N/T: Voltei pessoal \o/ Como fomos de ano novo? Espero que bem! Mais dois caps pra vocês!

Finn olhou pro celular dele. As palavras que ele estava lendo estavam tentando penetrar no seu crânio duro, pelo menos nos últimos quinze minutos.

Puck: Cara, Q esteve em um acidente – ela está no hospital!

Ele não podia realmente se mexer. Ele estava sentado em seu quarto. Seu controle de Xbox estava abandonado no chão. Algo não estava batendo bem entre sua mente e seus membros.

Depois do término deles e subsequente confronto, as interações de Finn e Quinn tinham sido no máximo esparsas. Rachel tinha meio que a ver com isso...


"Finn Hudson."

Ela não tinha gritado o nome dele. De fato, a voz dela estava um pouco mais baixo de tom e volume do que o normal. Quando Finn se virou para encarar a pequena morena, ele o fez bem lentamente. Ele não estava inteiramente certo sobre o que ela estava o confrontando... Mas ele tinha uma ideia. Puck tinha ouvido de Santana que as três Cheerios tinha passado a noite na casa de Rachel na noite de Sexta – só algumas poucas horas depois que ele tinha... Bem, depois que Quinn tinha terminado com ele.

Ele tentou se fazer de doido.

"Ei, Rach," ele disse, colocando o sorriso bobão de lado no rosto quando ele virou pra ela.

"Ah, você não venha com 'Ei, Rach' pra cima de mim, seu valentão," ela replicou enquanto marchava direto pra ele, agarrando-o pelo colarinho da camiseta dele e o puxando para baixo para que ela pudesse olhar diretamente nos olhos dele. "Agora escute-me, Finn, e escute bem." Ela praticamente ciciou o nome dele entre os dentes cerrados dela.

Ele simplesmente concordou com a cabeça, olhos arregalados, para indicar que ele estava de fato escutando.

"Eu não sei quem você pensa que é. Eu não sei que direito você pensa que tem. Mas tratar uma mulher do jeito que você fez sexta passada? Completamente e totalmente inaceitável, Finn. Quando eu escutei o que você fez – quando eu vi os resultados com meus próprios olhos. Eu fiquei completamente chocada. Você a machucou, Finn. Você a machucou. Você está orgulhoso disso? Você pode aceitar esse tipo de comportamento de si mesmo? A voz de Rachel tinha gradualmente mudado de fúria incessante para simplesmente tristonha.

Os olhos de Finn estavam sombrios agora. Ainda abaixado, ele tinha colocado as mãos nos joelhos. Uma única lágrima tinha rolado pelo rosto dele e ele raivosamente a enxugou. "Eu sou um idiota tão grande," ele murmurou no próprio peito.

Rachel soltou uma das mãos do aperto na camiseta dele e ela puxou o queixo dele pra cima para fazer olhá-la nos olhos dele novamente. "Sim, Finn. Sim, você é."


Finn pensara naquele dia. Depois que ela tinha severamente colocado-o pra baixo, Rachel tinha puxado-o para um breve – mas confortante – abraço. Ela dissera a ele – na voz dela mais doce, com o sorriso mais amoroso agraciando os lábios dela – que se ele sequer fizesse algo ridículo como aquilo novamente, a retribuição de Santana não seria nada em comparação à dela.

Então ela foi embora.

Finn tinha efetivamente se comportado como um filhotinho com o rabo entre as pernas pelas últimas semanas. Ele não tinha pedido diretamente desculpas à Quinn desde então.

Mas ele decidira que iria remediar isso. Agora mesmo.


Enquanto ele se aproximava do hospital – caixa de chocolates de luxo na mão – ele começou a ficar nervoso.

Talvez esse não fosse exatamente o melhor lugar para se desculpar. Talvez ele devesse esperar até a segunda na escola para conversar com Quinn. Talvez...

Talvez você devesse virar homem, caramba, ele finalmente pensou consigo mesmo.

Ele passou pelas portas de vidro deslizantes e aproximou-se da estação de enfermeiras mais próxima.

"Olá, como posso ajudá-lo?" uma jovem amável enfermeira perguntou a ele.

"Uhh, eu estou na verdade procurando pelo quarto de Quinn Fabray?"

"Ahh, sim. Senhorita Fabray acabou de receber alta. Ela saiu com os pais dela há 30 minutos."

"Oh, ok," Finn disse, soando ligeiramente rejeitado. "Obrigado."

Andando de volta pro carro dele, ele se achou frente a frente com uma decisão. Ele tinha perdido Quinn no hospital – talvez ele só não devia se desculpar hoje.

Por outro lado... Ele sabia onde Quinn morava. Eles tinham se beijado no sofá dela várias vezes. Os Cruzadores de Cristo se encontravam uma vez por mês também.

Ele pode dar uma passada realmente rapidinha, deixar os chocolates, pedir desculpas e ir embora.

Ou ele podia simplesmente ir pra casa. Ele iria vê-la segunda na escola, afinal de contas.


Quinn gritou de dor quando seu corpo bateu no chão.

Seu pai não estava mais bêbado. Ele tinha obviamente levado um tempo para ficar sóbrio. Esse abuso físico não estava mais sendo incitado pela raiva bêbada. Era só fúria pura e inadulterada. Enquanto Quinn percebia isso, ela simultaneamente chegou à conclusão que ele genuinamente queria estar consciente enquanto fazia isso com ela.

Enquanto ele batia nela.

Ele não dissera uma palavra. Ele realmente não precisava. Ela sabia por quê ele estava fazendo isso. Ela lembrou do laptop dela – as palavras que ela tinha escrito, as palavras que ele tinha achado. Ele nunca iria aceitar esse estilo de vida. Aquela 'escolha'. Ele nunca iria aceitar uma filha que escolhera amar a filha de outro. Outra garota.

Nojento, ele tinha dito.

Era isso que Quinn era? Quando ela estava com Rachel – quando ela sentia borboletas e ficava leve de felicidade – isso era errado? Quinn era nojenta? Rachel era nojenta?

Esse último pensamento – de Rachel em algum momento possuir a descrição de 'nojenta' – sacudiu Quinn do canto escuro da mente dela para o qual ela fora forçada. Claro que Rachel não era nojenta. Não havia nada nojento sobre ela. Ela era perfeita, ela era linda, ela tinha a voz de um anjo. Rachel tinha beijado Quinn e Quinn nunca tinha se sentido mais perfeita em toda a sua vida.

Rachel era perfeita. Quinn e Rachel juntas era perfeição. Quinn não estava errada.

O pai dela estava errado.

Quinn não possuía mais a mente coerente para tentar fugir do pai dela. A mãe dela – que Quinn tinha visto como uma covarde total nesse ponto – estava escondida lá em cima com uma bebida e uma música tocando para cobrir os gritos de agonia de Quinn. Os únicos pensamentos que Rachel podia se segurar eram pensamentos de Rachel.

Rachel.

Como Quinn queria poder estar com ela agora mesmo...

Curvada em posição fetal, Quinn tentou suavizar os ataques que não paravam de vir. Parecia que de todas as direções. Com severidade crescente. Uma batida nas costas delas fez com que ela soltasse os joelhos do estômago e rolar parcialmente de costas. Russell prontamente a chutou – com toda a força de um homem totalmente crescido – no lado dela.

Quinn gritou.


Finn tomara uma decisão. Era agora ou nunca. Quinn estava provavelmente muito abalada do acidente. E faria provavelmente algum bem a ela ver algum tipo de rosto amigável.

Certo?

Bem, ele esperava pelo menos isso.

Ele estacionou no meio fio perto da casa de Quinn. Ele esmagou alguma neve que estava no jardim da frente da casa dos Fabray e então quase deslizou no gelo que ainda laceava a passarela que levava diretamente à porta da frente. Ele derrubou os chocolates.

"Oh! Merda," ele murmurou enquanto se abaixava para pegá-los. Ele rapidamente retirou a neve e umidade da caixa com a manga dele antes de finalmente andar pra porta da frente.

Seu dedo se esticou para apertar a campainha.

Mas então ele ouviu algo que deixou-o com calafrios na espinha – um som que ele não questionara nem por um segundo. Era Quinn. E ela estava gritando.

Sem sequer hesitar, Finn rudemente agarrou a maçaneta da porta e empurrou-a para abri-la.

Ele foi recepcionado com uma visão de Russell Fabray se abaixando para pegar a filha dele. Finn podia ver completamente que o lábio de Quinn estava estourado e sangrando – sangue pingando pelo rosto dela. O corpo dela parecia nada menos do que uma bagunça encolhida. O roto dela estava tomado por uma aparência de dor. Seus olhos sequer viraram para focar Finn quando ele passou pela porta. Finn não estava certo se ela sequer podia.

Mas o pai dela viu Finn. E Finn certo como o diabo tinha visto o que Russell Fabray estava fazendo. Muitas pessoas chamavam Finn de 'lerdo', mas a reação dele à visão do Sr. Fabray espancando Quinn foi instantânea.

A caixa de chocolates foi jogada no chão quando Finn se impulsionou pra frente. Quinn foi rudemente derrubada de volta no chão – onde ela tentou se encostar o mais próximo da parede do corredor que ela podia. Não importou muito – tão logo Finn teve suas mãos em Russell Fabray, ele o arremessou para o escritório aberto.

Russell aterrissou na mesa de madeira gasta da sala. Esmagou-a em milhões de pedaços.

"O que diabos você pensa que está fazendo com ela?" Finn rugiu.

Nesse ponto, Finn tornou-se um homem de poucas palavras. Russell estava deitado de bruços no chão, deitando em cima das lascas de madeira da mesa quebrada e Finn pulou em cima dele – apertando o homem mais pesado e mais velho pela cintura e começando a bater nele. Golpe após golpe, ele batia no rosto do homem.

Não passou muito tempo antes de Russell ficar uma bagunça sangrenta e inconsciente. Finn se levantou do chão, tremendo as mãos que estavam do seu lado – suas juntas estavam na maior parte estouradas a esse ponto. Ele deu um último chute forte na bunda do pai de Quinn antes de se voltar para garota machucada que ainda estava no corredor.

Ele correu pro lado dela, ficando de joelhos e levemente tocando o ombro dela. "Quinn?" ele perguntou baixinho.

Ela estava tremendo violentamente. Sua respiração estava difícil. Finn tinha estado em lutas antes e ele estava nervoso por Quinn talvez ter quebrado uma costela (ou duas... ou três).

A situação estava longe da idela.

Quinn só tinha gemido em resposta à Finn. Ela mal podia manter os olhos dela aberto.

Finn vasculhou o bolso e puxou o celular dele. Ele chamou a emergência, brevemente explicando a situação e então começou a olhar os contatos dele por um número específico. Ele rapidamente achou o que ele estava procurando e ligou.

Tocou uma vez. Duas. Três vezes.

Por favor atenda minha ligação, sua vadia louca, Finn pensou amargamente. Por Favor!

Durante o quarto toque, alguém atendeu.

"O que você quer, Finnessa?"

"Santana!" Ele não fez nada além de gritar no telefone. "Graças a Deus você atendeu."

"De novo eu digo – o que você quer?"

"Eu estou na casa de Quinn," ele começou mas foi logo interrompido.

"O que diabos você pensa que está fazendo na casa de Quinn? Eu sei que a anã o avisou sobre isso. Você não quer ficar do meu lado errado – mas você certo como o diabo não quer ficar do lado errado dela."

"Santana, por favor... Cale a boca. Houve um acidente. É Quinn –"

"Eu estava com ela mais cedo, eu sei."

"Não, Santana! Deus! Apenas cale a boca! Eu vim à casa de Quinn para trazer chocolate e pedir desculpas pelo meu comportamento estúpido de antes. Eu a escutei gritando –"

"Você o quê?" A voz de Santana ficou de repente mortalmente silenciosa.

"O pai dela, Santana. Ele estava espancando-a para valer. Ela está machucada, muito. Eu já chamei a ambulância, eles estão a caminho. Você provavelmente deve pensar em nos encontrar no hospital."

"E o pai dela?"

"Eu cuidei dele. Confie em mim. Eu explicarei no hospital. Nós só precisamos pensar em Quinn agora."

"Brit e eu vamos pegar Rachel. Nos vemos lá."

"Ok. Até mais." Finn começou a abaixar o telefone do ouvido, mas Santana começou a falar novamente.

"Oh, e Finn?"

"Sim?" ele perguntou hesitante.

"Fique em segurança." Santana terminou a ligação. Não era muito – mas Finn sabia que era tudo que Santana podia dar a ele sem ficar toda emocional e amorzinho. E Santana não ia se deixar ficar emocional com Finn.

Finn voltou a atenção dele para a bagunça loira próxima à ele. Ele se abaixou e pegou uma das mãos minúsculas dela em uma das enormes dele. O som de sirene estava se aproximando à distância.

"Ele não machucará você novamente," Finn disse baixinho, inclinando-se para se aproximar do rosto de Quinn. Ela segurou a mão dele fracamente, levemente apertando-a. "Eu prometo, Quinn. Eu prometo."

Finn não disse à Quinn que 'ficaria tudo bem.' Ele simplesmente não sabia se isso era verdade ou não.