6 da manhã

Os olhos de Rachel piscaram.

Uma.

Duas vezes.

Ela estava encarando a mesinha de cabeceira de Quinn, então ela lentamente se esticou para virar o despertador da outra garota em direção à ela.

Huh, ela pensou. Eu acho que eu treinei meu relógio interno bem.

Ela cuidadosamente levantou as cobertas e rolou pra fora da cama. Seus pés quietamente bateram no chão, e ela virou pra olhar pra garota com quem ela tinha passado a noite.

O cabelo longo e loiro de Quinn estava espalhado e contrastado brilhantemente contra a fronha preta naquela a cabeça dela descansava. A mão dela estava ao lado do rosto dela, pulso pra cima. Rachel se inclinou sobre a cama, descansando sobre os cotovelos e levemente pressionou os lábios na palma de Quinn. Os dedos da garota adormecida naturalmente respondendo, curvando-se ligeiramente contra a suave carne da bochecha de Rachel.

Rachel se afastou, suas costas ficando retas e ela sorriu brilhantemente pra figura que ainda dormia.

Recusando-se a se demorar – por agora – nos eventos da noite anterior, o único pensamento de Rachel foi, Nossa, nós não passamos por um longo caminho em apenas alguns meses?

Enquanto ela deixava o quarto de Quinn, ela resistia ao desejo de pulular.


06:04 da manhã

Os Greatest Hits da Streisand tocavam do dispositivo sonoro de Rachel enquanto ela completava sua rotina de exercício matinal no elíptico. O pedaço de papel rosa brilhante com a palavra SECCIONAIS preenchia a visão dela – era pra isso que eles trabalharam todas essas semanas. Meses, até. New Directions tinha passado por obstáculos – como um grupo e como indivíduos.

Provocações, slushies, conflito do time de futebol, Sabotagem de Sue Sylvester... Gravidez. Abuso.

E todos nós somos pessoas melhores por causa disso, Rachel pensou. Nós somos um time – uma família. E hoje, nós vamos ganhar as Seccionais.

Ela começou a andar ainda mais furiosamente, um sorriso mais uma vez agraciando seus lábios.


07:33 da manhã

Quinn correu pelas escadas. Seus pés faziam barulhos leves enquanto ela descia. O cheiro de bacon e torrada pairava no ar e batia em seu nariz como uma onda deliciosa de encher a boca de água.

"Papai, você não rir do meu consumo de bacon," Quinn ouviu Rachel brigando com Brendon na cozinha. "Eu tenho uma criança crescendo na minha barriga, pelo amor de Deus!"

Quinn entrou na cozinha pra ver um Brendon rindo parado na frente do fogão, virando uma frigideira cheia de bacon delicioso e crocante. "Você está certa, docinho," ele disse. "Eu não devia rir de você."

Marcus olhou pra cima e exclamou, "Ahh! Bom dia, Quinn! Venha, sente-se. Vocês garotas precisam de comer um bom café da manhã. É um grande dia! Ovos estão vindo pra você depois. Como você gostaria dos seus?"

"Mexidos está bem, muito obrigada." Ela se dirigiu pra mesa e tomou um assento – ela estrategicamente mudou sua cadeira enquanto se sentava, se aproximando mais da já sentada forma de Rachel. De propósito chamando a atenção da outra garota, Quinn perguntou só com a boca, Você está bem? Os lábios de Rachel se levantaram em um sorriso – lindo, charmoso, sorriso cheio que fazia os olhos de Rachel brilhar. Ela concordou em resposta e respondeu só com a boca, Eu estou agora.

Quinn tentou esconder o vermelho do seu rosto. Sem sucesso.

Ela viu a mão de Rachel se esticar pra dela, e Quinn imediatamente – sem hesitação, medo, pensar duas vezes ou sequer uma olhada nervosa na direção dos pais de Rachel – encontrou Rachel no meio do caminho. Ela agarrou a mão da garota na sua, entrelaçou os dedos delas, e gentilmente colocou as mãos delas no colo dela enquanto ela tracejava as costas da mão de Rachel com a sua livre.

Encarando as mãos delas juntas – os tons de pele contrastando e a pele de Rachel que só parecia tão macia quanto seda – Quinn pensou consigo mesma, Isso é família, Fabray. E você é uma vadia sortuda.


07:54 da manhã

Santana fechou a porta do carro atrás dela e começou a andar rapidamente na calçada. Estava incrivelmente frio e Santana estava cansada e ela tinha tido um teste no primeiro horário e uma dor de cabeça estava definitivamente se formando nas têmporas dela...

Uns quinze minutos extra de sono teriam sido ótimos.

Mas quando Brittany abriu a porta e cumprimentou Santana com um abraço quente e perfeito, um sorriso brilhante e um beijo na bochecha que durou bem a quantidade perfeita de tempo e então entrelaçou os dedos com os de Santana, puxando-as de volta pro carro enquanto já ia conversando animadamente sobre a competição do clube do coral mais tarde naquele dia...

Tudo que Santana podia pensar era, Dane-se aqueles quinze minutos de sono.


07:57 da manhã

Kurt colocou um saco de papel madeira em cima da mesa do pai.

"Café da manhã," ele disse.

"Sem Slim Jims?" Burt perguntou.

"Não Papai," Kurt suspirou enquanto andava pra fora da garagem. "Sem Slim Jims."

Enquanto a cabeça perfeitamente penteada de Kurt desaparecia no canto, Burt chamou, "Hey Kurt!"

Colocando só a cabeça pra dentro, Kurt levantou uma sobrancelha em pergunta. "Sim, Papai?"

Burt mordeu um pedaço do muffin que ele já tinha extraído dos confins do saco de papel madeira. Engolindo, ele disse, "Acabe com eles, kiddo. Eu amo você."

Kurt sorriu. "Eu amo você também, Papai."


08:01 da manhã

Mike Chang estava contente que a neve tinha finalmente desaparecido das calçadas. Com um gorro, luvas, cachecol e uma jaqueta pesada – ele esperava que talvez ele conseguisse ficar quente no seu caminho pra escola. Ele beijou a mãe na bochecha então agarrou o skate do seu local próximo à porta, acenando adeus enquanto saía.

Enquanto as rodas batiam no pavimento e ele saía, o vento frio bateu em seus olhos e em seus pulmões. Mas isso valeu a pena.

Três casas pra baixo, Mike viu movimento. Matt estava fechando e trancando a porta da casa dele e então correu pela calçada, com seu próprio skate em mãos. Enquanto Mike passava, Matt correu ao lado dele, jogou seu skate no chão e pulou em cima.

Eles bateram uma na mão do outro antes de ir deslizando ao lado um do outro, indo em direção do colégio.


08:06 da manhã

Tina esperou pacientemente na sala dela, encarando a grande janela de vidro em direção à rua. Ela excitadamente pegou a mochila e (literalmente) pulou pra porta da frente quando ela viu sua carona chegar.

Enquanto ela abria a porta lateral da van, ela cumprimentou o motorista. "Bom Dia, Sr. Abrams!"

"Bom dia, Tina," Sr. Abrams respondeu.

Tina fechou a porta atrás dela e se virou pro namorado dela. "Oi," ela disse baixinho, timidamente.

"Olá," Artie respondeu.

"Grande dia hoje, crianças," Sr. Abrams disse.

O caminho inteiro pra escola, eles todos conversaram sobre as Seccionais – e o caminho todo pra escola, as mãos de Tina e Artie nunca se separaram.


08:08 da manhã

Puck bateu no botão soneca no alarme dele.

Pela sétima vez.


08:09 da manhã

A mãe de Mercedes – de quem a diva tinha obviamente herdado as habilidades vocais – estava cantando de fundo harmônico para filha no caminho para a escola.

"Tear down the mountain,

Yell, scream, and shout.

You can say what you want,

I´m not walkin´ out.

Stop all the rivers,

Push, strike, and kill.

I´m not gonna leave ya,

There´s no way I will."

Enquanto elas paravam na escola, Mercedes terminou a música. Ela olhou pra mãe enquanto recuperava o fôlego. Elas bateram os punhos, dedos estendidos enquanto se separavam.

"Vá pegá-los, garota," Sra. Jones disse com um brilho quente e amoroso nos olhos – tão, tão orgulhosa da filha.

Foi com um coração leve e feliz que Mercedes saiu do carro e foi em direção à escola.


08:14 da manhã

Finn tinha perdido o ônibus.

Ele perdia o ônibus pelo menos duas vezes por semana, mas hoje era só... Bem, realmente inconveniente.

Virando-se, ele começou a planejar seu pedido pra mãe para ela levá-lo à escola nessa manhã. 'Finn', ele já podia vê-la dizendo com um suspiro. Uma pausa. 'Ok, vamos.'

Ela era a única parente que ele já tinha conhecido realmente.

Mas ela com certeza era incrível.


09:31 da manhã

Quinn encontrara Rachel enquanto a diva saía da sua primeira aula.

"Oi," Rachel disse – um pouco sem fôlego.

Quinn sorriu de volta. "Oi." Ela gentilmente – ainda assim, firmemente – pegou a pilha de livros da mão de Rachel.

"Bem, você está sendo incrivelmente cavalheira, Srta. Fabray. Ao que eu devo esse prazer?"

Quinn deu de ombros como se ela não tivesse ideia do que Rachel estava falando.

"Entendo..." Rachel disse pensando. "Você não vai me dizer sobre o que é isso?"

Quinn apenas levantou as sobrancelhas enquanto um sorriso acendia seu rosto – mas ela ainda se recusava a responder aos questionamentos de Rachel.

"Legal. Mas eu prometo que eu quebrarei você eventualmente, Quinn."

Elas chegaram na próxima aula de Rachel e Quinn cuidadosamente retornou os livros para os braços da outra garota. Ela se inclinou próxima à orelha de Rachel, os livros pressionando ligeiramente nos seios de cada garota. "Contanto que você planeje manter essa promessa, Srta. Berry."

Quinn se afastou de Rachel e deu alguns passos pra trás antes de piscar luxuriamente e se virar, indo em direção à própria aula.

Rachel amaldiçoou seu coração traidor – o qual, ela estava certa, que estava batendo tão alto que todo mundo no corredor iria certamente saber o que estava passando na cabeça, no estômago e no peito dela...

Quinn Fabray era gostosa. E Rachel estava certa que aquele flerte horrivelmente direto tinha acabado de acontecer.

E ela estava muito, muito satisfeita.


10:26 da manhã

Quinn estava – novamente – encostada na parede do lado de fora da sala de Rachel quando o sinal tocou pra ir pro terceiro período.

Ela deve ser uma pedestre vigorosa, Rachel pensou.

Nenhuma palavra foi dita quando Quinn – novamente – tomou os livros de Rachel e elas foram em direção da próxima aula de Rachel.

Mas algo estava diferente agora. Rachel não perdeu os olhares que Quinn continuava a dar nela. Eles estavam confundindo Rachel. Os olhares eram cheios de expectativa e só um pouco de desapontamento. Rachel tinha perdido alguma coisa? Talvez ela não tivesse paquerado de volta apropriadamente. Talvez Quinn tinha sido desapontada ou envergonhada ou –

"Você fará alguma coisa na última semana de Dezembro?" Quinn perguntou – foi uma pergunta inesperada, e Rachel não teve uma resposta imediata.

"Uhhh –" ela gaguejou. "Eu realmente acho que não, Quinn. Por que?"

"Só cheque seu planejamento pra mim, ok? Durante a próxima aula? E me conte."

"Essa persona misteriosa é muito intrigante," Rachel disse quietamente.

Quinn apenas riu em resposta. "Talvez você seja mais facilmente agradada do que eu tinha antecipado, Rach."

O lábio inferior de Rachel se esticou em um beicinho falso. "Eu não sou facilmente agradada," ela disse numa vozinha.

Quinn virou em direção a ela enquanto ambas paravam perto da próxima sala de Rachel. "Ahhh... Eu não quis dizer dessa forma." O beicinho de Rachel começou a retroceder levemente. "Só... cheque pra mim, sim? Vejo você, Rach."

E então Quinn fora embora e Rachel estava entrando na sua aula e sentando-se à sua mesa e imaginando o que danado tinha acontecido com Quinn Fabray.

E quando ela abriu a agenda em Dezembro, caiu um bilhete bem dobrado. A respiração de Rachel ficou presa na garganta dela por um momento quando sua mente imediatamente voou para o bilhete na cabeceira dela – o bilhete que ela sabia que era da sua mãe, o bilhete que continha sabe se lá o que.

Mas esse bilhete era diferente. Uma letra muito bem escrita dizia

ABRA ME

de um lado do papel.

Rachel não perdeu tempo em fazer isso. Seus olhos voaram rapidamente sobre as palavras:

Querida Rachel,

Aceita ser minha namorada?

Quinn

P.S. – eu não te dei caixas com 'sim' ou 'não' para marcar porque você deve apenas me mandar uma mensagem com a sua resposta. Tipo, agora.

Rachel colocou a mão nos lábios para tentar não rir alto. Seu rosto parecia que ia quebrar simplesmente com a força do sorriso dela. Ela apenas sentou em sua mesa – lendo e relendo o bilhete por pelo menos sete minutos antes de finalmente puxar seu celular e mandar uma mensagem pra Quinn escondida pela mesa.

Rachel: Eu acho que você é a coisa mais fofa que eu já vi. Onde você esteve toda minha vida?

Não levou muito tempo para receber uma resposta.

Quinn: Eu sempre estive aqui, Rach. Mas aquela era uma versão diferente de mim. Eu gosto de pensar que essa é um pouco melhor... Posso tomar isso como um 'sim'?

Rachel prendeu o canto direito do lábio inferior entre os dentes antes de teclar seu telefone novamente.

Rachel: Sim, isso é um 'sim.'

Quinn: :)


12:19 da tarde

11 dos membros do coral sentaram-se juntos no almoço. Todos estavam falando ao mesmo tempo – sobre a lista, a coreografia e os outros times e o fato de que eles teriam que fazer tudo isso sem a liderança do Sr. Schuester. No meio de tudo, Rachel e Quinn sentaram-se uma de frente pra outra – mandando olhares disfarçados uma pra outra quando elas pensavam que ninguém estava olhando pra elas.

"Então, alguém já viu Puck hoje?" Artie perguntou.

Vários balançaram a cabeça em negação antes de Kurt olhar em direção à entrada do refeitório. "Falando no diabo," ele disse.

"Nunca tema," Puck disse dramaticamente enquanto se forçava entre Santana e Brittany no banco onde elas estavam sentadas, envolvendo os braços dele ao redor dos ombros delas. Santana pareceu um pouco desgostosa enquanto Brittany simplesmente continuou a comer seu peixe. "Puckasaurus está aqui!"

"Oh, que bom," Santana disse secamente.


14:30

O clube do coral se encontrou no auditório para um último ensaio do número deles.

Cada nota. Cada passo. Cada deslizar. Cada empurrada de cadeira de rodas. Cada sorriso brilhante.

Perfeição.

Quando a última nota se esvaneceu e o grupo foi envolvido por um silêncio incrivelmente satisfatório, Rachel olhou ao redor e olhou orgulhosamente pros amigos dela.

"Nós levamos," ela disse.

Todo mundo aplaudiu, pulando ao redor excitadamente e abraçando todo mundo.

"Ok todo mundo!" Srta. Pillsbury chamou, batendo as mãos duas vezes. "Para o ônibus!"