N/T: HOHOHO Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, pessoal. Pequeno aviso: a tradução vai entrar de férias por um mês pois está que vos fala também. Espero encontrá-los novamente em 2017!
"E por que todo meu corpo parece ter sido atropelado por um carro?" Os olhos de Quinn instantaneamente ficaram com um olhar arregalado cômico. "Ai Meu Deus. Eu fui atropelada por um carro?"
Rachel teve que suprimir uma risadinha. "Não, Quinn. Você não foi exatamente atropelada por um carro. Mas, você esteve num acidente.
Muitos pensamentos começaram a correr pela cabeça de Quinn quando ela ouviu as palavras deixarem a boca de Rachel. Alguém mais foi ferido? O acidente foi culpa dela? Por que ela estivera dirigindo? Não era que os pensamentos dela estavam embaralhados ou confusos – simplesmente não havia nada lá. Era branco, preto e incerto. Quinn não conseguia lembrar nada daquela tarde.
Nadica de nada.
"Cama, Quinn," Rachel disse enquanto levemente apertava a mão de Quinn. A loira tinha começado a respirar em pequenos arquejos, de repente impressionada pela percepção de que ela tinha um grande vazio em sua memória. "Eu não sei detalhes suficientes para preencher qualquer vazio para você. Eu só sei que você estava dirigindo – provavelmente para encontrar Santana, Brittany e eu no shopping – e você esteve em um acidente. Você só esteve aqui por uma hora ou duas no máximo. Você não tem nenhum osso quebrado. Você tem uma leve concussão. E você está machucada em quase todo o seu corpo. É por isso que você sente tanto dor. Estou certa de que sua mãe tem mais informação sobre o que exatamente aconteceu. Ela estava na área de espera quando nós três chegamos."
"Minha mãe está aqui?"
"Sim, eu posso ir chamá-la agora mesmo se você quiser –"
"Não, não me deixe," Quinn disse. "Por favor."
Rachel se inclinou e levemente roçou os lábios na testa de Quinn antes de descansar gentilmente a cabeça dela na de Quinn. "Claro, baby. Eu não vou a lugar algum se você não quiser que eu vá. Eu prometo."
Quinn deixou suas pálpebras fecharem-se suavemente e lentamente. Era bom ter Rachel ao lado dela. Segurando sua mão. Tocando seu cabelo. Reassegurando-a, confortando-a e protegendo-a. Não que houvesse algo que ela precisasse de proteção nesse momento.
Certo?
Quinn queria respostas. Mas ela estava contente, por agora, por simplesmente estar com Rachel. Rachel... Sua amiga? Sua... namorada?
Dor de cabeça, Quinn pensou. Essas perguntas podem esperar.
Foi só alguns minutos – no qual as garotas sentaram em um silêncio amigável – antes que houvesse uma suave batida na porta. Ambas as cabeças das garotas viraram pra ver quem poderia ser. Um doutor numa vestimenta azul com um longo e branco jaleco (indumentária típica de médico, obviamente) andou para a cabeceira de Quinn com uma prancheta na mão dele.
"Olá, Quinn. Eu sou Dr. Adams. Como você está se sentindo?"
"Uuuh... Minha cabeça dói." As sobrancelhas cerraram brevemente em pensamento antes de se corrigir. "Não, meu rosto dói. E realmente meu corpo inteiro meio que parece um desastre."
Dr. Adams apenas concordou com a cabeça. "Sim, seu corpo passou por um trauma e tanto. Você é incrivelmente sortuda que não quebrou nenhum osso. Eu acabei de terminar o relatório do acidente. Há alguma pergunta que você gostaria de fazer?"
"É. Quero dizer, eu honestamente não lembro de nada. É como a memória dessa tarde tivesse ido completamente embora. O que aconteceu realmente?"
"Ahh, sim. Eu estava com medo que sua concussão talvez tivesse uma repercussão de uma leve perda de memória de curto prazo. No caso de acidentes, tais como o que você passou hoje, isso é comum. Só deixe-me assegurar-lhe, essa pequena perda de memória não é nada com o que se preocupar. Eu posso contar a você sobre o acidente. Você provavelmente só perdeu as memórias de hoje, então eu espero que isso não seja muito um problema."
Quinn simplesmente concordou para que ele continuasse.
"Pelo que a polícia na cena conseguiu juntar, parece que você estava parada no sinal esperando pra virar à esquerda. Outro carro se aproximou do sinal atrás de você e não conseguiu parar por causa do gelo. Essa pessoa bateu na sua traseira com bastante força. Ambos, você e o carro que bateu em você, foram em direção à intersecção. Desde que seu carro estava na frente, teve o maior dano. Dois carros indo pela intersecção bateu no seu carro – um bateu na parte de trás do seu carro no lado do motorista e o outro bateu na frente do seu carro no lado do passageiro. Houve outro carro envolvido no acidente – eles conseguiram quase derrapar até uma completa parada antes de baterem no carro que inicialmente bateu em você. De todas as pessoas envolvidas nesse acidente, você que teve a maior parte dos machucados, Quinn. E você teve muita sorte em sair tão bem. Todos conseguiram andar, enquanto você foi nocauteada à inconsciência."
"Isso... isso é bom. Estou contente que ninguém mais se machucou."
"Com certeza," o médico estava checando contemplativamente o prontuário de Quinn. Ele colocou a caneta nos lábios, a sobrancelha cerrou. Ele deu uma olhada na garota – a garota ligeiramente preocupada, a esse ponto – e então olhou de volta pra prancheta em suas mãos. Ele colocou o prontuário no fim da cama de hospital de Quinn e aproximou-se dela. "Posso?" ele perguntou, indicando a mão dela.
Ela apenas concordou com a cabeça, não inteiramente certa de onde ele estava querendo chegar.
Dr. Adams levantou o pulso delicadamente. Ele levemente tocou alguns dos machucados que estavam danificando a pele da garota, pelo braço superior dela. Rachel assistiu – um sentimento doentio em seu estômago à visão de tantos machucados. Depois que ele checou meticulosamente o braço de Quinn, o doutor o colocou de volta no lado dela.
E então ele aproximou da cabeceira da cama de Quinn. Rachel olhou pro rosto dele – seus olhos estavam focados agudamente no rosto de Quinn. Mais especificamente, os machucados que residiam ali.
Eles estavam muito mais escuros, muito mais pronunciados. Multicoloridos pedaços de pele quando comparados aos machucados só na superfície ao longo do braço dela. Rachel mentalmente se encolheu só de imaginar o quão forte Quinn deve ter batido o rosto no volante para receber tais machucados.
Mas havia outra coisa nos olhos do médico. Algo não estava fazendo sentido pra ele. Mas ele não estava falando. Nem Rachel nem Quinn sabiam o que se passava na mente dele. E Rachel estava prestes a falar quando a porta foi aberta rispidamente – só para revelar um Russell Fabray parecendo severamente afobado.
A cabeça de Quinn voou em direção à porta.
"Papaizinho," ela disse.
Ele não respondeu vocalmente. Ao invés disso, ele lentamente deu um passo à frente. Ele soltou a porta enquanto fazia isso. Rachel viu a porta voltar lentamente, trancando-se no lugar e bloqueando a visão dela do corredor além.
Quando ele chegou à cama da filha dele, ele só ficou parado ali. Rachel tinha tentado sair do caminho dele, mas o aperto de Quinn tinha ficado mais forte em sua mão. Entretanto, Russell notou isso – e seu lábio começou a curvar-se pra cima em desgosto. Rachel começou a abrir a boca pra falar sobre o comportamento dele, mas as palavras delas ficaram perdidas na garganta dela quando ela sentiu Quinn rapidamente soltar o aperto na mão de Rachel.
Essa ação fez com que uma dor aflorasse dentro do peito de Rachel. Ela está om vergonha de mim? Rachel pensou. Bem... Eu acho que não posso culpá-la se ela estiver. Eu não iria querer exatamente apresentar minha namorada grávida... amiga... O que quer que eu seja, pro meu pai. Não desse jeito.
Quinn viu o olhar de dor no rosto de Rachel, mas ela tinha que ignorá-lo. Seu pai não tinha ideia de que ela sequer era amiga de Rachel – muito menos que Rachel tinha acabado de beijar completamente Quinn, nem que Quinn tinha gostado totalmente de dito beijo. Ela não sabia como ele iria reagir. Ela não queria ver ele ter qualquer tipo de ataque temperamental agora. Ou depois. Quando ele tivesse Quinn sozinha. Nenhuma situação ideal podia surgir do seu pai descobrir sobre o relacionamento das garotas, realmente. Ela pediria desculpas pra Rachel depois.
A entrada de Russell tinha sido bem sucedida em acabar com a conexão fofinha que Quinn e Rachel estavam partilhando, mas também distraiu o Dr. Adams de decifrar mais o que quer que seus instintos estavam dizendo sobre os machucados e inchaço no rosto de Quinn.
"Aaaaah. Sr. Fabray, eu presumo? Eu sou o Dr. Adams, eu estive supervisionando o cuidado da sua filha," o médico disse, segurando sua mão para apertar a do sr. Fabray.
Parecendo balançado de qualquer transe em que estivera, Russell aceitou a mão do médico, quietamente agradecendo-o por cuidar de Quinn.
Pelo resto do tempo que todos eles estavam no quarto – Dr. Adams explicando o acidente de Quinn e todos os machucados, e Quinn silenciosamente vendo o monólogo entre os dois homens e nervosamente mastigando o próprio lábio – ninguém olhou na direção de Rachel. Ela foi deixada se sentindo pequena e invisível.
"Quando ela pode vir pra casa?" Russell perguntou, abruptamente terminando a conversa fiada do médico.
Dr. Adams pareceu ligeiramente pego com a guarda baixa inicialmente, mas em breve se recuperou. "Seus sinais vitais estiveram estáveis desde que ela foi admitida. Sem nenhum machucado sério, eu não vejo porque ela não pode ir pra cama tão logo você esteja pronto pra levá-la." Ele sorriu pra Quinn. Ela sorriu de volta sem jeito.
Algo dentro do peito de Rachel pareceu doente.
Tipo, seriamente doente. Talvez fosse a atitude do Sr. Fabray desde que ele entrara pela porta – o ar de desapego. Rachel estava certa de que ele mal conseguira disfarçar o desgosto quando ele vira os dedos de Quinn entrelaçados com os dela.
Algo sobre a situação parecia inteiramente errado.
"Excelente. Eu vou pegar sua mãe. Nós estaremos de volta para te pegar em alguns minutos."
"Ok, papai," foi a resposta subjugada de Quinn.
Russell deixou o quarto. Dr. Adams fez uma última série de anotações no prontuário de Quinn antes de desejar que ela ficasse bem e ir embora.
Sozinha no quarto finalmente, Rachel sentara na ponta da cama de Quinn. Esta ainda não tinha olhado pra ela e suas mãos estavam cerradas em seus lados. Rachel lentamente alcançou-a, amorosamente traçando os dedos pelo pulso de Quinn e ao longo da curva apertada do punho de Quinn. "Quinn," ela disse baixo. "Por que você não vem pra casa comigo?"
Isso finalmente pareceu chamar a atenção de Quinn – ao menos, tinha finalmente gerado alguma resposta além de um olhar desfocado e silêncio de estátua. "Eu- eu não posso, Rachel. Ele obviamente quer que eu vá pra casa. Eu provavelmente estarei em apuros por destruir o carro. Eu nem sei se pode ser salvo. Na maior parte está destruído. Ele vai ficar com raiva..." Quinn parou de falar, começando a contemplar os pensamentos dela só em sua mente.
"Quinn, eu realmente acho que faria bem a você. Santana e Brittany podem vir também. Nós vamos ter um final de semana de garotas e vamos te paparicar o tempo todo." Rachel sorriu brilhantemente e conseguiu arrancar um pequeno sorriso de Quinn. "Eu cuidarei de você," ela disse, um pouco mais baixo do que antes – mas sem menos sinceridade. Por favor, por favor só venha pra casa comigo, Quinn. Por favor.
"Eu não sei, Rachel. Fica a cargo do meu pai."
Rachel só concordou com a cabeça, sabendo que ela tinha perdido essa luta antes de sequer ter começado.
Enquanto a conversa delas estava terminando, uma pequena gangue passava pelas portas – Santana, Brittany e Sr e Sra. Fabray.
"Quinn!" Brittany gritou antes de pular em direção à cama de Quinn, lágrimas nos olhos e em perfeita forma pra pular em Quinn – felizmente, Santana a pegou pela cintura e a puxou pra trás, parando-a bem a tempo antes que a loira esmagasse a garota machucada. Os olhos de Quinn estavam arregalados, mas ela conseguiu gesticular com a boca 'obrigada' para Santana. Santana apenas de ombros em resposta antes de piscar descaradamente pra Quinn. "Eu estou tão contente por você estar bem, Quinn," Brittany disse, um pouco sem fôlego.
"Eu também, B, está tudo bem aqui. Só um pouco dolorida, sabe?" Brittany só balançou a cabeça entusiasticamente.
"É, eu odiaria ver que algo infeliz tivesse acontecido com você, Q. O que danado as Cheerios fariam se eu fosse promovida a Capitã? Se molhariam, provavelmente," Santana bufou. "Não posso ter isso, por razões óbvias."
Russell e Judy tinham simplesmente ficado pra trás de todas as garotas, vendo a cena se desdobrar. Russell tinha mal reprimido a raiva quando, entrando no quarto, ele tinha visto aquela sapatona com as mãos na filha dele. Isso era uma desgraça completa e ele estava enojado. Foi só o toque da mão da sua esposa no pulso dele que o manteve de jogar a garota da cama da sua filha.
Então quando Quinn perguntou baixinho se ele se importaria demais se ela passasse a noite com Santana, Brittany e Rachel, ele novamente mal conseguiu se controlar.
Se ele tivesse falado, ele talvez teria estragado qualquer semelhança de normalidade que ele tinha conseguido manter durante toda esse absurdo. Ao invés disso, Judy falou por ele.
"Eu não acho que seria uma boa ideia, Quinnie. Eu acho que você precisa estar em casa agora. Foi um dia difícil pra todos."
Quinn simplesmente abaixou a cabeça derrotada. Ela sentiu Rachel apertar a mão dela e ela olhou para os olhos da morena – ali, ela viu amor e carinho. O final de semana estava quase terminado. Ela veria Rachel na escola na segunda. Ela estava viva, saudável e ela tinha amigos e família que a amavam.
Tudo ficaria bem.
A viagem pra casa foi silenciosa no veículo dos Fabray. O rádio estava desligado. Ninguém conversava. Quinn sentara no banco traseiro com a bochecha pressionada na janela congelada – a janela gelada e o frasco de analgésicos no bolso dela estavam trabalhando em uníssono para ajudar a suprimir a dor que Quinn estava sentindo no rosto.
Russell lentamente estacionou na garagem deles. Ninguém pareceu querer fazer um movimento para sair do carro por alguns momentos. Finalmente, Judy abriu a porta dela e foi pra dentro. Quinn a seguiu – muito cuidadosamente tentando não deslizar no gelo embaixo do pé dela.
Ela abriu a porta da frente e cuidadosamente fechou atrás de si uma vez que ela percebera que o pai dela não estava nem perto de entrar.
Ela tirou o casaco e colocou no cabideiro. Então, de repente, algo chamou sua atenção em sua visão periférica. Sua cabeça virou pra mesa do corredor. Seu iPod estava deitado ali – fones perfeitamente envolvidos ao redor, do jeito que ela deixara.
Do jeito que ela deixara.
Flashes começaram a assaltar sua visão. Andando em direção às escadas. A voz de Russell chamando-a. Seu laptop, esmagando-se na parede. O punho dele no rosto dela. Terror. Fazendo suas malas, todos os seus pertences – sumidos.
Ela freneticamente se moveu pra frente, em direção a abertura do escritório do seu pai. E ali – deitado quebrado e esquecido no chão – estava os pedaços remanescentes do seu laptop.
Um arfar aterrorizado escapou dos lábios de Quinn e ela rapidamente cobriu a boca com a mão, tentando abafar os soluços que imediatamente começaram a chacoalhar seu corpo. Ela começou a hiperventilar. Não é seguro aqui, não é seguro aqui, não é seguro, ela continuou a repetir pra si mesma, seus pensamentos todos correndo loucamente.
Ela se virou, planejando correr direito pra fora pela porta da frente e para a segurança do que era inevitavelmente qualquer lugar que não aqui.
Ao invés da segurança da escapatória, ela encontrou o corpo inamovível do pai dela – um brilho maníaco nos olhos dele.
