Para o mínimo crédito dele, Jesse conseguiu esperar pacientemente enquanto Quinn parecia contemplar a mão dele.
Mas realmente, ela estava mais que contemplando só a mão dele. Ela estava pensando em uma conversa virtual que ela tivera com Rachel há semanas – apesar de parecer muito mais tempo do que isso agora...
Rachel Berry
Domingo, 19:49
Quinn,
Eu não me importo em conversar sobre o que aconteceu. Afinal de contas, não é algo que eu possa necessariamente classificar como um não evento, sabe?
Ele era relativamente alto. Cabelo encaracolado e castanho. Olhos verdes. Grande conversador, obviamente. E claro, eu tinha ouvido sobre a reputação dele – no palco, claro. Ele é incrivelmente talentoso. Aparentemente ele já tem uma viagem completa pra UCLA no próximo outono.
Resumindo, Quinn, é que Jesse St. James é o pai do meu bebê. Se eu estava bêbada no momento – se eu estava sóbria em alguma outra noite... O que aconteceu aconteceu e não pode ser desfeito.
Quinn Fabray
Domingo, 20:07
E se você alguma vez o ver novamente? Como você acha que vai ser? Como você reagirá?
Rachel Berry
Domingo, 20:10
Eu não sei, Quinn. Eu realmente não sei...
Seria legal saber, né?
Infelizmente, eu vim a aprender recentemente que as coisas não são sempre tão simples quanto A, B e C. Ou fazer uma lista de objetivos e checá-los um de cada vez.
Quinn Fabray
Domingo, 20:27
Você está certa. As coisas não são tão fáceis assim na maior parte do tempo.
Mas algumas vezes são.
E nesse momento – com o pai do bebê de Rachel parado na frente de Quinn com o braço dele esticado e um sorriso suave no rosto – Quinn percebeu que ambas ela e Rachel tinham estado corretas. Algumas vezes 'o plano' iria ser inestimavelmente fodido. Mas algumas vezes é tão fácil quanto A, B, C.
A
Ela pegava a mão dele na dela (apesar dela se achar apertando um pouco mais forte do que fosse talvez estritamente necessário).
B
"Eu sou Quinn Fabray," ela dizia – uma máscara de educação de dificuldade extrema colocada firmemente no rosto.
C
"É um prazer conhecer você, Quinn," ele respondeu. Quinn apenas concordou com a cabeça. O sorriso que agraciava os lábios dela era tudo menos sincera. "Então, Rachel está em casa?"
"Então naturalmente," Rachel continuara a história dela. "Nós simplesmente tivemos que usar essa música como nosso ato final. Quando a apresentarmos, é quase como se você pudesse sentir a energia emanando do grupo. É bem incrível, eu mal posso esperar para que vocês nos vejam apresentar. Eu fiquei tão contente em saber que as Seccionais serão abertas para o público! Vocês conseguirão ver a primeira apresentação oficial em competição do Novas Direções!"
"Nós estamos muito empolgados, querida," Marcus disse docemente enquanto ele se abaixava pra sentar no sofá ao lado de Brendon. Eles tinham feito todo o caminho da sala de jantar para a sala de estar. Quinn ainda tinha que se juntar a eles.
"Eu também estou muito contente por Mercedes. Ela vai apresentar uma peça bem icônica."
Brendon e Marcus simplesmente sorriram enquanto bebiam em seus respectivos copos de café e cappuccino. Rachel se ocupou no chão em frente da extensiva coleção de filmes deles. Ela estava passeando pelos musicais – tentando achar um que eles não tinham assistido pelo menos nos últimos meses. Bem... Pelo menos um mês.
"Uhh," Rachel ouvira do outro lado do cômodo, fazendo ela olhar pra cima esperando. "Nós temos um –" a voz de Quinn pareceu raspar na próxima palavra "- convidado."
Rachel (e Quinn e os pais dela) sabiam que ela tinha um pendor para o dramático. Ela tinha mostrado pra eles antes, e ela não tinha falhado em alcançar seu ápice espetacularmente nesse cenário em particular – ela arfou alto e cobriu a boca com ambas as mãos, os olhos arregalados desacreditando. Depois que um tempo apropriadamente dramático tinha passado, Rachel abaixou as mãos e sussurrou baixinho (apesar de todos na proximidade imediata ouvi-la perfeitamente), "Jesse."
Brendon pareceu chocado quando ele finalmente percebeu quem era o jovem rapaz que estava parado levemente na frente de Quinn na sala deles.
Marcus parecia com raiva.
Quinn parecia como se ela quisesse estar aborrecida – ao invés disso, um olhar preocupado foi achou o caminho pro rosto dela, direcionado à Rachel.
Jesse estava olhando esperando em direção à Rachel com um sorriso no rosto dele – como se, simplesmente porque ele fosse Jesse St. James, ela devesse estar contente em vê-lo.
Houve uma breve pausa – como se eles de repente fizessem parte de um terrível show de tv – quando ninguém se moveu, ninguém falou. E então o olhar de Jesse saiu do de Rachel e foi logo em direção ao piano do outro lado da sala. Ele imediatamente começou a se mover em direção à ele. Rachel ficou de pé, um pouco trêmula, assistindo cada movimento dele enquanto se movia ligeiramente na mesma direção dele.
Rachel tinha pensado muito sobre Jesse desde aquela noite, desde a festa e o sexo embriagado. Era apenas natural, não era? Mesmo antes dela chegar a percepção de que era prudente pra fazer um teste de gravidez, ela pensou sobre ele. Ele foi o primeiro dela. Ele tirou a virgindade dela. Pelo resto da vida dela – com certeza – ela podia dizer isso.
Nos dias depois da festa – quando ela estava tentando esconder os nervos esfrangalhados dela dos pais dela – ela tinha considerado entregá-lo à polícia. Poderia ter sido considerado estupro e Rachel sabia disso. Mas os dias passaram e Rachel sabia que se ela tivesse genuinamente considerado tomar tal ação, ela já teria feito.
Mas então – quando ela se achou sentada no banheiro do supermercado, vendo o teste de gravidez virando em um "+" rosa brilhante – ela novamente percebeu que algo deveria ser feito em relação a ele. Mas por agora – com seu bebê ainda não nascido na barriga – Rachel chegou a conclusão de que, não, ela não queria particularmente que o pai do bebê dela tivesse um ficha corrida.
Então ela não tinha contatado as forças policiais. Ela não tinha visto Jesse pessoalmente. Ela tinha simplesmente contado aos pais dela. O que Marcus tinha feito depois, ela ainda não sabia. Mas nenhum pai de bebê dela teria tempo de cadeia para macular sua ficha. Mesmo se aquele pai não estivesse envolvido na vida do bebê.
E agora – com Jesse aparecendo na casa dela sem ser anunciado e, francamente, indesejado – Rachel estava mais incerta sobre as coisas do que já esteve antes.
Quinn não gostou particularmente da atenção dispensada por Rachel ao pai do bebê ainda não nascido dela. E ela também não gostou particularmente do sentimento de – ela conseguiu discernir a emoção – inveja? Eca, Quinn pensou consigo mesma. Não atrativo, Fabray.
"Eu estive pensando muito sobre você, Rachel. E eu acho que essa música irá acuradamente mostrar meus sentimentos mais profundos e desejos. Eu quero que você veja meu coração, Rachel – meu tudo."
Do outro lado da sala, Quinn fingiu vomitar. Brendon riu atrás da mão pra ela. Ela não está caindo nisso, Quinn pensou. De jeito nenhum...
Mas a expressão de veado apanhado por faróis no rosto de Rachel estava gritando – e isso estava diretamente contradizendo o fluxo mental de Quinn. Isso não é ideal, Quinn pensou zangada, um beicinho rapidamente adornando suas feições.
Jesse se sentou ao piano e – com um floreio completamente desnecessário, Quinn notou – colocou as mãos dele nas teclas. Ele virou a cabeça ligeiramente em direção à Rachel e ele piscou. Quinn tremeu e fechou os punhos ao lado do seu corpo.
"Eu estive sozinho com você dentro da minha mente
E nos meus sonhos eu beijei seus lábios
Um milhão de vezes.
Eu algumas vezes vejo você passar do lado de fora da minha porta.
Olá.
Sou eu quem você está procurando?"
Rachel legitimamente gostava de Grandes Gestos Românticos. E um GGR que incluía uma serenata da diva citada? Quinn via o desastre pendente – talvez antes da situação sequer começar a ser processada na mente de Rachel. Jesse era talentoso. Mesmo na inferior acústica da Sala Berry, Quinn sabia que Rachel estaria reverenciando a performance de Jesse. Diabos, Quinn estava deleitada. A voz dele era ridiculamente refinada.
Filho da mãe sorrateiro e suave, Quinn pensou raivosamente. Ela cruzou os braços e colocou o lábio dela ainda mais pra fora do que antes.
E quando a voz de Rachel começou a cantar com a de Jesse – quando as vozes deles se misturaram juntas, subindo sobre os outros ocupantes da sala em uma linda harmonia – Quinn seriamente começou a se preocupar (enquanto simultaneamente se permitia ser completamente hipnotizada pela linda voz de Rachel). Também, o seu desgosto – não, seu ódio – por Jesse St. James estava oficialmente solidificado.
"Eu posso ver em seus olhos,
Eu posso ver em seu sorriso.
Você é tudo que eu sempre quis,
E meus braços estão abertos.
Porque você sabe bem o que dizer,
E você sabe bem o que fazer,
E eu quero dizer tanto isso a você..."
Levou apenas meio segundo para Quinn correr pelo chão da sala e bater a tampa sobre as teclas – tristemente, não nos dedos de Jesse (ele era rápido demais pra isso). Quinn não ia deixar Jesse dizer a palavra 'amor' na direção geral de Rachel, nem sobre o cadáver dela. Mesmo apesar de ela estar sem a satisfação de esmagar um dedo ou dois (ou 10, realmente), Quinn estava satisfeita que ela conseguiu o efeito desejado – a palavra com 'a' foi evitada e qualquer transe que St. James tinha colocado em Rachel, foi efetivamente quebrado.
"Eu concordo com Quinn," Marcus disse, se levantando do sofá.
"Papai," Rachel pediu suavemente, não querendo que seu pai começasse uma cena.
"Está tudo bem, Rachel," Jesse disse baixinho.
Ele estendeu a mão em direção da de Rachel. Logo que os dedos deles estavam prestes a se tocar – e logo quando a última porção de paciência de Quinn estava prestes a acabar – Rachel deu um leve passo pra trás, movendo a mão dela para colocá-la defensivamente na sua óbvia barriguinha. Quinn mentalmente aplaudiu.
"Não está exatamente bem, Jesse," Rachel respondeu. "Por que você está aqui? É uma grande noite – uma noite importante. Algo me diz que você sabe disso. Então me deixa genuinamente curiosa pelo motivo que você escolheria hoje à noite – de todas as noites – para se impor sobre minha família e eu."
"Eu entendo sua hesitação, Rachel. Eu realmente entendo." Ele parou e se levantou, colocando as mãos deles nos quadris enquanto contemplava as próximas palavras que diria. Obviamente, ele não tinha contado em ser interrompido antes da música acabar – uma brecha em seu plano. Ele só teria que contornar isso. "Mas eu sou um homem, Rachel." Ele levantou a cabeça; ele tinha estado previamente encarando o chão, e agora seu olhar forte estava nivelado diretamente com o de Rachel. "E eu sou mais do que capaz de cuidar de uma criança. Eu posso tomar conta de você E eu sei que você –" ele virou pra Marcus "- disse pra eu deixar Rachel vir até a mim se ela quisesse e eu pensei sobre isso por muito tempo... Mas realmente, qual razão ela teria pra algum dia vir a mim primeiro?" Ele virou de volta pra Rachel. "Eu entendo, talvez, o motivo pelo qual você não tentou entrar em contato comigo. Você não sabia como eu reagiria. Você não quis ser rejeitada. Você estava com medo de que – só talvez – eu sequer reconheceria a conexão da sua criança comigo. Mas isso é tudo falso, Rachel." Ele deu um passo em direção à ela. "Eu quero ser parte da vida desse bebê. Se você me deixar..." Ele parou de falar. Agora, ele estava parando diretamente na frente de Rachel, ambas as mãos esticadas – um gesto que soava algo como uma oferta de paz, uma necessidade de aceitação, algo. Quinn segurou a respiração enquanto ela esperava em tensa antecipação pela resposta de Rachel.
Rachel deu mais um passo pra trás e olhou Jesse diretamente no olho. "Você está certo, eu não sabia como você reagiria. E não, eu quase que inteiramente nunca gostei de me sentir rejeitada. Mas eu quase certamente não estava com medo de você não reconhecer a conexão comigo e essa criança. Porque se você tivesse feito isso sequer por um segundo, você nunca mais veria a mim ou a esse bebê novamente – e isso é uma promessa." Quinn soltou sua respiração segurada. "E novamente, eu me acho com uma pergunta particularmente importante não respondida: Por danado você escolheu hoje à noite – de todas as noites – para vir me ver?"
Quando essa pergunta foi feita (novamente), os olhos de Quinn, Brendon, Marcus e Rachel, todos direcionaram-se para a cabeça de Jesse – todos estava ávidos antecipando a resposta para essa exata questão.
A avidez dele não foi mal colocada – de fato, a curiosidade deles foi amplamente recompensada quando St. James finalmente falou.
Os ombros de Jesse pesaram com o suspiro profundo antes dele dizer, "Eu estou aqui hoje à noite, Rachel, porque eu simplesmente não podia mais esperar para contatar você. E nem sua mãe podia."
