Um amor,

Um sangue,

Uma vida


Quinn estava sentada no banco do passageiro do carro de Rachel. Suas costas estavam pressionadas na porta, e suas pernas estavam cruzadas na frente dela para poder encarar totalmente sua namorada. Elas estacionaram na escola – a uma pequena distância do ônibus fretado das Cheerios e uma Sue Sylvester de olhar perverso com um megafone e uma caneca fervendo de alguma bebida supostamente escaldante.

Rachel se virou (o melhor que pôde) em seu próprio assento pra ver Quinn.

"Será uma semana longa," Rachel gemeu, permitindo que sua cabeça se apoiasse no encosto de cabeça do banco.

Quinn permitiu que um pequeno sorriso cruzasse os lábios dela – mas só porque Rachel era tão malditamente fofa. Ela se esticou e pegou a mão de Rachel na dela. E instantaneamente, ela ficou alarmada.

"Rachel!" ela exclamou, se inclinando pra frente em seu assento. "Você está quente? Sua mão está fervendo." Sem hesitar, Quinn esticou a outra mão e colocou na testa de Rachel e depois no pescoço dela. O veredito foi indiscutível – Rachel estava queimando de febre.

"O que?" Rachel questionou groguemente. "Não, Quinn. De jeito nenhum. Na verdade, estou meio com frio. Vou até ligar o aquecedor."

Ela se inclinou pra frente para alcançar o aquecedor e Quinn agarrou o rosto de Rachel com ambas as mãos – gentilmente apertando as bochechas dela e forçando a garota a olhar pra ela. Tentando ignorar a expressão absolutamente adorável no rosto de Rachel, Quinn disse, "Rachel, eu acho que preciso ligar pros seus pais. Você deve ir a um consultório tão logo quanto possível."

"O que?" Rachel perguntou novamente – mas dessa vez, um tom imediatamente óbvio de raiva e medo permeando sua voz. "Para que eles possam então mutilar minhas cordas vocais? Não, não – absolutamente não."

"Uou," Quinn tentou aplacar a garota furiosa na frente dela. "Rach, ninguém disse nada sobre mutilar você. Ok?"

Rachel suspirou, inclinando-se pesadamente contra a palma aberta de Quinn. "Eu odeio isso," Rachel disse, gesticulando em direção ao console central que estava entre os bancos do motorista e do passageiro no carro dela. "Está sempre no meu caminho." Quinn mordeu o lábio e arqueou uma sobrancelha numa tentativa de não dar risadinhas. "Eu só quero deitar em você."

O coração de Quinn parou de bater por um segundo. Ela estava completamente impressionada pela inocência de Rachel, tanto que ela quase não podia suportar. Ela também se sentia culpada – porque ela estava prestes a entrar em um ônibus e então em um avião e ela estaria há horas e horas de distância de Rachel... Por uma semana inteira.

Nesse momento, Quinn sentia que era absolutamente a pior namorada no planeta.

"Oh, baby," ela murmurou. "Sinto tanto em ter que deixar você. Promete que irá se cuidar? Descansar e não se cansar enquanto eu estou fora? Você precisa ficar melhor." Ela parou. "Por mim, ok?"

Rachel piscou seus olhos pra que abrissem. "É só uma coceira na minha garganta. Mas eu nunca fico com coceira na minha garganta. Eu nunca fico doente, Quinn. Eu não entendo isso." Ela suspirou. "Eu vou direto pra casa e triplicar meu regime de vitamina. E beber uma caneca fervendo de chá de ervas. E talvez fazer com que meu pai me leve ao acupunturista mais próximo."

Quinn sorriu. "Essa é a minha garota." Ela se inclinou sobre o maldito console central e beijou ternamente Rachel na bochecha.

"Quinn," Rachel meio que tentou se afastar da outra garota. "Não chegue tão perto! Eu não posso arriscar te deixar doente antes da sua competição."

Quinn apenas riu e beijou a outra bochecha de Rachel. Quando ela se afastou, Rachel estava oferecendo a ela um sorriso tímido.

Quinn estava prestes a se inclinar pra um último beijo – nos lábios de Rachel, claro – quando veio um agudo 'tap tap tap' na janela de Quinn. Ambas as garotas arfaram (Rachel tentou gritar, mas nada saiu – assim resultando nela agarrando sua garganta dramaticamente), e Quinn se virou no assento pra descobrir quem estava se intrometendo.

Ela encontrou o olhar gélido da Treinadora Sylvester.

Quinn virou de volta pra Rachel. "Mil perdões, amor. Mas eu tenho que ir. Eu ligarei pra você assim que chegarmos no aeroporto de Atlanta para deixar você saber que chegamos e checar como você está, ok?"

Rachel apenas concordou com a cabeça. Ela estava tentando não chorar.

Quinn deu um último beijo na testa, envolvendo-a em um rápido abraço antes de se afastar e dizer, "Eu amo você."

Rachel respondeu reverentemente sussurrando, "Eu amo você também, Quinn Fabray," antes de Quinn pular pra fora do carro agarrando as malas dela.

Quinn acenou uma despedida pra Rachel sobre o ombro enquanto Sue a escoltava em direção ao ônibus fretado. "Quantos anos você tem, Q, dezesseis?" Quinn concordou com a cabeça. "Você já beijou um garoto?" Quinn concordou novamente – dessa vez, com uma dose saudável de ceticismo e curiosidade. "Você acha que você é gay, Q? Ou hétero?"

Com isso, Quinn quase tropeçou. Ela não sabia. Ela honestamente não sabia. Então foi isso que ela disse à Treinadora dela.

Elas alcançaram o ônibus e Sue pegou as malas de Quinn, jogando-as embaixo do ônibus antes de dizer, "Bom. Você sabe por quê? Porque como você poderia possivelmente saber? Esse é o problema – sua geração está obcecada com rótulos. Então você e aquele bando de desajustados gostam de cantar trilhas sonoras – isso não significa que todos vocês são gays, só quer dizer que vocês são horríveis. E você sabe do que mais?" A voz de Sue baixou para um tom suave e conspiratório e ela colocou a mão no ombro de Quinn. A loira automaticamente se inclinou ligeiramente pra frente, mais do que um pouco intrigada para escutar o que Sue tinha a dizer. "Há apenas uma pessoa nesse mundo que pode dizer a você quem você é." Quinn apontou em direção ao próprio peito, sobrancelhas levantadas. "Não," Sue replicou, apontando para si mesma. "Eu. E eu ainda não me decidi totalmente sobre você ainda, Q."

E então Sue estava subindo no ônibus. E Quinn a seguiu, completamente e totalmente confusa. Porque Sue Sylvester dizia um monte de coisas loucas, e Quinn tinha aprendido a ignorar a maior parte quase sempre. Mas Sue – no seu próprio jeito estranho, louco e egocêntrico – tinha realmente sido bem inspiradora.

Quinn caiu no assento do outro lado do corredor de Santana e Brittany. Ela puxou o celular e mandou uma mensagem pra Rachel.

Quinn: Já sinto sua falta.

Santana se inclinou pelo espaço vazio entre elas e pegou o telefone de Quinn das mãos dela. Quinn sequer fez uma objeção.

"Oh Deus, mate-me agora. Eu vou ter que lidar com Sintomas de Abstinência de Rachel Berry por uma semana inteira?" Ela sussurrou provocando. Brittany riu e apenas correu os dedos pelo braço exposto de Santana.

Quinn apenas suspirou, inclinando a cabeça na janela com seus pés sobre o assento. Santana jogou o telefone de Quinn de volta no colo dela. Quando vibrou apenas alguns segundos depois, Quinn avidamente o abriu.

Rachel: Apenas lembre – se eu perder completamente minha voz e não puder mais me comunicar com você no momento que você chegar em casa – que eu tenho uma gravação embaixo da minha cama de mim mesma cantando cada solo em meu repertório para que você nunca tenha que esquecer como era a minha voz. Tenha uma viagem segura, amor.

Quinn fechou os olhos e sorriu pra si mesma, feliz no momento em aceitar o fato de que – mesmo que ela não estivesse com ela – Rachel era dela e ela era de Rachel. E quando as Cheerios voltassem pra casa, Quinn estaria indo pra casa pra namorada dela.


No dia seguinte no final do dia escolar, Rachel estava tentando não entrar em pânico.

Sr. Schuester entrou na sala do coral bem antes do ensaio do cube só pra achar Rachel tirando garrafa atrás de garrafa da mochila e colocando-as em cima do piano. Curioso, ele se aproximou dela.

"Uhh, Rachel? Está tudo... bem?"

Imediatamente, os olhos de Rachel voaram para os dele. "Eu pareço bem?" ela gritou.

Will mordeu a língua.

"Bem, eu não estou bem. Começou como uma coceira no fundo da minha garganta. Agora progrediu para uma dor insuportável – acompanhada por uma febre, dor de cabeça e isso" ela gesticulou para sua garganta, indicando sua voz incrivelmente rouca. Seus ombros caíram e ela pateticamente gesticulou em direção às garrafas sobre o piano. "Essas são as minhas vitaminas." Ela disse monotonamente. "Eu tripliquei minha dose. Estou esperando ver resultados positivos amanhã."

Will colocou a mão dele sobre o ombro dela. "Você acha que talvez você devesse ir a... um... médico...?" Com cada palavra, o olhar de Rachel tinha intensificado. Ao final da frase dele, Will simplesmente jogou as mãos pro ar defensivamente. "É só uma sugestão!" ele disse.

Os ombros de Rachel caíram indefesos antes dela começar a dividir cada uma das vitaminas dela em uma pequena (leia-se: enorme) pilha. Os outros membros do clube do coral tinham começado a chegar – apesar dos números deles estarem significativamente mais baixos sem Quinn, Brittany e Santana.

Uma vez que Rachel pegou sua mínima (leia-se: monstruosa) pilha de vitaminas, ela arrastou a mão dela ao longo do topo do piano, colocando todas as garrafas de volta na sua mochila aberta. Ela lentamente se virou e caiu numa cadeira na fileira da frente. Tina hesitantemente se aproximou de Rachel quando entrou na sala.

"Rachel?" Tina perguntou. Rachel apenas virou a cabeça molemente sobre os ombros pra encarar a outra garota. "Você já pensou em ir ao médico?"

Rachel sequer teve a energia para encarar novamente. Ela suspirou e Tina instantaneamente sentiu um impressionante sentimento de pena pela garota doente – ela realmente parecia adorável patética. "Eu não quero pedir aos meus pais pra sair do trabalho para ir comigo..." Um momento. "Não que eu aprove ir. De forma alguma. Porque eu não aprovo."

Tina sorriu aplacadoramente antes de passar a mão no joelho de Rachel num gesto confortador. "Sem problemas, Rachel. Eu levo você depois do treino."

Rachel concordou. Entretanto, seu aceno pareceu ter soltado algo – porque o local imediatamente começou a girar perigosamente. "Talvez," ela engoliu com dificuldade. "Talvez devêssemos ir agora."


"E se ele disser que eu nunca cantarei novamente?" Rachel questionou a amiga dela – que estava girando na cadeira giratória do médico. "Quero dizer, quem sou eu sem minha voz? Eu sou só essa garota grávida, mimada, chata que –"

"Não diga isso," Tina a interrompeu. "Há, tipo, tantas coisas incríveis sobre você, Rachel."

Um olhar esperançoso e curioso veio ao rosto de Rachel. "Como?"

"Você é linda, Rachel. Você tem uma namorada igualmente linda que está claramente apaixonada por você. Você é uma coreógrafa fantástica e uma dançarina adequada –" (ambas garotas sorriram um pouco com isso) " – e, além disso, ele não vai dizer que você nunca cantará novamente."

Tão logo essas palavras saíram dos lábios de Tina, o médico entrou na sala dizendo, "Más notícias, Rachel. Você provavelmente nunca cantará novamente."

Rachel arfou e sentou direito instantaneamente – apesar da sala girar perigosamente novamente.

"Estou brincando," o médico disse. Rachel queria socá-lo. "Você tem uma amidalite severa que resultou em uma infecção no ouvido interno. Ao que parece, essa não é a primeira vez. Você deveria tê-las tirado há anos."

"Por que eu deveria deixar você mutilar minha garganta quando só repousar minha voz por uma semana e engolir um monte de chá verde fará o mesmo trabalho?" Ela estava respirando profundamente e tentando não se mexer pra frente e pra trás. Tina se levantou e passou a mão em círculos nas costas de Rachel.

"Essa é uma infecção muito séria," o médico reiterou. Sem necessidade.

Tina falou. "Eu acho que ela está preocupada com a cirurgia afetar a voz dela ao cantar."

O doutor suspirou e apenas encarou Rachel por um momento. "Pelo menos, comece a tomar esses antibióticos," ele disse prescrevendo no que parecia a letra mais ilegível possível. "A não ser que você ache que eles vão ter um efeito contrário em seus movimentos de dança."

Quando Rachel pegou a receita dela, ela talvez tenha tirado dos dedos dele com um pouco mais de força do que o estritamente necessário.

Tina assistiu o médico ir embora antes de virar-se pra Rachel. Mas o olhar no rosto de Rachel imediatamente alarmou Tina – a garota pareceu quebrada, perdida e assustada. "O que você acha que eu devo fazer?" Rachel perguntou.

"Eu acho que essa é uma decisão que você e seus pais têm que tomar, Rachel. Mas você deve tentar os antibióticos primeiro." Tina parou e mordeu os lábios antes de dizer. "Eu sinto muito que foi eu que estive aqui com você e não Quinn."

Com a declaração de Tina, Rachel olhou pra cima imediatamente. Tina ficou alarmada ao ver lágrimas nadando nos olhos dela. "Oh, Tina," Rachel suspirou. "Não! Por favor não pense isso. Eu sempre apreciei sua amizade, e eu estou tão feliz que você esteve aqui comigo hoje." Os ombros dela caíram novamente. "Eu abraçaria você. Mas eu não quero que você fique doente."

Tina sorriu brilhantemente e disse, "Oh, dane-se isso," antes de puxar Rachel para um gentil abraço.

Quando elas finalmente se afastaram, Rachel fungou. Incerta, ela disse, "Eu tenho medo que qualquer cirurgia cause complicações pra minha gravidez."

As sobrancelhas de Tina subiram ligeiramente antes dela gesticular de volta pra porta e dizer, "Bem, deixe-me chamar o doutor novamente! Nós perguntaremos a ele sobre isso!"

Ela já estava se encaminhando pra porta quando Rachel a parou. "Não," ela disse. "Eu lidarei com isso se os antibióticos – e o chá verde – não funcionar."


No dia seguinte – quando Kurt estava vestido de flanela, boné de caminhoneiro e jeans soltos e Rachel estava em sua quarta dose de um antibiótico incrivelmente forte – Rachel disse, "Isso é a vida real?" depois de Kurt terminar de cantar uma música de Mellencamp.

Em resposta, Mercedes se esticou e colocou as costas da mãos na testa de Rachel. "Nossa, garota, você está fervendo."

Rachel não respondeu realmente. Ela apenas sentou ali. Mas ela estava determinada a não parecer tão doente que necessitasse de cirurgia.

Ela estava determinada.


No dia seguinte, Finn olhou do seu armário e viu Rachel andando pelo corredor. Ela estava usando um suéter pesadão sobre o que parecia pijamas e pantufas. Em suas mãos estava uma tigela de cereal. O cabelo dela parecia bagunçado – como se ela simplesmente não tivesse se incomodado de refazer a trança do dia anterior.

Finn fechou o armário dele e andou até a garota doente enquanto ela dava uma mordida no cereal. "Você está tipo, sonâmbula?"

"Você tem que poder dormir pra ser sonâmbula," ela disse com raiva. "Eu estou no meu terceiro dia de antibióticos, e eu não estou ficando nem um pouco melhor. O que quer dizer que eu vou ter que fazer uma cirurgia. O que quer dizer... Minh vida está acabada."

Finn abaixou os ombros e olhou Rachel diretamente nos olhos. "Você não acha que está sendo um pouco dramática? Até mesmo pra você?" Rachel deixou cair a colher cheia de cereal que ela estava prestes a comer de volta na tigela e olhou para Finn com uma expressão ávida e incomodada no rosto. "Eu estou tão cansado de você se sentir mal por si mesma!"

"Por que você não entende?" Rachel disse rispidamente. "Eu sou a minha voz! Eu sou como a Sininho, Finn. Eu preciso de aplausos... pra viver!" Ela tentou não chorar ao se distrair com outra colherada de cereal.

Finn respirou profundamente antes de dizer. "Eu tenho um amigo que eu gostaria que você conhecesse."

"Não outro médico," Rachel grunhiu. "Eu já vi seis."

"Não," Finn disse. "Ele é um velho amigo meu."

Rachel não disse sim, mas ela também não disse não.


Mais tarde naquele dia – depois que Rachel tinha ido pra casa, banhado e colocado roupas de verdade – Finn a pegou e a levou para uma das cidades vizinhas.

Eles pararam na frente da casa e Finn se virou no assento em direção à Rachel. "Eu tenho que avisar você sobre ele," ele disse.

Cansadamente, Rachel se mexeu no banco. "Ele é uma diva maior do que eu?" ela perguntou.

Finn riu. "Bem, ele pode ser algumas vezes." Uma expressão sorumbática caiu sobre o rosto de Finn. "Ele é paralítico, Rachel. Eu o conheci no acampamento de futebol há alguns verões. Um pouco mais tarde naquela mesma temporada, ele teve um acidente no campo. Ele é paralisado do peito pra baixo. Mas eu pensei..." Ele suspirou. "Eu pensei que, talvez, ouvindo isso dele faria sua situação parecer menos horrível."

Rachel abriu e fechou a boca várias vezes, sem saber o que devia dizer. Finalmente, ela olhou de volta pra Finn. "Ele tem muitas visitas?"

Finn deu de ombros. "Eu não sei ao certo. Eu tento visitá-lo uma ou duas vezes por mês."

Rachel concordou com a cabeça e eles saíram do carro de Finn.

Este apertou a campainha. Em apenas alguns momentos, a porta abriu-se.

"Olá," uma mulher adorável de meia idade disse enquanto abria a porta.

"Oi, Sra. Fretthold. Essa é Rachel."

A mulher sorriu brilhantemente pra Rachel, "Linda!" ela disse aprovando. Finn apenas sorriu estranhamente – e Rachel não se sentiu bem o suficiente pra corrigi-la. "Eu direi ao Sean que você está aqui," ela disse enquanto fechava a porta atrás deles. "Desculpe pela bagunça. Eu estive no telefone com a companhia de seguros o dia inteiro."

"Está tudo bem," Finn disse.

Rachel se aproximou da mesa no corredor. Tinha uma foto de um jovem atrativo em um uniforme de futebol azul, número oito colocado cheio de brilho no peito dele. "Esse é ele?" Rachel perguntou. Finn apenas concordou com a cabeça.

"Ele está pronto pra você," Sra. Fretthold disse.

Entrando no quarto de Sean – ainda sabendo o pouco de informação que Finn tinha dado a ela no carro – ainda foi um choque pra Rachel.

"Fab Five Finnster," Sean disse quando viu o outro garoto entrar no quarto. Rachel ficou parada estranhamente na moldura da porta.

"Fretter!" Finn disse antes de aproximar e bater o punho no de Sean. "Sean, essa é Rachel Berry. Rachel, esse é o Sean Fretthold."

"Tem namorado, Rachel?" Sean perguntou com um sorriso no rosto.

Rachel gaguejou por um momento. "N-não," ela conseguiu dizer.

O sorriso dele cresceu. "Parece que eu tenho uma chance."

"Bem, na verdade, eu tenho uma namorada." Finn sorriu, enfiando as mãos nos bolsos com as palavras de Rachel.

Sean só fez uma expressão brincalhona de dor antes de rir suavemente. "Justo," ele disse.

Alguns minutos depois, Rachel tinha escutado a história inteira de Sean – sobre ele ficar machucado, descobrir que estava paralisado e tentar cometer suicídio. Rachel tentou não deixar óbvio que ela estava tentando não chorar.

"Finn disse que sua voz está bagunçada," Sean disse. Rachel apenas deu de cabeça ligeiramente, um olhar perdido no rosto. "Ela vai voltar?"

"Eu – eu não... eu não sei."

"Indignada com o que perdeu?" ele perguntou novamente. O aceno de Rachel é pequeno – mas é uma concordância mesmo assim. "Eu fiquei também," Sean disse. "Tipo, ira de verdade."

"Eu não entendo. Você está... Mais feliz agora?" Rachel perguntou.

"Diabo que não," ele disse. "Eu estou miserável. Eu sinto falta do meu corpo. Sinto falta da minha vida. Dos meus amigos. Garotas. Mas eu percebi depois de um tempo que eu tenho outras coisas acontecendo. Eu sou mais do que uma coisa só. Eu sou bom em matemática. E eu posso cantar..."

Enquanto eles saíam, Rachel murmurou um suave, "Obrigada."

"Pelo que?" Sean perguntou.

"Só hum..." ela parou e pensou um pouco. Por me mostrar como eu sou sortuda. Por me mostrar que eu sou mais do que só minha voz. Por me apontar que eu tenho amigos, família e Quinn e esse bebê crescendo dentro de mim – e que minha voz é só uma parte de quem eu sou; não é minha identidade inteira. "Obrigada."


Dois dias depois, Rachel acordou às seis da manhã em ponto. Ela rolou e destravou o telefone.

Quinn: Como você está se sentindo essa manhã, baby?

Rachel não pôde deixar de sorrir. E então ela não pôde deixar de perceber que sua garganta não doía. E sua cabeça não estava doendo. E que o quarto não estava girando!

Rachel: Eu estou curada! Boa sorte hoje, meu amor. Eu vou te ver logo!

Enquanto ela subia no elíptico e começava sua rotina matinal de exercícios (sua muito reduzida rotina de exercícios desde que sua barriga estava ficando bem grande), sua mente viajou pra Sean deitado ali na cama dele – triste, sozinho e sem poder se mexer sozinho.

Bem, Rachel pensou. Talvez eu possa ser aquela que o mova.


Mais tarde naquela tarde, Sra. Fretthold escoltou Rachel até o quarto de Sean.

"Oi," Rachel disse baixinho.

"Oi," Sean disse. "Finn está com você?"

"Não," Rachel respondeu. "Eu vim sozinha. Tudo bem?"

"Sim," Sean respondeu simplesmente.

"Eu hum... EU só queria te agradecer. Por me mostrar que só porque eu não sou boa em outra coisa além de cantar não quer dizer que eu não sou boa se eu não puder cantar." Ela sorriu pra ele enquanto dizia isso, esperando que ele pudesse verdadeiramente entender o que ele tinha feito por ela. E esperando que ela pudesse fazer algo por ele. "Apesar de que eu admito que isso soou como um cartão de agradecimento muito ruim." Ela riu sozinha.

Sean sorriu. "Não," ele disse. "Foi legal."

Tentando não deixar um silêncio estranho assentar, Rachel disse, "Bem, de qualquer forma, eu estava pensando que eu poderia talvez retornar o favor. Eu pensei que eu podia dar a você lições de canto. Meio que pareceu uma área de interesse pra você. Eu podia vir talvez uma vez por semana ou algo do tipo? E nós podemos apenas ver como se comporta?" Seu comportamento tornou-se cada vez mais sério enquanto ela dizia, "Eu ajudei quase todos no nosso clube do coral. Alguns através de força bruta."

"Então sua voz voltou," Sean disse – uma declaração mais que uma pergunta.

Rachel concordou com a cabeça. "Calhou que uma dose heroica de antibióticos e uma misteriosa mistura de chá verde e um voto de silêncio é tudo que é necessário para curar amidalite." Ela sorriu novamente. "Eu provavelmente terei que retirar minhas amídalas em algum momento. Mas eu não estou mais com medo."

Sean sorriu. "Então você quer tentar agora?"

"Cantar com você?" Rachel perguntou. Ele concordou. "Sim. Sim, eu ficaria honrada."

Enquanto eles cantavam juntos, Rachel deixou suas lágrimas saírem.

"Is it getting better?

Or do you feel the same?

Will it make it easier on you now

You got someone to blame?"

E Sean sentiu que talvez… só talvez, essa ainda era uma vida que valia a pena viver.

"You say,

One love,

One life,

When it´s one need,

In the night.

One love,

We get to share it,

Leaves you, baby,

If you don´t care for it."


Mais tarde naquela noite – depois de Rachel ter gravado sua versão solo de Onepara o vídeo dela do dia pro MySpace – ela recebeu uma ligação de Quinn.

"Oi Baby. Como você está se sentindo? Tem certeza que está totalmente melhor?"

"Tenho certeza," Rachel respondeu. Ela sorriu ligeiramente – um pequeno traço de tristeza no rosto dela e na voz dela, por Sean.

"Você parece triste."

"Não!" Rachel praticamente gritou. "Pare de brincar comigo! Quando você vai me dizer se as Cheerios ganharam ou não as Nacionais?"

Quinn riu no telefone. Rachel quase desmaiou. "Sim, nós ganhamos," Quinn simplesmente disse. "E Santana puxou a saia de Brittany no palco. E Brittany não estava usando calcinha."

Rachel riu de um jeito fantástico. No ônibus fretado de volta pro hotel, Quinn praticamente desmaiou. "Eu verei você amanhã à noite, certo?" Rachel questionou.

"É," Quinn disse. "Nós chegamos em Cincinnati ao redor das três da tarde. E então nós estaremos em Lima em torno das cinco. Você vai me buscar?"

"Claro, Srta. Fabray. Eu não deixaria ser de nenhum outro jeito."

Houve um momento onde nenhuma garota disse nada. Rachel mordeu o lábio. "Eu amo você," Quinn disse.

"Eu amo você, também," Rachel respondeu. "Eu converso com você depois?"

"Ligarei pra você amanhã antes da escola."

"Boa noite."

"Boa noite, Rach."


O avião delas pousou com três minutos de atraso. O que significava que Quinn iria ver Rachel aproximadamente três minutos mais tarde do que previamente agendado. Ela suspirou com raiva e ligou o telefone já que ficou desligado o voo inteiro.

Ao lado dela, Santana rolou os olhos. "Checando a esposinha?"

Quinn deu uma olhada em Santana com o canto do olho. Ela bufou e disse, "É, você nem pode falar nada."

Brittany estava enrolada no banco – dormindo – com a cabeça descansando precariamente no ombro de Santana. A morena estava sentada de modo a não acordar a loira. "Pfff," Santana disse. "Eu não tenho ideia do que você está dizendo."

"Claro, Santana. Claro..."

Enquanto o time das Cheerios se encaminhava para a esteira das bagagens, Quinn sentiu um puxão estranho no estômago. Ela tinha mandado uma mensagem pra Rachel quando elas pousaram pra dizer a hora exata que ela chegaria ao estacionamento do colégio. Mas Rachel ainda não tinha respondido. Tinha passado uns bons quinze ou vinte minutos. E Rachel era uma respondendora de mensagens dedicada. Quinn mordeu o lábio pensativamente.

Elas se aproximaram da esteira correta – Esteira de Bagagens nº 3 – e ficaram paradas entediadas enquanto esperavam pela chegada da bagagem delas.

Mas uma voz estava sendo carregada pelo pátio. E Quinn literalmente sentiu seu sangue ficar frio e ser drenado de seu corpo. Freneticamente, ela virou a cabeça de um lado pro outro, tentando localizar a origem da voz.

E quando Quinn viu Judy Fabray gesticulando freneticamente para o guarda na cabine de segurança no lado oposto do átrio, ela histericamente se esticou e se agarrou no braço de Santana.

"Ai!" Santana disse. "Droga, Fabray, o que diabos está errado com –" Mas então Santana virou na direção do olhar de Quinn, percebendo a causa da histeria de Quinn. "Ai Meu Deus..." Santana sussurrou. Ela imediatamente segurou a mão de Quinn na própria e se encaminhou pra Treinadora Sylvester, alertando a mulher da presença da mãe de Quinn.

Juntas, todas as três se aproximaram da Sra. Fabray.

"Com licença," Sue disse, limpando a garganta com força para chamar a atenção de Judy.

A mulher virou com força e quase se lançou em cima da filha, um olhar de puro alívio no rosto enquanto exclamava, "Oh, Quinnie!"

Mas Santana parou na frente dela rudemente, empurrando-a pra longe da filha dela.

"Como cuidadora de Quinn durante essa viagem, eu gostaria de saber que direito você acha que tem de aparecer aqui. Há um mandado de prisão pra prender você e seu marido, e –"

"Meu marido," Judy disse. "Quinnie, seu pai. É por isso que estou aqui. Eu estava tão, tão certa de que ele estava vindo pra cá! E é por isso que eu estou aqui. Eu estava tentando pará-lo. Mas ele não está aqui. Ele não está aqui e eu não sei o que ele vai fazer ou onde ele foi –"

"Acalme-se," Sue interrompeu. "Por favor explique mais claramente. Nós não temos tempo para você ficar tagarelando."

Quinn estudou sua mãe. Ela tinha ficado desleixada com a maquiagem – Quinn podia ver pelo menos dois machucados visíveis no rosto dela e ela tinha um lábio aberto terrivelmente disfarçado. Quinn quis chorar quando Judy envolveu os braços ao redor dela, tentando se acalmar o suficiente pra avaliar o status da situação corretamente.

"Russell..." Ela calou-se. Sue estalou os dedos na frente do rosto da outra mulher. Judy refocou, seus olhos firmemente encarando os de Quinn quando ela suavemente disse, "Ele vai fazer algo terrível. E eu tenho medo de que estejamos muito atrasadas para pará-lo."

Did I ask too much?

More than a lot?

You gave me nothing,

Now that´s all I got.

We´re one,

But we´re not the same.

Well we,

Hurt each other,

Then we do it again.


N/T: Nada como um cliffhanger não é mesmo pessoal?