N/T: A música que Rachel canta e Quinn escuta é Taking Chances, da Celine Dion. Deixei em inglês, mas aqui tem a letra completa e a tradução: www. letras. mus. br / celine-dion / 1076040/ (tirem os espaços)
Várias semanas se passaram desde que o coral tinha apresentado a música pra Rachel. Quinn geralmente se achava recontando a experiência inteira; o que tinha sido tocar a mão dela no lado do rosto de Rachel – sentir o caminho frio que lágrimas da outra garota tinha deixado enquanto rolavam pelo rosto dela, pelo pescoço e desaparecia por debaixo do colarinho da camisa.
Quinn se achou hipnotizada pela outra garota – ela também se encontrou pressionada contra a garota citada no que muito rapidamente virou um abraço bem íntimo.
Enquanto Quinn seguia Finn para fora do palco, ela achou que não podia ir mais longe. Ela fez um desvio e se plantou firmemente na parede dos bastidores. Lentamente, ela dobrou os joelhos e permitiu seu corpo deslizar pela parede até ela ficar sentada. Ela colocou os braços ao redor dos joelhos dela, descansando a cabeça na própria coxa.
Uma única lágrima escapou e deslizou pela bochecha dela pras suas roupas de baixo.
Quinn não tinha sempre sido fria, dura e aparentemente sem coração. Antes do ensino médio, ela iria tão longe quanto considerar ter sido legal. Ela sabia que ela tinha mudado. Cada manhã quando ela acordava, colocava o uniforme dela do Cheerios e olhava no espelho, ela dizia a si mesma – "Você é gostosa. Você tem uma reputação desejável. Pessoas viram e assistem enquanto você passa por elas no corredor. Você namora o zagueiro. Você tem tudo." Ela geralmente se achava repetindo isso muitas, muitas, muitas vezes – desesperadamente tentando sobrepor o igualmente poderoso mantra de "Você é uma vadia de classe A. Você anda por cima das pessoas. Você manda garotas pro banheiro em lágrimas. Você controla Finn porque ele é bom pra sua reputação, não porque você tenha sequer um mínimo de sentimento por ele. Você é gostosa e popular – mas o que isso importa se você não é feliz?"
Então quando ela se achou pressionada contra Rachel – quando ela sentiu a doce carícia da respiração de Rachel no pescoço dela e a firmeza do corpo de Rachel no dela – Quinn tinha genuinamente sentido algo, e isso a assustava por demais.
Outra lágrima rolou pelo rosto de Quinn e ela a enxugou com força. Chorar não era permitido.
Ela tinha assumido que todos tivessem deixado o auditório por agora – então ela se assustou quando ouviu a consideravelmente distinta voz de Rachel Berry. A garota que estava ocupando seus pensamentos agora estava impressionando seus sentidos auditivos com sua voz, sem instrumental. A voz de um anjo, Quinn só podia pensar dessa forma.
"Don´t know much about your life," Rachel cantou. Quinn reconheceu a música depois de apenas alguns versos – afinal de contas, sua mãe era uma grande fã de Celine Dion. "Maybe this is going too fast, and maybe it´s not meant to last." Quinn suspirou, suas lágrimas caindo descontroladamente nesse momento. "What do you say to taking chances?" Bem, Quinn pensou, eu não faço isso frequentemente, Rachel. Mas por você, eu estou começando a pensar que eu faria qualquer coisa. "And I don´t know much about your world..." Alguns minutos depois quando Rachel terminou a música, Quinn deixou sair o fôlego que ela nem percebera que estava segurando. Ela parou de chorar.
Ela se sentia esperançosa.
Quinn ouviu os sons dos passos de Rachel andando pelo palco. A pequena diva empurrou as cortinas laterais e passou por elas, fazendo seu caminho pra sair pelos bastidores. Quinn sabia que se a visão de Rachel mudasse pra direção de Quinn mesmo por um segundo, ela seria descoberta. Ela estava sentada, encolhida, bem à vista.
Mas o olhar de Rachel não saiu do seu destino.
E Quinn se achou sozinha no auditório. As luzes do palco foram desligadas e Quinn ficou imersa na total escuridão.
Talvez as pessoas possam mudar, afinal de contas, Quinn pensou. Talvez EU possa mudar.
Quinn sabia que algo dentro dela tinha mudado. Hoje em dia, ela geralmente se mantinha em silêncio quando uma oportunidade de zoar Rachel se apresentava; isso fazia com que as sobrancelhas de Santana arqueassem ferozmente e ela encarava Quinn questionadoramente. Cada vez que Quinn via pelo rabo do olho Rachel tomar um slushie, ela, inexplicavelmente, sentia uma raiva quente e branca dentro do peito – ela geralmente batia a porta do armário dela em resposta. Com força.
Quinn sabia que ela tinha o poder dentro dessa escola. Ela podia mandar em muitas pessoas na escola e ela conseguia com que as coisas fossem feitas quando ela queria. Mas a implicância de Rachel Berry era algo como uma anomalia que ela não estava certa de como proceder – desde que todos eles tinham começado o ensino médio, Rachel era o alvo. Antes de Quinn se tornar a Capitã das Cheerios, já haviam apelidos maldosos pra Rachel e dias específicos nos quais a garota levaria um slushie; Quinn mesma tinha patenteado vários novos apelidos pra outra garota, algo que, agora, a enojava completamente.
Enquanto Quinn testemunhava – mais uma vez – Rachel Berry levando um slushie entre o quarto e o quinto período daquela tarde de quinta feira, ela tomou uma decisão rapidamente. O corredor estava relativamente cheio, e haviam várias Cheerios ali, preparadas para humilhar Rachel verbalmente enquanto ela se encaminhava para o vestiário para se limpar.
Quinn estava prestes a fazer um exemplo de alguém. Ela quase se sentia mal por quem quer que se dirigisse à Rachel primeiro.
Infelizmente para Hailey Robertson, era ela. A pequena e loira caloura Cheerio – claramente ávida para provar que ela tinha o necessário pra ser uma vadia total e por isso se encaixava bem com o resto do time – foi a primeira a ameaçadoramente abrir a boca enquanto Rachel se movia rapidamente pelo corredor (enquanto protegia protetoramente o seu agora muito perceptível barriguinha de grávida), tentando escapar o jogo de assédio verbal que ela era normalmente submetida depois de um slushie facial.
"Ei, Treasure Tr –" a garota foi imediatamente cortada enquanto o ar era socado pra fora dela. Quinn tinha forçosamente a jogado de encontro aos armários. Um olhar assustado cruzou a face de Hailey, mas foi logo trocado por um olhar de confusão. "Que diabos, Quinn?"
"Cale a boca, Robertson, e escute o que estou prestes a dizer," Quinn manteve uma mão firmemente no armário próximo à orelha de Hailey, mas ela virou o corpo pra multidão – ela queria deixar claro que isso valia pra todo mundo, não só Hailey. Algumas Cheerios ainda estava sussurrando por detrás das mãos, ignorando os olhares de morte de Quinn. Então Santana praticamente pulou em cima delas, dizendo "Calem a boca e escutem sua Capitã, ou então vocês terão que lidar comigo," o que imediatamente deu atenção delas pra Quinn.
Quinn deu um sorrisinho agradecido pra Santana, que tinha acabado de provar o que muitas pessoas não sabiam – que Santana e Quinn eram melhores amigas, Santana era a segunda no comando no time depois de Quinn e por isso (não importa o quão confusa Santana estivesse sobre as ações de Quinn) ela faria o que quer que Quinn precisasse dela.
"Agora que eu tenho a atenção de vocês," Quinn grunhiu, se virando de volta pra Hailey. "Considerem isso um aviso pra você, pra todo mundo," ela olhou ameaçadoramente pra multidão e o corredor em silêncio. "Vocês vão ficar longe de Rachel Berry. Sem mais chamada de nomes. Sem mais slushies faciais. Não mais de nada. Está entendido?" Hailey estava simplesmente paralisada de medo, sem conseguir responder. "Eu disse," Quinn abaixou a voz, seu rosto há poucos milímetros do de Hailey. "Está entendido?" Ela falou lentamente, deliberadamente, cada pingo de intimidação que ela tinha cultivado nos seus dezesseis anos de vida estava em suas palavras.
A garota acenou concordando.
Quinn sorriu docemente pra ela, "Excelente."
Quinn se virou e saiu saltitante pelo corredor. Santana e Brittany rapidamente ficaram alinhadas atrás dela, os mindinhos juntos (como sempre).
Uma vez que elas dobraram no corredor mais próximo e se achavam numa área quase deserta, Quinn virou pra encarar suas amigas.
"Obrigada, Santana."
"Sem problemas, Q," Santana respondeu. Ela estava prestes a abrir a boca novamente, porque não tinha jeito dela deixar Quinn se safar do que tinha acabado de acontecer sem conseguir algumas respostas. Brittany, entretanto, foi mais rápida.
"Você ta perdida, né, Q?" Brittany perguntou inocentemente, olhando diretamente no olho de Quinn. Esta se encontrou ligeiramente desconfortável – que a garota que geralmente era vista como 'lenta' podia olhar pra ela nesse momento e fazer Quinn sentir como se seus sentimentos estivessem literalmente escritos em seu rosto.
Santana virou pra Brittany, sua sobrancelha arqueada. "B... Do que você está falando?"
"É, Brit," Quinn respondeu – seu tom 'questionador' totalmente pouco convincente, até mesmo pra Santana que estava ligeiramente confusa. "Do que você está falando?" Ela se virou novamente, pronta pra se afastar da conversa, mas a mão de Santana no pulso dela a parou.
"Naninanão. De jeito nenhum, Fabray. Ela te fez uma pergunta. E eu acho que você bem sabe qual é a maldita resposta. Então não a jogue pra escanteio." Santana podia ser muito defensiva quando se tratava da sua 'melhor amiga', e Quinn sabia que ela claramente teria que dar algum tipo de resposta pra acalmá-las.
Quinn suspirou pesadamente e virou pra Brittany. "Escute, Rachel está grávida, pelo amor de Deus. Vocês vêem o quanto em geral ela leva slushie na cara? Vocês escutam do que as pessoas a chamam, dia após dia? Estresse não é bom pra alguém que está grávida. Eu realmente acho que nenhum de nós pode suportar ter a vida do bebezinho nas nossas consciências se algo não mencionável acontecesse devido à implicância em relação a Rachel." Aqui, Quinn deu uma pausa – ela achava digno de nota que ela tenha conseguido falar as últimas palavras; só o pensamento já a deixava enjoada. "Então sim, eu acho que Rachel merece que estejamos do lado dela. Fim."
"Isso não é tudo, Q," Brittany respondeu com conhecimento de casa, mesmo quando Quinn tentava futilmente se afastar. "Mas eu entendo. Você pode nos contar quando você tiver vontade."
Quinn amava suas melhores amigas, mas algumas coisas não eram pra ser ditas em voz alta. Pelo menos, não ainda.
