N/T: Beer pong é um jogo onde a pessoa tem que acertar uma bolinha de pingue pongue no copo de cerveja, quem errar bebe. Explicando para quando aparecer mais lá embaixo pois não há uma tradução dessa brincadeira que eu conheça. =D
Que bom que gostou, Ray. Vou continuar sim ;)
Eu fechei a porta da sala do coral suavemente atrás de mim. Não era uma saída tempestuosa, afinal de contas. Eu só... eu precisava de algum espaço.
Eu me encostei numa parede, logo do lado de fora da sala do coral. Eu já podia escutar os sons da risada e divertimento geral. Por uma vez, eu não me importei – talvez eles já tivessem se esquecido de mim.
Assim que esse pensamento passou pela minha mente, a porta abriu. Para minha surpresa, Tina Cohen-Chang saiu. Ela fechou a porta atrás dela e fez seu caminho pro corredor. Eu não disse nada, mas ela me viu assim que o corpo dela se nivelou com o meu.
"Rachel," ela disse.
"Oi Tina." Foi realmente tudo o que eu podia fazer. Eu estava surpresa por ela ter saído da sala, mas isso não queria dizer que ela queria qualquer coisa a ver comigo. Ela podia só estar precisando ir no armário dela até onde eu sabia.
"R-Rachel, eu... eu só queria saber se você está bem. Aquelas g-garotas disseram coisas bem malvadas mas... eu não sei, eu só posso imaginar que isso deve s-s-ser realmente difícil agora."
Eu acho que minha boca literalmente caiu aberta em choque. Tina e eu nos conhecíamos há muito tempo. Na verdade, nós éramos o que eu consideraria relativamente boas amigas no ensino infantil e fundamental. Nós tivemos aulas de dança juntas por anos.
"Obrigada pela preocupação, Tina. Eu não posso dizer que estou bem agora. Eu só vou pra casa me preparar pra o que quer que venha amanhã quando eu tiver que encarar todo o corpo estudantil," Eu suspirei suavemente nesse momento. "Deve ser uma nova aventura..."
Ela me agraciou com um olhar cheio de pena. Meio que me enjoou – que alguém pensasse que eu precisasse desse tanto de pena – e meio que me fez feliz – que alguém estava disposto a desperdiçar comigo tanto pensamento.
"Eu s-s-só quero que você s-saiba, Rachel, que você pode c-contar comigo. Eu tentarei e-e-estar presente pra você. Você não deveria ter que p-passar por isso sozinha." Ela se esticou e me puxou pra um abraço muito gentil, seus braços se envolvendo facilmente ao redor dos meus ombros. Eu devolvi o abraço tão suavemente quanto, cautelosamente envolvendo meus braços na cintura dela – Eu estou quase sem saber o que fazer nessa situação. E esse pensamento me deixa triste.
"Obrigada, Tina. Você é uma boa amiga." Nós paramos de nos abraçar e ela se afastou, se colocando um pouco mais perto da porta do coral. "Tenha um bom ensaio." Ela sorriu e deu tchau, e eu virei pra ir embora pelo corredor. Enquanto ela colocava a mão na maçaneta eu virei de volta pra ela.
"E Tina?" Ela olhou pra mim. "Você é uma cantora fenomenal e uma grande atriz. Mas você não me engana com essa gagueira. Eu espero que você ganhe confiança em breve pra sumir com isso. Sua voz realmente é linda."
No começo, ela pareceu ter sido pega com a guarda baixa, sua boca formando um pequeno "oh," então ela apenas respirou profundamente, sorrindo pra mim brilhantemente e voltando pra dentro da sala do coral.
Os corredores estavam vazios e eu lentamente fiz meu caminho pro meu carro. Meus pais compraram pra mim dois meses atrás pro meu aniversário de dezesseis anos. Eu imagino como eles iriam reagir a essa notícia... Eu posso só imaginar que eles levariam melhor do que os pais de Brittany ou Santana. De fato, eu tremia ao imaginar o que aconteceria com Quinn Fabray se ela ficasse grávida no ensino médio. Eu conheci o pai dela antes, no ensino fundamental. Ele colocava o medo de Deus dentro de mim mesmo naquela época, e eu não sou particularmente religiosa pra começo de conversa...
De alguma forma, eu sentia que ainda teria um telhado sobre minha cabeça, mesmo depois de eu revelar a notícia para os meus pais. Enquanto na maior parte eu não podia especular com certeza quais os resultados seriam, eu me sentia confiante que os cenários que eu coloquei na capa do meu caderno eram todas as reações verdadeiramente possíveis dos meus pais, e eu não os via me expulsando.
Eu espero estar certa.
Eu destravei meu carro enquanto me aproximava dele e entrava, colocando minha mochila no banco do passageiro. Eu coloquei a chave na ignição pra ligar o carro, mas um peso repentino parecia me pressionar de todos os lados. Eu sentia como se fosse sufocar se eu não conseguisse escapar logo. Estava ficando difícil de respirar.
Eu me forcei a respirar muito profundamente três vezes. Vamos, Rachel. Controle-se.
Eu acho que eu não tinha percebido que eu estava chorando profusamente, lágrimas já correndo pelas minhas bochechas.
Repentinamente, meu estômago começou a remexer. Eu rapidamente abri a porta e consegui esvaziar o conteúdo do meu estômago no pavimento do estacionamento. Só, argh. O gosto era nojento pra mim. Eu lembro de ficar doente enquanto criança...
"Mas Papaizinho... eu só me sinto tão, tão doente. Meu estômago dói de maneira horrível. EU acho que estou morrendo," uma pequena Rachel Berry soluçava enquanto segurava a mão de um dos pais dela. A pele negra da mão dele gentilmente afastou a franja dela.
"Rachel, querida, você não tem idéia do quão melhor você vai se sentir se você se deixar vomitar. Só mesmo uma vez, você se sentira bem melhor." Rachel apertou os olhos bem fechados quando ele disse isso.
"Papaizinho, não diga essas palavras." Jovem Rachel Berry claramente tinha o mesmo pendor para o drama que sua versão mais velha de dezesseis anos. "Me faz quase fazer só de pensar." Ela simplesmente procedeu a se enrolar em uma apertada posição fetal, recusando-se a sair da cama e fazer o ato que não podia ser mencionado de limpar quaisquer toxinas que estavam em seu estômago fazendo-a ficar doente.
Adam, o 'Papaizinho' dela, suspirou e esfregou as costas dela gentilmente. "Ok, amorzinho. Eu vou dar uma passada na loja e comprar 7-Up. Eu farei seu pai vir e checar você em alguns minutos." Ele se inclinou pra baixo e beijou a testa dela. "Fique boa logo. Nós temos ingressos pra O Rei Leãoem alguns dias, lembra?"
Ele recebeu um pequeno sorriso em resposta. Ele levantou e deixou o quarto, suavemente fechando a porta atrás dele. A testa de Rachel suavizou-se e ela rapidamente caiu no sono.
Sentada no carro, Rachel suspirou. Uma criança? Apesar do aspecto adolescente tradicionalmente rebelde da personalidade de Rachel querer afirmar sua independência e inerente 'maturidade', Rachel sabia que ela realmente ainda era só isso: uma criança. Como ela podia criar um bebê?
Assim que ela começou a ir nessa linha de pensamento, ela escolheu afastar sua mente pra bem longe dali. Ela tinha alguns meses pra resolver as coisas. Não estava particularmente em sua natureza deixar para amanhã o que ela podia fazer hoje, mas ela não estava certa de que suas frágeis emoções podiam lidar com isso atualmente. Então ela se fechou.
Uma bela bagunça, ela pensou com um pequeno vestígio de amargura. Ela tinha que pensar em algo, qualquer coisa, que a colocaria de volta a uma aparência de humor otimista. Ela colocou seu carro na ré e lentamente saiu do lugar dela no estacionamento. Enquanto ela deixava o terreno da escola, ela pensou naquela noite aproximadamente oito semanas e meia antes, e antes do flashback começar, ela percebeu que isso definitivamente não a colocaria em um bom humor...
As luzes estavam muito diminutas. A música estava alta. Rachel não reconhecia ninguém na festa. As amigas que a convidaram – garota com quem ela dividia uma aula de balé e que eram alunas na Escola Carmel – tinham rapidamente achado pessoas que elas conheciam. Rachel foi brevemente apresentada, mas em breve ela percebeu que ela era literalmente a vela e se separou do grupo.
Não levou muito tempo para ela achar a cozinha, apesar de que ela precisou empurrar várias dúzias de corpos pra chegar ali. Ela realmente se contentaria só com água, mas aparentemente água era uma mercadoria em baixa naquela casa. [Água da torneira não seria aceitável.] Então Rachel encheu um copo com qualquer cerveja que estivesse fluindo livremente do barril mais próximo. Eu tomei um gole e imediatamente odiei o gosto. Mas isso era realmente a única opção dela.
"Bem, quem nós temos aqui," uma voz alta e irritante soou atrás dela. Ela virou o rosto pra quem quer que claramente estivesse falando com ela. Ela era provavelmente a única pessoa desconhecia para a maioria dessas pessoas. "Olá, linda. Meu nome é Marcus, e eu não acredito que nós não tivemos a sorte de nos conhecer ainda."
Rachel não pôde deixar de rir um pouco pro cara; ele era, se nada mais, confiante. Ou talvez ele tivesse bebido um pouco de álcool demais. Apesar disso, Rachel não iria ser rude. Ela estava tendo uma pequena sensação de estar na Cova dos Leões, e não era confortável. Ela precisava se soltar um pouco.
"Olá," ela estendeu a mão pra ele. "Meu nome é Rachel Berry."
Ele segurou a mão dela dramaticamente, abaixou-se em um joelho e levemente beijou os dedos dela. "Rachel Berry!" ele quase gritou. "Bem-vinda! Eu espero que você esteja aproveitando sua estadia nessa excelente – se eu posso dizer isso – festa nessa casa do seu criado." Ele arrogantemente piscou pra ela. "Diga, boneca, nós estamos prontos pra começar um jogo de beer pong. Interessada?"
Rachel riu nervosamente. "Bem, eu não vou mentir – eu nunca tomei parte em um jogo de 'beer pong' antes, mas eu sou bem competitiva por natureza." Ela parou por um segundo. "Claro, eu adoraria jogar."
Três rodadas de beer pong mais tarde e Rachel tinha perdido um total de... Bem, três rodadas. O time contra quem ela e Marcus estavam jogando consistia de um cara chamado Garrett (bem pequeno, cabelo loiro, olhos azuis bonitos) e outro cara chamado Jesse. Mas Rachel conhecia Jesse. Pelo menos, ela já tinha ouvido falar dele. Vocalista masculino principal do Vocal Adrenaline, o garoto era uma lenda nos círculos de show do coral por todo o Meio Oeste. Ele tinha cabelo castanho ondulado e uma estrutura óssea de morrer. Ele tinha uma bela compleição física e Rachel se achou imediatamente atraída pelo talento dele – Err... Por ele. Pr aparência dele, claro...
Pra encurtar a história, depois de três rodadas perdendo no beer pong – e considerando o fato de que Rachel Berry nunca tinha consumido uma gota de álcool na vida antes daquela noite – a garota estava acabada.
A maior parte da noite era um borrão. Ela lembrou de perder espetacularmente no beer pong. Mais música alta. Ela estava dançando com alguém. Uma das suas amigas primeiro, mas em breve, ao invés dela, Jesse estava parado na frente dela. Ela lembrava de mal conseguir ficar em pé, muito menos dançar. As coisas estavam distorcidas, picotadas – ela não lembrava de deixar a sala de estar. Mas ela obviamente tinha deixado.
A próxima coisa que ela lembra – e ela lembra com uma clareza impressionante – era acordar na cama de um estranho. Ela ainda podia ouvir o bater diminuto de um baixo através do chão e da porta fechada. Ela se sentou lentamente, segurando a cabeça que explodia no processo. Uma vez que ela estava sentada de forma certa, ela percebera que os lençóis tinham escapados da parte de cima do corpo dela. Ela estava nua.
Só isso foi o suficiente pra iniciar um pequeno ataque de pânico. O que ela tinha feito?
Ela rapidamente olhou ao redor e viu costas nuas e um cabelo castanho encaracolado de ninguém menos que Jesse St. James.
Em pânico, ela levantou os lençóis e teve que colocar as duas mãos sobre a boca pra não gritar bem alto. Jesse estava claramente nu. E ela também.
O centro dela, a parte mais privada dela – uma parte que ninguém tinha jamais sentido antes, ou tocado ou visto – estava pulsando ligeiramente. E ela sabia o que aquela sensação significava.
Ela sabia o que ela tinha perdido.
'Lá se foi a oportunidade de esperar até os 25, Rachel,' ela mentalmente se repreendeu antes de sair da cama e procurar pelas roupas.
Ela desceu de volta pra festa e pro carro dela tão discretamente quanto possível. As poucas horas que ela tinha dormido foram suficientes pra limpar sua cabeça e ela dirigiu de volta pra casa (apesar dela ir tão, tão mais devagar do que ela normalmente teria ido).
Ela quietamente entrou pro quarto dela – completamente desnecessário já que os pais dela estavam fora de casa por toda noite devido a um jantar de negócios fora de casa – e mudou pro pijama dela.
Enquanto o quarto entrava numa escuridão total e Rachel se curvava pra dentro da familiar posição fetal debaixo das cobertas dela, ela chorou.
Bem, Rachel pensou enquanto encostava na garagem de casa. Pelo menos essa iria ser uma criança incrivelmente talentosa.
