Quinn lentamente sente seus sentidos retornando. Deve ser domingo de manhã, ela pensa grogue. Exceto... Não. Não, não havia nenhum som do seu pai chamando por ela. Nenhum cheiro de bacon. Mas é. Ela estava definitivamente acordando. Tristemente, isso era tudo que Quinn entendia claramente. Sua mente estava confusa.
E porra, sua cabeça doía de uma forma horrível.
Com a primeira tentativa de abrir os olhos, luz brilhante a assaltou e ela foi forçada a voltar a sua posição anterior – olhos firmemente fechados. Frustrada por qualquer posição em que ela se encontrava, Quinn apertou seus punhos.
Ela ficou surpresa quando alguém apertou sua mão esquerda de volta em resposta.
"Quinn?"
Ela ouviu seu nome ser sussurrado como se fosse através de uma névoa. Mas a névoa estava se limpando. Como tinha em seu sonho estranho. Em seu sonho, Quinn foi recebida com a visão de uma Rachel correndo em direção à ela quando a névoa se dissipou. Agora, algo não estava fazendo sentido. Ela claramente não estava em casa. Em sua cama. Não era domingo de manhã. Não havia bacon. Ao invés disso, sua cabeça estava doendo bastante. De fato – quando ela se tornou mais e mais ciente do corpo dela – a coisa inteira parecia bem machucada. Havia bem muita dor, na verdade.
E ela ainda não tinha respondido à voz. Ela realmente não devia ser tão rude. Mas o que ela podia dizer? Traga-me algum maldito Advil? De alguma forma, isso não parecia realmente apropriado. Ou menos rude de qualquer forma.
Então, ao contrário, ela gemeu. Foi tudo que ela realmente podia fazer. Ela nunca fora uma pessoa matinal. Quem quer que estivesse tentando falar com ela podia certamente entender isso
"Mmm Arghh..."
A pessoa ao lado da cabeceira dela deu risadinhas e disse, "Bem Quinn, eu nunca soube o quão articulada você era ao acordar. Muito atraente, querida."
De repente, Quinn sabe quem está falando com ela. Não era difícil demais – sua cabeça confusa estava apta a colocar a risadinha e a voz juntas. Era Rachel. Quinn queria se bater na testa. Mas seus braços não estavam estritamente sob seu próprio controle ainda. Também – sua cabeça ainda doía como uma vadia. Então ela não iria fazer nada disso em qualquer momento do futuro próximo.
Mas sobre tudo, Rachel tinha a chamado de querida. A Rachel no sonho dela – visão, alucinação, o que quer que tenha sido – tinha chamado-a de querida. Quinn de repente percebera que na vida real isso era 1000 vezes melhor. Borboletas estavam voando, fazendo cócegas dentro dela. Ela não podia dizer se ela estava sorrindo ou não. Sua face doía um pouco mais do que estava anteriormente. Bom Deus, ela estava sorrindo ou não?
"Eu acho que você está fingindo agora – eu posso ver esse sorriso. Agora, porque você não acorda e me mostra esses lindos olhos?"
Aaah. Então ela estava sorrindo. Caso resolvido.
E Rachel estava pedindo para ela abrir os olhos. Ela podia fazer isso, não podia? Não era para ser difícil desse jeito, certamente. Mas isso estava doendo tanto. Quinn podia sentir a dor do dedo dos pés até as suas pálpebras que ela estava tentando valentemente forçá-las a abrir.
"Quinn, o que está errado? Sua testa está franzindo com quaisquer esforços ou pensamentos que você está se fazendo passar. Está tudo bem, apenas vá lentamente. Eu não quis te apressar. Apenas abra os olhos quando você puder. E saiba que eu estarei aqui esperando por você."
Que garota doce. Permitindo Quinn parar de enlouquecer sobre o fato de que ela não pode abrir os olhos... Foi tudo muito legal da parte dela.
E então Rachel se inclinou pra frente ligeiramente pra cama de hospital de Quinn – e enquanto Quinn sabia que ela estava claramente em algum tipo de cama, ela ainda estava sem saber que cama citada era de uma variedade de hospital, especialmente quando isso devia tecnicamente ser sua cama de casa. Sem soltar a mão de Quinn, Rachel usa a mão livre dela para levemente retirar o cabelo de Quinn do rosto dela. Ela estava tocando Quinn tão gentilmente que – mesmo apesar de ela não poder as ações de Rachel – Quinn se sentia ficando impressionada com a emoção.
Deixe pra mim, Quinn pensou amargamente, não conseguir abrir os meus olhos, mas totalmente capaz de produzir cachoeiras. Inacreditável!
Rachel ainda estava acariciando o cabelo dourado e macio de Quinn quando ela se inclinou pra frente para levemente colocar um beijo na bochecha machucada da garota. Quando ela o fez, ela percebeu que seus lábios entraram em contato não com a pele seca e macia da suave bochecha de Quinn – mas com a umidade salgada de lágrimas.
"Oh, Quinn, por favor. O que está errado? Se estou machucando você, mil perdões!"
Com pura preocupação, Rachel se afastou. A última coisa que ela queria era causar mais dor à já machucada garota. Mas quando Rachel foi se afastar da cama, o aperto de Quinn aumentou e ela conseguiu dizer, "Não," o que fez Rachel parar o movimento dela.
Engolindo algumas vezes, Quinn sentiu a secura recuar dos cantos da sua boca e garganta. Sentindo Rachel se aconchegar de volta próximo a ela – sentindo o calor radiando da outra garota – Quinn deu a coisa de 'tentar falar' outra chance.
Sua língua apareceu do lado de fora, brevemente molhando seus lábios. "Rachel?" Ela perguntou.
Rachel apertou a mão dela e replicou sem fôlego, "É. Sou eu."
Quinn sorriu. "Eu tinha esperança de que era você." Rachel deu risadinhas e pressionou os lábios nas costas da mão de Quinn, deixando um beijo ali. "Você é fofa."
"Como você sabe que eu sou fofa quando você não abriu seus olhos durante toda a conversa?"
"Não tenho certeza que eu posso, na verdade."
Rachel beija a mão de Quinn novamente e ajeitou o cabelo dela de novo amorosamente. "Claro que você pode, bobinha. É só uma questão de pura força de vontade."
"Eu realmente não acho que seja tão simples, Rach. Eu preciso de motivação."
"Motivação?" Rachel perguntou ceticamente. Quinn só deu com a cabeça em resposta. "Bem, considere-me sua motivadora pessoal. Como eu posso motivar você hoje, Quinn?"
Quinn podia praticamente ouvir o sorrisinho na voz de Rachel. Ela quase abriu os olhos ali mesmo – apenas para pegar Rachel no ato sem vergonha do sorrisinho. Mas ela resistiu ao desejo. Ao invés disso, ela pensou sobre a Rachel do Sonho – a Rachel que desafiou grande parte das leis da física... e sanidade. A Rachel que tinha dito à Rachel para parar de desperdiçar tempo.
Era tempo de agir.
"Você pode me beijar," Quinn disse. Sua voz era um pouco mais alta do que um sussurro. Ela sentiu a pequena mão que estava envolvida na dela encolher levemente.
Rachel arfou. Ela não podia evitar. Elas tinham estado dançando ao redor uma da outra por semanas agora – os toques, o flerte descarado. Não era óbvio para Rachel que Quinn queria algo mais? Não era óbvio para Quinn que Rachel se sentia da mesma forma? Tinha que ser. De outra porta, porque Quinn iria ter perguntado o que ela tinha acabado de perguntar a Rachel? Era tudo muito curioso...
E enquanto Rachel estava ocupada pensando contemplando a situação, Quinn foi deixada em um completo silêncio sem nada além do eco do arfar de Rachel soando em seus ouvidos. Ela tinha passado da linha. Ela tinha julgado mal. Ela tinha completamente superestimado qualquer relação que ela pensava que ela tinha com Rachel. Claro – Rachel tinha dito a ela que ela era fisicamente atraída por garotas. Mas Quinn tinha tomado 'garotas' por 'garotas em geral, em particular Quinn', e... e claramente ela estava errada. Rachel não gostava dela dessa forma.
Maldita seja, Rachel do sonho! Quinn gritou em angústia mental. Como você pôde me levar pra um caminho tão errado de uma maneira tão horrível? Parecia tudo com um começo semelhante a um pesadelo do que algum (esquisito) conto de fadas. E Quinn estava novamente no começo de produção de cachoeiras.
Até que – como a respiração de um anjo – os lábios de Rachel levemente tocaram os de Quinn.
Rachel tinha imaginado esse momento muitas vezes pelo tempo do último semestre. Pelo estágio dela de Seduzir Finn – pelo tormento dela – pela revelação da sua gravidez – por tudo... Rachel tinha imaginado como seria beijar Quinn. Ela pensou que ela teria a coerência e a mente sã durante o beijo para fazer notas mentais – comparar a pouca técnica que ela tinha desenvolvido com a de Quinn, comparar os beijos de Quinn com os de Finn...
Mas na realidade, Rachel simplesmente se achou completamente impressionada com o toque macio dos lábios de Quinn nos dela. O jeito que a respiração doce de Quinn estava misturada com a de Rachel. O jeito que os lábios delas se moveram em uma batalha natural um contra o outro – uma batalha que ninguém em particular tentaria ganhar, mas uma batalha mesmo assim.
Quinn tinha beijado garotos antes. Diabos, Quinn tinha beijado Brittany e Santana, ambas, durante um jogo bêbado de verdade ou desafio na casa de Puck no semestre passado. Ela tinha obviamente beijado Finn, apesar de que ela talvez tenha deixado Brittany ir mais longe nas carícias do que até mesmo ele... E ela tinha (também, embriagada) beijado Puck em uma festa diferente no verão. E talvez Mike Chang também. As coisas ficaram um pouco confusas depois de um tempo. Mas o fundamental continuava: os lábios macios e deliciosos de Rachel Berry eram bem mais extraordinários do que o de qualquer um que Quinn já tinha tido o privilégio de provar antes.
Foi fenomenal – super incrível – capaz de mudar uma vida.
Rachel finalmente se afastou – só o suficiente para que seus lábios ainda ficassem levemente roçando nos de Quinn – e ela deixou sair uma respiração trêmula. Quando ela abria os olhos lentamente, ela encontrou um olhar com a pálpebra pesada de Quinn.
"Oi," Rachel disse, sua voz quase inaudivelmente baixa.
"Oi," Quinn respondeu.
A mão de Rachel veio pra cima, gentilmente acariciando o cabelo de Quinn mais uma vez. Ela começou a colocar beijos leves na bochecha de Quinn. O momento era excepcionalmente suave – doce, amoroso e perfeito – e nenhuma das garotas estava particularmente ávida para deixá-lo pra trás.
Mas realidade sempre tinha seu jeito de retomar o momento – não importava o quão inesquecível e charmoso o momento tinha sido.
"Rach..."
Com o tom confuso de Quinn, Rachel imediatamente se endireitou, olhando a loira nos olhos e questionando-a o que estava errado. "Sim, baby?" ela perguntou enquanto sentava na ponta da cama de Quinn e segurava firmemente na mão dela.
Quinn deu uma risadinha.
"O que é tão engraçado?" Rachel perguntou, um sorriso agraciando os lábios dela.
"Você me chamou de 'baby' e isso foi realmente, realmente precioso."
"Bem, foi só porque eu estou incrivelmente feliz de ter acabado de beijar você. Também, eu finalmente consegui ver os seus olhos lindos. Eu meio que sinto que estou numa situação de ganhar por todos os lados aqui. Então eu senti o indubitável desejo de chamar você pelo já mencionado nome carinhoso. O que eu não quis fazer foi tão efetivamente mudar sua linha de pensamento." Quinn olhou pra ela questionando, uma única sobrancelha arqueada em confusão. "Você ia me fazer uma pergunta, baby."
A ênfase na última palavra fez com que Quinn ficasse vermelha ao invés de rir dessa vez. E então ela lembrou com uma claridade chocante e repentina o que ela estava prestes a perguntar.
"Rachel, por que exatamente eu estou em um hospital?"
