TÍTULO: UM CONTO SOBRE ESPERANÇA

AUTORA: Reggie_Jolie

CASANDO: Legolas/Deirdre (OC)

CENSURA: R

GENERO:Drama/Romance

BETA: Lourdiana

AVISOS: violência.

DISCLAIMER: Nenhum dos personagens me pertence. Todos vieram da mente brilhante de J. R.R. TOLKIEN, e, bem, essa é uma forma de homenagear esse autor de histórias tão brilhantes e fascinantes. Apesar disso os personagens originais (OC), Deirdre, Bard, Elina e outros são meus e não podem ser usados sem autorização.

NOTA DA AUTORA:Bem aqui está o capitulo com o qual me despeço dessa fanfic. Ilúvatar sabe o trabalho que ela me deu. Os personagens que criaram vida e me atormentaram. Ao mesmo tempo que escrever essa fanfic, me permitiu cultivar amizades nesse universo tolkenieano. A todos (as) que acompanharam essa história meu muito obrigada.

Pois os elfos não morrem enquanto o mundo não morrer, a menos que sejam assassinados ou que definhem de dor (e a essas duas mortes aparentes eles estão sujeitos); nem a idade reduz sua força, a menos que estejam fartos de dez mil séculos; e, ao morrer, eles são reunidos na morada de Mandos, em Valinor, de onde podem depois retornar.

O silmarillion pg34

EPÍLOGO

ANO 3019

EREBOR

BARD

Era noite. O céu estava completamente limpo. Não se via uma única nuvem, nem mesmo uma estrela. Rotiharion e Aelia, sua esposa, haviam retornardo de Gondor dois dias atrás, e trouxeram as novidades da coroação.

O rei Thorin III imediatamente liberou os prisioneiros do Harad, conforme a ordem real. Eles tinham trabalhado duramente na reconstrução de Erebor e não foi com pouca alegria que Tarick e os seus deram adeus ao reino dos anões.

Bard e o rei levaram dois dias conversando e ao final o rei de Valle decidiu que era chegada a hora de retornar a sua cidade, apesar da insistência de Thorin III em mantê-los na montanha.

Mais uma vez, estavam todos, Bereth, a senhora Elina, Amord Anarinion, e Laurea, na câmara que Deirdre ocupava em Erebor. Nem ela nem mesmo Bard, sabia explicar por que, mas aquele era o lugar onde se reuniam para decidir o que fariam de Valle.

"Sabe, eu estou contente que toda a guerra tenha terminado, mas o novo rei tornou inválido nosso acordo com os haradrim." disse o rei.

Deirdre olhou o irmão, o rei Bard e assentiu.

"Sim", confirmou Roitharion, "o rei perdoou a todos e despachou-os para suas terras."

"Não é que eu esteja questionando o rei Elessar." Bard voltou a falar. "Só que a reconstrução de Valle vai demorar mais se não tivermos ajuda. Temos pessoas doentes, mulheres, crianças. Pessoas que não podem trabalhar ou trabalhariam pouco na reconstrução."

"As crianças podem ajudar recolhendo palha para os tijolos e argamassa." Disse Bereth. A mulher até então estava calada e brincava com Toivo.

A senhora Elina fez um meneio com a cabeça, apoiando a ideia.

Eles permaneceram por mais de duas horas discutindo cada etapa do que seria necessário para a reconstrução da cidade de Valle, o quanto gastariam, quem faria cada coisa e, ao final, o rei Bard olhou para a irmã e disse:

"Está na hora de você visitar seu sogro, Tarien Deirdre. Estamos precisando da ajuda dos elfos."

"Sua vontade será feita Rei Bard." Respondeu Deirdre.

"Amrod," ela voltou-se para o elfo. "vou precisar de sua ajuda meu caro".

"Então está tudo decidido. Partiremos para Valle." afirmou Bard.

MIRKWOOD (ERYN LASGALEN)

DEIRDRE

"Num grande salão com pilares talhados na pedra estava o Rei Elfo, num trono de madeira esculpida. Em sua cabeça, via-se uma coroa de bagas e folhas vermelhas, pois o Outono chegara novamente." - O Hobbit

Amord e Deirdre desceram a estrada que margeava o Rio Corrente até chegar ao local onde antes havia a cidade do lago. Ninguém morava ali agora. Estava amanhecendo e a névoa recobria o Lago. Os pilares de rocha onde a cidade fora erguida eram visíveis, os prédios de madeira haviam sido consumidos pelo fogo.

"É triste demais. Muito foi perdido nessa guerra, tantas pessoas pereceram." Argumentou Deirdre

"Teremos muito trabalho para reconstruir tudo." disse Amord Anarinion.

"Teremos?" Indagou Deirdre que sorriu e continuou.

"Você não pretende voltar para Mirkwood Amord?"

O ellon(elfo) pareceu desconcertado por um instante antes de responder.

"Eu e Laurea só voltaremos quando a Tarien voltar."

"Vamos lá" disse ela, impelindo a montaria para frente.

" Quanto mais rápido chegarmos, mais rápido o rei poderá nos ajudar. Assim Bard espera, e eu também."

Então eles aproximaram-se das fronteiras de Mirkwood, pelo lado norte, exatamente onde saía o rio da floresta. À medida que seguiam pela estrada viam as grandes árvores de troncos escuros e nodosos, folhas longas e a hera que crescia e arrastava-se pelo chão.

Coa (casa). Disse Amord.

Eventualmente um raio de sol conseguia passar por entre as árvores. Mas o que chamou mais a atenção de ambos, foi a aparente ausência de animais por ali. Nada dos esquilos negros, nem mesmo uma única aranha. A floresta estava curada do mal que a habitara por longos anos.

Então chegou a noite e tiveram de pernoitar na trilha mesmo. Acenderam uma fogueira e revezaram-se entre dormir e vigiar. Ao amanhecer retornaram a viagem. Então ouviram o som de cascos velozes.

"Batedores?" Indagou Deirdre.

"Não". Respondeu Amrod Anarinion.

" Afaste-se Tarien (princesa)."

Passando por eles tão rápido que por pouco não fora visto, um grande veado branco. O animal parou e observou-os por longos minutos, então embrenhou-se floresta adentro.

"Esse animal e seus descendentes há muito são vistos aqui. São protegidos pelo rei. Ninguém deve caça-los." afirmou Amrod Anarinion.

"É magnifico, sem dúvida. Posso entender porque o rei não o quer morto."

"Bom, logo seremos interceptados por alguma patrulha," afirmou Amord Anarinion.

"Assim espero."

Era noite. A lua há muito se erguera no céu. Deirdre viu a estrada que levava aos salões de Thranduil.

"Logo uma patrulha deve nos parar Tarien( Princesa)" disse AmrodAnarinion.

"Aye (sim) Essa é a minha dúvida: devemos prosseguir ou esperar e sermos abordados."

"Cabe a Tarien( Princesa) decidir."

"Vamos."

Andaram poucos metros e foram interceptados.

"Daro! (Alto)"

Eram doze no total. Caras implacáveis, pétreas e estavam todos de armadura. Thranduil não se descuidava. Rapidamente os doze os cercaram. Flechas apontadas para eles.

Em silêncio Deirdre afastou o capuz verde do rosto e pelo canto do olho viu que AmrodAnarinion, repetia o mesmo gesto.

"Tarien?" O ellon indagou surpreso.

"Eu mesma Déor. Não nos vemos desde a última batalha, onde você e Teague abriram o portão traseiro para nós. Você poderia nos deixar entrar? Temos uma mensagem do rei Bard, para o grande rei Thranduil". Como sempre ela deu seu melhor sorriso.

A uma ordem do edhel (elfo) os arcos foram recolhidos. Então os elmos foram retirados, Deirdre reconheceu Nirthol, Aeron, Rauthar, Calion, Marthan.

"Abram os portões. Tarien (princesa) Deirdre está voltando."

Hannon-Le (muito obrigado) Déor.

Até ali podia-se ver os estragos da guerra. Algumas das árvores estavam de pé, embora mortas. Da ponte onde estavam eram visíveis as dez colunas, que tinham por função sustentar o teto da entrada da caverna. Atravessaram a ponte e passaram pelas largas portas de pedra, que se abriam magicamente.

Sim. Ela sentira falta daquela caverna. Pensou Deirdre enquanto apeavam no pátio. Os cavalariços aproximaram-se e levaram as montarias.

"Sigam-me por favor." Disse Deór.

Enquanto eram guiados, Deirdre observava que praticamente nada mudara ali dentro. As mesmas escadarias., as mesmas luzes que iluminavam tudo, o som perpétuo do rio encantado sempre ali. Cruzaram com elfos de uma companhia que se preparava para sair. Até que chegaram ao salão do trono. Como de costume, seis guardas estavam ali para fazer a segurança do rei.

E sentado em seu trono de madeira esculpida, coroado por longos chifres de alce, estava Thranduil. Era verão e pronto para celebrar a nova estação o rei estava vestido de azul e, para a surpresa da jovem, havia um falcão em sua mão.

Logo abaixo do rei, como ela esperava estava o conselheiro Thargon, o amigo do rei. A muito custo Deirdre conseguiu suprimir o ato de virar os olhos, quando este aproximou-se. A um gesto do rei a jovem adiantou-se e fez uma reverência.

"Mae Govannem Aran (majestade)."

"Mae Govannem Tarien (princesa) Deirde."

"Aran (majestade) trago uma mensagem do rei Bard."

A contra gosto Deirdre entregou o pergaminho ao conselheiro. Era fato que eles não se gostavam. Tolerar seria a palavra mais adequada.

Os olhos azuis por fim ergueram-se do pergaminho. O rei quedou-se em silêncio. Então desceu silenciosamente, os quinze degraus que conduziam ao trono, passou pelo conselheiro e aproximou-se da jovem que ainda aguardava sua decisão.

"Thargon Mellon Amim (meu amigo). Providencie suprimentos e organize grupos para ajudarmos a reconstruir Valle." Disse por fim o rei.

"Venha Ield-Nin (minha filha) precisamos conversar um pouco mais sobre o que aconteceu em Erebor."

"Sárie!"

A elleth sorria ao ser abraçada efusivamente.

"Quando o rei mandou me chamar, por um instante quase não acreditei." afirmou Sárie.

"Ah! Que bela amiga. Você realmente achou que nunca mais me veria?"

Sárie apenas sorriu.

"Venha, Tarien, vamos aos meus aposentos, buscar uma certa besta peluda que ficou aguardando-a; então podemos conversar com mais calma."

A humana riu.

ANO 3019

VALLE

BARD

Era absolutamente desolador. A cidade estava grande parte incendiada. E o que não fora destruído pelo fogo, fora pelas máquinas de guerra de Sauron.

A cada rua em que entravam mais destruição era visível. As fontes, os aquedutos, as ruas de pedras coloridas, tudo destruído.

Os habitantes seguiam de dois em dois. Era uma fila interminável.

"Cuidado ao entrarem em suas casas." Afirmou o Rei Bard. "Muitas podem estar desabando. A casa do Governante tem espaço suficiente, receberemos todos. Amanhã começaremos a reerguer nossa cidade."

A casa estava em pedaços. Parte do teto havia desabado.

"A lareira ainda funciona". Disse a senhora Elina.

"Ótimo, mãe. Vamos fazê-las funcionar, temos muitos para manter aquecidos. Apesar de ser verão, as noites não são tão quentes assim."

"Senhora". Chamou Alysia. "Apenas uma limpeza e os quartos podem ser ocupados."

"Então hospedaremos várias famílias." Disse Bereth.

SETE DIAS DEPOIS

"Rei Bard! Rei Bard!"

O rei afastou-se do grupo que estava reconstruindo uma das casas e viu um grupo de elfos, vestidos em verde e marrom. Diante deles, a cavalo, estava a irmã, Amord Anarinion e um elfo que ele não recordava se já tinha visto.

Então eles viram chegar não uma, mas cinco carroças puxadas com cavalos, repletas de suprimentos.

"Com os cumprimentos do rei Thranduil, para o rei Bard e o povo de Valle". Disse Deirdre.

O irmão ajudou-a a apear da montaria

"Obrigada". Ele beijou-a. "Muito obrigada."

"Rei Bard. Permita-me apresentar-lhe o conselheiro Thargon."

"Mais uma vez, o grande rei Thranduil salvou nosso povo." Disse Bard. "E mais uma vez, não temos como agradecer."

"O rei deseja manter a amizade que existe desde os tempos do primeiro rei Bard. Disse o conselheiro."

Então o rei Bard esqueceu toda a solenidade possível e abraçou ao conselheiro Thargon.

Tentando esconder o ataque de riso que tal ato provocou, Deirdre voltou-se e abraçou Amrod. Apenas o movimento dos ombros, delatava o riso que ela não podia conter.

ANO 3020

VALLE

LEGOLAS

"Bem, Gimli, aqui está Valle e logo adiante a terra de seus parentes, Erebor." Disse Legolas

Eles haviam chegado a primeira cerca de estacas pontiagudas. Era questão de minutos e seriam interceptados por guardas.

"Alto."

"Quem vem lá e o que querem?" indagou um dos guardas.

Enquanto os homens e elfos trabalhavam na construção das muralhas, Deirdre e as outras mulheres organizavam tudo ao redor, desde a distribuição de água e alimento, até os materiais da própria construção.

"Rover, volte aqui!" Ela exclamou ao ver o animal desabar em uma carreira até o portão.

"O que houve?" Indagou Laurea.

"Não sei. Ele estava dormindo e de repente saiu correndo. Laurea, você pode vê-lo?"

A elleth direcionou o olhar para onde a amiga indicou e disse:

"Tarien, há uma pessoa buscando por você nos portões. Eu creio que é melhor você descer até lá."

"Legolas?!"

Por um instante Deirdre perguntou-se se estava sonhando. Mas ela então ela viu Rover que pulava e latia junto a Legolas. Era real sim. Ele finalmente tinha voltado.

Havia um anão junto a Legolas e ela se perguntou o porquê daquele anão estar ali.

Deirdre começou a correr e as pessoas em volta afastavam-se sem entender o que dera na jovem para toda aquela pressa.

Então ela estancou. A cabeça girava. E as borboletas voavam em seu estômago. Como isso era possível? Ia ser assim para o resto da vida? Num rompante a jovem enlaçou-o pelo pescoço. Legolas escorregou suas mãos ao redor de sua cintura, o calor de seu corpo a abrasou através de sua roupa e Deirdre pôde saborear seu cheiro, bosque, couro, pinho em cada inspiração que tomou.

"Deirdre"

Algo na voz dele atraiu a atenção dela e, quando ela olhou de volta para ele, fitou direto dentro dos olhos azuis, olhos que um dia achara irresistivelmente belos. Olhos que agora pareciam perfurar-lhe o coração. Havia desejo cru em seu olhar, um desejo quase doloroso, e, entretanto, estava cuidadosamente sob controle. Essa restrição dele a comoveu, mas também viu quão frágil esse controle era.

Então Deirdre ouviu uma tosse.

Os dois estavam imersos um no outro e a tosse tornou a repetir-se.

Legolas suspirou e tomando-lhe a mão disse:

"Melethril,permita-me apresenta-la ao meu companheiro e amigo nessa viagem, Gmili, filho de Glóin."

A contra gosto Deirdre baixou o olhar e encontrou o anão. Houve um longo e tenso momento onde nenhum deles se moveu ou falou. Ainda com os braços ao redor da cintura da mulher Legolas apreciava aquele momento. O anão parecia surpreso e levemente assustado, sem saber como agir. Depois do que pareceu durar uma eternidade, Deirdre falou:

"Bem vindo a Valle, Gmili, filho de Glóin."

Ela então voltou o olhar para Legolas e afirmou:

"Vamos procurar o rei."

Só então o cachorro moveu-se atrás dos três.

Horas depois

"Seu ada (pai) pediu para lhe entregar isso."

Legolas abriu o embrulho e de lá caíram as esmeraldas de Girion, que o primeiro Bard havia entregue a Thranduil após a batalha dos cinco exércitos.

O elfo olhou desconsertado para as pedras verdes e então disse:

"Ele até pode ter pedido para você trazer e entregá-las. Mas estas joias pertencem a sua família, minha querida. Na realidade você pode ficar com elas."

"Não!" Ela fez uma careta. "Entregue-as a Bard. Eu não preciso delas."

Então Legolas fez exatamente o contrário do que ela pedira.

"Vire-se. Vamos ver como ficam em você"

Ele percebeu o olhar irritado dela e sorriu, um sorriso provocante que lhe causou arrepios.

Legolas aproveitou-se desse momento para colocar as esmeraldas em Deirdre.

"Pronto. Você já viu. Agora tire isso. Eu me sinto ridícula."

"Você realmente tem muita dificuldade em aceitar presentes A'mael (amada)."

"Você é o único presente dado pelo rei Thranduil que eu quero."

VALLE

BARD

3021 O último ano da Terceira Era.

A reconstrução da cidade de Valle finalmente estava completa. A nova muralha erguida era sólida e forte o bastante para proteger todos que viviam dentro do perímetro da mesma.

Exatamente no dia do meio do ano, Bereth deu a luz mais duas crianças. Duas meninas que foram chamadas de Sigrid e Tilda. Três anos depois nasceu mais um menino e foi chamado Bjorn.

Quando Legolas e Gmili voltaram para Gondor, Deirdre foi com eles. Os três participaram do povoamento de Ithilien a mando do rei Aragonr Elessar.

Afinal a casa de Legolas era onde Deirdre estava. E Legolas permaneceu com ela, viu-a envelhecer e foi ele que fechou-lhe os olhos quando ela se foi desse mundo.

1541. Quarta Era no Registro do Condado.

Neste ano, em primeiro de março, finalmente se deu o Passamento do rei Elessar.

Um último barco saiu de Ithilien, navegando pelo Grande Rio, o Anduin, em direção ao mar; rumo ao reino abençoado de Valinor. Nele iam Legolas e o anão, Gmili, filho de Glóin.

FIM