Era Sábado à tarde e Rachel se achou gravitando em direção à um local improvável – o estádio de futebol. O clima estava ficando pior. Invernos em Ohio podiam ser traiçoeiros. Mas a neve tinha diminuído e só estava um pouco frio – não um frio de congelar os ossos ou difícil de respirar. Só... frio.
Rachel se sentou na fileira mais alta das arquibancadas do estádio. Quando o metal frio entrou em contato com seus jeans, ela percebeu atrasadamente que um cobertor de algum tipo teria sido mais do que apropriado.
Ela segurava o envelope grosso de papel madeira nas mãos.
Dentro desse envelope residia o futuro de Rachel. Poderia ser brilhante ou devastador.
Tudo tinha começado um mês antes...
"Pai, Papaizinho, eu preciso falar com vocês," Rachel se aproximou dos pais no escritório deles uma noite depois do jantar.
"Ok, docinho. O que foi?" Marcus perguntou, se inclinando pra trás na cadeira dele. Brendon bateu no assento perto dele no sofá, indicando que Rachel devia sentar perto dele. Ela com muita satisfação aceitou.
"Como você sabe, a doença de Tay-Sachs é um risco inerente às crianças de ascendência judia," Rachel começou. Marcus e Brendon imediatamente olharam um pro outro, os dois de cenho franzido. Por que eles não tinham pensado nisso antes? "Então, eu estive fazendo um monte de perseguição no facebook do Sr. Jesse St. James e sua família. Eu estou sinceramente com medo de reportar que ele, de fato, tem parentes de sangue que são Judeus." A voz de Rachel tremeu um pouco. Brendon foi e pegou a mão de Rachel, ele beijou as costas das mãos dela antes de puxá-la pra um meio abraço. "Vocês dois sabem o que isso quer dizer. Eu tenho que fazer um teste genético no bebê. Idealmente, nós deveríamos fazer isso tão logo quanto possível."
Brendon concordou, "Você está certa, docinho. Ligarei pro consultório do Dr. Hayworth logo cedo e marcarei um horário. Por favor, tente não se preocupar. Estou confiante de que não há absolutamente nada errado com seu bebê." Ele sorriu de forma a confortar sua única filha e esperava com toda fibra de seu ser que seu conforto não fosse em vão. Marcus andou pro sofá e inclinando-se, beijou levemente a testa de Rachel e apertou os ombros dela amorosamente.
Dois dias depois, Rachel dirigiu até o consultório do médico. Seus pais a encontram lá. O sangue foi retirado e mandado pra análise. Depois, Brendon e Marcus compartilharam um abraço familiar com ela e então disseram a ela que todos iriam se encontrar em casa em meia hora para comer fora. Rachel sorriu bravamente e concordou. Ela fechou a porta do carro atrás dela enquanto o carro dos seus pais saíam do estacionamento.
Suas mãos começaram a tremer primeiro. Depois seus ombros. Seus lábios permaneceram bem fechados como em uma tentativa de se segurar em seu último pingo de dignidade. Não se desespere, Rachel. Não se desespere. Mas ela se desesperou. Era inevitável. Ela perdeu o controle. Seu corpo inteiro estava tremendo. E se os resultados fossem positivos? E se eu tiver amaldiçoado essa criança com uma vida curta e sem sucesso? O que foi que eu fiz? Ela soluçava incontrolavelmente. Ao tempo que ela ficou sem lágrimas, sua garganta estava seca e seus olhos inchados. Ela finalmente conseguiu controlar a respiração e foi pra casa.
Quando ela entrou na cozinha, os pais dela não questionaram o motivo pelo qual ela estava vinte minutos atrasada pro jantar. Brendon puxou a cadeira pra ela e ele e Marcus beijaram ela na testa antes de encher o prato pra ela.
Amanhã é outro dia, ela pensou.
E hoje era o dia. Rachel tinha chegado em casa da escola bem antes do horário que seus pais estariam em casa. Quando ela checou a correspondência, seu coração parecia ter se alojado na garganta dela. E era relativamente difícil forçar suas mãos a ficarem paradas tempo suficiente para colocar o resto da correspondência de lado e focar no resultado dos testes em suas mãos.
Ela não podia abrir o envelope aqui, não na casa deles. Se o resultado fosse negativo, então Rachel podia dormir à noite sabendo que seu bebê seria saudável e forte. Se os resultados fossem positivos... Bem, se calhasse do seu bebê ser positivo para Tay-Sachs, sua família teria uma estrada longa e difícil à frente. Ela não podia se arriscar a abrir o envelope que podia conter potencialmente tais notícias devastadoras dentro dessa casa. Ela escreveu uma nota pros pais, explicando porque ela não estaria em casa pro jantar – que eles não deveriam esperar acordados por ela.
E então ela se encontrou no estádio de futebol.
O envelope estava firmemente preso em suas mãos. Ela não tinha mudado sua posição nem um pouco ao longo de uma hora. Era só 5 da tarde, mas ela podia dizer que iria ficar escuro logo. Ela deveria abrir o envelope.
Mas ela não conseguia fazê-lo.
Um movimento no rabo do olho dela chamou sua atenção, e sua cabeça levantou. Uma figura estava correndo em direção ao estádio. A pista de corrida – completamente limpa de qualquer neve residual da tempestade mais recente – provavelmente provia um excelente local pra correr. Levou apenas alguns momentos para a figura esguia se encaminhar pra pista de corrida e pra mais perto de Rachel. Tão logo Rachel viu o rabo de cavalo loiro pulando pra frente e pra trás, ela sabia com quem ela estava compartilhando o estádio de futebol.
Quinn Fabray.
Seu coração pulou um pouco. Ela tinha aproveitado todo momento que ela podia passar com a outra garota no clube do coral nas últimas semanas. De fato, ela tinha escutado que a Proibição de Jogar Slushie em Rachel tinha sido ordenada por ninguém menos que a HBIC. Rachel ainda não tinha agradecido à garota.
Mas de alguma forma, ela realmente não sentia que essa era a hora ou o local. Suas emoções estavam completamente desgastadas – e ela não tinha sequer visto os resultados ainda.
Alguns minutos passaram, Quinn continuou fazendo seu caminho ao redor da pista no que era claramente um passo confortável pra ela.
E então aconteceu.
Quinn olhou pra cima, e seus olhos pousaram na figura solitária sentada no topo das arquibancadas. Ela gradualmente desacelerou o ritmo, finalmente vindo a parar com as mãos nos quadris – seus ombros se movendo levemente pra cima e pra baixo com a inalação e exalação da respiração dos seus pulmões pro ar frio da noite. Ela estava diretamente encarando Rachel. Era claramente Rachel. Na verdade, ela sabia que era Rachel no segundo em que a viu.
Tomando uma rápida decisão, Quinn começou a correr pelas escadas da arquibancada até em cima. Quando ela chegou no topo, ela andou em um passo mais lento até a morena empacotada antes de sentar ao lado dela. Ela imediatamente notou o envelope de papel madeira nas mãos de Rachel – estava ligeiramente amassado onde os dedos de Rachel (vermelhos do frio e do esforço de segurar o envelope tão apertado) tinham se enterrado.
"Oi Rachel," Quinn disse baixo.
O olhar de Rachel não saiu do campo de futebol, Quinn percebeu. Seus olhos estavam vidrados um pouco. Ela parecia que estava prestes a chorar – como se ela estivesse estado à beira das lágrimas por muito, muito tempo agora. Quinn esticou a mão lentamente, gentilmente colocando-a na perna de Rachel que estava mais perto dela. Ela podia sentir a outra garota tremendo embaixo do seu leve toque. Quinn assumiu que ela não estava sentindo o frio da mesma forma que Rachel – afinal de contas, ela estivera correndo por um tempo. E Rachel tinha estado aqui bem antes de Quinn chegar.
"Rachel, você está congelando," Quinn bronqueou suavemente, subconscientemente se aproximando mais de Rachel para que suas coxas ficassem pressionadas juntas.
Rachel finalmente mostrou sinais de coerência – depois de Quinn se mover pra mais perto dela, Rachel instintivamente mudou o peso dela para que ela se inclinasse ligeiramente na outra garota. Ela finalmente soltou seu aperto do envelope, optando por colocá-lo gentilmente no colo, ao invés disso. Ela correu as mãos pelos amassados algumas vez antes de cruzar as mãos em cima dele.
Ela finalmente virou a cabeça pra olhar Quinn com um sorriso triste e suave no rosto. "Olá, Quinn." Quinn apenas deu um sorriso sincero e igualmente suave em retorno. "Você geralmente sai pra correr do lado de fora nos meses de clima frio?" Rachel questionou.
Quinn sabia que Rachel estava levando a conversa pra longe dela. Quinn a deixou fazer isso.
"Sim, na verdade, saio. Eu sempre odiei correr do lado de dentro. Nunca pareceu certo. E eu corro todos os dias. Então eu só tento me vestir apropriadamente." Ela parou. "Tende a funcionar. Como hoje, viu? Se eu estivesse correndo em alguma academia, não teria acontecido de ver Rachel Berry sentada sozinha no estádio de futebol." Os olhos de Rachel se abriram (ela já tinha se permitido se preocupar com o envelope novamente, e, as palavras de Quinn tinham efetivamente chamado sua atenção) e se fixaram no de Quinn. "Eu nunca teria percebido que você está sozinha agora. E eu nunca teria sabido que você claramente precisa de alguém pra estar com você, pra ajudar a lidar com que quer que esteja dentro desse envelope que você está segurando com tanto cuidado."
"Eu..." Rachel começou mas não pôde realmente continuar. O que havia para dizer?
"O que há no envelope, Rachel?" Quinn perguntou – ela estava pressionando, sim, mas ela sabia que podia se safar disso. Rachel parecia tão dilacerada sobre abrir o envelope – Quinn estava certa de que era algo muito importante. Não era saudável pra Rachel se estressar sobre o que estava lá dentro, não mais do que ela já tinha se estressado. Quinn iria ajudá-la a abri-lo – e ela iria estar lá por Rachel, o que quer que estivesse dentro.
Rachel respirou lentamente. Ela pegou o envelope novamente, mas dessa vez, ela o colocou firmemente contra o peito – ela o abraçou como se o próprio envelope fosse seu filho não nascido, embalando-o suavemente no seu abraço.
"Dentro desse envelope reside o futuro do meu bebê não nascido," Rachel respondeu a pergunta de Quinn.
Quinn sabia que essa situação era bem séria – mas ela não pôde deixar de achar o pendor de Rachel pelo dramático inteiramente terno.
"Por favor, explique," Quinn disse gentilmente.
"Eu estive pesquisando sobre a família do Jesse. E acabou que ele tem parentes judeus. Eu também sou judia, como você pode ou não estar ciente. Há uma doença do gene recessivo, Tay-Sachs, que é muito comum em família judias. Se ambos, Jesse e eu somos carregadores dessa doença, meu bebê nascerá com ela. Ela eventualmente se tornará cega. Surda. Não vai poder engolir. Até mesmo, paralisada. No mais, ela viverá até a idade de quatro anos."
Por agora, as lágrimas estavam correndo livremente pelo rosto de Rachel. Um desejo impressionante de proteger Rachel – um desejo que Quinn já tinha se tornado íntima nos últimos meses – tomou conta de Quinn naquele momento. Ela passou o braço esquerdo ao redor dos ombros de Rachel, puxando a garota totalmente para os seus braços. Sua mão direita veio pra bochecha de Rachel, gentilmente puxando a cabeça de Rachel pra baixo pro ombro de Quinn. Ela descansou a própria bochecha nos cachos suaves do cabelo de Rachel.
"Shhh..." Quinn sussurrou baixo, confortando Rachel ao balançar o corpo trêmulo gentilmente pra frente e pra trás. Os braços de Rachel estavam segurando com força a coxa e as costas dela. Era como se ela estivesse tentando mais do que só não perder o contato físico com Quinn, não perder o controle da situação.
"Quinn," ela soluçou. "Eu não acho que eu vou conseguir viver comigo mesma se eu trouxer uma linda garotinha pra esse mundo só pra ver ela se despedaçar diante dos meus próprios olhos!"
"Rachel, me escute," ela muito, muito relutantemente se afastou de Rachel, pelo menos pra lhe dar espaço pra segurar o rosto de Rachel entre suas mãos e forçar a garota trêmula a olhar diretamente pros seus olhos. "Nós vamos abrir esse envelope agora mesmo. Nós vamos encontrar que seus medos são infundados. E então, daí, vamos lidar com o que quer que tenhamos que lidar. Você entendeu?" Rachel soltou uma respiração trêmula antes de fechar bem os olhos – algumas lágrimas saíram – e ela concordou uma vez. "Ok, você quer que eu faça? Ou você quer fazer?"
"Você se importaria muito?" Rachel timidamente perguntou.
"Claro que não. Aqui," ela pegou o envelope de Rachel.
Quinn não perdeu tempo em quebrar o selo do envelope e puxar uma pilha de papel. Havia um pouco de dado – alguns quadros e gráficos. Ela estava segurando o que parecia ser um monte de informação além do simples fato de se a garotinha de Rachel nasceria ou não com a doença de Tay-Sachs.
Finalmente, Quinn achou o que estava procurando.
"Rachel," Quinn começou.
Rachel a interrompeu. "Quinn, por favor... Por favor, por favor, por favor... Me diga agora. Faça rapidamente. Eu não posso levar mais um segundo dessa horrível espera por esse enigma." O som quebrado da voz de Rachel foi mais do que suficiente para fazer Quinn entrar em ação verbalmente.
"Sua garotinha irá nascer feliz e saudável e ela viverá uma vida longa e completa, Rachel. Ela não tem Tay-Sachs. Nem você nem Jesse carregam a doença."
Quinn podia visivelmente ver o peso sendo retirado dos ombros de Rachel. Seus olhos se acenderam com felicidade, ela apertou a mão de Quinn – aquela que ela tinha segurando com força pelos últimos minutos – ela literalmente pulou no ar, e ela soltou a gargalhada que era possivelmente o melhor som que Quinn já tinha ouvido na vida.
Rachel sentou de volta ao lado dela e Quinn não pôde deixar de sorrir brilhantemente à garota estática que estava se inclinando em seu ombro e continuou a segurar firmemente a mão de Quinn na dela.
"Então," Quinn disse. "Uma menina, hein?"
Em resposta, Rachel simplesmente sorriu fervorosamente antes de se lançar em Quinn e dar nela um abraço excepcionalmente incrível.
Naquele momento, cada garota estava pensando que não seria ruim – se elas nunca tivessem que se soltar.
