquieto. Angathar disse:
"Não vim render-me. O Senhor do Escuro exige que os anões deixem Erebor."
Os anões riram. E riram espantosamente alto.
"Se não veio render-se. A que veio?" indagou Thorin.
O silêncio foi a resposta.
"Não teremos piedade alguma com um humano que vendeu-se a Sauron. Por nos ameaçar sua morte será lenta e dolorosa." afirmou Thorin Elmo de Pedra.
Bard viu o cavaleiro empertigar-se, cutucar os flancos da montaria, e dar meia volta. Os anões romperam em uma comemoração barulhenta.
Bard riu, voltou-se para os primos e disse:
"Vou me repetir, mas e agora?"
Tholin sorriu. O que suavizou sua expressão carrancuda então afirmou.
"Eles atacarão. E fracassarão."
ANGATHAR
O tédio é mortal. Soldados entediados são péssimos soldados. E o capitão de Sauron sabia disso.
A tarde escoou lentamente. Os snowtrolls tocavam tambores, marcando ritmo, mas ninguém se movia.
Fogueiras foram acesas.
Nenhum movimento entre as tropas.
Os wargs mordiam-se. Os orcs que os montavam precisavam contê-los a todo instante. E Angathar manteve suas tropas imóveis, apesar do perigo que isso representava.
A montanha era a grande vantagem deles. Mas Angathar possuía as armas do Senhor Sauron.
Ele chamou dois carroceiros. Os humanos aproximaram-se.
"Agora é a chance que vocês tem de acabar definitivamente com o povo de Valle, que veio abrigar-se na montanha dos anões.
Os humanos concordaram.
Seguindo as orientações, eles trouxeram carroças grandes, e dentro de cada uma delas, vinha carregada com uma carga preciosa. A mesma carga que lograra grande vitória para Sauron em Rohan. Contudo antes de usá-las eles testariam a muralha bem como o portão.
Ao anoitecer chegou a chuva e as fogueiras foram apagadas. Ao que parecia era o sinal que Angathar esperava para mover suas tropas, o som dos tambores ficou mais alto e as tropas começaram a mover-se morro abaixo.
Então as tropas pararam e abriram passagem para imensas balistas e grandes carroças com munição. Eles bombardeariam a fortaleza.
"Corremos o risco deles danificarem a estrutura." disse Thorin Elmo de Pedra.
"Sim. No entanto, eles não entrarão. Nenhum exército jamais entrou em Erebor. Nem mesmo na grande batalha dos cinco exércitos. Afirmou Tholin.
Grandes blocos de pedra vieram voando e chocaram-se contra o portão. Eles se estilhaçaram, o portão tremeu, mas não caiu. Na realidade o mithril sequer foi arranhado.
"É só um teste." Disse Tholin Braço de Pedra.
Ele voltou-se para o grupo de arqueiros.
"Preparar. Ao meu sinal, atirem nos trolls."
Era o mais sensato a fazer.
Quando os trolls se expuseram para recarregar as balistas, setas e mais setas foram disparadas. Era possível ver os brutamontes tentando arrancá-las, esquecendo de carregar as balistas.
Foi então que eles viram homens aproximarem-se e descarregarem algo de dentro das imensas carroças. Eram necessários quatro homens, mas eles colocaram o objeto nas balistas e as lançaram. Quando o objeto chocou-se com a parede ouve uma grande explosão. O barulho era ensurdecedor. Pedras caíram, as paredes tremeram, mas a montanha continuou de pé.
"Se é tudo o que eles tem, asseverou Tholin Braço de Pedra. Podem vir. Essa fortaleza resistirá ao ataque."
EREBOR
DEIRDRE
Primeiro ela ouvira o som de uma explosão. Embora tivesse soado muito distante. Depois houve um tremor muito pequeno. E logo ele se repetiu mais duas vezes.
Deirdre estava francamente angustiada. Sabia que o irmão estava lá fora na batalha, enquanto ficava confinada aos aposentos. Não que suas acomodações fossem ruins, ao contrário. Mas detestava ficar alheia ao que acontecia lá fora. Enquanto ela pensava no que fazer uma batida a porta, revelou seu casal de amigos, que haviam sido alojados num aposento contíguo ao seu.
"Então a luta já começou." afirmou Amord Anrinion
"Ao que tudo indica. Respondeu Deirdre. Embora nenhuma notícia nos chegue aqui."
"E o que pretende fazer?" perguntou Laurea.
"Procurar o rei Dáin Iron Foot e meu pai. Eu não vim até aqui para ficar trancafiada num quarto."
Erebor era um labirinto de corredores, escadas e portas que conduziam aos mais diversos aposentos. Quando chegara junto com Bard e o rei, ela fora conduzida até os pais. Mas não sabia onde ele estava naquele instante. Apostava que Onodher estaria junto ao rei Dáin Iron Foot. E Deirdre tinha certeza de que somente eles dois tinham a chance de modificar o quadro em que se encontrava.
Em um dado momento, eles se encontraram com um anão. Deirdre indagou-o acerca do caminho para o salão real. O anão olhou-a de alto a baixo, reconhecendo-a como uma dos convidados do rei. O anão gentilmente ofereceu-se para levá-los até o rei.
Aquela era a grande galeria dos reis. Ali em tapeçarias antiquíssimas, estavam estampados todos os reis de Erebor, desde 1999, ano de sua fundação, chegando ao atual rei Dáin Iron Foot.
Então finalmente chegaram ao salão do trono. Era o mesmo trono em que Thrór governava, e que nem Thráin nem seu filho Thorin Oakenshield, chegaram a sentar-se.
Deirdre agradeceu aos Valar não ter medo de altura porque uma longa e estreita ponte conduzia até o trono, olhando pelas laterais, via-se enormes esculturas de guerreiros. Uma queda ali era morte certa. Ao final da ponte seis degraus levavam a plataforma onde estava o trono esculpido em pedra verde, havia detalhes em ouro na lateral.
Quatro guardas armados estavam ao lado do rei.
O anão que os procedia parou. Aquela era uma comitiva de causar certa estranheza. Uma humana e dois elfos vindos de Mirkwood. Contudo aqueles eram dias diferentes. O mundo passava por mudanças antes nunca vistas.
"Sua majestade, grande Dáin Iron Foot, rei de Erebor."
Deirdre não se fez de rogada e prostrou-se diante do rei. Ela ouviu que o anão a anunciava e só então ergueu-se.
"Levante-se minha cara. Venha juntar-se a nós. Seu pai e eu estávamos conversando sobre a batalha."
Deirdre sorriu e aproximou-se ainda em silêncio. Não era hora de envolver-se e revelar o que pretendia fazer. Por hora desempenharia o papel de filha e irmã preocupada com os rumos da batalha.
BARD
Era madrugada quando um grupo de anões desceu por cordas e dirigiu-se ao portão. O trabalho deles era retirar as pedras dali. Quando os orcs perceberam tudo já tinha sido limpo.
O portão foi aberto e um grupo de anões montados em cabras da montanha partiu.
As cabras eram enormes, com longos chifres recurvados. Eram quatrocentos anões, os orcs mal tiveram tempo de descer o morro quando os anões chegaram.
O caos se instalou. Porque é isso que ocorre nas batalhas. Machados quebravam pernas, braços e pescoços. Anões eram feridos por cimitarras orcs. Wargs tentavam morder as cabras e eram repelidos com cabeçadas e chutes.
"Arqueiros!" Ouviu-se uma voz.
"Arqueiros!"
E uma saraivada de flechas orc cortou o ar.
O dia amanhecia finalmente.
Uma trombeta ressoou no ar.
Mais anões chegavam, cuidadosamente organizados em grupos.
E foi como duas ondas chocando-se no mar. E havia gritos. Choro. Sangue. Suor e excrementos.
Bard viu um machado acertar um elmo e a criatura cair ao chão. Ele não morreu de imediato e tentava acertar o anão a todo custo.
Bard estocou com a espada e o orc mais próximo sucumbiu.
Ao ouvir gritos entusiasmados Bard voltou-se na direção do som. O portão de Erebor fora aberto novamente e a incredulidade abateu-se sobre ele.
Era o rei. Dáin Iron Foot. E não apenas o rei. Seu pai Onodher, e sua irmã, também vieram lutar. Ele balançou a cabeça em franca discordância mas nada mais poderia ser feito.
GONDOR
ÉOWYN
Cinco dias se passaram desde que a Dama Branca de Rohan, encontrara-se com o regente da cidade, o senhor Faramir.
Cinco dias desde que ele a surpreendera com ousadia declarando que ela era linda.
Cinco dias em que ambos conversavam, esperavam e apoiavam-se mutuamente. O diretor das casas de curar a tudo isso via, e sorria internamente. Seus pacientes melhoravam a olhos vistos. A senhora mais lentamente que o senhor.
Ambos estavam sob a muralha da cidade quando a grande águia chegou trazendo noticias dos Senhores do Oeste.
O perianath Merry foi convocado e partiu com suprimentos para Osgiliath. Faramir agora recuperados, assumira as funções de Regente da cidade, e Éowyn voltara a ficar sozinha no jardim.
Um recado veio da parte do rei Éomer de Rohan. Contudo ela não se juntara a ele. A tristeza encheu-lhe o coração. Então o diretor das Casas de Curar, foi procurar o regente da cidade.
"Éowyn, porque você continua aqui, e não vai aos festejos em Cormallen além de Cair Andros, onde seu irmão a aguarda?" Perguntou Faramir
"Você não sabe?" Éowyn devolveu a pergunta.
"Pode haver dois motivos, mas qual é o verdadeiro eu não sei." Respondeu Faramir.
Como a dama permanecesse em silêncio Faramir continuou.
"Então, se é esse o seu desejo senhora você não vai porque apenas seu irmão a chamou, e contemplar o Senhor Aragorn herdeiro de Elendil, em seu triunfo não lhe traria felicidade alguma. Ou então porque eu não vou, e você deseja ficar perto de mim. E talvez seja por esses dois motivos, e você não está conseguindo escolher entre eles."
Como era possível que ele a conhecesse tão profundamente, se conviveram por apenas cinco dias. Era tudo o que Éowyn de Rohan se indagava. Então ela ouviu Faramir perguntar com sinceridade -a sua marca pessoal- mais uma vez.
"Éowyn, você não me ama, ou não deseja me amar?"
Ela olhou-o. Viu os olhos azuis acinzentados. O cabelo que o vento insistia em despentear. Um sorriso franco. E então respondeu.
"Desejava ser amada por outro, mas não quero a comiseração de nenhum."
"Isso eu sei. Você desejava ter o amor do Senhor Aragorn. Porque ele era nobre e pujante, e você queria ter renome e glória e ser elevada bem acima das coisas mesquinhas." insistiu Faramir.
Ela suspirou. Faramir, o regente de Gondor, conseguira ver seu coração como ninguém, nem mesmo seu irmão, o fizera.
"Mas quando ele lhe ofereceu apenas compreensão e pena, então você não desejou mais nada, exceto uma morte corajosa em batalha."
Éowyn baixou a cabeça. Era doloroso demais.
"Olhe para mim, Éowyn."
Ela finalmente pode contemplá-lo. Não havia comiseração em suas palavras muito menos em seu olhar.
"Eu a amo. Já senti pena de sua tristeza. Mas agora, mesmo que você não sentisse tristeza alguma, nem medo, e não lhe faltasse nada, fosse você a bem-aventurada Rainha de Gondor, ainda assim eu a amaria. Éowyn você não me ama?
E o coração da Dama Branca de Rohan se abriu. A mudança aconteceu.
"Estou em Minas Anor, a torre do sol, e eis que a sombra partiu. Não desejo mais ser uma rainha."
Faramir sorriu.
"Assim está bem, pois eu não sou um rei. E mesmo assim me casarei com a Senhora Branca de Rohan, se ela assim o desejar."
Eles estavam de mãos dadas. O sorriso de ambos poderia iluminar toda a cidade, todavia estavam imersos num mundo só deles.
E Faramir começou a traçar planos que incluiam ela mudar-se para Gondor definitivamente Éowyn sorriu e disse:
"Então devo deixar meu próprio povo, homem de Gondor? E você gostari que seu povo orgulhoso dissesse a seu respeito: lá vai um senhor que domou uma intéprida escudeira do Norte! Não havia uma mulher da raça de Númenor para ele escolher."
"Gostaria." respondeu Faramir.
E ambos foram até o diretor das Casas de Curar, que alegrou-se imensamente pelos seus pacientes mais queridos. E embora Éowyn tivesse permissão para deixa o lugar, ela não o fez até a chegada do Rei Éomer.
A SER CONTINUADO...
