Quando chegou o tempo do semestre de primavera começar, Rachel e Quinn decidiram que iria ser benéfico manter o relacionamento delas privado por enquanto. Então foi com muitos olhares secretos e sutis esbarrões de pele quando passavam pelo corredor que as garotas se acharam aptas a passar pelo primeiro dia.
Quando a prática do clube do coral chegou – e assim o conforto dos amigos que sabiam o segredo delas e uma porta fechada – as garotas agradecidamente caíram uma nos braços da outra.
"Eu senti sua falta hoje," Rachel murmurou no colar do uniforme de Cheerio de Quinn.
"Eu sei," Quinn disse. "Mas não será desse jeito pra sempre." Ela contente fechou os olhos e profundamente inalou o perfume do cabelo de Rachel.
"Não," uma voz clara falou da agora aberta porta da sala do coral – uma voz que todos os membros do clube do coral conheciam e temiam. "Definitivamente não será assim por muito tempo."
"T-Treinadora Sylvester," Quinn exclamou, subconscientemente se afastando da namorada e indo em direção à treinadora dela. "O que você está fazendo aqui?"
Estralando os dedos, Treinadora Sylvester silenciou sua Cheerio capitã. "Eu não tenho tempo pras suas lamúrias, Q. Então só escute o que eu tenho a dizer, e eu me encaminharei de volta pro meu escritório para afiar ao máximo minha rotina escolhida que irá me dar o sexto título nacional consecutivo." Ela deu um passo pela porta que ela tinha, há alguns momentos, aberto com uma força impressionante. "Eu irei direto ao ponto," ela disse, como se eles esperassem outra coisa. "Jacob Bem Israel se aproximou de mim nesta tarde com um furo de reportagem. Uma história que, aparentemente, é sobre minha capitã desejar fornicar com outra estudante feminina. E não só uma estudante feminina – um fato menor que eu poderia facilmente deixar pra lá – mas uma estudante feminina que está no meu caminho para um orçamento completo; uma estudante que constantemente, incansavelmente impulsiona essa pobre desculpa de clube em frente ao sucesso. Você tenha que escolhê-la, Q? Sério? Eu tenho que dizer a você, eu achei muito difícil de acreditar. E porque eu achei tão difícil de acreditar, eu decidir vir aqui. Eu gostaria de ouvir diretamente de você, Q. Minha capitã confiável."
A boca de Quinn se abriu. E então se fechou. Ela girou a cabeça ligeiramente, vendo a figura de Rachel com o canto do olho. Ela se recusou a se virar pra longe da Treinadora totalmente – expor a jugular dela em um espaço tão pequeno era pedir por um ataque letal.
Houve um breve momento onde Quinn não tinha ideia do que fazer. Era como se o cérebro dela tivesse perdido a habilidade de funcionar.
Mas foi seguido por um momento impressionante de claridade.
Virando-se para a Treinadora, Quinn levantou o queixo – ligeiramente porque, na real, ela estava mexendo com uma mulher perigosa aqui, e qualquer grande gesto de desafio iria certamente ser lidado com segurança. "É verdade," ela disse claramente, sua voz estava forte. "E ao perseguir um relacionamento com Rachel, eu nunca quis lhe desrespeitar ou criar dificuldades, Treinadora Sylvester."
Os lábios de Sue formaram uma linha fina. O canto do olho esquerdo dela tremeu. Foi quase imperceptível. "Bem, Q," ela começou. Uma pausa. "O coração quer o que o coração quer." Outra pausa. "Certo?"
Quinn sentiu uma impressionante onda de choque – Sue estava sendo sentimental? Não deixe sua guarda baixa ainda, Fabray. Isso não parece certo... Ao invés de responder verbalmente, ela simplesmente concordou com a cabeça uma vez.
A treinadora limpou a garganta uma vez antes de virar – afiadamente – e andar pra porta. Entretanto, ali, ela parou. Virando-se lentamente para olhar o clube como um todo, ela de repente deixou sair um assovio agudo entre os lábios. Como se fosse uma deixa, Jacob Ben Israel deu um passo no canto.
"Você pegou isso, JewFro?"
Por apenas um momento, Jacob teve a decência de tirar o sorrisinho do rosto. Ele concordou com a cabeça. "Sim, Treinadora Sylvester. Peguei tudo."
"Bom," Sue disse, virando-se de volta para a porta da sala do coral. "Imprima a história." As palavras foram praticamente cuspidas entredentes.
Atrás dela, o clube do coral estava congelado em um estado de choque.
Quinn não tinha se movido. Mas de repente, seus joelhos pareceram quase ceder embaixo dela. Ela esticou a mão, segurando forte o banco do piano. Inclinando-se para frente, ela se sentou nele – ela se movia lenta e deliberadamente, delicadamente colocando os cotovelos sobre os joelhos e descansando o rosto nas palmas quentes das mãos. Ela soltou uma respiração trêmula.
Enquanto isso, Puck e Finn andaram ameaçadoramente em direção à Jacob, o qual estava – por alguma razão – ainda parado dentro da sala do coral próximo à porta.
"Saia daqui, punk, antes que seu rosto encontre meus punhos," Puck grunhiu.
"É," Finn concordou – um pouco pateticamente. Jacob fez uma retirada apressada.
Hesitantemente, Rachel andou em direção à Quinn. Ela colocou uma mão sobre o ombro da namorada. "Quinn?" ela chamou suavemente. Rachel entendia, ela realmente entendia. Ela nunca soube o que era ser popular – mas Quinn tinha sido criada e educada para transpirar popularidade e elegância. Sua carreira inteira do Ensino Médio – diabos, sua carreira inteira da escola – ela tinha sido popular. Os caras tinham olhado pra ela e eles tinham desejado-a. As garotas tinham olhado pra ela e elas tinham desejado ser ela. (bem, no caso de Rachel, ela só a queria). E Rachel entendia totalmente o que Jacob estava prestes a publicar no blog dele – que Quinn Fabray, capitã das líderes de torcida – a garota mais popular na escola estava namorando a nerd grávida e não popular do coral – tinha todo o potencial necessário para esmagar a garota.
Então ela tentou chamar a atenção de Quinn novamente. Gentilmente.
"Quinn? Eu-eu sei que essa é uma situação realmente horrível." Ela parou. "Eu estou aqui pra você, Quinn. Nós –" ela gesticulou pro resto do clube do coral "- estamos aqui, querida. Você não tem que passar por isso sozinha."
Quinn piscou algumas vezes, forçando as lágrimas que tinham se formado nos olhos delas a cair em seu colo. Ela levantou a cabeça e olhou ao redor da sala. Ela encontrou gestos poderosos de concordância – olhares de força, orgulho e suporte familiar. Eles não iriam virar as costas pra ela. E ela não viraria as costas pra eles. Seus olhos se viraram em direção à Rachel. Eu não a abandonarei, ela pensou. Não importa o que o resto do pessoal tente e faça comigo, conosco. Ela vale isso e muito mais.
Quinn se levantou e puxou a namorada pra um abraço apertado. "Eu amo você, Rach. Nada que Jacob tenha a dizer pode mudar isso. Eu sou sua, ok?"
Rachel fungou intermitentemente entre as risadinhas. "E eu sou sua, baby."
Tina fez "Owwwwn do outro lado da sala. Rachel virou e estirou a língua pra ela.
Houve um sentimento impressionante de positividade – que tudo ficaria bem. O clube do coral ainda estava extasiado da vitória deles nas Seccionais. Rachel e Quinn conseguiriam na verdade ter uma relação na frente de todos os seus pares e não só dentro dos confinamentos da sala do coral. E todos estavam felizes e saudáveis.
O que possivelmente poderia acontecer – que maldito evento poderia potencialmente ocorrer – que levaria a dizimação da atitude positiva e contente, quase divertida, energia envolvendo os membros do Novas Direções?
E então Sr. Schuester passou pela porta com um Jesse St. James parecendo presunçoso seguindo-o de perto.
"Tudo bem, pessoal," Sr. Schuester orgulhosamente bateu as mãos uma vez, um sorriso brilhante no rosto. "Por favor, dêem as boas vindas ao mais novo membro do Novas Direções, Jesse St. James!"
Doze mandíbulas se abriram estupidamente. E nenhuma estava particularmente receptiva.
