O dia de Rachel tinha até começado bem. De fato, não seria muito longe da verdade dizer que o dia dela (e, de fato, os últimos dias) tinham sido incrivelmente bons.

Ela tinha passado as férias inteiras de inverno no abraço amoroso da namorada dela – cujas feridas emocionais e físicas estavam se curando cada vez mais a cada dia.

Ela e Quinn tinham revelado o relacionamento delas para o coral – e todos tinham levado excepcionalmente bem.

Sua última consulta ao médico foi sem eventos – quer dizer, o bebê estava saudável e então Rachel estava feliz.

Ela já tinha passado inúmeras horas procurando números potenciais para as Regionais, tentando achar o encaixe perfeito para Novas Direções e todas suas vozes individuais e talentos no grupo deles – e ela tinha feito um bom progresso, ainda cheia da adrenalina de ganhar as Seccionais.

Quinn tinha sentado com ela uma noite e elas tinham lido o bilhete de Shelby juntas. Rachel tinha chorado – mas principalmente porque a letra da mulher mais velha era marcantemente parecida com a sua própria. O bilhete tinha feito promessas de restaurações, para montar uma relação mãe-filha real, para se atualizar em dezesseis anos de oportunidades perdidas. E no final do bilhete, um número de telefone. Rachel não tinha ligado, mas ela não tinha jogado o bilhete fora também. Shelby teve a necessidade incontrolável de contatar Rachel após dezesseis anos (um dia ou quinhentos dias, o que importava era que Shelby tinha quebrado o contrato com os pais de Rachel, ponto) então Rachel tinha decidido – com o apoio de Quinn – que sua mãe biológica podia esperar até que Rachel estivesse pronta... Nos termos de Rachel.

Então apesar de tudo, realmente, as coisas tinham sido ótimas.

E esse não deveria ter sido seu primeiro sinal de atenção? O fluxo de felicidade, coisas boas e experiências produtivas não deveria ter trazido algum tipo de aviso, algum tipo de indicação de que algo iria dar errado?

Sue Sylvester, Rachel podia lidar. De fato, quando Sue tinha parecido (quase) intimidada pelo fato de que sua Capitã das CHeerios estava namorando a garota que incansavelmente levava essa desculpa de clube em frente em direção ao sucesso... Bem, Rachel tinha achado necessário suprimir um sorriso. Ela não queria parecer muito arrogante, afinal de contas.

Mas então ali estava Jacob. Jacob, essa desculpa nojenta de colega da comunidade Judia... Jacob, o aluno de McKinley High que agora detinha o poder de ameaçar as reputações de Quinn e Rachel com um apertar de um simples botão no computador... Jacob não era o tipo de ameaça que Rachel estava inteiramente confiante que ela podia lidar.

Mas então Quinn ficara a altura da ocasião – bravamente reconfortando Rachel quando era Rachel pra começo de conversa que firmemente acreditava que Quinn seria quem iria precisar de segurança; E Rachel tinha pensado, Huh, talvez eu possa lidar com isso também...

E então, Sr. Schuester – na bolha de ilusão dele – tinha passado pela porta com Jesse bem perto de si, anunciando que o jovem rapaz iria na verdade ser parte do Novas Direções... E Rachel imediatamente percebeu que, não, não era que ela não podia lidar com as coisas... Era só que – em situações tais como esta – Rachel sentia como se ela estivesse um horrível sitcom de televisão ou filme pra tv intitulado Vamos Ver Quem Pode Ferrar Rachel Berry Mais!e lá havia um time inteiro de escritores (ou simplesmente um incrivelmente desajustado escritor) tentando puxar as cordas dela e pressioná-la até que ela quebrasse.

Sim, tinha que ser isso.

Pelo menos ninguém tinha ficado visivelmente satisfeito ao ver Jesse. Bem, Brittany tinha tentado começar a bater palmas. Mas Santana tinha imediatamente agarrado as mãos da loira nas próprias, só sacudindo a cabeça uma vez para dissuadir Brittany de continuar.

Rachel tinha desviado logo o olhar de Jesse, optando ao invés disso em proceder às arquibancadas e tentar sentar antes dela simplesmente desistir e cair no chão em um monte excessivamente emocional e cansado.

Quinn não tinha seguido-a, mas tinha se colocado diretamente entre Rachel e Jesse – mãos nos quadris, queixo erguido, e um desdém firmemente escrito em suas feições.

Por um momento, os olhos de Jesse passearam de um membro do Novas Direções pra outro antes dele pomposamente dizer, "Eu pensei que todos iriam aceitar essa notícia um pouco melhor. Eu sou uma estrela. Vocês podem aprender de mim."

"Primeiro de tudo," Kurt começou. "Sua 'qualidade de estrela' não me impressiona – só quer dizer que eu terei que lutar ainda mais por um solo."

E segundamente," Mercedes continuou por Kurt. "Rachel não parece super feliz em ver você. O que quer dizer que nós – como colegas dela e apoio dela – também não ficaremos felizes em ver você." Com essa declaração, Kurt concordou e o resto do coral acompanhou a decisão.

"Ele é um espião, Sr. Schue," Santana disse com os braços cruzados firmemente sobre o peito. "Eu saberia." Novamente, o clube do coral inteiro concordou.

"Uou uou uou," Sr. Schuester tentou acalmar o grupo. "Eu vi a papelada dele. É tudo legítimo. Jesse frequenta essa escola agora."

"Mas isso não é justo –" Artie começou, só para ser interrompido pelo Sr. Schue.

"Pessoal! Qualquer um que sequer tenha tentado entrar pra esse grupo, conseguiu. É assim que fazemos as coisas por aqui. E de repente mudar as coisas agora? Isso seria injusto."

A sobrancelha de Rachel abaixou enquanto ela contemplava as palavras de Sr. Schuester. Só outro obstáculo, ela pensou morosamente, colocando o queixo na mão e se inclinando ligeiramente pra frente em sua cadeira.

Brittany tinha pacientemente estendido sua mão pra cima no ar. "Brittany?" Sr. Schuester perguntou.

"Sr. Schue, ele é seu filho?" ela perguntou, imitando os braços cruzados de Santana, um olhar confuso atrelado ao seu rosto.

Sr. Schue respondeu ao parecer ainda mais confuso que a líder de torcida loira e deu uma olhadela em Jesse, tentando ver se realmente havia uma semelhança. Jesse só levantou uma sobrancelha na direção do diretor, um sorriso cruzando seus lábios.

Rachel finalmente decidiu falar. Mas quando as palavras deixaram a boca dela, elas foram suaves, delicadas e cheias de trepidação. O tom dela fez com que Quinn se virasse parcialmente a fim de ver o rosto dela. "Eu não entendo porque você está fazendo isso." A garota grávida parecia cansada. Ambas as mãos estavam descansando protetoramente sobre a barriga dela.

"Porque quando você ama algo, você tem que lutar por isso," Jesse disse. "Você nunca ficaria completamente comigo se eu fosse do time adversário. E eu me importo com você mais do que ganhar outro título Nacional. Então eu saí do Vocal Adrenalina. Por você."

Tudo que Rachel pôde fazer foi sentar ali com um leve estupor, completamente incapaz de falar a essa altura (uma rara ocasião, por assim dizer).

Felizmente para Rachel, Quinn tinha mantido a habilidade de falar. E ela exercitou essa habilidade imediatamente.

"O que?" ela perguntou, sua fachada HBIC imediatamente vindo à tona – anos de prática e utilizando-se dessa habilidade fazia com que ela passasse por cima da estranheza da situação e preenchesse o papel espetacularmente. Seu pescoço virou ligeiramente pro lado enquanto ela se aproximava de St. James. "Quando você ama algo? Por que você se importa com ela? Por favor... Se você se importasse com ela, você teria feito um esforço pra ser parte da vida dela há meses – Diabos, você tentaria tentando quando você notou pela primeira vez que ela estava grávida! Mas o que você fez? Nada. Você sequer mostrou seu rosto até ter outros motivos de, primeiro – ser coagido pela mãe dela a passar secretamente para ela um bilhete e, dois – para potencialmente distrai-la suficiente na noite antes das Seccionais para que ela não estivesse em seu melhor, assim eliminando totalmente o Novas Direções como competidores."

Ele começou a abrir a boca dele pra protestar. "Sequer finja que você não pensou sobre isso," Quinn disse entre dentes, levantando um dedo para apontar diretamente entre os olhos dele. Ele fechou a boca rapidamente. Quinn cerrou os olhos dela. "Rachel está comigo, então eu não quero ouvir uma única palavra saindo da sua boca sobre ela estar com você novamente porque isso me deixará enjoada... E também isso é completamente irreal. Entendeu?"

Jesse não concordou nem discordou – realmente, ele não tomou conhecimento muito do discurso de Quinn. Ele, entretanto, tentou sorrir arrogantemente enquanto ela terminava, levemente dando de ombros em resposta.

O que irritou Quinn além da conta. Enquanto ela se movia pra pular em direção ao rosto do infeliz presunçoso, Puck e Finn já estavam cada um agarrando um dos braços dela pra segurá-la. Mas os dentes dela estavam trincados e ela tinha feito uma demonstração poderosa – e Jesse tinha se encolhido ainda que só um pouquinho. Então quando Quinn se acalmou o suficiente para os meninos a soltassem, foi com um sorriso presunçoso no rosto que ela se sentou na cadeira ao lado de Rachel – colocando o braço ao redor do ombro da garota e beijando-a levemente na têmpora.

"Tudo bem pessoal," Sr. Schuester bateu as mãos, logicamente ignorando a tensão não resolvida na sala. "Nós temos muito trabalho a fazer. Jesse," ele disse, estendendo a mão para o jovem rapaz. "Ótimo ter você aqui. Bem vindo à bordo." Jesse sacudiu a mão dele e sorriu pras doze (em sua maior parte) confusas faces do Novas Direções com um sorriso de boca fechada no rosto.

"Bem," Santana disse, mordendo os lábios. "Nós somos uma grande família feliz, não é mesmo?"


Quando o blog de Jacob foi ao ar naquela noite, Quinn teve que simplesmente desligar o celular dela. Ela não podia suportar ouvir o aviso de mensagem após mensagem de algum outro estudante sem rosto do WM questionando-a sobre o blog e a validade dele. Ela tinha brevemente cometido o erro de navegar no Facebook em um momento – ela tinha batido pra fechar o laptop de Rachel dentro de segundos. Até Rachel tinha ficado surpresa que o perfil do MySpace dela tinha recebido mais do que os seus usuais três a cinco visitantes (ela tinha dito, "Bem, pelo menos algo positivo tem que sair de toda essa loucura!").

Quinn tinha ficado temerosa pela sua reputação, sim. Não importa o quanto ela mudara nos últimos meses, o fato permanecia de que Quinn Fabray tinha sido popular pela maior parte da sua jovem vida adulta. A ameaça que pairava de cair do pedestal não era nem um pouco confortável – de fato, era bem aterrorizante.

Mas quando, no próximo dia – entre o segundo e o terceiro período – Quinn tinha visto David Karofsky pairar ameaçadoramente sobre sua namorada (que tinha imediatamente começando a se aproximar dos armários mais próximos, um leve olhar de pânico no rosto), algo dentro de Quinn voltou ao lugar.

Malditos sejam seus medos e esqueça suas preocupações – ela tinha uma namorada com uma criança não nascida para proteger.

Ela tinha imediatamente jogando os ombros pra trás, ligeiramente abaixado o queixo e se impulsionado pra frente. Ela teve que lutar para não cair na gargalhada quando os estudantes (que tinham estado sussurrando pelas costas dela por toda manhã) se abriram como o Mar Vermelho na frente dela.

É, ela pensou. Você é Quinn Fabray. Você é dona dessa escola.

"- E não ache que nenhum de nós vai aturar ver você se jogar sobre ela. Isso é nojento, e nenhum de nós quer você agir como uma sapatona completa por aqui –"

O discurso de Karofsky foi cortado quando Quinn o alcançou, girando-o pelos ombros e o forçando a ficar face a face com ela.

"O que?" Quinn o questionou – cada milímetro de veneno que ela podia reunir entrelaçou cada sílaba. Karofsky apenas sacudiu a cabeça duas vezes, os lábios fortemente selados. "Do que você acabou de chamar minha namorada?"

Um arfar coletivo foi ouvido ecoando pelos corredores enquanto as massas reunidas ouviam os rumores se confirmarem, direto da fonte oficial. "É, é isso mesmo," Quinn disse, virando pra se dirigir a cada grupo de estudantes reunidos perto do local. "Rachel é minha namorada e vocês todos irão respeitar isso. Eu sou a capitã das Cheerios – e nenhum de vocês deve duvidar nem por um único segundo do fato de que eu posso tornar sua vida um absoluto INFERNO NA TERRA."

Ela virou de volta pra Karofsky, olhando-o de cima a baixo com um desdém desgostoso no rosto antes de finalmente conectar os olhos nos dele. "Está claro?"

Ao invés de responder – e tornar a própria vida mais fácil – Karofsky bufou e sacudiu a cabeça uma vez.

E foi esse todo o tempo que levou para um borrão vermelho e branco sair do nada, bater em Karofsky e forçá-lo contra os armários, há uns poucos centímetros de Rachel, onde ele imediatamente começou a lutar para respirar, o ar sido retirado abruptamente dos seus pulmões.

"Ela perguntou, está claro? E você pode não ter respondido a ela da primeira vez, mas você me responderá," Santana grunhiu, seu antebraço pressionado duramente nos ombros de Karofsky e pelo pescoço dele. Ele começou a concordar freneticamente. "Bom," ela disse, completamente deixando de lado a aparência intimidadora e agressiva ao andar pelo corredor. Enquanto passava por Quinn, ela deu a outra garota um sorriso de lado.

Quinn se moveu pra frente – subconscientemente ciente da plateia ainda existente que tinha parado nos corredores, assistindo a cada passo dela. Ela se aproximou de Rachel e colocou uma mecha solta de cabelo atrás da orelha da garota antes de acariciar a bochecha dela docemente e perguntar, "Você está ok?"

Rachel começou a sorrir levemente e concordou. "Eu estou agora," ela respondeu.

Quinn segurou o mindinho de Rachel com o dela, e elas começaram a andar pelo corredor em direção às próximas aulas delas.

É, Rachel pensou. Algumas vezes vale a pena ser a namorada da Capitã das Cheerios.


Em algum lugar nos arredores de Cincinnati, alguns dias depois...

Judy Fabray sentou na ponta da cadeira barata e estragada, bebericando profundamente do seu copo de vinho branco. O vinho vinha em uma caixa e a caixa estava numa pequena mesa diretamente perto dela. As cortinas pesadas em seu quarto minúsculo de hotel estavam levantadas. A noite tinha caído do lado de fora e a escuridão opressiva fazia com que a mulher se sentisse como se estivesse sendo esmagada de todos os lados.

Ela tomou outro longo gole do seu vinho, querendo alterar seus sentidos e enevoar sua mente – permitindo a ela, talvez, adormecer do que tinha se tornado um pesadelo da vida real... A realidade dela.

A única luz estava vindo da pequena mesa do outro lado da sala. Russell Fabray sentara, encolhido, na frente do laptop dele – um copo grande e agora vazio estava colocado precariamente perto da ponta da mesa próximo ao cotovelo dele. O forte brilho da tela iluminava as feições dele. Tudo que Judy via era o brilho ao redor dos ombros dele, permeando a escuridão envolvendo o marido dela, bem levemente.

De repente – com uma rapidez que Judy não tinha percebido que Russell ainda possuía – ele se levantou, agarrou o copo, e o jogou com toda a força dele na parede acima da cabeceira da cama deles. Tinha se estilhaçado em milhões de pedacinhos. E Judy mal se encolhera.

"Nenhuma filha minha!" Russell rugiu com fúria pura e agressiva, raivosamente pegando o casaco dele das costas de outra cadeira e indo rapidamente em direção à saída do quarto. Ele continuou murmurando e xingando baixo enquanto ele batia a porta com força ao sair.

Lentamente, calmamente, Judy se levantou e andou até a mesa. Ela tropeçou levemente, se inclinando-se precariamente, antes de colocar a mão na mesa e ganhar de volta um pouco de equilíbrio. Ela piscou algumas vezes, tentando limpar sua visão – mas ela também continuou a beber do seu copo de vinho...

Eventualmente, Judy Fabray conseguiu ler a manchete que tinha resultado na abrupta partida do seu marido. Dizia: CAPITÃ DA CHEERIO E ESTRELA DO CORAL, CASAL PODEROSO LÉSBICO DO WH? VOCÊ SERÁ O JUIZ! E abaixo do título, uma foto que envolvia a tela inteira do laptop – uma foto da filha caçula de Judy num palco, avidamente beijando aquela garota Rachel.

Tremulamente, ela colocou o copo dela na mesa. Ela passou a mão sobre os olhos enquanto respirava várias vezes. Seus pensamentos inebriados eram nada mais do que uma bagunça gigante, mas ela sabia – sem sombra de dúvidas – que nada bom sairia disso. Ela precisava achar seu marido antes que ele fizesse algo que ele se arrependeria.