N/T: Mais uma vez vou ter que dar uma parada, gente :/ Espero voltar em quinze dias, com a terça parte final desta fic!

Outono 2008

Rachel Berry andava pelo corredor da Escola William McKinley, um sorriso brilhante cruzando suas feições. Suas meias de cano alto, sua saia na altura da cintura e seu cardigã de lã com estampa animal combinavam para completar sua vestimenta.

Era seu primeiro dia de Ensino Médio, e Rachel estava determinada e comprometida em determinar um precedente para os próximos quatro anos da vida dela.

Ela cantarolava levemente enquanto se aproximava do largo quadro de avisos em um dos corredores perto do escritório principal da escola. Ela virou o rosto para o quadro gigantesco de cara, e seus olhos imediatamente começaram a escanear os papéis numerosos e as listas novas. Ela sequer perdeu o foco quando ela pegou a mochila do lado dela pra puxar uma caneta super rosa e uma folha de adesivos. Ela tirou a tampa da caneta e colocou no outro lado dela e então se esticou pra frente.

Ela se inscreveu para o Clube do Discurso.

E o clube de Nações Unidas de Mentirinha.

E o Clube da Renascença.

E o Clube dos Estudantes Muçulmanos.

E a União dos Estudantes Negros.

E depois de cada um floreio final do 'y' em 'Berry', Rachel colocava uma estrela dourada brilhante – uma metáfora que qualquer e todos os futuros assinantes das listas veriam e notariam. Porque eu vou ser uma estrela, ela pensou consigo mesma, sorriso ainda totalmente intacto.

Ela estava prestes a se virar pra longe do quadro de avisos quando um último papel – colocado no canto esquerdo superior onde ela quase (quase) não viu – chamou sua atenção.

Clube do Coral.

Qualquer um que tivesse talvez testemunhado o comportamento de Rachel durante todo o Assalto ao Quadro de Avisos no Primeiro Dia de Aula teria dito que o sorriso da garota não podia ter possivelmente crescido tanto – ou então seu rosto teria ficado com risco de dano permanente. Mas quando Rachel viu 'Clube do Coral' no topo do pedaço de papel, seu coração voou e seu sorriso cresceu.

Desde que se entendia por gente, Rachel estivera cantando. Ela cantaria entusiasticamente para seu treinador vocal, seu pai, seu papai, suas tias e tios e avós – uma vez, no fundamental, ela tinha apresentado 'Funny Girl' para o show de talentos da escola dela. Algumas crianças tinham rido, e Rachel tinha inocentemente assumido que eles só não tinham entendido muito bem o significado da música. No dia depois do show de talento, o pequeno Noah Puckerman tinha vindo e empurrado o peito de Rachel com o dedo, dizendo a ela que ela era uma 'garota estúpida que cantava' e que ele tinha certeza que ela tinha 'piolhos.' Rachel tinha bufado e colocado um rosto bravo, simplesmente declarando que, 'Eu não tenho tempo pra sua besteirada, Noah. Algum dia, você irá trabalhar pra mim.' O garotinho tinha estirado a língua pra ela antes de sair correndo. Tão logo ele estava fora de vista, os olhos de Rachel começaram a marejar e ela os enxugou furiosamente. A professora substituta tinha aparentemente notado e ela se aproximou de Rachel antes de se agachar e dizer, 'Se você pode imaginar, pode se tornar real.' Rachel tinha contemplado as palavras por um momento antes de sorrir e dizer, 'Obrigada, Srta. Holliday.'

E ela nunca tinha realmente parado de cantar desde então.

Com um último floreio, Rachel assinou o nome dela na lista para o clube do coral – e então cimentou seu Destino no Ensino Médio. Ela pressionou duas estrelas douradas no papel – uma no começo do nome dela e uma ao final.

Satisfeita com o trabalho dela, ela colocou a caneta e os adesivos de volta na mochila dela e se virou para andar em direção à primeira aula do dia dela.

E ela encontrou o primeiro Slushy Facial dela de todos os tempos.

Ela engasgou, momentaneamente cega. Um olhar de horror cruzou seu rosto. Ela tentou ignorar a risada horrorosa e em câmera lenta que estava preenchendo os ouvidos dela – o tempo tinha diminuído e estava basicamente andando a passos de tartaruga enquanto Rachel tentava descobrir o que danado tinha acabado de acontecer. Ela levantou as mãos e fez os dedos de para brisas pros olhos.

Ali, logo do outro lado do corredor – um banheiro de meninas. Enquanto ela se impulsionava pra frente pra empurrar a porta pra dentro – e achar santuário ali – ela não encontrou nenhuma resistência onde a porta deveria estar. Porque alguém já tinha acabado de abrir a porta pelo lado de dentro. Os olhos de Rachel correram do chão e pousaram nos olhos da garota na frente dela.

O olhar dela encontrou um mar de avelã e confusão. Por um pequeno punhado de segundos, os olhos delas continuaram fixos uns nos outros.

"C-com licença," Rachel tinha gaguejado antes de derrubar o encarar e passar rapidamente pela garota em um uniforme de líder de torcida bem passado. O momento tinha passado.

Enquanto Quinn saía do banheiro – mandíbula ligeiramente aberta em choque da bagunça de garota que ela tinha acabado de testemunhar – ela se permitiu por um momento imaginar o que exatamente ela tinha visto naqueles olhos castanhos profundos e cheios de alma...

Well I heard ther was a secret chord,

That David played, and it pleased the Lord,

But you don´t really care for music, do you?

It goes like this,

The fourth, the fifth,

The minor fall, the major lift,

The baffled king composing 'Hallelujah.'


Outono 2009

Querido Deus…

Quinn descansou a testa gentilmente contra as costas das mãos dela. Ela estava ajoelhada no pequeno banco na frente da igreja. Ela estava orando.

Por favor me perdoe por meus pecados.

Os olhos dela, os quais estavam previamente bem fechados, piscaram e abriram. Ela estava hesitante. Ela não estava bem certa pelo que ela deveria estar pedindo perdão. Ela olhou pra cima. Na frente dela estava uma janela de vidro lindamente pintada. Ela fechou os olhos dela e abaixou a cabeça novamente.

Perdoe-me por não ver a beleza que sempre esteve bem na frente dos meus olhos.

Quinn pensou outra vez na apresentação do clube do coral de Keep Holdin On que ela tinha orquestrado. Para Rachel.

Eu estou tentando mudar. Por favor me ajudar a continuar nesse caminho.

Mas Quinn sabia o que o coração dela estava dizendo a ela. Ela sabia o que ela estava sentindo. Ela tinha sempre sido ensinada que isso era errado. De fato, era mais do que errado – era imperdoável.

A não ser que esse caminho não seja o seu desejo.

Quinn acreditava em Deus. Ou então, por que ela estaria aqui nesse momento? Ela precisava de algo – algum sinal, experiência ou tapinha divino no ombro – para guiá-la.

Por favor me perdoe por como eu tratei as pessoas no passado. Perdoe-me por dilacerar as pessoas na tentativa de me construir. Perdoe-me por cegamente seguir meu pai. Perdoe-me por mentir pras pessoas ao redor de mim através das minhas ações.

Quinn começou a chorar silenciosamente enquanto ela percebia que ela poderia ficar aqui por horas, simplesmente listando as coisas erradas que ela acreditava precisar de correção na vida dela.

Por favor, perdoe-me por essa pessoa que me tornei.

Quinn inspirou uma vez – uma respiração profunda e trêmula. Sua mão delicadamente tocou a cruz que estava ao redor do seu pescoço, pressionando-a contra a carne. Afundou-a na pele dela.

Amém.

Abrindo os olhos, ela verificou a igreja ao redor dela – a beleza, a magnitude e a paz que ela queria sentir mas não conseguia bem conseguir estavam todas bem tangíveis no ar ao redor dela. Passos suaves ecoavam pelo corredor e Quinn se virou enquanto o pregador andava em direção até onde ela estava sentada. Ela se inclinou pra trás, efetivamente sentando no banco atrás de onde ela estivera previamente ajoelhada. Ela cruzou as pernas e colocou as mãos no colo. Irmão David sentou no banco da igreja na frente de Quinn e se virou para que ele estivesse sentado de lado no banco para encará-la.

"Boa Tarde, Quinn."

"Olá," Quinn disse. Ela estaca chocada com a suavidade da própria voz e surpresa que parecia soar tão bem quanto soava.

"Está tudo bem?" David gentilmente perguntou.

Quinn mordeu os lábios e olhou pras mãos, cruzadas no colo. Está tudo bem? Ela se perguntou. Lentamente, ela balançou a cabeça negando uma vez.

"Algo que você gostaria de conversar sobre?"

Um punhado de lágrimas escapou e aterrissaram na pele dos pulsos de Quinn. "Você já foi..." ela começou, mas em breve parou de falar. David simplesmente sentou, pacientemente esperando. Quinn respirou profundamente e continuou. "Você já foi ensinado que algo era errado, mas então você experimentou – e quando você experimentou, seu coração foi levando você a acreditar que isso não era errado, que isso nunca poderia possivelmente ser errado, jamais? Que se o Deus que você ama e acredita não pudesse lhe amar de volta por causa dos seus pensamentos, sentimentos e emoções... Que talvez," Quinn parou e olhou hesitantemente pra David, preocupada que ela estaria se amaldiçoando com as próximas palavras e com medo de que David diria exatamente isso a ela. "Ele não é um Deus digno de ser acreditado?"

David concordou lentamente antes de dizer, "Bem Aventurados aqueles que foram perseguidos por causa do bem, pois deles é o reino dos céus." Ele esticou o longo braço sobre as costas do banco e apertou uma das mãos de Quinn na dele. Com o polegar dele, ele levemente enxugou parte da umidade das lágrimas dela. "Nosso Deus é misericordioso, perdoador, e um Deus todo amoroso, Quinn. Com o que quer que você esteja lutado, você não pode perder isso de vista – não importa o que as pessoas na sua vida –" ele parou " – ou na sua casa digam a você o contrário."

Os olhos de Quinn piscaram com emoção e gratidão. "Obrigada," ela suavemente respondeu, tentando dizer com cada sílaba que o pregador sentado na frente dela talvez tinha acabado de salvar a vida dela. "Muito obrigada."

Dando na mão dela um último aperto antes de soltar e se levantar, David disse, "Eu estou sempre aqui se você quiser conversar, Quinn." Ele sorriu gentilmente e então começou a andar em direção a frente da igreja e passou pela porta lateral à direita.

Enquanto os minutos passavam, Quinn permanecia sentada no banco. Finalmente, ela se inclinou novamente pra frente, ajoelhando-se na parte da oração.

Querido Deus, obrigada por me dar a capacidade de mudar, crescer e amar com todo meu coração. E obrigada por me amar – exatamente do jeito que eu sou. Amém.

No dia seguinte na escola, Quinn estava andando pelo corredor e ela percebeu Rachel indo em sua direção. Enquanto elas passavam uma pela outra, Rachel deu uma olhada pra cima e os olhos delas se conectaram. Rachel timidamente sorriu pra Quinn antes de morder ligeiramente o lábio dela (ela acabou de começar a enrubescer? Quinn imaginou) e continuou seu caminho pelo corredor.

E quando Quinn parou, se virou e encarou a garota grávida andando pra longe dela com a cabeça altiva, ela sentiu uma onda completamente inesperada e indiscutível de paz e calma passar sobre o corpo dela, da cabeça aos pés. Ela fechou os olhos e não pôde evitar o sorriso que apareceu sobre o seu rosto.

Quando ela se sentou na próxima aula dela, ela tomou um minuto para fechar os olhos e pousar a cabeça dela na mesa.

Obrigada, ela pensou. Obrigada.

Novamente, ela levemente tocou a cruz dourada pendurada ao redor do pescoço dela. Mas dessa vez, o metal frio não foi pressionado rudemente contra a carne dela – parecia calmante e certo por debaixo das pontas dos dedos dela.

Your Faith was Strong but you needed proof,

You saw her bathing on the roof,

Her beauty and the moonlight overthrew you.

She tied you,

To her kitchen chair,

She broke your throne, and she cut your hair,

And from your lips she drew the 'Hallelujah.'


Dia atual, 14:49

"E você pode sempre nos ligar aqui se você tiver alguma pergunta ou preocupação sobre a medicação, ok, querida?" Brendon estava de pé na janela do farmacêutico, se inclinando pra baixo para falar com a pequena senhorinha que estava parada diante dele, segurando a receita no peito dela.

Ela esticou o braço pra cima e levemente bateu a palma da mão dela na bochecha de Brendon em um jeito amoroso. "Muito obrigada, Sr. Berry. Você sempre foi meu empurrador de pílula favorito," ela disse cafonamente antes de se virar e sair da loja.

Brendon apenas riu e sacudiu a cabeça, pensando consigo mesmo que a Sra. Johnston era uma senhora muito incrível.

Ele se virou de volta para as prateleiras que abrigavam diferentes medicações, continuando a fazer o inventário de onde ele tinha parado antes da breve – e agradável – interrupção.

Cassie, a técnica principal de Brendon, estava digitando no computador dela quando disse, "Sra. Johnston tem uma paixonite por você há anos."

Rindo, Brendon respondeu, "Bem, não vamos dizer ao Marcus, né? Sra. Johston e eu conseguimos manter nosso caso amoroso secreto em segredo por tanto tempo, não há sentido em arruinar isso agora." Ele piscou.

Ambos, Brendon e Cassie, riram com gosto com a admissão brincalhona de Brendon. Enquanto eles se voltavam ao trabalho – Brendon voltando ao inventário e Cassie continuando a digitar várias novas prescrições – Cassie sorriu discretamente. Ele é um cara tão bom, ela pensou.

O sino acima da porta tilintou gentilmente pelo ar, e Cassie afastou os olhos da tela para encarar o cara que tinha acabado de entrar.

"Olá," ela cumprimentou o homem com um sorriso. "Posso ajudá-lo?"

Quando ele não respondeu imediatamente, Cassie levou um tempo para apreciar completamente a aparição dele. Eles trabalhavam em uma farmácia, afinal de contas, e eles viam todo tipo de gente todos os dias. Esse homem tinha um olhar intenso nos olhos e ele estava fechando e abrindo os punhos dele várias vezes. Imagino se ele é um usuário, Casse pensou enquanto continuava a esperar a resposta dele.

O homem passou de um pé pro outro. Ele olhou sobre o ombro um momento em direção a porta, como se contemplando em sair direto. Mas ele não o fez. Ao invés disso, ele finalmente se aproximou do balcão e Cassie se moveu para esperá-lo – talvez ele precisasse de ajuda em encontrar algo. "O que eu posso fazer por você hoje?" Cassie tentou novamente.

Finalmente, ele falou. "Eu estou procurando por um Sr. Berry."

As palavras dele foram curtas e grossas. Cassie olhou novamente para os punhos fechados dele. Ele notou e rapidamente os enfiou nos bolsos do casaco. "Claro, eu direi a ele que você gostaria de falar com ele. Só um segundo."

Ela virou e andou entre as pilhas. Brendon estava no lado oposto à área dos medicamentos – a provável razão que ele ainda não tinha vindo para ver qual era o problema. "Hum, Brendon?"

Imediatamente, a cabeça de Brendon se levantou e ele abaixou o caderno e lápis que estava usando. "Sim? Está tudo bem?"

"Há um homem aqui que quer falar com você." O tom de Cassie estava incerto.

"Há algo mais?"

"Ele parece realmente agitado. Pode não ser nada, não tenho certeza. Ele provavelmente só vai pedir por algumas seringas, ou drogas ou algo do tipo, eu não sei. Só... eu tenho um mau pressentimento." Ela se apoiou no pé direito e ficou parada com a mão no queixo.

"Ahh," Brendon disse. "Bem, eu acho que eu só tenho que ir ver o que ele quer, não é?" O tom dele era brilhante e despreocupado, tentando acalmar os medos irracionais da garota. Ele colocou uma mão gentil no ombro dela e passou por ela.

Cassie ficou parada, permanecendo nos fundos. Ela não podia descrever ao certo, se podia, mas algo parecia inerentemente errado. Ela se virou e voltou para seu posto de trabalho na frente.

Brendon colocou as mãos nos bolsos do seu jaleco branco antes de se aproximar do balcão. Ele não viu imediatamente ninguém, e ele quase assumiu que o homem agitado que precisara da ajuda dele tinha simplesmente ido embora no tempo que levou para Brendon pra vir à frente.

Mas então o homem saiu do canto – ele estava praticamente bem na frente de Brendon agora. Brendon arfou, as sobrancelhas dele levantando em choque. "Sr. Fabray," ele se dirigiu ao homem na frente dele, removendo as mãos dos bolsos e as colocando firmemente no balcão da frente dele.

Por um momento – mas só por um momento – Russell ficou chocado que o homem sabia quem ele era. Então ele cuspiu. "Então você sabe quem eu sou?"

Brendon concordou. "Sim, eu sei quem você é."

"Então você conhece minha filha."

Novamente, Brendon concordou. "Sim, eu conheço sua filha."

O jeito que Brendon disse isso aborreceu Russell. Aborreceu-o bastante. "Não aja como se você conhecesse minha filha," ele gritou. Brendon não se incomodou em corrigir Russell com o fato de que ele tinha dito isso primeiro. "Você não a conhece de forma alguma."

"Eu acho que você devia ir," Brendon disse suavemente, mas firmemente. "Eu chamarei a polícia. Você está sendo procurado pra ser preso. Pelo que você fez com aquela garotinha a quem você clama que eu não conheço."

Russell grunhiu. Tipo, literalmente grunhiu. "Você não fale assim comigo, sua bicha."

Brendon não reagiu à declaração de Russell de forma alguma. Ele tinha vivido em uma cidade pequena tempo o suficiente para se incomodar pelas inseguranças das massas. Ao invés disso, ele apenas disse, "Por qual motivo exatamente você está aqui?"

"Sua família perverteu minha filha. Ela não é como você! E sua filha putinha está se aproveitando dela. Eu não vou permitir!" Ele socou o balcão. "Eu protegerei minha família."

Brendon não devia ter dito o que disse. De fato, ele sabia tão logo as palavras estavam cruzando seus lábios que um homem tão desajustado quanto Russell Fabray não precisava ser provocado. Mas ele disse de qualquer forma. "Se bater na sua filha até deixá-la sem sentidos e quebrar as costelas dela e emocionalmente feri-la é o que você chama de proteger sua família, então você merece um prêmio."

O lábio de Russell se curvou e ele foi até o bolso do peito esquerdo do casaco com a mão direita.

Ele puxou uma pistola prata e brilhante.

Talvez Russell tivesse planejado um discurso antes de entrar. Talvez ele tenha sentado em seu carro por horas tentando descobrir exatamente o que ele queria dizer nesse momento. Talvez ele tivesse considerado as consequências – e talvez ele não tivesse. Mas ele não falou. E ele não hesitou. O pai de Rachel não teve sequer tempo de correr.

Cassie gritou e caiu ao chão quando o tiro soou. Ela freneticamente apertou o botão de alarme de emergência com o polegar (que ela havia se sentindo forçada a apertar desde que voltou pra trás do computador dela) várias vezes.

Os olhos de Brendon se arregalaram com o choque.

Russell Fabray não ficou para ver os frutos do seu trabalho – ele se virou e correu pra fora da farmácia.

Os joelhos de Brendon cederam imediatamente e ele caiu pra trás no chão, deslizando um pouco. Lutando por ar, Brendon gritou de dor. Suas sinapses estavam jogando lances poderosos de dor pelo corpo dele inteiro. O tempo desacelerou enquanto a adrenalina imediatamente começou a correr furiosamente pelas veias dele.

Cassie engatinhou em direção à Brendon, pairando sobre o corpo dele. Ela imediatamente achou a ferida onde a bala tinha entrado – na junção do braço superior dele com o ombro no lado esquerdo – e começou a aplicar pressão.

"A ajuda está a caminho," Cassie conseguiu dizer através do choro. "Ajuda está vindo."

Brendon queria concordar com a cabeça. Ele queria mover a cabeça em um gesto de compreensão e apoio para Cassie, para que ela pudesse parar de chorar. Mas ele não podia. E em menos de um minuto do momento em que Russell Fabray tinha apertado o gatilho, a escuridão tomou a visão de Brendon.

Maybe there´s a God above,

But all I´ve ever learned from love,

Was how to shoot somebody who outdrew you.

And it´s not a cry that you hear at night,

It´s not somebody who´s seen the light,

It´s a cold and it´s a broken 'Hallelujah.'


Dia atual, 14:58

Rachel Sentara pra sua última aula do dia. Ela estava inclinada na mesa, queixo na mão esquerda enquanto a mão direita batia o lápis sem sentir pra frente e pra trás na superfície. Ela começou a sonhar acordada...

Rachel estava mais velha – provavelmente 24 ou 25 – e ela estava andando pelo parque. No lado direito dela, Quinn estava caminhando junto ao lado dela. Seus dedos estavam frouxamente entrelaçados, balançando pra frente e pra trás entre elas enquanto caminhavam.

Numa curva do caminho, elas pararam e sentaram em um banco. Quinn, sendo um pouco maior, se sentou ereta e envolveu o braço esquerdo ao redor do ombro de Rachel. Esta puxou os ambos pés pra cima e pra baixo do seu corpo antes de se escorar pesadamente em Quinn.

Era primavera em Nova York, e era lindo.

Na frente das jovens mulheres, havia um brinquedo. Elas procuraram – com os olhos de pais cuidadosos – pela filha delas. Rachel riu quando viu a garotinha se balançar pelas barras como uma profissional. Quinn sorriu amorosamente, tirando o olhar da garotinha por um momento para plantar um beijo amoroso no topo da cabeça de Rachel.

"Ela é linda, não é?" Rachel perguntou.

Quinn riu suavemente. "Você sabe que ele é. Mas ela tem pais lindos, sabe. Eu posso não gostar de Jesse St. James furiosamente, mas não há argumento quanto a ele ser um colírio pros olhos."

Rachel virou o rosto dela pra cima, vendo Quinn enquanto a loira olhava reverentemente a criança dela – a criança delas. Sem poder resistir, Rachel levantou a mão esquerda e acariciou a bochecha de Quinn, virando o rosto dela em direção do de Rachel. O metal frio da aliança de casamento de Rachel passou na pele de Quinn. Ela então a beijou vorazmente, saboreando a doçura dos lábios da esposa.

Quando o ar tornou-se um problema, elas se separaram. Rachel passou ambos os braços ao redor da cintura de Quinn e suspirou – um suspiro cheio de contentamento, felicidade e amor.

"Onde você esteve toda minha vida?" Quinn murmurou no topo da cabeça de Rachel.

Rachel sorriu brilhantemente. "Bem aqui," ela disse, enfatizando as palavras dela com a mão dela, levemente pressionando sobre o coração de Quinn.

Os passos de pequenos pezinhos correndo em direção à elas distraiu as mulheres momentaneamente.

"Mãe!" a garotinha exclamou. "Mamãe!" ela gritou antes de deslizar para parar em frente do banco do parquinho. "Vocês me viram nas barras?"

"Sim, Colby, nós vimos você," Quinn sorriu brilhantemente pra filha delas. "Você foi espetacular!"

"A absolutamente melhor acrobata que eu já vi, talvez, em toda minha vida inteira!" Rachel proclamou excitadamente, sentando-se, abrindo os braços. Colby avidamente pulou pra eles, sentando no colo de Rachel.

Quinn se aproximou e amorosamente passou a mão pelo longo e ondulado cabelo castanho de Colby. Os olhos castanhos claros da garotinha brilharam com força. "Nós vamos pro seu show hoje à noite, Mamãe?" Colby perguntou com admiração e excitação cobrindo sua voz.

Rachel bateu no queixo pensativamente com o dedo indicador. "Hmmm, eu não sei... Quinn? O que você acha?"

Quinn se inclinou pra frente, beijando ambas as garotas suavemente na bochecha antes de dizer. "Eu acho que seria o final perfeito para um dia perfeito, não é?" Colby riu deliciada e pulou pro chão antes de se virar pra trás e envolver um bracinho ao redor de cada um dos pescoços das mães dela.

Sorrindo, Rachel disse, "Vamos pra casa, garotas."

Com Colby entre elas – uma mão em cada uma das suas mães – a pequena família se encaminhou pra casa.

Rachel piscou e acordou do seu sonho acordado quando o sino final soou, sinalizando o final das aulas do dia. Colby, ela pensou. Perfeito. Ela recolheu os pertences dela da mesa dela e se encaminhou pro armário dela.

You say I took the name in vain,

I don´t even know the name,

But if I did, well really, what´s it to you?

There´s a blaze of light,

In every word,

It doesn´t matter which you heard,

The holy or the broken 'Hallelujah.'


29 de dezembro de 2009

O quarto de Rachel está escuro. Só um suave brilho da televisão do outro lado do quarto provê alguma iluminação. The L Word está passando. O volume estava baixo, mas ambas as garotas ainda podem ouvir sem incomodar os pais de Rachel que já tinham ido dormir. Desde aquela festa de pijamas há alguns meses quando Quinn tinha deixado sua exposição limitada ao show escapar, Rachel vinha tentando fazer com que Quinn terminasse de ver a série.

"É muito informativo," Rachel tinha dito.

E então elas tinham visto um episódio ou dois a cada noite antes delas finalmente dormir nos braços uma da outra.

Mas hoje à noite, algo estava diferente.

Rachel estava deitada de costas, apoiada em vários travesseiros. Quinn estava enrolada ao lado de Rachel, a cabeça dela no vão do ombro de Rachel e sua mão fazendo leves círculos na barriguinha de grávida de Rachel. Esta, entretanto, mantinha-se agitada. Quinn queria prestar atenção ao show, sim; mas algo sobre o jeito que Rachel continuava cruzando e descruzando as pernas a distraía. Então ela se achou observando Rachel ao invés do show.

Uma cena particularmente pesada começou a se desdobrar na tela e Quinn podia literalmente discernir a aceleração do batimento cardíaco de Rachel por debaixo na sua orelha. Quinn não era, de forma alguma, inocente. E ela estava deitada na cama com sua namorada. E os pais de dita namorada já estavam dormindo...

Então Quinn levemente arrastou os dedos por debaixo da bainha da camiseta de dormir de Rachel, subindo-os para residir na sua posição prévia na barriguinha de grávida de Rachel – mas dessa vez, não havia nenhum material entre eles. Pele na pele fez com que a respiração de Rachel ficasse presa na garganta dela e ela soltou o menor dos gemidos.

"Rach?" Quinn questionou sua namorada.

"Hmm?"

"Você está bem?"

Quando Rachel não respondeu, Quinn olhou pro rosto dela. Os olhos da outra garota estavam resolutamente fechados e seus lábios entreabertos enquanto ela tentava manter uma respiração constante. Novamente, Quinn repetiu, "Você está bem?"

As pálpebras de Rachel fizeram aquele negócio de abrir lentamente que ela tendia a fazer, e, o próprio batimento cardíaco de Quinn acelerou um pouco. "Eu estou bem," ela murmurou. "Só..."

"Só...?"

Rachel suspirou antes dela finalmente admitir, "Eu só estou realmente, realmente excitada agora mesmo."

Quinn teve que morder o lábio dela e suprimir seus próprios hormônios enlouquecidos momentaneamente antes de se levantar em um cotovelo e encarar a garota abaixo dela. "Isso é uma coisa ruim?"

Os olhos de Rachel se afastaram dos de Quinn enquanto ela mordia o lábio pensativamente, tentando descobrir precisamente como colocar o que ela estava prestes a dizer. "Quinn, você é Presidente do Clube do Celibato."

O rosto de Quinn se iluminou com um sorriso divertido enquanto ela ria atrás de uma mão. "Sim, porque meu Pai queria que eu fosse. Porque minha irmã mais velha foi. E porque ele queria que eu fosse coroada Princesa do Baile de Castidade." Ela ficou séria e correu o polegar pela bochecha de Rachel. "Não porque eu realmente queria ser."

"Mas certamente as morais com as quais você cresceu e as práticas religiosas –"

Quinn a cortou com um beijo. Ela se afastou e, com os lábios ainda tocando os de Rachel, ela disse, "Algumas vezes, as coisas só parecem certas. Deus não me odeia por amar você – ou você por me amar. E se nós fizermos algo mais do que só um beijo, quem nesse mundo vai olhar depreciativamente pra nós por tomar parte em uma manifestação física de amor?"

Finalmente, Rachel suavemente falou. "Eu quero você, Quinn. Demais."

Quinn nunca tinha tido uma experiência sexual além de amassos e Rachel não lembrava sua própria primeira vez. Então juntas – com as peles delas queimando e suas bocas explorando e suas mãos tocando e amando – elas criaram experiências totalmente novas. E quando os corpos dela finalmente caíram um ao lado do outro na cama, elas sabiam que isso – o relacionamento delas, o amor delas uma pela outra e o futuro delas – não era errado, que simplesmente não podia ser errado em qualquer universo onde sentimentos e emoções que elas tinham acabado de experimentar juntas podiam existir.

"Obrigada," Quinn disse baixinho na bochecha de Rachel enquanto envolvia os braços ao redor do corpo desnudo de Rachel.

"Por?" Rachel perguntou, dedos subindo e descendo pela lateral nua de Quinn.

"Por ser minha."

"Sempre," Rachel respondeu com um sorriso doce no rosto.

Quinn procurou atrás dela e puxou o cobertor pra cobrir os corpos dela. E quando elas adormeceram – entrelaçadas nos corpos uma da outra – elas sonharam uma com a outra. E seus sonhos foram, de fato, doces.

There was a time you let me know,

What´s really going on below,

But now you never show that to me, do ya?

But remember when I moved in you.

And the holy dove was movin too,

And every breath we drew was 'Hallelujah.'


Dia atual, 17:06

O ônibus fretado estacionou logo ao lado de for a do Hospital Geral de Lima. Antes mesmo de sequer o ônibus fazer uma parada completa, Quinn estava firmemente colocada na frente da porta fechada do ônibus.

"Vamos!" ela gritou com o motorista do ônibus. Ele estava levando uma eternidade para abrir a porta.

Ninguém – nem Sue, nem Santana, nem Brittany ou sequer a burra Hailey Robertson – se incomodou em dizer a Quinn pra se acalmar. Teria sido inútil de qualquer forma.

Finalmente, a porta se abriu, e Quinn já estava na metade do estacionamento antes que Santana e Brittany conseguissem sair do ônibus para correr atrás da melhor miga delas.

Bom Deus...

A respiração dela estava errática quando ela quase bateu nas portas 'automáticas' da emergência. Elas estavam demorando tempo demais pra abrir (claramente tendo sido feitas pela mesma companhia que a porta do ônibus fretado), então Quinn freneticamente bateu ambos os punhos nelas. Elas começaram a se abrir e Quinn deslizou entre elas rapidamente antes de começar a correr pelo corredor.

Por favor me diga que eu não interpretei mal seus sinais.

As lentas portas deslizantes abriram pra permitir que Santana e Brittany alcançassem Quinn.

Por favor me perdoe...

A enfermeira de plantão na emergência viu Quinn passar voando e gritou, "Ei!" Mas Quinn já estava virando no corredor. Brittany parou por um momento para acalmar a enfermeira. Santana continuou correndo atrás de Quinn.

... Por ser egoísta. Por forçar meu caminho pra vida dela.

Os pés de Quinn batiam pelo corredor. As paredes brancas eram opressivas. Quinn engoliu o soluço enquanto as memórias fluíam à sua mente da última vez que estivera aqui.

Por favor me perdoe por trazer isso sobre a família deles.

Quinn parou deslizando em uma das salas de espera. Ela parecia perdida. Ela não sabia o que fazer. Ela não tinha conseguido achar Marcus pra perguntar a ele o que estava acontecendo. Caindo em um montinho no chão, Quinn começou a chorar abertamente.

Por favor deixe tudo ficar bem.

Santana a alcançou alguns segundos depois e caiu no chão ao lado de Quinn, abraçando a garota trêmula nos braços do melhor jeito que podia. Em breve, Brittany veio correndo pelo corredor com a enfermeira seguindo-a de perto.

Amém.

E agora, elas esperaram.

Baby I´ve been here before,

I´ve seen this room, and I´ve walked this floor,

You know, I used to live alone before I knew you.

I´ve seen your flag on the marble arch,

Love is not a victory march,

It´s a cold and it´s a broken 'Hallelujah.'


Dia atual, 15:03

Fechando a porta do armário atrás dela, Rachel se virou em direção ao auditório. Não havia ensaio do coral hoje, então Rachel iria trabalhar em algo dela mesma.

Ela andou pelo corredor do auditório em direção ao palco. Na fileira da frente, ela colocou a mochila no banco antes de procurar dentro dela pelo livro de partituras. Com o caderno firmemente nas mãos, ela subiu no palco – andando para a ala direita momentaneamente para ligar as luzes do palco. Felizmente, o piano que estava escondido fora do palco tinha rodas bem engraxadas, então foi relativamente fácil para Rachel rolá-lo para o palco brilhantemente iluminado.

Rachel carregou o banquinho e se sentou, arrumando sua camiseta sobre a barriguinha de grávida. Enquanto ela começava a tocar alguns aquecimentos no piano e cantar junto com cada nota, ela sentiu sua garotinha chutar – ela fez sua própria distinção mental de que a bebezinha estava chutando contente, mas quem podia dizer realmente?

"Calma, Colby," Rachel continuou a tocar o piano com a mão esquerda e gentilmente acariciou a barriga com a direita. E então ela sorriu bobamente. "Sim, eu acho que esse é o nome perfeito pra você."

Ela continuou a tocar escalas e arpejos até que ficasse satisfeita. Então ela abriu o livro dela para a página mais recente escrita. Seu lápis caiu do caderno pro piano e Rachel prontamente apanhou-o e colocou-o atrás da orelha dela. Ela começou do começo da música que ela estava escrevendo, trabalhando na melodia delicada, nota a nota nas teclas. Uma vez que ela tinha passado algumas vezes – com riscos e reescritos entrelinhas – ela começou a música mais uma vez; mas dessa vez ela cantou as letras também.

Enquanto o último acorde tocava, a voz de Rachel desvanecia. Ela tinha cantando a música com todo o coração que ela possuía, e ela estava satisfeita com os resultados. Mesmo assim, ela imediatamente se curvou sobre as teclas em direção ao caderno dela e começou a fazer notas em relação ao último verso...

Aplausos leves ressoaram da plateia e Rachel nervosamente virou no banco para se dirigir a quem quer que estivera escutando ela tocar. "Quem está aí?" Rachel perguntou, cerrando os olhos em direção às fileiras de bancos.

Lentamente, uma figura começou a se materializar e, enquanto os olhos de Rachel se ajustavam a luminosidade, ela reconheceu a forma da pessoa enquanto subia as escadas pro palco.

Rachel sorriu brilhantemente. "Srta. Holiday," ela cumprimentou com um sorriso, virando-se totalmente no banco para longe do piano para olhar a mulher mais velha.

"Olá Rachel," Srta. Holiday disse, sorrindo brilhantemente pra Rachel também à guisa de cumprimento. "Eu estou muito impressionada com essa música que você acabou de cantar. È de alguém que eu talvez conheça?"

Rachel enrubesceu. "Bem, sim – eu a escrevi. Na verdade, pra minha namorada."

Srta. Holiday sorriu conspiratoriamente. "Você vai tocar pra ela?"

"Em breve, eu espero," Rachel disse enquanto concordava lentamente. "Eu quero que seja perfeito." Rachel parou por um momento antes de se virar novamente e pegar o caderno. Ela segurou as páginas com a música aberta na frente do rosto contemplativamente antes de dizer, "Você sabe, eu acho que isso poderia ser apresentado como um ótimo dueto. Você estaria interessada em cantar comigo? Você pode cantar a melodia e eu farei a harmonia com você."

Srta. Holiday sorriu e disse, "Eu pensei que você nunca ia pedir," antes de sentar ao lado de Rachel no banco.

Depois de mais ou menos meia hora tocando a música, cantando e harmonizando, Srta. Holiday anunciou que, infelizmente, ela tinha que ir. "Eu te acompanho até o estacionamento, ok?" Rachel concordou, sorriso brilhante firme no rosto.

Logo que elas estavam prestes a empurrar as portas mais próximas do estacionamento, Srta. Holiday parou e colocou a mão no rosto. "Ah, não!" ela disse. "Eu esqueci minha bolsa na sala da Sra. Carlisle." Ela colocou uma mão sobre o ombro de Rachel. "Mas não se preocupe, Rachel. Ela vai totalmente amar a música que você escreveu pra ela, ou então meu nome não é Holly Holiday!"

Rachel sorriu e sacudiu a cabeça enquanto Srta. Holiday saiu de volta pelo corredor em direção à sala da Sra. Carlisle. Ela empurrou a porta e se encaminhou pro carro dela.

Suas chaves tinham aparentemente caído nos recessos mais profundos e escuros da mochila de Rachel, então ela estava tendo dificuldade pra localizá-las. Ela ainda estava há uns bons metros do carro quando ela viu um movimento no canto do olho. Ela olhou pra cima e ela completamente perdeu as habilidades de respirar, mover ou pensar.

Russell Fabray estava parado logo sobre seu ombro. Ele deve ter vindo atrás dela quando ela saiu do prédio.

E ele estava segurando uma arma na mão dele.

Rachel se virou para encará-lo totalmente, colocando as costas em direção ao carro. Ela continuou a se afastar lentamente, tentando colocar tanta distância quanto possível entre o pai de Quinn e ela mesma.

"Sr. Fabray," Rachel disse. "Você devia colocar isso pra baixo antes que alguém se machuque."

Ele deu outro passo em direção a ela e gritou. "Pare de se mover!" Rachel imediatamente cessou o progresso dela em direção ao carro. Ele deu outro passo antes de parar completamente. "Se alguém está machucando alguém, é você machucando minha filha," ele disse. "Como você se sente? Hein? Como você se sente sabendo que você está a condenando a uma vida no inferno?" Ele estava gesticulando selvagemente com os braços e a arma estava se se movimentando perigosamente.

"Deus é amor," Rachel disse. "E Ele não nos deprecia por amar um ao outro. E você também não deveria."

"Não me diga o que eu posso e não posso fazer, garota!" ele gritou. "Ela é minha. E eu não vou deixar você corrompê-la mais."

Ele levantou a arma e apontou tremulamente pra figura de Rachel – pra barriga dela. "Pense sobre o que você está fazendo!" ela gritou, preparando-se pra virar e correr.

"Eu pensei," ele disse antes de trazer a mão esquerda pra parar a direita dela.

De repente, Rachel ouviu os leves sons de pés correndo, e ela viu a Srta. Holiday correndo da frente da escola diretamente pra Russell Fabray. Ela gritou bem alto, "Oh diabos que não! Não um dos meus alunos!" antes de jogar Russell no chão.

Mas no momento do impacto – quando Holly estava jogando o corpo contra Russell – ele apertou o gatilho.

Rachel gritou e caiu no chão.

Srta. Holiday tinha caído em cima de Russell. Ela forçosamente pressionou os joelhos dela na parte superior dos braços dele, prendendo-o com sucesso no chão. Então ela puxou o braço pra trás e o socou – com força – direto no rosto. Ele apagou na hora.

Movendo-se rapidamente, ela tirou a arma dos dedos dele antes de se levantar e correr em direção à Rachel. Ela jogou a arma do outro lado de Rachel – tão longe quanto possível do homem inconsciente – antes de mexer no bolso dela e pegar o celular dela. Ela ligou pra emergência antes de se inclinar sobre Rachel.

Já havia sangue por todo lado. Estava jorrando da garota em ondas. A bala tinha atingido Rachel na coxa. Srta. Holiday não sabia muito sobre anatomia humana, mas ela sabia que a quantidade de sangue que Rachel estava perdendo não era bom.

Srta. Holiday rapidamente disse ao operador da emergência onde ela estava e o que tinha acontecido. O operador informou-a que a ambulância e a polícia estavam a caminho e que ela precisa aplicar tanta pressão quanto possível na ferida de Rachel. Srta. Holiday desligou e jogou o telefone dela pro lado antes de pressionar ambas as mãos na perna de Rachel e inclinou-se sobre a ferida pesadamente.

"Rachel," ela chamou, tentando manter o terror longe da sua voz. "Rachel, querida, você pode me escutar?"

Rachel fechou os punhos ao lado dela. Sua mandíbula estava fortemente cerrada. Ela mal podia pensar o suficiente para se manter consciente, muito menos responder a Srta. Holiday. Tudo que ela podia fazer era gemer de dor – uma dor excruciante.

"Eu sei," Srta. Holiday disse. "Eu sei, me desculpe. Só tente ficar acordada, Rachel. Fique acordada. Escute minha voz. Os paramédicos já estão a caminho. Eles estão a caminho, ok? Eles vão estar aqui logo e eles vão levar você ao hospital e aquele maldito vai apodrecer na cadeia. Eles vão estar aqui em breve, eu prometo."

Rachel tentou concordar. Ela talvez pode ou não ter sido bem sucedida – ela não podia dizer. Seus punhos fechados começaram a se abrir. Srta. Holiday notou com certo alarme que Rachel estava incrivelmente pálida.

"Só mais um pouco, Rachel. Escute," ela disse, ouvindo sirenes à distância. "Esses são eles vindo agora mesmo. Ficará tudo bem."

Rachel piscou – e foi quase impossível forçar os olhos dela a abrirem novamente depois.

"Fique acordada, Rachel!" Srta. Holiday estava gritando agora. "Lembra? Você tem que cantar sua música pra sua garota. Eu sei que ela está animada pra ouvi-la, Rachel. Ela ficará tão orgulhosa de você!"

A ambulância acelerou pra dentro do estacionamento, seguida de perto por dois carros de polícia.

"Rachel," Srta. Holiday disse, sua voz quebrando na primeira sílaba do nome da garota. Uma poça de sangue circulava ambas. Estava umedecendo os joelhos dos jeans dela enquanto ela estava agachada, ainda tentando parar o fluxo de sangue e vida da garota embaixo dela. "Ajuda está aqui, Rachel."

Havia apenas duas palavras quicando dentro da bagunça que era a cabeça de Rachel: Quinn. Colby.

E então os paramédicos estavam sobre ela e Srta. Holiday estava se movendo pra fora do caminho enquanto dizia a eles exatamente o que tinha acontecido e o corpo de Rachel estava gritando e sua visão estava desvanecendo e seu coração estava doendo.

E então não havia nada.

I did my best, it wasn´t much,

I couldn´t feel, so I tried to touch,

I´ve told the truth, I didn´t come to fool you.

And even though,

It all went wrong,

I´ll stand before the Lord of Song,

With nothing on my tongue but 'Hallelujah."